quinta-feira, junho 11, 2009

Mãe de Alexandra humilhada em programa televisivo russo


“Fui enganada e apresentaram-me como alcoólica”, declarou Natália Zarubina, mãe de Alexandra, ao semanário Argumenti i Fakti.
Comentando a participação da sua família no programa “Que falem!”, gravado na semana passada, mas ainda sem data de transmissão, Natália declarou indignada: “Durante as filmagens, mostraram umas imagens onde eu bebo conhaque, depois do que um dos conviados do programa gritou que eu sou alcoólica!”.
“A equipa de Malakhov (o apresentador do talk show) apresentou de propósito essa imagem: quando vieram ter comigo para me convencerem a participar no programa, pediram para beber conhaque com eles, que tinham trazido consigo. Fomos enganados quando disseram que queriam mostrar tudo de forma positiva”, continua Natália, cidadã russa a quem o Tribunal de Guimarães entregou a sua filha que estava à guarda de uma família portuguesa.
“Antes das filmagens, deram-me instruções: diz isto, diz aquilo. Por exemplo, pediram-me para não me esquecer de recordar que a família portuguesa vive numa casa que antes tinha sido um bordel”, recorda.
Segundo o semanário russo, os participantes do programa dividiram-se em dois campos: “uns gritavam: “Devolvam Sandra a Portugal! Tu és alcoólica e drogada!”; outros defenderam as mulheres de Iaroslavl”.
Natália Zarubina acusa o apresentador, Andrei Malakhov, de ter desempenhado o papel de “defensor da moralidade”.
“Ele perguntou-me: como se foi deitar na cama com um trabalhador ilegal, sem registar as vossas relações?”, revela a mãe de Alexandra.
Natália afirma que o pai biológico de Sandra, Gueorgui Tsklauri, lhe telefonou e comunicou que a família lhe propôs dinheiro para retirar a criança à mãe através do tribunal, mas que ele teria dito que não faria isso.
“Se Florinda e o marido me tivessem devolvido a menina sem todos os julgamentos, eu manteria relações com eles, mas agora estou muito zangada com eles”, frisou.
A mãe de Alexandra promete-lhe contar toda a história do seu regresso à Rússia quando for mais crescida, mas reafirma a sua intenção de não regressar a Portugal.
“Vou organizar a minha vida aqui, dentro de pouco tempo vou inscrever-me num centro de emprego, a minha filha vai para o infantário. Quero que, no futuro, as minhas filhas terminem a universidade e possam encontrar um emprego normal, e não lavar o chão de alguém”, concluiu.

23 comentários:

Anónimo disse...

Que telenovela mais pindérica! Isto é baffon mesmo, JM.Quando subir o nível , voltarei a este blog. Até lá, boa visita ao Pigalle russo.

Jose Milhazes disse...

Sr. intelectual anónimo, desculpe, mas acho não conseguir alcançar o seu alto nível. Procure algo mais sublime.

MSantos disse...

Caro JM

Tomando a liberdade de fugir ao assunto do post, ouvi qualquer coisa hoje em que MNE russo teria afirmado que qualquer tratado de desarmamento só poderia avançar se os EUA deixarem cair o escudo anti-míssil.

Existe algo de concreto?

Cumpts
Manuel Santos

Teresa disse...

Boa noite, Sr José Milhases!
Mais uma vez, quero deixar-lhe os meus agradecimentos pelas suas notícias.
Tem toda a razão na resposta que dá ao Sr. Intelectual anónimo. Parece-me que este Senhor aónimo, está tão lá em cima na sua intelectualidade, que se esquece de olhar à sua volta...mas enfim!
Um abraço e parabéns pelo seu excelente trabalho!
Teresa

Anónimo disse...

O que salva ainda a alma da Alexandra e ser tao novinha e nao perceber russo, porque senao ja tinha sido envenenada. Isto tudo e muito toxico.
Existem tantos acordos com os PALOP, USA, EU, acerca de criancas e nacionalidades (ou facilidades de residencia), entao porque nao abrir mais uma excepcao para este tipo de situacoes? Se Portugal esta a envelhecer porque nao oferece condicoes economicas a um casal para ter filhos, porque muitas criancas sao abandonadas ou as familias nao as podem suportar, como explicar mandar embora uma crianca perfeitamente integrada social, economica, cultural e sentimentalmente?


Ao Anonimo das 19:03: "Baffon" rima com "Garrafon". Se comentar, Nao Beba.

Jose Milhazes disse...

Caro MSantos, isso é verdade. O MNE russo já respondeu com uma negativa ao convite para a Rússia participar no sistema de defesa antimíssil. Mas vamos estar atentos a este processo, porque russos e norte-americanos prometeram novidades até à vinda de Obama a Moscovo, em Julho.

Anónimo disse...
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Anónimo disse...
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Jose Milhazes disse...

Caros leitores, peço para serem contidos e ponderados nos comentários, para eu não perder tempo a cortar.

FPtrad disse...

