sexta-feira, abril 10, 2009

Blog dos leitores (Geórgia)

O leitor que assina com o pseudónimo de PortugueseMan, enviou este seu texto para publicação, o que faço com agrado. Chamo a atenção para o facto de nada ter alterado, nem a forma como se escrevem os nomes. A opinião do autor poderá não coincidir com a minha, mas acho importante a discussão
"As Rosas Murcharam
Mikeil Saakashvili chegou ao poder com uma grande manifestação em Novembro de 2003 que obrigou Eduard Shevardnadze a sair. Agora Saakashvili sofre a segunda grande manifestação e questiono se irá sobreviver politicamente a ela.Em Novembro de 2007, 4 anos depois de algo semelhante ter acontecido a Shevardnadze, Saakashvili sofreu a sua primeira grande contestação, mostrando que algo não estava bem no reino das rosas. Nesta primeira contestação que durou vários dias, Saakashvili piorou ainda mais a sua imagem ao usar da força para acabar a contestação ao mesmo tempo que fechava canais de televisão para diminuir o fluxo de informação e imagens. Todo este tipo de atitudes não caiu bem em vários países ocidentais, pois são atitudes que não podem ser seguidas por democracias. Apesar disso Saakashvili continuava a ter forte suporte vindo de Bush, dado que era um leal político que estava a implementar a continuação dos planos para a entrada dos EUA na rica zona do Mar Cáspio.
Digo continuação dos planos, porque no meu modo de ver, Saakashvili está simplesmente a prosseguir com o que foi iniciado por Shevardnadze. Foi com Shevardnadze que a Geórgia começou a receber apoio político e financeiro vindo dos EUA e foi com Shevardnadze que a Geórgia começou a preparar a sua integração na NATO e UE. A Geórgia estava a receber todo este apoio, porque iria ser palco da construção do primeiro pipeline americano com acesso ao Mar Cáspio e que não passava pelo controlo da Rússia.
Só que algo aconteceu entretanto. Quando estes planos estava a ser delineados e postos em prática, quem estava nos comandos da Rússia era Yeltsin. A Rússia atravessava um momento de crises graves e com um presidente fraco incapaz de defender os interesses da nação. Mas Putin chegou e a coisa mudou radicalmente de figura. Com Yeltsin, a Rússia não conseguia lidar com a Tchetchénia, aliviando a pressão que poderia fazer na Geórgia. Shevardnadze tinha consciência disso e jogava as suas cartadas de modo a atingir o mais rápido possível uma verdadeira independência da Geórgia. Para isso as bases russas dentro do país teriam que ser fechadas, as regiões separatistas serem incluidas definitivamente no território e a integração da NATO uma urgência pois era garantia de que a Rússia não poderia intervir no país.
Putin começou a mostrar que era completamente diferente de Yeltsin e tinha planos para restaurar o poder da Rússia e proteger o que considera a sua àrea de influência. Para tal impedir o acesso americano ao Cáspio era uma de muitas das prioridades que tinha. Putin caiu em força na Tchetchénia, porque era necessário rápidamente controlar aquela zona e dedicar mais atenção ao que estava a ser feito no Azerbeijão e na Geórgia de modo a colocar em xeque as movimentações americanas. Com o tempo a passar e a mostrar um presidente russo determinado, Shevardnadze começou a ver que a implementação dos seus planos para uma Geórgia mais independente e protegida iria demorar muitos anos mais do que tinha previsto, para além dos seus mandatos e talvez tempo de vida. O perigo para a Geórgia crescia a olhos vistos dado estar a ser palco de contronto das duas super potências e todos nós sabemos bem o que tem acontecido ao longo da história aos países onde elas lutam por influência, morte e devastação.
Por isso é que acho Shevardnadze num movimento que surpreendeu toda a gente em Maio de 2003 deu à Gazprom controlo sobre os pipelines no país. Shevardnadze estava a tentar conciliar a pressão que a Rússia estava a fazer com os seus planos e os planos dos EUA. Só que isto foi visto como traição pelos os EUA, dado a Geórgia ter um papel fundamental para o pipeline americano que estava perto de estar concluido. Altos funcionários americanos foram logo de seguida pedir explicações a Shevardnadze e o que saiu foi que este acordo com a Rússia não estava completamente fechado. Seja como fôr o mal estava feito, Shevardnadze deixou de ser um parceiro de confiança para os EUA e era necessário apoiar outra pessoa para o cargo de modo a não colocar em perigo os seus planos.

Assim surge Saakashvili e no mesmo ano consegue depôr Shevardnadze com a revolução rosa. Com um muito mais novo e inexperiente aliado os EUA poderiam acelerar os seus planos para a zona, rapidez essa necessária pois a Rússia estava a crescer em poder. E aqui foi o grande erro para o futuro da Geórgia. Embora Shevardnadze não fosse nenhum santo, era um político muito experiente e penso que estava a tentar criar um futuro melhor e mais independente para o seu país, tendo perfeita consciência da sua localização geográfica e quem são os seus vizinhos.

A inexperiência de Saakashvili foi amplamente usado pelos os EUA e acabou por ser usado também pela Rússia. A Geórgia começou a receber mais financiamentos e os seus militares começaram a ser treinados por americanos e ingleses que estavam a ser destacados ao abrigo de acordos, de modo a preparar o país na luta anti-terrorista e para uma adesão da NATO. Só que para aderir a esta estrutura não podia haver nem bases russas no território nem regiões separatistas, o país tinha que estar estabilizado. Começou então uma luta mais agressiva para o fecho das bases e a integração das regiões. A Rússia começou muito lentamente a fechar as suas bases. Demasiado lentamente para desespero Saakashvili, pois para reunir as regiões precisava dos russos fora do país e precisava de resultados para o seu mandato.

