quarta-feira, julho 06, 2011

Blog do leitor (A Evolução da Liderança russa)



Por Lauren Goodrich
traduzido pelo leitor Pippo

A Rússia entrou em período eleitoral, com eleições parlamentares em Dezembro e eleições presidenciais em Março de 2012. Normalmente, isso não é uma questão preocupante, dado que a maioria das eleições russas foram concebidas desde 2000 para guindar um determinado candidato ou um partido político ao poder. Contudo, nesta época de eleição, mudanças interessantes estão a ocorrer. Enquanto à superfície podem assemelhar-se a disputas políticas e a instabilidade, na realidade estas representam o próximo passo na consolidação da liderança russa do Estado.

Na década passada, uma pessoa tem consolidado o sistema político na Rússia: o ex-presidente e actual primeiro-ministro Vladimir Putin. A ascensão de Putin à liderança do Kremlin marcou o início da reconsolidação do Estado russo depois de uma década de caos que se seguiu à queda da União Soviética. Sob o predecessor presidencial de Putin, Boris Yeltsin, os bens económicos estratégicos da Rússia foram pilhados, a principal força do país - a KGB, agora conhecido como o Serviço Federal de Segurança (FSB), e o aparelho militar - entrou em decadência, e o sistema político ficou em desordem. Embora a Rússia fosse considerada uma democracia e um novo amigo do Ocidente, isto ocorreu apenas porque a Rússia não teve outra opção - era um país quebrado.


Percepções de Putin

O objectivo de Putin era corrigir o país, o que significava restaurar o controle do Estado (politicamente, socialmente e economicamente), fortalecendo o FSB e os militares e restabelecer a influência da Rússia e a sua reputação internacional - especialmente na antiga esfera de influência soviética. Para isso, Putin tinha que levar a Rússia através de uma evolução complexa que envolveu alternar a posição do país entre uma postura de acomodação e uma postura agressiva em momentos específicos. Isto levou a uma mudança na percepção global de Putin, dando início a que muitos vissem o antigo agente do KGB como um autocrata duro interessado em reacender as hostilidades e renovar a militarização.

Essa percepção de Putin não é totalmente correcta. Apesar de ser um autocrata e agente da KGB (usamos o tempo presente uma vez que Putin afirmou que ninguém é um ex-agente da KGB ou FSB), Putin vem de São Petersburgo, a cidade mais pró-Ocidente da Rússia, e durante a era soviética o serviço do qual ele foi incumbido no KGB foi o de roubar tecnologia ocidental. Putin compreende plenamente a força do Ocidente e de que o conhecimento ocidental é necessário para manter a Rússia relativamente moderna e forte. Ao mesmo tempo, o seu tempo no KGB convenceu-o de que a Rússia nunca pode ser verdadeiramente integrada no Ocidente e que poderia ser forte apenas com um governo, economia e serviços de segurança consolidado e um líder único e autocrático.

A compreensão que Putin tem da Rússia e das suas duas grandes fraquezas enferma a sua mundivisão. A primeira fragilidade é que a Rússia tem uma geográfica complicada. É inerentemente vulnerável porque está rodeada por grandes potências das quais não está isolada por barreiras geográficas. A segunda é que sua população é composta por numerosos grupos étnicos os quais nem todos estão felizes com o centralismo do Kremlin. A mão forte é o único meio para consolidar o país internamente ao mesmo tempo que permite repelir estranhos.

O outro grande desafio é que a Rússia não tem, essencialmente, uma base económica para além de energia. O seu sistema de transporte grosseiramente subdesenvolvido impede o trânsito de mercadorias entre os dispersos centros económicos do país. Isto levou Moscovo a contar com a receita de uma fonte, a energia, enquanto o resto da economia do país tem ficado décadas para trás em termos tecnológicos.

A geografia, os desafios demográficos e económicos levaram a Rússia a alternar entre ser agressivo para manter o país seguro e acomodar-se com potências estrangeiras numa tentativa de modernizar a Rússia.

Provindo de grupos que conheciam estes desafios, Putin sabia que um equilíbrio entre estas duas estratégias era necessário. No entanto, a Rússia não poderia simultaneamente seguir estes dois caminhos, o de acomodar-se e ligar-se ao Ocidente, e o de uma Rússia autoritária e consolidada, a menos que primeiro se tornasse um país forte e seguro, algo que só aconteceu recentemente. Até então, a Rússia teve de alternar entre cada um daqueles caminho de forma a construir o país - o que explica a percepção pública de Putin na última década de presidente pró-ocidental a presidente autoritário agressivo. Ela também explica a visão recente do sucessor de Putin como presidente, Dmitri Medvedev, como democrático e agradável quando comparado a Putin.

Porém, nenhum dos líderes é uma coisa ou outra: ambos tiveram os seus momentos, na política interna e externa, em que, ou foram agressivos, ou optaram pela acomodação. A disposição que eles mostram ter não depende de personalidades, mas sim do status de força da Rússia.


Mudanças de Putin

Putin, que não tinha escolha a não ser apelar ao Ocidente para ajudar a manter o país à tona quando ele assumiu o cargo em 2000, inicialmente foi saudado como um parceiro fiável do Ocidente. Mas, mesmo enquanto o ex-presidente dos EUA, George W. Bush estava elogiando a alma de Putin, nos bastidores, este já estava a reorganizar uma das suas melhores ferramentas - o FSB - a fim de começar a implementar a plena consolidação estatal.

