sexta-feira, fevereiro 21, 2014

Há luz ao fundo do túnel


Há sinais vindos de Kiev que incutem esperança. Parece ter aparecido um pequeno e frágil raio de luz ao fundo do túnel de violência que já ceifou, pelo menos, 77 vidas.
As conversações entre o Presidente Victor Ianukovitch e a oposição, com a participação de intermediários da UE e da Rússia, continuam e, segundo o que se vai sabendo, Ianukovitch já aceitou as duas exigências principais da oposição: reforma constitucional e realização de eleições presidenciais e parlamentares antecipadas.
Porém, ainda é preciso dar as devidas garantias de segurança ao actual dirigente ucraniano, porque alguém poderá ter de responder pelo banho de sangue que aconteceu em Kiev.
É também de salientar que a Rada Suprema (Parlamento) aprovou uma decisão que determina o cessar de fogo, ordena o regresso das tropas e polícia aos quartéis, proíbe a realização da “operação antiterrorista” o emprego de armas e o bloqueamento de estradas. Este documento foi aprovado por 236 dos 238 deputados presentes. A Rada é constituída por 450, mas muitos dos apoiantes de Ianukovitch decidiram mudar para lugares mais seguros.
Claro que este documento só foi aprovado devido ao facto de uma parte dos deputados do Partido das Regiões, principal apoio de Ianuovitch, ter mudado de posição.
É também de salientar a demissão do general Iúri Damanski do cargo de vice-chefe do Estado-Maior General das FA da Ucrânia por estar conta o emprego de tropas na solução do conflito.
Ontem, começou a registar-se o aumento brusco da saída de aviões de Kiev, rumo a outras regiões da Ucrânia e ao estrangeiro, com deputados, oligarcas e membros de suas famílias, mais um sinal de que são cada vez menos os apoiantes de Ianukovitch.
A situação na Praça da Independência é calma e o fim da crise poderá estar mais próximo, mas nada de euforias, pois alguma “terceira força” pode tentar pôr tudo a perder.
Além disso, será preciso a manutenção de condições políticas normais até à realização das eleições e, depois delas, fazer com que tudo isto não se volte a repetir quando alguma força política decidir que já não está satisfeito com os órgãos eleitos. A Ucrânia necessita de entrar em ciclos eleitorais normais e completos, como aconteceu, por exemplo, na Geórgia.

Neste contexto, é fundamental que a Rússia, por um lado, e a UE e os EUA, por outro, sejam sensatos e deixem de transformar a Ucrânia num dos palcos da guerra fria.  

13 comentários:

Europeísta disse...

Acontece Milhazes que Yanoukovitch faz promessas, fala em diálogo com a oposição, mas continua reprimindo os manifestantes. Há inúmeros vídeos de manifestantes sendo mortos a queima roupa, um verdadeira covardia! As desigualdades de condições são bem claras: enquanto um lado usa paus e pedras, o outro usa metralhadoras, fuzis, atiradores de elite, blindados... É um luta entre Davi e Golias, infelizmente, tem gente que parece que escolheu defender o lado de Golais.

Pippo disse...

Portanto, teremos um recuo em toda a linha. Saem protestos para a rua, saem eleições antecipadas. Bom.

E naquilo que interessa, ou seja, na economia, como é que vai ser? Mantém-se os acordos firmados, ou muda tudo? É que se muda tudo, também mudam os preços do gás...

Europeísta disse...

Para mim, o q ocorreu na Ucrânia é muito óbvio. Ao contrário do que se afirma aqui, foi o governo russo e não a UE quem fomentou essa crise. Qual seria o interesse da UE na Ucrânia? Bem, essa tática se desenhou desde a crise com a Geórgia. Putin viu que usar regiões onde há minorias russas é um meio de fazer pressão sobre os países da ex-Urss. Vendo o sucesso na Geórgia decidiu fazer o mesmo com a Ucrânia. Ora, há tempos políticos chauvinista e nacionalistas russos defendem a tomada da Criméia. O Alexander Dugin já havia, antes mesmo do Putin se eleger presidente, quando Medvedev ainda era o presidente, que as intençoes do Kremlin seriam essa. Yanoukovicth foi eleito com esse finalidade. Isso é claríssimo, basta ver como o próprio Yanoukovich defende os interesses russos. Desde que assumiu a presidencia ele tomou uma séria de medidas que indicava isso: adotou a nova constituição mais centralizada, prorrogou a frota da marinha russa em Sebastopol, adotou o russo como idioma oficial e uma série de outras coisas... Isso foi algo pensado, planejado, calculado... Putin queria a Ucrânia, como ele sabe que não conseguiria levar o país inteiro, quer ao menos a metade. Como ele viu que atacou a Geórgia e não fizeram nada contra ele, isso foi uma espécie de "permissão" para ele fazer o que quiser com esses paises da Cei. Quem duvida que os próximos não serao a Moldávia, Estonia, Letonia e Lituania? Nesses países há tb uma movimentação de minorias russas falando e independência. É questao de tempo o Putin tomar esses territórios para Rússia.

