segunda-feira, setembro 07, 2009

Contributo para a História


Encontrei um artigo curioso sobre “As ambições coloniais polacas nos anos 30 do séc. XX” em países como o Brasil e em colónias portuguesas como Angola e Moçambique. Não sei se este tema é conhecido dos historiadores brasileiros e portugueses, por isso deixo aqui um resumo do mesmo.
O artigo foi publicado no jornal electrónico regnum.ru por I.Gavrilov.
“...Em Fevereiro de 1928, sob a direcção do antigo consul polaco em Curitiba (Brasil), Kazemir Gluhovski, foi criada a União dos Pioneiros Coloniais (Zwiazek Pionerow Kolonialnych), cujo objectivo era a propaganda do domínio pela Polónia de colónias ultramarinas. No mesmo ano, essa União passou a fazer parte da Liga Zeglugi Polsiej (Liga Marítima Polaca), que, em 1930, passou a chamar-se Liga Morska i Kolonialna (LMK, Liga Marítima e Colonial). Não se tratou apenas de uma mudança de nome, mas uma mudança de política: no programa da organização aprovado no primeiro congresso, em Outubro de 1928, já tinham sido incluídos artigos sobre que a organização iria lutar pela aquisição de colónias por parte da Polónia, mas, agora, tratava-se da realização prática desse programa...”.
...”A imprensa russa e a direcção da LMK compreendia de várias formas o “colonialismo”.
Primeiro, tratava-se da transferência de colónos-sedentários polacos para novas terras, nomeadamente para o estrangeiro. Desse modo, criava-se de forma organizada uma forte diáspora em territórios pertencentes a potências estrangeiras. Claro que isso não transformava esses territórios em possessões da Polónia, mas podia permitir explorar novas regiões em prol da economia polaca (visto que os sedentários, em troca de créditos para a transferência, deviam pagar com matérias-primas). Semelhante “colonialismo” era praticado por uma grande quantidade de organizações na Polónia, bem como era activamente apoiado pelo governo. Porém, isso não podia dar resultados significativos, porque os sedentários não conseguiam realizar a extracção industrial de matérias-primas.
Segundo, podia ser a criação de grandes plantações com base em concessões de governos de potências pouco desenvolvidas. Semelhantes concessões, dirigidas centralizadamente por companhias polacas, deviam ser a base para a importação massiva de matérias-primas bartas para a Polónia. A LMK aposta precisamente neste tipo de “colonialismo”.
A terceira táctica era a criação de colónias clássicas, isto é, submissão política de determinados territórios à Polónia. Esta abordagem também gozava de grande apoio na LMK...
“... Além das exigências e da propaganda, organizações e governo polacos (e claro que a LMK) tentaram levar à prática projectos de colonização de territórios deste ou daquele país... Analiso apenas os projectos mais conhecidos, realizados pela LMK ou pelo Governo da Polónia.

Brasil

Não foi por acaso que a União dos Pioneiros Coloniais foi criada por um antigo consul na província brasileira de Paraná. O facto é que, no Sul do Brasil, no início do séc. XX, vivia e trabalhava uma diáspora polaca bastante grande : na provincía do Paranã viviam cperto de 150 mil no início dos anos 30, cerca de 18% da população. O general-brigadeiro Stefan Strjemenski, representante da LMK, propôs um grandioso plano: construir, com os meios das companhias polacas, um caminho de ferro, através do Estado do Paranã, de Rioniho e Gaurapavi, com o objectivo de ligar as aldeias polacas e, ao mesmo tempo, melhorar as condições de transporte da produção agrícola e de madeiras (que deviam ser enviadas para a Polónia). Em troca, a LMK devia receber dois milhões de hectares de território de uma reserva índia junto do caminho de ferro. Mas as altas despesas que implicaria a construção (11 milhões de dólares a preços da época) levaram à corecção substancial do plano. Em vez dos milhões de hectares, foram adquiridos cerca de sete mil hectares de terra para uma localidade chamada “Morska Wolia” (Liberdade Marítima). Um pouco mais tarde, com meios da LMK, foram adquiridos mais 20 mil hectares para a aldeia “Orlic-Dresher”. Em 1935, começou o povoamento das “colónias”, mas a dimensão do projecto está patente no facto de na “Liberdade Marítima”se terem instalado cerca de 350 pessoas, o que não é surpreendente, visto que os gastos com a transferência de uma família podiam chegar a três mil dólares. Além disso, a campanha colonial intensa na imprensa polaca obrigou o governo brasileiro de Getúlio Vargas a olhar de forma diferente para a questão do povoamento das terras. Como resultado, em 1937, a “Liberdade Marítima” povoou apenas 50% do planeado. Ao mesmo tempo, as relações das autoridades brasileiras, extremamente nacionalistas, e dos colonos polacos levaram ao aparecimento de recomendações da parte do MNE da Polónia no sentido de parar o posterior povoamento e foi posto fim ao projecto.

