sexta-feira, novembro 04, 2011

Blog do leitor (Integração da Rússia pós-Imperio)

  
Texto traduzido e enviado pelo leitor Pippo: 

"Dmitri Trenin


MOSCOVO – Com as eleições presidenciais russas de 2012 practicamente decididas desde a decisão de Vladimir Putin de recuperar o seu gabinete no Kremlin, é altura de deixarm os de olhar para as personalidades para nos concentrarmos nas políticas. Putin planeia permanecer no Kremlin por dois mandatos presidenciais, ou seja, 12 anos, como ele está habilitado a exercer desde a recente alteração à Constituição. Assim, quem será o próximo presidente da Rússia já é uma certeza; menos óbvio é o que ele espera alcançar.

Uma questão, no entanto, já saltou para o topo da agenda política da Rússia: a integração euro-asiática. No início de outubro, Putin escreveu um artigo no qual proclamou o que parece ser o seu objetivo de política externa: a União Eurasiana de antigos Estados soviéticos. Duas semanas depois, em São Petersburgo, Putin organizou uma reunião dos primeiros-ministros da Comunidade de Estados Independentes (CIS), oito dos quais assinaram um acordo que estabelece uma área de livre comércio entre seus países. Em 01 de janeiro de 2012, a Bielorrússia, o Cazaquistão e Rússia, que agora formam uma união aduaneira, irão participar num espaço económico único.

E Putin quer ainda mais: um "Espaço Schengen Eurasiano" (livre circulação de pessoas entre os três países, construída sobre o exemplo da União Europeia) em 2015, seguido de uma união monetária e, finalmente, a integração económica plena. De facto, Putin quer reestruturar as relações da Rússia com os Estados da antiga União Soviética para criar, não apenas um mercado maior, mas eventualmente uma aliança económica e de segurança.

A viabilidade deste plano não deve ser tomada como um dado adquirido. Desde que a União Soviética acabou há 20 anos, tem havido muitas conversações sobre a reintegração dos estados sucessores. Pouco resultou disso, devido principalmente à relutância da Rússia em apoiar financeiramente os outros países. Ao mesmo tempo, os outros países da CEI têm mantido um foco primordial na construção dos seus próprios Estado com vista a independência face à Rússia. Ambos os factores, entretanto, podem estar agora a mudar - pelo menos um pouco.

A Rússia, que à uma meia dúzia de anos atrás terminou abruptamente seus subsídios à energia para a Ucrânia, Bielorrússia, Moldávia, e outros, expressa agora interesse em apoiar alguns dos seus vizinhos em dificuldades, em troca de alguns dos seus activos mais lucrativos. Durante a crise global de 2008-2009l, Moscovo começou a reforçar a sua posição económica regional e a promover o estabelecimento da união aduaneira com a Bielorrússia e o Cazaquistão, mesmo correndo o risco de complicar a sua própria candidatura de adesão à Organização Mundial do Comércio.

Para os parceiros da Rússia, também, as formas actuais de integração, como a união aduaneira e o futuro espaço económico único, são acordos pragmáticos que servem os seus interesses. Combinando Bielorrússia e Cazaquistão,  a Rússia ganhou 25 milhões potenciais novos consumidores; a Bielorrússia e o Cazaquistão, por sua vez, aumentaram o seu acesso ao mercado de 140 milhões de russos.

O mercado russo também é atraente para muitos outros países, do pequeno Quirguistão à considerável Ucrânia. No caso desta última, por exemplo, as perspectivas de uma associação mais estreita com a UE têm diminuído recentemente, quer devido às dificuldades internas da UE, quer devido à perseguição politicamente motivada das autoridades ucranianas à ex-primeira-ministra Yuliya Tymoshenko.

No seu muito citado artigo de jornal, Putin negou que seus novos planos de integração sejam destinadas a restabelecer uma União Soviética sob outro nome. Esta é uma reivindicação credível, por três razões básicas: a completa evaporação do élan da Rússia imperial, a sua falta de vontade de pagar as contas dos outroas países, e a falta de vontade dos novos países em ceder demasiada soberania para a potência hegemonica anterior.

