sexta-feira, setembro 17, 2010

Faleceu último embaixador soviético em Portugal




Guennadi Guerassimov, último embaixador da União Soviética em Portugal, faleceu na quinta-feira em Moscovo aos 80 anos de idade, informou a rádio Eco de Moscovo.
Guennadi Guerassimov nasceu a 03 de Março de 1930. Depois de terminar o Instituto de Relações Internacionais de Moscovo, trabalhou como jornalista. Entre 1983 e 1966, foi redator principal do semanário Novidades de Moscovo, um dos jornais mais envolvidos no apoio às reformas do dirigente soviético Mikhail Gorbachov.
Guerassimov ocupou, entre 1986 e 1990, o cargo de porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da URSS.
Em 1990, foi nomeado Embaixador da União Soviética em Lisboa, mas ocupou esse cargo apenas durante um ano, pois esse país desapareceu do mapa político em 1991.
Este diplomata soviético ficou conhecido mundialmente a 25 de Outubro de 1989 ao comentar um discurso de Eduard Chevarnadzé, ministro dos Negócios Estrangeiros da URSS, no programa televisivo “Good morning, America”.
Chevarnadzé anunciou a intenção  da URSS de não se ingerir nos assuntos internos dos outros países, incluindo os Estados do Tratado de Varsóvia.
No seu comentário, Guerassimov comentou com humor que a política externa da URSS seria regida pela “doutrina de Frank Sinatra”, tendo em vista a famosa canção do norte-americano “I Did It My Way”.
Esta política veio substituir a política da “soberania limitada” do dirigente soviético Leonid Brejnev.
Após regressar de Lisboa, o embaixador voltou ao jornalismo, publicando artigos sobre política externa em vários órgãos de informação russos.

3 comentários:

Cristina disse...

JM
Não será política de "soberania limitada"?

Jose Milhazes disse...

Cara Cristina, obrigado. Já está emendado.

Anónimo disse...

Tive oportunidade de o conhecer em Lisboa, durante a sua missão como Embaixador, e recordo um homem inteligente e perspicaz, e um conversador notável; a ele devo a frase que porventura melhor comenta as confusões resultantes da desagregação da União Soviética, quando me confessou, com um sorriso melancólico, que não tinha a certeza de quantos estados representava naquele exacto momento...