segunda-feira, janeiro 12, 2009

Até onde vai a incompetência da diplomacia europeia?


Enquanto jornalista, não me arrisco a prever quando é que chegará ao fim, se é que chegará, a guerra do gás entre a Rússia e a Ucrânia. A situação criada é tal que já não se pode escapar à ironia e ao escárnio.
A Rússia assinou um protocolo com a UE sobre o controlo do trânsito do gás russo através do território ucraniano, que depois deveria ser assinado também pela Ucrânia. Kiev assinou, mas decidiu, com o conhecimento dos diplomatas europeus, acrescentar emendas ao documento para provar que não é o culpado da crise, ou seja, que não tem dívidas perante a gasífera russa Gazprom e não rouba gás dos gasodutos. Ora se a parte ucraniana não é a culpada da suspensão dos fornecimentos de combustível azul à Europa, então o culpado é o Kremlin.
A reacção de Moscovo não se fez esperar, o Presidente russo, Dmitri Medvedev, considerou o documento assinado por Kiev e Bruxelas uma "nulidade" e ordenou ao seu Governo para não o cumprir.
A parte ucraniana lá aceitou assinar o protocolo sem adendas, mas continua a exigir que elas sejam discutidas com a Rússia e a União Europeia.
O porta-voz do primeiro-ministro Vladimir veio pôr em dúvida a legalidade do documento, porque ele foi assinado por "funcionários ucrânios de um nível mais baixo", por um vice-primeiro-ministro e pelo director-adjunto da Naftogaz da Ucrânia.
Na semana passada, o Tribunal Económico de Kiev suspendeu a vigência do acordo sobre o preço do trânsito do gás russo pelos gasodutos ucranianos, porque o documento fora assinado "por um funcionário sem competências para isso".
E há pelo menos uma séria razão para duvidar da legitimidade das assinaturas. É que o protocolo com as adendas que iraram o Kremlin tinha a assinatura de Iúlia Timochenko, primeira-ministra da Ucrânia.
Numa altura em que a Ucrânia se prepara para eleições presidenciais, e talvez parlamentares, os candidatos aos mais altos cargos querem apenas responder pelas vitórias, porque as derrotas não dão votos.
Da parte russa, Vladimir Putin reconheceu que, afinal, a Rússia não estaria contra a aquisição dos tubos ucranianos que transportam o seu combustível azul para a Europa. Depois de adquirir 50% das acções da Beltransgaz, a empresa bielorrussa que gere os gasodutos que transportam gás russo para a Europa, o Kremlin dá-se ao luxo de vender combustível azul à Bielorrússia a pouco mais de 120 dólares por mil metros cúbicos. Como Kiev não quer seguir o exemplo, exige-se que pague 450 dólares pela mesma quantia, ou seja, um preço insuportável para a economia ucraniana e inaceitável numa altura em que os preços internacionais dos combustíveis descem em flecha.
Nesta guerra política de élites, de clãs russos e ucranianos, a UE é a principal refém, mesmo pagando o gás atempadamente e aos mais altos preços.
Não se sabe que se Bruxelas irá tirar as devidas conclusões, mas, a julgar da forma como tenta resolver o problema, os resultados não serão brilhantes.
É verdade que a UE parece ter conseguido um acordo entre Moscovo e Kiev, mas com que custos? Como é possível que os mediadores europeus deixaram a Ucrânia acrescentar emendas ao protocolo quando sabiam que o Kremlin iria reagir da forma que reagiu? Se se admitir que os diplomatas de Bruxelas não esperavam essa reacção de Moscovo, então temos de constatar que são incompetentes.
Esta não é a primeira vez que a diplomacia europeia revela, digamos de forma suave, desatenção nas relações com a Rússia. Durante a guerra entre a Rússia e a Geórgia, em Agosto passado, Nicolas Sarkozy, Presidente francês e então dirigente da UE, foi a Moscovo e conseguiu travar o conflito, mas depois viu-se que, no acordo assinado entre a UE e Moscovo, a diplomacia europeia "se esqueceu" de deixar claro que a Ossétia do Sul e a Abkházia são parte integrante da Geórgia.

34 comentários:

Jest nas Wielu disse...

Quem ficou beneficiado com a crise do gás?

“Nós podemos participar e na privatização, se o Estado ucraniano quiser isso. Mas lá (na Ucrânia) se faz o fetiche do sistema de gasodutos. (O sistema) é considerado como património nacional, obtido quase dos céus e não é elegível à privatização, mas nós podemos participar na privatização, se a Ucrânia decidir isso”, - disse V. Putin na entrevista à TV alemã ARD, que será exibida no dia 14 de Janeiro.

