sábado, setembro 15, 2012

Para onde conduzem as manifestações de rua?




Acabei de chegar de mais uma grande manifestação contra o Presidente russo, Vladimir Putin, em Moscovo. Segundo a polícia, na "Marcha do Milhão" participaram 11 mil pessoas, o que estava muito, mas mesmo muito longe da verdade.
Os organizadores desta acção de protesto falam em cerca de cem mil pessoas. Não sei se lá estava esse número de pessoas, mas posso dizer, sem qualquer margem de dúvida, que o número anunciado pela polícia estava muito mais longe da realidade do que o avançado pela oposição. Resumindo, tratou-se de uma das maiores manifestações anti-Putin na Rússia.
Deixou de ser paradoxal o facto de se ver lado a lado apoiantes das mais antagónicas forças políticas: nacionalistas; comunistas de vária índole: marxistas-leninistas, estalinistas, trotskistas; anarquistas, sociais-democratas, liberais, minorias sexuais, etc., etc.
O cimento que une toda esta variedade de forças políticas é um: o ódio ao regime do Presidente Putin. Não exagerei ao empregar a palavra ódio, pois não se consegue discernir mais alguma razão.
E um ódio crescente, pois as palavras de ordem são cada vez mais radicais. A palavra de ordem "Putin, vai para o c......!" aparecia escrita sob o disfarce de diversos trocadilhos.
Porém, continuo a não conseguir compreender a onde podem conduzir este tipo de manifestações. Uns dizem que isto pode provocar uma revolução, outros falam em guerra civil, terceiros consideram que a nada conduz...
Não sei, não sou bruxo. Mas sei que na Rússia continua a aumentar o fosso entre o poder e a sociedade civil, processo que, normalmente, não tem consequências positivas. 
Mas este fenómeno parece ser universal. As estruturas do poder representam cada vez menos a vontade dos cidadãos, os políticos parecem viver num mundo à parte, fazem promessas que sabemos que não irão ser cumpridas. Resumindo, o actual sistema político está totalmente esgotado. 
Quanto a alternativas, tenho dificuldade em vislumbrá-las. No séc. XX, algumas sociedades deixaram-se levar por utopias: comunismo e fascismo, que terminaram em autênticos infernos. O que espera o séc. XXI?
P.S. A reportagem fotográfica completa estará na minha conta do FB.

14 comentários:

Wandard disse...

Mais um fiasco.

Anónimo disse...

pode por o link do Fb?
gostava de ver as fotos

PortugueseMan disse...

...Resumindo, tratou-se de uma das maiores manifestações anti-Putin na Rússia...

Meu caro, cem mil manifestantes numa cidade que tem mais população que Portugal inteiro, acerca de um dirigente que tem mais de uma década de presença política..

Compare agora com a manifestação de hoje que aponta para meio milhão na cidade de Lisboa, sobre um governo com pouco mais de um ano de duração...

Meio milhão de pessoas num país de de 10 milhões é algo.

Cem mil num país de 140 milhões...

Não considero de forma alguma este número de participantes significativo.

E nem considero que representam a vontade da maioria do povo russo.

No entanto cá em Portugal, já considero que a manifestação representa uma larga fasquia da população portuguesa.

Nos tempos que correm, a Rússia está bastante bem e parece-me que a maioria da população também pensa assim.

Ricardo disse...

20.000 pessoas em uma cidade de mais de 10 milhões de hsbitantes? Isso representa 0,2% da população de Moscou, como foi dito: fiasco!

Jose Milhazes disse...

Estimados leitores que tanto gostam de números, o peso dos protestos não se mede apenas com o número de manifestantes.
Caro PM, a história da Rússia mostra que não são as manifestações que resolvem a questão do poder, mas os golpes palacianos e as coisas não estão assim tão boas para o Presidente Putin.
E peço-vos para lerem os meus textos até ao fim. Nas ultimas frases, eu falo do divórcio total entre o poder e a sociedade como problema mundial, do esgotamento do actual sistema político. Isto é fundamental.

PortugueseMan disse...

Estimados leitores que tanto gostam de números, o peso dos protestos não se mede apenas com o número de manifestantes...