Após o 11 de Setembro, Putin foi o primeiro líder estrangeiro a telefonar a Bush oferecendo toda a ajuda russa. A data marcou uma oportunidade, tanto para a Rússia como para Putin. Os ataques contra os Estados Unidos mudaram o foco de Washington, amarrando-o ao mundo islâmico durante toda uma década. Isto deu à Rússia uma janela de oportunidade que ela aproveitou para acelerar a repressão no interior (e mais tarde no exterior) da Rússia, sem medo de uma resposta ocidental. Durante todo este tempo, o Kremlin expulsou empresas estrangeiras, nacionalizou bens económicos estratégicos, encerrou organizações não-governamentais, purgou jornalistas anti-Kremlin, proibiu muitos partidos políticos anti-Kremlin e lançou uma segunda guerra na Chechénia. A percepção ocidental da amizade de Putin e da sua postura enquanto líder democrático, subitamente, evaporou-se.

A Rússia já estava solidificando a sua força em 2003, altura em que o Ocidente constatou o ressurgimento seu ex-inimigo. O Ocidente, posteriormente, iniciou uma série de movimentações, não para enfraquecer a Rússia internamente (dado que agora isso seria muito difícil), mas para conter o poder russo dentro das suas próprias fronteiras. Isto gerou um período altamente controverso entre os dois lados durante o qual o Ocidente apoiou as “revoluções coloridas” pró-ocidentais em vários dos Estados ex-soviéticos, enquanto a Rússia iniciou a agitação social e campanhas de caos político e cortes de energia contra vários desses mesmos Estados. Os dois lados entraram mais uma vez em sério desacordo, sendo agora a esfera da antiga União Soviética o campo de batalha. Como é mais fácil para a Rússia manobrar dentro dos Estados da antiga União Soviética e com um Ocidente preocupado com o mundo islâmico, Moscovo ganhou a partida. Em 2008, o Kremlin estava pronto para provar a esses Estados que o Ocidente não seria capaz de combater a agressão russa.

Agora, porém, o Kremlin tinha um novo presidente, Medvedev. Como Putin, Medvedev também é do clã de São Petersburgo. Ao contrário de Putin, ele é advogado de formação, com padrões ocidentais, e não um membro da KGB. Á época, a entrada de Medvedev no Kremlin foi recebida com estranheza, uma vez que Putin tinha preparado outros potenciais sucessores que compartilhavam a sua experiência no KGB. Putin, no entanto, sabia que em poucos anos a Rússia teria de mudar novamente de ter apenas uma postura agressiva para uma nova postura que exigiria um tipo diferente de líder.


O novo pragmatismo de Medvedev

No momento em que assumiu o cargo, a actual reputação de Medvedev de pessoa dialogante e pragmática ainda não existia. Em vez disso, ele continuou a política de levar a Rússia para a frente dando um dos mais audaciosos passos até à data - a guerra entre a Rússia e a Geórgia. Além da guerra, Medvedev também ordenou publicamente o deslocamento de mísseis balísticos de curto alcance para o enclave russo de Kaliningrado, na fronteira com a Polónia, e para a Bielorrússia, de forma a contrariar os planos dos EUA para a defesa contra mísseis balísticos. Medvedev também supervisionou as contínuas disputas com os Estados bálticos em torno do petróleo. Apesar de ser totalmente diferente em termos de comportamento e temperamento, Medvedev continuou as políticas de Putin. Muito disso foi porque Putin ainda está muito no comando do país, mas tal também se deveu ao facto de Medvedev também entender a ordem em que a Rússia opera: segurança em primeiro lugar, o pragmatismo com o Ocidente depois.

Em 2009, a Rússia já tinha provado o seu poder na sua esfera directa e assim começou um abrandamento conducente a uma nova política externa e interna de dualidade. Somente quando a Rússia é forte e consolidada é que ela pode deixar de ser totalmente agressiva e adoptar essa postura dual de hostilidade e simpatia. Para conseguir isso, a definição de um "tandem" entre Putin e Medvedev tornou-se mais definida, tendo Putin como o executor e a “mão forte”, e Medvedev sendo o negociador pragmático (para os padrões ocidentais). À superfície, isso originou o que parece ser uma política externa e interna bipolar, com a Rússia ainda se movendo agressivamente em países como o Quirguistão, enquanto forma uma parceria mutuamente benéfica com a Alemanha.

Com as eleições a aproximarem-se, o "tandem" Medvedev-Putin parece estar ainda mais em desacordo à medida que Medvedev derroga muitas das políticas postas em prática por Putin no início de 2000, como a proibição de certos partidos políticos, a possibilidade das empresas estrangeiras de trabalharem em sectores estratégicos e o papel da elite do FSB dentro da economia. Apesar do aparente conflito, estas mudanças fazem parte de uma estratégia global compartilhada por Putin e Medvedev para concluir a consolidação do poder russo.

Essas mudanças mostram que Putin e Medvedev já sentem, com alguma confiança, que foi atingido o primeiro imperativo político [segurança], pelo que eles podem agora enfrentar o segundo problema inerente ao país: a falta da tecnologia moderna e a falta de uma base económica. Mesmo com a produção russa de energia no seu auge, as suas tecnologias no campo energético precisam de uma renovação, o mesmo se passando em todos os outros sectores, especialmente os do tráfego e o das telecomunicações. Mas tamanha modernização não pode ser feita sem ajuda externa. Isto foi constatado em esforços similares ​​ao longo da história russa, quando outros líderes fortes como Pedro, o Grande e José Estaline foram forçados a trazer ajuda externa, quando não mesmo uma presença pura e simples, de forma a modernizar a Rússia.

A Rússia, assim, lançou uma modernização a vários anos e com planos de privatização de forma a trazer dezenas, se não centenas, de bilhões de dólares para catapultar o país em termos tecnológicos e para diversificar a sua economia. Moscovo tem também de firmar acordos com países seleccionados - Alemanha, França, Finlândia, Noruega, Coreia do Sul e até mesmo os Estados Unidos – de forma a que cada sector possa usar as ofertas económicas para atingir os objectivos políticos.

