sexta-feira, setembro 25, 2009

Irão provoca grande dor de cabeça no Kremlin


O anúncio pelo Irão de que está a construir uma segunda fábrica de enriquecimento de urânio parece ter constituído uma grande surpresa para o Kremlin. Talvez porque os dirigentes russos não esperassem que o regime iraniano os enganaria ao ponto de fazer a diplomacia russa motivo de chacota.
Mas foi isso que aconteceu. Moscovo andou durante tantos anos a proteger o Irão e a tentar convencer o mundo, não sei se a convencer-se também, de que o programa nuclear iraniano tinha apenas objectivos pacíficos, etc., etc.
Foi este um dos principais argumentos que Moscovo utilizou para criticar a iniciativa norte-americana de instalar um sistema de defesa anti-míssil no Leste da Europa. Além de Teerão não ter mísseis capazes de chegarem muito longe, diz-se em Moscovo, o programa nuclear visa objectivos meramente pacíficos.
A surpresa foi tanta que Dmitri Medvedev não soube como reagir imediatamente e prometeu uma declaração especial a este propósito para mais tarde. O Presidente russo declarou que o seu país está pronto a colaborar, através de todos os meios, com a AIEA na realizaçao da inspecção do programa nuclear iraniano. Além do mais, apelou ao Irão a "colaborar completamente com a Agência Internacional de Energia Atómica". Tratou-se de uma autêntica facada pérfida nas costas da diplomacia russa, pois a mim não me passa pela cabeça que Moscovo soubesse da existência da segunda fábrica de enriquecimento de urânio e se comportasse da forma como se comportou face ao Irão durante todos estes anos.
Se os serviços secretos russos estivessem ao corrente, deveriam ter prevenido a diplomacia, a não ser que agentes secretos e diplomatas russos andem a puxar para vários lados.
O anúncio do Irão, além de ser um forte insulto, diria mesmo, uma cuspidela no rosto da Rússia, vai obrigar Moscovo a apoiar sanções mais duras no Conselho de Segurança das Nações. Esta é a única forma de tratar com regimes que não só
enganam os seus adversários, como deixam em maus lençóis os países que os protegem na arena internacional.
Este incidente tem, acho eu, um aspecto positivo. Rússia e China poderão tomar posições idênticas aos restantes países envolvidos na solução do programa nuclear iraniano, permintindo criar uma frente monolítica e mais firme face a Teerão.
Não significa isto, porém, que a China e a Rússia irão dar luz verde a uma solução militar do problema, por exemplo, apoiar um ataque militar contra o Irão, mas serve para que tirem conclusões. E uma delas é que só porque os norte-americanos dizem "a", nós devemos responder "b".
Moscovo e Pequim tiveram razão ao criticar a intervenção americana no Iraque, mas, o caso do Irão deve levá-los a pensar que é preciso ter cuidado, mas mesmo muito cuidado na escolha de parceiros e amigos. E isto deve ser válido para todos os países.

37 comentários:

Anónimo disse...

Obama fez uma jogada de mestre ao ceder o escudo anti-misseis.

Agora o Irão "será responsabilidade russa".

PortugueseMan disse...

De facto este Irão vai dar uma grande dor de cabeça.

E possivelmente a central neste momento está demasiado avançada para poder parar.

O Irão não está a agir correctamente, mas interrogo-me sobre o que poderá ser feito.

Será que a Rússia tem na mesa a hipótese de paragem da construção?

Eu tenho a impressão de que ela já está pronta.

Parece que vamos a caminho de um Irão nuclear e não há sansões que resistam, pois o gás que o Irão possui é cobiçado por muitos.

Um bico de obra.

Oblonsky disse...

Sr. Milhazes, acha mesmo que o serviço secreto da Rússia e das outras potências, prinicipalmente o mossad, não tem todo irão devidamente mapeado?

Em breve sairá alguma nota dizendo que não é bem assim, que essa usina ja existia.. bla blá bla blá bla blá... mas que não funcionava e blá bla blá blá bla blá...


Ahmadinejad não é louco de apunhalar Rússia e China. É tudo jogo de cena. Digo mais, se a Rússia não se opor à novas sanções a china o fará. Esses dois, China E Rússia, vão se revezar aos vetos, num perfeito "morde e assopra"

vejo tudo isso como um aparato de pressão diplomática que não resultará em nada. o Irão nuclear é, gostem ou não, uma realidade.