“Durante os dias, quando Gazprom deixou de fornecer o gás a Ucrânia, o seu prejuízo totalizou cerca de 800 milhões de USD. Gazprom foi obrigado a fechar cerca de 100 furos, embora sem o perigo das consequências tecnológicas”, - disse o Putin na mesma entrevista.

Fonte:
http://www.ard.de

Canção finlandesa “Niet, Molotoff”, sobre a Talvisota, ataque da URSS contra a Finlândia em 1940:
http://www.youtube.com/watch?v=eTlbkjRg9-o

PortugueseMan disse...

"não me arrisco a prever quando é que chegará ao fim, se é que chegará, a guerra do gás entre a Rússia e a Ucrânia."

Ela chegará ao fim quando os objectivos russos forem atingidos. E pelos os vistos um deles será o reconhecimento de quem andou a desviar o gás, o que pelas atitudes ucranianas, já não é preciso contratar um detective para se descobrir.

"um preço insuportável para a economia ucraniana e inaceitável numa altura em que os preços internacionais dos combustíveis descem em flecha."

Inaceitável porquê? então qual o preço de mercado hoje para qualquer país?

"Como é possível que os mediadores europeus deixaram a Ucrânia acrescentar emendas ao protocolo quando sabiam que o Kremlin iria reagir da forma que reagiu? Se se admitir que os diplomatas de Bruxelas não esperavam essa reacção de Moscovo, então temos de constatar que são incompetentes."

Não o são, a questão é quem estava lá para permitir as emendas? os checos? Porque com os checos a Rússia vai ter bastantes problemas nestes 6 meses e duvido se vão conseguir dialogar, ou se a Rússia irá optar por os ignorar em questões da UE. Se foram os checos a permitir isto, vamos ter uma situação grave de representação e confiança por parte da UE como um todo e algo vai ter que ser feito, para garantir que a posição europeia que está agora a ser reprensentada por eles, não seja posta em causa, devido a interesses próprios.

"...diplomacia europeia "se esqueceu" de deixar claro que a Ossétia do Sul e a Abkházia são parte integrante da Geórgia"

Bom, não há comparação. França arranjou um compromisso e quem estava numa posição de força era a Rússia que estava no terreno. Para arranjar um acordo, este teve que ser aceitável para a Rússia e de certeza que o que esta queria lá ver era outra coisa. A Geórgia fez asneira e perdeu, a França foi lá tentar salvar alguma coisa e de certeza que não era com exigências de declarações de integridade territorial que Sarkozy iria levar algo dali. Sarkozy foi lá para salvar o que pudesse do erro cometido pela Geórgia e sabe-se lá mais por quem.

Jest nas Wielu disse...

Ler artigo do Vladimir Milov, presidente do Instituto da Política Energética (Rússia)
“O preço alto de mais”:
http://gazeta.ru/column/milov/2923125.shtml

Jose Milhazes disse...

Leitor PortugueseMain, temos resposta para tudo. Então, explique-me quais foram os objectivos da Rússia neste conflito com a Ucrânia?
Tratou-se de uma manobra separada dos (ou aceite pelos)checos o incidente com o protocolo? Se assim é, a UE deixa transparecer uma excelente figura. Uma repetição das posições em relação à guerra entre Israel e Hamas, quando a presidência checa defendeu trata-se de uma posição defensiva de Israel e Londres e Paris vieram condenar Israel logo a seguir?
Quanto à justificação do trabalho de Sarkozy no conflito entre a Rússia e a Geórgia, ela parece boa, mas apenas à primeira vista. É claro que fez parar a guerra, e Sarkozy deve ser elogiado por isso, mas não nos devemos esquecer que foi cometido um grave erro, ou seja, não foi garantida, pelo menos no papel, a integridade da Geórgia. Amanhã, acontece um conflito semelhante noutro local, porque o mais forte sabe que vai acabar por ser "compreendido".
Não será mais honesto reconhecer a realidade, ou seja, que Bruxelas não tem uma política externa e de segurança única, comportando-se cada um dos membros da UE como "chicos espertos" que tentam ganhar algum com "relações preferenciais" com Moscovo?

Jose Milhazes disse...

