segunda-feira, outubro 12, 2009

A Unidade do Povo e do Poder!


Como acabei de chegar a Moscovo, deixo aqui um pequeno comentário sobre as eleições ocorridas na Rússia no passado Domingo. Além disso, estou cansado da viagem para fazer análises profundas, daí que dou apenas a palavra a alguns dos actores do acto eleitoral.

"Semelhante vandalismo e barbárie não se registaram nem sequer no período inicial de Ieltsin. Fica-se com a sensação que o partido do poder passou-se dos carretos e decidiu espremer o resultado de que necessitava", declarou Guenndi Ziuganov, dirigente do Partido Comunista da Federação da Rússia, ao comentar os resultados das eleições municipais e regionais, realizadas no Domingo passado.

Ziuganov promete recorrer aos tribunais para provar as falsificações dos resultados eleitorais, mas previne: "eu já passei por 1600 tribunais e compreendo que se as nossas queixas não forem empurradas por manifestações dos cidadãos, não conseguiremos nada", acrescentou.

Em cerca de 7000 actos eleitorais de vários níveis, o Partido Rússia Unida, do primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, venceu em todos, com mais de 50% dos votos!

"Ímpossível!", exclamará alguém com algum sentido crítico, mas há outra opinião: "Um testemunho da unidade do povo e do poder vigente", exclama Boris Grizlov, presidente da Duma Estatal, câmara baixa do Parlamento russo, e dirigente do Rússia Unida.

Em Moscovo, nem os democratas tolerados do Partido Iabloko, nem o Partido Liberal-Democrático, do "nacionalista obediente" Vladimir Jirinovski, ultrapassaram a barreira dos 07%, necessária para eleger deputados para o Parlamento Municipal. A esmagadora maioria é da Rússia Unida e apenas uns lugares ficaram para o Partido Comunista, pois seria feio não deixar qualquer tipo de oposição.

Sem qualquer tipo de ironia ou sarcasmo, posso afirmar que, como jornalista que vive e trabalha na Rússia, não duvido que a maioria da população russa apoia a política de Vladimir Putin e Dmitri Medvedev, mas para quê encenar vitórias totais e absolutas?

29 comentários:

José disse...

O mesmo partido vencer 7000 actos eleitorais com mais de 50% dos votos é uma impossibilidade estatística. Se decidiram forjar os resultados eleitorais, por que não o fizeram mais convincentemente?

Anónimo disse...

Acusação muito grave. Fraude é crime.Não acredito porque é estúpido.

Jest nas Wielu disse...

Falsificações das eleições moscovitas:

Ontem, dia 12.10.2009 mais de 50 cidadãos descontentes com o sistema de falsificação maciça nas eleições municipais em Moscovo foram presos pelo OMON (a polícia de choque pegava em todos os peões que passavam pela zona da sua acção), ver fotos e vídeo:
http://drugoi.livejournal.com/3060323.html

As falsificações desta vez eram tão gritantes, que ficaram indignados até os apoiantes fervorosos do regime (muitíssimo mais engajados do que os simples russófilos deste blogue). Escreve o ex – chefe editor da página “Vzgliad”, Alexander Shmelev:

“Ontem em Moscovo teve o lugar o “lançamento” massificado dos boletins de voto. Em média, entre 200 à 300 boletins em cada mesa de voto (contando que realmente votavam 400-600 pessoas). Os boletins eram “lançados” geralmente em resmas, à frente de toda a gente. As tentativas dos raros observadores opor-se á isso, ignoravam-se simplesmente, do tipo: “votamos, alguém viu alguma coisa? 10 não viram, 1 viu? Então não houve nada”, etc. Enfim, era a falta de regras total…
http://shmelev.livejournal.com/58689.html

Jest nas Wielu disse...

Padre Gleb Yakunin escreve a carta aberta ao Alexander Podrabinek, perseguido pelo movimento totalitário juvenil “Nashi” por causa do Café anti – soviético:

De ponto de vista cristão, o Estado deve servir à pessoa, como o bem maior, criado à imagem do Deus.