Os russos finalmente começaram a fechar as bases e uma das regiões foi pacificamente integrada o que deu uma grande confiança a Saakashvili de que conseguiria tudo em pouco tempo. Reunir as duas regiões que faltavam e aderir à NATO. Só que enquanto aquela região estava no lado oposto tendo como fronteira a Turquia, as que faltavam faziam fronteira com a Rússia. Com as suas tropas treinadas e financiadas pelos americanos e a resistência de ambas as regiões à integração, o desejo de usar a força começou a aumentar. E aqui começou o enorme erro para a Geórgia. A Rússia já estava numa situação de poder e a exercê-lo fortemente e os EUA estavam com enormes problemas em várias frentes. Bush estava de saída e o próximo presidente poderia não ter força política para se dedicar à Geórgia com tantos e novos problemas que entretanto surgiram aos EUA.

Bush tentou usar a última cartada e deixar ao próximo presidente uma Geórgia com a situação resolvida e impedir a movimentação russa na zona. As tropas estavam treinadas e em posição e conselheiros americanos estavam presentes. A actuação da Rússia estava em dúvida pois não se sabia até que ponto estava ela preparada para defender os seus interesses.

O resultado hoje é conhecido dessa actuação e de onde tiramos várias ilacções. A Rússia passou a mostrar que não faz unicamente bluf e está disposta a responder de todas as formas. Saakashvili com a sua inexperiência fez o que Shevardnadze nunca faria, usar a força contra a Rússia e os EUA passaram a saber a verdadeira determinação da Rússia em defender os seus interesses.

Saakashvili foi usado e não teve em conta que a sua principal preocupação teria que ser em 1º lugar o seu país e não servir interesses de terceiros. Saakashvili perdeu e fez com que o seu país perdesse uma significativa fatia de território. Saakashvili vai constar nos livros de história mas não como queria."

61 comentários:

Anónimo disse...

Da Rússia quer dizer que não é Da Geórgia.
Seria melhor que este blogue tão interessante se concentrasse no país a que diz respeito, a Rússia.
Geórgia, Azerbaijão. Arménia, Estónia, Letónia, Lituânia e vários outros países não são parte da Rússia.
É apenas relevante referir outros países quando como no ano passado a Rússia com os seus apetites imperiais agride países vizinhos.

Sérgio disse...

Anónimo esses países estão incluidos na esfera de influencia da Russia,:). A análise do Portug. levanta nuitas questões, mas de qualquer modo é louvável o seu esforço por tentar escrever a história do seu ponto de vista.

Sérgio disse...

Port. os meus parabens pelo seu esforço em querer escrever a história mas levantam-se muitas questões na minha optica com essa sua versão dos factos. Vamos lá a ver:
1) A retoma económica ainda que muito leve da Russia e organização do comunismo para o capitalismo deu-se ainda durante o mandato de Iéltsin;
2) Quando Putin veio a suceder a Ieltsin (escolha de Ieltsin, se Putin serviu como muitos dizem, essa decisão não foi a de um homem desprovido de sentido politico) veio a benificiar das reformas implementadas pelo seu antecessor e mais importante da crescente subida dos preços do petróleo, no inicio do su mandato o petroleo andaria nos vinte dólares o barril.
3) Ieltsin iniciou a guerra na tchetchenia, portanto também não concordo que não tenha tentado resolver a situação e tenha sido um dirigente fraco, ele sim teve que suportar os piores anos da desagregação do ex-regime soviético.
Isto só referente ao padrão Ieltsin dirigente mau, e Putin salvador da Russia.

MSantos disse...

Até há bem pouco, eu estava convencido que o povo georgiano estava ao lado de Schakshvilli e este mal ou bem, ainda tinha legitimidade para governar.

No entanto a contestação está a crescer de dia para dia.

Provavelmente o povo já está de cabeça mais fria e já viu o que perdeu e como a sua vida mudou para pior depois do aventureirismo do jovem presidente a que se uniram e apoiaram face á investida russa.

Parabéns PortugueseMan e boa sorte para a nova carreira de cronista.

Cumpts
Manuel Santos

Sérgio disse...

Depois temos a dupla Shevardnadze dirigente experiente e Saakashvili politico responsável pela perda das regiões separatistas, sobre este assunto me pronunciarei mais tarde.

Jose Milhazes disse...

Leitor Anónimo, não leve a mal eu não me concentrar só na Rússia, mas esta região está demasiadamente interligada e pretendo dar um quadro mais amplo.
Quanto ao artigo do leitor PortugueseMan, apenas gostaria de salientar que a história não é feita de bons e maus. Até parece que a Rússia é uma santa que só anda a fazer boas acções à sua volta, enquanto os Estados Unidos não passam de uns malvados.
E agora com o Obama? Como irá ser contada a história. O Presidente norte-americano mostrou-se aberto ao diálogo, à cooperação...
Vamos ver...
E só mais um pormenor, leitor PM, a oposição ao Presidente Saakachvili é ainda mais pró-ocidental do que ele. Na Geórgia não há forças pró-russas significativas. Talvez não seja por acaso.

PortugueseMan disse...

Sérgio,

1) A Rússia teve um colapso económico em 1998 durante o mandato de Yeltsin. No entanto concordo que apanhou uma fase muito dificil de governação.

2) O que Putin herdou de Yeltsin foi dívidas e um país a desmembrar-se.

3) Yeltsin não iniciou a guerra, foi apanhado por ela e não conseguiu estancar o problema.

Yeltsin deu uma bela imagem da Rússia ao mundo, com muitas intervenções públicas infelizes, que só podia significar que o país andava "ao Deus dará".

MSantos disse...

Ieltsin conspirou, eliminou politicamente e acabou por usurpar o poder de quem o permitiu chegar onde chegou.

Isso revela tudo sobre a qualidade do carácter de Ieltsin.

Cumpts
Manuel Santos

Sérgio disse...

Msantos e o que dizer de quem estava do lado de lá tipo Mikhail Gorbachev, e garanto-lhe que não foi por boa vontade que o deixaram chegar onde chegou. Mais um indicio que era tudo menos um dirigente fraco.