Peço desculpe ao leitor, mas esqueci-me de abordar mais uma questão. A Europa assinou contratos com a Rússia sobre fornecimentos de gás a cerca de 450 dólares por mil metros cúbicos, quando o petróleo estava a 150 dólares o barril. Hoje, ele está a pouco mais de quarenta e, segundo as normas internacionais, a queda do preço do gás ocorre, normalmente, seis meses depois da queda do preço do petróleo.
Além disso, é mais barato fazer chegar o gás da Ásia Central e da Rússia à Ucrânia do que à Europa do Leste ou Central.
Claro que a Rússia pode pedir o preço que quiser, trata-se de um direito soberano, resta saber se alguém está disposto a pagá-lo (o que também é um direito do comprador).

PortugueseMan disse...

O Objectivo da Rússia é claro e é só um, tirar o mais rapidamente de cena, qualquer político que queira aderir à NATO.

Sim, eu penso que os checos permitiram esta situação do contrato. os checos estão com um grande problema com o sistema anti-míssil que a Rússia considera uma grave ameaça ao seu território e é um dos países que faz o que pode, para não haver estreitamento de laços entre UE e Rússia. Agora como é que eles vão conciliar os interesses europeus e os interesses próprios é que eu não sei e pelo o aspecto a coisa promete ser feia.

Não foi garantida a integridade territorial? A Geórgia teve muita sorte em a Rússia não ter exigido o presidente numa bandeja, ou ter bombardeado tudo o que fizesse a economia da Geórgia funcionar.

Eu não sei o que foi necessário para que Sarkozy tivesse conseguido umas tréguas, mas aqueles dois territórios nunca quiseram fazer parte da Geórgia e com o ataque que a Geórgia fez, perdeu qualquer direito a tê-los, agora só pela força.

Já agora por acaso alguma vez viu esse documento de 6 pontos? eu nunca o vi. Mas tenho curiosade sobre o que foi acordado ao todo.

Bruxelas não tem política única porque é dificil de todos concordarem com o mesmo, se eu lá em casa até tenho problemas muitas vezes a chegar a um acordo com a minha mulher, imagino isto a 27 e cada um com o seu interesse. Portanto tem que se tentar arranjar o melhor compromisso possível e que seja minimamente aceitável por todos.

Agora claro que se a Europa não se consegue chegar a um entendimento sobre as relações com a Rússia, quem tem interesses estratégicos com eles, o irá fazer separadamente. e no caso da energia isso é claro com a construção dos 2 novos pipelines.

E isto não são relações preferênciais é a realidade da vida.

Da mesma maneira que um país, como a UCrânia que decida que quer integrar uma organização militar hostil à Rússia, estando ao mesmo tempo dependente desta em termos energéticos e ainda por cima subsidiados é suicídio completo. E um presidente que insista nisto, francamente não me parece que esteja a trabalhar para o interesse nacional como seria o seu dever.

PortugueseMan disse...

No entanto não se esqueça que o valor inicial proposto, foi de 250 dólares, muito abaixo dos 450 e a Ucrânia recusou.

Mesmo que seja mais barato fazer chegar o gás à Ucrânia, a diferença não pode ser nestes valores.

Agora sem contrato, e se a Ucrânia quer gás, paga a preços de mercado até ser redigido um contrato que pode (e vai ser subsidiado).

Se alguém está disposto a pagá-lo? está sim senhor e muitos países vão querer pagá-lo e possivelmente poderá não haver disponibilidade de atender a todos os clientes, mas primeiro os novos pipelines têm que estar prontos.

Jose Milhazes disse...

Leitor PortugueseMan, a Ucânia não vai pagar 450 dólares por 1000m3 de gás porque não tem dinheiro, tem reservas pelo menos até ao fim do Inverno e a produção nacional cobre parte significativa das necessidades. A Gazprom, pelo contrário, tem mesmo de vender o gás para não fechar mais poços (já fecgou 100) e para conseguir dinheiro para não falir. Além disso, a Ucrânia pode também aumentar substancialmente o preço do trânsito.
Este é dos casos é que ambas as partes devem esforçar-se por chegar a acordos equilibrados e vantajosos e não para estragaram definitivamente as relações entre elas. Trata-se de dois grandes países vizinhos: o primeiro e o segundo maiores da Europa.

PortugueseMan disse...

Claro que a Ucrânia não vai pagar isso (a não ser que adira mesmo à NATO) a Rússia tem consciência do que causaria à Ucrânia, um ajustar demasiado rápido para valores de mercado.

