domingo, setembro 09, 2012

Sobre a colaboração entre o KGB soviético e o PCP


Estava eu aqui a organizar os meus arquivos e notas quando deparei com um artigo escrito por mim e publicado jornal Público em 1988: “KGB aceitou solicitação de Cunhal e preparou seguranças para o PCP”.
Este artigo trouxe-me à memória as revelações recentemente feitas por Zita Seabra, na SIC Notícias, sobre os sistemas de escutas instalados nos aparelhos de ar condicionado da defunta FNAC, empresa ligada ao PCP e uma das fontes de financiamento dessa força política.
As reacções não se fizeram esperar e todos os argumentos foram bons para criticar aquela senhora que teve coragem de mudar radicalmente de ideias políticas.
Tendo em conta os cargos ocupados por Zita Seabra na hierarquia do PCP, ela sabe do que fala, mas para que os que acham que ela inventou esse episódio, deixo aqui alguns documentos dos arquivos do Partido Comunista da União Soviética para que meditem e tirem conclusões.
Em Março de 1976, Álvaro Cunhal, então Secretário-Geral do PCP, foi a Moscovo representar esse partido no XXV Congresso do PCUS e aproveitou a ocasião para pedir aos dirigentes soviéticos apoio “na preparação de quatro camaradas em questão de segurança dos edifícios do Partido Comunista (dois especialistas na descoberta e liquidação de aparelhos de escuta e dois na descoberta e neutralização de explosivos”.
Escusado será dizer que o pedido foi prontamente satisfeito.
Em Maio de 1980, Octávio Pato, em nome da direcção do PCP, fez “um pedido de aquisição para o PCP de tecnologia especial de produção estrangeira com o objectivo de garantir a segurança do partido”.
Coloca-se a questão: os comunistas portugueses não confiavam nos aparelhos Made in USSR ou tentavam esconder os autores da instalação de meios de escuta?
Seja como for, a direcção do Partido Comunista da URSS satisfez mais um pedido do PCP, concedeu cerca de três mil dólares americanos para o KGB (serviços secretos soviéticos) adquirir esses meios no estrangeiro e entregá-los aos comunistas portugueses. 



3 comentários:

João Adélio Marinho Trocado Moreira disse...

Olá. falou-se muito por aqui dessa senhora que, segundo a tua opinião "teve coragem". Conhecia-a pessoalmente e não partilho essa qualidade nessa senhora. Já na altura, na UEC, muitos criticavam o seu oportunismo. Não sou contra a mudança de ideias de ninguém, bem pelo contrário. Mas sobre os aparelhos, também se falou muito, até do intenso ruído que eles faziam e impossibilitavam qualquer escuta aceitável.

João José Horta Nobre disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Luis disse...

Em 1988, o jornal Público nem sequer existia.