PortugueseMan disse...

Caro José Milhazes,

...a oposição ao Presidente Saakachvili é ainda mais pró-ocidental do que ele. Na Geórgia não há forças pró-russas significativas. Talvez não seja por acaso.

Você está a dizer isto porque pensa que no meu raciocínio, a Geórgia vai virar-se para a Rússia?

Se é esse o caso digo-lhe já que não. E a questão na minha opinião nem é relevante. A Georgia é que vai ter que ter em conta que vive ao lado da Rússia e terá que ter cuidado com as suas opções.

Se você viver num apartamento, com uma série de vizinhos problemáticos e não puder mudar de casa, como é que vai tentar viver a sua vida?

Sérgio disse...

Pergunta Port., estava ou não melhor a Russia quando Ieltsen a entregou a Putin do que quando a recebeu? E desculpe-me mas se acha que Putin quando tomou conta da Russia ainda esta corria o risco de se desmembrar, (opinião com a qual não concordo, pelo menos um risco sério) o que dizer durante os anos anteriores, se calhar durante esses anos Ieltsin conseguiu o que todos já tomavam como certo, até me lembro de ler sobre umas teorias de autores americanos que defendiam a inevitavel divisão do território Russo em três partes.

Sérgio disse...

Port.
2) Ieltsin herdou pior do que dividas e as que legou ao seu sucessor não foram criadas por si, ou pelo menos a sua grande parte não teve origem nas medidas que tomou mas vieram de trás.
3) E o problema da tchetchenia já está hoje enm dia resolvido?

Jose Milhazes disse...

Leitor PM, a guerra da Tchetchénia começou com Ieltsin no poder, mais precisamente, em 1994.
Qualquer presidente russo que sucedesse a Ieltsin, com o aumento do preço do petróleo e o mínimo de competência, poderia fazer mais e melhor do que Putin.
Quanto à escolha dos vizinhos, não se escoilhem, mas isso não significa que me possa resignar a viver eternamente com vizinhos problemáticos. Estes podem acabar por tomar juízo, embora possa levar tempo.

PortugueseMan disse...

Caro José Milhazes,

Quanto à escolha dos vizinhos, não se escoilhem, mas isso não significa que me possa resignar a viver eternamente com vizinhos problemáticos.

Pois não, você pode agir, mas terá sempre em consciência que para cada acção poderá existir uma reacção. E terá que ter em conta que para cada sua acção poderá haver um preço a pagar.

PortugueseMan disse...

Qualquer presidente russo que sucedesse a Ieltsin, com o aumento do preço do petróleo e o mínimo de competência, poderia fazer mais e melhor do que Putin.

Discordo completamente.

Mas qual aumento estamos a falar? não estamos a falar de petróleo acima dos 100$ pois não, porque isso foi uma coisa de meses.

A Rússia tinha dívidas enormes a pagar e tinha muita coisa a pagar internamente, só para tentar aumentar reformas e ordenados e pagá-los já era uma tarefa complicada.

O aumento de petróleo só interessa se o país que o tem, consegue controlar as suas riquezas. A Rússia esteve prestes a perder o controlo das suas riquezas energéticas. Se Yeltsin estivesse lá mais uns anos, a Yukos já estava nas mãos de estrangeiros a retirar petróleo e a colher todos os lucros como acontece a qualquer país de terceiro mundo que não tenha mão nas suas riquezas.

E atrás da Yukos, outras se seguiriam, recebendo o estado cada vez menos. Com cada vez menos receitas, menos hipóteses tinha de pagar ao FMI e que tanto se disse na altura que Putin não iria conseguir pagar mais prestações e que teria que pedir ainda mais ao FMI.

A Rússia nesta situação teria que começar a vender os móveis, os anéis, a louça da casa, para pagar dívidas e o país iria afundar-se sem alternativas.

Aliás nesta situação, nunca a Geórgia teria problemas, neste momento possivelmente já estaria com um pé na NATO e a Tchetchénia seria independente e muito possivelmente a Rússia teria perdido o acesso ao Cáspio.

Jose Milhazes disse...

Leitor PM, não posso discutir com "ses", pois não sou advinho. Trata-se de uma conversa retórica. Apenas dei a minha opinião possível.

PortugueseMan disse...

Pergunta Port., estava ou não melhor a Russia quando Ieltsen a entregou a Putin do que quando a recebeu?

Acho que essa pergunta deveria ser respondida por quem passou pelas 3 fases.

A era de Putin é sem dúvida melhor que a de Yeltsin, e estes estão inseridos no mesmo sistema, para trás temos um outro sistema.

Se estavam pior? eram coisas diferentes e estava em curso uma enorme mudança e Yeltsin apanhou com isso.

Em relação à Tchetchénia, o problema está controlado. Tem dúvidas?

PortugueseMan disse...

guerra da Tchetchénia começou com Ieltsin no poder, mais precisamente, em 1994.

Só agora percebi este seu reparo.

Quando eu disse que "foi apanhado", foi a querer dizer que o conflito não começou por iniciativa dele como o Sérgio indicou.

MSantos disse...

José Milhazes

Como será que um pequeno país como a Georgia pode fazer a Rússia ganhar juízo

Cumpts
Manuel Santos

PortugueseMan disse...

...Qualquer presidente russo que sucedesse a Ieltsin, com o aumento do preço do petróleo e o mínimo de competência, poderia fazer mais e melhor do que Putin...

Mas caro Milhazes, isto é um enorme SE.

MSantos disse...

Sérgio

Essa questão do desmembramento da Federação Russa foi mais um desejo externo que propriamente uma eventualidade que partisse de dentro.