Ela participa nesses programas de baixo nível porque ela quer... ninguém a obriga e, por isso, não tenho pena nenhuma dela.
Quanto ao sr. anónimo intelectual, é melhor rever as suas bases de francês: é que a palavra "baffon" não existe em francês e deve-se escrever "bas fonds".
Quando não se domina uma língua estrangeira, é preferível não se recorrer a estrangeirismos, só porque dá estilo.

Nuno Bento disse...

A TAP esta de parabéns.

Obrigado, JM, por esta notícia.

PortugueseMan disse...

Caro MSantos,

A não ser que esteja totalmente enganado, a questão do sistema anti-míssil, só terá um tipo de resposta possível por parte dos russos. Um não.

É impossível para a Rússia aceitar um sistema antí-missil ali. Eles não vão recuar e só restará duas opções a Obama: Recuar no escudo nesta zona, ou desistir de um novo tratado com a Rússia.

Ambas as opções têm aspectos negativos. Se Obama recuar, irá dar parte de fraco, o que será mau, para gerir internamente a situação. Os EUA são a super-potência e estar a recuar num ponto tão importante, por pressão russa é muito negativo para Obama.

Se Obama não recuar, teremos o acelerar ainda mais da corrida ao armamento e a Rússia terá necessidade de retomar antigos projectos que foram congelados por acordos anteriores. Nomeadamente armas anti-satélite e colocação de armas no espaço.

A 1ª opção é má, mas a 2ª é muito, muito pior.

Não havendo possibilidade da Rússia aceitar o sistema, é necessário arranjar uma saida airosa para Obama, de modo este poder recuar, sem parecer muito mau. Como fazer isto...

MariaF disse...

Só uma "mãe" que não vou adjectivar consegue pensar numa filha como um objecto e como tal tem que ser devolvido.
Só uma "mãe" que não vou adjectivar não entende todo o relacionamento que uma criança estabelece durante mais de 4 anos.
Enfim, triste mãe. Haja quem explique à Natália que para a Alexandra chegar à universidade, é necessário (ainda que não suficiente) que até lá cresça em ambiente saudável de afectos e sem cortes radicais com o passado.
Parabéns José Milhazes, porque o Mundo é feito do conjunto das partes (indivíduos ou casos isolados, incluídos).
Cumprimentos,
Maria Ferreira

MSantos disse...

Isso é evidente, PortugueseMan, mas para esta notícia em concreto só vejo duas opções:

1º - Partindo do princípio que não houve negociação a sério, os russos lançam publicamente a condição do seu objectivo e não dão hipótese à administração americana. Ou aceitam e perdem a face ou teremos a pior opção.
Inclusivé há a hipótese de os EUA já terem decidido ceder mas face a este "xeque-mate" público poderão mudar a política e prosseguir com o escudo.

Se for isto é uma péssima jogada dos russos pois a não ser que Obama ceda e fique com uma situação interna insustentável a nível do Pentágono, pode provocar o extremar da posição americana e jogar contra os russos.

2- Outra opção é já ter havido uma prévia negociação e os EUA terem sido irredutíveis quanto à desmobilização do escudo e ampliação da NATO e aí, os russos já não tendo nada a perder establecem o seu finca-pé e não abdicam da integridade do seu arsenal nuclear e rumam a rearmamento convencional.

O que seria importante era atingirem um acordo onde nenhuma das partes predesse a face, não havendo escudo, expansão da NATO nem rearmamento russo nem sequer nova guerra fria.

Cumpts
Manuel Santos

Jorgemlr disse...

Eu faço votos para que a Alexandra seja feliz. Não posso comentar com grande conhecimento de causa, porque não acompanhei este caso com detalhe; no entanto, compreeendo a atitude da mãe de Alexandra: afinal de contas, ela é a mãe biológica da menina.
Se ela tivesse abandonado a filha aos cuidados da família portuguesa de acolhimento, que opinião iria um dia a Alexandra ter da sua própria mãe? A questão família biológica versus família afectiva é muito complexa, mas em princípio, exceptuando em casos comprovados de violência, a família biológica está para mim em primeiro lugar. A questão do dinheiro ou a do maior ou menor conforto são, para mim, secundárias em relação à maternidade. (Levando estes critérios ao absurdo, então todos os filhos de pobres teriam que ser adoptados!) Antes disso, estão a empatia e o equilíbrio emocionais na família. Observando as fotografias, a miúda parece-me alegre e bem disposta.
Desejo-lhe as maiores felicidades.

Jorge Lopes

Cristina disse...

http://hi5.com/friend/photos/displayPhotoUser.do?photoId=3854946447&albumId=335765903&ownerId=441532514#3854946447_441532514_335765903_0

As últimas fotos da Alexandra na Rússia. Infelizmente, se há coisa que não parece é alegre e bem disposta, e aquelas olheiras não me parecem nada bom presságio :-(

Jest nas Wielu disse...

Oi,

Quem ainda tive ilusões sobre o “verdadeiro amor” dessa criatura sinistra Natália pela sua fila Xaninha, vejam estas fotografias e leiam estes artigos, vejam a menininha com a garrafa de cerveja na mão, como se fosse um brinquedo...