Mas a Rússia não é a Santa Casa de Misericórdia, e se a Rússia está a vender a preços muito mais baixos está a perder dinheiro, que vendido a outro cliente obteriam maiores lucros.

Portanto se a Ucrânia quer ajuda da Rússia, o mínimo que se pode pedir é que a respeite. Coisa que este presidente não o tem andado a fazer.

Estou para ver o dia em que uma empresa produtora de energia và à falência e ainda por cima com as actuais e futuras necessidades que estão sempre em crescimento.

Se fechou poços das duas uma, ou já não conseguem extrair desses mesmos têm que abrir outros, ou com os preços a descer neste momento, não é rentável trabalhar neles.

Seja como fõr o que isso pode causar é uma diminuição de produção que irá conduzir a um aumento do preço.

Seja lá como fôr, haverá sempre dinheiro, nem que para isso o cliente que necessite, invista para ter acesso a essa energia.

E não podemos esquecer que estão em construção 3 pipelines, dois para a Europa e um para a Àsia.

Quem vai alimentar estes pipelines? Uma Gazprom falida não o será de certeza.

Ricardo disse...

Foi se a época de Yeltsin em que Rússia aceitava tudo calada, agora os tempos são outros. UE reluta em admitir que a culpada é a Ucrania que não tem condiçoes financeiras de pagar pelo gás, então está a roubar ele.

Jose Milhazes disse...

Leitor Ricardo, a Rússia, enquanto país soberano, tem direito a tudo, mas os Estados vizinhos também. Eu sempre considerei que a Ucrânia e a Geórgia deveriam dar mais importância à vertente económica de integração na Europa, até porque não se entende bem para que serve uma organização como a NATO. Mas esses países têm direito a aderir à NATO se assim o desejarem e ninguém tem o poder de veto.

Ricardo disse...

Claro, cada país tem o direito de seguir o caminho que quiser, mas isso não o livra de represalhas por outros país, tudo tem um preço!

Wandard disse...

"Quanto à justificação do trabalho de Sarkozy no conflito entre a Rússia e a Geórgia, ela parece boa, mas apenas à primeira vista. É claro que fez parar a guerra, e Sarkozy deve ser elogiado por isso, mas não nos devemos esquecer que foi cometido um grave erro, ou seja, não foi garantida, pelo menos no papel, a integridade da Geórgia. Amanhã, acontece um conflito semelhante noutro local, porque o mais forte sabe que vai acabar por ser "compreendido"."

Sr. Milhazes com certeza, mas fica agora a eterna pergunta

E a integridade do Iraque e do Afeganistão?

Quem tem telhado de vidro, não pode atirar pedras no telhado dos outros. Os países que possuem tropas nestes países, são culpados por violarem a integridade destas nações, e se não me engano são tropas de alguns países europeus, incluindo a Geórgia, além claro do maior contingente que são de americanos.

Na questão de Bruxelas não possuir uma política externa única, concordo plenamente com o senhor visto, os exemplos acima. Se vale para os ingleses, franceses, espanhois, italianos, georgianos etc... Acho que também vale para os Russos. Se querem cobrar atitudes corretas de outros que também tenham atitudes corretas.

Jose Milhazes disse...

Leitor Wandard, os erros ou crimes até da política externa norte-americana não servem para justificar comportamentos semelhantes de outros países. Se os senhores da droga nas favelas brasileiras matam, isso não significa que a polícia se comporte do mesmo modo.
Pela sua lógica, a espiral de violência será infinita.
Você leu neste blogue a minha pessoa a justificar a política dos Estados Unidos? Farei isso se vier a propósito, mas não para justificar ou condenar políticas de outros países.

Anónimo disse...

A Rússia tem tanto direito de cobrar o que quiser quanto os EUA de manter o bloqueio econômico com Cuba...É justo não é?

sérgio

Anónimo disse...

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Concordo! Seguindo o raciocínio de alguns defensores da Rússia, os EUA tem o direito de manter o bloqueio contra Cuba também.

Anónimo disse...

