quinta-feira, setembro 03, 2009

Supremo Tribunal ordena nova investigação do assassinato da jornalista Anna Politkovskaia



O Colégio Militar do Supremo Tribunal da Rússia devolveu hoje à Procuradoria-Geral o processo do assassinato da jornalista Anna Politkovskaia para que seja feita uma investigação mais completa.
“O Colégio Militar do Supremo Tribunal anulou a sentença do Tribunal Militar de Moscovo de 07 de Agosto, decidiu satisfazer o pedido da família de Politkovskaia de devolver o processo para a Procuradoria e juntá-lo ao processo de Rustam Makhmudov e de outras pessoas não identificadas”, lê-se na decisão do tribunal.
Os parentes de Anna Politkovskaia consideram que é necessário juntar este processo com o chamado “processo principal” contra os desconhecidos que “encomendaram” o assassinato e contra Rustam Mahmudov, o presumível executor do crime, considerando que só assim pode ser feita uma “investigação completa”.
A Procuradoria-Geral da Rússia apoiou os argumentos da família da jornalista, que se tornou conhecida pela sua crítica à política do Kremlin na Tchetchénia, onde considerava serem violados os direitos huimanos.
Inicialmente, a polícia deteve nove alegados participantes no assassinato da jornalista, ocorrido à entrada da sua residência a 07 de Outubro de 2006.
Porém, apenas quatro foram levadas a tribunal. O Tribunal Militar de Moscovo, apoiando-se na decisão de jurados, acabou por absolvê-los por não ter ficado provado a sua participação do crime.
Anna Politkovskaia é a mais conhecida vítima de uma longa lista de jornalistas e activistas dos direitos humanos assassinados na Rússia, sem que as autoridades tenham conseguido descobrir praticamente nenhum dos executores e “encomendadores” desses crimes.

Segundo uma das advogadas de Politkovskaia, o reinício das investigações poderá constituir uma forma de "enterrar" definitivamente este processo. Os colegas da jornalista no Nezavissimaia Gazeta prometem que não deixarão esquecer este caso. Resta-nos esperar...

15 comentários:

Anónimo disse...

Presos por ter cão e presos por não ter

Francisco Castelo Branco disse...

A Russia nao muda...

Nuno disse...

Olhe que os colegas da Nezavissimaia Gazeta têem por vezes uma forma estranha de demonstrar solidariedade para com a Anna P. Por exemplo, na cobertura (ou falta dela) de manifestações de apoio à Politkovskaia..

Anónimo disse...

http://www.gazeta.ru/news/lastnews/2009/09/04/n_1400240.shtml

Lu_Russa disse...

Estava vendo seus posts antigos.

Acabei de ler um livro mto bom, apesar de ser ficção, é baseado na história do serial killer Tchikatillo. O livro se chama "Criança 44" , de Rob Smith.

A proposito , sou de São Paulo mas morei na Rùssia , em St Petersburg por 5 anos.

Poka !

LuRussa
www.garotinharuiva.blogger.com.br

Oh Well, Okay. disse...

"é baseado na história do serial killer Tchikatillo. O livro se chama "Criança 44" , de Rob Smith."

Bom livro, bom livro.
Quando o li diziam que ia sair para o cinema, mas até agora nada. É uma pena.

anonimo russo disse...

Anna Politkovskaia é a mais conhecida vítima de uma longa lista de jornalistas e activistas dos direitos humanos assassinados na Rússia"

Nao consigo lembrar mais de 2 nomes da "longa lista". Em vez de empregar tanto enfaze, nao seria mais honesto citar os nomes (se o sr. Milhazes e capas de lembrar mais nomes que eu), ou entao falar com mais cuidado das "longas listas" etc?

anonimo russo disse...

Tambem, se quisesse informar melhor os leitores lusofonos e simplesmente tivesse apresentado mais factos sobre o processo, o sr. Milhazes sabe muito bem que a impressao que faz o seu artigo aos quem nao esta a par, seria um pouco diferente. Tudo podia ser mais prosaico, sem envolver aqui o "traiçoeiro e funesto" governo russo. Mas tudo isto, claro, so se o objetivo fosse informar ao maximo e nao criar uma imagem.

António Campos disse...

De acordo com o Comité para a Protecção de Jornalistas, a Rússia é o terceiro país do mundo com mais jornalistas mortos entre 1991 e 2009, a seguir ao Iraque e à Argélia.

De acordo com a organização Reporters Sans Frontières, desde que Putin subiu ao poder, foram mortos 20 jornalistas na Rússia.

Estes números não contam com os numerosos activistas de direitos humanos que foram assassinados.

Os números indicados no recente relatório "Partial Justice", elaborado pela Federação Internacional de Jornalistas, são muito mais chocantes: entre 1993 e a actualidade, foram mortos na Rússia 313 jornalistas.

A tal "longa lista" pode ser consultada online numa base de dados acessível através do link:

http://www.journalists-in-russia.org/

Chega?

António Campos

anonimo russo disse...

