quinta-feira, abril 09, 2009

Afinal a Rússia não tem zona de influência!??


A Rússia e os Estados Unidos não devem colocar os países do antigo espaço soviético perante a escolha inequívoca de um aliado, não deve haver uma “ordem de dia secreta”, declarou hoje Serguei Lavrov, Ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, numa entrevista a vários órgãos de informação russos.
“É inadmissível tentar colocá-los perante uma falsa escolha: ou estão connosco, ou estão contra nós. Isso conduzirá à luta por esferas de influência, de que tentam acusar a política externa russa. Nós não fazemos isso”, declarou a propósito dos acontecimentos na Moldávia.
Lavrov espera que a UE e a Roménia façam esforços para que as bandeiras romenas não sejam utilizadas para minar a soberania moldava.
“Chamámos a atenção da UE para isso. Disseram-nos que abordam a situação com toda a seriedade”, sublinhou o ministro.
O chefe da diplomacia russa chamou a atenção para o facto de as desordens em Chisinau dificultarem a normalização da situação em torno da Transdniestria, região separatista da Moldávia onde a maioria da população é russófona.
“Os habitantes da Transdniestria afirmam, há muito tempo e com toda a justiça, que estão prontos a viver num estádo único com a Moldávia, mas se o Estado perder a sua identidade, eles irão sozinhos resolver o que fazer”, frisou.
Os manifestantes moldavos exigem a união da Moldávia e da Roménia, exigência que, nos finais dos anos 80 do séc. XX, levou os habitantes da Transdniestria a proclamar a independência. Depois de uma sangrenta guerra civil.
Serguei Lavrov defendeu que não tem comparação a situação na Moldávia com as “revoluções coloridas” na Ucrânia e Geórgia.
“Na Moldávia, nenhuma organização internacional pôs em causa os resultados das eleições. A OSCE, o Parlamento Europeu e os observadores de todas as organizações internacionais reconheceram que as eleições foram democráticas, estiveram conforme os padrões internacionais”, declarou.
“O que aconteceu na Moldávia é vandalismo, desrespeito total e despreso pelos símbolos do Estado”, frisou Lavrov.
“Não compreendo por que é que as estruturas parlamentares na Europa não expressaram a sua posição face ao sucedido”, concluiu.

A única questão que se coloca é: alguém acredita que a Rússia, querendo desempenhar, no mínimo, o papel de grande potência no mundo, não tenha zona ou zonas de influência?

Esta parte da entrevista do ministro dos NE da Rússia faz-me lembrar a propaganda soviética.

17 comentários:

MSantos disse...

José Milhazes

As perguntas que se deverão colocar serão:

Quem começou o processo de establecimento de zonas de influência?

Terá sido a Rússia que propôs ao México colocar bases de mísseis no seu território?

Existe alguma aliança militar liderada pelos russos que se está a estender até á fronteira norte-americana mobilizando os países dessa região a pura e simplesmente virarem as costas aos Estados Unidos?

Tanto eu como o José Milhazes sabemos as respostas

Independentemente da propaganda russa, o que devemos questionar é qual o objectivo da influência, establecimento e controlo norte-americanos nesta região do globo e se havia necessidade de criar todo este antagonismo.

Relativamente á Moldávia, será que aqui já não há a vontade soberana do povo? Ou a democracia só pode funcionar no sentido que nos apraz?
Porque é que um povo não pode seguir a via do comunismo se é esse o seu desejo e desde que não perturbe terceiros?

Todos nós sabemos que se fosse ao contrário já tinham sido reunidos não sei quantos conselhos de segurança da ONU, a NATO já estaria em prevenção e os EUA e todo o Ocidente estariam "...imensamente preocupados e a acompanhar passo a passo, movendo influências dando todo o suporte ao governo legitimamente eleito por sufrágio livre e universal, vítima das forças totalitárias e todas aquelas tretas..(desculpem-me a expressão)"

Minha interpretação: os EUA estão a sentir a Ucrânia a fugir, como tal a Moldávia poderá representar um back-up, sendo um país mais pequeno, logo mais controlável.

Tal e qual o Iraque foi a alternativa face á incerteza saudita.

