segunda-feira, novembro 23, 2009

Dois pesos, duas medidas


Tenho recebido alguns comentários dos meus leitores atentos para o facto da destruição de um templo ortodoxo do séc. XIX em Tachkent por decisão das autoridades locais. Além disso, foram também retirados os bustos de comandantes militares na Segunda Guerra Mundia (1939-1945) a pretexto da remodelação de uma das praças da capital do Uzbequistão.

Mas, antes de ir ao mais importante, gostaria de lembrar aos leitores o barulho que Moscovo levantou quando as autoridades estonianas transferiram o "Soldado de Bronze" (soldado desconhecido), bem como os restos mortais de alguns soldados tombados durante a mesma guerra do centro da cidade de Tallinn para um cemitério militar da capital estónia.

No primeiro caso, o Kremlin pura e simplesmente não abra a boca, como se nada tivesse acontecido. A notícia circula pelos órgãos de informação russos, mas as autoridades fazem de conta que nada está a acontecer. Não acham esta situação estranha?

Ela é tanto mais estranha se tivermos em conta a reacção "patrioticamente barulhenta" das autoridades de Moscovo, que até decidiram castigar a Estónia com sanções económicas.

Não se trata de mais uma prova da política de "dois pesos e duas medidas" que o Kremlin tem vindo a conduzir?

Querem mais um exemplo? O Presidente Medvedev não se cansa de proclamar as liberdades democráticas no país, a luta contra a corrupção, etc., etc., e, ao mesmo tempo, um advogado da empresa Hermitage Capital morre numa cela de uma prisão preventiva.

A propósito, como ele ainda não tinha sido julgado, estava inocente e morreu inocente.

O jornal Nezavissimaia Gazeta começou a publicar parte das memórias do advogado na prisão, que mostram a desumanidade do sistema penitenciário russo, levando mesmo a pensar que ele funciona "bem" quando é necessário liquidar testemunhas incómodas.

Com isto não quero dizer que foi o Kremlin que mandou assassinar o advogado, mas é o responsável político por mais esse crime.

Claro que os meus oponentes irão dizer que isso também acontece nos Estados Unidos, Portugal, etc., etc. É verdade, mas isso não justifica os crimes acima citados.

Por vezes, parece que vivo num mundo kafkaniano, onde qualquer cidadão pode ser literalmente cilindrado sem entender qual a razão.

A propósito, hoje, o Presidente encontrou-se com representantes de organizações de defesa dos Direitos Humanos e falou-se muito da protecção dos cidadãos, independentemente de serem padres, polícias, políticos, etc. E falou-se também da defesa dos direitos das crianças, não sei precisamente de que crianças...

34 comentários:

António Campos disse...

Para os interessados, segue abaixo um link para a tradução de uma longa queixa de Sergei Magnitsky, enviada ao acusador público Yuri Chaika, relativamente às condições em que aquele se encontrava detido, bem como à negação de assistência médica.

Aviso: não recomendo a leitura deste documento a pessoas facilmente impressionáveis.

http://www.scribd.com/doc/22654312/Sergey-Magnitsky-Complaint-to-General-Prosecutor

(em inglês)

António Campos

António Campos disse...

Ainda mais sinistro: entrevista de Natalya Magnitskaya, mãe de Sergei Magnitsky, à rádio Ekho Moskvy.

Para quem entender russo, parece-me que não haverá mais nada a dizer sobre o sistema legal russo.

Só consigo imaginar pior que isto no Ruanda ou noutra qualquer república das bananas. Ao mundo civilizado isto não pertence.

http://www.echo.msk.ru/programs/personalno/636390-echo/

António Campos

Jest nas Wielu disse...

off top

Hoje é o Dia e Feriado do São Jorge na Geórgia

ჩემო კარგებო! გილოცავთ გიორგობას, მრავალს დაესწარით! წმინდა გიორგის მადლი ფარავდეს თქვენ ოჯახებს! Felicito todos os georgianos e ortodoxos pelo dia de São Jorge!

No dia de 23 de Novembro, a Igreja ortodoxa georgiana celebra o feriado Giorgoba – O Dia do São Jorge.

Apenas a Geórgia celebra o dia de morte de São Jorge. Segundo a lenda, o feriado foi iniciado pelo Santa Nino, a soberana georgiana do século IV. Ela era considerada a sobrinha do São Jorge, dedicou a sua vida à causa de cristianização da Geórgia.