Em paganismo – ao contrário: o bem maior é o Estado, a quem, como a divindade pagã deve servir o homem:
http://tapirr.livejournal.com/2216144.html
http://www.zaprava.ru/content/view/2014/2

Jest nas Wielu disse...

Eleições à maneira da Líbia:

No bairro Pechatniki (Печатники) partido “Rússia Unida” ganhou com 97,54% dos votos; no bairro Sokol (Сокол) – com 92,86% dos votos.

No geral, a “RU” ganhou com 66,26% dos votos, embora os exit – pouls davam ao partido 45% (VCIOM) e 55% (“Levada”).

Em geral, na província de Moscovo ainda existe a democracia, vários candidatos do partido do poder perderam as eleições, em algumas assembleias municipais a “RU” ficará em minoria.

http://www.vedomosti.ru/newspaper/
article/2009/10/13/216189

Jest nas Wielu disse...

2 José

Nada é impossível, se grande líder pedir o impossível! Toda a história da Rússia é a luta do bom senso contra o impossível e nos últimos 500 anos o bom senso, esta criatura do mundo católico – ocidental perde quase sempre!

Viva a mãe – Rússia!

Gilberto Mucio disse...

As eleicoes aqui sao bem rudimentares. E de facil falsificacao.

Fui com um amigo uma vez na eleicao de prefeito, e era ridiculo. POuca gente p votar, tinha gente que votava mais de uma vez. So o pessoal da Edinaya Rossia controlando tudo, inclusive nas sessoes de votacao... E o povo, idiotizado, sem nocao de democracia, de nenhum tipo, achava isso normal.

DEsse jeito nao da!

Os russofilos tem de parar com essa frescura, essa falacia, de dizer que quem fala desses desmandos nao "contra a Russia", isso eh uma falacia fascista, estalinista de terceira categoria.

Se eu nao gostasse da Russia eu nao moraria aqui. E se morasse nao gostando, nao tava nem ai "que se f***!"

Eh impossivel uma pessoa com um minimo de nocao das coisas -- principamente estrangeiro -- nao ficar estupefado com essas coisa que acontecem aqui.

PortugueseMan disse...

Caro JM,

Em relação à Gazprom, saiu mais umas notícias importantes:

Gazprom to Sign Gas Accord With China, May Supply LNG Next Year

Russia’s natural gas export monopoly, plans to sign an accord on supplies to China today...

...Russia may eventually ship as much as 70 billion cubic meters of gas to China a year through pipelines from western and eastern Siberia, Miller said. That is more than a tenth of Russia’s 602 billion-cubic-meter annual gas production last year...

Gazprom may also supply liquefied natural gas to China from the Sakhalin-2 project with Royal Dutch Shell Plc as early as next year...

...Russia, which this year sealed $100 billion of Chinese oil contracts, is now negotiating an agreement that would make China Gazprom’s biggest customer for natural gas. Its communist neighbor currently buys no Russian gas...

...China’s gas consumption totaled 80.7 billion cubic meters last year, a 16 percent increase from a year earlier...


http://www.bloomberg.com/apps/news?pid=20601095&sid=aFwm3djMAskk

Gostaria de realçar algumas implicações indicadas neste artigo:

Capacidade de investimento da Gazprom, a Gazprom está a diversificar os seus investimentos pelo o mundo fora e cada vez precisa de mais dinheiro, ao mesmo tempo que houve quebra de preços e de consumo. como tal e já tinha referido anteriormente, se a Gazprom precisar de mais financiamento o cliente que precisa de energia que financie. Isso é claramento demonstrado com o comportamento da China.

Situação mais grave são as implicações disto para a Europa. Gostaria de lhe recordar o que já disse anteriormente, não é a Rússia que depende da Europa como cliente é a Europa que depende da Rússia como fornecedor, ao contrário do que muita imprensa tem dito.

Com todos os problemas que têm surgido na Europa e com os países trânsito, a Rússia vira-se para a China que a recebe de braços abertos.

A Rússia está a acelerar a diversificação dos seus clientes de modo a diminuir a sua dependência do cliente europeu. Com a viragem também para o LNG, acelera mais essa diversificação, porque ao contrário dos pipelines que implica acordos de longo prazo, com o LNG muda-se de cliente quando se quiser.