Pippo disse...

Para todos os efeitos, um Irão nuclear não afecta a Rússia. O Irão não tem pretenções aos território russo, não tem capacidade para influenciar os muçulmanos russos e não há qualquer motivo para ser encarado como uma ameaça.
Quem o Irão ameaça é Israel e a hegemonia norte-americana no Médio Oriente. Também ameaça os Estados sunitas da região, os quais se estão a rearmar a uma velocidade estonteante (e com a China a lucrar, vendendo baterias de artilharia completas "chave na mão").

Mais: se o Irão provocar instabilidade no Médio Oriente (com ou sem guerra), os preços do petróleo e do gás irão aumentar. Sei de um país que fica a ganhar com isso, adivinhem qual é.

Aquando da visita secreta de B. Netanyahu a Moscovo, toda a gente especulou que estaria relacionado com o Artic Sea.
E se estivesse relacionado com esta nova "descoberta"?

MSantos disse...

"Moscovo andou durante tantos anos a proteger o Irão"

Na minha opinião isto nunca aconteceu conscientemente. Relativamente ao escudo, Moscovo enacarava-o como uma ameaça a si próprio (e eu e muita gente continua a afirmar que era só isso mesmo). O Irão só lhe interessava por representar um grande mercado para as suas indústrias de armamento e possivelmente para mais um campo de expansão do império GAZPROM. Tudo isto aliado ao facto do antagonismo criado pela anterior administração americana criou aquilo que o JM muito bem referiu:

"não sei se a convencer-se também, de que o programa nuclear iraniano tinha apenas objectivos pacíficos"

Aqui é evidente o perigo que percorremos ao querer antagonizar alguém, aliando-nos a outros sem ter o cuidado de salvaguardar os nossos princípios.

O que interessa é que face ao foco de antagonismo eliminado, Moscovo mantenha o bom senso de se pôr ao lado das potências ocidentais neste caso e essas mesmas potências também apoiem a Rússia contra os extremistas religiosos do Cáucaso.

Se houver descernimento e contenção nas ambições económicas mundiais, há que só travar um combate conjunto entre a civilização e a barbárie.

Este inimigo por si só já é um desafio titânico. Não será preciso criar nenhum bicho papão russo.

Cumpts
Manuel Santos

Gilberto Mucio disse...

Eh logico que os servicos secretos, inclusive o americano ja sabiam que a usina existia.

Acho ate ingenuidade duvidar disso.

Eh provavel que a renuncia do escudo anti-misseis esteja ligada com isso.

Americano nao eh bobo em politica externa, nao sao idiotas.

Como se diz no Brasil: "Quando voces pensaram em colher os cajus, eles ja tinham tomado o suco".

Pippo disse...

Gostaria de chamar a vossa atenção para as palavras de B. Netanyahu na AGNU dia 24 de Setembro de 2009.

Retirei os elementos mais relevantes do discurso, nos quais, em meu ver, se nota um ultimato por parte de Israel para a questão iraniana do estilo "ou vocês agem já, ou não colocaremos em risco a nossa segurança".

"(..) The most urgent challenge facing this body is to prevent the tyrants of Tehran from acquiring nuclear weapons. Are the member states of the United Nations up to that challenge? Will the international community confront a despotism that terrorizes its own people as they bravely stand up for freedom?
(...) Above all, will the international community stop the terrorist regime of Iran from developing atomic weapons, thereby endangering the peace of the entire world?"
"(...) Will you stand with Israel or will you stand with the terrorists? We must know the answer to that question now. Now and not later. Because if Israel is again asked to take more risks for peace, we must know today that you will stand with us tomorrow. Only if we have the confidence that we can defend ourselves can we take further risks for peace.
(...) I believe such a peace can be achieved. But only if we roll back the forces of terror, led by Iran, that seek to destroy peace, eliminate Israel and overthrow the world order. The question facing the international community is whether it is prepared to confront those forces or accommodate them. Over seventy years ago, Winston Churchill lamented what he called the "confirmed unteachability of mankind," the unfortunate habit of civilized societies to sleep until danger nearly overtakes them.
Churchill bemoaned what he called the "want of foresight, the unwillingness to act when action will be simple and effective, the lack of clear thinking, the confusion of counsel until emergency comes, until self-preservation strikes its jarring gong.”