Consequentemente, a Rússia tem sido rigorosa sobre os termos da sua ajuda financeira à Bielorrússia, pressionando seu governo a abrir a sua economia às empresas russas. E, apesar de todo o seu interesse no mercado russo, nem a Bielorrússia nem o Cazaquistão acederam ao desejo da Rússia em reconhecer a independência da Abkházia e a Ossétia do Sul, regiões separatistas da Geórgia.

Putin é ambicioso, mas ele também é cauteloso. Ele provavelmente sabe que o mero interesse económico mútuo pode permitir-lhe atingir o seu objectivo. Criar um novo Conselho de Assistência Económica Mútua (COMECON, o bloco comercial da era soviética), ou um novo Pacto de Varsóvia, é tão impossível como recriar a União Soviética nos seus últimos tempos. A integração económica eurasiana, se é que ela quer ter alguma hipótese, deve seguir um caminho diferente.

Se todas as partes envolvidas aderirem voluntariamente e avançarem passo a passo, como aconteceu com a UE ou o com Acordo Norte-Americano de Livre Comércio, a integração eurasiana irá beneficiar todos os envolvidos. Em vez de comportar-se como um império secretamente tentando reinventar-se, a Rússia tem a oportunidade de se tornar um líder regional. Mas a integração euro-asiática irá falhar se os parceiros da Rússia virem o processo como uma tentativa de Moscovo de dominação política.

Tudo isto tem implicações geopolíticas. Na Europa de Leste, a Rússia está claramente a atrair a Bielorrússia para mais perto, e está competindo com a UE sobre a futura orientação económica da Ucrânia. Enquanto isso, na Ásia Central, a Rússia, tendo construído fortes laços económicos com o Cazaquistão, está agora a chegar ao Quirguistão, concorrendo assim mais activamente com a vizinha China. Em vez de escolher entre Bruxelas e Pequim, Moscovo agora pretende transformar a vizinhança da Rússia pós-imperial numa comunidade. E, como meta de longo prazo, Putin prevê uma estreita relação económica entre a sua União Eurasiana e a EU, naquilo que ele chama de uma Grande Europa.

No Ocidente, a declaração mais recordada de Putin sobre a União Soviética é aquela em que ele descreve o seu fim como a "maior catástrofe do século XX." Mas outros comentários de Putin, menos familiares para os leitores ocidentais, referem o sistema soviético como "inviável". No seu julgamento implacável, aqueles que querem a URSS de volta "não têm cérebros."

Vinte anos após a perda do seu império do século XX, a Rússia está pronta para se mover em direção a um novo tipo de integração com as sua ex-províncias. Isto não pretende ser uma ameaça para os outros; em vez disso, a integração económica é um teste para o quanto a Rússia aprendeu sobre o mundo desde 1991, e de quanto mais moderna se tornou em resultado.

Dmitri Trenin é director do Centro Carnegie de Moscovo. O seu último livro é Post-Imperium: A Eurasian Story.

Copyright: Project Syndicate, 2011.
www.project-syndicate.org "

34 comentários:

Jest nas Wielu disse...

off top:

Não sabia que Grécia, Irlanda e Portugal juntos representam apenas 6% da economia da UE, Itália – 17% (tudo dados da RTP); Itália já aceitou a entrada do FMI, lembro como alguns europeus elogiavam as virtudes da pobreza na ex-URSS, creio que chegou a hora de experimentarem um pouco destas mesmas virtudes. Ou então sair da UE, da zona Euro e do Shengen, pk não?

Forças da direita ucranianas (VO Liberdade e UNA-UNSO) dispersam a “Marcha russa” em Kyiv (foto & vídeo): http://bilozerska.livejournal.com/538152.html

Gilberto Mucio disse...

Esse negócio de Império Eusariano é uma "baboseira metafísica" sem fim, uma fantasia.

A Rússia cada dia que passa está mais economicamente atrasada, mais dependente economicamente de capital externo e mais desindustrializada.

Não nada, nem no horizonte, que lembre um plano nacional-desenvolvimentista.

Pelo contrário -- como Putin mesmo declarou em abriu na apresentação de seu "Plano Putin", a Rússia vai basear sua economia definitivamente na exportação de hidrocarbonetos e outras commodities, e esperar investimentos externo.