É urgente acelerar os esforços dos dois novos gasodutos para a Europa ou colocamos em risco o mais importante fornecedor europeu.

Mais, com a diversificação de clientes e pipelines, a situação dos países bálticos, Polónia, Rep. Checa e Ucrânia agrava-se.

A Rússia está preparar-se para fornecer gás apenas aos clientes com quem quer fazer negócio.

As opções políticas destes países, coloca a sua segurança energética em perigo.

JM disse...

Jm, esclareça-me uma coisa, que não ficou bem explicada: o partido do poder obteve mais de 50% em cada um dos 7000 actos eleitorais, ou obteve mais de 50% no total dos actos? São, como deve compreender, duas situações bem distintas, e o texto deve ser explícito a esse respeito.

Jose Milhazes disse...

Segundo dados da Rússia Unida, este partido venceu todas as eleições com mais de 50% dos votos em cada um dos escrutínios realizados, ou seja, em toda a parte.

anónimo russo disse...

Jest nas Wielu disse...
"Falsificações das eleições moscovitas:
Escreve o ex – chefe editor da página “Vzgliad”, Alexander Shmelev:

“Ontem em Moscovo teve o lugar o “lançamento” massificado dos boletins de voto. Em média, entre 200 à 300 boletins em cada mesa de voto (contando que realmente votavam 400-600 pessoas). Os boletins eram “lançados” geralmente em resmas, à frente de toda a gente. As tentativas dos raros observadores opor-se á isso, ignoravam-se simplesmente, do tipo: “votamos, alguém viu alguma coisa? 10 não viram, 1 viu? Então não houve nada”, etc. Enfim, era a falta de regras total…
http://shmelev.livejournal.com/58689.html"



E se algum blogueiro no seu blog disser que 50% dos ucranianos alaranjados são "de azul claro", voce me entende, tambem devemos acreditar?

anónimo russo disse...

Gilberto Mucio disse...
"As eleicoes aqui sao bem rudimentares. E de facil falsificacao.

Fui com um amigo uma vez na eleicao de prefeito, e era ridiculo. POuca gente p votar, tinha gente que votava mais de uma vez. So o pessoal da Edinaya Rossia controlando tudo, inclusive nas sessoes de votacao... E o povo, idiotizado, sem nocao de democracia, de nenhum tipo, achava isso normal."

Não é preciso inventar, sr. estudante. Para estas eleições não fui, mas naqueles em que votei não notei nada semelhante. È preciso ficar lá umas horas para poder fazer algumas conclusões, por isso não invente.


"E o povo, idiotizado, sem nocao de democracia, de nenhum tipo, achava isso normal."

Só alguem que não conece os russos pode dizer assim. Por sinal, esse "povo idiotizado sem noção de democracia" é em massa muito mais letrado que muitos dos brasileiros (pelo menos aqui presentes). Voce não entende de que fala e pelos vistos, só está aqui uns 5 anos no máximo.

anónimo russo disse...

Jose Milhazes disse...
"Segundo dados da Rússia Unida, este partido venceu todas as eleições com mais de 50% dos votos em cada um dos escrutínios realizados, ou seja, em toda a parte."

Não é correto. Houve lugares onde a Rússia Unída perdeu.

Jose Milhazes disse...

Leitor anónimo russo, diga-nos onde, pois a Rússia Unida afirma que ganhou em todas.

Jest nas Wielu disse...