Anónimo disse...

A central iraniana estava sob controlo. Foi jogada sim, mas do Obama e C. para darem uma de ameaça na cimeira. Isto não significa que o Irão seja flor que se cheire. Medvedev fez-se de sonso, de novo. Dá-lhe muito jeito a imagem de bonzinho emgamado pelos mauzões do Putin. Não ascreditem. Ele sabia.

PortugueseMan disse...

A nível de curiosidade e como disse recentemente que o Guardian tem regra geral um tom negativo para com a Rússia, aqui está mais um exemplo:


Russia can sway Iran's nuclear ambitions


...The "secret" Moscow visit by Binyamin Netanyahu on 7 September seemed to reassure the Russian leadership that Israel would not launch unilateral pre-emptive strikes against suspected Iranian nuclear installations – on the condition that Moscow promise not to equip Iran with the advanced S-300 system, an offensive missile capability that could deliver nuclear warheads...


http://www.guardian.co.uk/commentisfree/cifamerica/2009/sep/25/russia-iran-nuclear

Que mensagem passa aqui? Que a Rússia pretende vender o sistema S-300 e passam a explicar que é um míssil OFENSIVO e com capacidade NUCLEAR.

É MENTIRA.

Como é possível publicar isto? da mesma maneira que nunca vi um artigo explicar como se mete um sistema S-300 no Artic Sea, ou como outros indicam se fôrem apenas os mísseis do sistema S-300, ONDE é que o Irão tem as plataformas para lançá-los.

Basta uma pequena pesquisa no google e meter S-300 e descobrir que o sistema é tudo menos ofensivo.

Por outro lado, é tirar nabos da púcara, assumir que Binyamin Netanyahu tenha ido à Rússia assegurar que não iria lançar um ataque às instalações nucleares iranianas. Se Israel pudesse já o teria feito. Esse é que é o grande problema, Israel não consegue sózinha lidar com o Irão e mesmo com o apoio dos EUA, o risco para Israel é grande demais.

Ricardo disse...

Fica muito difícil querer um oriente médio livres de armas atômicas quando todos sabem que Israel as têm e ninguém fala nada, muito pelo contrário as potências ocidentais vivem passando a mão na cabeça do estado judeu.

anónimo russo disse...

MSantos disse...


"O que interessa é que face ao foco de antagonismo eliminado, Moscovo mantenha o bom senso de se pôr ao lado das potências ocidentais neste caso e essas mesmas potências também apoiem a Rússia contra os extremistas religiosos do Cáucaso."

O problema de extremismo no Caucaso não é tão grave que a Rússia precisasse de alguma ajuda.
Basta apenas não lá enviar nenhuns "instrutores" do estrangeiro, mas mesmo assim a Russia consegue lidar. Porque a maioria das pessoas que lá vive tem cabeça, eu acho, e não quer se tornar bombas vivas em nome do Allah.

P.S. Não é "propagandismo", é a minha opinião pessoal.

Anónimo disse...

Segundo as normas internacionais que o obriguem a declarar instalações nucleares antes de 180 dias antes da introdução de material para fissão nuclear.

Entretanto, o analista da BBC Paul Reynolds disse que existe uma polêmica em relação à antecedência com que o Irã deve informar a AIEA sobre seus projetos nucleares.

Segundo Reynolds, em 2003 o país concordou em se submeter a um acordo que requer o repasse de informações à agência com o projeto ainda na planta. Depois rejeitou o acordo.

Nuno Bento disse...

Calma com as generalizações. E a Coreia do Norte?

MSantos disse...

:o)

anónimo russo disse...

Se os Estados Unidos quisessem realmente fazer um favor a Rússia, podiam começar a combater (ou pelo menos não favorecer) a produção de drogas no Afeganistão, que depois vão para a Rússia. E, acho, nem tudo fica na Rússia, uma parte deve ir para a Europa tambem.

Pippo disse...

As autoridades iranianas estão, cada vez mais, a exceder-se. Agora testam novos mísseis. E cada vez mais me convenço que Jerusalém vai ter de reagir sob pena de ficar refém de um regime extremista.

