quinta-feira, agosto 18, 2011

Golpe de Estado comunista de Agosto de 1991 continua a dividir sociedade russa


As autoridades russas, a julgar pelas agendas das agências de informação russas, não pretendem assinalar o 20º aniversário dos acontecimentos de 19-22 de agosto de 1991, quando um grupo de dirigentes comunistas ortodoxos tentou derrubar Mikhail Gorbachov do cargo de Presidente da União Soviética.
O primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, na altura coronel dos serviços secretos soviéticos KGB, não esconde que “a desintegração da União Soviética foi a  maior catástrofe geopolítica do séc. XX” e esses acontecimentos muito contribuíram para isso.
A opinião pública russa também continua a olhar de forma muito diferente para o confronto entre comunistas ortodoxos e as forças democráticas então dirigidas por Boris Ieltsin, então Presidente da Federação da Rússia.
Segundo uma sondagem recentemente realizada pelo Centro de Estudo da Opinião Pública “Levada-Tzentr”, é cada vez maior o número de russos que considera que “esses acontecimentos tiveram consequências trágicas para o país e o povo”. Entre 1994 e 2011, esse número subiu de 27 para 39 por cento.
No mesmo período, o número dos que consideram que isso não passou de “luta pelo poder” desceu de 53 para 35 por cento. Apenas 10 por cento considera esses acontecimentos “uma vitória da revolução democrática que pôs fim ao poder do Partido Comunista Soviético” (em 1994, sete por cento pensava assim).
Aumenta o número dos respondentes que considera que o país “avança na direção errada”: de 47 para 49 por cento, enquanto que diminui a percentagem dos que têm uma opinião contrária: de 30 para 27. O número de indecisos praticamente não varia: 23-24 por cento.
A maioria dos russos (42 por cento) defende que “Boris Ieltsin utilizou a confusão para tomar o poder”, 27 por cento acham que “o poder caiu-lhe nas mãos” e apenas 11 por cento consideram que ele “lutou heroicamente contra os golpistas”.
Ieltsin foi o principal organizador da resistência ao golpe comunista.
Quanto a Mikhail Gorbatchov, que naquela altura foi isolado numa casa de campo no Mar Negro, 43 por cento defendem que “descontrolou-se e deixou escapar o poder”, 20 por cento são da opinião que ele “não podia fazer nada” e 11 por cento pensam que “estava em conluio com os golpistas”. 24 por cento não soube como responder a esta pergunta.

5 comentários:

Jest nas Wielu disse...

Gorbachev: "povo e Yeltsin derrotaram golpistas e evitaram guerra":
http://noticias.terra.com.br/mundo
/noticias/0,,OI5301318-EI8142,00-Gorbachev
+povo+e+Yeltsin+derrotaram+golpistas
+e+evitaram+guerra.html

Zhirinovsky "The Bear" disse...

Gorbachev foi o responsável por destruir a União Soviética e jogar o povo russo no abismo... Tudo o que ocorreu na Rússia de 1991 á 2000 é culpa desse criminoso de guerra!

Este golpe de Estado foi uma tragédia para a Rússia, e não deve ser relembrado e nem comemorado!

E apoio incondicionalmente a opinião de Vladimir Putin sobre este episódio!

Jest nas Wielu disse...

A Wiki dá a seguinte definição do crime de guerra: é uma violação do direito internacional ocorrida em guerras, principalmente com violação dos direitos humanos. Os crimes de guerra são definidos por acordos internacionais, incluindo as Convenções de Genebra e, de maneira particular, o Estatuto de Roma (no artigo 8), gerindo as competências da Corte Penal Internacional (CPI).

Zuruspa disse...

Sr. "O Urso", existem dois *grandes* culpados:
1 - Gorbachov tem culpa pelo que NÄO fez enquanto pôde (1985-1991);
2 - Yeltsin tem culpa pelo que EFECTIVAMENTE fez enquanto pôde (1991-1999)...

O povo russo auto-jogou-se no abismo ao permitir o bombardeamento do Parlamento de braços cruzados. Tivessem cortado as vazas a Yeltsin nessa altura outro galo cantaria.

Felipe Pinheiro disse...

15 marcas de presunto? Aqui no Brasil só há 2, Perdigão e Sadia. Aliás, havia, pois estas acabaram de fundir-se.

Mas o problema não é a questão de quantidade de marcas. O problema é de acessibilidade a todos. Certamente na URSS todos tinham acesso não somente a presunto, como a diversos produtos de necessidades básicas.

No Brasil, o atendimento às necessidades básicas ainda está restrito a uma minoria da população.

Segundo a FAO (ONU), entre 1990-1992 (fase final da URSS) o consumo médio per capita de Kcal do soviético era de 2.910, enquanto que de um brasileiro era de 2.800. Há de levar em conta que estes são valores médios, ou seja, desconsidera que a alimentação de parcela considerável da população brasileira sequer chegava perto deste patamar.