Embora haja fracções da população em algumas républicas que alimentem esse desejo. Para isto também contribuiu muito o que lhes andaram a prometer aquando da dissolução soviética. Houve também o caso da Tchechénia mas aqui as influências terão sido outras

Não tenhamos dúvidas, efectivamente o único país que pode fazer frente aos EUA é a Rússia e os últimos tempos têm comprovado isto, razão porque geralmente os partidários do domínio americano global anseiam pelo desmembramento russo.

Cumpts
Manuel Santos

MSantos disse...

José Milhazes ou PortugueseMan, não sei qual me poderá elucidar.

"Se Yeltsin estivesse lá mais uns anos, a Yukos já estava nas mãos de estrangeiros a retirar petróleo e a colher todos os lucros como acontece a qualquer país de terceiro mundo que não tenha mão nas suas riquezas"

Quando ouço Yukos lembro-me de Kodorkhovski.

Teria sido pelo facto de Kodorkhovski estar a puxar interesses estrangeiros para dentro da Rússia, que foi proscrito?

Seria por estar a passar os recursos energéticos russos para fora?

Cumpts
Manuel Santos

Jose Milhazes disse...

Leitor PM, quanto ao Cáucaso do Norte, tenho muitas, mas muitas dúvidas. Praticamente todos os dias à mortes e atentados terroristas na Inguchétia, Daguestão, etc.
Leitor MSantos, não é a Geórgia, é este e muitos outros problemas, na maioria internos.

Sérgio disse...

Port. o problema da Tchetchenia está controlado, não está resolvido, e ao fim destes anos todos e depois de todos os conflitos militares que se desenrolaram. Mas por acaso seria de esperar mais de Ieltsin do que ele fez, se nem com estes anos todos de intervenção e com dirgentes diferentes o problema está resolvido, nem nunca vai estar, a manter-se o estado das coisas. É o que dá quando se quer esmagar o direito à auto-determinação de um povo.

Sérgio disse...

Port. o que o o Port. considera um grande se, eu chamo a capacidade e juizo critico que cada um tem de fazer uma avaliação dos nossos governantes politicos e outros dirigentes. Ou por acao não é nisso que se baseia a democracia, a promessa que alguem poderá fazer melhor, e muitas das vezes esse raciocinio é muito óbvio e simples de fazer.

Sérgio disse...

Port. durante todo o mandato de Putin o preço do petroleo pautou-se por um aumento constante desde cerca de 20 dolares no seu inicio até aos preços que todos nós nos recordamos há bem pouco tempo. Estamos a falar de aumentos de mais do dobro por aí fora. Para além que houve também um aumento na produção durante esse período.

Sérgio disse...

MSantos não posso discordar mais de si quando pensa que a Russia é a unica que se pode opor aos EUA. Primeiro porque considero que a China será a principal antagonista dos EUA, e depois porque a Russia terá de se aliar ao Ocidente se não quiser se tornar um estado satelite dos super-estados asiáticos (China e India) que emergirão a partir da metade deste século.

Sérgio disse...

Não será do interesse da Russia antagonizar os EUA ou o Ocidente no seu conjunto, como poderá ser a sua única alternativa. E não quero com isto referir uma adesão à UE, mas pelo menos uma maior concertação e integração com as estruturas ocidentais.

PortugueseMan disse...

Caro Manuel Santos,

Pode dar uma espreitadela a este documento.

http://www.portofhouston.com/pdf/news/0703roil.pdf

Anónimo disse...

Tinham razão todos os que neste blogue avisaram que a Rússia se renderia à Ucrânia no respeitante ao tal contrato com a Europa. Putin vai encontrar-se com a PM ucraniana para fazerem as pazes, ou seja, vai render-se à evidencia depois de toda aquela retórica ameaçadora contra a Ucrânia e contra a UE. Medvedev já se sabia que era um pau mandado, mas agora ficámos com a certeza que Putin é só farol. O Jest deve estar a rir-se à gargalhada. Bem pode.

MSantos disse...

PortugueseMan

Obrigado pelo link.

Tudo faz sentido. De um lado um estado russo fraco e débil, sedento de fontes de divisas para restaurar a sua nação e o seu orgulho. Do outro uns poucos oligarcas russos aliados a muita gente estrangeira e interesses no tradicional "inimigo": os Estados Unidos.

Outro sinal de que os lucros iam ficar nas mãos estrangeiras é o facto de os fornecimentos serem de crude, produto não refinado, como tal a maior margem proveniente da refinação ficaria nos EUA.

Obviamente os inquilinos do Kremlin nunca vão perdoar Kodorkhovski e este provavelmente passará o resto da sua vida na prisão.

Elucidativo

Cumpts
Manuel Santos

MSantos disse...

Sérgio

Tanto a China como a India são potências locais e ainda não possuem a estrutura tecnico-militar de modo a fazerem frente ou pelo menos provocar danos nos EUA. Tudo aponta que o seu poder, no futuro seja maior mas é apenas uma previsão dado estes países também conterem problemas gravíssimos e factores que são verdadeiras incógnitas.

A Rússia e apesar do seu músculo militar não estar na melhor forma projecta o seu poder desde o Atlântico ao Pacífico e tem uma força dissuasora/ataque credível quer nos seus ICBMs terrestres e SLBMs submarinos.

Como tal, o oponente no dia de hoje e até novos desenvolvimentos continua a ser a Rússia

Paralelamente aos factores técnicos atrás referidos existe também da parte dos tais partidários EUA um ressentimento pela Rússia ter sido o baluarte comunista e apesar de hoje em dia a Rússia ser muitas vezes a antí-tese do comunismo, estes partidários teimam em identificá-la como tal, por que nunca lhe vão perdoar tal passado por muito que a Rússia se venha a retratar.

Penso que para eles o desmembramento russo seria a única redenção.

Creio que os inúmeros comentários a que assistimos diáriamente aqui neste blog provenientes dessa forma de pensar são muito ilustrativos.

Mas obviamente e como é hábito é apenas a minha opinião.

Abraço
Manuel Santos

Sérgio disse...