Angola

Logo após a criação, a União dos Pioneiros Coloniais dedicou-se activamente ao trabalho. Uma das primeiras tarefas da União foi a tentativa de criar uma rede de plantações polacas nas colónias portuguesas. Por exemplo, em 1928, para Angola foi enviada uma expedição com o objectivo de visitar e encontrar territórios para a criação de plantações agrícolas. Como resultado, foi encontrada a terra necessária e o trabalho começou: foram criadas duas companhias (“Polangola” para resolver questões de comércio e compras, e “Alfa” para resolver questões de povoamento) e os colonos polacos membros da LMK começaram a comprar parcelas de terra (de 600 a 2000 hectares) para plantações. Porém, os planos de criação de plantações em Angola estavam condenados a não se realizarem: o governo português, preocupado com tão inesperado desenvolvimento dos acontecimentos, tornou mais complicado o processo de imigração para as colónias, bem como passou a prestar muita atenção desnecessária aos colonos polacos. Como resultado, a maior parte dos grandes plantadores foi obrigada a abandonar Angola depois de 1938.

Moçambique

“...A LKM revelou interesse também para com Moçambique, onde se planeava realizar o plano de contrução de uma enorme plantação “Lacerda”, com uma área de 20 hectares para 100 plantadores. O valor do projecto era colossal: cerca de 15 mil libras para a aquisição de terras, para já não falar do equipamento dos colonos e dos subsídios para o início dos trabalhos. Jamais saberemos como terminaria esse plano, porque, em 1939, antes do início da guerra foram realizados apenas os trabalhos preparativos (prospecção geológica, estudos de agronomia).”

47 comentários:

Anónimo disse...

Ucrânia tambem tem povoamente em Maputo...

Jacob disse...

construir, com os meios das companhias polacas, um caminho de ferro, através do Estado do Paranã, de Rioniho e Gaurapavi, com o objectivo de ligar as aldeias polacas
*
Parece que é Guarapuava e o distrito de Entre Rios, no estado do Paraná.

Gilberto Mucio disse...

Interesasnte.

Mas o curioso eh que no Brasil isso nunca daria certo.

O Imigrante chegava e em poucos anos estava assimilado, totalmente brasileiro. Coisa parecida nao houve em nenhum pais do mundo. Talvez so nos EUA...

Os descendentes de palacos, hoje, nao sabem nem onde fica a Polonia (modo de dizer), dada a indiferenca com a terra dos antepassados.

[meio-off]MAs esse governinho do nefasto Pilsudsky --totalmente desastroso e 'analfabeto' em politica externa -- bem que fez com que a Polonia merecece levar umas bordoadas na Segunda Guerra, viu...

Jose Milhazes disse...

Caro Jacob, obrigado pela emenda, eu apenas reproduzi o que estava no texto russo e devo reconhecer que não sou muito forte em georgrafia do Brasil.

Aggio Piaggio disse...

Bastante interessante, este seu post. Desconhecia qualquer ligação histórica ou colonial - ou vontade de a criar - entre a Polónia e o Brasil. Parece que os "poloneses" afinal também tiveram desejos expansionistas...

Eu sei que não tem a ver com a este assunto, mas permita-me que deixe aqui uma dica de leitura. Trata-se de um livro que estou ansioso por encontrar aqui em Portugal. E que se chama "A Invasão", com o revelador subtítulo "24 de Junho de 1986 - O dia em que o Brasil invadiu Angola". Ficção... política pura. O autor chama-se José António Severo, tanto quanto sei trata(va)-se de um escritor respeitado no meio da Ficção Científica escrita brasileira. Existe ou existiu um certo movimento literário virado para esse campo, embora um pouco contra-corrente.
A única edição que consegui descobrir na net remonta a 1979.

https://www.traca.com.br/seboslivrosusados.cgi?mod=LV369183&origem=resultadodetalhada

Caro José, desculpe utilizar o seu blog para este fim, mas... creio que perguntar não ofende.
Será que algum dos seus leitores atentos do lado de lá do atlântico me poderá dar uma ajuda para obter este livro?

Um abraço a todos, em particular ao José ;)

Jest nas Wielu disse...

off top:

Estimados, amigos, hoje, a página russa da Internet, a “Imprensa Livre”, publicou a entrevista com a Natália Zarubina, a mãe biológica da Alexandra (Xaninha) Tsyklauri, cujos pontos mais interessantes decidi traduzir para o português:

Título: Natália Zarubina: estou sob vigilância constante, nem dá para tomar a cerveja!