Ou seja, basear a economia na dependência externa.

Que raios de "Império" é esse.

Isso é coisa de nefelibata.

Com todo respeito, Pippo.

MSantos disse...

Quando comecei a participar neste blog há muito tempo atrás, referi que seria objectivo das lideranças russas actuais ou restituir a União Soviética ou algo semelhante com outro nome envolvendo prioritáriamente os outros Estados principais: Ucrânia, Bielorússia e Cazaquistão.

Tal faz sentido e se reflecte nesta ambicionada União Euroasiática.

Um avanço no comportamento da Rússia é que já não utiliza as campanhas de invasão mas sim a grande arma do séc. XXI: a economia.

Excelente artigo, Pippo.

Cumpts
Manuel Santos

PEDRO disse...

PIPPO,

Excelente texto.

Eu não alinho em qualquer equipa no que diz respeito a politica mundial.
O Jest deve rezar a uma estátua de obama. Mas obama é apenas uma marioneta, nada manda a pobre alma. É a FED que manda. É o ECB que manda na Europa. Mas..... Infelizmente ambos são geridos pelos mesmos senhores(Rostchilds, Morgans, etc..).

Sinceramente desconheço as ligações entre a Rússia e estas organizações globalistas e que perseguem o dominio absoluto, global.
Nem sei se Putin é uma força aliada desses poderes ou se realmente é um patriota Russo com ideias próprias.
Não sei. Sinceramente tenho dúvidas. Admito tudo.
A Rússia absteve-se no massacre da Líbia. Putin se tivesse mais poder ou se de facto o quisesse exercer teria tido uma atitude mais critica emais decisiva.

Reparem numa coisa, a LukOil, prepara-se para começar a explorar petróleo Iraquiano. Ou seja, mais uma vez os Russos (Políticos/Oligarcas) dão o C... por uns tostões.....
Oferecem-lhe umas côdeas e lá vão eles.
Vamos esperar, mas não me surpreenderia se a LukOil (Ou lá como se chama) começasse a explorar petróleo da Líbia.

Eu sou admirador do povo Russo, da Alma Russa, da Cultura Russa, das tormentas que este povo épico sofreu.
Mas quando mete politicos parece que somos enganados em todo o lado.

Zhirinovsky Iskander! disse...

Isso que é política externa:integração,abertura de mercado, união alfandegária, pactos de segurança.

Vamos criar uma nova União Soviética, o que precisamos? Apenas seguir o exemplo da União Européia, que não é nada diferente do que foi a União Soviética!

O mais difícil, porém, é que a Rússia está cercada por inimígos. E no termo geoestratégico, o país que veio suprir a falta da União Soviética é a China. COm seu PIB ( ou GDP) chegando na casa dos 10 trilhões, a China tem muito dinheiro em caixa para financiar o Tadjiquistão, Quirguistão e países daquela região.

Na realidade, talvez seja mais fácil ocorrer uma guerra entre Rússia e China antes que uma guerra Estados Unidos vs China.

Mas o projeto de Putin é magnífico. E será alvo de sua ambição nos próximos 12 anos, quando irá pavimentar o caminho para o ressurgimento do Urso, daqui á algumas décadas.

Pippo disse...

Pessoal, o artigo não é meu, apenas fiz traduçao do mesmo, o que já é bem bom!. Infelizmente, fazer um arigo deste tipo implica muito estudo, muita leitura e, claro, muito tempo disponível, o que, para mim, é um luxo inacessível. Já tenho sorte em ter tempo para ler umas coisas e traduzi-las.

O que eu achei de interessante neste texto é a análise prospectiva desta integração e, claro, as implicações geopolíticas que uma união euroasiática terão à escala global.

Obviamente, já há algum tempo que se perspectivava um estreitamento de laços entre os principais países deste futuro bloco eurasiático, a saber, Rússia, Bielorrúsia e Cazaquistão. Há um bom grau de interdependência entre os países e o fim de presença norte-americana na Ásia Central, a par da proximidade da Rússia, certamente ditarão uma maior inetegração dos países da Ásia Central num bloco liderado pela Rússia, a qual terá um papel similar ao da Alemanha na União Europeia. A Ucrânia, que poderia fazer o papel da França, optou por ficar fora, vamos ver por quanto tempo mais.