Na época medieval, os georgianos ergueram 365 igrejas em todos os cantos do seu país, uma por cada dia do ano. Os georgianos consideram São Jorge o protector da Geórgia, o santo também é protector dos viajantes, militares, lavradores e pastores. À ele rezam para se livrar das forças demoníacas e malignas.

Os vizinhos ossetas conhecem o São Jorge sob o nome pagão de Uastyrdzhi, cavaleiro branco, protector dos homens e dos viajantes. Já os separatistas de Abecásia não permitiram que os georgianos que vivem nos territórios ocupados celebram condignamente o feriado de Giorgoba, proibindo aos adultos faltar o serviço ou às crianças não irem à escola.

Na Geórgia, para comemorar o feriado, que neste ano coincide com 6º aniversário de Revolução de Rosas, cerca de 50 presos vão receber o perdão presidencial (a amnistia não se aplicará aqueles que cometeram assassinatos, assaltos ou os crimes ligados às drogas). Uma parte dos presos serão libertados no dia 23 de Novembro, outros vão ver as suas penas reduzidas em metade.

Fonte:
http://cyxymu.livejournal.com/607823.html

Pippo disse...

Dois pesos e duas medidas? Obviamente que não, JM, e nem entendo a sua questão.

Para já (e pelo vistos, se não sabia, fica a saber, mas deveria sabe-lo antes de ter escrito pois essa era a sua obrigação enquanto jornalista), a dita igreja ortodoxa já não o era há décadas. Foi dessacralizada pelos soviéticos e passou, com a independência, a ser a sede de um banco. Portanto, não se trata, como erroneamente o colocou, da "destruição de um templo ortodoxo do séc. XIX" mas sim da destruição de um edifício que, até aos anos 20, foi um templo ortodoxo.

Quanto à remoção das estátuas, posso estar enganado mas será que isso se compara à remoção de cadáveres de soldados caídos? Para mim não é...

Por fim, qual é a população russa na Estónia e no Uzbequistão e qual é o impacto nessa população das acções de cada um destes Estados?

Ze Pedro Gomes disse...

"barulho que Moscovo levantou"... "Kremlin não abra a boca"... esta linguagem esta um pouco esquesita ate para o nosso Barbudo Narciso... истекающий желчью Зэ-голиаф отрабатывает свои гроши, LOL :)))))

antónio m p disse...

Crianças nenhumas, que em política crianças são uma palavra, um "dossier" com números.

Quanto a viver num mundo kafkaniano, estimado José Milhazes, lamento "informá-lo" que o que lhe parece, é! Uma vez mais.

Anónimo disse...

Tem piada esta noticia.
Quando se trata dos símbolos alheios não se mexe uma palha. Quando toca aos nossos fica-se cheio de fornicoques.
Estou a lembrar-me do monumento de Vera Mukiná “ Rabotchi i Kolkoznitsá”. Foi retirado há cerca de 10 anos para restauração e até hoje ainda não voltou ao lugar.

Será um símbolo maldito?
Carlos TR

Jose Milhazes disse...

Leitor Zé Pedro, só não lhe desejo que ganhe tanto dinheiro como eu ganho com este blog. E escreva tudo em português, mesmo que com erros, para que todos compreendam.

Wandard disse...

"Quanto à remoção das estátuas, posso estar enganado mas será que isso se compara à remoção de cadáveres de soldados caídos? Para mim não é...

Por fim, qual é a população russa na Estónia e no Uzbequistão e qual é o impacto nessa população das acções de cada um destes Estados?"

Pippo,

Parabéns pelo comentário e pela precisão das informações.

Ficou pouco para ser falado, mas a remoção do monumento em Tallin, assim como os cadáveres dos soldados mortos,foi uma atitude revanchista da Estônia e um desrespeito à memória dos que lutaram na segunda guerra. Pouco importa a questão e a opressão do regime soviético, pois o monumento era um referencial aos que lutaram e morreram para se livrar do domínio nazista. Quanto ás péssimas condições de sistemas penitenciários não precisamos ir longe da europa e podemos citar como exemplo a França, já que o Sr. citou, falar dos Estados Unidos é exemplo suficiente, e como tenho telhado de vidro, o do Brasil não fica devendo a ninguém.

Jest nas Wielu disse...

Já que estamos falar sobre pesos e medidas, achei engraçado este texto: “Carta do Khan Mamay ao conde Dimitri” (em russo):
http://iluich.livejournal.com/189209.html

anónimo russo disse...

