domingo, fevereiro 07, 2010

Blog do leitor

Texto enviado por Cristina Mestre 


DIRIGENTE DA CÂMARA ALTA DO PARLAMENTO RUSSO PODE SER AFASTADO POR TER DISCORDADO DE PUTIN

A Rússia Unida* está indignada com as expressões utilizadas pelo dirigente do Conselho da Federação e líder do partido Rússia Justa, Serguey Mironov, que discordou das iniciativas sociais do primeiro-ministro Vladimir Putin, que ao mesmo tempo é líder do partido Rússia Unida, e considera necessário  fazer cessar o mandato de Mironov no Conselho da Federação, comunica o serviço de imprensa do partido.
“Ontem, numa entrevista, o dirigente do Conselho da Federação, Serguey Mironov, discordou publicamente das iniciativas sociais do líder do nosso partido, Vladimir Putin, em particular quanto à aprovação do Orçamento”, disse o chefe do Comité Executivo Central da Rússia Unida, Andrey Vorobiov.
“Estas expressões demonstram a desonestidade e a inconsequência em relação a Vladimir Putin, pessoa que fez muito pelo país e pela sociedade”, apontou o secretário do Praesidium do Conselho Geral da Rússia Unida e vice-presidente da Duma de Estado, Viatcheslav Volodin.
Volodin ressaltou que “Vladimir Putin e Dmitry Medvedev não merecem uma avaliação tão injusta pelo que fizeram e fazem pelo país”. Nas suas palavras, as medidas anti-crise empreendidas por estes dirigentes ajudaram a Rússia a resolver os problemas com que os países europeus /também/se depararam.
“O Orçamento, aprovado em tempos difíceis de déficit de meios financeiros, manteve todos os compromissos sociais do Estado perante as pessoas. Por isso consideramos erradas as expressões de Mironov”, disse Volodin.
Vorobiov, por seu lado, manifestou-se pelo início de consultas sobre a possível cessação do mandato de Mironov no Conselho da Federação.
“Levando em consideração que Mironov representa na câmara alta da Assembleia Federal a Assembleia Legislativa de São Petersburgo, em que dispomos da maioria de votos, considero lógico e razoável consultar os nossos colegas e começar o procedimento de cessação do seu mandato”, declarou Vorobiov.
O primeiro adjunto do secretário do Praesidium do Conselho de Estado da Rússia Unida, Andrey Issaev, também se manifestou pela demissão do dirigente parlamentar. Na sua opinião, a declaração de Mironov de que ele deixa de apoiar Putin testemunha “o seu fiasco moral”.
“Penso que seria honesto da parte dele abandonar o posto que lhe foi concedido pela Rússia Unida e por mais ninguém”, disse Issaev.
Por sua vez, Serguey Mironov considera que as declarações de representantes da Rússia Unida sobre a possibilidade de cessar o seu mandato de dirigente do Conselho da Federação por ele ter discordado das iniciativas sociais do primeiro-ministro Vladimir Putin testemunham a fraqueza das posições ideológicas e políticas da Rússia Unida.
“Em vez de falar construtivamente sobre o fundo da questão, eles criticam a forma”, disse o dirigente do Conselho da Federação à RIA Novosti comentando esta declaração.
Serguey Mironov fez lembrar que critica desde há dois anos o Orçamento Federal e que a Rússia Justa, partido que ele dirige, propôs o seu plano anti-crise. “Desta vez não ouviram nada de novo, por que não reagiram então antes?”, disse.
“A julgar pela reacção da Rússia Unida, a entrevista que dei foi boa”, adiantou o senador.
Na opinião de Mironov, a reacção da Rússia Unida à sua entrevista ao Primeiro canal televisivo testemunha que “as posições da RU estão seriamente abaladas”.
“O presidente Medvedev declarou claramente a sua intenção de modernizar o sistema político tornando-o civilizado e o primeiro-ministro Vladimir Putin apoiou esta política. O presidente não defende o sistema unipartidário”, disse Mironov.
O senador mostrou-se perplexo pelo facto de a Rússia Unida qualificar o seu desacordo com o orçamento e as medidas anti-crise propostas pelo Governo como “desonestidade em relação a Vladimir Putin”.
“Na opinião da Rússia Unida, uma atitude crítica é desonesta? Mas este é o dever e a tarefa da oposição numa sociedade civilizada”, apontou o dirigente da câmara alta.
*N.T: Partido governante, com maioria de votos na Assembleia Federal e nos principais parlamentos regionais do país.
Fonte: www.rian.ru "

13 comentários:

MSantos disse...

