terça-feira, janeiro 31, 2012

Que faz a CPLP no domínio da divulgação da língua portuguesa?

Nas últimas semanas, por várias razões, nomeadamente devido à realização de duas sessões do lançamento do meu livro "A Saga dos Portugueses na Rússia" em duas escolas de língua portuguesa de Moscovo, tive a oportunidade de constatar uma vez mais que continua a ser muito grande o interesse dos russos pela língua de Camões.
Não me pude queixar da falta de curiosos e interessados, bem pelo contrário, não esperava tanta gente. 
Esse interesse é ditado pelos mais diversos motivos: desde o simples facto de considerarem o português uma língua bonita até à intenção de ir trabalhar para Portugal ou para outro país de expressão portuguesa. 
São algumas centenas de alunos nas universidades e escolas  não só de Moscovo e São Petersburgo, mas também de Rostov no Don ou Piatigorsk, no Sul da Rússia. Ao certo, nunca ninguém se preocupou em calcular...
Esse número irá continuar a crescer visto que países como Angola, Brasil ou Moçambique estão em franco crescimento e, por diversas razões, tendem a aumentar as suas relações económicas, comerciais e políticas com a Rússia. O Brasil faz parte dos BRICS e Angola e Moçambique mantiveram estreitos laços de cooperação com Moscovo depois da proclamação da independência desses dois países africanos de expressão portuguesa.
Até agora, Portugal tem sido o país que maior apoio tem dado ao ensino do português na Rússia, mas sempre insuficiente, devido às limitações económicas do nosso país. Brasília deveria estar mais empenhada neste processo, porque os seus interesses são cada vez maiores na Rússia, mas os dirigentes brasileiros parece que ainda não tiveram tempo para olhar para este problema.
Quanto a Angola e Moçambique, a sua actividade neste campo, se existe, não é visível.
Tendo em conta a actual situação económica em Portugal, não se pode esperar que o Instituto Camões ou outras instituições lusas aumentem o seu apoio ao ensino do português na Rússia. Já seria bom se se mantivesse o nível de anos anteriores, o que não se regista.
Por isso, a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa deveria dar início à união de esforços dos seus membros com vista a divulgar a nossa língua comum. 
Não sei se se realizam programas conjuntos noutras áreas do mundo, mas esta deveria ser uma das áreas importantes de cooperação.  
Caso avançasse essa política comum, não seria também de esquecer as numerosas pessoas que já falam português na Rússia e nas antigas repúblicas soviéticas. São dezenas de milhares de pessoas, algumas delas ocupam cargos importantes nas estruturas estatais, empresariais e políticas dos seus países, mas este filão não tem sido seriamente aproveitado pelos países lusófonos.
A julgar por Moscovo, e penso que noutras cidades e países a situação é a mesma, não se vêem iniciativas lançadas por vários países da CPLP ou por essa organização como um todo. E é pena, pois é daquelas áreas onde os frutos poderão ser reais com maior rapidez. Para isso é preciso plantar e tratar das plantas e não ficar à espera que as árvores de fruto cresçam sozinhas ou sejam plantadas e tratadas pelo vizinho.
 
 

6 comentários:

Miguel Loureiro disse...

José Milhazes
É perverso(?) que seja a China, que criou uma Plataforma da Lusofonia, em Macau e que esteja à frente do ensino do português, como implemento às trocas comerciais e à colocação de quadros nos países da CPLP. E tem dado resultado, porque as exportações/importações vão crescendo, mas sempre a favor da China.
É o nosso fado...

Jest nas Wielu disse...

O que uma estrutura burocrática pode fazer pela língua viva? Nada...

Gilberto Mucio disse...

Não espere nada da Embaixada do Brasil quanto a isso, pois é inútil.

São burocratas da pior estirpe, que entram no Instituto Rio Branco(escola de diplomacia) já pensando em regalias e aposentadoria.

Europeísta disse...

Sr. Milhazes,

Não há uma escola do Instituto Camões em Moscou? Pq o governo português ainda não providenciou para já escolas desses institutos em Moscou e em São Petersbugo?

Jose Milhazes disse...

Europeísta, o Instituto Camões não faz mais na Rússia porque não pode, não tem meios. Tem um leitor em Moscovo, que já faz muito. É preciso uma política concertada.

Anónimo disse...

Concordo com o Milhazes.