No entanto, isso criou dois grandes problemas. Primeiro, os governos estrangeiros e as empresas estão hesitantes em fazer negócios num país autoritário, com um registo de expulsão de empresas estrangeiras. Ao mesmo tempo, o Kremlin sabe que não pode diminuir a sua influência dentro da Rússia sem se arriscar a perder o controle sobre seu primeiro imperativo que é o da segurança. Por essa razão, o "tandem" está a implementar de um complexo sistema para garantir a manutenção do seu controle ao mesmo tempo que mantém a sua aparência mais democrática.


A aparência de Democracia

A primeira jogada é a de fortalecer o partido no poder - Rússia Unida -, permitindo mais independentes dos partidos políticos. O Rússia Unida já tem muitos sub-grupos que representam as facções mais conservadoras, as facções liberais e organizações de juventude. As organizações de jovens também têm vindo a trabalhar na formação das novas gerações pró-Kremlin para que estas assumam, nas décadas por vir, os objectivos do actual regime de forma a que estes não sejam abandonados. No últimos meses, novos partidos políticos começaram a surgir na Rússia - algo raro nos últimos anos. Anteriormente, qualquer partido político que não fosse o Rússia Unida eram tidos como desleais ao Kremlin e como tal silenciados na sua maior parte. Além do Rússia Unida, apenas três outros partidos políticos na Rússia têm uma presença no governo: o Partido Comunista, o Apenas a Rússia e o Partido Liberal Democrático da Rússia. Todos são considerados tanto pró-Kremlin como formações irmãs do Rússia Unida.

Embora esses novos partidos políticos pareçam operar longe das garras do Kremlin, isto é apenas para inglês ver. O mais importante partido a surgir é o novo Causa Justa, lançado pelo oligarca russo Mikhail Prokhorov e cujo objecto é o de apoiar os negócios estrangeiros e os esforços de modernização no país. No início, o partido foi concebido para ser liderado pelo assessor económico de Medvedev, Arkadi Dvorkovich, ou o Ministro das Finanças, Alexei Kudrin. No entanto, o Kremlin pensou que ter um dos seus membros a liderar um novo partido "independente" iria contra o propósito de mostrar um novo lado democrático na esfera política russa. Prokhorov raramente demonstrou aspirações políticas, mas ele tem uma relação de trabalho com o Kremlin. Ele claramente recebeu ordens para ajudar o Kremlin nesta nova exibição de democracia, e qualquer oligarca que sobrevive na Rússia sabe seguir as ordens do Kremlin. O Kremlin agora vai diminuir o limiar para ganhar representação no governo, na tentativa de trazer esses partidos "independentes" para dentro do governo.

A parte seguinte do novo sistema político é uma organização ambígua, recentemente anunciada por Putin, a Frente Popular. A Frente Popular não é propriamente um partido político, mas sim uma organização destinada a unir o país. Membros da Frente Popular incluem sindicatos, proeminentes organizações sociais, lobbies económicos, grandes empresas, indivíduos e partidos políticos. Em suma, quer que queira ser visto como pró-russo faz parte da Frente Popular. À superfície, a Frente Popular tem tentado permanecer como algo vago, evitando ser vista como uma organização destinada a substitui os partidos políticos e as suas facções. Ela cria um sistema no qual o poder no país não está num cargo político - como a Presidência ou o Governo - mas sim com a pessoa que supervisionar a Frente Popular: Putin.

Assim, após uma década de autoritarismo, agressão e nacionalismo, a Rússia tornou-se mais uma vez forte, tanto a nível interno como regional, de tal forma que está confiante o suficiente para mudar políticas e planear o seu futuro. O novo sistema é projectado para que a Rússia possa ter uma política dúplice face ao estrangeiro, atraia grupos não-russos de volta para o país e pareça globalmente mais democrática, ao mesmo tempo que toda a política é cuidadosamente gerida nos bastidores. É um pluralismo gerido, não por um Presidente ou Primeiro-Ministro, mas por uma pessoa tida mais como sendo o líder da Nação e não apenas como o chefe de Estado. Em teoria, o novo sistema destina-se a permitir que o Kremlin mantenha o controle de ambas as estratégias de abertura ao exterior, para manter a Rússia moderna e forte, e simultaneamente tentar garantir que o país também está sob um controle firme e seguro durante os próximos anos.
Se o “tandem” ou o líder da Nação conseguirão equilibrar um sistema tão complexo e vencer os problemas que permanentemente atravessam a Rússia, essa é a questão que permanece em aberto.

30 comentários:

Gilberto Mucio disse...

A verdade é que não há concorrência. Por incompetência da própria oposição.

A oposição liberal é totalmente desmoralizada.

Está intimamente ligada "aos anos 90". Época de maior farra e corrupção da história mundial.

Nem adianta, nunca seriam eleitos à presidência, em hipótese alguma.

E no caso da oposição de esquerda -- os "comunistas" de Ziuganov, também são desmoralizados, pois, na práxis, não fazem oposição. O partido é caquético, burocratizado, não tem tanta sabe social, não tem militância, não tem nada... É só um bando de velhos burocratas que não sabem fazer política.

O único partido existente na Rússia é esse - o inoperante e inócuo KPRF.

O resto são grupelhos de conveniência eleitoral.

Não são jamais, em hipótese alguma, partidos de facto. Nem os liberais, nem muito menos a Rússia Unida(grupo de Putin).

Nessa conjuntura, não há saída. Enquanto Putin for vivo, ele vencerá qualquer eleição por falta de concorrência.

E nem adianta reclamar.

Gilberto Mucio disse...

ERRATA

«(...)(o KPRF)não tem tanta BASE social(e nem mesmo sindical)(...)»

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Ps.: Assistir a um discurso de Zyuganov dá sono em qualquer um.

Gilberto Mucio disse...

(li o texto com atenção agora)

Discordo de muita coisa.