MSAntos estamos de acordo. Vamos apenas ver como se comportará a Russia ao longo dos próximos anos se as coisas evoluirem como apontam as previsões. E repare que este aparente equilibrio militar entre a Russia e os EUA, apenas lhe serviria de alguma coisa se fosse para conter uma agressão dos EUA, coisa que eu não acredito que venha a acontecer qualquer que sejam as circunstancias. Quanto aos desejos, também os há dos que estão do lado oposto. A última pelo que sei e na sequencia desta crise finaceira é de que a Russia poderia reaver o Alasca dos EUA, enfim...

MSantos disse...

Sérgio

Isso era até os Russos saberem que o Alasca contém a Sra Pallin.

Acho que nem o Burkina Faso vai querer o Alasca dado.

Pobres americanos!

:o)

Cumpts
Manuel Santos

Sérgio disse...

Relativamente aos dirigentes Georgianos, o experiente e avisado Shevardnadze, que durante todo o seu mandato não conseguiu resolver os problemas que herdou relativamente às três regiões separatistas da Geórgia, antes pelo contrário com os seus jogos, a independencia de facto da Abcasia, Ossetia e Ajaria acentuaram-se durante esse periodo. O inexperiente Saakashvili consegiu resolver o problema de Ajaria, na minha opinião apenas possivel porque as pessoas acreditaram nele e naquilo que ele poderia representar de novo para o país ao contrário do anterior dirigente.

Shevardnadze optou por uma politica de agradar a Gregos e troianos e acabou por ter instalado no seu território bases russas nas regiões separatistas e por ver uma Russia desde o inicio a apoiar os movimentos independentistas nessas mesmas regiões, (como pactuar com isto?!!) e o resultado, controlo de facto no terreno dessas mesmas regiões por parte da Geórgia nulo, zero, para todos os efeitos quando da tomada de posse de Saakashvili as regiões eram estados independentes com a presença de forças militares Russsas.

Sérgio disse...

Que faz Saakashvili, escolhe um dos lados ao contrário do seu antecessor e não escolheu aquele que há muito era parte dos problemas com que a Geórgia se debatia. É claro que isso teve consequencias como os vistos a cidadãos "Russos" para uma maior legitimação da sua futura intervenção. Depois da intervenção militar na Ossetia o oportunismo politico da Russia para de uma só cajadada matar dois coelhos, a Ossetia onde se desenrolaram os confrontos e a Abcasia que nada teve a ver com essa situação, ou seja finalmente tinham o seu pretexto e não iam deixar passar essa oportunidade. Fica por analisar a actuação de Saakashvili neste conflito, para mais tarde.

Sérgio disse...

Ou para amanha.

Jose Milhazes disse...

Caros leitores, alguns de vocês olham para o mundo só quase através da perspectiva do confronto militar. E as inovações tecnológicas? O que fez o Japão um gigante?

PortugueseMan disse...

Sérgio,

Shevardnadze não acabou o seu mandato.

O que quer dizer com que a independência das regiões se acentuou no periodo referido?

Saakashvili não resolveu a Ajaria, foi a própria Ajaria que foi ter com ele, porque também estavam insatisfeitos com a liderença que tinham e Saakashvili prometia algo de melhor para as suas vidas.

Shevardnadze não acabou por ter instalado no seu país as bases russas, elas foram herdadas dos tempos soviéticos e não era só nestas regiões que existiam bases, a Geórgia também as tinha.

E os acordos de Instambul, negociados por Shevardnadze, foi acordado o encerramento das bases.

Saakashvili, não escolhe um dos lados, prossegue o trabalho definido pelo dirigente anterior e tenta acelerar o processo. Ele teve que lidar com os russos e exigir que os acordos de Instambul fossem totalmente cumpridos no mais curto espaço de tempo, acordos negociados por Shevardnadze, um dirigente que nunca perdeu efectivamente uma parte do seu território.

PortugueseMan disse...

Caro José Milhazes,

Por acaso é curiosa a sua referência militar e Japão.

Os principais actores da 2ª guerra mundial tinham todos capacidades de produção e tecnologia, doutra forma não poderiam fazer uma guerra destas dimensões.

Todos com avanços tecnológicos estão hoje bem, Japão, EUA, Alemanha, Inglaterra, França, etc.

A grande diferença na minha opinião destes e a Rússia foi a orientação política/económica seguida.

A Rússia também possui muita tecnologia, mas estava num sistema económico diferente. Agora, é esperar para ver.

Anónimo disse...

O texto coloca a questão no plano da instruentalização da geórgia pellos EUA e pela Fed Russa, mas esquece completamente a ideia de que a Geórgia é um país independente e soberano - isto não significa que não tenha que se gerir tendo em cconsideração os poderes mundiais e regionais.
Um subentendido do texto- não explicito de forma clara - é a pertença da Geórgia à Área de influência Russa. Bom! Isso não é pacífico. Não há nenhuma lei natural que afirme isso. E certamente potencias regionais como a Pérsia (ah! digo Irão) e Turquia têm também algo a dizer, enquanto potencias regionais. Um bocadimho de história do caucaso meridional (transcaucasia para os Russos)não faria mal, passada e presente, para iluminar os espíritos (inclusive a de algumas elites «pensantes» em Portugal, que vêem o mundo a preto e branco, ainda).
Todavia, é certo que a Geórgia não pode viver fingindo que não tem fronteiras com a Federação Russa (tcherkessia, kabardino Balkari, Alãnia, Ingushéti, Itchkeria dos chechenos, Dagaquistão, Krasnodar Krai). Mas isso não significa que tenha que aceitar como fado - o fado é português - a impossibilidade de venda dos dreitos de pasasgem, de pretróleo ou gaz, a quem quiser e de definir quem são os seus parceiros. A questão não é só os gasodutos, nem para os USA, nem para a Fed Russa...
Cumprimentos

PortugueseMan disse...

