terça-feira, junho 05, 2012

Estatuto da língua russa divide a Ucrânia




Texto enviado pelo leitor Jest

"Mensagem enviada pela ASSOCIAÇÃO DOS UCRANIANOS EM PORTUGAL aos deputados do PSD,PS, CDS/PP, deputados europeus portugueses


4 de Junho de 2012


Excelentíssimos Senhores,

Vimos informar as Vossas Excelências dos últimos aos acontecimentos na vida política da Ucrânia, que podem ter consequências muito graves, podendo mesmo conduzir à guerra civil.

Um grupo de deputados do «Partido dos Regionais» propôs uma lei para que a língua russa seja a segunda língua oficial na Ucrânia.

A história das relações russo-ucranianas é longa e complicada. A Ucrânia, durante vários séculos, fez parte do império russo. Os governadores tentaram russificar o povo ucraniano, proibindo várias vezes a língua e a cultura ucraniana. A actual situação na Ucrânia sobre a língua oficial é muito frágil, não sendo, em geral, favorável à língua ucraniana. 70% dos meios de comunicação transmitem programas em língua russa.

 Os partidos democráticos, líderes religiosos na Ucrânia e diáspora ucraniana em cerca de 40 países do mundo estão convencidos de que esta proposta de lei tem como objectivo provocar distúrbios na sociedade ucraniana para esconder a falha de um programa social e económico do actual governo, transformar a Ucrânia num país antidemocrático, como o prova o processo de Iulia Timochenko, e ainda recolocar completamente a Ucrânia na órbita russa.

Nestas circunstâncias, os ucranianos de todo mundo estão preocupados que o actual governo e «Partido dos Regionais», que controlam o Parlamento ucraniano, possam levar a Ucrânia a um conflito civil. Por isso pedimos à comunidade internacional que tenha em conta este facto nas relações políticas com o actual governo da Ucrânia.


Presidente da  Associação dos Ucranianos em Portugal

                                  Pavlo Sadokha

Presidente do Movimento Cristão dos Ucranianos em Portugal

                                 Ivan Onyschuk

Presidente da Associação dos Ucranianos no Algarve

                                 Ihor Korbelyak

                                                               Presidente da Associação cultural “Fonte do mundo”

                                                                                                   Borys Kucheras




Factos históricos da proibição da língua ucraniana

1627. O Decreto do czar russo Mikhail Romanov (o primeiro da dinastia Romanov) e do Patriarca de Moscovo Filaret, o seu confessor e mentor, ordenava a confiscação e a queima dos livros em língua ucraniana.

1720. O Decreto do czar russo Pedro I (O Grande): «Nas tipografias do mosteiro de Kyiv-Pechersk e de Chenihiv não publicar os livros novos … os livros antigos corrigir antes de impressão para … que não haja neles uma língua diferente...». No dia 20 de Dezembro de 1720, Pedro I emitiu a ordem ao Governador de Kyiv, conde Golitsin, para que «em todos os mosteiros, que ficaram no estado Russo, verificar e retirar as cartas régias antigas e outras cartas curiosas originais e também os livros históricos, manuscritos e impressos».

1748. A Ordem do Sínodo de São Petersburgo ao Metropolitano de Kyiv, Samuil Miloslavsky, para introduzir na Academia Kyiv-Mohyla e em todas as escolas da Ucrânia o ensino da língua russa. Em resultado disso, na margem esquerda do rio Dnipro desapareceram 866 escolas ucranianas.

1763. O Decreto da czarina Katerina II sobre a proibição do ensino em língua ucraniana na Academia Kyiv-Mohyla.

1863. A Circular do Ministro de Interior do Império Russo, P. Valuyev sobre a proibição de edição em língua ucraniana dos livros escolares, literatura e livros religiosos, língua, que, como Valuyev alegava, «não existia, não existe e não poderá existir».

1876. O imperador russo Alexander II emite o Decreto de Ems sobre a proibição de trazer para a Rússia quaisquer livros e brochuras escritas em «dialecto dos pequenos russos», publicar as obras originais e traduções em ucraniano, organizar as peças teatrais, publicar os textos das notas musicais e tocar as obras musicais ucranianas. Promulga o Decreto, a ser encarado como «regra geral», segundo o qual os professores designados para trabalhar na Ucrânia deveriam ser russos e os professores ucranianos deveriam ser enviados para trabalhar nas províncias de São Petersburgo, Kazan e Orenburg. Essa «regra geral» de facto funcionou na União Soviética e foi definitivamente abolida apenas em 1991. Desta maneira, os intelectuais ucranianos eram exilados na Rússia e no seu lugar eram enviados para a Ucrânia os russos étnicos.

1884. O czar russo Alexander III proíbe a organização das peças teatrais ucranianas em todas as províncias da Ucrânia.

1922. Liquidação da organização ucraniana Prosvita [Educação] na Kuban, Extremo Oriente da Rússia e em todos os lugares onde a diáspora ucraniana vivia dentro das fronteiras da URSS mas fora da Ucrânia. Uma parte do Comité Central do Partido Comunista da Rússia e o seu Comité Central ucraniano adere à «teoria» da luta na Ucrânia entre duas culturas: a citadina (russa) e a camponesa (ucraniana), em que deveria vencer a primeira.

