domingo, dezembro 14, 2008

Polícia reprime manifestações da oposição


A polícia russa recorreu este domingo à força para impedir manifestações da oposição ao Kremlin, cuja principal palavra de ordem era "não à revisão da Constituição!", e deteve dezenas de manifestantes em Moscovo e em São Petersburgo.
O Presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, decidiu rever a lei suprema do país para prolongar o mandato presidencial de quatro para seis anos e o mandato da Duma Estatal (câmara baixa) do parlamento russo de quatro para cinco anos.
Organizações da oposição extra-parlamentar, reunidas na frente "Outra Rússia", decidiram sair hoje em defesa da Constituição russa, pois neste mesmo dia em 1825 um grupo de oficiais russos revoltou-se em São Petersburgo para obrigar o czar Nicolau I a aceitar uma Carta Constitucional, inspirada nas Constituições espanhola e portuguesa da época.
As autoridades policiais de Moscovo e São Petersburgo tinham proibido a realização das "manifestações de discordantes", a pretexto de que os organizadores não aceitaram os lugares propostos pelos poderes municipais para a realização e prometeram "actuar de forma rígida, mas dentro da legalidade".
O jogo "do gato e do rato" entre polícias e manifestantes de organizações da oposição começou de manhã, quando agentes da OMON (polícia de choque) tentaram dificultar a chegada ao centro de Moscovo de participantes no congresso constituinte da frente "Solidariedade".
Sábado, o antigo campeão do mundo de xadrez Garry Gasparov fundou o novo movimento de oposição «Solidariedade».
Mais tarde, um forte contingente de polícias de intervenção impediu uma manifestação de generais e almirantes na reserva, que fazem parte da União dos Oficiais Soviéticos, na Praça Puchkin, no centro de Moscovo.
"Os militares veteranos esperavam que as suas fardas impusessem respeito, mas enganaram-se. O poder não tolera, tem medo da oposição", declarou à Lusa um dos manifestantes.
Quando o general na reserva Aleksei Fomin, dirigente da União dos Oficiais Soviéticos, chegou à Praça e se dirigiu aos manifestantes para os felicitar pela "data de 14 de Dezembro de 1825, dia em que os oficiais russos defenderam a Constituição", um general da polícia interrompeu-o para dizer que os discordantes estavam a violar a lei.
Palavra puxou palavra, a polícia de choque avançou para dispersar os manifestantes e arrastou algumas dezenas de veteranos de guerra para carros celulares.
Desse modo, a polícia impediu que os veteranos de guerra russos se juntassem à "Marcha de Discordantes", marcada para outra praça do centro da capital russa.
Aqui, dezenas de OMON tomaram posições em redor da praça e junto das saídas do metropolitano para impedir a concentração de manifestantes, detendo jovens militantes do Partido Nacional-Bolchevique, força política proibida por lei, quando eles tentaram desfraldar bandeiras ao vento.
Entre os detidos estão Eduard Limonov, Alexandre Averin e Serguei Aksionov, líderes da "Outra Rússia".
A polícia de choque não permitiu também a realização de manifestações da oposição em São Petersburgo, tendo detido, segundo o correspondente da rádio Eco de Moscovo, "pelo menos dez pessoas".

5 comentários:

Diogo disse...
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Afonso Henriques disse...

"O Presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, decidiu rever a lei suprema do país para prolongar o mandato presidencial de quatro para seis anos e o mandato da Duma Estatal (câmara baixa) do parlamento russo de quatro para cinco anos."

Tendes a certeza que esta foi a única alteração? Que pensa o povo Russo disto? Não têm opinião?

"Os militares veteranos esperavam que as suas fardas impusessem respeito, mas enganaram-se. O poder não tolera, tem medo da oposição"

E os militares Soviéticos, quando detinham o poder, toleravam a oposição? Quantos cairam por causa da sua intolerância. Estar a ladrar isto, tendo em conta o passado da Rússia e aquilo em que a Rússia se tornou hoje, é, é... indescritível.

Nuno Bento disse...

Cuidado porque o Partido Nacional-Bolchevique também não deve ser nenhuma pêra doce...

Jose Milhazes disse...

Caro Nuno, a pera é bastante amarga.

Flávio Gonçalves disse...

Ena o Limonov, julguei estava semi-retirado da política agora que é pai de família... pelos vistos não.