2 anónimo russo 15:02

Se você me disser a tal coisa, direi que V. Excia é um grande especialista em assuntos de “azul claro” lol

p.s.
Não sabia que Sr. Shmelev, a página “Vzgliad” e por tabela o seu patrono Gleb Pavlovskiy são vistos por si como a malta do “azul claro”, cá se faz, cá se paga! Lol lol

As mentiras da TV russa

Durante a guerra na Geórgia, a imprensa russa propagou várias mentiras mais ou menos escandalosas, que mais tarde se revelaram puras fantasias do Kremlin. Eis algumas das mentiras em foco:

Mentira №1: Assassinados pelo menos 1400 cidadãos pacíficos da Ossétia do Sul

Verdade (3 de Junho de 2009):
«O Chefe do Comité Estatal da Procuradoria-geral (SKP) da Federação Russa, Alexander Bastrykin, informou, que durante a guerra de Agosto na Ossétia do Sul morreram 162 cidadãos civis, foram feridos 255 cidadãos».
http://top.rbc.ru/politics/
03/07/2009/313622.shtml
http://www.kommersant.ru/doc.aspx?
DocsID=1098866

Lembramos, que no dia 10 de Agosto de 2008 Dmitriy Medvedev em conversa com Nicolas Sarkozy disse que “a acção bárbara ceifou as vidas de mais de 2 mil cidadãos pacíficos”. No dia 11 de Agosto, o MNE da Rússia divulgou os “dados rectificados” sobre a morte de 1600 pessoas. No dia 14 de Agosto, Vitali Tchurkine, o representante russo na ONU escreveu ao Conselho da Segurança da ONU sobre 1500 vítimas entre a população civil.

Mentira №2: Tshinvali está quase totalmente destruída, a cidade não existe, apenas as ruínas

Verdade:
A Declaração do vice – ministro do Desenvolvimento regional da Rússia, Vladimir Blank:
«Na capital da Ossétia do Sul existe mais de 7.000 edifícios. Cerca de 10% não poderão ser reconstruídos. Cerca de 20% dos edifícios da capital da Ossétia do Sul sofreram as danificações de diferentes graus”.
http://www.gazeta.ru/news/lenta/
2008/08/17/n_1258504.shtml

Ver no YouTube:
http://www.youtube.com/watch?v=
P3ys3iv4E_4

Jest nas Wielu disse...

Off top

“russo turisto”
http://www.youtube.com/watch?
v=ldfMqLHi2CU

Os russos gostam de afirmar que são mal tratados no estrangeiro. Após ver este curto filme é perceptível porque….

Pedro Martins disse...

Sr. Milhazes: o senhor tem um excelente blogue com comentadores de muito nível como o António Campos, Cristina Mestre ou o Jest que conhece bem os crimes dos russos e do comunismo. Lamentáveis os comentários de quem vos ataca, pois só revelam a origem ideológica donde vêem. Cordiais saudações

Anónimo disse...

"Só alguem que não conece os russos pode dizer assim. Por sinal, esse "povo idiotizado sem noção de democracia" é em massa muito mais letrado que muitos dos brasileiros (pelo menos aqui presentes)."


DOUTRINAÇÃO É DIFERENTE DE EDUCAÇÃO.

E O POVO RUSSO É DOUTRINADO, E NÃO EDUCADO.


ÍTALO

anónimo russo disse...

Jest nas Wielu disse...
2 anónimo russo 15:02

Se você me disser a tal coisa, direi que V. Excia é um grande especialista em assuntos de “azul claro” lol


Não, parece que voces entendem melhor nestes assuntos alaranjado-azuis-cor-de-rosa.

anónimo russo disse...

Jose Milhazes disse...
Leitor anónimo russo, diga-nos onde, pois a Rússia Unida afirma que ganhou em todas.

Nalgumas das eleiçoes para orãos de poder locais, prefeituras locais, houve casos em que venceram os candidatos que não faziam parte da Rússia Unída. Por enquanto é dificil encontrar os dados precisos porque aínda não há dados oficiais (passou aínda pouco tempo depois do escrutínio), eu já li de alguns casos, infelizmente, é dificil encontrar de novo os links, mas se procurar pela internet, verá.

Cristina disse...

Enquanto Putin e Medvedev estiverem no poder, os partidos liberais (que naturalmente apoiam a democracia e a economia de mercado ocidentais)não poderão participar na vida política (já há vários anos que não participam, após o sistema eleitoral ter sido "convenientemente" alterado para isso). Ou seja, o partido RU governa como quer, impedindo todas as outras forças de se aproximarem. Depois basta fazer umas eleições "convenientes" para legitimar a situação. Algo parecido com o que aconteceu ao nosso Humberto Delgado quando quis ser candidato. O povo russo, claro, já foi durante muitas décadas habituado a isso e vota obedientemente. Diga-se de passagem que conseguir votações detes tipo na Rússia não é difícil a um partido que esteja no poder (temos algo semelhante na Madeira). Basta controlar a comunicação social e, especialmente, a televisão.
O mais injusto é chamar democracia a esta encenação.
Cristina Mestre

Cristina disse...

