sexta-feira, junho 11, 2010

A propósito da exportação de mísseis russos para o Irão


Na passada quarta-feira, o Conselho de Segurança da ONU aprovou um novo pacote de sanções contra o Irão, que proibem, nomeadamente, a venda de armamentos ofensivos a esse país.
A Rússia, o principal fornecedor de armas a Teerão, também aprovou as sanções, mas, pelos vistos, não tem especialistas capazes de avaliar o tipo de armamentos que fabrica e vende ao estrangeiro.
Senão, vejamos. Uma fonte do Kremlin, citada pelas agências russas, afirmou que as novas sanções do Conselho de Segurança das Nações Unidas contra o Irão impedem o fornecimento de mísseis russos S-300 à República Islâmica.
Tendo em conta que a fonte revelou ao mesmo tempo a informação a todas as agências russas, não restam dúvidas de que (a julgar pela tradição) se trata de uma notícia cujo fundamento é inabalável.
Porém, na véspera,  Andrei Nesterenko, porta-voz da diplomacia russa, (e, depois, Serguei Lavrov, ministro dos Negócios Estrangeiros) declarou que os fornecimentos de sistemas de defesa anti-aérea S-300 russos ao Irão não ficam sob a alçada da nova resolução do Conselho de Segurança da ONU sobre novas sanções contra esse país.
 “A resolução aprovada ontem (quarta-feira) pelo Conselho de Segurança contra o Irão contém referências às armas interditas de exportar para o Irão, posso dizer-vos que os mísseis DCA, excetuando os sistemas portáteis, não figuram na lista”, precisou o diplomata quando interrogado sobre o conteúdo da resolução.
Porém, Nesterenko recusou-se a responder à pergunta de se a Rússia irá ou não fornecer os complexos S-300 a Teerão.
 “Talvez essa questão deva ser comentada pelas nossas instituições militares e pelas estruturas que respondem pelos fornecimentos desses tipos de armas a países estrangeiros”, frisou.
Moscovo adiou várias vezes a entrega dos complexos S-300 a Teerão, o que tem provocado duras críticas da parte das autoridades iranianas.
Ontem também, a agência Interfax, citando “um alto representante do sistema de exportações de armamentos da Rússia”, anunciou que Moscovo suspende a cooperação técnico-militar com o Irão devido à resolução aprovada na véspera pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas.
“A decisão do Conselho de Segurança da ONU é de cumprimento obrigatório para qualquer país e a Rússia não é exceção. Claro que será congelado o contrato de fornecimento a Teerão dos sistemas de defesa antimíssil S-300”, declarou a fonte.
Em que ficamos? A bateria de mísseis anti-aéreos S-300 é uma arma ofensiva ou defensiva. Do ponto de vista do Irão e dos seus apoiantes, trata-se de uma arma defensiva, enquanto que Israel e os seus aliados a consideram ofensiva.
Isto faz lembrar uma velha e gasta anedota: uma pessoa perguntou à outra: “Qual é a diferença entre um penico e uma chávena?”. – “Não sei”, respondeu a outra. “Grande confusão vai em tua casa”, retorquiu a primeira.
Só que, neste caso, não se trata de louça, mas de armas bastante potentes. Por isso, vamos ficar à espera da lista de armas proibidas de exportar para o Irão, prometida pelo Kremlin.

31 comentários:

PortugueseMan disse...

Meu caro,

Vamos começar pelo principal: O sistema S-300 é ou não uma arma defensiva?

O sistema S-300 é uma arma defensiva e ninguém pode dizer o contrário.

Portanto a sua afirmação está incorrecta, NINGUÉM pode afirmar que o sistema S-300 é uma arma ofensiva.

PortugueseMan disse...

...Uma fonte do Kremlin, citada pelas agências russas, afirmou que as novas sanções do Conselho de Segurança das Nações Unidas contra o Irão impedem o fornecimento de mísseis russos S-300 à República Islâmica...

...Porém, na véspera, Andrei Nesterenko, porta-voz da diplomacia russa, (e, depois, Serguei Lavrov, ministro dos Negócios Estrangeiros) declarou que os fornecimentos de sistemas de defesa anti-aérea S-300 russos ao Irão não ficam sob a alçada da nova resolução do Conselho de Segurança da ONU sobre novas sanções contra esse país...

Ambas as afirmações estão correctas.

Portanto eu interrogo-me é se essa fonte do Kremlin, fez uma declaração ou respondeu a uma questão colocada por um jornalista e qual foi exactamente a pergunta e exactamente a resposta, porque acho que a asneira está aqui.