Henrique rizzo disse...

Não seria tão confiantes como vcs..

Europeísta disse...

Se chegou a um acordo! Para a frustrações do russófilos que estavam sedentos de sangue. Posso imaginar a decepção deles pelo conflito não terminar em mais sangue e genocídio. Sei que a maioria está se lamentar pelo acordo... É parece que desta vez terão que esperar mais um pouco para ver a Europa destruída. Agora o que mais eu acho gozado é ver a grande maioria dos russófilos é portuguesa! Como podem ser tão superficiais? Se Rússia atacar a Europa o país de vcs será riscado do mapa! Será que não percebem isso? Vcs sao parte da Otan!

Anónimo disse...

Posso estar enganado, mas julgo que isto é tudo bluff para acalmar os ânimos por uns dias, para dar tempo aos Russos de entrar em acção.

Não me acredito que Putin aceitasse que Ianukovitch cedesse a toda a linha, esta batalha já está a ser travada há anos, e a Rússia investiu milhões na eleição de Ianukovitch e na Ucrânia.

Para além do mais, as eleições já estão previstas para o inicio de 2015.

Ou seja, eleições antecipadas para o fim do ano, quando as eleições são no inicio de 2015.

Isto é tudo para ganhar tempo.

Fica também aqui um dado que confirma, e por fonte ocidental, é o dailymail que confirma, que 13 policias foram baleados pela oposição.

http://www.dailymail.co.uk/news/article-2561895/Protesters-clash-police-Ukraines-capital.html

Podem confirmar nas fotos, diversos tipos armados com espingardas com miras telescópicas a abrir fogo sobre a policia.

O que é que estes gaijos queriam?

Que a policia ficasse a ver?

Mediante este cenário elementos SBU Alpha (tipos fardados de negro com braçadeiras amarelas nos braços), força antiterrorista similar ao GOE da PSP atiraram a matar sobre elementos armados, outros levaram por tabela.

http://www.youtube.com/watch?v=RKYXDHBJVHE


É lamentável que isto aconteça, pois é, ninguém gosta de ver cenas destas. Mas as forças da oposição passaram os limites do aceitável.

Se em Portugal tipos armados atirassem amatar sobre policias, teríamos certamente o GOE em acção.

Não duvido nada.

Europeísta disse...

Nossa! Morre 10 policiais e 100 manifestantes e ainda pensa que a vítima foi a polícia! Cada ver o vídeo que quer. Os que eu vi a polícia atirava, matava, espancava e torturava...

Europeísta disse...

Se vc observar bem o vídeo, perceberá que os manifestantes não estão armados coisa alguma! O vídeo é bem claro! Eles usam escudos para se defender e resgatar os corpos dos mortes!

PortugueseMan disse...

Eu partilho das questões que o Pippo coloca.

Neste momento para acalmar a situação e evitar uma guerra civil, seria as eleições.

O problema é que isto não resolve problema nenhum.

já estivemos nesta situação.

já tivemos uma revolução colorida.

O governo actual está lá, devido às asneiras do governo anterior, governo esse apoiado pelo o Ocidente.

Vamos para eleições e depois? se ganhar a oposição (o que ainda penso que não seja garantido que ganhe, dada a divisão do país), voltamos à estaca zero, ou seja os verdadeiros problemas do país que são a sua economia.

E com a oposição no poder, o dinheiro que vem da Rússia e os preços simpáticos para o gás evaporam-se.