Existe um termo anglo-saxónico muito ilustrativo destas jogadas de projeção de poder e influência:

"power plays"

Com todos os seus defeitos e más tendências, a Rússia nos últimos anos apenas tem reagido e respondido aos "power plays" norte-americanos.

Mas a coisa poderá mudar. E aqui infelizmente os EUA também têm um triste historial de aprendizes de feiticeiro.

Cumpts
Manuel Santos

Anónimo disse...

Manuel Santos, não adianta espernear. O comunismo jamais vai ressurgir, e onde ele ainda existir, deverá ser abolido, cedo ou tarde.

A Moldávia é parte da Romênia e deverá fazer parte da UE e OTEAN um dia.

A Rússia deverá se adaptar cada vez mais, se tonando um país sério e cada vez mais democrático e ocidentalizado. Ou isso, ou vai ficar cada vez mais isolada, ditatorial e policialesca.

A URSS acabou.

Anónimo disse...

Corrigindo: OTAN, ou NATO para os reinóis!

Jose Milhazes disse...

Leitor Manuel Santos, as zonas de influência apareceram muito antes dos Estados Unidos. Quanto a aliança militar liderada pelos russos, há e chama-se Tratado de Defesa Comum, de que faz parte grande parte das antigas repúblicas soviéticas e apenas está em fase de estabelecimento.
Quanto à Moldávia, eu acho que defini bem as minhas posições. Se as eleições foram democráticas, tem de se aceitar os resultados. Se a UE ou os EUA quisesem armar confusão na Moldávia, não teriam reconhecido os resultados. Penso que o problema está em certos círculos políticos romenos que, em vez de tirarem o seu país da pobreza, se dedicam a criar problemas na casa dos outros.
Quanto ao comentário do leitor anónimo que afirma que a Moldávia é parte da Roménia com tanta leveza, recomendo-o a ter mais cuidado a alterar fronteiras na Europa. Caso contrário, será mais uma peça do efeito do dominó desintegrista.

PortugueseMan disse...

...Se as eleições foram democráticas, tem de se aceitar os resultados..

Concordo plenamente.

...recomendo-o a ter mais cuidado a alterar fronteiras na Europa. Caso contrário, será mais uma peça do efeito do dominó desintegrista...

Este é infelizmente o problema de abrir precedentes. E você já fala bem, MAIS uma peça do dominó. Porque o dominó está aí e começaram a brincar com as peças.

MSantos disse...

Caro José Milhazes

Não sei que zonas de influência são essas a que se refere que apareceram antes dos EUA. Lembro-me apenas que mesmo antes da URSS se desmoronar, os americanos já andavam a implantar-se nos bastidores promentendo a estes povos planos Marshal e tudo o mais.

Ao referir o Tratado de Defesa Comum (creio ser a OTSCE ou algo do género) está a dar-me razão. A OTSCE está presente na América do Sul ou ao pé das fronteiras americanas?

Relativamente á Moldávia estou a falar em abstrato no que concerne á postura ocidental, não censurando a sua posição. Aliás devo dizer que a sua análise noutro post relativamente a este assunto foi honesta e correctíssima.

Aqui os EUA reconhecem aparentemente os resultados por não terem alternativa. Seria demais escandaloso se o não fizessem. Não quer dizer que não haja movimentos de bastidores.

Os russos não são estúpidos e independentemente se agem bem ou mal, não costumam ser gratuitos nas suas jogadas e declarações.

Para o ministro russo ter afirmado o que afirmou é porque alguma coisa se anda a passar a par da razão romena que invocou.

Corrijo apenas uma afirmação minha quando disse:

"os EUA estão a sentir a Ucrânia a fugir"

devia ter dito a Ucrânia e Geórgia.

Cumpts
Manuel Santos

Gilberto Mucio disse...

Que hipocrisia barata do Gospodin Lavrov, hein.

Anónimo disse...

Gilberto Múcio, uma comunazinho da cidade de Natal, que admira HAMAS, e a "Revolução" Comunista...Deve ser admirador tb do nosso presidente bêbado...


Mais um para envergonhar o Brasil no exterior!

PARABÉNS!

edmundo disse...

Para ser grande em Geopolítico tem que ser também grande econômicamente.