Jose Milhazes disse...

Caro PM, é pena na Rússia não terem a sua certeza.Não fui eu que disse se o sistema S-300 é ofensivo ou defensivo, mas altos funcionários russos que ora dizem que é ofensivo, ora dizem que não.
Trata-se de uma declaração de uma fonte do Kremlin, o que equivale (segundo a tradição) a uma declaração oficial.
Vamos esperar que a decisão do Kremlin não o desiluda.

PortugueseMan disse...

Caro JM,

Não fui eu que disse se o sistema S-300 é ofensivo ou defensivo, mas altos funcionários russos que ora dizem que é ofensivo, ora dizem que não.

Em nenhum lado do seu artigo, você indica que algum funcionário russo diga que o sistema é ofensivo.

Pode-me indicar algum site onde possa ver declarações oficais russas dizendo que este sistema é ofensivo?

Jose Milhazes disse...

Caro Pm, isso está implícito. Há vários especialistas que têm a opinião de que se trata de armas ofensivas. Se não houvesse dúvidas, não haveria tantas dúvidas.

PortugueseMan disse...

Caro JM,

Desculpe a minha insistência, mas não posso aceitar esse "implícito".

Isso parece-me ser uma conclusão sua e se está a fazer essa leitura está errada.

Não é a resolução em si que impede a venda do sistema, mas indirectamente permite à Rússia dizer que não pode cumprir com o contrato que fez com o Irão.

A decisão de não vender até hoje é uma decisão russa, que vai arranjando a cada ano que passa uma nova justicação para a não entrega do armamento. E este ano até fica um bocado dificil porque forneceu 15 destes sistemas à China.

Eu acho estranho que existam especialistas que façam afirmações de que este tipo de armamento é ofensivo. São exactamente especialistas do quê? pode-me indicar um ou dois que estejam a dizer uma coisa destas?

Jose Milhazes disse...

Caro PM, especialistas em assuntos militares.
Se não existem dúvidas, porque é que a Rússia não entrega as S-300 que já deviam estar no Irão?

Jose Milhazes disse...

Caro PM, num dos sítios sobre armas russas:http://www.kapyar.ru/index.php?pg=243 pode ler-se: "Он может одновременно обстреливать до шести целей с наведением на каждую цель до двух ракет, что резко снижает возможность цели избежать.
Traduzo: "Ele pode disparar sobre seis alvos, com dois mísseis contra cada um, o que reduz bruscamente a possibilidade do alvo de ser atingido".
Isto não é ofensivo?

Pippo disse...

JM, evidentemente que os S-300 (e os S-400) são armas de defesa anti-aérea, não são concebidos para projectar força para o exterior, portanto não são ofensivas.
Os S-300 têm sobretudo um enorme potencial dissuasor, mas isto apenas sob o ponto de vista defensivo, ou seja, impede ou dificulta a acção da força aérea inimiga (de Israel ou dos EUA) sobre o território iraniano.

Os S-300 poderão ser considerados como "armas ofensivas" se usadas num contexto de interdição aérea num espaço limítrofe ao iraniano (Iraque, Golfo Pérsico, Mar Arábico), ou seja, podem servir para atacar aviões que estejam de passagem FORA do espaço aéreo iraniano. Mas essa é uma utilização ad hoc que não corresponde ao objectivo para que o sistema foi concebido.

O que me parece que se está a passar é um jogo de palavras e duplos sentidos, por parte dos russos, para justificar a não venda do material ao Irão. Repare que a questão dos S-300 tem estado a ser usada como moeda de troca há bastante tempo. Os russos dizem que vendem mas depois adiam a venda, os iranianos vêem-se e desejam-se (até já andavam a dizer que iriam fabricar um sistema equivalente), e os israelitas e norte-americanos devem andar a prometer mundos e fundos aos russos para que estes empatem a venda das armas.

Não me espantaria se esta questão a que o JM vem dar tanto ênfase não fosse uma bela peça de teatro para americano ver.

Pippo disse...

Caro JM, lamento dizer-lhe mas isso não é ofensivo.

O carácter ofensivo de uma arma não é a sua capacidade de aquisição e destruição de alvos mas a função a que se destina.

Uma mina é uma arma teoricamente denesiva, seja ela anti-tanque ou anti-pessoal. Mas pode ser usada de forma ofensiva se for colocada, não em posições preparadas, mas num carreiro dentro do território In.