Este PortugueseMan é um espanto!
Então acha que o facto da Geórgia ter perdido a soberania sobre partes do país reconhecidas internacionalmente (ONU,UE,OCDE,OSCE,et,.) foi uma sorte para a Geórgia!
Isto é a lei do mais forte ou do Direito Internacional?
Bem sabemos que há um hipocrisia criminosa sobre o Tibete (enquanto toda a gente berra com Gaza...), que deveria ser independente, foi invadido pela China contra todo o Direito ´(as potências comunistas sempre tiveram tratamento especial pelos media, e ONU), mas isso não dá o DIREITO a Moscovo de roubar uma parcela de território à Geórgia e depois "aceitar" a independência que eles exigiram.
Pq não fazem o mesmo no Congo, DARFUR( o maior GENOCÌDIO actual), Sri Lanka/Tamiles,, Curdistão, Chechénia, Ossétia do Norte, Inguchétia,etc.?

O Sátiro

Anónimo disse...

eu não esqueci que a Rússia, (ops, URSS :-)), invadiu o Afeganistão na década de 80. Durante a ocupação, cerca de 1 milhão de civis morreram e 5 milhões de pessoas abandonaram o país.
Depois dessa intervenção, o Afeganistão nunca mais ficou em paz.
The CIA World Fact Book reported that as of 2004, Afghanistan still owed $8 billion in bilateral debt, mostly to Russia



Instalados em grandes acampamentos, com material pesado, o Exército russo não tinha a mobilidade necessária para enfrentar os guerrilheiros afegãos, que escondidos nas montanhas, as quais conheciam minuciosamente, castigavam as tropas russas que se aventuravam pelos estreitos caminhos da região e derrubavam os Hind com suas armas leves. A Rússia jamais os subjugou e anos mais tarde sairia da guerra desmoralizada.

Wandard disse...

Sr. Milhazes,

Não prego a espiral da violência, só que existem ações engendradas pelos Estados Unidos, justificadas por informações falsas dos serviços secretos desta nação e pela Inglaterra, que resultaram na invasão do Afeganistão e do Iraque, que continuam ocupados por soldados enviados por vários países europeus. Outro fato que foi citado é o bloqueio a Cuba pelos Estados Unidos, um absurdo que se mantém desde os tempos da guerra fria. Como falei estas atitudes são anteriores à guerra da Geórgia e que providência foi tomada por Bruxelas, ou pelos dirigentes destas nações. Que direito ou que moral tem estas nações de cobrarem ou exigirem qualquer coisa da Rússia. Antes de tudo estes países têm de retirar suas tropas do Iraque e do Afeganistão, os Estados Unidos cancelar o bloqueio a Cuba, para começar, pois a lista não é pequena.

Não entendi porque o exemplo da favela, mas pode ter certeza que o problema não se resolve com instalação de Ong's estrangeiras, que terminam sendo coniventes com o tráfico, o problema é muito mais além da história de ingerência governamental, mas sim da ambição de ganhar dinheiro fácil sem esforço, a ter que trabalhar o dia inteiro para ganhar pouco. As poucas favelas do Rio que conseguiram se livrar deste problema, tiveram sucesso devido à ocupação permanente de forças policiais, após a expulsão dos traficantes.

Quanto ao Afeganistão, foi sim um grande atoleiro para a União Soviética, mas graças ao apoio que os americanos deram aos Mujahadin, inclusive destacando que treinaram e armaram Osama Bin Laden, que hoje tem a cabeça a prêmio pelos seus ex-aliados. Os Estados Unidos deram o troco da vergonha do Vietnam que a União Soviética apoiou.

Francisco disse...

Com menos esforço saímos deste imbróglio. Compare-se na Geórgia com o Kosovo. Querem um exemplo melhor? Pelo contrário a situação na ex- Jugoslávia é ainda muito mais grave no que diz respeito ao direito internacional! Haja um pouco mais de sensatez por favor.
Tenho dito.
Cin.naroda

Francisco disse...

Já aqui questionei. Qual é outro país que a Rússia mantém qualquer contencioso sobre os preços ou a passagem do gás pelo seu território? Exemplos; Japão,China, Finlândia,Pré-Báltica, Polónia, Alemanha, etc. etc.! A Ucrânia além de não aceitar actualização dos preços recusa-se a pagar o que deve, para caloteiros só existe uma medida, não se vende mais.
cin.naroda

Hugo Albuquerque disse...

Wandard,

No que toca ao embargo americano à Cuba, vale também acrescentar que nos primeiros anos da Revolução cubana a ilha sequer mantinha negócios com a URSS, sendo que tal aliança veio depois, diante da postura intransigente dos EUA em não apenas bloquer como tentar violar a soberania do ilha; no caso ucraniano ocorre o contrário, posto que a própria "revolução" laranja se deu com o apoio americano tendo em vista interesses claramente anti-russos -mediante a formação de um verdadeiro cerco em torno da Rússia, contexto no qual entra o próprio apoio militaresco à Geórgia.