Tem muita coisa fantasiosa aí. E sem ABSOLUTAMENTE nenhuma base.

Não vejo, de forma alguma, nenhuma espécie de "Projeto Nacional" ou desenvolvimentista.

Pelo contrário. Nenhum.

Putin foi um gestor ultra-incompetente. Passou quase 10 anos com o país nadando em petrodólares e o país nunca elaborou nenhum plano de reconversão industrial para amenizar a dependência externa, e a dependência dos recursos naturais para ter "capital de giro".

pelo contrário, só aprofundou essa dependência.

Não vejo o grupo de Putin com «Plano de País», o vejo, isso sim, com «plano de poder».

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No final de Abril, Putin se apresentou no Parlamento Russo e claramente declarou que, de acordo com seu plano, o “Plano Putin”, «todos nós cresceremos nos próximos 10 anos.»

Porém, se descartarmos as superficialidades de sua apresentação, quais são as bases desse crescimento do país, de acordo com o “Plano Putin”?

De acordo com Putin, o vetor da economia russa deve ser mesmo o setor energético.

Isto é – petróleo e gás. Trocando em miúdos, a Rússia deve ser um fornecedor de matérias-primas e seguir na direção de países como a Nigéria.

Francamente, nenhum respeitável economista burguês se atreveria a cantar louvores a uma dependência colonial de matérias-primas. Por isso, é preciso salientar a coragem do Premier.

A segunda base da economia russa, de acordo com o Plano Putin, deve ser a engrada em larga escala de capital estrangeiro, de 60 a 70 bilhões de dólares ao ano, com um futuro aumento desse fluxo.

Mais uma vez, temos que salientar a coragem do Premier.

Pois nenhum presidente, nem mesmo o mais marionete e pró-americano, se atreve a declarar tão abertamente a entrega do seu país ao capital estrangeiro.

Como sabemos, corporações estrangeiras sugam do país os recursos e o resultado do trabalho, como se fossem aspiradores de pó gigantes.

A dependência do capital estrangeiro está fazendo que o país empobreça rapidamente e perca sua independência política.

Mas o "nosso" Premier é “patrióta”. Só que esse “patriotismo” não altera o controle do país por parte dos banqueiros ocidentais.

No entanto, a entrada de investimentos estrangeiros não são possíveis sem as garantias que assegurem os seus lucros.

Por isso a segunda tese de Putin(temos que prestar uma homenagem hegeliana ao Premier!).

A Indispensável “Competitividade da Rússia”

A “competitividade da Rússia” quer dizer, simplesmente, que as empresas – russas ou estrangeiras – devem extrair os maiores lucros possíveis, com os mais baixos custos – baixos salários e corte de encargos sociais. O modelo ideal disso é a China.


Esse país(China) ocupa o 1º lugar em entrada de capitais estrangeiros, isso porque os trabalhadores chineses, os que recebem melhor, recebem no máximo 150 dólares por mês; porque lá não há previdência social nem educação superior gratuita e a saúde pública, com a restauração do capitalismo, está extremamente degradada.

A “fábrica do mundo” mas com uma miserável classe operária e camponesa.


Se compararmos as declarações de Putin e Medvedev com as suas políticas e reformas na esfera social, privatizações, venda de bens públicos às corporações estrangeiras; o empobrecimento da população devido à inflação; as declarações em relação ao aumento da idade mínima para aposentadoria...

...fica absolutamente evidente o buraco na qual Putin e Medvedev enfiarão o país.

Como informou a publicação “Gazeta”, a apresentação de Putin durou 2 horas e 14 minutos e, nesse tempo, ele foi interrompido por aplausos 54 vezes.

É isso.

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A idéia central do texto desse tópico é TOTALMENTE fantasiosa e não condiz em hipótese alguma com a realidade.

MSantos disse...

Um texto bem escolhido, Pippo, pois reflecte de uma forma objectiva, real e sem facciosismos parte a parte (coisa muito difícil quando o tema é Rússia).

Por aqui vemos o grande dilema do actual paradigma russo, prisioneiro entre o autoritarismo bicéfalo de um lado, tendo como alternativa os sistemas de rapinagem que estão a devastar o próprio Ocidente.

Também tenho umas coisas na calha sobre energia e as FAs russas mas esse verdugo que nos consome e impede de viver...o tempo.

Cumpts
Manuel Santos

Zhirinovsky disse...

A Rússia não é um regime!

A Rússia é um país que faz políticas de Estado, não políticas partidárias, como ocorre no Brasil.

Há um real comprometimento dos políticos russos para seu país, e é essa a base sólida que Putin está construíndo para seu país.

A Rússia é um país muito difícil de governar, pois é o maior do mundo em extensão territorial e suas fronteiras estão próximas á países e regiões problemáticasm além de possuir uma população diversificada étnicamente.

Por isso o país adota esta política de Estado Policial, pois como venho falando, há muitas pessoas conspirando contra a Rússia, tanto dentro quanto fora do país. Estas pessoas estão planejando a desintegração total do território russo, para se apoderar de seus recursos naturais, suas reservas de petróleo e principalmente para desmobilizar a "máquina" que é a Oposição ao Ocidente.

Milhões de pessoas na Rússia são muçulmanas, cristãs ortodoxas, budistas, judaistas etc... É muito complexo reger um país com tanta diversidade étnica.

Muitas pessoas trabalham, se dedicam integralmente planejando a desintegração do Kremlin.A Rússia é uma pedra no calçado do Ocidente, pois é uma oposição forte, e protegida por seu guarda-chuvas nuclear.

Muitas pessoas se esquecem, mas este país possui milhares de ogivas nucleares, e possue um poder de dissuassão só comparado á dos Estados Unidos.

Este país precisa ter seu espaço na comunidade internacional, e de uma vez por todas, ser tratada como uma Grande Potencia, pois é isso que a Rússia é.