Um míssil anti-carro tem essa função, mas pode ser usado para destruir posições de infantaria ou mesmo para destruir aeronaves.

um avião tem capacidade de projectar força (e é utilizado nesse sentido), por isso é considerado uma arma ofensiva.

Um míssil SS tem carácter ofensivo porque se destina a projectar força sobre um inimigo que pode estar sossegadinho no seu território.

Uma arma defensiva destina-se a negar espaço ou acção a um inimigo que nos ataca, que tem a iniciativa.

Espero ter sido claro.

MSantos disse...

Tal como os leitores PortugueseMan e Pippo referiram, os sistemas de mísseis S-300 ou o seu análogo norte-americano Patriot são classificados essencialmente defensivos e contra isso não há qualquer dúvida.

Obviamente que os meandros da geopolítica mundial são capazes de transformar a terra num sólido quadrado.

Do ponto de vista dos EUA e Israel que encerram em si um potencial ataque ao Irão, o S-300 será uma arma ofensiva às suas forças de ataque ao sobrevoarem território iraniano.

Para o Irão, o S-300 será um sistema defensivo contra ataques americanos ou israelitas.

A Rússia está a fazer prolongar este processo e a adiá-lo no tempo o mais possível pois representa um trunfo em qualquer negociação com as potências ocidentais como muito bem o Pippo referiu.

Se depender da Rússia esta venda vai ficar em suspenso ad eternum sempre com a ameaça velada de se poder concretizar a qualquer momento.

Cumpts
Manuel Santos

PortugueseMan disse...

Caro JM,

O que Pippo explicou está mais que excelente.

E tenha em mente o seguinte, podemos catalogar as armas como ofensivas como defensivas, mas não deixam de ser ARMAS e as armas MATAM.

Mas temos situações e situações, como muito bem explica o Pippo.

Jose Milhazes disse...

Caro PM e companhia, não consigo entender neste caso qual a diferença entre arma ofensiva e defensiva.

MSantos disse...

Apenas mais um exemplo:

Serão os mísseis norte-americanos Patriot recentemente instalados na Polónia sistemas ofensivos?

Cumpts
Manuel Santos

Jose Milhazes disse...

Caro MSantos, se os patriot's forem disparados contra o território russo, serão armas ofensivas. Se lá estiverem para responder a um ataque, são defensivas.

Jose Milhazes disse...

"Em visita a Paris, o primeiro ministro russo, Vladimir Putin, confirmou a decisão de Moscovo de congelar a entrega dos S-300 a Teerão, indicou a presidência francesa", escreve a Lusa.

PortugueseMan disse...

Caro JM,

Queria fazer-lhe uma crítica sobre um parágrafo seu.

...Em que ficamos? A bateria de mísseis anti-aéreos S-300 é uma arma ofensiva ou defensiva. Do ponto de vista do Irão e dos seus apoiantes, trata-se de uma arma defensiva, enquanto que Israel e os seus aliados a consideram ofensiva...

Eu discordo em absoluto em andarmos a classificar as pessoas desta maneira. Eu digo, aliás, eu afirmo que é uma arma defensiva e no entanto por causa disso, você já me está a colocar uma etiqueta de que sou um apoiante do Irão.

Há muita gente que gosta de classificar as pessoas como sendo de uma coisa ou outra, consoante aquilo que se vai dizendo. Aqui já me classificaram de muita coisa, mas de apoiante do Irão, confesso que é a primeira vez e acho isso errado. Um pouco como Bush, quando andou a dizer que quem não está com a América está do lado dos terroristas. Ou concordas comigo ou és terrorista, é um rico exemplo democrático e tolerante...

Em relação ao facto de Israel e mais alguém apelidar de ofensivo ao S-300, também é uma percepção errada da sua parte.

Israel não quer é uma arma defensiva deste calibre nas mãos do Irão que coloque em causa um ataque Israelita.

E já agora a Rússia não despacha o sistema porque existe pressão por muitos lados e da mesma maneira que não despacha a central nuclear.

A principal razão da Rússia não fornecer este sistema, é porque o Irão não está a fornecer garantias para a central nuclear e a Rússia não quer que o Irão atinja o seu potencial nuclear às suas custas e muito menos quer equipar um país com sistemas destes para proteger a sua central.

Se por acaso o Irão tivesse logo comprometido com a Rússia em fazer um acordo sério sobre o retorno do combustivel nuclear e não andasse nestas coisas, neste momento já teriam a central a funcionar e o S-300 a protegê-la e não há nenhuma resolução que impeça isso.