Mas para ilustrar a posição da Rússia, gostaria de reproduzir alguns excertos da peça do NYTimes de hoje sobre o assunto:

Warmer U.S.-Russia Relations May Yield Little in Action Toward Iran

"(...) Russia, a neighbor of Iran, is far more intertwined with it geopolitically than any other world power, and has more concerns about upsetting relations."
(...)
"Kremlin might go slowly because it senses that in a world where it has less influence than it did during Soviet times, it can use its veto power in the Security Council to ensure attention and respect. If Russia were to accede right away to calls for a crackdown, it would risk becoming just another country lining up behind the United States. The Kremlin’s pride would almost certainly not allow that."
(...)
"Russia has said that it does not want Iran to obtain nuclear weapons, but it has also articulated misgivings about Western assertions of Iranian nuclear advances. While Russia is not one of Iran’s largest trading partners, it does sell military hardware to Iran and is building a civilian nuclear power plant there."
(...)
"Vladimir Sazhin, a commentator at the state-run Voice of Russia radio and one of the nation’s leading Iran analysts, said it was important to understand that Russia considered Iran to be a vital ally on regional issues. After the disputed Iranian presidential election in June, in fact, Mr. Medvedev congratulated President Mahmoud Ahmadinejad.

Both countries are on the Caspian Sea and have territory in the Caucasus Mountains. (The Soviet Union had a border with Iran, but Russia is now about 100 miles away, separated from Iran by another former Soviet republic, Azerbaijan.) Both Russia and Iran want to prevent NATO from setting up bases in the region."

http://www.nytimes.com/2009/09/28/world/middleeast/28russia.html?_r=1&hpw

Em suma, o Irão é, de certo modo (por via do Cáspio) um vizinho da Rússia; não constiui uma ameaça (bem pelo contrário); ameaça os interesses norte-americanos no Médio Oriente; e faz compras em Moscovo.

Porque razão iria entrar a Rússia no jogo da administração norte-americana? Com que ganhos? E quais seriam as consequências?

Em contrapartida, e isso é algo que me interrogo, qual seria a actitude de Moscovo se Israel tomasse uma iniciativa musculada? Sugeriria sanções, ou optaria apenas pela admoestação?

Jest nas Wielu disse...

off top:

Conseguirá a Rússia conservar o seu Extremo Oriente?

Nos tempos, quando os politólogos russos adoram dividir virtualmente a Ucrânia, o investigador ucraniano, Vitaly Kulik, o Director do Centro de Pesquisa dos Problemas da Sociedade Civil, apresentou na capital ucraniana o seu estudo intitulado: “Conseguirá a Rússia conservar a Extremo Oriente?”

Ler em russo:
http://hvylya.org/index.php?option=com_content&view=article&id=256:2009-06-03-10-53-01&catid=4:2009-04-12-12-01-18&Itemid=10

Ler em inglês:
http://windowoneurasia.blogspot.com/2009/09/window-on-eurasia-will-russia-hold-far.html

Jest nas Wielu disse...

off top:

Artigo interessante sobre as tecnologias eleitorais “sujas”, criadas / desenvolvidas pela Câmara Municipal de Moscovo e depois “apropriadas” pelo Putin e Kº:

Em russo:
www.specletter.com/elections/2009-09-27/laboratornaja-rabota.html

Em inglês:
http://windowoneurasia.blogspot.com/2009/09/window-on-eurasia-in-moscow-elections.html

anónimo russo disse...

Jest nas Wielu disse...
off top:

Conseguirá a Rússia conservar o seu Extremo Oriente?

Nos tempos, quando os politólogos russos adoram dividir virtualmente a Ucrânia, o investigador ucraniano, Vitaly Kulik, o Director do Centro de Pesquisa dos Problemas da Sociedade Civil, apresentou na capital ucraniana o seu estudo intitulado: “Conseguirá a Rússia conservar a Extremo Oriente?”

Quando os EUA perderem Alaska, muito menos povoada que Extremo Oriente Rússo, então, sim, talvez a Rússia o perca. Hoje veio a saber-se que a Rússia tem 4 milhóes de migrantes não contados e não registrados, e ninguem os pretende expulsar do país, pretendem, pelo contrário, legalizar. Por isso aconselharia aos nacionalistas ucranianos frustrados preocupar-se mais com o seu país.