Inevitavelmente Estados e Organizações patrocinadas por estes Estados odeiam a Rússia, devido á estes fatores: poderio militar, abundancia em recursos naturais e petróleo, um imenso território e uma diversidade étnica.

A Rùssia é uma influencia natural no cenário geoestratégico, e de uma vez por todas, os países incomodados com isto devem se acomodar e parar de criar políticas hostís contra Moscou.

Parabéns por este artigo!

Anónimo disse...

Isso é mais um daqueles texto cuja a idéia central é "Putin não é um exemplo de democrata mas regatou um país falido". E daí? Hitler tb fez o mesmo. Que texto mais medíocre e que diz sempre o mesmo. Isso foi tirado de onde? O imparcilíssimo Pravda? O que Putin que do Ocidente é um casamento de coveniência, ele deseja uma parceiria para modernizar e dinamizar a economia e só! Valores ocidentais como democracia e direitos humanos de jeito nenhum! Esse país quer manter sua mentalidade de hostilidade e desconfiança do Ocidente. Deculpe, mas aí não dá!

Wandard disse...

Pippo,

Parabéns pela postagem.

A análise do autor é extremamente coerente e segue fielmente o contexto histórico recente. Para quem teve a oportunidade de ter acesso a certos documentos, que mostram claramente a realidade do que estava destinado à Rússia a partir da década de 1990, caso não houvesse ocorrido a ascenção de Putin ao poder, certamente terá a visão ou pensamento do Gilberto, e Gilberto não tiro suas razões e motivos que devem possuir suas propriedades. Porém do ponto de vista de uma nação com as dimensões e a importância geoestratégica e geopolítica da Rússia, apesar de todos os erros, debilidades e/ou excessos da política hoje dominante nesta nação, a realidade é que se Putin não tivesse alcançado o poder máximo e empreendido os programas já executados, assim como os projetos em andamento, certamente hoje teríamos uma Rússia com um peso pouco maior que a Inglaterra ou a França e o pior os Estados Unidos da América absolutamente livre para ameaçar, atacar e invadir quaisquer nações que lhes fizessem oposição e o Tigre chinês aguardando pacientemente o acúmulo financeiro em forma de reservas, crescente obtenção de títulos da dívida americana e a ampliação de sua máquina militar até possuir poder suficiente para enfentar a águia careca e se vingar das potências européias e a ilha nipônica, rememorando suas derrotas e humilhações sofridas nos séculos XIX e XX. Um grande exemplo de uma política multipartidária, vivenciando uma "ditadura democrática" e o crescimento econômico pintado e cantado em ilusórios tons verde e amarelo é o Brasil, que acumula mais de 200 escândalos de corrupção somente no Governo Lula sem punição, venda das empresas estatais a preços de banana e em licitações duvidosas a contar do governo FHC, aluguel desnecessário da Base de Alcântara aos Estados Unidos,na surdina e sem consulta popular, por tempo indeterminado e por um valor ridículo e ainda a aceitação de artigos do contrato que limitam a utilização do valor pago para desenvolvimento tecnológico aeronáutico e proibição de associação com outras nações, sucateamento total das forças armadas, deixando o país completamente sem defesa, vendas das maiores empresas nacionais ao capital estrangeiro com total permissividade do governo e sem nenhum controle, tornando o país cada vez mais apinhado de multinacionais e sem nenhum investimento em pesquisas, não possuímos sequer uma marca de automóvel, eletrônica ou informática de desenvolvimento próprio, um péssimo sistema educacional público do fundamental ao ensino médio. Universidades Federais extremamente sucateadas e o pior de tudo uma política externa fraca, covarde e condescendente com erros políticos e até de concessão de asilo a criminosos. A política russa possui erros, sim. O país sofre atrasos tecnológicos, sim. Seu modelo econômico necessita de diversificação, sim. Mas é este país que se senta à mesa para discutir com uma instituição militar composta de 27 nações, é este país que se senta à mesa do G8, é este país que consegue manter uma máquina militar do mesmo tamanho e até em determinados ítens maior, gastando 10% do que a nação mais rica do mundo gasta, é este país que hoje está a frente de uma organização com objetivos de segurança, cooperação econômica e assistência recíproca que conforme a última reunião realizada em Astana, deterá práticamente o maior volule de recursos naturais do planeta, considerando que o continente Europeu, Japão e Estados Unidos possuem o maior volume de industrialização e não deixam de ser concorrentes entre si, aonde vão buscar as matérias primas para suas indústrias se no solo de suas nações, algumas pobres em recursos naturais, outras já no limiar do esgotamento e outras com recursos insuficientes, bem, isto veremos mais adiante e poderemos julgar como meros observadores ou não se a política russa de hoje está errada.

Jose Milhazes disse...

Caros, um artigo muito bem esquematizado, mas tem pouco a ver com a realidade política russa, bem mais complexa. O país continua num beco sem saída, sem ideias novas para sair da estagnação e, por conseguinte, a perder o comboio da modernidade. Estou de acordo com o Gilberto quando diz que não existe um projeto de desenvolvimento, a instrução degrada-se, a corrupção é total.
Putin já está há 11 anos no poder, com preços de petróleo e gás nunca vistos e quais são os resultados? Estabilidade?, mas apenas aparente.

MSantos disse...

Não concordo de todo, JM. As críticas estão lá todas implícitas e a questão final que fica é se a Rússia alguma vez conseguirá ultrapassar os garrotes do autoritarismo do poder e a ameaça de implosão e subsistir como nação.

Apenas acontece que o texto é desapaixonado e distante, uma visão que provavelmente os que vivem a situação por dentro seja do ponto de vista do antagonismo ou da concórdia, também teriam relativamente a outros países do planeta mesmo com situações bem piores que a da Rússia.

Cumpts
Manuel Santos

PortugueseMan disse...