Agora com o Irão a proceder assim, o problema russo é: como é que vão descalçar esta bota.

Jose Milhazes disse...

Caro PM, não estou a colocá-lo entre os apoiantes do Irão. Você compreendeu mal. O Irão e os seus aliados, queria dizer eu.
Quanto à decisão do Kremlin, Putin clarificou a situação: S-300 é uma arma pesada e não será fornecida.
Quanto ao comércio em torno destes mísseis e da central nuclear, é uma hipótese plausível, resta esperar os resultados, até que ponto o Irão e Moscovo irão esticar a corda.
A propósito, preste atenção ao que se passa no Quirguistão.

PortugueseMan disse...

Caro PM e companhia, não consigo entender neste caso qual a diferença entre arma ofensiva e defensiva.

Caro MSantos, se os patriot's forem disparados contra o território russo, serão armas ofensivas. Se lá estiverem para responder a um ataque, são defensivas.

Meu caro,

Não pense nesta arma como um canhão, que vai atirando por aí.

Estes sistemas foram criados para DEFENDER algo de muito importante.

Defesa de cidades, de locais estratégicos, o sistema protege ataques que venham do ar, sejam eles aviões ou mísseis.

Não é uma arma que seja utilizado para meios ofensivos, é um sistema caro, complexo, móvel mas dentro de certos parâmetros.

Se por exemplo o Irão decidir invadir alguém, não vai usar esta arma na ofensiva, pode quando muito usá-la posteriormente para defender posições, mas mesmo para isso existe sistemas com maior mobilidade e menos complexos.

Um sistema destes é principalmente para defender algo que não pode sair do lugar, como cidades, centrais, instalações estratégicas.

PortugueseMan disse...

...A propósito, preste atenção ao que se passa no Quirguistão...

Eu tenho andado a lançar o olho.

Anónimo disse...

Não malhem mais no Milhazes.

Wandard disse...

"Eu acho estranho que existam especialistas que façam afirmações de que este tipo de armamento é ofensivo. São exactamente especialistas do quê? pode-me indicar um ou dois que estejam a dizer uma coisa destas?"

PM,

Você está plenamente correto, qualquer "especialista" assim chamado que não saiba que o S-300 é um sistema defensivo, realmente não pode ser classificado como tal mas sim como leigo. Mostra não ter experiência militar e muito menos conhecimento sobre armamentos.

"Caro PM, num dos sítios sobre armas russas:http://www.kapyar.ru/index.php?pg=243 pode ler-se: "Он может одновременно обстреливать до шести целей с наведением на каждую цель до двух ракет, что резко снижает возможность цели избежать.
Traduzo: "Ele pode disparar sobre seis alvos, com dois mísseis contra cada um, o que reduz bruscamente a possibilidade do alvo de ser atingido".
Isto não é ofensivo?"

Caro Milhazes,

Com todo o respeito a própria tradução não faz alusão a capacidade ofensiva mas se à precisão do sistema.

"Caro PM e companhia, não consigo entender neste caso qual a diferença entre arma ofensiva e defensiva."

Um sistema ofensivo é projetado para ataque a alvos pré-determinados com objetivo de destruição, neutralização ou retaliação. ICBM'S são sistemas ofensivos assim como os mísseis antibalísticos são sistemas defensivos. Mísseis Patriot americanos aqui citados são defensivos assim com os sistemas Iskander russos são ofensivos.

Não sendo redundante pois o Pippo já comentou de forma valorosa, a venda dos sistemas S-300 ao Irã é uma carta na manga da Rússia no jogo de pressão contra os Estados Unidos. A Rússia jamais permitirá que o Irã seja atacado, a posição geográfica russa é muito mais favorável para a realização de uma intervenção e a conjuntura de forças que podem ser deslocadas é muito superior ao que os Estados Unidos possui no oriente médio. Se houvessem condições para os americanos e aliados invadirem o Irã já o teriam feito. Uma realidade tem de ser definitivamente aceita, os anos 90 ficaram para trás e os Estados Unidos não são mais a única superpotência militar.

Grande abraço,

Anónimo disse...

sr. jornalista fale daquilo que domina, se tiver algum...

é lamentavel ve-lo sempre a dizer alarvidades.

se é jornalista devia saber que antes de escrever devia procurar perceber minimamente do que fala, e se dá a sua opinião procure pelo menos tentar esconder a sua ignorancia.

mete dó o senhor.

luis

Pippo disse...