As bancadas do Partido Comunista, do Partido Liberal Democrático (LDPR) e da Rússia Justa abandonaram hoje o plenário do Parlamento russo em sinal de protesto contra os resultados das eleições regionais e municipais, realizadas a 11 de Outubro passado.
O vice-presidente da Duma de Estado e líder do LDPR, Vladimir Jirinovsky qualificou as eleições como “desonestas”. /Houve/ “pressões permanentes, chantagem e ameaças” aos que apoiam os democratas liberais”, disse Jirinovsky referindo-se ao ambiente que reinou durante as eleições.
O líder do LDPR destacou que a sua bancada não regressará ao plenário até se reunir com o presidente da Rússia para discutir as irregularidades detectadas nas eleições.
Os deputados do PC e do partido Rússia Justa, liderado por Serguei Mironov, presidente da câmara alta do Parlamento, solidarizaram-se com esta posição.
Fonte: RIA Novosti

Parece que todos os partidos representados no Parlamento (à excepção naturalmente do vencedor) afirmam que as eleições não foram livres. Esta opinião não é de um qualquer cidadão, mas de altas figuras do Parlamento (presidente, vice-presidente)
Cristina Mestre

Pippo disse...

Então toda esta questão leva-nos para a grande questão que é a de se saber se o povo russo dá grande importância à democracia ou se prefere, ao invés, um Estado forte, mesmo que não democrático.

A questão da Madeira foi aqui, e bem, levantada. Toda a gente sabe que existe um défice democrático na ilha. O povo importa-se? Não.

E criticamos ainda a corrupção na Rússia... olhemos então para nós. Há 4 dias atrás foram eleitos dois bem conhecidos autarcas, o Valentim Loureiro e o Isaltino Morais. Um enriqueceu a vender mantimentos do exército português ao PAIGC (num país normal seria preso, e antigamente seria fuzilado), e distribuia electrodomésticos para que votassem nele; o outro foi condenado por abuso de poder e outros crimes, e ainda beneficiou, sabe-se lá com que dinheiros, um "primo" taxista na Suíça.

Ambos são bandidos, e ambos tiveram vitórias esmagadoras. Tudo em nome da democracia.

Em que é que os russos estão errados?

Cristina disse...

Caro Pippo
O povo russo não dá muita importância à democracia porque vive num país praticamente controlado por um partido único, que controla a comunicação social e, logo, garante uma votação desta envergadura. Isso acontece em diversos países e também, na minha modesta opinião, acontece no poder local em Portugal, onde há os mesmos partidos no poder há mais de 30 anos. Neste último caso não se trata do controlo estrito da comunicação social mas da inexistência dessa mesma comunicação social a nível local (ausência de televisões locais, existência de jornais abertamente partidários). Quer no caso da Rússia, quer nalgumas eleições locais e regionais em Portugal, não há uma verdadeira democracia. A diferença é que nas eleições russas, para além do controlo da opinião pública, há ainda irregularidades durante o próprio processo de votação,o que em Portugal é raro.
O povo russo, tal como o povo da Madeira, adora os seus líderes e quer um Estado forte porque tem medo. É o chamado síndrome político de Estocolmo.

MSantos disse...

"Um enriqueceu a vender mantimentos do exército português ao PAIGC"

Vulgo batatas!

:o)

Cumpts
Manuel Santos

Pippo disse...

MSantos:
"Vulgo batatas!"

- Exactamente! E todos a votar nele! Ainda por cima o homem distribui torradeiras...!