IL: – Natália, porque a sua mãe (avo da Xaninha) não foi a Portugal ver a casa que é oferecida à sua família?

NZ: – Mudou de ideias, toda a gente está prestar a atenção demasiadamente grande à essa viagem. Por isso ela já não quer ira ao lado nenhum. Em geral, não queremos ir lá (a Portugal).

IL: – Imprensa disse (http://spb.kp.ru/daily/24354/542098) que a avo da Sandra (Xaninha) recusou-se ir a Portugal, porque nas vésperas você organizou uma festança com os amigos e agora ela tem medo de deixar a neta consigo…

NZ: – Aqui estou sob a vigilância constante. Não consigo aparecer na rua, na companhia dos meus amigos. Logo aparece alguém dos órgãos de protecção dos menores ou de uns comités e começa chamar a atenção, que tipo eu deixei a criança, que os filhos agora estão sem a protecção materna. /…/ Agora, por causa de uma visita a minha amiga, serei chamada no dia 9 de Setembro a depor na Comissão de Protecção de Menores.

Ou por exemplo, um outro caso: /…/ no domingo passado, eu me encontrei com dois bons amigos meus. Nós ficamos, conversamos, tomamos as cervejas e eu fui para a casa. /…/ No caminho foi detida pelo carro – patrulha da polícia, que me levou à esquadra /…/ o investigador chamava a minha atenção: “como é possível, as crianças viajaram e você logo foi passear”? Mas porque não, pá? Será que vivo em um mosteiro? Tenho a sensação que vivo sob a prisão domiciliária ou que cumpri o termo prisional e agora foi colocada sob o controlo.

IL: – Porque você continua a não trabalhar?

NZ: – Me propuseram o emprego na linha da costura. Mas lá se pratica a costura em massa, enquanto eu estudei a costura individual. Além disso, eu já dez anos não sentava na maquina (de costura). Sobrevivo com os biscates. Uma semana limpava o lixo numa casa em construção. Me prometeram 4500 rublos (142 USD), pagaram apenas 2000 (63,29 USD). Usando este dinheiro comprei para Valéria jeans por 700 (22,15 USD) rublos e os sapatos por 650 (20,56 USD) …

Original do artigo em russo:
http://svpressa.ru/society/article/13796

p.s.
Escreve o usuário russo Profi222 (http://spb.kp.ru/daily/24354/542098): “liguei para a esquadra da polícia de Prechistoe e eles me confirmaram, que Natália provocava os distúrbios e no estado de embriagues foi levada à esquadra da polícia”. Sem comentários…

Tradução portuguesa:
http://ucrania-mozambique.blogspot.com/2009/09/natalia-zarubina-estou-sob-vigilancia.html

Jose Milhazes disse...

Caro Jest, obrigado pela sua publicação.

Pippo disse...

Aggio, já tentou em

http://www.sebodomessias.com.br/sebo/(S(4a0uj345hmkzf1iw3fuc4z55))/detalheproduto.aspx?idItem=210363

Acho que aqui não deve haver esse livro.

Jest nas Wielu disse...

2 Gilberto Múcio

Informação sua totalmente fora de verdade (para não dizer mentira), em Curitiba existe o Parque João Paulo II, a comunidade polaca respeita e mantém as tradições (na medida do possível, claro), vejam por exemplo o blogue do Sr. Ulisses Jaroszinski (e tantos outros).

Vejam essa notícia, sobre o festival do folclore polaco em Curitiba:
http://iarochinski.blogspot.com/2009/09/curso-fazendo-folclore-em-curitiba.html

p.s.
Para perceber que isso apenas é necessário pensar assim: “de mesma maneira, que Portugal desperta o interesse de luso – venezuelanos (por exemplo), a Polónia desperta o interesse dos brasileiros da descendência polaca”.

Anónimo disse...

Artigo interessante!
Peço uma pequena correção. Onde no artigo está Paranã devia estar Paraná.

O projecto deste artigo seria criar o segundo império colonial polaco depois da extinção no século 18 da Polónia-Lituânia. Como a Polónia era muito maior a Lituânia foi relegada para um lugar secundário.
Os ucranianos e bielorrussos eram os principais objectos e vítimas desse colonialismo polaco. Com a expansão dos impérios russo e alemão esse colonialismo foi substituido pelo colonialismo russo e alemão o que serviu para piorar ainda mais as coisas, mas os polacos também apanharam um certo castigo pela sua arrogância passada.
Como se diz em francês: plus ça change plus c'est la meme chose!