Pippo disse...


"Portanto, não se trata, como erroneamente o colocou, da "destruição de um templo ortodoxo do séc. XIX" mas sim da destruição de um edifício que, até aos anos 20, foi um templo ortodoxo.

Quanto à remoção das estátuas, posso estar enganado mas será que isso se compara à remoção de cadáveres de soldados caídos? Para mim não é...

Por fim, qual é a população russa na Estónia e no Uzbequistão e qual é o impacto nessa população das acções de cada um destes Estados?"



Muito bem dito. E não são apenas palavras, mas os factos. Coisa em que os jornalistas deviam se basear em primeiro lugar.

anónimo russo disse...

Mas que russófilo é esse António Campos, Hein! Fica-se com a impressão de que alguem na Rússia o tinha ofendido. Quanto ao tema, na Rússia as condições nas prisões e nos SIZÒ são más, não é segredo para ninguem. E são más para todos, igualmente como para um advogado próspero tanto para um sem-abrigo. Não se constroi um estado novo num par de anos, especialmente quando se trata de um estado do tamanho da Rússia.

Ítalo Tavares disse...

Pippo,


Tenha honradez. Ela deve estar acima da sua ideologia.

Jose Milhazes disse...

Caro Pippo e anónimo russo, na era comunista dezenas, ou talvez centenas de templos ortodoxos na União Soviética foram transformados em pocilgas, casas de banho, armazéns, escritórios, ou simplesmente destruídos. Os que não foram destruídos até ao fim do comunismo, estão a ser recuperados. Porque é que o templo em Taschenkt, que foi encerrado e transformado em banco não pode ser recuperado.
Vocês conhecem bem este país e sabem do que falo, por isso não usem dois pesos e duas medidas. A propósito sabiam que o dito templo foi uma criação de um dos grandes arquitectos do séc. XIX.
Quanto à remoção de cadaveres em Tallinn, recordo que alguns estavam sepultados por debaixo de asfalto e de uma paragem de trolei e foram transladados para um cemitério militar, o que é absolutamente normal num país civilizado.
Nessa mesma altura, nos arredores de Moscovo, em Khimki, foi destruído um memorial onde estavam sepultados heróis da União Soviética que morreram na defesa da capital soviética e não houve basrulho nenhum. Mais, nos campos russos, há ainda dezenas de milhar de soldados da Segunda Guerra Mundial por sepultar condignamente. O trabalho feito por clubes históricos com vista a identificar os cadaveres e a sepultá-los condignamente é voluntário e com muito pouco apoio das autoridades.

Anónimo disse...

Off topic

Falando em mortos:

"Criminalista investiga restos mortais de pessoas encontradas durante as escavações perto de Lviv, na Ucrânia. Os restos de cerca de 600 pessoas, que foram mortas por soldados da polícia secreta do ditador soviético Stalin, foram encontrados na estação perto de Pidzamche ocidental."

http://noticias.uol.com.br/album/
091123_album.jhtm#fotoNav=21

Anónimo disse...

Quanto a Convenções de Direitos Humanos e especificamente Convenção dos Direitos da Criança, realmente enquanto elas não votarem, os supostos defensores dos menores pensam primeiro em agradar ao Sistema do que ao interesse dos inocentes.
Lamentável, muito lamentável!...
Cmpts,
Maria Ferreira

Jest nas Wielu disse...

2 José Milhazes

Muito bem dito, por exemplo, as duas igrejas católicas de Kyiv após o golpe do estado bolchevique foram transformados: uma em planetário; outra em armazém, depois foi simplesmente abandonada e só foi recuperada antes dos Jogos Olímpicos em Moscovo em 1980, transformando-se em Casa de Música Orgânica (a URSS como sempre preocupava-se mais com os estrangeiros do que com os seus próprios cidadãos).

Já agora, em toda a Ucrânia só funcionava 1 (!) igreja católica em Lviv e a igreja grego – católica era proibida por lei, os seus crentes perseguidos pela polícia, etc.

++
Ocidente não deve perder a paciência com Ucrânia

Dois políticos ucranianos, Oleh Rybachuk, o chefe do pessoal do Presidente Victor Yushchenko em 2005 e Taras Chornovil, o chefe da campanha do seu rival Victor Yanukovych, escreveram para o jornal Financial Times o artigo conjunto com a sua visão da Ucrânia actual:
http://kotyhoroshko.livejournal.com/373600.html

anónimo russo disse...