Na semana passada, três submarinos israelitas com capacidade balística* estiveram em manobras no Golfo Pérsico. Ou seja, ainda que meramente estejamos em exercícios, transpira-se a hipótese de uma acção ofensiva sobre território persa. Tal acção só pode ser levada a cabo se não houver sistemas de armas capazes de negar o espaço aéreo iraniano aos israelitas. Os S-300 têm essa capacidade, a Rússia sabe-o, e por isso usa a questão da venda como arma política. E faz bem, dentro do seu interessa nacional, pois mantendo a venda suspensa mantêm o seu poder negocial intacto.
Quem sabe se a retirada do apoio israelita à Geórgia (e alguns negócios russo-israelitas que estão a decorrer) não tem nada a ver com isso?

* traduzindo para si, JM, estes subs são armas ofensivas :O)

MSantos disse...

Lá está o Pippo a ser mauzinho!

:o)

Espero que esteja enganado mas acho que esses submarinos israelitas ainda vão causar muitos estragos.

Cumpts
Manuel Santos

Pippo disse...

Nasty, eheheh!

Pois, não sei se se trata apenas de uma ameaça (aliás, o facto da notícia ter "transpirado" serve essa função), mas o facto é que a aquisição, por parte de Jerusalém, de submarinos com capacidade balística não terá sido de todo inocente.

Se o panorama não muda, receio bem que o MSantos não esteja enganado.

MSantos disse...

Pippo

Pelo que sei, os submarinos israelitas são do tipo U212 alemães talvez um pouco mais antigos dos que Portugal vai receber.

Creio que os mísseis não são balísticos mas sim de cruzeiro.

O que é deveras preocupante não são meia dúzia de mísseis por submarino mas sim a forte possibilidade desses mísseis possuirem ogivas nucleares.

E Israel prepara-se para adquirir mais 3, análogos aos portugueses, com propolusão AIP.

Cumpts
manuel Santos

Pippo disse...

Tem razão, são de cruzeiro! Balísticos seriam "ligeiramente" mais potentes.

No caso em apreço, duvido muito que os israelitas fossem usar armas nucleares para atacar alvo no Irão. Se efectuando ataques cirúrgicos já incorreriam na fúria de meio mundo, o uso de armas nucleares votaria Israel ao estatuto de pária internacional ad aeternum.

PS - naturalmente, eles irão às compras na Alemanha, que é que produz os melhores submarinos não-nucleares. Os franceses tb são bons mas, como bem o diz o comandante da nossa esquadrilha de submarinos, no que toca aos não-nucleares, "os franceses não usam os submarinos que produzem, os alemães sim".

MSantos disse...

O inquietante de tudo é que os isrealitas estão activamente a fazer exercícios e a apostar forte nestes submarinos.

Se os mísseis que carregam forem convencionais, dado o seu escasso nº e o facto das ogivas causarem estragos limitados, não se consegue antever o importante valor militar que lhes estão a atribuir.

No entanto esse mesmo valor militar confirma-se se se tratarem de ogivas com alto poder destrutivo que só uma arma nuclear pode conseguir.

O grande problema é que os falcões isrealitas podem estar a sentir-se desesperados perante a iminência de um Irão nuclear (que na minha opinião já passou o "no returning point").

E homens desesperados cometem actos desesperados.

De relembrar que justificada ou injustificadamente, estes homens têm a "mentalidade de cerco".

Cumpts
Manuel Santos

MSantos disse...

Com o historial dos U-boat (cujos Type XXI foram armas revolucionárias) e dos Panzers, é natural que a Alemanha fabrique os melhores submarinos e um dos melhores carros de combate: o mítico Leopard 2.

Cumpts
Manuel Santos

Bremm disse...

Só complementando a discussão (que é antiga, peço desculpas por não poder acompanhar todas as postagens em tempo hábil):

Os S-300P são projetados para um alcance máximo de cerca de 92km, voando a quase 6570km/h e podendo atingir o alvo em menos de 1 minuto. O S500 que estará "saindo do forno" em breve, segundo especulações poderá voar por mais de 3000km (só não sei a velocidade de cruzeiro dele).

http://www.areamilitar.net/directorio/MIS.aspx?nm=165

Já o S-300PMU-2 tem alcance de quase 200km. E considerando que ele possui reboque próprio, é ideal para defesa antiaérea de países com boa malha viária.

Não entendo de mísseis, mas de balística entendo um pouquinho.