Parece que as ideias imperiais não morreram de todo entre as duas guerras. De facto o que veio a tornar-se uma parte da Polónia-Lituânia, o ducado da Curlândia, chegou a ter um pequeno império colonial que constava duma pequenas ilhas nas Caraíbas e duma frota correspondente.
JP

Gilberto Mucio disse...

Jest,

Decerto sabes mais do que eu, assim como conheces o Parana, e centenas de descendentes de imigrantes polacos.

------

Bem observado, JP.

Aggio Piaggio disse...

Obrigado Pippo. E ao Jest... pelo off-topic sobre um assunto que felizmente não morreu :)

Hugo Albuquerque disse...

José Milhazes,

Não sabia desses planos polacos para o Brasil - mas não me causam espanto, o ufanismo e a megalomânia sobre os quais foi formado o Estado Polonês sob a égide do filo-fascista Pilsudsky, poderiam muito bem levar a isso mesmo.

Influência polonesa sobre essas terras mesmo, pensei que só tinha sido mesmo a chamada "Polaca" - a Constituição de inspiração fascista polonesa que Getúlio Vargas, ditador do Brasil, outorgou em 1937, mas que nunca teve efetividade: ele teve de governar por meio de excrescências jurídicas chamadas "leis constitucionais".

P.S.: É "estado" do Paraná e não "província": o Brasil não é um Estado Unitário 1891, ano da promulgação da nossa primeira Consituição republicana - e da instituição do Federalismo à americana por aqui.

Jest nas Wielu,

A fala do Glberto foi suficientemente clara no sentido de que ele usou uma figura de linguagem - na verdade, uma Hipérbole.

Mas é fato: Nunca houve tradição em se segregar estrangeiros no Brasil e qualquer tentativa de se montar cavalos de Tróia coloniais por aqui está fadado ao fracasso - como fracassou essa tentativa polaca. Essa política de assimilação impediu a secessão de territórios fortemente povoados por migração europeia recente como é o sul do Brasil - O estado de Santa Catarina mais até do que o Paraná.

Mesmo que haja excessões - e entenda uma homenagem a João Paulo II algo completamente longe de se aplicar a isso, dado o fato disso ser perfeitamente comum no Brasil, por conta da tradição católica do país -, em sua, ampla maioria, os decendentes de eslavos se comportam como brasileiros por aqui pelo simples fato de assim serem tratados.

abraços a todos nesse 7 de setembro, dia da independência do Brasil, um belo dia para se refletir sobre os males do nacionalismo.

Hugo Albuquerque disse...

Corrigindo: "não é um Estado unitário desde 1891"

Jose Milhazes disse...

É verdade, caros leitores brasileiros, os meus parabéns.

Jest nas Wielu disse...

2 Gilberto Múcio

Bem, não entendi a piada, é claro que neste assunto sei muito mais que o Senhor, é claro que já esteve em Paraná, é claro que conheço alguns brasileiros de descendência polaca, uns pessoalmente, outros virtualmente, etc.

Já visitou o blogue por mim recomendado? Veja, lá aparece muita informação sobre o estado da comunidade polaca actual em Paraná.

2 Hugo Albuquerque

Sim e não, se um dia tiver a oportunidade de visitar a cidade de Curitiba, então visite o referido parque, o museu da emigração polaca (polonesa, como se diz localmente), e ai falaremos sobre o assunto. Não aprecio a capacidade irritante de alguns utentes de opinar sobre4 algo que desconhecem por completo.

2 Aggio Piaggio

Não morreu não, pois por culpa da mãe biológica, a miúda se arrisca de ir para o orfanato, basta que a avo falecer (longe de mim desejar isso) e a vida da Xaninha poderá se tornar o pesadelo sem precedentes. Infelizmente.

Gilberto Mucio disse...

Parabens, Jest. Voce conhece o Parana. Eu tambem, de ponta a cabeca, mais ate o interior que propriamente Curitiba. Onde tambem estive inumeras vezes.

O PArana tem milhoes de descendentes de polacos, a maioria ja tambem com vaaarias descendencias.

Voce da exemplo de grupos folcloricos ou organizacoes -- que acho ate salutar -- que ninguem nunca ouviu falar para dizer que os milhoes de descendentes de poloneses do estado "se consideram poloneses" eh de lascar, viu.

E em segundo, que praticamente inexiste "comunidade polaca" no PR, o que existe sao inumeros descendentes de poloneses, gente que teve um bisaavo ou uma bisavo(ou tataravo) que veio da Polonia no sec XIX ou comeco do XX, e que se considera tao brasileiro quanto eu, e que nem polones sabe falar.