Jose Milhazes disse...
"Caro Pippo e anónimo russo, na era comunista dezenas, ou talvez centenas de templos ortodoxos na União Soviética foram transformados em pocilgas, casas de banho, armazéns, escritórios, ou simplesmente destruídos. Os que não foram destruídos até ao fim do comunismo, estão a ser recuperados. Porque é que o templo em Taschenkt"

O que fizeram as autoridades de Tashkent não foi nada bom, mas, se tomarmos em conta que o templo não funcionava desde o início do sec XX, isso já pode diminuir um pouco a énfase do artigo. Quanto a Estónia, se bem me lembro, este país até tinha pretensóes territoriais para com a Rússia antes de entrar na NATO, queria uma parte da oblast de Pskov, se não me engano. Tambem, há uma grande diferença entre os países Balticos europeus e a Asia Central com as suas estátuas de ouro dos dirigentes de um passado recente, com o seu sistema político que pode ser tudo menos democrático, com a sua pobreza etc. Uzbequistão, com a metade da sua população a trabalhar na Rússia, muitas vezes clandestinamente e nas condições pouco humanas, já está a ser castigado assim por deus mesmo sem nenhum "barulho" do lado da Rússia. Pelos vistos, as autoridades russas decidiram que não é o caso para sanções ou alguma coisa semelhante, mas acho que vão lembrar disto.

Quanto ao advogado morto, hoje Medvédev ordenou fazer um inquerito do caso.

Jose Milhazes disse...

Caro anónimo russo, mas o que tem a ver a adesão à NATO e a transladação de cadaveres ou a destruição de momentos como aconteceu na Rússia e acontece agora no Uzbequistão?

anónimo russo disse...

Jose Milhazes disse...

"Caro anónimo russo, mas o que tem a ver a adesão à NATO e a transladação de cadaveres ou a destruição de momentos como aconteceu na Rússia e acontece agora no Uzbequistão?"


Não sei o que isso tinha a ver com a NATO, mas os poderes da Estónia, onde mais de 25% (!) da população são russos, fizeram tudo de uma maneira que insultou os russos, houve manifestações de protesto etc. Se não me engano, alguns dos russos foram presos.

Jest nas Wielu disse...

As eleições ucranianas, como sempre, significam uma possibilidade real para os políticos chauvinistas russos de ganhar algum “taco”, apoiando este ou aquele “amigo da unidade eslava”. Em 2004 era proFFessor Yanukovich, neste ano é Inna Bogoslovskaya, que recebe a dotação financeira do partido – estado russo “Rússia Unida”. Os provedores do “taco” são os deputados da Duma Estatal, políticos anti – ocidentais e anti – NATO, Sergey Markov e Dmitri Sablin. Mas como “taco” sempre suscita as invejas, os seus concorrentes difundiram as gravações de conversações financeiras entre eles e a Sra. Bogoslovskaya:
http://sabl.in.ua

p.s.
A acusação maior: “Em vez de financiar Yanukovich, esbanjam o dinheiro russo apoiando a tipa que não tem a mínima hipótese de ser eleita Presidente da Ucrânia”.

Jest nas Wielu disse...

2 Anónimo russo 21:55

Os vândalos russos que foram presos pela polícia da Estónia simplesmente andavam a saquear e pilhar as lojas de marcas ocidentais (por exemplo Hugo Boss, Livrarias Appolo), supermercados (roubando preferencialmente o álcool), vandalizando a propriedade privada e os símbolos do estado estónio, etc:
http://www.youtube.com/watch?v=
tw4__eitD9M
http://www.youtube.com/watch?v=
Sg8329uIKcw
http://www.youtube.com/watch?v=
rKpXqwE2rg8
http://www.flickr.com/photos/
neoroma/sets/72157600135279884

Ítalo Tavares disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
anónimo russo disse...

Jest nas Wielu disse...
2 Anónimo russo 21:55

"Os vândalos russos que foram presos pela polícia da Estónia simplesmente andavam a saquear e pilhar as lojas de marcas ocidentais (por exemplo Hugo Boss, Livrarias Appolo), supermercados (roubando preferencialmente o álcool), vandalizando a propriedade privada e os símbolos do estado estónio, etc:
http://www.youtube.com/watch?v=
tw4__eitD9M
http://www.youtube.com/watch?v=
Sg8329uIKcw
http://www.youtube.com/watch?v=
rKpXqwE2rg8
etc."


