sábado, dezembro 14, 2013

Mas, afinal, quanto vale a "noiva ucraniana"?


A situação na Ucrânia continua a ser extremamente confusa e ambas as partes procuram uma solução para o conflito de forma a saírem ambas triunfantes, o que torna praticamente impossível o diálogo. Entretanto forças pró-UE e forças que defendem a aproximação do país à Rússia preparam novas manifestações em Kiev.
Não há dia em que o Presidente Ianukovitch não se contradiz sobre a assinatura do Acordo de Associação com a União Europeia. Na sexta-feira, prometeu repreender e até despedir os funcionários ucranianos que participaram na elaboração do dito Acordo, acusando-os praticamente de “traição”, pois, segundo ele, no documento há pontos que são autênticos atentados contra os interesses nacionais ucranianos.
Bem, eu compreendo que o Presidente não possa ler todos os documentos, mas acho estranho que nem ele, nem nenhum dos funcionários próximos só tenham dado conta disso agora. Como mostram os acontecimentos, o citado Acordo constitui um dos documentos mais importantes da história moderna da Ucrânia.
(Suponho que os russos tenham tido acesso ao texto do Acordo e “chamado a atenção” de Kiev para a “gravidade da situação”).
Essa revelação da possível demissão de funcionários foi feita por Ianukovich numa mesa redonda com a oposição, onde também prometeu libertar todos os opositores que se encontravam detidos por terem participado nos confrontos com a polícia e por terem derrubado a estátua de Lénine.
Foi anunciado também que a Ucrânia recomeçou conversações com a União Europeia a fim de encontrarem forma de realizar o Acordo de Associação de forma “mais gradual” e “suave” e, claro, que Bruxelas estava disposta a entrar com 20 mil milhões de euros.
A oposição não ficou satisfeita e continua a exigir demissão do Presidente e primeiro-ministro, bem como a realização de eleições presidenciais e parlamentares antecipadas.
Numa situação em que Ianukovitch não é homem de palavra e muda de opinião sempre que necessário para se manter no poder, a União Europeia parece que está a pagar o que for necessário para que um país com dirigentes desse calibre se aproxime dela. E como queijo grátis só há nas ratoeiras, é de desconfiar de tanto esforço.
Na situação e que a UE se encontra, a Ucrânia apenas pode tornar-se num mercado para os produtos europeus, mas receio que o destino dela será aquele que estão a ter países como Roménia, Bulgária, Grécia, Portugal, etc.
Sejamos honestos, claro que a UE gostaria de ver Ianukovitch pela costas e a atual oposição pró-europeia no poder, por isso vai sustentando a oposição enquanto que dialoga com Ianukovitch para que a situação não acabe em pancadaria.
As “peregrinações” de dirigentes da União Europeia e de países membros a Kiev já são tantas e feitas de forma tão descarada, que até o moderado Leonid Kravtchuk, primeiro Presidente da Ucrânia, veio manifestar o seu descontentamento de forma dura:
O Estado que se respeita a si próprio não convida os estrangeiros para que eles resolvam os seus problemas. O estrangeiro, aqui, só pode ser observador. Não deve participar na solução dos nossos problemas nenhum russo, nem americano, nem inglês, isso é a humilhação de cada pessoa”, considerou ele.
Por vezes, fica-se com a sensação de que a Ucrânia não é um Estado independente, mas um amontoado de tribos pré-históricas que precisam de missionários para entrar no caminho da verdade.
A Rússia, por enquanto, acompanha à distância este tipo de “compra da tão desejada noiva” por parte da UE, mas com muita atenção e uma irritação crescente.
Fico muito triste porque os nossos parceiros ocidentais parecem ter perdido a noção da realidade. Imaginem se eu fosse à Alemanha no momento da formação de um partido de eurocépticos que, em poucos meses, ganharam grande popularidade com as palavras de ordem “Basta de dar de comer à Europa” e “a Alemanha deve distanciar-se da Europa”?” - perguntou hoje o chefe da diplomacia russa, Serguei Lavrov, num entrevista ao canal Rússia-24.
Entretanto, o dirigente ucraniano, que parece ter uma boa escola de malabarismo, tenta jogar nas contradições entre a Rússia e a União Europeia para receber dinheiro e continuar a engordar os oligarcas que o apoiam.
E só mais umas palavras para reflexão. Segundo foi noticiado, e não foi desmentido por ninguém, Ianukovitch teria recebido de Pequim a garantia de que a China não utilizará bombas atómicas contra a Ucrânia e virá em sua ajuda se forem agredida com esse tipo de armas por terceiros. Mas quem serão estes terceiros?

Cuidado que Ianukovitch é batoteiro e teve ter aprendido muito no tempo que passou atrás das grandes por crimes muito feios.

15 comentários:

Pippo disse...

Na mouche, JM!

Como diz (e como já eu tinha dito,...), a Ucrânia predestina-se a ser um mercado para os produtos EU-ropeus, pagando o preço com a sua cada vez mais reduzida soberania, a sua cada vez mais incipiente indústria (que tanto quano sei, só se aguenta, nos sectores-chave, devido ao dinheiro russo), etc.
Em compensação, aaah, em compensação a Ucrânia passará a ser "europeia" e sobretudo muito democrática, sem o controlo do poder por parte das oligarquias. Como cá, por exemplo!