Já o isaltino distribui casas, de preferência a cabo-verdianos (se calhar por isso é que ele tem uns terrenos em Cabo Verde, oferta da casa). Curiosamente, essa generosidade distributiva parece não ser para todos: uma freguesa de Outurela (Carnaxide) dizia que não iria votar no Isaltino porque, continuando a viver numa casa a cair aos bocados, não lhe foi oferecida uma casa nova porque, palavras dela, "porque sou branca"


Cristina,
face às evidências, que conclusão poderemos tirar de tudo isto? Em portugal votamos maciçamente em candidatos execráveis; na Itália, Berlusconi, enfim, é demasiado triste para ser verdade (mas é a verdade!), no Afeganistão é a "comunidade internacional", como aqui gostam de se referir à comunidade americano-internacional, que legitima um acto eleitoral fraudulentíssimo; e na Rússia a população não parece estar muito preocupada em ter democracia (se quisesse realmente uma democracia o povo viria para as ruas).

E já agoram de que é (ou de quem é) que o povo russo tem medo? Ou será que é a sua estrutura formativa histórica que o leva a apoiar um Estado forte, sem se importar muito com existência de uma democracia "just for the sake of it", só porque "sim"?

Cumprimentos,

Cristina disse...

Pippo
O povo não vem para a rua porque sabe o que acontece aos que vêm para a rua. Você também deve saber. Basta ler um pouco da imprensa russa para perceber isso.Olhe, não é preciso ir mais longe: sabe o que aconteceu às pessoas que se manifestaram esta semana na praça Puchkin contra os resultados das eleições?
O povo tem medo, e muito. Por isso as pessoas preferem ficar passivas e nem sequer querem falar de política . Elas apoiam um Estado forte porque foi isso que a propaganda de Putin lhes impingiu, tal como durante 70 anos lhes impingiram o socialismo. Com os métodos de propaganda que existem actualmente na Rússia, as pessoas até apoiavam o rato Mickey se ele se candidatasse.
Cristina Mestre

MSantos disse...

"Elas apoiam um Estado forte porque foi isso que a propaganda de Putin lhes impingiu, tal como durante 70 anos lhes impingiram o socialismo. Com os métodos de propaganda que existem actualmente na Rússia, as pessoas até apoiavam o rato Mickey se ele se candidatasse."

Sem dúvida! Mas os ratos Mickey dos anos 90 também não ajudaram em nada, em especial aquele que subiu para cima do tanque. E embora o medo em relação à repressão governamental seja real, talvez ele ainda seja maior em voltarem áqueles anos extremamente difíceis e humilhantes pois ficaram muito traumatizados com isso.

Mal ou bem o povo russo tolera e aceita melhor um governo autocrático e repressivo a serem o alvo de chacota e o bobo da corte na arena internacional.

Cumpts
Manuel Santos

Pippo disse...

A Cristina referiu uma manifestação. Quantas pessoas estavam presentes? Dúzias? Algumas centenas? Se fosse uma manifestação de centenas de milhar, se calhar as coisas correriam de modo diferente. A propaganda não pode ser responsabilizada por tudo, veja-se o caso do Irão onde os orgãos noticiosos são integralmente controlados pelo governo e mesmo assim ainda hoje há manifestações devidas à fraude eleitoral.

Eu tenho a impressão que os russos apoiam um Estado forte desde os finais do séc. XVII. O medo não será tanto o da repressão estatal mas sim o de ter o país no caos, que foi praticamente o que aconteceu no "liberais" anos 90.

O facto é que o país parece ser ingovernável sem ser com um governo centralizado. A história da sociedade russa não me parece muito indicadora da existência de sistemas democráticos, mesmo nas aldeias. O mesmo já não acontecia, por exemplo, com os cossacos, que tinham uma democracia endémica.

Em suma, será a democracia uma condição sine qua non para o progresso da sociedade russa? E que tipo de democracia seria essa? Uma igual à nossa? Ou igual à italiana?

E em termos internacionais, qual seria a vantagem de termos uma democracia na Rússia? Será que, por ser uma democracia, o Estado passa a ser mais pacífico nas suas relações exteriores?

A História da democracia, desde a democracia ateniense de Péricles à democracia norte-americana de Bush Jr., desmente-o categoricamente.