quinta-feira, fevereiro 27, 2014

PROBLEMÁTICA DA GEOPOLÍTICA DA UCRÂNIA MERGULHADA NAS DIFERENTES ESTRATÉGIAS DO OCIDENTE E DA RÚSSIA


Texto e fotos enviados pelo leitor Paulo Ramires:

A Ucrânia é um país com 46 milhões de habitantes, sendo o sétimo maior produtor de aço do mundo e possuindo uma diversidade industrial bastante apreciável, um país geograficamente grande 603,6 mil metros quadrados, ou seja o segundo maior país do continente depois da Rússia em termos de área e é neste país que passam importantes gasodutos que abastecem a Europa. São razões como estas entre outras que torna a Ucrânia num espaço geopolítico bastante apetecível. 

Por Paulo Ramires

A Ucrânia tornou-se independente com o fim da União Soviética mais concretamente com o Pacto de Belaveja, ou também designado Acordo Secreto de Minsk assinado a 8 de Dezembro de 1991, este pacto além de estabelecer o fim da União Soviética, criava também a Comunidade dos Estados Independentes (CIS), este processo de adesão das antigas republicas soviéticas terminou em 1994 com a adesão da Moldávia, porém a Geórgia viria a sair em 2008. Dois membros da comunidade embora tenham assinado o acordo nunca o ratificaram, um deles foi precisamente a Ucrânia, não tendo se considerado parte oficial da comunidade embora esteja associada a ela. A CEI evoluiu depois para uma união aduaneira criada em 2008 e que entrou em vigor no dia 1 de Janeiro de 2010, este é um projecto da iniciativa da Rússia e de outras republicas e que visa a integração económica da região, a Rússia tem feito de tudo para trazer a Ucrânia para este espaço económico - descontos nos preços do gás natural, compra da divida, apoio à economia mas também ameaçou deslocalizar do país a industria da aviação e a indústria aeroespacial russa -, que tem continuidade com a futura União Económica Eurasiática cuja criação formal terá inicio no ano de 2015, quem não gostou desta ideia foi Bruxelas que tem justamente como objectivo estender o seu projecto de integração para leste, ora a Ucrânia faz parte desses planos não só por se tratar de um país com 46 milhões de habitantes, mas também por ser o sétimo maior produtor de aço do mundo e possuindo uma diversidade industrial bastante apreciável, mas também por ser um país geograficamente grande 603,6 mil metros quadrados, ou seja o segundo maior país no continente depois da Rússia em termos de área e sobretudo por ser neste país que passam importantes gasodutos que abastecem a Europa. São razões como estas entre outras que torna a Ucrânia num espaço geopolítico bastante apetecível. 

No quadro politico os partidos políticos são variadíssimos tendo muitos deles se fundido ou formando em blocos, actualmente os principais são o Partido das Regiões de ideologia centrista e pró-russo, e era o partido do agora presidente destituído Viktor Yushchenko, o Pátria da antiga primeira ministra Yulia Tymoshenko, um partido liberal conservador, populista e pró-europeu, o UDAR partido de centro direita e pró europeu, o Svoboda, liderado por Oleh Tyahnybok, o quarto maior partido da Ucrânia ocupando 36 lugares dos 450 no Parlamento, este partido faz parte da Aliança dos Movimentos Nacionais Europeus, é um partido da extrema direita populista com características nazis, e o Partido Comunista da Ucrânia.

Embora se entenda a vontade do ocidente de reduzir a acção da Rússia na Ucrânia, a maior parte destes agrupamentos partidários têm características populistas ou são de extrema direita, no entanto mesmo sabendo disso a UE e os EUA têm vindo a apoia-los, se bem que não por igual, no caso da subida ao poder destes elementos com esta natureza, a própria Ucrânia, além de se tornar ainda mais instável, tornar-se-ia numa ameaça séria para a própria União Europeia já confrontada com o populismo em muitos países europeus, mesmo estando a Ucrânia fora da União sempre será um incentivo aos restantes partidos da União com características semelhantes. De notar que neste momento em que escrevo este artigo já se fala em abolir vários partidos da Ucrânia nomeadamente o Partido das Regiões e o Partido Comunista, ambos com expressões eleitorais importantes no país. 