Cara Cristina

Não pondo em causa o tradicional e censurável modus operandi de Vladimir Putin, seria interessante sabermos a natureza da discórdia que motivou isto, ou seja o que Putin propôs e o que este político contestou ou propôs em alternativa.

Se a Cristina ou o JM puderem esclarecer, agradecia.

Cumpts
Manuel Santos

Anónimo disse...

Off topic


Economia

Rússia, o país que encolhe
Com uma população declinante, o antigo império soviético vive problemas demográficos, econômicos e até existenciais - e talvez nem mereça mais fazer parte dos BRICs

Carolina matos


Matrioska: as bonequinhas que simbolizam a família e a fertilidade na Rússia remetem hoje a um grande problema do país: a população cada vez menor

Na semana passada, os chanceleres de Brasil, Rússia, Índia e China acertaram os detalhes da próxima reunião de cúpula dos BRICs, grupo que pretende se apresentar ao mundo, cada vez mais, como centro de gravidade da economia global. O encontro será em Brasília em 16 de abril, mas, até lá, um desses países terá encolhido. Assim como as matrioskas, bonequinhas que se escondem umas dentro das outras em dimensões sempre menores, a Rússia diminui a cada dia. Perde população, tem uma economia que ainda não se recuperou da crise global e até mesmo sua presença entre os BRICs vem sendo questionada. O economista Jim O'Neill, que criou a expressão em 2002, diz que, àquela época, muitos lhe perguntavam por que o Brasil estava no grupo. "Hoje, só me perguntam sobre a Rússia", diz ele.

O primeiro problema da Rússia se chama demografia. Desde 1995, a população tem diminuído, em média, 0,5% ao ano, segundo o governo. Hoje, são 142 milhões de pessoas, um número ainda grande para os padrões europeus, mas o que preocupa é a tendência. A quantidade de nascimentos vem caindo, a ponto de haver incentivo público em dinheiro para estimular casais a terem filhos. Além disso, a expectativa de vida é cada vez menor, especialmente entre os homens, por problemas como o aumento da dependência de álcool e a taxa de criminalidade. A expectativa de vida dos russos, de 59,3 anos, é menor que a de chineses, brasileiros e indianos. E, nesse ritmo, a Rússia deverá perder 40 milhões de habitantes até 2050. Esses números são avaliados pelas empresas na hora de investir. Afinal, o que interessa a elas nos países emergentes é população crescente com histórico de demanda reprimida no consumo - e a Rússia cada vez se encaixa menos nesse modelo. "Países com tendência de crescimento populacional são prioritários para a Coca-Cola", disse à DINHEIRO Muhtar Kent, CEO da companhia, em entrevista recente. "O desastre demográfico da Rússia prejudica a economia no longo prazo", avalia José Roberto Mendonça de Barros, sócio da MB Associados.



Outros países europeus, como Itália e Alemanha, também estão perdendo população, mas já desfrutam de um padrão de desenvolvimento que lhes permite reduzir o mercado interno. Na Rússia, essa regra não se aplica. A economia, altamente dependente do petróleo, encolheu 7,9% no ano passado - também o pior desempenho entre os BRICs. "A Rússia, que ainda está em processo de transição para o capitalismo, foi um dos países mais afetados pela crise global.

Quando empresas avaliam o risco de investir lá, precisam ter profundo conhecimento político, econômico e cultural do país", avalia Roberto Giannetti da Fonseca, presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes.

O curioso é que a palavra matrioska, nome do suvenir clássico da Rússia, deriva de "mãe" e remete à ideia de perpetuação. Ironicamente, tudo o que o Kremlin gostaria de ter em termos populacionais, mas não tem.


http://www.terra.com.br/
istoedinheiro/edicoes/644/artigo
161913-1.htm

Cristina disse...

