quinta-feira, setembro 17, 2009

Moscovo espera por confirmação oficial de recusa de Washington a escudo antimíssil

A Rússia espera uma confirmação oficial da decisão da administração norte-americana de renunciar à instalação de elementos do escudo antimíssil (ABM) na Europa Oriental, declarou hoje à Ria-Novosti um porta-voz da diplomacia russa.
“Esperamos a confirmação dessas informações. Em princípio, esse desenrolar dos acontecimentos corresponde aos interesses das nossas relações bilaterais com os Estados Unidos”, assinalou o interlocutor da agência.
“Esperamos há muito tempo por isso. Nunca duvidámos da justeza do que a Rússia defendia. Isto, por um lado, significa uma avaliação mais mais estreita, mais objectiva da situação no Irão, e, por outro lado, uma atitude mais séria para com o diálogo estratégico entre a Rússia e os Estados Unidos como factor importantíssimo da conservação da estabilidade global”, declarou Konstantin Kossatchov, presidente da Comissão Internacional da Duma Estatal da Rússia.
Segundo os analistas em Moscovo, este passo poderá dar um forte impulso às relações entre a Rússia e os Estados Unidos não só no plano bilateral, mas também no plano internacional.
O projecto de instalação de dez mísseis interceptores na Polónia e de um radar na República Checa, considerado por Moscovo como um atentado à sua segurança, foi lançado pela administração de George W.Bush sob o protexto de proteger os países ocidentais contra eventuais ataques iranianos.

33 comentários:

Ítalo Tavares disse...

Agora resta ao GOVERNO da Rússia fazer sua parte. Parar de vender armas a países criminosos, desmantelar grande parte de seu arsenal atômico, reprimir e punir os grupos racistas que atuam no país, respeitar a integridade territorial da Geórgia e deixar de se meter nos assuntos internos de países sobreranos, como a Ucrânia.

Veremos se essa mão estendida por Obama e seu governo valerá a pena.


Torçamos para que sim.

Anónimo disse...

em que mundo vc vive ítala?

Bem vindo a terra!

PortugueseMan disse...

É uma grande decisão de Obama, e na minha opinião a única possível.

É um grande passo para o desanuviar das tensões geradas pela administração anterior.

O grande problema de Obama, será a contestação interna que isto vai gerar.

Cabe à Rússia agora lidar com isto com muito tacto e diplomacia de modo a ajudar Obama.

Temos um bom começo para negociar uma redução de mísseis de ambos os lados. É uma excelente notícia.

JMAST disse...

Ítalo,

Que eu saiba, os EUA são os principais vendedores de armas a paises criminosos.

JMAST disse...

Obama abandona plano de George W. Bush
EUA renuncia ao escudo antimíssil
Os Estados Unidos da América (EUA) anunciaram esta quarta-feira que vão abandonar os planos de expansão do escudo de defesa antimíssil (MDI) para a Europa Central, na sequência da constatação de uma menor ameaça iraniana, contrariando os planos da anterior Administração norte-americana.

Oblonsky disse...

Agora resta ao GOVERNO da Rússia fazer sua parte. Parar de vender armas a países criminosos


Os EUA só vendem armas pra gente boa, hein, Ítalo?


Veremos se essa mão estendida por Obama e seu governo valerá a pena.


Não há mão estendida, há sim, muita barganha.

Por onde tens andado nos últimos anos??

Anónimo disse...

e agora, Jest?

MSantos (...algures na República do Bugio) disse...

"Cabe à Rússia agora lidar com isto com muito tacto e diplomacia de modo a ajudar Obama."

PortugueseMan, esta é apenas uma das muitas frentes em que Obama está a combater.

Efectivamente o sector ultra-conservador está a mover uma batalha sem tréguas e está a tornar a presidência de Obama insustentável.

Vamos esperar que a Rússia saiba gerir esta oportunidade com sensatez e contenção.

Cumpts
Manuel Santos

PortugueseMan disse...

MSantos,

Sim, Obama está a ter muitos problemas em casa, devido à situação em que o país ficou com a admnistração anterior e agora vai ser o diabo para fazer o quer que seja.

Este recuo no sistema antí-míssil vai ser muito mal recebido por muita gente internamente, Obama precisa de ajuda de modo a suavizar este "sapo"

A Rússia tem aqui um papel muito importante. é necessário fazer algo por este gesto, é necessário ajudar Obama. Algo mediático, algo para os jornais.

E a "velha Europa" também deve ajudar. Obama vai ter um mandato muito complicado e vai precisar de muito apoio externo. A tendência dos EUA serão recuos a vários niveis e isto será muito mal visto é sinal de fraqueza.

Anónimo disse...