Caro Anónimo,

Eu não esqueço a independência da Geórgia, um país não tem apenas que criar a sua independência, tem também que saber proteger a sua independência de acordo com a sua realidade à sua volta ao longo dos anos.

É uma das razões porque recuo até Shevardnadze, ele estava a avançar mais lentamente de modo a gerir essa realidade. A Geórgia tem vários problemas, bases russas, regiões separatistas, conselheiros militares americanos, integração da NATO, pipelines, etc.

A Geórgia é uma encruzilhada de interesses, é um país pequeno, rodeado de interesses gigantes. Tem que andar como se tivesse a "pisar ovos".

Regra geral, os países mais fortes exercem primeiro a sua influência em redor da sua fronteira. É onde está a Geórgia. A Geórgia é palco de um braço de ferro entre Rússia e EUA e os seus interesses serão ignorados por ambos, excepto quando isso os beneficie.

Eu não iria ao Irão, mas a Turquia sem dúvida. A Turquia é ao fim e ao cabo um dos principais interessados, o pipeline passa pela Turquia e a Turquia já pertence à NATO. Mas a Turquia apesar de ser muito maior, tem também necessidade de agir de acordo com a sua realidade. A Turquia está na NATO, participa no pipeline, tem fronteira com a Geórgia, tem fronteiras com o Iraque, viu-se obrigada a recusar o uso do seu território para os EUA abrirem uma frente no Iraque o que muito irritou os EUA e viu-se o primeiro veto na História da NATO pela Alemanha por isso mesmo. Ao mesmo tempo tenta ingressar no clube europeu, quando anda quase todos os dias ao despique com a Grécia, havendo confrontos com as 2 forças aéreas, apesar de ambos serem da NATO.

Na questão da Geórgia, a Turquia tem sido discreta, deixando os movimentos para os EUA. A Turquia tanto ganha com os pipelines americanos como ganha com os pipelines russos, não quer é ser arrastado para algo que pode ser muito negativo para o país. A isto chama-se gerir de acordo com a realidade à sua volta.

Saakachvili não está a defender os interesses da sua nação. Está a colocá-la em perigo ao puxar demasiado pelas coisas.

A Geórgia pode vender e escolher o que quiser, mas quando isso afecta outros e esses outros têm poder para reagir, temos um problema.

Como a Ucrânia, esta tem todo o direito de escolher a NATO, como a Rússia tem todo o direito de vender a preços de mercado.

A adesão à NATO é considerado pela Rússia uma ameaça às suas fronteiras e vai agir em conformidade.

Sérgio disse...

Port. ao dizer "Shevardnadze, um dirigente que nunca perdeu efectivamente uma parte do seu território.", se está a referir-se à forma como a Geórgia aparece nos mapas concordo consigo, porque no resto a Geórgia já não tinha controlo sobre nada. É a mesma coisa que se passa connosco, ainda hoje reinvidicamos Olivença, até a podemos incluir no nosso mapa que não vai fazer com que seja mais nossa, de facto é um territõrio administrado e fazendo parte de um outro país.

Sérgio disse...

Relativamente ao que disse sobre "Saakashvili não resolveu a Ajaria, foi a própria Ajaria que foi ter com ele, porque também estavam insatisfeitos com a liderença que tinham e Saakashvili prometia algo de melhor para as suas vidas." - É tão facil menosprezar aquilo que outros não consguiram fazer não é. Depois de feito até parece fácil, mas olhe que quem resolveu isso foi Saakashvili e não Shevardnadze, e não diga que este último não teve tempo para reslover as coisas. Até porque neste caso como se veio a revelar tratava-se de um caso de confiança nos dirigentes e não de tempo.

Sérgio disse...

E não vou sequer comentar a sua opinião de Saakashvili não ter escolhido um dos lados, antes pelo contrário fez um corte definitivo com a politica da antecessor de olhar para os dois lados, e de ser conivente com a Russia depois de tudo o que fez ao seu país (relembro todo o apoio dado aos grupos independentistas desde o primeiro instante, se não fosse isso, na minha opinião a Geórgia já há muito que tinha essas regiões sobre o seu controlo). E depois ainda se admiram de os Georgianos não quererem nada com os seus "irmãos" Russos.

Anónimo disse...

A Georgia sempre foi uma provincia russa, e esta só que seus direitos históricos de anexa-la respeitados

Anónimo disse...

A oposição ao Presidente Saakachvili é ainda mais pró-ocidental do que ele. Na Geórgia não há forças pró-russas significativas. Todo mundo odeia a Rússia lá

bog

MSantos disse...

Tem toda a razão José Milhazes, aliás o que deve dar o nome a uma nação e o seu estatuto de potência deverá ser a sua cultura e respectiva influência propagada, a sua capacidade industrial, de desenvolvimento, consequentemente a economia e o bem estar de vida dos seus cidadãos. O poder militar deverá ser apenas uma consequência, e devidamente proporcionada de todos estes factores reunidos.

Infelizmente no mundo real que vivemos as coisas muitas vezes não são assim.

O exemplo flagrante é exactamente a Rússia em que após quase 20 anos do fim da URSS continua a manter o seu estatuto através do poder e indústria militares e uma economia sustentada pela venda de matéria prima.

Por outro lado as potências referidas India e China embora com um crescimento industrial mais sustentado, não podemos esquecer que tal como a URSS dos idos anos 50 estão a crescer graças a trabalho escravo, com enormes sacrifícios e dramas humanos que concerteza vão implicar uma incógnita no futuro.

Apesar de tudo a Rússia tem uma vantagem e além doutro handicap que é a crescente desertificação territorial russa e a diminuição do seu povo . Para exercer infuência global, o Ocidente será um factor importantíssimo e dos três a Rússia é a que mais se aproxima culturalmente, dado as sociedades chinesa e indiana serem mais fechadas e "orientais".

