quinta-feira, fevereiro 24, 2011

Mercenários ucranianos combatem na aviação líbia


Ucranianos estão a combater na Força Aérea da Líbia. Terão sido esses pilotos mercenários a conduzir os aviões que bombardearam manifestantes para reprimir protestos.
"Pilotos mercenários ucranianos combatem na Força Aérea da Líbia, escreve hoje o diário "Segodnia", citando militares ucranianos na reserva que realizaram esse trabalho naquele e noutros países africanos.
"Os nossos pilotos, que se despediram da Força Aérea da Ucrânia, podem ser encontrados em toda a parte: Congo, Nigéria, Chade... Eu conversei pessoalmente com pilotos nossos que prestam serviço na Líbia. A maioria combate ilegalmente", declarou ao jornal Vladimir L., comandante do avião de transporte Il-76.

Ucranianos e russos


"Oficialmente, eles são contratados, por exemplo, para empresas de transporte de alimentos e outras mercadorias civis. Na prática, transportam fundamentalmente armas, munições, explosivos", explicou o piloto. 
Segundo a mesma fonte, "as tripulações são constituídas fundamentalmente por ucranianos e russos" e o seu "salário, dependendo da intensidade dos voos e do nível de risco, varia entre os 100 dólares por hora de voo e os 10 mil por mês, ou mais". 
Artiom, outro piloto mercenário com mais de 20 anos de prática, disse ao Segodnia que há pilotos ucraninos nas fileiras da Força Aérea da Líbia, Moçambique e Angola. 
"Um camarada meu, primeiramente, trabalhou em Angola: ensinava os locais a voar nos MIG's, fornecidos ainda pela URSS. Depois, foi para a Líbia, pois lá pagam bem melhor: dez mil dinares (mais de 8 mil euros)... Ele ensina os aviadores líbios a voar nos Mig's". contou. 
Segundo Artiom, aviões militares líbios são reparados na Fábrica de Aviões de Odessa, no Sul da Ucrânia.  A gerência da fábrica, contatada pelo jornal, respondeu que "isso é segredo de Estado". 
O Ministério da Defesa da Ucrânia, por sua vez, desmentiu estas notícias, mas os pilotos afirmam que isso é feito porque não há dados oficiais sobre o número de pilotos ucranianos que trabalham no estrangeiro.
A agência de inteligência norte-americana Stratfor denunciou que ucranianos pilotaram aviões que bombardearam manifestações na Líbia. 

12 comentários:

MSantos disse...

Nos combates entre Angola e a África do Sul no final da década de 80, havia rumores da existência de pilotos portugueses a pilotarem MIG-23 e MIG-21 angolanos.

Cumpts
Manuel Santos

Pippo disse...

Obrigado.
Não deixa de ser uma notícia merecedora de reflexão.

Francisco Lucrecio disse...

Doutor Milhazes é preciso algum cuidado quando se lida com este tipo de noticias. Porque no meio deste caos , todas as partes envolvidas têm interesse em espalhar desinformação, com a finalidade de gerar ainda mais confusão.

Ainda esta noite (24) ouvi um relato em direto a partir da fronteira da Libia/Tunisia dizendo que essa noticia não é veridica (bombardeamento de manifestantes com recurso a aviões), o mesmo jornalista afirmou que em contatos que manteve com Tripoli também desmentiram essa versão. O Embaixador Português em Tripoli foi da mesma opinião.

Concordo que o Doutor Milhazes expressa opiniões recolhidas das suas fontes. No entanto sabe muito melhor que eu, antes de se publicar qualquer noticia há que confirmar a sua veracidade. Não é republicando boatos que se presta uma boa informação.

No entanto face à presente situação há algumas conclusões que podemos tirar sem margem para erros. Que Kadaffi é capaz de cometer esse tipo de violência não tenha-mos duvidas. Que os confrontos têm sido renhidos nalguns locais também não. E que existem muitos agentes externos envolvidos de parte a parte também não.

Cumprimentos.

Jose Milhazes disse...

Sr. Francisco Lucrécio, se ler o artigo com atenção, constatará que lá se encontram opiniões diversas, nomeadamente o desmentido do ministério da defesa da ucrânia. Como você deve saber, depois do fim da URSS, milhares de militares soviéticos ficaram desempregados e foram trabalhar com contrato ou sem para várias regiões do mundo.
Quanto aos apoiantes de Khadafi, você tem muita razão, mas esqueceu-se de dizer que as autoridades soviéticas o receberam de braços abertos enquanto eles chacinava os comunistas locais, tal como aconteceu na Indonésia, Iraque, etc., etc.
Na política externa não há moral, mas interesses.

Cristina disse...

Não é de estranhar que existam ex-militares ucranianos a combater na Líbia, pois se até eu encontro inúmeros em Portugal, homens na casa dos 40-50 anos, que por diversas razões( especialmente, as económicas) tiveram de sair do país. Aqui claro que não aplicam a sua "experiência militar" mas noutros locais poderão perfeitamente fazê-lo.