Aqui mesmo na Russia, tenho 2 amigos brasileiros descendentes de poloneses, um dos quais ja dividiu apartamento comigo por 3 anos e que tem total indiferenca com a Polonia.

Nao existe "comunidade polonesa"(isso da ideia de um grupo fechado), o que ha sao milhoes de pessoas que possuem descendencia polonesa.

Quem nao eh brasileiro e le seus posts-- que chegam a ser desinfirmativos -- pensa que vai no Brasil e vai ver gente falando polones no meio da rua.

Ha imigranetes recentes tambem, mas esses sao pouquissimos, em numero irrelevante. Ha maioria que ainda eh viva eh de ascendencia judaica.

Jest nas Wielu disse...

2 Gilbero Múcio

Amigo Gilberto, então não deveria ser mais claro nas suas postagens anteriores? Assim não teríamos a necessidade desta bate – boca.

De facto, não ouvi ninguém falar polaco no meio da rua, embora falei perfeitamente com vários descendentes ucranianos de várias idades e quase todos eles falam ucraniano, na maior ou menor perfeição.

Por isso acredito que o mesmo se passa nas aldeias polonesas, lá também de certeza há gente que fala polaco, etc. Além disso é preciso ser muito ingénuo para pensar que polacos ou ucranianos vivem nas comunidades fechadas. Mas pertencem a uma comunidade e têm o orgulho disso, veja este site, é mantido por um ucraniano da 5ª geração (uma parte dos avos nasceu no Brasil, o homem fala ucraniano mais que razoável):
http://www.pessoal.utfpr.edu.br/zasycki
Outro exemplo da página mantida pelos jovens ucranianos da 5ª geração:
http://www.trembita.com.br

Hugo Albuquerque disse...

Jest nas Wielu,

Reitero o que o Gilberto colocou, meu caro: A ampla maioria dos decendentes de poloneses - assim como a ampla maioria dos descendentes de qualquer outra etnia - não falam a língua de seus antepassados, não vivem em colônias e, na maioria das vezes, sequer se importa com suas origens.

Há grupos que valorizam suas origens, mas ainda assim se reconhecem como brasileiros e mesmo esses são uma minoria quase exequível, até porque a miscigenação por essas terras não há algo desprezível; não será difícil encontrar descendentes de polacos miscigenados com descendentes de italianos, alemães, japoneses ou mesmo de africanos - os poloneses nacionalistas que vieram para cá "colonizar" o Brasil são a minoria da minoria, no máximo e felizmente, meia dúzia de lunáticos se é que eles realmente existem.

No fim das contas, é você que opina sobre o que não conhece. Felizmente, o Brasil que você imagina só existe na sua cabeça mesmo e o nosso nacionalismo de convergência é uma belo ensinamento para que cheguemos, no fim das contas, ao fim do nacionalismo - seja ele qual for, inclusive, esse seu pedante nacionalismo ucraniano.

Gilberto Mucio disse...

Perfeito, Hugo.

O que restou dos poloneses que emigraram e enriqueceram a cultura local e ate nacional, foram os "Jose Luis Wotecovky da Silva; os Ricardo Rossi de Olivaira Novak; os Moacir Wotekoski de Souza; Taina de Souza Kowalak..." E por ai vai...

Claro que em uma ou outra comunidade rural afastada deve ter uma ou outra velha de 250 anos que fala polones como lingua materna. rsrsrs

Como acontece em uma ou outra localidade de colonizacao alema ou italiana.

Gilberto Mucio disse...

""(...nosso nacionalismo de convergência é uma belo ensinamento para que cheguemos, no fim das contas, ao fim do nacionalismo - seja ele qual for, inclusive, esse seu pedante nacionalismo ucraniano.""

Perfeito.

E Jest, quando conversar com brasileiros atente para as figuras de linguagens como metonimia, ironia e principalmente hiperbole. Os brasileiros sao muito hiperbolicos, talvez uma influencia italiana...

Abracos

Hugo Albuquerque disse...

Gilberto, existem velhinhas de 250 anos que ainda falam dialeto pomerano em certa colônias - seus tataranetos acham uma gracinha, mas falam português, torcem pela seleção brasileira e não sabem nem o que foi a Pomerânia ;-)

Hugo Albuquerque disse...

Por falar nisso, eu tenho um amigo neto de bielorrusos que acha engraçado ver os seus avós falando na língua materna deles, mas não entende uma palavra e conhece menos da história daquele país do que eu. É o Brasil - felizmente.

Aggio Piaggio disse...

Gilberto e Hugo, não me parece correcto chamar pedante nacionalista a alguém, só por este exprimir as suas idéias.
O típico brasileiro não liga ao nacionalismo nem às suas raízes repletas de inúmeras diásporas... porque não faz ideia o que é o nacionalismo.