Caro MSantos
A imprensa russa dá alguns pormenores sobre as razões do conflito entre Serguei Mironov e Vladimir Putin, oficialmente a segunda e a terceira personalidades mais importantes da Rússia.
Há jornalistas que dizem que o partido governante, liderado por Putin, há muito que está descontente com Mironov por o seu partido (Rússia Justa) ter votado contra o Orçamento Federal e contra as medidas anti-crise apresentadas pelo primeiro-ministro. Na sua recente viagem ao norte do país, Mironov propôs isentar de IRS os habitantes desta região, acrescentando que, “naturalmente, o Governo não vai deixar”. Em vez de ser uma figura de Estado leal ao Governo, Mironov estará a posicionar-se como um líder de oposição, o que não agrada a Putin.
O presidente da câmara alta do Parlamento chegou até a dizer que o ataque à sua pessoa seria uma forma de desviar as atenções de “uma coisa muito desagradável para o partido governante” (Mironov referia-se à recente manifestação contra o Governo em Kalininegrado).
Outros jornalistas referem que Mironov tem intenções de se candidatar às presidenciais de 2012 e poderá ser esse o motivo do conflito.
Há até um analista que escreve que “simplesmente, Mironov não devia (na entrevista) ter empregue três vezes o nome de Putin num contexto negativo”.
A troca de palavras entre representantes do partido Rússia Unida e Mironov tem sido muito dura, o que não é habitual entre políticos de alto nível na Rússia.
Cristina Mestre

Cristina disse...

Caro MSantos
A imprensa russa dá alguns pormenores sobre as razões do conflito entre Serguei Mironov e Vladimir Putin, oficialmente a segunda e a terceira personalidades mais importantes da Rússia.
Há jornalistas que dizem que o partido governante, liderado por Putin, há muito que está descontente com Mironov por o seu partido (Rússia Justa) ter votado contra o Orçamento Federal e contra as medidas anti-crise apresentadas pelo primeiro-ministro. Na sua recente viagem ao norte do país, Mironov propôs isentar de IRS os habitantes desta região, acrescentando que, “naturalmente, o Governo não vai deixar”. Em vez de ser uma figura de Estado leal ao Governo, Mironov estará a posicionar-se como um líder de oposição, o que não agrada a Putin.
O presidente da câmara alta do Parlamento chegou até a dizer que o ataque à sua pessoa seria uma forma de desviar as atenções de “uma coisa muito desagradável para o partido governante” (Mironov referia-se à recente manifestação contra o Governo em Kalininegrado).
Outros jornalistas referem que Mironov tem intenções de se candidatar às presidenciais de 2012 e poderá ser esse o motivo do conflito.
Há até um analista que escreve que “simplesmente, Mironov não devia (na entrevista) ter empregue três vezes o nome de Putin num contexto negativo”.
A troca de palavras entre representantes do partido Rússia Unida e Mironov tem sido muito dura, o que não é habitual entre políticos de alto nível na Rússia.
Cristina Mestre

Francisco Lucrecio disse...

Talvez este seja mais um episodia da guerra do alecrim e manjerona.
Sem qualquer efeito prático!

anónimo russo disse...

Anónimo disse...
"Off topic


Economia

Rússia, o país que encolhe
Com uma população declinante, o antigo império soviético vive problemas demográficos, econômicos e até existenciais - e talvez nem mereça mais fazer parte dos BRICs

Carolina matos


Matrioska: as bonequinhas que simbolizam a família e a fertilidade na Rússia remetem hoje a um grande problema do país: a população cada vez menor..."


Não notei esse comentário a tempo, vou tentar responder agora.


1."A quantidade de nascimentos vem caindo, a ponto de haver incentivo público em dinheiro para estimular casais a terem filhos."


Se alguem quer dar uma análise séria, deve se basear nos factos. È notório que a quantidade dos nascimentos aumentou nos últimos anos e em agosto do ano passado pela primeira vez nos últimos 20 anos foi registrado o aumento de população. Tambem, na Rússia existe problema da imigração, muitas vezes ilegal. E os funcionários do Serviço Federal de Migração apontam que nos proximos anos não vai haver decrescimento da população devido a afluencia de migrantes, mesmo se houver mais mortes do que nascimentos (dizem que ná Rússia há uns milhões de imigrantes não registrados). Nos últimos anos a quantidade de nascimentos tem aumentado a cada ano e a quantidade de mortes tem diminuido.

O "incentivo público em dinheiro para estimular casais a terem filhos" já existe na Rússia há uns anos. E isso é bom.

Só que para saber daquilo que referi é preciso pensar menos em "matrioskas", mas procurar e encarar os factos honestamente.