Caro JM,

Não, o país tem ideias de como se modernizar e está a actuar de acordo com isso. Podem perder o comboio? podem, mas não é por não tentarem.

O que não falta são projectos de desenvolvimento, agora isto não é pôr no forno por 45 minutos e sair de lá um bolo...

Os resultados de 11 anos são mais do que estabilidade. O país tornou-se de novo uma potência e não apenas energética. Já resolveu uma série de coisas nestes anos.

O artigo é interessante de se ler e não me parece que esteja assim tão afastado da realidade política russa como você diz.

PortugueseMan disse...

Caro Pippo,

Uma palavra de apreço pelo trabalho que teve pela tradução.

Continue.

Cumprimentos,
PortugueseMan

Francisco Lucrécio disse...

Mas que excelente obra de malabarismo politico. Uma abstração descarada da neutralidade informativa que consegue atingir os limites da farsa com o propósito de transformar a fição em realidade. Tratasse simplesmente de uma tentativa de manipulação coletiva. Por favor não me venham falar em isenção.

««««««««««Normalmente, isso não é uma questão preocupante, dado que a maioria das eleições russas foram concebidas desde 2000 para guindar um determinado candidato ou um partido político ao poder »»»»»»».

E até 2000 como foi ?

««««««««a principal força do país - a KGB, agora conhecido como o Serviço Federal de Segurança (FSB), e o aparelho militar - entrou em decadência»»»»»».

Por Putin ter sido funcionário dos serviços secretos (KGB) (aliás foi um agente como tantos outros) terá o país forçosamente de ser gerido por os padrões desses serviços?
Porque razão se omite outros casos em que ex- diretores de serviços secretos chegaram a presidente?
Nós sabemos porquê. KGB é um nome sonante, demonizado durante muitos anos. A mensagem anti Putin passa melhor assim?

««««««««Putin, dando início a que muitos vissem o antigo agente do KGB como um autocrata duro interessado em reacender as hostilidades e renovar a militarização»»»»»».

Se Putin como agente do KGB é encarado como um autocrata duro pronto a destruir tudo.
Como deviam ser vistos por exemplo: Busch pai, e Carlucci como diretores da CIA? Democratas sem coragem para fazer molestar uma mosca, talvez?

««««««««««Até então, a Rússia teve de alternar entre cada um daqueles caminho de forma a construir o país - o que explica a percepção pública de Putin na última década de presidente pró-ocidental a presidente autoritário agressivo»»»»»»».


Afinal quem tem ameaçado quem? A Rússia ou a NATO (vulgo países ocidentais)? Qual o perigo que Rússia tem representado para a NATO? Ou será que a Rússia se sente segura com dezenas de bases da NATO junto das suas fronteiras? Querem maior ameaça que as esquadras da NATO passearem-se provocadoramente no Mar Negro?

Francisco Lucrécio disse...

««««««« lançou uma segunda guerra na Chechénia»»»»».

Fê-lo com toda a legitimidade? Tinha o dever de asseguarar a integridade do país?

Tem alguma comparação com as agressões da NATO na Jugoslávia, Somália e Afeganistão, ou a invasão do Iraque?

««««««««««««Em 2008, o Kremlin estava pronto para provar a esses Estados que o Ocidente não seria capaz de combater a agressão russa»»»»»».

Falta explicar quem foi o agressor? Nesta situação qual devia ter sido a atitude a tomar por parte da Rússia? Retirar as forças de manutenção de paz estacionadas na Ossetia do Sul e aceitar a humilhação do complô Bush/ Saakashvili? Mas não havia um mandato da ONU para cumprir? E a “senhora” Rice sabia-o muito bem quando em meados de Julho foi a Tbilissi dar o seu aval à agressão. Por outro lado a data para o desencadear da guerra foi escolhido precisamente para coincidir com o dia da abertura dos jogos olímpicos. Sim; se as coisas tivessem corrido como o previsto não tinham grande cobertura mediática.

«««««««« No últimos meses, novos partidos políticos começaram a surgir na Rússia - algo raro nos últimos anos. Anteriormente, qualquer partido político que não fosse o Rússia Unida eram tidos como desleais ao Kremlin e como tal silenciados na sua maior parte»»»»»».

Por esta opinião deduz-se que partidos democratas na Rússia são aqueles que estão conetados com a direita mais radical ligados aos grandes oligarcas detentores do poder económico. Pelos vistos ainda não saciaram o apetite? Pretendem apoderar-se da totalidade das riquezas do país?


Dizer que na Rússia não existe oposição é uma completa falácia. É o mesmo que dizer que não há sindicatos. Não podem é desobedecer às regras vigentes do Putinismo. Porque se se atreverem a sair fora dessa relação desaparecem.

Com esta situação do silenciamento dos partidos existentes, e o dominio completo do movimento sindical pouco se preocupam. Fazem-no unicamente quando precisam de obter protagonismo,e em nome do interesse próprio.


O que não se diz é que essas tais pessoas que reclamam o poder são o que resta da escória do Yeltsinismo ultra liberal e corrupta que destruiu o país na década de 90. Os nomes deles são perfeitamente conhecidos.

Outra coisa; a Rússia para se desenvolver tem que ser subserviente aos interesses dos países ocidentais? Quais as razões que impediram de o terem feito nos anos 90 quando esses mesmos países ocidentais detinham o controle total sobre os destinos da Rússia?

Pelos vistos recusam-se assumir a responsabilidade na participação do desastre que provocaram. O povo Russo não esquece facilmente o resultado desse descalabro criminoso, ainda o sentem nas suas vidas e está bem visivel. Os maiores problemas com que a Rússia ainda hoje se debate são sequelas desse período.

Para terminar; porque razão esses "amigos" da Rússia não aconselham o país a virar-se para China ou para os países emergentes? São conhecidas as razões disso. As riquezas naturais da Rússia são uma presa muito cobiçada.