José Milhazes,

Se os senhores da droga matam, a polícia deve prendê-los, mas se eles esboçarem qualquer reação, a polícia deve reagir com todo vigor e matá-los se for necessário. É justamente por um política fraca de combate ao crime que o Brasil, esse país maravilhoso que sempre recebeu tão bem os estrangeiros - em qualidade e quantidade - vive esse estado de coisas - mas não será com fraqueza que isso se resolverá.

Jose Milhazes disse...

Comentário enviado pelo leitor João Santos via mail:
"Caro Milhazes,

Tenho seguido o blog "DaRussia" mais como observador.
Em relação ao tema em destaque, apenas uma mensagem: a Ucrânia tem retido o gaz que se destina a outros países. Suponho que tanto dos russos como dos ucranianos há passos maliciosos. A Ucrânia é, neste caso, intermediária, entre o fornecedor e o consumidor (seja a Alemanha, a Austria ou a Bulgária).

Um comentador "anónimo" refere-se a situações existentes em vários pontos do Globo, como no Sri Lanka, no Curdistão, no Tibete ou no Darfur. Cada caso é um caso e as comparações e similitudes não podem ser assumidas. Por exemplo, o território "Curdistão" está retalhado entre quatro países. O Curdistão, como estado, não existe, apesar de haverem populações "curdas" nesses países. No Sri Lanka, os tigres tamiles são (eram?) um grupo que lutava pela independência de uma parte da ilha, com uma base de confissão religiosa e de identidade diferentes.
Quanto à Geórgia, as conclusões tiradas não são tão lineares como foram produzidas. O território Geórgia fez parte da URSS. Como ao longo da história europeia, todos os impérios que se criaram e desfizeram, levaram à migração de povos e populações, dividindo-so, anexando-os ou forçando-os a assumir outra nacionalidade (ou a perdê-la). A Ucrânia, a Rússia estão entre estes casos. Quando da independência da Geórgia (e independência não é apenas erguer uma bandeira e criar um hino...) as populações russófonas foram como "arrebanhadas" e separadas da origem. Não são maioria nessas zonas? Elá se levanta a velha questão: a quem pertence a terra? A quem a habita ou a quem a conquista?"

Anónimo disse...

Claro que de quem a conquista, não sejamos imbecis. Pois como na natureza, no campo geopolítico prevalece a vontade legítima do mais forte sempre. Por isso, sou a favor das anexações que a Grande Rússia está a fazer em relação à Geórgia e futuramente em relação à Ucrânia.
Um povo mais forte, culto e disciplinado, como o russo, deve subjugar um povo fraco como o ucraniano. È um dever natural!!!
Li hoje na imprensa russa, que até o final desse ano, uma invasão vai começar pelo sul. A Rússia vai começar a inflar as idéais separatistas de sua minoria na Criméia, e assim, como na Geórgia, vai invadir o país para proteger a sua gente da violência ucraniana. Destruindo, ao final, um país que nunca deveria ter existido antes.

Alex

Gilberto Mucio disse...

Esse Alex tá lendo muita epopéia, ou jogando muito RPG, viu...(risos) :))

Acorde pra vida, jovem. hehe

Anónimo disse...

Ôllha, se eu pagasse aluguel e o dono do apartamento aumentasse a taxa em mais de 100% de uma hora pra outra, eu também iria me revoltar.

Ricardo disse...

Você teria razão de revoltar se o preço que vc pagasse fosse o dobro que a maioria paga, quando a verdade está ai pra quem quiser ver, enquanto a europa ocidental paga 450 doláres a Ucrania estava a pagar 179 doláres, será que a Rússia deve mudar o nome pra: " casa de caridade"?

Anónimo disse...

Só que o combinado do "aluguel" era 179...não importa se os outros "inquilinos" pagam o dobro. Trato é trato, pois comigo você combinou isso.
E ficaria sim revoltado, se apesar da combinação, você dobrasse de uma hora pra outra o preço do aluguel. Deveria ser gradual!!! É o que a Ucrânia quer.

Jest nas Wielu disse...

2 Ricardo

A Ucrânia pagava 179 USD, mas cobrava apenas 1,6 USD por cada 100 km da passagem do gás "russo" (a parte russa é cerca de 56%). Por exemplo, a Eslováquia pagava 270 USD, mas cobrava 4 USD por 100 km. O nosso território é 950 km, faça as contas e veja quem ficará a ganhar.