Resta saber se a Rússia vai conseguir dar a volta criando um sector industrial/económico significativo independente da indústria de defesa e matérias primas.

Cumpts
Manuel Santos

Anónimo disse...

"Se você viver num apartamento, com uma série de vizinhos problemáticos e não puder mudar de casa, como é que vai tentar viver a sua vida?"

Essa é a mentalidade de nações (e pessoas?) passivas e apáticas. Eu sinceramente, morreria lutando ao invés de aceitar ser servo de qualquer um.

Zé Colméia

Anónimo disse...

"Não tenhamos dúvidas, efectivamente o único país que pode fazer frente aos EUA é a Rússia e os últimos tempos têm comprovado isto, razão porque geralmente os partidários do domínio americano global anseiam pelo desmembramento russo."

A Rússia com um pouco mais de 100 milhoes faria frente a uma China de 1 bilhão e meio? Só rindo...ainda bem que você não é um estudioso da área hehehehe. Conhece a máxima: Guerras são feitas por homens não por máquinas, meu brother.

Zé Carlos

Anónimo disse...

"A adesão à NATO é considerado pela Rússia uma ameaça às suas fronteiras e vai agir em conformidade."

Então, por que a Rússia não se une à NATO? Será que é o seu orgulho idiota e seu nacionalismo besta? Bom, alguns dizem que o povo russo é incapaz de escutar a opinião/vontades de outros povos. Dizem que vem de berço, a mamãe russa ensina que a Rússia sempre tem razão.

Sérgio

Sérgio disse...

Subscrevo na integra o último comentário do MSantos.

MSantos disse...

Um artigo muito interessante que encontrei e que demonstra que por agora Saakashvilli é o presidente que melhor serve os interesses russos.

Cumpts
Manuel Santos

Russia won't find a better Georgian president than Saakashvili

The growing political tensions in Georgia naturally suggest the question of which of the possible scenarios would be best for Russia. Some say the early downfall of President Mikheil Saakashvili would be to Moscow's advantage, but they are wrong, said Valery Khomyakov, director of the National Strategy Council, an independent Moscow think-tank.
The history of independent Georgia has so far had no precedent of change of president by election. Saakashvili took control as a result of the "Rose Revolution," replacing Eduard Shevardnadze, who had become national leader after overthrowing Zviad Gamsakhurdia. This practice, established in the post-Soviet period, is what modern Georgian opposition expects while trying to destabilize his regime.
However, there is an important difference from 2003 now, Khomyakov said. The Kremlin has entirely lost ability to influence the process. In 2003, Russian Foreign Minister Igor Ivanov flew to Tbilisi to persuade Shevardnadze to cede his post to the new leader. This time around, Moscow cannot approach Saakashvili and will therefore have to step aside and watch what happens.
President Dmitry Medvedev announced for the whole world to hear that he doesn't want to deal with Saakashvili. But a true politician is never guided by his likes and dislikes, pondering every matter as objectively as possible, Khomyakov said.
As long as Saakashvili holds power, Georgia might as well forget about its NATO membership plans. Western investors also question the country's attractiveness as long as he is president, especially as far as pipeline projects bypassing Russia are concerned.
A potential seat of anarchy and instability in the Caucasus, which is quite likely to emerge if Georgia attempts another velvet revolution, would be equally bad for Russia and the West.
However, it would be too simple to claim that the West threw Saakashvili to the wolves. They might put a lot of blame on him for the Caucasus war. They might dub him a lame duck and never invite to Western clubs anymore, but the good old formula, He may be a SOB, but he is our SOB, still exists, Khomyakov concluded.

Gazeta.ru

MSantos disse...

Para os russófonos tentei procurar o artigo na "gazeta.ru" mas dado não saber russo e a minha soletração de cirílico ser limitada, não o encontrei.

Lamento
Manuel Santos

PortugueseMan disse...

Sérgio,

...É tão facil menosprezar aquilo que outros não consguiram fazer não é. Depois de feito até parece fácil, mas olhe que quem resolveu isso foi Saakashvili e não Shevardnadze, e não diga que este último não teve tempo para reslover as coisas. Até porque neste caso como se veio a revelar tratava-se de um caso de confiança nos dirigentes e não de tempo...

Não é confiança, é esperança. Depositaram esperança neste novo líder que parecia diferente de tudo aquilo que conheciam, Shevardnadze já conheciam de bandeja e não o queriam.

Saakashvili..., representou para eles o que Obama representa hoje para todos. Esperança. Agora que o conhecem, interrogam-se o que raio foram escolher. Muitos devem pensar "se soubesse o que sei hoje dele..."

Sérgio disse...

Port. dê tempo ao homem. Tomou posse quando, em Janeiro, o tempo dos milagres já terminaram.

Wandard disse...

"MSantos não posso discordar mais de si quando pensa que a Russia é a unica que se pode opor aos EUA. Primeiro porque considero que a China será a principal antagonista dos EUA, e depois porque a Russia terá de se aliar ao Ocidente se não quiser se tornar um estado satelite dos super-estados asiáticos (China e India) que emergirão a partir da metade deste século."

Sérgio,

Primeiramente países com recursos naturais limitados, não podem emergir em condições mundiais como superpotências, a China e a Índia possuem grande contingente populacional e sim indústrias com certa diversificação quando comparados à Rússia, mas dificilmente poderão evoluir de potências regionais, principalmente pelas elevadas condições de contrastes sociais e pelos primeiros limitadores acima. Só a título de exemplo a China jamais conseguiu evoluir tecnologicamente no tocante aos equipamentos militares. Quanto à constante condição de oposição o que vejo é a aliança atlântica cada vez mais inchando de parceiros que só podem contribuir com homens, isto em um período que a tendência dos exércitos é diminuir cada vez mais de tamanho cedendo espaço a armas mais modernas e eficazes.

Abraço,

Oh Well, Okay. disse...