PortugueseMan disse...

Pippo,

As autoridades iranianas estão, cada vez mais, a exceder-se. Agora testam novos mísseis. E cada vez mais me convenço que Jerusalém vai ter de reagir sob pena de ficar refém de um regime extremista.

Estão a testar novos mísseis? está a falar do Shahab-3? é que só ouvi falar deste e este não é novo.

Em relação a Israel reagir, eu não acredito que militarmente possa fazer o quer que seja. E muito menos sózinho. E da maneira como estão os EUA, nem pensar em entrar em mais uma aventura. Duas frentes a correr mal e uma economia em sérias dificuldades, não podem abrir uma nova frente e ainda por cima com um oponente bem mais forte do que o Iraque e Afeganistão. Nem para falar do que poderá acontecer com um conflito com o Irão, muita coisa pode correr mal.

Agora o Irão não deveria enriquecer urânio, para mostrar que pretende apenas para uso pacífico.

A Rússia possivelmente terá que tomar uma decisão quanto à central nuclear que lá construiu.

Está um rico sarilho com este Irão. Não se pode dizer que haja muito por onde fazer pressão, para que eles não avancem com o programa nuclear.

Euroliberal disse...

Ó amigo Milhazes, e então os nazi-sionistas não andam há mais de quarenta anos a gozar com a diplomacia russa e mundial ? Então não é verdade que os racistas apartheidescos têm 200 bombas atómicas desde os anos 60, não confirmam nem desmentem e nunca tiveram inspecções da ONU ?

Dois pesos e duas medidas, é ?
Ora o Irão tem todo o direito de também ter a sua política de "ambiguidade" nuclear, tanto mais que está rodeado pelos terroristas cruzados e que iSSrael ameaça periodicamente com um ataque nuclear preventivo...

...que seria um disparate fatal. Já hoje os iranianos dispõem de meios balísticos para pulverizarem o minúsculo território da entidade sionista e afundarem em meia hora toda a quinta esquadra US no Golfo, e depois invadirem com o Hezbollah iSSrael pelo Norte e aniquilarem os nazi-sionistas até ao último bunker...

Quanto ao petróleo (40% dele vem do Golfo então bloqueado, o preço chegaria aos 300 dólares ou mais... O Irão está pronto a dar uma lição memorável às forças sionisto-cruzadas...

anónimo russo disse...

off topic

Em agosto de 2009 pela primeira vez nos últimos 15 anos foi registrado o crescimento natural de população na Rússia (por enquanto 1 mil de pessóas. Nasceram mais, que morreram).

http://www.rian.ru/society/20090929/186831348.html

anónimo russo disse...

Por sinal, realmente, porque é que o Irão não pode decidir sózinho do que precisa e do que não? E quem foi que radicalizou o mesmo Irão? (não me lembro bem, mas me parece que não foi sem a ajuda de um país - lutador pela democracia em todo o mundo (com os bombardeamentos, é claro). Alguma coisa me diz que, se a Rússia fosse mais fraca, podia estar hoje no lugar do Irão. Assim o "mundo mais civilizado" deixa cada vez menos escolha ao país em questão. Claro que o petróleo e gas não deixam em paz as mentes inflamadas dos mais grandes "democratas" no mundo. E o Israel recebe os frutos dos seus atos, é problema dele.

Anónimo disse...

Acho que o que se passa e o seguinte:

Como e dificil demais retirar poder nuclear das maos de Israel, para equilibrar a situacao estam a deixar o Irao ter nuclear tambem.
Assim podem-se matar uns aos outros e os Russos e os Americanos lavarem as maos do problema.
O que alias faz sentido. Vejam como o Paquistao e a India se tratam com mais respeito sabendo que ambos tem arsenal nuclear. E nem sequer chegam assim tantas noticias dos disparates que dizem um aos outro, porque a imprensa internacional (controlada por 1 ou 2) nao tem interesse nenhum em alimentar o conflito ($$$) agora que armas mais convencionais nao sao o mais importante.
Israel e Irao manufacturam armas e Israel, porque nao tem o oleo do Irao, faz um GRANDE dinheirao a conta da miseria alheia. O odio a tudo "arabe" ou "persa" justica a continuacao da manufactura de armas, que emprega uma boa parte da populacao e tambem alimenta o exercito.
E ja se sabe a tristeza que e o Irao.