Solidariedade europeia necessita-se

Conflito de gás obriga a UE ter uma nova política energética

Honestamente falando: os europeus até agora não entenderam que o senso comum e os processos mundiais os obrigam a praticar a solidariedade, se eles querem que a sua União ganhe a posição neste mundo global.

Russland / Ukraine

Gasstreit zwingt EU zu neuer Energiepolitik

Von Joachim Fritz-Vannahme * | © ZEIT ONLINE 14.1.2009 - 11:25 Uhr

Noch immer fließt kein Gas aus Russland durch die Ukraine gen Westen. Europa wird in dieser Auseinandersetzung kalt erwischt. Da hilft nur eins: Solidarität
Der Euro ist soeben zehn Jahre alt geworden, Glückwunsch. Doch was hat das mit dem Gasstreit zwischen Russland, der Ukraine und der Europäischen Union zu tun? Eine ganze Menge. Denn die gemeinsame Währung ist der beste Beweis dafür, was Solidarität unter Mitgliedsstaaten bewirken kann (selbst wenn die Briten, Schweden, Dänen da noch zögerlich abseitsstehen).

Ganz anders bei der Energiepolitik: Was hilft auf dem Papier jede Vereinbarung zwischen EU, Ukraine und Russland über Beobachtung und Bedingungen des Gasflusses durch die Ukraine, wenn auf europäischer Seite Bulgaren und die Slowaken in frostigen Zimmern hocken, Griechen, Österreicher oder Polen sich über die Raumtemperatur morgen früh den Kopf zerbrechen müssen – und andere das alles ohne klamme Finger in der Zeitung nachlesen können?

Die EU ist wider besseres Wissen bei der Energiesicherheit noch meilenweit von jener Reife entfernt, die sie zum Beispiel in der Währungspolitik, ja selbst bei den nationalen Konjunkturprogrammen in der Weltwirtschaftskrise derzeit an den Tag legt.

Grundsätzlich betrachtet und gesprochen: Die Europäer haben noch immer nicht verstanden, dass Vernunft und Weltläufe sie zur Solidarität zwingen, wenn ihrer Gemeinschaft die Selbstbehauptung in dieser globalen Welt gelingen soll.
Oder freundlicher formuliert: Sie tun sich schwer damit, ihre eigenen Erfolgsrezepte auf alle Felder anzuwenden und auf Einsicht in Notwendigkeiten die richtige Politik folgen zu lassen.


Ohne Solidarität keine Solidität. Bleiben wir beim Gasstreit: Die Erkenntnis ist längst da, dass Europa seine Energiequellen breiter streuen muss. Die Einsicht ist auch nicht neu, dass es zwischen den Mitgliedsstaaten von der Infrastruktur her keinen Notfallplan gibt, mit dem die Europäer im warmen Wohnzimmer über Nacht den armen Mitbürgern in der Kältekammer helfen könnten.

Das hat zunächst mit russischem Kalkül oder ukrainischen Zwangslagen wenig zu tun. Hier muss sich die Gemeinschaft der 27 Mitglieder erst einmal in den eigenen Grenzen (und in der eigenen Begrenztheit ihrer Energiezufuhr aus eigenen Quellen) besser organisieren. Spanien etwa verfügt an seiner Küste zwar über Flüssiggasterminals – aber nicht über jene Pipeline, die den östlichen Partnern das Leben in diesem Winter erleichtern könnte.

Das bedeutet Milliarden an Investitionen, klagen die Energiekonzerne, und die müssen sich erst einmal rechnen. Stimmt: Aber werden derzeit nicht Milliardeninvestitionen für neue Konjunkturprogramme geplant?
Es gibt heute in der Europäischen Union tatsächlich allenthalben jede Menge "Technischer Einschränkungen der EU-Solidarität", wie die Frankfurter Allgemeine jetzt in der Gaskrise lakonisch titelte:

- bei der Energieversorgung, wie eben beschrieben,
- bei der Vollendung des Binnenmarkts ganz im Allgemeinen, wie die Brüsseler Kommission nimmermüde nachweist und beklagt,
- bei der nötigen Ergänzung der Währungsunion durch die Wirtschaftsunion (das ist im EU-Jargon übrigens von Beginn an ein Begriff gewesen, „Wirtschafts- und Währungsunion“ steht in den verpflichtenden Dokumenten und Beschlüssen),
- beim Ausbau des Europäischen Sozialmodells, ohne das einer Wirtschafts- und Währungsunion die breite Anerkennung versagt bleiben wird,
- im Auftritt auf internationalem Parkett, selbst wenn da vieles besser geworden ist (zwar reisten wieder vielköpfige EU-Delegationen ins nahöstliche Kriegsgebiet – aber immerhin sprachen sie mit einer Zunge).