Não, mas é sem dúvida um dos mais importantes.

E você também assim o considera porque usa os números para começar este artigo e usa os números para classificar esta com uma das maiores manifestações.

Você atribui tanta importância aos números que indica que valores avançados pela polícia estão muito aquém da realidade e que os indicados pela a organização são bem mais precisos.

Resumindo, você usou o peso dos números para dar força à sua perspectiva da manifestação.

Permita que os seus leitores façam exactamente o mesmo. Usamos os mesmos números que você usou e alguns chegam à conclusão que não partilham desse seu entusiasmo por tão pouca coisa.

Caro PM, a história da Rússia mostra que não são as manifestações que resolvem a questão do poder, mas os golpes palacianos e as coisas não estão assim tão boas para o Presidente Putin.

Bom, nunca o vi dizer outra coisa desde que leio este blog. E no entanto Putin lá está e a Rússia a meu ver está bem e está cada vez melhor.

Existe desgaste político? não tenho dúvidas. Mas a MAIORIA continua a votar nele. É um feito.

E peço-vos para lerem os meus textos até ao fim. Nas ultimas frases, eu falo do divórcio total entre o poder e a sociedade como problema mundial, do esgotamento do actual sistema político. Isto é fundamental.

Eu li até ao fim. E possivelmente outros também.

No entanto você atribuiu mais importância aos números, pois foi assim que começou o artigo e as pessoas acabaram por dar mais atenção a isso.

O actual sistema não está completamente esgotado, porque alternativas que sejam melhores eu não conheço.

O que está esgotado é a economia.

e "casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão".

Não havendo dinheiro e existindo tanta corrupção à volta só pode dar no que se vê. Descontentamento a nível mundial. Uns manifestam-se outros levam a coisa mais violentamente.

Portugal está numa situação destas. Os actuais governantes não estão a resolver coisa nenhuma e não estou a ver que existam alternativas melhores. Estamos metidos num belo molho de bróculos.

PEDRO LOPES disse...

O grande defeito que eu encontro nos dirigente Russos é não nacionalizarem a 100% os recursos naturais.
Se a Gazprom e a Lukoil fossem 100% estatais era mais guito para os cofres do estado e este podia baixa e remover totalmente os impostos sobre pessoas e empresas, ajudando a dinamizar desta forma a economia.

Os recursos Naturais são de todos, e devia ser regra constitucional em todos os países do mundo.

A Rússia com estes recursos podia fazer melhor do que tem feito até hoje. Dinamizar outros sectores da economia, e melhorar os níveis salariais, ensino, saúde etc.

Isso das manifs anti-putin já nem ligo.
Cá foram razões sociais gravíssimas que levaram as 700.000 pessoas á rua em todas as cidades.

Na Rússia são 100.000 que se juntam apenas por odiarem Putin sem indicarem os motivos.

Europeísta disse...

Para um país que não tem cultura de protesto, é um momento considerável. Os protestos estão cada vez mais frequentes e fortes, aos poucos eles crescerão até o regime cleptocrata putiniano ruir.

Anónimo disse...

No século 21 os flagelos serão a militância islâmica e o movimentos eurasiano.

Wandard disse...

A única coisa que vai ruir é a paciência da população com estes protestos oportunistas e sem futuro.. Parece que sem o financiamento externo via ongs a desenvoltura destes grupos já não é a mesma.

Marshall Zhukov disse...

Da para ver o prazer de José Milhazes ao postar este protesto em seu blog. Até hoje não vi um post sobre manifestações pró-Putin neste blog... É explícido!!!

PEDRO LOPES disse...

Uma boa decisão recente do governo Russo:

A USAID já foi com os Porcos.

E mais terão de lhe seguir os exemplo.

A Rússia necessita de uma limpeza.
ONGS, e políticos internos vendidos devem basar.

Wandard disse...

Dificilmente ou nunca verá, qualquer publicação pró- Putin aqui partindo do Sr. Milhazes pois infelizmente seu posicionamento não é imparcial.

Anónimo disse...

O fiasco desta manif foi uma brinde ao Putin!

Se realmente "tratou-se de uma das maiores manifestações anti-Putin na Rússia", pode o Volodya dormir descansado.