Com a oposição no poder, vai ser exigido pagamento das dívidas de gás ou então é cortado.

depois, o novo governo vai estar na situação que está agora. Pede ajuda à UE. Mas a UE não vai subsidiar a energia de um país, manda ter com o FMI.

E que pede o FMI? é só ver o que está a pedir ao actual governo. O preço REAL da energia tem que ser reflectido no consumidor, baixar ordenados, baixar pensões e despedir milhares de pessoas.

Ora, quem estiver no governo e fizer estas alterações, fica exactamente como está o actual governo, à beira de uma guerra civil.

Henrique rizzo disse...

A Ucrânia vai servir de base para a OTAN, ai o ocidente em troca paga o gás . Isso não é problema, não era pra isso que os europeus fizeram esse golpe de estado?? Agora eu quero ver o que a Russia vai fazer, estou achando Putin muito quieto, deve estar esperando acabar as Olimpiadas, ele deve estar Putin da vida. Na minha visão, cedo ou tarde a Russia irá invadir a parte oeste da Ucrânia, eles não vão aceitar tudo passivamente ou então a Russia é um "Urso de Papel" memso.

Anónimo disse...

"O mais estranho em relação às aspirações de Moscou é a ideologia política dos seus teóricos. A União Eurasiana é a inimiga da União Européia, não só na estratégia mas também na ideologia. A União Européia se baseia em uma lição histórica: de que as guerras do século XX se basearam em idéias falsas e perigosas, o nacional-socialismo e o stalinismo, que devem ser rejeitadas e de fato superadas em um sistema que garanta livres mercados, livre fluxo de pessoas e estado de bem estar social. O Eurasianismo, ao contrário, se apresenta com seus defensores como o oposto da democracia liberal.

A ideologia eurasiana pinta uma lição totalmente diferente do século XX. Fundada por volta de 2001 pelo cientista político russo Aleksandr Dugin, ela propõe a realização do nacional-bolchevismo. Ao invés de rejeitar ideologias totalitárias, o eurasianismo chama os políticos do século XXI a buscar o que é útil tanto no fascismo como no stalinismo. O principal trabalho de Dugin, Os Fundamentos da Geopolítica, publicado em 1997, segue de perto as idéias de Carl Schmitt, o líder dos teóricos nazistas. O eurasianismo não é somente a fonte ideológica da União Eurasiana, é também o credo de muitas pessoas na administração Putin e a força motriz de um movimento bastante ativo da juventude russa de extrema direita. Por anos Dugin defendeu abertamente a divisão e colonização da Ucrânia.

O homem de referência para as políticas eurasianas e ucranianas no Kremlin é Sergei Glazyev, um economista que, como Dugin, tende a combinar nacionalismo radical com nostalgia pelo bolchevismo. Ele foi membro do Partido Comunista e deputado comunista no parlamento russo antes de se tornar um dos fundadores do partido de extrema direita chamado Rodina, ou Terra-mãe. Em 2005, alguns de seus deputados assinaram uma petição ao procurador geral russo pedindo que todas as organizações judaicas fossem banidas da Rússia"

Anónimo disse...

"Fica também aqui um dado que confirma, e por fonte ocidental, é o dailymail que confirma, que 13 policias foram baleados pela oposição." Legítima defesa depois de uma pilha de mortos por snipers da polícia, banhos de água com temperaturas negativas, espancamentos em bosques vizinhos, etc

Anónimo disse...

"Mesmo tendo Yanukovych revogado a maior parte das leis ditatoriais, a violência ilegal do regime, que havia começado em novembro continuou em fevereiro. Membros da oposição foram alvejados e assassinados, ou molhados pelos carros de água usados para dispersar manifestações em temperaturas abaixo de zero para que morressem de hipotermia. Outros foram torturados e deixados para morrer no mato.

Durante as duas primeiras semanas de fevereiro, o regime de Yanukovich buscou restaurar algumas das leis ditatoriais por decretos, atalhos burocráticos e novas legislações. Em 18 de fevereiro, um debate parlamentar que estava anunciado para tratar de uma reforma constitucional foi cancelado. Ao invés desse debate, o governo colocou milhares de policiais do batalhão de choque contra os manifestantes de Kiev. Centenas de pessoas foram feridas por balas de borracha, gás lacrimogêneo e cassetetes. Dezenas foram mortas. " Depois queixam-se