Cristina Mestre disse...

A propósito das declarações de Lavrov, gostaria de compartilhar com o JM e com os leitores uma notícia que mostra a diferença entre as palavras e os actos.

A Rússia enviou um avião para Chisinau com um grande lote de meios especiais para reprimir as desordens, inclusive granadas de gás “Tcheriomukha”, escreve hoje, sexta-feira, 10 de Abril, o jornal Kommersant, citando uma “fonte altamente colocada”.
Nas palavras do interlocutor do Kommersant, um avião Il-76, com “carga perigosa” a bordo, chegou quarta-feira, 8 de Abril, ao aeroporto internacional de Chisinau proveniente da região de Moscovo. Numa hora, sob uma guarda reforçada, foram descarregadas do avião caixas com granadas de gás e outros meios especiais. Depois disso, o avião partiu rumo à Rússia.
Deste modo, como destaca a edição, Moscovo está pronta a prestar a Chisinau não apenas apoio moral. As autoridades moldavas esperam a 10 de Abril a continuação das manifestações “anticomunistas”. Os partidos oposicionistas estão a divulgar pela Internet apelos a fazer uma concentração sexta-feira na praça central da capital, para “acabar com o poder dos comunistas”.
Segundo os dados do jornal, as autoridades do país, com o presidente Vladimir Voronin à cabeça, estão prontas a recorrer à força face à mínima probabilidade de repetição dos acontecimentos de terça-feira. Informa-se que o presidente já ordenou que os destacamentos anti-motim da polícia, que protegem os prédios do Governo e o centro de TV, utilizem a força se for necessário.

Anónimo disse...
Este comentário foi removido por um gestor do blogue.
Jose Milhazes disse...

Leitor MSantos, para não recuar muito, lembro que o Tratado de Tordesilhas foi assinado para fixar zonas de influência, mas o conteito é muito anterior.
Quanto ao comentário eliminado, volto a pedir aos leitores moderação. Argumentos, todos; insultos, nenhum.

MSantos disse...

José Milhazes

Já compreendi o que queria referir com as zonas de influência.

As minhas desculpas pela minha estreiteza de vista, pois só estava focado nos últimos 20 anos.

Cumpts
Manuel Santos

MSantos disse...

E já agora. Os ortodoxos e os russos em geral gozam a Páscoa ou é noutra ocasião eventualmente com outro nome?

Cumpts
Manuel Santos

Jose Milhazes disse...

Caro Manuel Santos, os ortodoxos celebram a Páscoa tal como os católicos e outros cristãos, mas uma semana depois para que a sua Páscoa não coincida com a Páscoa judaica. Coisas da história.
Páscoa Feliz para todos

Afonso Henriques disse...

"Gilberto Múcio, uma comunazinho da cidade de Natal, que admira HAMAS, e a "Revolução" Comunista...Deve ser admirador tb do nosso presidente bêbado...


Mais um para envergonhar o Brasil no exterior!

PARABÉNS!"

Caro anónimo, sem dúvida.
Quem por aqui passa, fica com a noção que o Brasil é só merda mesmo.

Pippo (de férias no Brasil) disse...

Não vejo bem qual é o drama dos países terem zonas de influência. Todos os que têm poder para isso o fazem, e até mesmo países "pequenos" como a a Guiné-Konakri exercem poder na Guiné-Bissau, se bem se lembram. Isso é natural, até mesmo "biológico", como o dira Rudof Kjellen.

A mim não me perturba a assunção desta realidade, apenas me chateia o linguarejar falso dos diplomatas. Bem que o S. Lavrov poderia admitir que a Rússia, tal como a Alemanha, França ou EUA, ou Konakri, pretende preservar a sua zona de infuência, da Polónia ao Mar do Japão, de Kola até à Turquia. É normal e até mesmo desejável para haver alguma estabilidade. Com uma forte influência moscovita nestas regiões, o que se passa agora na Geórgia e na Moldávia seria inimaginável.

E concordo com o Manuel Santos: quer-me parecer que por detrás destas manifestações está mão alheia, e não apenas romena. Lembra-me outras revoluções do passado, daquelas coloridas...

Abraço,