A Ucrânia é um pais bastante dividido, mais densamente povoado no seu extremo a ocidente e a leste, mas com as industrias mais importantes situadas a leste, os ucranianos a ocidente desejam a integração na União Europeias e os Ucranianos do Leste rejeitam perder contacto com a Rússia, na verdade estão ligados a ela por laços culturais, étnicos e comerciais. Por estas razões será muito aventureiro o ocidente incluir a Ucrânia no espaço económico europeu, Putin ou mesmo outro líder responsável nunca poderá ser indiferente à Ucrânia, simplesmente porque este país faz fronteira com a Rússia, tem uma população russófona, e é importante para a estabilidade da Rússia. No entanto é bom que se compreenda que a instabilidade na Ucrânia não é boa para ninguém, incluindo a UE, a única potência que pode beneficiar com isto são os EUA. Uma das possibilidades para se sair daqui de forma razoável, é em minha opinião a Ucrânia integrar os dois espaços económicos, é certo que isto é complicadíssimo, são espaços económicos diferentes com filosofias de integração diferentes, os espaços económicos obedecem a determinados regulamentações comuns estabelecidas em tratados internacionais, mas se não for assim o problema continuará a subsistir, e a Ucrânia poderá mesmo correr o risco de se desintegrar se não for este o caminho.



15 comentários:

Fernando Negro disse...

O objectivo nº 1 do Ocidente, na Ucrânia, é lá colocar a OTAN.

(Ocidente = EUA + UE, que obedecem aos mesmos interesses.)

E, a principal preocupação da Rússia, é impedir que isto aconteça.

(Tudo o resto, é secundário...)

Eu sei que há quem pense que isto é paranóia. Mas, repito que estamos a assistir ao princípio de um conflito que poderá escalar para uma Terceira Guerra Mundial...

(Aqui uma lista de razões que me levam - a mim e a muito boa gente, bem informada - a concluir isso.)

Como é que acham que irá reagir a Rússia, se foram colocadas forças armadas da OTAN na Ucrânia?

Irá ela esperar que o sistema de defesa antimíssil, que o Ocidente está a construir, seja terminado, para possivelmente tentar forçar alguma coisa, em termos militares, para impedir o cerco militar de que está a ser alvo, com vista a um eventual ataque?

Está este ex-agente dos serviços secretos militares russos (que já, repetidamente, provou a sua credibilidade) a mentir, quando diz que está planeado um ataque à Rússia?

Anónimo disse...

Era tempo da Rússia pedir perdão pelos crimes cometidos no Holodomor, os milhões de mortos da 2º Guerra resultantes da criação e carinho soviético ao nazismo, as deportações de milhões ... mas não. Persistem numa atitude belicista e imperialista sobre os povos

Anónimo disse...

sabe-se muito bem que Partido das Regiões é um partido sem ideologia, seu único princípio é poder pelo poder. acusação do VO Liberdade é baseada em nada, acho que autor ainda não recebeu o "temnik" com a instrução de acusar de nazismo o "Setor da Direita"...

Paulo disse...

A ligação a dois blocos não é complicadíssima, é virtualmente impossível.

Seria como pertencer ao Mercosul e à UE ao mesmo tempo.

A Ucrania vê países como os estados bálticos, a Polónia ou até mesmo a Roménia ficarem muito mais ricos que eles.

Essa diferença é ainda maior no ocidente da Ucrânia, menos industrial e mais pobre.

Paulo disse...

A ligação a dois blocos não é complicadíssima, é virtualmente impossível.

Seria como pertencer ao Mercosul e à UE ao mesmo tempo.

A Ucrania vê países como os estados bálticos, a Polónia ou até mesmo a Roménia ficarem muito mais ricos que eles.

Essa diferença é ainda maior no ocidente da Ucrânia, menos industrial e mais pobre.

Anónimo disse...

"Está este ex-agente dos serviços secretos militares russos (que já, repetidamente, provou a sua credibilidade) a mentir, quando diz que está planeado um ataque à Rússia?" A proverbial psicose comunista que tem origem nos seus desejos mais profundos. Esta psicose é gerada pela idiossincrasia de uma potência militar (nem sequer económica), que se vem armando aceleradamente e que já tinha na guerra fria uma notável supremacia militar. A potência, que invadiu a Letónia, Lituânia, Estónia, Hungria, Checoslováquia, Finlândia, Ucrânia, Polónia, Afeganistão, Geórgia e mais acha-se alvo militar.

É doença de que padecem psicopatas metidos num mundo no qual projectam a maldade que os caracterizou e caracteriza

Anónimo disse...

Os americanos é que andam a invadir meio mundo, não é a Rússia.

Só indivíduos ligados aos interesses Americanos podem fazer afirmações destas desfocadas da realidade e caracterizadas por um fanatismo faccioso, como as do 3º anónimo.