Acredito que Pippo e Ko vão nós explicar que a garrafa de cerveja é um brinquedo “perfeitamente normal” e “não deve ser usado pela propaganda anti – russa”, pois, pois.
http://community.livejournal.com/
sandra_parents/24695.html

Jest nas Wielu disse...

Muita gente pediu a tradução do seguinte vídeo (http://www.youtube.com/watch?v=9rjF-Ctjk1o) no YouTube, eis a minha tradução resumida:

Título: Europa não precisa das crianças sujas russas

Quem fala: Maksim Shevchenko, membro da Câmara Social da Rússia, jornalista. Pelas suas expressões faciais, pela linguagem pode-se concluir que é mais um jornalista / aspirante ao político, que pretende justificar qualquer coisa, que a Mãe – Rússia lhe pedirá para justificar... mas ao mesmo tempo, fazer a crítica social, deve ser a “oposição da esquerda” criada pelo Kremlin.

Tradução curta:

1. Os pensamentos ético – patrióticos: não somos um país caído tão baixo, para permitir, que as nossas crianças, tal como os pequenos chinesinhos ou negrinhos, sejam levados para fora do país.
2. A avo e a filha mais velha são pessoas russas NORMAIS! Natália é uma pessoa com a vida trágica. Eu via a casa, é uma casa NORMAL, bem, um pouco torta.
3. (N!B! Chama a Xaninha de Sasha Zarubina, mas ela é Tsyklauri!)
4. O berro da dita cuja sociedade, ... que eu pessoalmente tenho o nojo dela (desta sociedade que reclama o retorno da Xaninha a Portugal)
5. Temos que fazer algo ... quer dizer, mas nunca entregar as crianças ao “mundo civilizado”.
6. Porque se fala tanto da Xaninha? “Por causa das negociações difíceis com a UE sobre o gás, sobre o trânsito do gás, com certeza isso é uma campanha das Relações Públicas encomendada”.
7. Enquanto as crianças em Palestina, em Afeganistão...
8. Qual é o alvo da campanha das RP? Mostrar que a Rússia é um país sujo, um país bárbaro, que as condições da vida dos seus cidadãos são mais baixos que qualquer patamar. E isso é verdade, sobre as condições da vida.
9. Atingir a imagem da Rússia, ... aqui está o português Barroso, que levou um estalo no nariz do Medvedev e espanhol Solana, que também levou o estalo no nariz do Medvedev.
10. Querem colocar as chefias de Federação Russa numa certa posição e as possuir, pelo tema do gás.
11. Deve-se mandar as chefias das províncias, dos distritos para a Chechénia, para aprender com o Ramzan Kadyrov (líder checheno) como gastar os dinheiros no campo social.

Anónimo disse...

É triste que não se entenda que a felicidade da Alexandra/Sandra deve estar acima de qualquer outro argumento. É triste que não se entenda que as crianças não são propriedade do Estado A ou B, mas são seres humanos com sentimentos e com direito a crescer onde se sentem bem, junto dos adultos que são para si sinónimo de protecção, de afecto, de cuidados, etc.

Anónimo disse...

Maria Ferreira (autora post anterior, 14:05)

Jose Milhazes disse...

Caro leitor Jest, obrigado pela tradução do artigo, dá uma ideia real das declarações de Maksim Chevchenko, que penso que não necessitam de comentários.

Anónimo disse...

Sr. José Milhazes
O meu nome é Carla e sou mãe de duas meninas, uma faz hoje 7 anos , e ao ver esta menina Alexandra tão linda e já com tantos problemas, fico com um sentimento de grande tristeza e preocupação, não compreendo que justiça é a nossa em Portugal, está tudo invertido (defendem-se os maus e castigam-se os bons).
Será possível que ai na Rússia não haja ninguém "rico" que possa ajudar a Alexandra e a família biológica já que têm poucas condições na casa em que vivem?
Será que na Rússia não existe ninguém "milionário" que possa dar uma casa á família , que a ajude não há uma alma caridosa...
Juro que se tivesse dinheiro ajudava aquela família , pela Alexandra é claro, porque agora que ela lá está a viver duvido que volte a Portugal, pelo menos enquanto for menor de idade, mas sinto que um dia esta criança quando for mais velha e se não tiver esquecido quem a salvou e criou com muito amor ela vai voltar a Portugal.
Procuro todos os dias por noticias para ver como está a Alexandra , e se não existir ninguém que a possa ajudar só me resta pedir a Deus para que Ele a proteja e lhe dê forças para continuar a sua vida.

Queria dizer ainda que no caso Maddie houve tanta gente milionária que deu dinheiro para o fundo que na altura foi criado para a procurar...sem saber se estava viva ou morta...
Gostava que também existisse alguém que ajuda-se a Alexandra a ter uma casa digna, um quarto só dela ...porque afinal ela está VIVA e precisa muito.
Sr. Milhazes mantenha-nos informados , nunca perca essa criança de vista .
Obrigado

António disse...

Alexandra, não te esqueceremos.