António Campos disse...
De acordo com o Comité para a Protecção de Jornalistas, a Rússia é o terceiro país do mundo com mais jornalistas mortos entre 1991 e 2009, a seguir ao Iraque e à Argélia.

De acordo com a organização Reporters Sans Frontières, desde que Putin subiu ao poder, foram mortos 20 jornalistas na Rússia.

Estes números não contam com os numerosos activistas de direitos humanos que foram assassinados.

Os números indicados no recente relatório "Partial Justice", elaborado pela Federação Internacional de Jornalistas, são muito mais chocantes: entre 1993 e a actualidade, foram mortos na Rússia 313 jornalistas.

A tal "longa lista" pode ser consultada online numa base de dados acessível através do link:

http://www.journalists-in-russia.org/

Chega?

António Campos

Nao chega. Os nomes, por favor. E de antemao pode tirar da lista todos os jornalistas e defensores dos direitos humanos, mortos na Thcetchenia - e uma outra historia, onde, eu acho, deve haver muitoas provocaçoes contra o poder da Russia. Esses contos de fadas sao para alguem muito ingenuo. Porque, se refletirmos bem, o governo russo podia desejar tudo o que quiserem menos o assassinio da cidada americana Politcovskaya no dia de aniversario de Putin. Acreditem, nao parecem tao tolos para fazer coisas semelhantes. Nem tao tolos para envenenar alguem com polonio, fazendo um espetaculo, como num teatro.

anonimo russo disse...

António Campos disse...

A tal "longa lista" pode ser consultada online numa base de dados acessível através do link:

http://www.journalists-in-russia.org/


Vi o cite. O senhor nao reparou que e uma lista de jornalistas que morreram, pode ser que na maioria dos casos (nao contei, mas sao muitos), no resultado de acidentes, afogaram-se no mar, morreram nas estradas, nas catastrofes aereas, nos clubes noturnos, no resultado dos atos terroristas etc? A lista nao diz nada.

António Campos disse...

Pelo contrário, a base de dados, juntamente com o relatório que citei dizem tudo exaustivamente, para quem os quiser consultar com olhos de ver. Nela, é possível apurar que:

Até 124 jornalistas poderão ter sido mortos em consequência directa da sua actividade

18 foram claramente assassinados em consequência directa da sua actividade e, noutros 19 casos, existem evidências persuasivas de que tal tenha também acontecido

189 mortes aparentam não ter relação com a actividade

É ainda possível verificar que:

Somente dez casos foram levados a julgamento, os quais resultaram em 50% de condenações. No entanto, apenas dois levaram à prisão efectiva dos assassinos.

Outra informação importante é a de que quem ordenou os assassinatos tem vindo a agir com quase total impunidade, sendo raríssimas as constituições de acusação.

António Campos

anonimo russo disse...

António Campos disse...
Pelo contrário, a base de dados, juntamente com o relatório que citei dizem tudo exaustivamente, para quem os quiser consultar com olhos de ver. Nela, é possível apurar que:

Até 124 jornalistas poderão ter sido mortos em consequência directa da sua actividade

18 foram claramente assassinados em consequência directa da sua actividade e, noutros 19 casos, existem evidências persuasivas de que tal tenha também acontecido

189 mortes aparentam não ter relação com a actividade

É ainda possível verificar que:

Somente dez casos foram levados a julgamento, os quais resultaram em 50% de condenações. No entanto, apenas dois levaram à prisão efectiva dos assassinos.

Outra informação importante é a de que quem ordenou os assassinatos tem vindo a agir com quase total impunidade, sendo raríssimas as constituições de acusação.

António Campos"

Muito bem. Para um periodo de quase 15 anos e para um pais do tamanho da Russia os numeros ja nao parecem tao tragicos nesta sua ultima interpretaçao que o senhor fez. E preciso lembrar, que, em uma parte dos casos, os assassinatos, mesmo ligados a atividade professional, nao eram ligados a politica, mas aos conflitos de negocios, financeiros etc, como no caso do nosso famoso e amado por muitos Listiev.

anonimo russo disse...

P.S. E a morte dos atos terroristas e nos locais de guerra tambem e considerada como a morte, ligada a atividade professional?

António Campos disse...

Sem dúvida! se esquecermos, claro, o facto de a Rússia ser o terceiro país do mundo com mais mortes de jornalistas, à frente de zonas de guerra tais como a Somália, a Serra Leoa, o Paquistão, Israel e o Afeganistão.

Para não falar no insignificante facto de a Índia, bomba-relógio a fervilhar de tensões inter-étnicas e com quase 10 vezes a população russa, ter metade de mortes, e a China, ainda mais populosa, nem sequer entrar no top 20.

Realmente, é absolutamente normal. Na verdade, não se entende porque é que aqueles inúteis do CPJ, do IFJ e dos Reporters sans Frontières se dão ao trabalho de compilar estatísticas e fazer relatórios acerca de assuntos que nem deviam dar que falar. Não devem ter nada melhor para fazer.

António Campos