A Rússia apenas invadiu a Geórgia desde o Afeganistão, isto porque os Georgianos meteram-se onde não deviam picados pelos americanos.

Os Americanos invadiram o Iraque 2X, o Afeganistão, a Jugoslávia, e patrocinaram guerras civis na Líbia e Síria.

Vamos lá tirar as palas dos olhos.

Mais, a Rússia de Putin é o ultimo bastião de defesa da Europa contra a destruição da nossa matriz cultural cristã e conservadora, toda esta esta destruição levada através de lixo mediativo vindo do lado de lá do oceano, a destruição moral da europa é tudo um subproduto exportado dos EUA (paradas gays, programas televisivos de estupidificação em massa, promoção da promiscuidade e depravação, etc).

A Rússia é o ultimo bastião da cultura cristã e conservadora europeia, os restantes países estão aturdidos, efeminados e conspurcados, quem anda informado e não se deixa levar pelo lixo mediático e pela contra-informação com que somos bombardeados diariamente pelos media do sistema sabe distinguir bem o trigo do joio.

Pippo disse...

O artigo está interessante, só confesso que acho a solução de pertença a dois blocos uma coisa meio impossível. Não é viável obter-se o melhor dos dois mundos, nem eu acredito que esses dois mundos admitissem sequer a hipótese de "partilha" de um país. Como é que seriam cumpridas as obrigações e os critérios de convergência para dois blocos simultâneos? E se cada país for obrigado a contribuir para um fundo conjunto, como é que faria a Ucrânia? Iria contribuir para dois fundos? E se houver um qualquer processo de militarização da UE (como muitos actualmente desejam), em que pé é que ficariam as relações da Ucrânia com a Rússia?

Etc., etc., etc.

Além disso, num país actualmente controlado por partidos que oscilam entre a "Direita" nacionalista e a "Extrema-Direita" neo-nazi, como é que ficariam as relações entre os dois blocos? A gente já sabe que a UE não tem problemas em apoiar revoluções chauvinistas e xenófobas no exterior se isso prejudicar os seus inimigos, mas daí a apoiar essas mesmas formações no seu seio vai um enorme passo.

VERITAS disse...

Eis um excelente comentário de um leitor da Reuters.

«Why is it that the US, expressing its “national security concerns” can intervene whenever and however it choices anywhere in the world, but other countries with real security concerns cannot? Ukraine is on Russia’s doorstep and neo-Nazis are running rampant threatening regional stability. Russia has many more legitimate security concerns about the situation in Ukraine than we ever did in Iraq! I’d tell the US to go * themselves, but the Russians are far more responsible than the US is or has ever been.»
Nem toda a gente anda a dormir, envenenada pela contra-informação da esmagadora maioria da imprensa ocidental. Hoje comenta-se que forças russas tomaram os aeroportos de Sebastopol e de Simferopol. Mais tarde ficamos a saber que os dois aeroportos foram libertados por forças especiais do ministério ucraniano do Interior. Alguém no seu pleno juízo duvida de que se forças russas tivessem tomado os dois aeroportos não haveria forças ucranianas capazes de as desalojar? Mas os russos perdem na batalha da contra-informação. Esses tiques sovieticos dos russos, essa muralha de silêncio, ainda fará com que a Crimeia, que aspira a ser independente da Ucrânia (e talvez da Rússia) volte ao controlo de Kiev. Quem sabe: talvez a independência da Crimeia não interesse mesmo nada à Rússia. Afinal, há muitas "Crimeias" dentro da Federação Russa...

Anónimo disse...

- Os silencios da Rússia -

- Cuidado com os silêncios- Como diz o Povo cão que não ladra, MORDE . - A Rússia não pode deixar os populações de etnia russa à sua sorte " ISSO SERÁ ALTA TRAIÇÃO" ou melhor nas mãos das camarilhas neonazis que tomaram o poder em Kiev pela mão do Poder alemão/UE E USA - Isto cheira a 29 de setembro de 1938 -Tratado de Munique.
aferreira

Europeísta disse...

Os mais interessante é que aqui ninguém fala que a França é o maior vendedor de armamentos para a Rússia. Seriam estúpidos esses franceses por estarem vendendo armas que serão usadas contra eles mesmo? Alemanha e Itália vendem para Rússia tb. Nos últimos anos Putin aumentou as despesas com defesa e passou a comprar armamentos. Isso ninguém cita aqui tb. É uma nação belicista. Se arma muito mais que seus vizinhos. França, Alemanha e Itália vem diminuindo despesas militares. Ora, como alguém que tem intençao de atacar um país diminui suas despesas militares e ainda vende armas para o suposto inimigo?