Pippo disse...

PM, Israel tem capacidade militar para agir sozinho. O seus aviões (F-15 e F-16I) têm autonomia suficiente para atingir o território iraniano, e "diz-se" que os submarinos Dolphin têm capacidades balísticas.

Os desafios serão de outra ordem: a questao da informação (inteligence) e a cobertura política. E neste último caso, até pode ser que sejam os países europeus a tolerar melhor (ainda que com as críticas da praxe) uma intervenção israelita do que os amigo norte-americano, que quer desesperadamente mostrar uma boa imagem para o Mundo Islâmico.

Ab,

João Lopes disse...

//offtopic
Georgia started war with Russia: EU-backed report
http://www.reuters.com/article/worldNews/idUSTRE58T4MO20090930?feedType=RSS&feedName=worldNews

MSantos disse...

"Agora o Irão não deveria enriquecer urânio, para mostrar que pretende apenas para uso pacífico."

Portugueseman

Nunca na vida o intuito do Irão foi o programa nuclear civil, pois este será só um mero derivado do principal objectivo: a posse de armas nucleares.

E não tenhamos qualquer dúvida nisto.

A questão que se coloca é se o Irão vai utilizar essas armas como elemento dissuasor contra eventuais invasões americanas ou ataques israelitas ou como arma de ataque relâmpago para pura obliteração total e completa do estado de Israel.

Infelizmente, dado o cariz dos líderes iranianos, poderemos ter razões para temer o pior.

Cumpts
Manuel Santos

MSantos disse...

...e cada vez mais a hipotética construção de armas nucleares é debatida no Brasil.

http://news.yahoo.com/s/
ap/20090925/ap_on_re_la_am_ca/
lt_brazil_nuclear_weapons

Não duvido que para este caso seja unicamente como elemento dissuasor.
E o objecto dessa dissuasão estaria fora do continente sul-americano.

Cumpts
Manuel Santos

MSantos disse...

E sobre este assunto, um artigo muito interessante de João Carlos Barradas:

http://www.jornaldenegocios.pt/index.php?template=SHOWNEWS_OPINION&id=389157

Cumpts
Manuel Santos

PortugueseMan disse...

PM, Israel tem capacidade militar para agir sozinho. O seus aviões (F-15 e F-16I) têm autonomia suficiente para atingir o território iraniano, e "diz-se" que os submarinos Dolphin têm capacidades balísticas.

Pippo,

Na minha opinião não tem. Existem vários obstáculos para efectuar um ataque, garantia de sucesso será uma grande interrogação e ainda temos que ter em conta o mais importante que é a retaliação por parte do Irão.

Para começar os aviões não têm autonomia (a não ser que seja considerado uma missão de ida), os alvos estão demasiado dispersos e temos que contar com a resistência por parte do Irão à entrada desses aviões no seu território.

Um ataque obriga a passar por países terceiros, o que complica a situação, requere reabastecimento no ar, o que implica a ajuda dos EUA.
Aliás a ajuda dos EUA é fundamental, porque não vejo como vão fazer a coisa sem passar por território iraquiano.

Os EUA já têm problemas que cheguem e não estão a querer abrir uma nova frente.

E mesmo que Israel decida fazer sózinho o que pretende, terá que contar com a resposta iraniana e esta não será feita com aviões mas com mísseis.

O preço a pagar pela a incursão, pode ser demasiado elevado e o desfecho...

PortugueseMan disse...

MSantos,

Neste cenário do Irão pretender armas nucleares, a Rússia não poderá activar aquela central.

É uma situação complicada.

Pippo disse...

"Na minha opinião não tem. Existem vários obstáculos para efectuar um ataque, garantia de sucesso será uma grande interrogação e ainda temos que ter em conta o mais importante que é a retaliação por parte do Irão.

Para começar os aviões não têm autonomia (a não ser que seja considerado uma missão de ida), os alvos estão demasiado dispersos e temos que contar com a resistência por parte do Irão à entrada desses aviões no seu território.

