quinta-feira, agosto 01, 2013

Snowden considera que obtenção de asilo é vitória da justiça

 
Edward Snowden, que trabalhou como analista informático para a Agência Nacional de Segurança norte-americana (NSA), considerou hoje que a concessão de asilo político é uma vitória para a justiça e agradeceu à Rússia por essa decisão.
"Nas últimas oito semanas, constatámos como a administração de Obama revelou uma atitude de desrespeito em relação às leis internacional e interna, mas, no fim de contas, a justiça venceu", escreveu na página de Internet do Wikileaks.
"Agradeço à Federação da Rússia pela concessão de asilo em conformidade com as leis do país e das obrigações internacionais", acrescentou.
Lon Snowden, pai do ex-agente da CIA procurado pelas autoridades norte-americanas por ter revelado informações sobre os programas de espionagem norte-americanos, agradeceu hoje aos russos e ao Presidente Putin pela concessão de asilo político ao filho.
"Estou muito grato ao povo russo, a Putin e a Kutcherena [advogado de defesa] pelo que eles fizeram, pela sua ousadia, humanismo", declarou ele numa entrevista à televisão Rossia 24.
"Penso que a decisão da Rússia suscita respeito e estou grato à Rússia por isso", acrescentou.
O pai de Edward Snowden frisou que não receia possíveis represálias das autoridades dos Estados Unidos em relação a si e ao seu filho.
"Sou um homem de respeito, não sou cobarde. Penso que as pessoas escolheram o lado falso no meu filho, elas difundem informação nos órgãos de informação americanos. Mas não tenho medo do que irão fazer. Irei levar as coisas até ao fim", assegurou.
Anatoli Kutcherena, advogado de defesa de Eduard Snowden, anunciou que desencadeou o processo legar para que o pai possa encontrar-se com o filho no território da Rússia.
Analistas russos consideram que a concessão de refúgio temporário a Snowden irá agravar as relações entre a Rússia e os Estados Unidos.
Fiodor Lukianov, presidente do Conselho para a Política Externa e de Defesa, considera que o Presidente norte-americano poderá suspender a sua visita a Moscovo, marcada para setembro.
"Durante quase dois meses, os norte-americanos deram a entender que, se Snowden estiver aqui [na Rússia], Obama não virá. Oficialmente isso nunca foi confirmado. Semelhante tipo de especulação não aparece por acaso e visto que os americanos apostam muito nesta questão, não excluo que Obama não venha", declarou à agência Ria-Novosti.
Serguei Rogov, diretor do Instituto dos Estados Unidos e Canadá, não exclui a possibilidade de ser suspenso o encontro de ministros dos Negócios Estrangeiros e da Defesa dos dois países, marcado para 8 e 9 de agosto.
Edward Snowden, que trabalhou como analista informático para a Agência Nacional de Segurança norte-americana (NSA), revelou em junho a existência de programas de vigilância em massa de comunicações telefónicas e via internet de milhões de norte-americanos e estrangeiros.
O analista informático tinha deixado o emprego na NSA dias antes, fugindo para Hong Kong e daí para a Rússia, onde esteve mais de um mês na zona de trânsito do aeroporto de Sheremetievo até que, hoje, lhe foi concedido asilo temporário pelas autoridades russas.
P.S. Pelo menos barulho iremos ter para os próximos tempos. Considero que, não obstante todas as declarações ameaçadoras de Washington, as coisas não chegarão ao ponto dos EUA declararem sanções à Rússia, mas as relações bilaterais irão agravar-se e os norte-americanos não perderão a oportunidade para se vingar do que consideram uma "afronta". 

1 comentário:

Pippo disse...

Os EUA irão é ter de ter muito juizinho pois a Rússia, agora, tem uma arma potente nas suas mãos.
O Caso Snowden, mais do que um simples caso de espionagem, é um caso político e legal no qual se discutem os limites à liberdade é à vida privada dos cidadãos, assunto esse que, "por acaso", é bastante caro para a maioria dos cidadãos norte-americanos.
Por mais que a Administração Obama se apresente como moderna e "liberal", o facto é que continua a falhar enormemente em certos assuntos "bandeira" tais como Guantánamo, a "pacificação" do Afeganistão, a melhoria das relações com o Irão e a Rússia, bem como o arrumar de vez com o nefasto "legado Bush". Pelo contrário, nota-se uma continuação das políticas norte-americanas nestes capítulos, e o caso Snowden demonstra como um bem intencionado e moralmente exemplar "whistleblower" é perseguido como um reles traidor quando, o que ele se limitou a fazer, foi denunciar um atropelo à liberdade dos cidadãos norte-americanos, bem como, saliente-se, vergonhosos actos de espionagem a parceiros e aliados dos EUA (algo que, curiosamente, deu azo a algumas indignações pífias por parte dos dirigentes da UE e pouco mais...).

Doravante, se os EUA quiserem confrontar a Rússia em questões de direitos humanos (o tal advogado que morreu na prisão, etc.), terão sempre de apanhar com o "ataque norte-americano" a este "combatente pela liberdade" que é Edward Snowden.
Valerá a pena ter esta pedra no sapato?