Welt und Wirklichkeit erteilen der Europäischen Union in diesen Tagen gleich auf dreierlei Weise ein und dieselbe Lektion: Wer als Europäer im Gasstreit selbstständig handeln will; wer in der Weltwirtschaftskrise nicht einfach das Schicksal erleiden will; wer zum Frieden an den Brandherden der Weltpolitik ernstlich beitragen will - der muss sich seiner Solidarität sicher sein. Nur Einigkeit macht Europa noch stark. Sonst ist alle Rede von Europas Selbstbehauptung nur Prosa von Sonntagsreden.

Wenn es denn noch weiteren Beweises bedurfte, so zeigt der Gaskonflikt den Europäern, dass ihnen nicht die Umstände und auch nicht ihre Nachbarn Zeit schenken. Böse Zungen mokieren sich über das gelähmte Europa. Das ist falsch. Aber wer in derart beschleunigten Zeiten auch nur lahmt, der wird die eigenen Ziele nicht erreichen, die eigenen Interessen und Werte nicht verteidigen, die eigenen Bürger schlecht schützen können.

In solchen Zeiten ist übrigens immer Winter. Schon gemerkt?

Fonte:
http://www.zeit.de/online/2009/03/eu-russland-ukraine-gasstreit?page=1

* Joachim Fritz-Vannahme, langjähriger ZEIT-Redakteur, leitet die Europa-Projekte der Bertelsmann-Stiftung. Bei der ZEIT war er u.a. Korrespondent in Paris und später in Brüssel, leitete nacheinander die Ressorts Wissen und Politik und war stellvertretender Chefredakteur.

Anónimo disse...

off-topic


China revisa PIB de 2007 e se torna 3ª maior economia

http://br.invertia.com/noticias/not
icia.aspx?idNoticia=200901140953_RTR_12319268
16nN14438478&idtel=

sérgio

PortugueseMan disse...

"Só que o combinado do "aluguel" era 179...não importa se os outros "inquilinos" pagam o dobro."

E o combinado era válido até quando?

Ricardo disse...

Justamente, os contratos só tem válidade de um ano, mas o que percebo é que a UE também está com má vontante, em 2006 quando ocorreu um problema semelhante Alemanha e outras potencias da europa ocidental foram afetadas e mas que depressa resolveram o impasse, como agora são os países pequenos do leste e da europa central a UE da pouca importancia.

Inácio Cristiano disse...

"Até onde vai a incompetência da diplomacia europeia?"
Boa pergunta do tão eclético quanto tolerante bloguista domiciliado sr.Milhazes.
Por mim respondo, ao invés dos demais propinantes que têm disparado em todas as direcções no intúito de acertar nos diferentes alvos num raio de acção de 360º.
O alvo é só um, e nesta altura o atirador nunca podería ser um checo, como que sorteado em lotaria de condominio!
Durão Barroso, quanto muito coadjuvado por Xavier Sollana é que deveriam assumir o papel de uma das partes, a que paga!
A outra, a que ganha com o negócio, perante a incompatibilidade de se entenderem sós, deveria ter a assessoria do maior consumidor da trasfega, consumisse a Ucrânia ou não o gaz russo, por falta de acordo entre eles.
A dispensa do presidente checo, por motivos óbvios para qualquer "diplomata". A possibilidade de fornecer os países além-Ucrânia durante um determinado periodo, sem fornecer a própria Ucrânia, era de todo preferivel, uma vez que a Russia acusa sistemáticamente a Ucrânia de roubo nos gasedutos ucranianos, ficando assim desmistificada esta escabrosa (ou , não) acusação!.
Tanto o governo ucraniano, como o russo têm dado ao mundo um espectáculo deploravel, mais próprio de um Albergue de Dementes da era Bresniev, onde a URSS era tão prolixa.
Como se sobre-estimou o caracter dos negociadores a minha resposta só pode ser uma:
A incompetência da diplomacia europeia, para alguns europeus segue com muitos graus negativos, e isso é trágico para nós todos europeus!

jacker disse...

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