Relativamente às escandalosas ingerências EU-ropeias no processo "democrático" ucraniano, tentando promover novos "Hamid Karzais" com cheirinho a zastolye, talvez esteja na altura da Rússia, principal afectada pela questão, começar a procurar personagens e partidos anti-federalistas europeus, enviando altos dignitários para as suas manifestações e recebendo-os no Kremlin como se de chefes de Estado de tratassem.
É que há gente que só percebe a linguagem da reciprocidade...

PS - Poderia ainda falar da questão dos investimentos, mas cheira-me que o PM é capaz de escrever algo mais (e melhor) do que eu :)

PortugueseMan disse...

...E só mais umas palavras para reflexão. Segundo foi noticiado, e não foi desmentido por ninguém, Ianukovitch teria recebido de Pequim a garantia de que a China não utilizará bombas atómicas contra a Ucrânia e virá em sua ajuda se forem agredida com esse tipo de armas por terceiros. Mas quem serão estes terceiros?...

Meu caro,

Não sei qual a fonte dessa notícia, mas isso vale tanto como anunciarem que a China defenderá a Ucrânia numa invasão extra-terrestre.

É uma não notícia, é lixo atirado para o ar.

PortugueseMan disse...

Para reflectir:

Assad win may be Syria's 'best option'

Washington (AFP) - The sectarian bloodbath in Syria is such a threat to regional security that a victory for Bashar al-Assad's regime could be the best outcome to hope for, a former CIA chief said...


news.yahoo.com/assad-win-may-syria-39-39-best-option-024457293.html

José Milhazes disse...

Caro PM, não faça declarações precipitadas, pois eu não costumo atirar bombas informativas. A notícia foi dada pelo NYT e pela imprensa chinesa.

MSantos disse...

Admiro o excelente trabalho que as agências secretas norte-americanas fizeram neste país assim como outros como os bálticos, a polónia etc, durante o final dos anos 80, anos 90 e continuam a fazer.

Com uma notável mobilização de recursos que envolvem empresas, ONGs etc, estão a estilhaçar o mundo eslavo.

Digo-o sinceramente e sem quaisquer juízos de valor.

Cumpts
Manuel Santos

mikaelrc ribeirocardoso disse...

Isso e ridiculo a china ajudando a ucrania a ta e se a russia jogar bombas atomicas na ucrania oque a china vai faze vai fica queta ou quer morrer

mikaelrc ribeirocardoso disse...

Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Pippo disse...

Não percebo essa das armas nucleares. Alguém pensa usar esses engenhos onde quer que seja? Neste momento, acho que já nem o Irão ou a Coreia do Norte, quanto mais Estados responsáveis.

Além disso, porque raio é que a China iria utilizar "bombas atómicas" contra a Ucrânia??? Só se fosse a "bomba atómica" (metafórica) de não investir no país...

Há aí qualquer coisa que não joga.

José Milhazes disse...

Caro Pippo, há neste mundo tanta coisa que não joga bem!

Anónimo disse...

Contaminados por seus leitores bajuladores de Putin, o Hitler moderno, o Sr. já aderiu a bajulação oficial ao poder do Kremlin. Já te esqueceste das acusações vis que essas comunas te fizeram no caso Pide? Agora que te tornaste articulista do Pravda jornal pró-Putin tua opinião a revolução européia em Kyiv se torna hostil.

PortugueseMan disse...

Caro PM, não faça declarações precipitadas, pois eu não costumo atirar bombas informativas. A notícia foi dada pelo NYT e pela imprensa chinesa.

Caro JM,

Se foi dito, então seria interessante em que contexto essa parte foi arrancada para provocar sensacionalismo.

Volto a afirmar, que isso tem tanto valor como dizerem que vão defender a Ucrânia de uma invasão extra-terrestre, ou seja não faz sentido absolutamente nenhum.

MSantos disse...

Uma invasão de zombies. Os zombies é que estão na moda.

Os extraterrestres já deram o que tinham a dar.

Cumpts
Manuel Santos

Pippo disse...

O comentador Daniel Oliveira escreveu hoje sobre esta questão no Expresso:
http://expresso.sapo.pt/antes-pelo-contrario=s25282

José Milhazes disse...

Caro Pippo, não posso deixar de dar toda a razã ao Daniel Oliveira.

mikaelrc ribeirocardoso disse...

Certo anonimo me prove que a russia é o nazismo do seculo 21 claro é a Russia que fica financiando terroristas para o seu bel prazer economico e a Russia que fica cercando o maior pais do mundo na estratégia cordao sanitario para derrotar economicamente e o maior pais é obrigado a se defender senão a "Russia"destroi o estado no estilo de decomposição soviética é este pais "Russia" que fica entrando en guerras e depois deixa o pais arruinado e em miséria claro e esse pais a "Russia" porfavor me faca rir seu ret ha ve se aceita o coment dessa vez