Gilberto Mucio disse...

A única estabilidade que existe na Rússia de hoje é a estabilidade política do grupo que detém o poder.

Se estabilidade é isso, então estou de acordo, a Rússia vive hoje numa imensa estabilidade.

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E sobre oposição, repito, se não há oposição efetiva é por incompetência da mesma.

Quando se fala em oposição, se tem em mente os liberais. E esses o povo - com razão - não quer ver nem pintados de ouro.

Zhirinovsky disse...

VLADIMIR PUTIN, O "MAGO", PARA PRESIDENTE DA RÚSSIA EM 2012...

EU APOIO!!!

Jest nas Wielu disse...

O autor elogia Putin por isso mesmo, Rússia continua ser o apéndixe energético do Ocidente e comprador dos produtos ocidentais (desde a carne holandesa até o vinho do Porto)...

Francisco Lucrécio disse...

««««««««O autor elogia Putin por isso mesmo, Rússia continua ser o apéndixe energético do Ocidente e comprador dos produtos ocidentais (desde a carne holandesa até o vinho do Porto)»»»»»...

O que aconselha comprar made in Ukraine? Só carne “branca” mafiosos e escravos? Não têm outros produtos para exportar.

Francisco Lucrécio disse...

««««««E sobre oposição, repito, se não há oposição efetiva é por incompetência da mesma»»»».


Partindo desse principio toda a oposição Europeia é incompetente? Nos EUA igual? Quem domina, são os partidos conservadores neoliberais, com programas económicos e sociais idênticos. Portanto se a esquerda não os consegue desalojar do poder é por incompetência?
Desconhece que quem controla a economia e a informação, manobra a opinião publica?

É assim na Rússia e em toda a parte

Francisco Lucrécio disse...

O autor elogia Putin por isso mesmo, Rússia continua ser o apéndixe energético do Ocidente»»»»» .

Como é seu hábito interpretou muito mal o meu comentário. Eu não elogiei Putin. Tentei sim, desmascarar um rol de aldrabices muito bem elaboradas em torno da conjuntura Russa no seu todo (presente e passado) em que o autor do artigo numa forma bastante habilidosa tenta imputar a Putin todas as desgraças em que o país está mergulhado. É sabido que há gente na Rússia (e fora) com maiores responsabilidadee nesta situação. Foi isso que eu quis dizer.

Mas entre esse bando de delinquentes que destruíram o país nos anos 90 ( que o autor do comentário omite por conveniência) Putin e a sua camarilha e o povo que sofre as agruras das malfeitorias praticadas por todos eles, o meu apoio é inteiramente dirigido aos milhões de vitimas do descalabro económico e social.

Anónimo disse...

o texto é pró-Kremilin, um nojo!

Jest nas Wielu disse...

Alguns produtos Made in Ukraine / Fabricados na Ucrânia:
http://ukrainemade.com
http://www.madein.dp.ua
http://www.made-in-ukraine-online.com
http://www.bizukraine.com/suppliers_
of_agriculture_products.htm (agricultura)
http://www.bizukraine.com/importers_
others.htm (vários)
http://www.ukrproduct.com (alimentação)
http://www.business.dp.ua/me/
monitoring_subs.htm (matalurgia)
etc...

2 Francisco Lucrécio 00:23
Como é o seu hábito, interpretou mal o meu comentário. Eu não me estava referir a si, mas ao autor do artigo traduzido pelo Pippo / Filipe.

Pippo disse...

Caríssimos telespectadores, para vossa informação (ou seja, para quem não o leu com atenção até ao fim), o texto provém da Stratfor.
A Stratfor é uma organização norte-americana que se dedica a fazer relatórios sobre economia, segurança e estratégia com o objectivo de ajudar à tomada de decisão ou, como está na sua nota ezxplanatória, "this independent, non-ideological content enables users not only to better understand international events, but also to reduce risks and identify opportunities in every region of the globe."

Como tal, não é nem uma ONG pró-Kremlin, nem pró-Washington, mas sim pró-informação, o quanto mais correcta melhor, pois gera mais clientes.

Achei o artigo de especial interesse por este analisar, de forma objectiva, a questão da governação bicéfala russa nos campos das políticas interna e externa daquele país.

MSantos, fico à espera do seu artigo. E compreendo muitíssimo bem o seu problema, pois eu padeço do mesmo. Por isso é que me limito a fazer uma traduçãozita aqui, outra ali, em lugar de escrever um artigo de mão própria. Simplesmente não tenho tempo.

Jest nas Wielu disse...

Instituto de Informações dos Crimes do Comunismo (Suécia):
http://www.upplysningomkommunismen.se/
?page=english

Francisco Lucrécio disse...

««««««Jest nas Wielu disse...
Instituto de Informações dos Crimes do Comunismo (Suécia):
http://www.upplysningomkommunismen.se/
?page=english»»»»».

Ainda bem que abordou este assunto. Porque tenho uma outra questão relacionada com crimes hediondos a colocar-lhe.


Há poucos dias encontrei numa livraria em Espanha um livro de Anatoly Kuznetsov com o titulo "Baby Yar".

Um acontecimento que conhecia superficialmente, por ser escassa a informação disponivel sobre o assunto. Pouca ou nenhuma divulgação tem merecido este caso por parte dos orgãos de informação dominantes. As razões dessa omissão são sobejamente conhecidas.

Portanto como Ucraniano e sempre muito resoluto em denunciar crimes contra o seu povo, esclareça os leitores deste blogue o que tem a dizer sobre isso?

Não se esqueça que foram mais 37 000 assassinatos a sangue frio em dois dias desde bebés de colo a idosos. Mandavam despir as vitimas completamente nuas, colocavam-nas junto das valas e disparava sobre elas. Mas antes disso ainda cometiam outra barbaridade mais monstruosa, retiravam algumas jovens violam-nas e abatiam-nas depois.