Caro Milhazes, se o pior vier a suceder - ou seja, a pequena Alexandra seja levada para uma instituição, espero que nos consiga manter a par dos seus passos. Porque se isso suceder, estou confiante em que não faltarão pedidos de adopção vindos de Portugal. E o meu nome fará parte dessa lista.

Abraços

Gilberto Mucio disse...

Sim, Hugo. Eu conheci uma comunidade pomerana(Alema) no Espirito Santo, mas infelizmente(na verdade felizmente) nao vi ninguem falando pomerano la nao. Mas deve ter sim.

O meu amigo brazuka daqui, neto de polacos, mas com russo lingua materna(moram em brasilia e conversei com eles em russo, falam um russo engracado, bem diferente do de hoje em dia), chegou aqui sem saber nem uma letra em russo...

Sem querer parecer arrogante com Jest, ou mesmo os colegas portugueses, Hugo, mas para quem nao eh brasieliro fica dificil entender o que eh isso. Falta capacidade de abstracao para tal.

Abracos

Hugo Albuquerque disse...

Aggio Piaggio,

Apenas por exprimir suas ideias? Mas, quais tipos de ideias? Se são ideias nacionalistas pedantes - e elas são -, assim elas devem ser chamadas.

Gilberto,

De fato.

Anónimo disse...

Parece que se confirma a investigação do KGB na mesma época. Gostem ou não, Putin falava verdade.

Jacob disse...

No Brasil não existe o nacionalismo que está presente nos povos europeus. O europeu no Brasil torna-se brasileiro e miscigena-se. Não sei dizer como e porquê isso ocorre, seria necessário uma reflexão que explicasse como foi construido o nacionalismo na Europa. Talvez esse nacionalismo tenha sido construido pela burguesia européia, que é muito diferente da burguesia brasileira.

No Brasil, a burguesia não tem interesse em construir um país, prefere ficar na dependência dos países desenvolvidos. Esse é um aspecto negativo para o desenvolvimento do país.

*

O livro "A invasão", de José Antonio Severo, consta na Estante Virtual, uma reunião de sebos, com 22 exemplares:

http://www.estantevirtual.com.br/mod_perl/busca.cgi?alvo=autor&pchave=jos%E9+antonio+severo&Submit=refinar&groupby=no&orderby=autor+%28A-Z%29&memoria_queries=autor+ou+titulo+1v1+%252Ba%2520%252Binvas%25E3o&memoria_queries2=&lastloc=&estante=%28todas+estantes%29&section=&refinar=1

Anónimo disse...

O Estado do Paraná tem a maior colonia de emigrantes ucranianos do mundo totalizando mais de 300 mil.

Anónimo disse...

"No Brasil, a burguesia não tem interesse em construir um país, prefere ficar na dependência dos países desenvolvidos. Esse é um aspecto negativo para o desenvolvimento do país."

Eu concordo plenamente com o sitado acima, porque eu presencio isso.

Eu.

Anónimo disse...

"No Brasil, a burguesia não tem interesse em construir um país, prefere ficar na dependência dos países desenvolvidos. Esse é um aspecto negativo para o desenvolvimento do país."

BOBAGEM. COISA DE COMUNISTA.

Jacob disse...

BOBAGEM. COISA DE COMUNISTA.
*
Os comunistas brasileiros sempre defenderam uma revolução nacional e democrática. A revolução nacional seria feita com o capital produtivo.

Quanto ao caráter da burguesia nacional e sua visão dependente dos grandes centros desenvolvidos, tal fato pode ser analisado nos livros de Celso Furtado e, mais recentemente, Bresser Pereira. Fernando Henrique Cardoso, no passado, também desenvolveu essa linha de raciocínio em sua teoria da dependência. Nenhum dos três é comunista.

Jest nas Wielu disse...

2 Hugo Albuquerque & Gilbero Múcio

E eu repito mais uma vez: isso não é a situação real, que eu PESSOALMENTE encontrei no Brasil, na minha estadia no estado de Paraná. É claro, nas colónias se falam mais, nas cidades menos, mas se falam, sim senhora. Veja este filme, vários descendentes ucranianos (até mesmo bem novinhos) falam ucraniano:
http://www.youtube.com/watch?v=F1itb6IBbD8

Por isso não se trata do meu nacionalismo, mas de uma situação REAL que encontrei no terreno. Desculpe se estou aborrecer o seu “pedante internacionalismo anti – ucraniano.”

p.s.
O vosso problema, que são muito politicamente doutrinados, para responder à qualquer questão prática, logo querem citar Noam Chomski, em vez de olhar em seu redor lol

Anónimo disse...
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bogdano disse...

