quarta-feira, junho 17, 2009

Moscovo e Pequim assinam importantes acordos no campo energético


A Rússia e a China assinaram um memorando sobre compreensão mútua na esfera da extracção e transporte de gás natural depois do encontro dos Presidentes dos dois países, Dmitri Medvedev e Hu Jintao, realizado hoje no Kremlin.
Em Maio passado, Igor Setchin, vice-primeiro-ministro russo, anunciou que a Rússia planeava revelar as suas propostas sobre os fornecimentos de gás à China durante a visita de Hu Jintao a Moscovo.Segundo ele, a Rússia está disposta a fornecer as quantidades de gás que o país vizinho quiser comprar.
O Programa de Gás Oriental, que está a ser coordenado pela gasífera russa Gazprom, prevê a criação, na Sibéria Oriental e no Extremo Oriente, de um sistema único de extracção, transporte e fornecimento de gás tendo em conta as possibilidades de exportação de combustível azul para os mercados da China e de outros países da região da Ásia e Pacífico.
Porém, Alexandre Ananenkov, vice-director da Gazprom, reconheceu que os fornecimentos de gás russo à China não começarão em 2011, como estava previsto, mas mais tarde, devido a divergências face ao preço do combustível.
“As conversações continuam, ainda não chegamos a acordo sobre os preços, já não podemos falar do início em 2011, trata-se de um trabalho cuja envergadura já não se enquadra nesse ano”, declarou Ananenkov, numa conferência de imprensa hoje realizada em Moscovo.
“Logo que haja preço, começaremos a construção (de gasoduto rumo à China), mas esta questão não é simples, o vendedor quer vender sempre mais caro e o comprador quer comprar mais barato”, sublinhou.
Os dirigentes russos e chineses assinaram também um memorando de compreensão mútua sobre cooperação na esfera carbonífera.
Segundo esse documento, as empresas russas passam a poder participar na construção de uma central eléctrica a carvão na China.
Foi também assinado outro memorando entre o consórcio russo Renova e a Empresa Pública de Extracção de Ouro da China.
Medvedev e o seu homólogo chinês assinaram uma declaração conjunta, onde propõem uma nova volta de conversações para “verificar a distribuição de quotas no Fundo Monetário Internacional”.
“É necessário realizar atempadamente uma nova volta de conversações para verificar a distribuição de quotas no FMI e elaborar um projecto de reforma do Banco Mundial, que aumente consideravelmente o direito de voto e a representação dos novos mercados e Estados em desenvolvimento nas estruturas financeiras mundiais”, sublinha-se na declaração.
“Faremos tudo para que os ritmos da cooperação económica se mantenham este ano e para minimizar a influência da crise”, declarou Dmitri Medvedev, no encontro com o seu homólogo chinês.
O Presidente russo frisou que, em 2008, as trocas comerciais superaram os 50 mil milhões de euros.
Hu Jintao recordou que este ano se comemora o 60º aniversário do estabelecimento de relações entre a Rússia e a República Popular da China.
“Durante estes 60 anos, as nossas relações percorreram um caminho complicado. O Governo e o povo da China jamais esquecerão que o Governo da União Soviética foi o primeiro a reconhecer a República Popular da China e a estabelecer relações diplomáticas”, concluiu o Presidente chinês.

6 comentários:

Sérgio disse...

Velhos laços não se esquecem. Parece que até os Chineses veem nos Russos os seus velhos aliados/inimigos Soviéticos.

Vitor disse...

Mas os também aprendem, mas tarde, que os chineses copiam quase tudo.
Então na área da defesa, nem se fala.

PortugueseMan disse...

Sabe JM,

Estes acordos energéticos entre Moscovo e Pequim são positivos para ambos. Mas isto não traz nada de bom para a Europa.

A diversificação de clientes por parte de Moscovo aumenta ainda mais o seu poder negocial (e político) sobre a Europa. Enfim a nossa velha conversa sobre a guerra do gás.

Agora o outro assunto que refere, o FMI e Banco Mundial estão em linha com o assunto dos BRIC.

É um verdadeiro ataque aos centros de poder ocidental e novamente à moeda de referência o dólar. O FMI e Banco Mundial vão mais tarde ou mais cedo mudar o seu sistema e repare quem tem andado a ocupado a sanear as suas dívidas ao FMI e faz agora pressão, Rússia e Brasil, que também são dois membros do BRIC, não sei se se recorda mas eu já tinha chamado a atenção que esta era uma das estratégias da Rússia (saneamento da dívida do FMI) e que foi seguido por outros países. Os BRIC neste momento saltam de nível e em vez de pedirem dinheiro ao FMI, fazem exactamente o contrário. Vão querer mais poder de decisão dentro do FMI/Banco Mundial.

Você reparou que a Rússia em 2007 (depois de ter saneado as suas dívidas ao FMI), desafiou o sistema de escolha de candidatos, tendo indicado um? Na altura foi um escândalo porque o sistema de escolha de candidatos para estas duas instituições é partilhada pelos os EUA/UE, quando um escolhe o candidato para o FMI o outro escolhe do do Banco Mundial, o resto do mundo aceita os resultados.

Mas agora os BRIC, estão a começar a agir em bloco e uma das coisas que de certeza vai ser posta em causa vai ser o esquema de escolha de candidatos e a moeda usado por estas duas instituições.

Voltamos ao mesmo, estamos a assistir a um ataque ao dólar e aos EUA por via económica. E a força de um país não assenta unicamente na sua força militar, mas sim na capacidade de sustentar essa força.

Estamos a assistir a mudanças enormes no mundo como o conhecemos hoje, a grande questão é se elas serão pacíficas.

Pippo disse...

Complementaria ainda o que o PM disse, destacando o investimento russo da China. Ou seja, não só favorece o crescimento económico desta país como ainda participa nesse crescimento, daí tirando dividendos.

E como a Rússia, tanto quanto sei, não baseia a sua economia no crédito (que foi o que os EUA fizeram durante anos, originando a presente crise), a sua base de desenvolvimento é, á partida, mais sólida.

Ou a UE se independentiza em termos energéticos e começa a produzir (sim, produzir!) a sua energia; começando também a impor barreiras à competitividade desleal por parte da China, ou então estamos tramados.

Anónimo disse...

negócios da China

Anónimo disse...

Concordo completamente com PM, como em outros comentários que tem produzido neste blog.

O ataque ao dolar não é de agora e não sei se não será até desejável.

Só não é mais incisivo porque outros paises estão presos às reservas que têm nessa moeda (sobretudo a China)e porque não se sabe sabe muito bem o que vai surgir depois.

Na perspectiva dos países que o desejam mais vale um mal que se conhece que um possível bem que se desconhece.

A substituição do dolar como moeda de referência trará consequências imprevisíveis para o mundo e implicará a queda dos EUA como única potência. E apesar de isso me parecer inevitável também não sei se será pacífico.