Sabe que existe um filme sobre este caso?

Quais foram as razões que o levaram a propagandear exaustivamente o filme de Andrzje Wajda sobre Katyn e não ter tido uma unica palavra (esconder) para este filme, que retrata o assassinato em massa de civis inocentes?

Fico á espera dos seus esclarecimentos.

Francisco Lucrécio disse...

««««««A Stratfor é uma organização norte-americana que se dedica a fazer relatórios sobre economia, segurança e estratégia com o objectivo de ajudar à tomada de decisão»»»»».


Portanto tratando-se de uma organização Norte Americana , é infalível nas analises e avaliações que faz? É isso.

Não me insurgi contra o teor do artigo, mas sim contra os objetivos políticos que pretende alcançar. Considero-o ser de uma abrangência bastante realista sobre a politica e economia Russa atual muito esclarecedora (o lado social foi omitido por deferência). Com uma abordagem (quase cirúrgica) sobre os problemas de quase ruptura em que a Rússia se encontra. Que a prazo poderão ter graves consequências. Tudo isso está muito certo e concordo plenamente. Em tempos já aqui tinha escrito que a Rússia está transformada numa colónia de matérias primas. É praticamente disso que sobrevive.


Não posso estar de acordo na tentativa de descarregar todos os problemas existentes na Rússia na pessoa de Putin. Tratasse de uma armadilha de por um lado pretende alienar os menos esclarecidos e por outro aliviar aqueles que deram origem à situação.

Por isso entendo que o artigo contém propaganda falaciosa que sub-repticiamente pretende atribuir a essa tal oposição liberal a capacidade de resolver os problemas. Mas não foram esses mesmos que os criaram?

Boris Nemtsov e os amigos dele que estrebucham denunciando falta de liberdade e má governação não foram também eles altos dirigentes? . Depois ainda o autor esconde deliberadamente quem se encontra por detrás desses politicos Não será Deripaska, Vladimir Potanin e a oligarquia sedenta de querer levar a Rússia de regresso aos anos 90?

Resumindo e para poupar nas palavras e no tempo cito uma opinião de Gore Vidal sobre a Rússia que diz +- isto. “Um bando de delinquentes que se apoderaram da chefia do Estado, repartindo entre si as riquezas do país”.

Começou com Yeltsin, continua nos dias de hoje, e não se sabe ainda quando vai acabar. É isto que o autor do artigo não se atreve a dizer.

Francisco Lucrécio disse...

«««««Jest nas Wielu disse...
Alguns produtos Made in Ukraine / Fabricados na Ucrânia:
http://ukrainemade.com
http://www.madein.dp.ua
http://www.made-in-ukraine-online.com
http://www.bizukraine.com/suppliers_
of_agriculture_products.htm (agricultura)
http://www.bizukraine.com/importers_
others.htm (vários)
http://www.ukrproduct.com (alimentação)
http://www.business.dp.ua/me/
monitoring_subs.htm (matalurgia)
etc...»»»».



Descodifique-me esta trapalhada. Preciso de dados e numeros reais.

Dois exemplos: em 1991 a Ucrânia era a terceira potencia militar e a decima economia mundial. Em que posição se encontra hoje? Diga-me se souber.

Jest nas Wielu disse...

2 Francisco Lucrécio 18:39 / 20:07

Baby Yar é uma ravina em Kyiv, onde além dos 33,771 judeus, foram assassinados entre 100.000 à 150.000 cidadãos da Ucrânia: prisioneiros da guerra soviéticos, ciganos, nacionalistas ucranianos da OUN-M (por exemplo a poetisa Olena Teliha) e outros civis. A decisão da matança foi tomada pelo governador militar de Kyiv, Major-General Kurt Eberhard; pelo Obergruppenführer da SS Friedrich Jeckeln e pelo comandante da Einsatzgruppe C, Otto Rasch. (Mais informação em http://en.wikipedia.org/wiki/Babi_Yar)

Importação: você fez a pergunta concreta e eu lhe respondi com exemplos práticos; também já expliquei que sim, antes de 1991 oferecíamos (Moscovo ficava com os possíveis lucros) as armas aos estados comunistas por este mundo fora, hoje apenas vendemos. Quer comprar o nosso tanque Oplot? Contacte o fabricante (http://www.morozov.com.ua/eng).

Toda a diferença entre pré-1991 e hoje, é que hoje vendemos os produtos pelo preço do mercado, trabalhamos com países que podem pagar os nossos produtos / serviços, por exemplo, conhece a empresa binacional brasileiro-ucraniana Alcântara Cyclone Space? Vale a pena conhece-la (http://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=alcantara-cyclone-space&id=020175100914)

Anónimo disse...

"foram assassinados entre 100.000 à 150.000 cidadãos da Ucrânia: prisioneiros da guerra soviéticos, ciganos, nacionalistas ucranianos da OUN-M (por exemplo a poetisa Olena Teliha) e outros civis."

Perdão? "Cidadãos da Ucrânia"??? Quer dizer "cidadãos da URSS", não é verdade? Não transforme um crime contra a URSS num crime contra a Ucrânia, que era uma República da União Soviética.

Jest nas Wielu disse...

2 Anónimo 18:53

Eu quis dizer cidadãos da RSS da Ucrânia, tal como em Angola e Moçambique contam as vítimas do colonialismo português como angolanos & moçambicanos, apesar do que na altura dos crimes estes eram súditos de Portugal...

Anónimo disse...

"cidadãos da RSS da Ucrânia"??? Mas será que eles tinham BI ou passaporte da RSS da Ucrânia?

Eles eram cidadãos soviéticos, não "ucranianos"! E muitos deles, se calhar até a maior parte, até era de origem russa.