Pedro disse...

"Na política externa não há moral, mas interesses."

100% de acordo.

Ainda há dias escrevi isso.

As pessoas são facilemnte manipuladas porque vestem uma determinada camisola. E vestindo uma camisola passam a processar a informação de forma condicionada.
É como os adeptos de futebol. Só vem faltas e penaltis que prejudicam a sua equipa.

A Geopolitica de interesses é algo completamente imundo, sem o minimo de valores. Os actores dessa geopolitica estão-se completamente nas tintas para os mortos, os desalojados e para milhões de pessoas que vivem em péssiams condições.

Eu já disse uma vez que os USA não tem qualquer problema em apoiar um regime comunista, desde que ele satisfaça os seu interesses.
Tal como vemos alguns algusn paises comunistas/Socialistas a simpatizar com regimes religiosos como o irão e outros.

Quem quiser ver estas coisas apenas de um prisma mais tarde ou mais cedo tem de engolir sapos.

Gilberto Mucio disse...

"Na política externa não há moral, mas interesses."

Sim, Fidel e Chavez estão apoiando Kadafi.

(A Venezuela tem vários contratos de cooperação com Kadafi)

Mais imoral impossível.

Francisco Lucrecio disse...

Gilberto. Isso é uma bagatela comparado com os negócios que as transnacinais Europeias, Brasileiras e outras, mantêm com a Libia. Sabia?

E eu a pensar que o Gilberto
não distribuia presentes envenenados?

Afinal estava enganado.

FAB FLANKER disse...

MIG neles!

Gilberto Mucio disse...

Caro Francisco,

O que eu estava estava a dizer é que é uma vergonha Fidel e Chavez se dizerem "socialistas" e apoiarem Kadafi -- um tirano vendido ao imperialismo -- por causa de 1/2 dúzia de contratos comerciais e de cooperação.

Isso é imoral. Fidel e Chavez são safados.

Outros países(a começar por EUA) -- e empresas transnacionais, etc -- fazerem negócios, lucrarem às custas de ditadores... isso nunca foi novidade.

É regra.

Francisco Lucrecio disse...

Caro Gilberto!
Primeiro que tudo desejo esclarecer qual a minha opinião sobre o que se está a passar na Líbia, não é diferente daquela de quem sempre repudiou e condenou a tirania de Kadhafi. Que é o oposto daqueles que só agora tomaram “consciência” que o povo Líbio estava submetido a uma ditadura.

Portanto há muito tempo que eu sei que Kadhafi e todos os dirigentes (sem excepção da orla sul do Mediterrâneo, países Árabes e do mundo Islâmico em geral até à fronteira da China) , têm governado de forma ditatorial, com o consentimento e o apoio das ditas democracias Ocidentais. É uma realidade evidente há muitas décadas conhecida . Foi preciso a rebelião desses povos com centenas de mortos, para se “saber” disto.

Por essa razão quando tenta associar Chavez e Fidel a esta situação não está a ser justo e em certa medida desvia-se da verdade. Não creio que o faça intencionalmente. Talvez devido ao facto de não conhecer em pormenor os jogos de interesses que se movem na região geoestratégica e geoeconómica mais importante do globo.

No entanto se estou a errar, agradeço que me corrija, e me diga qual o domínio e a influência que Cuba e a Venezuela têm tido nessa região? E porque considera os seus dirigentes uns safados?

Caro Gilberto uma certeza pode ter. Kadhafi não deve travar os acontecimentos na Líbia, isso seria um sério revés para o prosseguimento da luta dos povos. Mais; essa luta também não pode ser controlada nem dirigida por aqueles que sustentaram esses fantoches agarrados ao poder durante tantos anos. Que é o caso da Internacional Socialista. Rasmunssem, Berlosconi, Sarkozy, Cameron e outros com as mesmas responsabilidades nas injustiças e nos crimes cometidos já estão a tentar manobrar os acontecimentos, com o objectivo de não perderem o controlo da situação.

Quem deve decidir os seus destinos são os povos vitimas dos interesses do grande capital financeiro, basta de interferencias externas.

Afinal existiam (existem) ditaduras e milhares de presos políticos aqui às portas da Europa.

Mas isso não convém divulgar, para manter as populações na ignorância. Convém rotular de ditadores aqueles que não se submetem aos ditames do capitalismo representado por o BM, FMI e todos aqueles que promovem o saque e a rapina do produto de quem trabalha.

O Egito é o exemplo flagrante disso, 50% da população vive com menos de dois dólares por dia, enquanto Mubarak acumulou uma fortuna superior a 50MM de €.

Cumprimentos

Jest nas Wielu disse...

Nada posso dizer sobre Líbia / Angola, mas a notícia sobre Moçambique não corresponde minimalmente a verdade. 1) Não há pilotos ucranianos em Moçambique; b) Moçambique neste momento não possui a força aérea…