"Felizmente, o Brasil que você imagina só existe na sua cabeça mesmo"

Naturalmente, não é o Brasil que você vê no Jornal Nacional nem na Folha de São Paulo.

Se JNW fosse brasileiro, talvez completariam com "Brasil: Ame-o ou deixe-o!"

Jest nas Wielu disse...

Oi, Bogdano,

Sendo brasileiro de descendência ucraniana, jovem e a pessoa que mesmo com as dificuldades, mas lê, escreve e fala em ucraniano, poderás dizer algumas palavrinhas aos senhores que uma vez que perderam os seus próprios raízes culturais, têm a raiva daqueles quem os conservou. E não foi fácil, digo de passagem.

Mas eles que falam, enquanto nós: sviy do svogo, po svoe, nê?

Rosinski disse...

No Brasil os descendentes de poloneses e ucranianos que estão no estado do Paraná, em sua maioria não preservam as tradições "ao pé da letra", existem inúmeras festas e grupos folclóricos em muitas regiões, em cidades pequenas principalmente. Há inclusive rádios em ucraniano e polonês. É na verdade, uma segunda cultura preservada com incentivos da própria secretária de cultura do Estado.

O Brasil foi um país que incentivou a miscigenação com o objetivo de diluir o elemento negro e indígena o máximo possível. Há pessoas de ascendência ucraniana, polonesa, indígena e alemã. Em Curitiba há tantos netos e bisnetos de poloneses e alemães, sangues que já foram inimigos, poucos sabem.
Houve tempos em que havia ameaças reais de separar estados-regiões onde a maioria da população eram formadas por imigrantes e filhos deles.

A Alemanha nazista sonhava em transformar o Sul do Brasil em um novo Reich, o Doktor Megele, chegou a fazer experimentos numa colónia alemã do RS:

http://noticias.terra.com.br/brasil/interna/0,,OI3467881-EI8139,00.html

O governo de G. Vargas proibiu em 1939 a entrada de qualquer imigrante que não fosse português e criou um regime de imposição cultural sobre várias colónias, as colónias alemãs e japonesas foram as que mais sofreram.

Hoje todos os brasileiros são integrados à nação, mas muito da cultura polonesa e ucraniana vêm se perdendo devido a migração para grandes cidades, onde muitos brasileiros de cidades pequenas ainda migram para ter melhores oportunidades.


Cumprimentos

Gilberto Mucio disse...

Jest,

Voce esta distorcendo as coisas[nao sei se intencionalmente ou nao]. Primeiro que voce nunca leu de minha parte nada de 'internacionalismo anti-ucraniano', quando o que eu defendo eh justamente ampla autonomia a Ucrania, e sou um crito das tentativas russas de sub-julgar a Ucrania.

Segundo, o que eu escrevo aqui eh um relato de quem conhece o proprio pais.

Nao sou contra a pessoa falar ponoles, ucraniano ou o que for, no Brasil. Nem, muito menos, se de conservar cultura nenhuma.

OS descendentes,nao conservam porque nunca viveram em guetos e porque, principalmente, ja sao quase que na totaliade miscideganos com os outros brasieliros.

POrem, aspectos culturais dos mais variadios sao mais bem vindos. POis eles enriquecem a cultura local e nao ficam restritos apenas as pessoas com tal origem[por exemplo, voce sabia que as tradicionais marchinhas de carnaval brasileiras se originam da polka? Influencia, certamente, das prostitutas polonesas que chegavam no sec XIX...].

PAra seu desespero, Jest, nao ha guetos no Brasil. Os brasileiros, tenham eles tambem origens ucranianas ou polonesas(entre suas varias origens), sao totalmente brasieliros.

Gilberto Mucio disse...

[* "e sou um critico"]

Gilberto Mucio disse...

Voce queria que uma pessoas que entre seus 8 bisavos tivesse um que tenha sido polones(ou ucraniano)-- vicesse, pensasse, falasse e agisse como polones, por que?

Ou sera que voce gostaria que esses imigrantes que chegaram, na maioria ha mais de cem anos, tivessem se isolado numa especie de apartheid voluntario...? Isso nao ocorreu. Se misturaram rapidamente, e os aspectos culturais estao totalmente diluidos e incorporadas a cultura nacional.

Wandard disse...