Um ataque obriga a passar por países terceiros, o que complica a situação, requere reabastecimento no ar, o que implica a ajuda dos EUA.
Aliás a ajuda dos EUA é fundamental, porque não vejo como vão fazer a coisa sem passar por território iraquiano.

Os EUA já têm problemas que cheguem e não estão a querer abrir uma nova frente.

E mesmo que Israel decida fazer sózinho o que pretende, terá que contar com a resposta iraniana e esta não será feita com aviões mas com mísseis.

O preço a pagar pela a incursão, pode ser demasiado elevado e o desfecho...

Olhe que não, PM, olhe que não...

Os F-15I e F-16I têm autonomia para atacar (sem rebastecimento) as centrais de Ardankan e Isphaan e voltar; os F-15 e F-16C/D podem atacar Arak; os mísseis Jericho podem atacar quase todo o território iraniano, e os mísseis a bordo dos submarinos cobrirão o resto...

Pode argumentar com a questão da eficácia de tais ataques, mas que os israelitas têm capacidade para os executar, lá isso têm.

Quanto a retaliaçõe pouco haverá a fazer, mas ou atacam agora e sofrem retaliações convencionais, ou arriscam-se a ataques nucleares.

É um jogo.

PortugueseMan disse...

Os F-15I e F-16I têm autonomia para atacar (sem rebastecimento) as centrais de Ardankan e Isphaan e voltar;

Meu caro, estamos a falar de quantos km's ir e voltar?

Quanto a retaliaçõe pouco haverá a fazer, mas ou atacam agora e sofrem retaliações convencionais, ou arriscam-se a ataques nucleares.

É um jogo.


Se eles pudessem já o teriam feito. O facto é que não o fazem. Seria muito mais fácil com Bush, mas mesmo com este no cargo nada fizeram.

Os riscos para Israel são enormes se efectuarem um ataque e enquanto fazem as contas à vida à procura da melhor solução, o tempo vai passando e o Irão fortalecendo.

MSantos disse...

O grande perigo reside no facto de Israel poder cair na tentação de executar um "first strike" nuclear.

Muitos poderão dizer que isto não faz sentido.

No entanto na mentalidade isrealita e face à iminência da posse de armas nucleares por parte do Irão eles vão sentir-se tal e qual um cão cercado e acossado num beco sem saída dado o seu país poder ser "varrido do mapa" (palavras de Ahmadinejad) por apenas duas detonações.

Será fácil prever o que esse cão fará na iminência de ser trocidado se tiver na sua posse armas nucleares.

Cumpts
Manuel Santos

Pippo disse...

Os F-15I e F-16I têm autonomia para atacar (sem rebastecimento) as centrais de Ardankan e Isphaan e voltar;

Meu caro, estamos a falar de quantos km's ir e voltar?

- Não sei, faça as contas. Em linha recta, Isphaan fica a 1500km de Israel.
Leve em conta que os F-15I têm a autonomia dos F-15E (3900km) e os F-16I têm-na superiore aos outros F-16. Os rapazes da RAIDS excluem a necessidade de reabastecimento em voo para estes aviões, o que já não se passaria caso os ataques fossem desencadeados por aviões de outras versões.

PortugueseMan disse...

Leve em conta que os F-15I têm a autonomia dos F-15E (3900km) e os F-16I têm-na superiore aos outros F-16.

Pois mas 3900 km de autonomia não é para modo de combate. Carregados e a contar com oposição, vão precisar de reabastecimento ou de aterrar algures, para tal acontecer, precisam da colaboração de terceiros.

MSantos disse...

O Strike Eagle tem um raio de combate (combat radius) de cerca de 1900Km.

No caso dos F-16 vai só até aos 550Km.

Não sei se os F-16 israelitas não poderão levar tanques de combustível adicionais fixos à fuselagem superior.

Para qualquer dos casos a operação seria possível através do reabastecimento em vôo com os KC-130 mas teria muitas dificuldades como atravessar os espaços aéros da Jordânia e Iraque e os resultados desse eventual ataque seriam muito limitados dado o nº possível de aeronaves envolvidas.

Para surtir efeito, os Israelitas teriam de "basear" os seus aviões no Iraque e aí seria necessária a colaboração e envolvimento dos EUA.

Cumpts
Manuel Santos