1929-1930. Prisões dos proeminentes líderes da ciência, cultura, educação e religião da Ucrânia. O processo criminal contra eles na cidade de Kharkiv (o processo da «União da Libertação da Ucrânia»). Um dos investigadores, Solomon Brook dizia a um dos detidos, V. Durdikivsky: «Temos de colocar todos os intelectuais ucranianos de joelhos. Esse é o nosso papel. Quem não vergar, será fuzilado». Nestes anos, no território da Ucrânia Soviética, foram detidos, fuzilados ou enviados aos campos de concentração mais de 120 mil ucranianos, principalmente intelectuais. Poucos sobreviveram.

1958. Decisão do Plenário do Comité Central do PCUS sobre a passagem de uma parte de escolas ucranianas para o ensino em língua russa. Uma decisão semelhante foi adoptada pelo Parlamento (Verkhovna Rada) da Ucrânia Soviética.

1970. Julgamento dos autores da «Carta da juventude artística de Dnipropetrovsk», protestando contra a russificação da cultura ucraniana. O ministério da Educação da Ucrânia Soviética emite a Ordem sobre a escrita e a defesa de teses apenas em língua russa. A defesa das teses seria efectuada apenas em Moscovo. Por vezes chegava-se ao absurdo de escrever e defender em russo as teses sobre a língua e a literatura ucranianas.

1984. A Ordem do Ministério da Cultura da URSS sobre o uso obrigatório da língua russa na documentação de trabalho. Iniciam-se os pagamentos dos salários aos professores de língua russa, 15% superiores aos dos professores de língua ucraniana.

1998-2001. A relação entre o uso da língua ucraniana e a língua russa na imprensa escrita é 1:10. A Ucrânia é o primeiro país do mundo em matéria da cobrança do IVA sobre livros ucranianos: 28%."


6 comentários:

Europeísta disse...

É a russificação! Pobres ucraianos! Um político mexicano disse uma vez: "Pobre México, tão longe de Deus e tão perto dos EU". Olha, o mesmo se aplica ao caso da Ucrânia.

A Rússia tenta acabar com qualquer tentativa de tornar a Ucrânia um nação mais soberana suprimiindo sua idéia de nacionalidade. Esses atual presidente ucraniano, que já foi até ladrão (ainda o é né!), implementou sorrateiramente todo o seu programa de russificação e transformação da Ucrânia numa ditadura típicia de países pós-soviéticos. Permitiu que a frota russa continuasse na Criméia, perseguiu oposotires, retirou o status de héroi nacional de um líder da UPA e diversas outras medidas que acabaram com a já frágil democracia ucraniana e ainda por cima jogou o país nos braços de Moscou.

As próximas medidas serão: a participação da Ucrânia nessa união aduaneira e a venda de empresas estatais ucranianas na área energética para empresas russas. Foi exatamente o que aconteceu em Belarus. Os russos deixaram o país quebrar e se edividar a tal ponto que Belarus abriu as portas para Moscou. Só cabe aos ucraninos agora resistir, resistir e resistir!

É projeto político de Putin restaurar a URSS que ele chamou o seu fim de pior catástrofe geopolítica no século 20. Algumas pessoas pró-putin com quem já conversei me garantem que ela quer, inclusive, atacar a soberania dos países bálticos. Eu não sei como ele o faria, pois esses países são parte da UE e da Nato e estão perfeitamente integrados ao Ocidente, mas de putin se pode esperar tudo, qualquer medida bábara e déspota são esperadas de alguém como ele. Só falta ele querer invadir a Finlandia tb já que esse sempre foi um sonho do despotismo russo, anexar aquele país a sua órbita política. O que não dizer de tentar atrair novamente os países da Europa Oriental para sua zona de influência? Polônia, República Tcheca, Hungria... ou ainda até a ex-Alemanha Oriental? hahaha... Esse Putin é um louco megalomaníaco. Ele arrastará a Rússia e os russos para a pobreza, atraso e obscurantismo!

Anónimo disse...

Há uma pequena falha na margem direita do texto, nós não conseguimos ler o final das últimas palavras. Estão cortadas.

Pippo disse...

Não estou a perceber.
O projecto de lei é para se proibir a língua ucraniana, ou é para elevar o russo (falado por uns 30% ou mais da população) à condição de língua nacional, a par da língua ucraniana?

PANTZIR disse...

A Ucrânia precisa mais da Rússia do que dos Estados Unidos ou União Européia...

A Ucrânia, que é a Argentina do Leste Europeu, é um país de emigrantes,onde jovens e adolescentes mulheres sem futuro estão migrando para a Alemanha, França e Espanha para se prostituirem!!!!

A Ucrânia é um país falido, sem petróleo e gás, é uma simples faixa de terra que serve de corredor para a passagem de gás russo!!!

A solução é se reintegrar ao território russo, entregar seu exército, força-aérea e marinha para ao Ministério da Defesa Russo, assim como está fazendo Belarus e futuramente fará Lituânia, Letonia e Estonia, e talvez até a Moldávia e a Geórgia!!!

Wandard disse...

"Ele arrastará a Rússia e os russos para a pobreza, atraso e obscurantismo! "

Sério!!!!!!!

Jest nas Wielu disse...

Amigo das pulgas, PANTZIR, mais uma vez mudou de nick, já não é furacão, mas continua na mesma... a defender a entidade que para se sentir poderosa necessita do "exército, força-aérea e marinha" da "Lituânia, Letonia e Estonia, e talvez até a Moldávia e a Geórgia!!!"

O pessoal da marinha da Estônia e do exército da Letônia pediram para lhe explicar que Letônia e Estônia, também se escrevem com acento...