E o que são esses clipes russófobos e que provam eles (alem da xenofobia daqueles quem os criou)? Isso não são argumentos. E não é preciso fingir: aqui, na Rússia, ninguem rouba "as lojas de marcas ocidentais". Na pobre Ucrânia, especialmente ocidental, talvez, os vuiki façam coisas dessas, mas não sei ao certo.

anónimo russo disse...

Jest nas Wielu disse...
"As eleições ucranianas, como sempre, significam uma possibilidade real para os políticos chauvinistas russos de ganhar algum “taco”, apoiando este ou aquele “amigo da unidade eslava”. Em 2004 era proFFessor Yanukovich, neste ano é Inna..."


Bu-ga-ga. Você aínda não entendeu que na Rússia as pessóas muito menos pensam na Ucrânia do que alguns "ucranianos" na Rússia, muito menos se preocupam com o que está lá acontecendo? Só as vezes é que acompanham as notícias do nosso vizinho desgraçado de oeste, e muitas vezes apenas para se rir de alguns "naziki" de alguma UNA-UNSO ou de mais alguns palhaços.
Mas alguns dos ukro-nazi batem todos os recordes. Assim, eu vi num forum russo algum nacionalista ucraniano a publicar mensagens em ucraniano durante meses:) Ninguem falava com ele e ele se tornou um objeto de um desprezo total. Mas, mesmo assim, conseguia "resistir" à "agressão bárbara russa". Não foi você, jest?

Pippo disse...

JM, na Rússia muitas das igrejas vilipendiadas pelos comunistas foram devolvidas à religião. Até tem uma belo caso, ai em Moscovo, da Igreja do Cristo Salvador, que foi reconstruída do zero. Mas isso são as autoridades russas que o fazem com o SEU património.

Agora está a dizer que os russos têm de fazer... fazer o quê, concretamente? ... por causa das autoridades uzbeques
não terem restaurado uma igreja (que deixou de o ser há mais de 80 anos) e que constitui património uzbeque?

Explique lá bem o que quer dizer que se calhar eu não compreendi.

Quanto à remoção dos cadáveres, então se ela foi assim tão benéfica (tirados de baixo de uma estrada para um cemitério militar), porque é que isso causou tanto furor? Haverá alguma parte dessa história que não nos está a contar?
Na verdade, o que se passou foi, nada mais, nada menos, que uma mero revanchismo anti-russos. O "Soldado de Bronze" e 15 das sepulturas estavam bem no centro de Talin e os estónio encaravam isso como uma ofensa nacional. Quando os russos celebraram a vitória sobre os alemães em 1945 a permanência da estátua originou um aceso debate no parlamento estónio e eles decidiram remover estátua e corpos para um cemitério militar. Ora, tendo em atenção que 30% da população é russa (mas não tem assim muitos direitos de cidade), é óbvio que esta decisão tem uma forte carga política:
"Some ethnic Estonians consider the monument a bitter reminder of the Soviet occupation, while ethnic Russians view its removal as a slap at Soviet contributions and another example of discrimination against Russians. (...) Estonia's government has said the war memorial's location near a busy intersection was not a proper place for a war grave. Ethnic Russians said the real reason was to pander to Estonian nationalists who wanted the monument removed. (...) The moving of the memorial drew criticism from others. The Los Angeles-based Simon Wiesenthal Center called it an insult to the victims of the Nazis. While recognizing the crimes committed under Soviet rule, "it must never be forgotten that it was the Red Army which effectively stopped the mass murder conducted by the Nazis and their local collaborators on Estonian soil," Efraim Zuroff, the center's chief Nazi hunter, said in a statement."

http://www.independent.co.uk/news/world/europe/estonia-reerects-soviet-statue-at-military-cemetery-amid-protests-446945.html

Por fim, faço notar que em Plovdiv, Bulgária, está colocada uma enorme estátua ao soldado soviético bem lá em cima no monte. Ninguém se incomoda com isso e, que eu saiba, não há planos para a remover...

PS - Ítalo, tem razão, a honra deveria estar acima da sua ideologia. Isso começa por se falar de factos, que foi o que eu fiz. Experimente fazer o mesmo, vai ver como se sentirá melhor com a sua consciência :o)

anónimo russo disse...

Ítalo Tavares disse...