Recomendo por fim que leiam este artigo juntamente com um outro que traduzi recentemente e que foi publicado neste blog, pois complementam-se um ao outro.

PortugueseMan disse...

Pippo,

Gostei de ler os 2 artigos e é bom estar disponível em português.

Um pouco dentro desta linha indico um outro para quem quiser ler mas agora em inglês, pois não tenho essa capacidade de os traduzir como o Pippo tem.

Russia's EU crisis campaign

http://www.businessspectator.com.au/bs.nsf/Article/Russia-strategy-europe-crisis-debt-lending-Kremlin-pd20111104-NA2T5?opendocument&src=rss

O artigo também foca as movimentações russas em torno da Europa onde chamo a atenção para a imagem que acompanha o artigo onde mostra o que a Russia anda a tentar adquirir na Europa. Dado o período de fragilidade económica europeia, a Rússia com uma capacidade financeira musculada (apesar de muita gente continuar a insistir que assim não é), aproveita a época de saldos para investir estrategicamente.

E isto também faz parte do plano de modernização que está em curso na Rússia, a importação de know-how em sectores que estão atrasados.

É também para se reflectir que devido à capacidade financeira que a Rússia possui, ela é uma alternativa ao avanço chinês e a Europa deve pensar que não pode depender demasiado da China, a procura por parte de UE de apoio financeiro chinês, não é nada bom para o futuro da UE.

Parece-me que a Rússia quer mostrar que não só podem contar com ela como fornecedor fiável de energia, mas também que a vejam como parceira, a Rússia mostra capacidade para correr em auxílio da UE, mas claro também quererá tirar dividendos com isso.

Vejam por exemplo a referência à Nokia que está feita no artigo.

Jose Milhazes disse...

PM, um docente de uma universidade ou instituto superior ganha, na Rússia, cerca de 14 mil rublos (350) por mês. É com este salário que se fazem modernizações?

PortugueseMan disse...

Não meu caro.

Fazem-se modernizações com docentes universitários a ganhar 3000€/mes.

Depois estes docentes formam novos licenciados e estes vão trabalhar como caixas num hipermercado a ganhar com sorte o ordenado mínimo, porque o país não possui mercado de trabalho que os absorva.

Mas pelo o menos os docentes universitários ganham um salário moderno, mesmo que estejam apenas a formar pessoas para caixas de hipermercado.

Nem oito nem oitenta meu caro. Ganham 350? ( eles ganhavam melhor no passado?) mas pelo o menos estão a formar o futuro, e esse futuro quando sai das universidades cada vez encontra mais hipóteses de trabalho na àrea em que se especializou, porque ALGUÉM anda a INVESTIR na MODERNIZAçÃO das insfrastruturas.

Um filho de um amigo meu formou-se em Engenharia Naval, CÁ. Saídas para ele? Saltou para a Espanha e neste momento está na Noruega.

Portanto é isto a modernização? um docente ganhar 3000/mes, um país que gasta bastante dinheiro na formação de uma pessoa e depois essa pessoa vai aplicar os conhecimentos que o seu país lhe deu para outro lado? O que ganha o país com isto? um ar moderno?

Jose Milhazes disse...

Caro PM, você não tem problema em ser demagogo. Se os nossos licenciados encontram trabalho em Espanha ou Noruega, significa que temos um bom ensino superior. O problema é que o nosso país não sabe aproveitar os seus quadros.
Professores que ganham 350 euros por mês não fazem modernizações. Você nem sequer imagina o que é viver com esse dinheiro em Moscovo.
Pague o mesmo aos professores universitários nos países ocidentais e verá qual será o resultado.

PortugueseMan disse...

...O problema é que o nosso país não sabe aproveitar os seus quadros...

Pois, eu não tenho problemas em ser demagogo.

Portanto é o país que não sabe aproveitar os quadros que tem? Que curiosa escolha de palavras. É que eu pensava é que o país não tem é infrastruturas para os absorver.

É mau em Moscovo? olhe sabe como é que um jovem licenciado sem trabalho, a receber subsídios estatais, sem poder começar a vida, sem poder comprar uma casa, sem ver um futuro à sua frente se sente?