Anónimo disse...

"No entanto é bom que se compreenda que a instabilidade na Ucrânia não é boa para ninguém, incluindo a UE, a única potência que pode beneficiar com isto são os EUA."

A UE nao existe muito menos em politica externa comum ou Defesa, tudo pelouros Americanos.
Concordo que assistimos ao inicio da nova Guerra Fria entre 3 blocos (como previa Orwell...). Durante uns aninhos havera convulsao por todo o lado para clarificar quem alinha em qual equipa e onde exactamente montar os muros e cortinas.
Por outro lado os tempos sao outros, os governos respondem a empresas e o detalhe da Chevron e Exxon terem mandatos de exploracao de Gas de xisto por toda a regiao parecem-me importantes no caso concreto.
Cumps
Buica

Pippo disse...

"Hoje comenta-se que forças russas tomaram os aeroportos de Sebastopol e de Simferopol. Mais tarde ficamos a saber que os dois aeroportos foram libertados por forças especiais do ministério ucraniano do Interior."

Pode dar-me o link dessa notícia?
É que o Guardian, que tem correspondentes in loco, não diz nada disso:

"With Russian armoured personnel carriers reportedly on the move in the Crimean peninsula, world leaders are seeking assurances from the Kremlin that Moscow will not act to escalate the violence in Ukraine."

"Later on Friday, a convoy of nine APCs painted with the Russian flag were seen on the road between the port city of Sevastopol and the regional capital of Sinferopol. Reporters spotted them parked on the side of a road near the town of Bakhchisarai, apparently stalled after one vehicle developed a mechanical fault."

"Journalists and the Ukrainian border guard have reported a fleet of more than 10 Russian military helicopters entering Ukrainian air space over Crimea, flying from Russia."

http://www.theguardian.com/world/2014/feb/28/gunmen-crimean-airports-ukraine

Paulo Cabrita disse...

Segundo o autor:

"um país geograficamente grande 603,6 mil metros quadrados"

adoro o rigor de informação destes "famosos" e "reconhecidos" jornalistas, colunistas, "opinion makers" e outros ... "istas". O que importa é que sejam números e grandes. O que significam são ..."minudências" como dizia um outro muito famoso "ista"

Francenaldo Amorim disse...

Senhores, fiquem calmos! " Cachorros que latem demais não mordem" Os neo-nazistas do Partido nacional Socialista Maiden, o 4 maior partido da Ucrânia e seus aliados de extrema direita, estão fazendo o maior agitação, e pràticamente ganhando no grito, o governo de Kiev, porém estão longe de dominar a situação do resto do país, A Ucrânia não é só Kiev, e passados estes dias de comoção nacional, devido ás mortes de dezenas de manifestantes, com tiros na cabeça, por franco-atiradores posicionados em lugares chaves, para puderem atingir os dois lados, matando policiais, e manifestantes, e assim acirrar os ânimos, culpando sempre o governo de Viktor Yanukovych, como criminoso de guerra. Plano muito bem preparado possìvelmente por forças externas da Crimeia,da CE e EUA, num plano diabólico de fragilizar a Rússia, atacando-a nis seus peões ao redor, (Síria tb) para depois desfechar um golpe mortal dentro de sua Federação da Repúblicas Russas, para fazer desmoronálos em sua estabilidade. Felizmente o mundo não é tão burro quanto parece, e logo tudo se descobre, e o contra-ataque russo foi fulgurante e rápido e fulminante, acionando a população de origem russa e a aquela que já fala a língua nas regiôes leste da Ucrânia. Hoje a maior parte dessas cidades do leste arvoram a bandeira Russa, e querem a separação do governo de KIev. Vlademir Putin, sem colocar seus soldados, já formou mais de metade do exército ucraniano a seu favor, para proteger a região leste, e está rentando disuadir os restantes a entrarem num acordo, para se evitar uma guerra civil, onde toda a Ucrânia sairá perdendo. Os Neo-nazistas de Kiev, fariam melhor em calar suas bocas, para poderem sair com vida, caso a Rússia decida, apoiar as tropas da crimeia que lhes são favoráveis e avance com tudo até Kiev, esmagando toda essa corja neo-nazista que não respeitou a democracia, e esperou a eleição em 2014, querendo mudar os rumos da Ucrânia no grito e na porrada.