quarta-feira, janeiro 13, 2010

Telenovela sobre escolas provoca onda de protestos no país


Os professores russos estão indignados com a telenovela “Escola”, que dá uma imagem negativa e deformada do ensino na Rússia, declarou à imprensa Efim Ratchevski, conhecido director de uma escola da capital russa.
“Fiquei indignado depois de ver visto um episódio desse filme na cadeia Primeiro Canal, porque constitui uma série de asneiras sobre os professores da escola”, acrescentou Ratchevski, que é também membro da Câmara Social junto do Presidente da Rússia.
Segundo ele, a série televisiva não reflecte a vida real nas escolas e os alunos são, na sua maioria, “anti-heróis”.
A telenovela “Escola”, que começou na passada segunda-feira, faz lembrar as séries “Morangos com Açúcar” da TVI ou “Rebeld Way” da SIC.
Na terça-feira, o filme foi alvo de duras críticas de Olga Larionova, chefe do Departamento de Educação da cidade de Moscovo. Segundo ela, 2010, que na Rússia foi decretado Ano do Professor na Rússia, não deve ser pretexto para tais filmes, que “abalam a autoridade dos professores”.
“Escola” está a ser motivo de acessos debates nos blogs russos. A maior parte dos comentários são negativos, partindo principalmente de professores, de alunos e de seus pais.
No Parlamento, o deputado comunista Vladislav Iurtchik defendeu a proibição da telenovela, considerando-a “uma provocação” e “uma diversão consciente contra os nossos filhos e juventude”.
Matvei Ganapolski, analista político da rádio “Eco de Moscovo”, considera que o filme pode ser pretexto para uma ampla discussão pública sobre a situação no ensino da Rússia e previne para a tentação de o proibir.
“Claro que nas nossas escolas nunca bebem cerveja, nas casas de banho não cheiram todo o tipo de coisas e, de manhã, as mulheres da limpeza não encontram preservativos utilizados nas casas de banho”, ironiza o analista, e continua: “os alunos de olhos azuis apenas vão para a escola para terem prazer com o ensino e preparem-se para o exame de acesso ao ensino superior”.
A direcção do Primeiro Canal apela a que não sejam tiradas conclusões prematuras e a que se analise os problemas actuais da escola.
“O Ano do Professor, a que se referem os funcionários moscovitas, é, a nosso ver, uma ocasião para se meditar sobre os problemas da escola em vez de se virar a cara. O objectivo dos órgãos de informação consiste em chamar a atenção para a situação”, sublinha o serviço de imprensa do canal.

6 comentários:

Ítalo Tavares disse...

"No Parlamento, o deputado comunista Vladislav Iurtchik defendeu a proibição da telenovela, considerando-a “uma provocação” e “uma diversão consciente contra os nossos filhos e juventude”."


Nenhuma novidade nesse tipo de mentalidade.

Marina Darmaros disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Ricardo disse...

Só quem está no dentro da rede de ensino tem condições de dizer o que é real e o que é fantasia, pelo número crescente de críticas feitas por alunos, país e professores já se percebe que a telenove quer apenas audiência a todo custo, algo muito comum aqui no sul do ocidente.

Mendonca Joao disse...

Não tive ainda oportunidade de ver um episódio da dita série, para poder emitir alguma opinião. Pessoalmente estou ligado ao ensino superior, e a certas e determinadas universidades russas da capital. Há que aproveitar o facto de o ano de 2010 ser dedicado à escola, para abrir o debate em torno do ensino nas escolas. A série não deve passar de uma pálida adaptação das séries ocidentais, não descreve nem de perto nem de longe aquilo que se passa nas escolas russas, com certeza. O povo russo é suficientemente educado para separar o trigo do joio,e para perceber que não vale a pena perder demasiado tempo a debater a validade da série, sob pena de criar o efeito contrário, mediatizando em excesso a mesma.

Anónimo disse...

Pessoalmente estou ligado ao ensino superior. Não cheguei a ver a dita série para poder comentar o assuno. A série não deve passar de uma pálida imitação do pior que a televisão ocidental tem, e se calhar nem merece tanta mediatização. Contudo há de facto que aproveitar o ano de 2010 para realizar um grande debate em torno da questão das escolas.

the.guide disse...

se for como dentro do género das portuguesas não passa de lixo televisivo. Os morangos com açúcar e tudo mais, transmitem mensagens e ideias de um tipo de jovens que só se preocupam com saídas, sexo e álcool, tentando criticar o abuso de determinadas substancias e apelando ao uso do preservativo para ter o rotulo de "programa educativo". Não consegue, entretanto. Não passam de programas-padrão, que "educam" a juventude de uma forma totalmente comercial, oca e sem qualquer fundamento intelectual. É o controlo das massas juvenis ao estilo do sistema em que vivemos: criar burros que não dêem muitos problemas em grande escala.