Será o futuro destes licenciados a abertura de lojas da IKEA, ou numa fábrica de sapatos? não, nem isto pode ser, porque anda tudo a fechar.

De que serve um ensino superior, se o mercado não absorve os engenheiros, os arquitectos, os advogados, jornalistas, médicos, etc, etc?

Se um professor na Rússia ganha mal, vá para outro lado! que é o que fazem alguns jovens do nosso país!

Pague o mesmo aos professores universitários nos países ocidentais

Quais países Ocidentais? aqueles países que estão enterrados em dívidas até à raiz dos cabelos? Aqueles que cada vez têm menos dinheiro para pagar aos seus professores?

Na maior parte dos países ocidentais, vamos ter muitas novidades, nos próximos anos.

PortugueseMan disse...

Já que estou a falar de modernização, vou indicar mais um artigo, que saiu em Julho deste ano também pela Stratfor:

Russia's Progress in its Privatization and Modernization Plans


http://www.stratfor.com/analysis/20110729-russias-progress-its-privatization-and-modernization-plans

Vou colocar algumas partes, mas para a quem o tema interessa, recomendo a leitura integral.

...Moscow changed its economic strategy in late 2009 after nearly a decade of economic consolidation during which the Russian government took over most strategic industries. This created state champions in every sector from energy to telecommunications. The goal was to oust foreign and anti-Kremlin influence from Russia while the country strengthened internally after a decade of chaos following the Soviet Union’s collapse...

...As Russia strengthened internally and grew more confident of its influence in its periphery, the Kremlin became less concerned with non-Kremlin influences in the economy and more concerned about organizing the economy in order to plan for a strong future in Russia...

...The plan was twofold. First, the Kremlin launched its modernization program to update and expand its seven strategic sectors: energy, space, information technology (IT), military, telecommunications, transit and nanotechnology...

Energy: Most foreign energy majors that left Russia during the economic consolidation have started negotiating their return to Russia...

Information technology: Russia’s IT sector is a decade behind the West’s and in dire need of technology and investment...Medvedev’s public tour of the Silicon Valley in 2010 helped garner interest from Cisco, Microsoft, Google, Facebook and Twitter for creating this Russian hub, dubbed Skolkovo. Some of the U.S. firms are already contributing billions of dollars. Other foreign firms like Finland’s Nokia are also interested....

Space: Russia’s modernization efforts in its space industry are different from those in the other sectors. Instead of asking foreign firms to come in, Russia is hiring a large number of space personnel being laid off in the United States....


É interessante o que a Rússia está a fazer neste segmento, está a dar trabalho a mão de obra especializada americana!

Military: Russia has shifted its policies on its highly guarded military industrial sector to start accepting foreign military supplies...

Telecommunications: Russia’s telecommunications sector is also in dire need of modernization and expansion...foreign partners will take stakes in the state telecommunications champions. Firms from Norway and Finland have been the most interested in this area...

Transit: The modernization of Russia’s transit sector mainly consists of installing high-speed rail to connect strategic parts of the country and other countries, and of revamping the shipping sector. Thus far, the rail connections planned are Moscow-Minsk, Moscow-Helsinki, Moscow-Riga, Moscow-Kiev, Moscow-Crimea and Moscow-Sochi. Most of the funding for these new connections is coming from German firm Siemens, which is investing billions...

Nanotechnology: The modernization plans for nanotechnology are a little more vague than plans for the other sectors but are clearly a focus for the Kremlin, which has pledged $11 billion for this sector by 2015...


o artigo é extenso com uma parte dedicada à modernização e outra à privatização de empresas estratégicas e com trechos dedicados a vários dos países envolvidos (Alemanha, França, EUA, Coreia do Sul, Finlândia e China), estão lá muitos detalhes interessantes.

Pippo disse...

PM, o excelente artigo do link que colocou na sua mensagem também é da Stratfor e é extremamente interessante.

A Rússia (e não duvide, também a China) usam a economia para atingir fins políticos. Onde antes se usavam exércitos e canhoneiras, agora usam-se o dinheiro, as empresas e e o IDE. É uma forma mais subtil e mais pacífica de dominação.