São apenas jogos geopolíticos. Nenhum dos países querem "paz" à europa. O escudo beneficia a Rússia pois permanece a retórica anti-Eua-Nato.

Pippo disse...

"Isto, por um lado, significa uma avaliação mais mais estreita, mais objectiva da situação no Irão"

Esta foi a frase que eu achei mais interessante no meio disto tudo.

Na sua opinião, JM, o que é que o porta-voz queria dizer com isto? A pergunta é extensível à meia-dúzia de bons comentadores deste blog: Wandard, MSantos, PM, Cristina, etc.

Com um possível estreitar dos laços EUA-Rússia, e dada a recente visita de Netanyahu a Moscovo, acha que poderá haver uma mudança na política externa russa relativamente ao Irão, permitindo eventuais ataques a objectivos nucleares persas; ou será mais provável uma mudança de atitude por parte de Washington, em prejuízo de Israel?

Anónimo disse...

ahaha o Obama burrão se fudeu...agora a Rússia pode invadir essa merda de EUA

Oblonsky disse...

Ataques à instalações nucleares iranianas já foram rechaçados pela Rússia. Ao meu ver trata-se de uma mudança de postura dos EUA para com Israel, o que justificaria a visita secreta de Netanyahu a Moscou. Se for este o caso, o grande desafio de Obama será o enfrentamento do lobby da AIPAC (American Israel Political Action Committee) que está fortemente enraizado naquele país desde 1946. Não creio que ele consiguirá sozinho ou mesmo se terá apoio para fazê-lo. Seguindo este raciocínio, a governabilidade de Obama torna-se-á insustentável.


Os EUA também tem outras frentes importantes para combater, como o cone sul, por exemplo, onde a presença russa e iraniana andam a incomodar bastante a cobiça americana por aquelas quintas; ásia central, iraque e tantas outra "aporrinhações". Talvez pensem que Israel já esteja bem grandinho para domar seu destino...

Sérgio disse...
Este comentário foi removido por um gestor do blogue.
Gaius disse...

Lamentável, hein, Sergio....

Sérgio disse...

Pois é Gaius, pode ser que só assim esse pessoal se toque.

Anónimo disse...

SÉRGIO, A INTERNET ESTÁ CHEIA DE PESSOAS FRUSTRADAS QUE ACHAM UM SENTIDO EM SUAS VIDAS NO MUNDO VIRTUAL. MAS VOCÊ NÃO TEM O DIREITO DE QUERER ACABAR COM A ÚNICA FELICIDADE QUE ESSAS PESSOAS TÊM. NÃO SEI SE É O CASO DESSE PORTUGUESEMAN

Gaius disse...

não, Sergio, lamentável foi o seu comentário, a agressão gratuita ao PM.

Anónimo disse...

Sérgio, o que o afecta verdadeiramente é o PM não pensar como você nem ser da sua cor política.

Isso é que você não tolera.

Nostredamus disse...

O Obama ainda vai levar um tiro um dia destes.

Anónimo disse...

sei que poucas pessoas aqui concordam com as opiniões desse PM, mas temos que respeitá-lo

Anónimo disse...

"A decisão do presidente americano foi bem pensada e sistemática", disse Konstantin Kosachev, chefe do comitê para assuntos estrangeiros na Duma, a casa baixa do parlamento russo. "Ela reflete a compreensão de que nenhuma medida de segurança pode ser construída inteiramente baseada em uma nação", disse. "Agora podemos pensar na restauração de uma parceria estratégica entre a Rússia e os Estados Unidos", acrescentou Kosachev.


http://noticias.uol.com.br/ultnot/internacional/2009/09/17/ult1859u1453.jhtm

Anónimo disse...

Yipico dos nossos dias , uma não noticia, ou melhor uma noticia dada aos pedaços para fazer noticias.
Factos: Obama disse não a este plano MAS VAI TER OUTRO. Portanto vai haver antimissil, sim senhores.Já ninguém olha nos olhos do outro e chama aos bois pelos nomes. Que vergonha de mundo de manipuladores.

Oblonsky disse...

sei que poucas pessoas aqui concordam com as opiniões desse PM, mas temos que respeitá-lo

Eu o acho sempre coerente.

Anónimo disse...

Isto faz lembrar o pacto entre nazis e comunas, que acabou na invasão e partilha da Polonia. Espero que a Polonia agora não se chame Irão....

Wandard disse...

"Com um possível estreitar dos laços EUA-Rússia, e dada a recente visita de Netanyahu a Moscovo, acha que poderá haver uma mudança na política externa russa relativamente ao Irão, permitindo eventuais ataques a objectivos nucleares persas; ou será mais provável uma mudança de atitude por parte de Washington, em prejuízo de Israel?"