Uma das tabelas que mostra mais ou menos a tendéncia atual:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Population_of_Russia.PNG

Uns dados interessantes sobre a quantidade de nascimentos na R]ussia em comparaçao com outros países europeus:

https://www.cia.gov/library/publications/the-world-factbook/rankorder/2054rank.html?countryName=Russia&countryCode=rs&regionCode=cas&rank=178#rs

Pippo disse...

Cristina, é evidente que críticas aos líderes do Partido nunca são bem vindas, seja em que parte do Mundo for.

Ainda há uns quatro ou cinco dias atrás, aqui no burgo, três vice-presidentes da bancada parlamentar do PS (Strecht Ribeiro, Afonso Candal e Mota Andrade) foram publicamente "postos na linha" pelo Francisco Assis (líder da bancada) por terem feito, à revelia do grupo parlamentar, uma proposta para uma lei, uma simples proposta.
Este mero fait divers causou celeuma, deu origem a um enorme mal-estar, encheu tempo nos jornais, enfim, cá para mim serviu para desviar atenções, mas isso é outra história.

Imaginemos agora que eles tinham criticado abertamente o Sócrates. Será que se manteriam em funções? Penso que todos sabemos o que teria acontecido.

No caso relatado, se o indivíduo criticou abertamente o líder do Partido, é natural que seja saneado.
Na política, a fidelidade canina, misturada com uma bela dose de falta de princípios, é o segredo para uma vida longa. Infelizmente a política é assim.

anónimo russo disse...

Na minha opinião, isso é um PR de Mironov e nada mais, nenhuma "mão sangrenta de Putin". Não excluo que tudo podia ter sido combinado com a Rússia Unida. Rússia Unida foi criada como um instrumento para obter a maioria parlamentar para Putin poder conduzir a sua política com menos obstaculos e utilizou no seu tempo (a Rússia Unida) a popularidade de Putin. Mas sem Putin duvido que a Rússia Unida possa ser uma força politica com um grande futuro.

António Campos disse...

Cristina, por amor de deus, esta quezília foi encenada para desviar a atenção do público dos protestos de Kaliningrad e das razões subjacentes aos mesmos. E, claro, para demonstrar que a massa partidária criada pelo Kremlin afinal é "pluralista". Andarmos aqui a dissecar esta "dissidência" é cair na esparrela dos marioneteiros e deixá-los a rir às gargalhadas.

Aliás, e como seria de esperar num caso destes, as "facções beligerantes" apressaram-se a enterrar o machado de guerra e já são todos amigalhaços de novo.

Lembras-te dos outros protestos parlamentares de há uns tempos? A famosa birra do abandono do parlamento...

Tal como os americanos dizem, "Same shit, different day".

António Campos

António Campos disse...

Aliás, este Mironov não é aquele conhecido lambe-botas de Putin, que propôs o alargamento do mandato presidencial de 5 para 7 anos em 2008 e a criação de um "Museu de Putin", para promover investigação baseada no grande líder?

hm...

Cristina disse...

António
Os jornais russos analisam este conflito e o acordo anunciado ontem entre os dois partidos como uma vitória de Putin. Anteriormente, no auge do conflito, a Rússia Unida tinha já preparado uma queixa à Procuradoria contra Mironov por este, alegadamente, fazer pressão nos governadores. O partido de Putin pretendia também fazer aprovar na câmara baixa do Parlamento emendas à lei que regula do Conselho da Federação (que Mironov dirige), de modo a ele poder ser demitido pelo partido governante. Neste pano de fundo, teria sido Mironov a tomar a iniciativa de "fazer as pazes" com a RU, comprometendo-se a apoiar a linha da Rússia Unida em troca de algumas concessões nas candidaturas locais.
O politólogo Dmitri Orechkin sintetizou a situação desta forma:
"O acordo não faz falta aos dois partidos mas sim aos órgãos superiores, porque este escândalo de família bem comportada causa especialmente danos ao sítio de onde saem estas duas pernas".
(http://www.gazeta.ru/politics/2010/02/08_a_3321469.shtml)

Anónimo disse...

Pippo

Você esquece-se de uma coisa: o Mironov é de OUTRO partido.
Trata-se do partido governante a querer retirar do cargo de presidente do Parlamento o presidente de um OUTRO partido.
Não compare com o PS!
Este é um exemplo da famosa "democracia dirigida" na Rússia, ou melhor, de política bizantina.

MSantos disse...

Cristina

Obrigado pelos esclarecimentos.

Cumpts
Manuel Santos