PortugueseMan disse...

Pippo,

Para um país que há 13 anos atrás estava a pedir ajuda ao FMI, é uma grande reviravolta.

Pippo disse...

O engraçado é que, há uns anos atrás, eu disse a ujm amigo meu "Daqui a uns... uns 10 anos, a Rússia estará de volta".

Ele achou que não, que iria demorar muito mais tempo.

Eu acertei.

Isto ensina-nos uma grande lição, que é a de não andarmos por aí a vender a pele do lobo (neste caso, do urso) antes de o matarmos. A HIstória ensina-nos que o Mundo dá muitas voltas, e se um país está hoje em alta, amanhã já pode estar na miséria. Veja-se a Alemanha, que passou por dois períodos de miséria (os pós-gurras) e três de crescimento.

Na minha óptica, a única - gigantesca - ameaça à Rússia (e à Europa, diga-se de passagem), é a crise de natalidade da sua população nativa. Mas se este problema for resolvido e se as pessoas voltarem a ter mais filhos, nada impedirá a Rússia de crescer a médio prazo (leia-se, 50 a 100 anos).

Gilberto Mucio disse...

«Para um país que há 13 anos atrás estava a pedir ajuda ao FMI, é uma grande reviravolta.»


O preço de petróleo subiu de USD 12 para USD 120.

Só isso.

Não tem segredo. :)

Analisando friamente, de um ponto de vista estrutura, econômico e social, A Rússia se encaminha a passos largos para ser uma grande Nigéria.

PortugueseMan disse...

O preço de petróleo subiu de USD 12 para USD 120.

Só isso.


É claro que não.

O segredo é o próprio país controlar as suas próprias riquezas e não empresas estrangeiras.

Como na Nigéria.

Gilberto Mucio disse...

«O segredo é o próprio país controlar as suas próprias riquezas e não empresas estrangeiras.»

Você só pode estar brincando que "A Rússia controla suas ruquesas"...

A Rússia está mais desnacionalizada até do que o Brasil(que também é controlado de fora).

A Gazprom é 1/2 capital germano-anglo-americano.

Os demais recursos minerais não-hidrocarbonetos está quase todo 100% em mãos privadas nas mãos de oligarcas e testas de ferro.

Anónimo disse...

Bem, considero que Putin é um ditador. E como todo ditador, ele tem planos megalomaníacos de domínio e poder global, de um estrutura única de poder para uma vasta região do mundo. E ainda chamam os ocidentais de illuminati. Isso só demonstra que a Rússia não conseguiu superar seu passado, é a velha mentaldiade estalinista. No lugar de querer dominar o mundo o Sr. Putin deveria pensar em melhorar, primeiro, o bem de estar de vida do seu povo. Melhorar as condições sociais e economicas: renda per capta, poder de comprar, iguadade social e etc... A Suécia não é uma potência e vive-se muito bem por lá. Até a China consegue ser mais discreta, atua nos bastidores e consegue, de fato e ao contrário da Rússia, ter uma influência global. É aí que está a diferença entre Rússia e China. A China tem uma economia forte e a Rússia não. Como um país que vive de exportar commodities, que viver uma crise demografica, com problemas internos como guerras e terrorismo, alccolismo, pobreza, desigualdade social, corrupção... pode ser uma potência? Sem uma economia forte e estável?

A Rússia viver um período de desendustrialização. Qual seria as vantagens economicas dessa formação? Não há como comparar isso a UE. A UE tem França, Alemanha, Espanha, Inglaterra, Holanda, Bélgica... E essa união que o Putin quer formar, tem o q? Uzbequistão, Tadjaquistão, Turcomenistão... não se pode comparar esses países com a UE. São economias fracas e desindustrializadas. É um projeto puramente antiocidental, antieuropeu e uma alternativa a UE. Esse pessoal só quer criar conflitos, o que eles querem? A terceira guerra mundial? O fim do planeta? Pq o Sr. Putin não se mobiliza para a paz?

