sábado, abril 09, 2011

Imagens da minha terra

Já em Moscovo, posso dizer que regressei pessimista quanto ao futuro do meu país. Os meus amigos russos que me acompanharam na visita ao Norte: Póvoa de Varzim, Caxinas, Porto e Barcelos perguntaram-me várias vezes: como é possível levar à falência um país tão bonito, com um clima e um povo fantásticos? 
Respondi apenas que o problema de Portugal seja o mesmo da Rússia: as élites políticas dos dois países são medíocres, cleptomaníacas e egoístas. Os nossos políticos são fabricados nas juventudes partidárias e muitos deles nunca trabalharam na vida real a não ser fazer política.
Mas os encontros com as pessoas leva-me a acreditar que nem tudo está perdido.
Entrei num café (não fixei o nome, apenas me recordo que tinha publicidade do vinho Porto Cruz) perto das caves do Vinho do Porto em Gaia para beber umas águas e a dona pronunciou:
- Acaba de chegar Abramovitch!
Olhei para o lado e só depois entendi que ela se dirigia a mim. Trocámos um dedo de conversa. 
- Vim comprar o Futebol Clube do Porto!, respondi eu, o que provocou um largo riso no seu rosto.
Ela disse-me que gostava muito de São Petersburgo, pois lera o romance "Crime e Castigo" de Fiodor Dostoevski e esperava um dia visitar os lugares palmeados pelas personagens dessa obra.
Recomendei-lhe a visitar essa cidade na noite de São João, em Junho, na época das "noites brancas".
- Nessa altura, não posso, pois tenho de vender sardinhas assadas na Noite de São João. Não posso fechar o café, retorquiu ela.
- Não faz mal, pode ir noutra altura, acrescentou.
Os meus amigos russos aproximaram-se e a conversa continuou amena...



3 comentários:

J.BRASIL disse...

É mais simples colocar culpa nas elites do que no povo para explicar o fracasso de uma nação quando comparada com a qualidade de vida de outra. No Brasil aprendi a dividir a culpa entre o eleitorado e os políticos; está longe o tempo em que descia o porrete somente nos últimos.Em 2001 percebi que as Casas Legislativas Brasil afora eram o retrato médio da qualidade moral e intelectual do indivíduo. Também assim deve ser Portugal; assim também deve ser a Alemanha. Isso é válido principalmente para as nações em que a democracia permite o livre estudo e a livre expressão, visto que qualquer um pode pesquisar e desenvolver qualidades intelectuais e políticas capazes de influenciar minimamente,mas influenciar positivamente, parte do conjunto social. Uma nação vai praticar sempre uma Política Econômica que represente , guardando a devida proporcionalidade de influência entre classes socias, uma linha de pensamento que vige em seus indivíduos - a reação do operário alemão a Política Fiscal do governo depois da crise de 2008 serve, no geral, como exemplo.

A sanha gastadeira na Política Fiscal tem como fim a sedução do eleitor por causa do precioso voto que é fator de poder político para pessoas e instituições; isso é bem reconhecido na História da Política Econômica dos países. Aqui, como em Portugal hoje, a coisa fica balançando, pois o povão é avoado e não sabe o suficiente para se posicionar em suas preferências partidárias.

Quando uma liderança política compreende que tem que haver uma restrição fiscal semestres a fio para o equilíbrio das Contas Públicas, tudo quanto é organização põe-se a clamar contra o arrocho, contra o desemprego, contra isso e aquilo, etc. e tal. Penso que a expansão fiscal só se justifica em traumas sociopolíticos graves; fora essas anomalias não se deve ter dó ou piedade, pois a ação necessária deve se pautar pela tecnicidade visando o equilíbrio. O que não for feito agora vai ter que ser feito com maiores sofrimentos pois.

A moeda moderna foi a maior revolução dos últimos tempos, pois traduzida em sistemas financeiros complexos e eficientes, em créditos e investimentos, naturalmente perseguindo o lucro, dinamizou a atividade econômica possibilitando uma riqueza média entre pessoas, nunca antes experimentado na História. Mas ela não é uma coisa milagrosa,ou aleatória ao pensamento objetivo, material e lógico. Seu uso tem que ser, como tudo nesse mundo, com equilíbrio.

Jose Milhazes disse...

Caro J.Brail, estou completamente de acordo e considero que cada povo tem o governo que merece.

Gilberto Mucio disse...

"Não existe almoço de graça"

"Profetas são os que conseguem prever o óbvio"

Duas frases clichês, mas que se aplicam perfeitamente nesse caso.

A conta chegou.

Portugal vendeu sua soberania a Bruxelas.

Agora vendeu o que restava ao FMI.

A tendência é continuar de joelhos. A não ser que haja uma Revolução.