"Caros leitores, alguns de vocês olham para o mundo só quase através da perspectiva do confronto militar. E as inovações tecnológicas? O que fez o Japão um gigante?"

As inovações tecnológicas do Japão estão meio que interligadas aos "confrontos militares". A ajuda americana no pós-guerra foi fundamental para o desenvolvimento da tecnologia japonesa, que convinha muito aos EUA no confronto indirecto com a URSS, devido principalmente às áreas de influência de cada país. Já viu o que era se o Japão caísse no "universo comunista"? A América perdia o seu maior aliado, e a zona asiática ficava dominada pela China e pelo Japão. Era péssimo.
No fundo...Os confrontos militares ou os interesses políticos estão sempre presentes em tudo. Algumas vezes mais do que outras.

Sérgio disse...

O Wandard introduziu novas variáveis nesta equação já de si complexa. Estava a estranhar amigo a sua ausencia. Na minha opinião apenas se esquece de uma coisa quando refere a falta de recursos para se ser uma super-potencia, a criatividade e capacidade de inovação humana. A UE não tem assim tantos recursos e não é por isso que vai deixar de ser uma super-potencia do Ocidente, olhe o exemplo da energia e das renováveis. Num futuro ainda muito distante, quem tiver acesso ao espaço também terá acesso a recursos infinitos. Por enquanto países como a china e India vão-nos adquirindo nos grandes fornecedores como Africa (onde China está em força e a India reinvidica para a sua influencia a costa Oriental de Africa), Russia que tem tanto espaço livre e todos esses recursos não aproveitados, não sei até que ponto se poderia chegar a uma situação de ruptura entre a Russia e esses países se estes se vissem confrontados com uma situação de escassez. Mas acima de tudo o que acho que vai prevalecer relativamente aos recursos e escassez destes nestes países, pelo menos em quantidade suficiente para suprir as sua necessidades é o facto de vivermos numa sociedade globalizada, embora os países se continuem a associar numa lógica de blocos e esferas de influencia, hoje os denominados blocos regionais, estes não são tão impermeáveis como todos os seus antecessores, resumindo, numa situação de paz, não é por a Russia fazer parte da CEI, da UE ou de uma União Asiatica que vai deixar de fornecer a Europa, China, India, etc, com as suas matérias primas, já não será tão forte essas demarcações como o eram no passado, e relembro que mesmo nessa altura, por exemplo no tempo da URSS esta fornecia petroleo ao Ocidente, o seu opositor. Numa última hipotese que eu espero que seja remota existe sempre a velhinha forma da China e India conseguirem satisfazer os seus apetites, a guerra. Wandard e aqui não se coloca a hipotese de quem vai ganhar ou perder essa guerra, mas sim quem quer uma guerra com esses países, é que ficariam ambos os lados a perder independentemente do aparente vencedor. Por fim Wandard eu não tenho a sua experiencia militar mas convirá que até as maquinas têm as suas limitações. Os EUA perderam a guerra no Vietname contra um exercito bem menos mecanizado, a URSS a do Afeganistão e possuíam bem mais equipamento militar do que os seus opositores, etc. Até uma pedra e um pau podem matar, e quando o ser humano é deixado sem alternativas acredite que ele irá retaliar mesmo contra o mais poderoso exército do mundo e por muito mecanizado que seja. É claro que poderá dizer que no futuro os exercitos serão totalmente mecanizados e que os exercitos dos países mais ricos não precisarão de perder mais vidas nos campos de batalha, é claro que isso poderá acontecer, como se calhar também será mais facil para os terroristas terem acesso a armas que hojem não têm, como armas nucleares.

Bruno Veiga disse...

Ha uma coisa que todos tem de concordar a russia quer outra vez impor o seu dominio digamos "imperial".
Putin ainda vive muito no passado Soviético,basta para isso vermos o seu historial de acçoes(ex-agente do KGB), tchechenia e Georgia como a guerra do Gás é um sinal de que o "Urso" Russo está acordar.
Problema para mim em relaçao a Georgia será como ela de futuro reagirá a pressao interna e externa.Porque ha uma coisa que nao podemos esquecer é que há uma Turquia que de certeza nao quer que a Georgia caía nas maos de uma Russia.
Quero referir tambem que concordo plenamente com o José Milhazes ao olharmos para este regiao do mundo n devemos olhar so para a Russia, é necessario olharmos para todos os paises a volta, pois eles detem ligaçoes historicas muito fortes.

Jest nas Wielu disse...

Autor parece que leu 2-3 artigos da Wikipédia e se julga um grande especialista nos assuntos georgianos:

1. /... Shevardnadze não fosse nenhum santo, era um político muito experiente e penso .../
Desde quanto as frases do tipo “eu penso”, são admitidas nas análises políticos sérios? Sim, Shevarnadze era um burocrata soviético de carreira e Saakashvili não é, mas será que político experiente é quem tem mais de 60 anos? Parece discurso do Mário Soares contra Alegre.

2. ... /Saakashvili perdeu e fez com que o seu país perdesse uma significativa fatia de território/.

Outra mentira, Abecásia e a Ossétia do Sul estavam no poder dos separatistas armados, treinados e encorajados pela Rússia desde o 1991-92 (bem na era do Yeltsin). Nas eleições de 2004 votaram em Putin cerca de 3.000 ossetas, em 2008 já eram 30.000. Sempre convém ter uma população que votará 120% em quem o Kremlin dizer. Por isso dizer que AGORA Saakashvili perdeu alguma coisa é completamente falso.

3. Autor parece que nunca ouviu falar do Zviad Gamsakhurdia, presidente da Geórgia que o Moscovo ajudou a derrubar, colocando no seu lugar Shevarnadze. Já para não falar dos dissidentes, da independência georgiana até 1921, etc. Parece que a Geórgia toda a sua vida adorava o Big Brother do Kremlin e só a chegada do Mikael Saakashvili estragou a festa.

4. Enfim, AM / KG