Outra coisa que me deixa intrigado. No artigo em que o Putin escreve sobre a tal União Euroasiática, ele já decide e planeja tudo de antemão. Ele não deveria consultar os governantes e os povos desses países e saber se eles querem mesmo essa tal união? Taí mais uma diferença entre esse projeto e a UE: isso vai ser decidido de cima pra baixo, em Moscou, sem a consulta a esses países. Será que Ucrânia, Belarus e Modálvia vão querer se unir a uma comunidade não européia como se fossem países asiáticos?

Gilberto Mucio disse...

Uma analogia simplória para explicar a Rússia pós-soviética:

Você está na rua, com uma mala abarrotada de dinheiro, milhões de dólares, no meio de uma multidão.

Em certo momento, você chega no maio dessa multidão, abre a mala, e começa a jogar dinheiro para cima e grita "É DE QUEM PEGAR!".

Em seguida o que se verá é uma anarquia e desordem absolutas!

Brigas, porradas, gente se estapeando se matando...

Basicamente 3 grupos levarão vantagem:

1 - Os que estavam numa posição mais vantajosa

2 - Os mais fortes

3 - Os mais espertos

Nesta disputa não há a mínima ética ou moralidade. É tudo pelo dinheiro. Em meio a anarquia, aflora nas pessoas os instintos mais animais.

Porém...

Passados alguns minutos, quem tinha de pegar dinheiro já pegou. Os mais bem posicionados, os mais fortes e os mais espertos levaram vantagem... e as disputas vão acabando.

A anarquia passa. Quando a pessoa está em posse do dinheiro, o que ela mais quer é "respeito e ordem".

A poeira baixa, e as coisas tendem a se "normalizar", as pessoas voltam a circular normalmente.

Mas o dinheiro, já era. Não volta mais para a mala.

--

Pois bem... O que aconteceu na Rússia foi exatamente isso.

Quem tinha de roubar já roubou. E a anarquia absoluta e a barbárie, o estado de "Terra de Ninguém".


Depois disso a cotação do petróleo (e outras commodities) DECUPLICOU.

E só um completo tolo nefelibata sem a mínima capacidade de análise de dinâmica histórica acha que isso - a aparente melhora em relação aos anos 90 - foi graças a Putin ou esse governo.

É isso.

PortugueseMan disse...

A Gazprom é 1/2 capital germano-anglo-americano.

De novo esta conversa?

A Gazprom é controlada pelo o estado. Você parece ter problemas em lidar com a realidade.

E se realmente hoje não houvesse um controlo dos recursos energéticos, nunca a Rússia estaria como está hoje.

Estaria como uma Nigéria, uma Angola, uma Líbia, um Iraque.

Jose Milhazes disse...

Caro PM, há uma diferença substancial entre você e o Gilberto, que leva a este tipo de discussões: o Gilberto vive na Rússia e você não.
Com isto não quero por fim às discussões, pelo contrário. Mas penso que devemos ter em conta este factor.

PortugueseMan disse...

Meu caro,

Podemos ter isso em conta.

Mas isso não é um factor que se possa ter em conta para dizer que a Gazprom não é controlado pelo o governo russo.

Se partimos de um pressuposto errado, o percurso lógico que percorremos será completamente diferente.

Jose Milhazes disse...

CaroPM, eu diria que a Gazprom é controlada por um grupo de pessoas com interesses pessoas, e não nacionais.

PortugueseMan disse...

Eu não digo que as coisas estejam bem na Rússia.

O que eu digo é que o caminho que a Rússia percorre, irá traduzir-se num aumento de qualidade vida, principalmente para as gerações futuras.

Da mesma maneira percebo o que você quer dizer quando me dá o exemplo dos docentes universitários ganharem 350/mês.

Mas o país não deve só aumentar os docentes, se calhar deve aumentar os vencimentos de todos os funcionários públicos.

Mas de onde vem o dinheiro para pagar os funcionários públicos? vem do Estado. o Estado deve primeiro arranjar capacidade de suportar o aumento dos vencimentos.

Como é que o Estado pode fazer isso, se o sector privado estiver estagnado? Com o dinheiro que o governo está a obter com os lucros da venda dos seus recursos energético, realmente poderia aumentar os vencimentos para todos. E se fizesse isso, ai sim eu diria que a Rússia estaria a viver à custa da venda de energia.