Pippo,

A Rússia jamais permitirá um ataque ao Irã, pois a possibilidade desta ocorrência com sucesso para os Estados Unidos no cenário atual, só é possível em seus filmes, pois estratégicamente a vantagem está com a Rússia naquela área geográfica. A Rússia provavelmente equilibrará o relacionamento diplomático com Israel e manterá a colaboração com o Irã. O recuo americano não representa apenas um jogo político, mas sim estratégico frente à crescente recuperação do poder militar da Rússia e a realidade de que os Estados Unidos sabem se comportar quando enfrentam um adversário do seu tamanho, pois ameaçar e atacar países com força militar infinitamente inferior é uma coisa, mas com a Rússia ou a China a história é diferente.

PortugueseMan disse...

"Isto, por um lado, significa uma avaliação mais mais estreita, mais objectiva da situação no Irão"


Pippo,

Confesso que na minha opinião, não haverá ligações entre os dois temas por parte da Rússia.

O sistema antí-míssil naquela zona foi um erro grave por parte da Administração Bush e não está aberto a negociações por parte da Rússia, havendo só um caminho a tomar, o recuo pelos os EUA.

Deverá haver concerteza toques de cosmética diplomática, de modo a ajudar Obama, mas apenas isso, não haverá nenhum tipo de cedências nesta matéria por parte dos russos.

E além deste recuo falta ainda ver mais gestos por parte de Obama. É um longo caminho a percorrer e sempre a descer.

O perigo maior a meu ver para Obama é mesmo o perigo interno. Ele está a percorrer o caminho certo, mas é um caminho perigoso. Quer queiramos quer não, isto será sempre visto como fraqueza e ainda vamos ter mais episódios.

Pippo disse...

"O perigo maior a meu ver para Obama é mesmo o perigo interno. Ele está a percorrer o caminho certo, mas é um caminho perigoso. Quer queiramos quer não, isto será sempre visto como fraqueza e ainda vamos ter mais episódios."

Concordo totalmente.

MSantos disse...

Pippo

Muito obrigado pela sua consideração mas é apenas a sua opinião. Muitos leitores e comentadores deste blog têm opinião contrária e é um direito que lhes assiste.

Acho praticamente impossível que Obama tenha "deixado cair" Israel dado nas imensas batalhas em que já está mergulhado.

Antevejo mais uma concertação entre a Rússia e EUA e no plano diplomático.

Não esquecer que o regime iraniano foi ferido na sua legitimidade e quase todos os dias aparecem tumultos em Teerão provocando grande instabilidade no país.

De todos os islâmicos, defenitivamente o refinado povo persa é o que tem condições e promessas de concretizar o primeiro renascimento islâmico e era maravilhoso que tal acontecesse.

Cumpts
Manuel Santos

Vangelis D'Megara disse...

"De todos os islâmicos, definitivamente o refinado povo persa é o que tem condições e promessas de concretizar o primeiro renascimento islâmico e era maravilhoso que tal acontecesse."
Deus te ouça, eles merecem

Pippo disse...

"De todos os islâmicos, defenitivamente o refinado povo persa é o que tem condições e promessas de concretizar o primeiro renascimento islâmico e era maravilhoso que tal acontecesse."

Concordo totalmente, como sabe.

A cultura persa é milenar, o que lhe dá alguma sabedoria e amnor-próprio. Além disso, as características do xiismo duodecimano, com o seu clero bem estabelecido, permite-lhe controlar melhor os "excessos religiosos", ao contrário do que acontece no sunismo onde, basicamente, qualquer um se pode tornar ulema e iniciar uma escola de pensamento sem dar cavaco a ninguém. Exemplo disso é o sunismo Wahabita.

O que acontece actualmente é que os clérigos conservadores mantém o país sob o seu jugo, mesmo que seja entre os clérigos que surgem algumas da vozes mais críticas ao Regime. Tudo dependerá da classe média iraniana e da sua capacidade em influenciar a classe baixa, rural ou migrante (para as cidades), de forma mudar-lhe a sua forma de pensar e estar em sociedade.

MSantos disse...

Ainda há outro factor além da cultura milenar persa.

O povo iraniano em particular nas principais cidades e embora em ditadura, exprimentou as benesses de uma sociedade contemporânea até 1979 durante o regime do Xá.

Como tal conhecem o antes e o depois.

E mesmo sob o regime islâmico houve avanços que não conseguiram acabar como é o caso das mulheres poderem estudar e vir a ocupar cargos de responsabilidade.

Isso também poderá contribuir muito para o eventual rumo a uma sociedade moderna, caso consigam superar a revolução islâmica.

Cumpts
Manuel Santos

Pippo disse...

Tal como nós, a maioria dos universitátios são mulheres e a sua demografia é relativamente baixa. Mas há grandes diferenças entre a classe média e a classe baixa, que é a mais radical.