"Ora, e o que russos badeneiros queriam atacando a polícia e a democracia estoniana?


Que voltem pra Moscou!

Parabéns à Estônia."


Uma pessoa que demonstra tanta intoléráncia merece o mesmo que quer aos outros. Quando for espancado por alguns racistas em Moscovo, lembre as minhas palavras (claro que se for capaz de lembrar alguma coisa).

anónimo russo disse...

Quem não entende alguma coisa daquilo que aconteceu na Estónia, pode ler um pouco. Mas é em russo:

http://www.mosds.ru/News/news05-07.shtml

Jest nas Wielu disse...

2 Anónimo russo 13:23

Na URSS qualquer crítica do regime era apelidada de “propaganda anti-soviética”, na Rússia actual qualquer crítica dos vossos usos & costumes é apelidada de “russofóbia”.

O que os clipes mostram são a juventude russa a assaltar os “bottle story”, roubar os pensos higiénicos (para as mães & namoradas) e em geral comportar-se como criaturas selvagens.

Não, na Ucrânia as pessoas são bastante civilizados e não se dedicam ao vandalismo político, mesmo os nossos russos (principalmente da Ucrânia Ocidental) são muito mais civilizados & educados.

2 Anónimo russo 13:35

Não sei se entende bem a língua portuguesa, por isso repito, não falei das pessoas – cidadãos, mas de POLÍTICOS. Se eles não se interessam pelas nossas eleições, para que “Rússia Unida” convida Yanukovich para discursos, porque financiam campanha presidencial de Bogoslovskaya, etc.

Fóruns & língua ucraniana: a) vocês andam a pregar que a língua russa e a língua ucraniana são as línguas (dos povos) irmãos. E depois dizem que não entendem a língua irmã? Como é possível?!!! Lol lol lol b) não costumo entrar nas casas alheias com os estatutos próprios, deixo o vandalismo verbal & falta de civismo para os “anónimos russos”.

Sérgio disse...

A relação Russia-Ucrania faz-me lembrar a de um casal num divorcio litigioso. Uma parte quer muito o divorcio enquanto a outra teima em declarar o seu amor, nem que seja imposto à força.

Ítalo Tavares disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Roman disse...

Jest nas Wielu disse...

Não, na Ucrânia as pessoas são bastante civilizados e não se dedicam ao vandalismo político, mesmo os nossos russos (principalmente da Ucrânia Ocidental) são muito mais civilizados & educados.

Não é preciso contar fados. É estranho, mas cá em Portugal tudo acontece bem pelo contrário. Já vi bastante "civilização" da parte dos ucranianos. Será que eles cá não são verdadeiros? Ou na sua totalidade são agentes da KGB a efectuar uma tarefa com o fim de infamar a Ucrânia?

Nem falo dos georgianos. Pergunte aos portugueses que os conhecem.

Agora falando à sério, todas as pessoas são diferentes, mas não fui eu que comecei a generalizar.

Jest nas Wielu disse...

2 Roman

Estimado, Roman, desconheço as suas visões, talvez as posso comentar após compartilhares as connosco.

Já tive inúmeras conversas com os portugueses sobre a emigração ucraniana em Portugal e até apenas ouvi os elogios rasgados sobre a maneira dos ucranianos de estarem na sociedade portuguesa: muitíssimo trabalhadores, educados, facilmente se adaptam à sociedade portuguesa, se integram, rapidamente aprendem a língua, etc.

Alias, desde a Austrália até o Brasil é o comportamento habitual dos ucranianos. No que toca outras nacionalidades (veja lá, por exemplo, o caso de Natália Zarubina), não sou o responsável por eles e nem tenho como mudar os comportamentos dos moscovitas ou quaisquer outros camaradas nos terrenos europeus.

António Campos disse...

Sendo o tema do post os direitos humanos, será porventura interessante referir que acabei de ouvir na Ekho Moskvy uma entrevista a Evgeniya Albats, que me convenceu que a morte de Magnitsky afinal foi absolutamente normal.

A mesma afirmou que morrem todos os anos cerca de 4000 pessoas em prisão preventiva na Rússia.

Trata-se decerto de uma forma peculiar de agilizar o sistema judicial russo.

Talvez o epitáfio mais adequado para a pedra tumular de Magnitsky e de todas as outras vítimas da trituradora judicial russa seja a seguinte frase, atribuída a Estaline: "A morte resolve todos os problemas. Não há homem, não há problema"

António Campos