Mas não, a Rússia constroi um pé de meia(bem grande) para os dias difíceis e está a tentar salvar todo o know-how que detém, esse é o na minha opinião o património mais importante que a Rússia tem, o conhecimento. Poucos países dominam uma tão grande variedade de sectores.

Se eles conseguirem reactivar alguns dos sectores, haverá uma bola de neve de crescimento, que isto sim irá diminuir a dependência da venda de recursos naturais.

Você sabe que esta é a ideia que tenho sobre o caminho que a Rússia percorre.

E também sei, que os efeitos disto são a médio/longo prazo. O que está a ser feito irá ser sentido principalmente nas gerações futuras.

PortugueseMan disse...

CaroPM, eu diria que a Gazprom é controlada por um grupo de pessoas com interesses pessoas, e não nacionais.

Discordo. E se assim fosse, não seria preciso o governo ter tanto trabalho para obter o controlo. Deixava as coisas seguirem o seu caminho que os grandes comem sempre.

A Gazprom é uma autêntica arma política russa.

Pelo o facto de ter obtido o controlo da Gazprom, a Rússia impôe condições ao continente europeu e asiático e a pressão política será cada vez maior, porque cada vez consumimos mais energia.

Anónimo disse...

"A Gazprom é uma autêntica arma política russa."



Por isso ninguém quer comprar gás da Rússia, o preço é alto! O dia que a Gazprom for de fato uma empresa e como tal movida por interesses puramente comerciais, certemente aparecerá vários compradores de se gás.

PortugueseMan disse...

Por isso ninguém quer comprar gás da Rússia, o preço é alto!

você já viu a lista de clientes da GAzprom? e os que fazem fila para comprar também?

E qual o preço dos outros fornecedores? faça lá uma comparação.

Gilberto Mucio disse...

Caro PM,

A GAzprom é 50,1% estatal. O Resto é anglo-germano-americano.

E sim, que controla é o Estado, nas quem manda na Gazprom é o Capital. E principalmente o alemão.

A grosso modo - e talvez exagerando, mas não muito - quem manda na Gazprom é a Alemanha.

---

Mas MESMO que a Gazprom fosse 100% estatal, isso não mudaria tanto assim o fato ser uma fornecedora de commoditie em franco processo de desindustrialização.

----
«CaroPM, eu diria que a Gazprom é controlada por um grupo de pessoas com interesses pessoas, e não nacionais.»

Milhazes está correto. E isso é o óbvio.

PortugueseMan disse...

E sim, que controla é o Estado, nas quem manda na Gazprom é o Capital. E principalmente o alemão.

A grosso modo - e talvez exagerando, mas não muito - quem manda na Gazprom é a Alemanha.


Eu não consigo perceber esta fixação pela a Alemanha.

O que é que a Alemanha fez, para que você tenha essa opinião? Em que motivos se baseia para chegar a essa conclusão?

Consegue explicar? Dê-me algo para ver se percebo a sua linha de raciocínio.

Mas MESMO que a Gazprom fosse 100% estatal, isso não mudaria tanto assim o fato ser uma fornecedora de commoditie em franco processo de desindustrialização

Está em processo de desindustrialização porquê? o que o faz dizer isso?

Anónimo disse...

Gilberto, não concordo com a analogia, a Rússia ainda é bastante corrupta.

Gilberto Mucio disse...

A Alemanha é o maior cliente da Gazprom.

É quem manda, quem escolhe a dedo os nomes para diretorias.

Alexey Miller, por exemplo, é homem de Gerard Schroeder.

Que por sinal, até bem pouco tempo atrás, era o principal lobista que fazia o meio campo entre Alemanha e Gazprom.

--------------

Anónimo,

A analogia não quer dize que a Rússia não seja mais corrupta.

Mas que aquele explícito estado de "Terra de Ninguém" ou terra sem lei, de anarquia a caos absolutos não é mais tão visível como nos anos 90.
.

Anónimo disse...

Para mim Gerard Schroeder é um grande ladrão e corrupto! Quem não duvida que esse sujeito enriqueceu enormemente com esse lobby que ele fez para Gazprom? Não duvido que ele tenha testas-de-ferros como acionista da empresa e seja ele próprio dono de uma grande fatia de ações.

Anónimo disse...

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