Jest,

Apesar de existirem blogs e algumas comunidades de imigrantes realizarem suas festas ou seus dias seguindo os costumes folclóricos dos seus antepassados, no Brasil nada disso vai adiante. Nossa cultura não segrega os estrangeiros e os seus descendentes não guardam muito interêsse pela cultura dos países de seus pais, avós..... o interêsse por descendências está mais voltado para se poder adquirir cidadania em países europeus se isto for conveniente. De resto, este ou aquele movimento, blogs terão o mesmo destino de muitos outros, desaparecer. Como já relatei antes possuo vários amigos ucranianos e muitos amigos descendentes de ucranianos de quando morei no sul do Brasil e sinceramente fora os traços étnicos eles são tão ligados à Ucrania quanto eu à China.
Você precisaria viver aqui, para entender o Brasil.

Grande abraço,

Wandard disse...

Jest,

Apesar de existirem blogs e algumas comunidades de imigrantes realizarem suas festas ou seus dias seguindo os costumes folclóricos dos seus antepassados, no Brasil nada disso vai adiante. Nossa cultura não segrega os estrangeiros e os seus descendentes não guardam muito interêsse pela cultura dos países de seus pais, avós..... o interêsse por descendências está mais voltado para se poder adquirir cidadania em países europeus se isto for conveniente. De resto, este ou aquele movimento, blogs terão o mesmo destino de muitos outros, desaparecer. Como já relatei antes possuo vários amigos ucranianos e muitos amigos descendentes de ucranianos de quando morei no sul do Brasil e sinceramente fora os traços étnicos eles são tão ligados à Ucrania quanto eu à China.
Você precisaria viver aqui, para entender o Brasil.

Grande abraço,

Jacob disse...

Eu fui ver o filme que postaram aqui, sobre os ucranianos no Paraná, no Youtube. A vida do campo é mais agradável que a vida nas cidades, nesse sentido o filme mostra paisagens bucólicas, boas de se ver.

Eu traçaria um paralelo com as comunidades de italianos que existem em Goiás e que eu conheço (Paraná eu fui somente uma vez na vida), são semelhantes em alguns aspectos, pois também conservam as tradições. Muitas tradições mantidas por essas comunidades já desapareceram na própria Itália e somente sobrevivem no Brasil por estarem em cidades pequenas, localizadas no interior.

Os jovens que participam dessas tradições costumam as abandonar na primeira oportunidade: emprego na cidade grande, universidade, etc. Com o passar do tempo essas comunidades vão desaparecendo, pois a tradição somente se mantém enquanto as pessoas estão juntas na cidade do interior. A vida moderna é um obstáculo à sobrevivência dessas tradições.

Jest nas Wielu disse...

2 Gilberto Múcio & Wandard

Gilberto interpretou mal as minhas palavras, não sou ao favor dos guetos, mas sim de integração. Por isso as suas palavras sobre o meu desespero roçam simplesmente o desrespeito.

Claro, que não acredito, que um polaco da 5ª geração no Brasil pensará / agirá igual à um polaco recém-chegado. Mas gostaria, sim, senhora, que não pense como um peão (por assim dizer).

Não é verdade do que os ucranianos de 5ª geração não são pegados a Ucrânia, existem em Curitiba várias lojas do artesanato ucraniano (que parcialmente é trazido da Ucrânia), via em todo o estado (em Prudentópolis) e não só as pessoas com camisetas de Shevchenko, etc. Quando a Ucrânia se juntar à EU (mais tarde ou mais cedo), muitos destes amigos seus de descendência ucraniana, vão querer ter o passaporte ucraniano, alias, já me pediram várias vezes as informações sobre o assunto.

Mas, enfim, prefiro terminar essa conversa apor ai.

Bem hajam.

Jest nas Wielu disse...

p.s.

E para terminar o assunto, eis a página da comunidade polaca de Moçambique que é composta por 11 pessoas. 10 mulheres casadas com moçambicanos e o arqueólogo, homem que criou o movimento escuteiro de Moçambique (LEMO), Dr. Leonard Adamowicz (nascido por acaso na Lituânia, mas em 1944 a aldeia polaca dele foi cercada pelo Exército Vermelho e a família metida nos vagões de gado e despejada no lago Baical), mas é uma outra história.
http://poloniamozambik.tripod.com/
index_new_English.htm

Hugo Albuquerque disse...

O vosso problema, que são muito politicamente doutrinados, para responder à qualquer questão prática, logo querem citar Noam Chomski, em vez de olhar em seu redor lol

Eu olho ao meu redor e continuo não vendo o Brasil que você diz. Gilberto e Wandard dizem algo no mesmo sentido. Suspeito que nós não sejamos os doutrinados por aqui...

Pippo disse...

Quem permanece muito tempo no Brasil fica invariavelmente brasileiro. Isso é inegável. Até eu, em meros 20 dias, fiquei "contaminado" :o)
É assim.