terça-feira, fevereiro 18, 2014

Victor Ianukovitch aposta na força



Parece já não haver dúvidas de que as autoridades ucranianas decidiram apostar na força para desbloquear o centro de Kiev e tentar neutralizar a oposição ucraniana. Porém, é ainda muito cedo para prever todas as consequências deste confronto.
Segundo dirigentes da oposição ucraniana, os confrontos começaram com provocações de adeptos do actual poder e da polícia para provocarem um motivo para empregar a força contra a oposição e desalojá-la da capital. Alguns analistas afirmam mesmo que Victor Ianukovitch não controla a situação e que os confrontos foram provocados pelos siloviki (serviços secretos e polícia) para justificar o emprego da força.
As autoridades acusam as “forças radicais da oposição” de terem provocado o reinício dos confrontos, acusando os líderes da oposição parlamentar de terem deixado de controlar a situação
Seja como for, a situação na Ucrânia entrou numa nova fase de confronto civil que pode levar a uma guerra civil e à desintegração do país, com consequências imprevisíveis não só para a Ucrânia, mas também para a Rússia e União Europeia. Basta recordar que esse país tem no seu território quatro centrais nucleares.
Os EUA e a União Europeia tiveram algum tempo para obrigar o poder e a oposição a chegarem a um acordo, mas nada conseguiram. Agora, Moscovo, na pessoa de Serguei Lavrov, ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, acusa os EUA e UE de serem os principais culpados pela situação criada e aumenta cada vez mais o número dos analistas políticos russos que defendem que, no mínimo, se os EUA e a UE podem ingerir-se na situação interna na Ucrânia, a Rússia também pode.
A realização dos Jogos Olímpicos de Sochi moderou as posições de Moscovo face à Ucrânia, mas essa iniciativa está a chegar ao fim. Por isso, se até agora, os enviados russos à Ucrânia faziam o seu trabalho silenciosamente, agora podem actuar abertamente.

Se me perguntam se a Rússia irá intervir militarmente ou não na Ucrânia, eu já não respondo que isso não será impossível, mas continuo a considerar isso um cenário pouco provável, pois isso seria o fim de muitas das estruturas pan-europeias. Além disso, uma intervenção militar russa no país vizinho pode significar o fim da própria Rússia.

16 comentários:

PortugueseMan disse...

...Além disso, uma intervenção militar russa no país vizinho pode significar o fim da própria Rússia...

Demasiado dramático meu caro.

Fim da Rússia porquê? Quer dizer que se um país vizinho resolve "anexar" a Rússia, esta está tão fraca que não consegue lidar com isso?

E já agora em que moldes é que você vê uma intervenção militar russa no país vizinho?

José Milhazes disse...

PM, leia com atenção o meu texto. A forma de intervenção dependerá da situação. Eu estou a dramatizar. Alguns disseram o mesmo quando eu escrevi que a Ucrânia estava a avançar para a guerra civil.
A Rússia não consegue resolver os seus problemas e muito menos conseguirá fazer se se envolver num conflito militar na Ucrânia.
E sei que você é daqueles que considera que a economia e o sistema político russos estão de saúde, eu não.

PortugueseMan disse...

A Ucrânia pode avançar para uma guerra civil. Isso não está fora de questão.

Mas se vamos falar em intervenções militares temos que falar que há mais interessados na Ucrânia.

Só haverá intervenção militar se o país se enfiar numa guerra civil e só haverá intervenção externa depois do país estar numa situação como está hoje a Síria, ou seja com muita gente morta.

Os russos para se meterem lá, eu diria que terão que ser desejados lá. E penso que apenas parte do país irá querer isso.

Portanto arriscamos a algo como uma Ucrânia do Norte e uma Ucrânia do Sul e uma muro no meio.

Ou seja, uma nova fronteira mas agora da 2ª guerra fria.

Relativamente ao que disse, quero esclarecer o meu ponto de vista, porque não é bem como diz.

Eu CONSIDERO que a Rússia HOJE, está melhor, mais forte, mais estável comparado com a década anterior.

A curva da economia russa é ascendente e isso vê-se a cada ano que passa.

EU sou destes.

Andre Kondratovic disse...

Boa noite claro intervenção de Russia militarmente pouco provavel,talvez Russia tem muitas problemas internas e externas, mas ela e RUSSIA. E nos e nem ninguém poderá ter duvidas da Russia,ela sempre da boa resposta para tudo.

Anónimo disse...

José Milhazes
Ensine a gente e diga se é verdade que a Rússia parece estar a nadar em dinheiro. 10.000 milhões para a Hungria, 15.000 milhões para a Ucrância... e a aliada china há pouco tempo propunha-se comprar a Grécia em cash por não sei quanto.
Ao contrário a América vive mergulhada em dívidas só controladas com o aumento de mais dívida não se sabe durante quanto tempo isso vai resistir.
Não será o dinheiro o motor da história? É que os europeus também não mostram muita saúde.
A Alemanha tem uma dívida próxiam dos 100% do PIB.
Será assim ou são informações sem anexo?.
O FT também apresenta a GB como tendo uma dívida de 1.720 biliões sem contar os BRICS, que são a maior parte, os EEUU algo record como 2.695 biliões, etc.
Zé Saloio
Cump.

Pippo disse...

Não antevejo uma intervenção militar russa na Ucrânia a não ser, é claro, que estejam ameaçados interesses estratégicos vitais, por exemplo, uma tentativa de assalto à base naval em Sevastopol o que me parece pouco provável que venha a ocorrer.

Uma intervenção militar russa seria, para além do mais, um desastre político. Há muitas forças xaufinistas e anti-russas no Oeste da Ucrânia, para não falar em forças externas ao país, que quereriam tropas russas no país para gritar alto e bom som que se concretizava o "expansionismo militarista russo", como se lê um pouco por toda a blogosfera.

Ora, tirando a situação acima referida (Sevastopol, etc.), qual seria o mote para uma hipotética intervenção militar russa? Guerra civil na Ucrânia, com ameaças à população do Leste? Assalto violento à Embaixada russa em Kiev? Tomada de reféns? Assim de repente, não estou a ver grandes motivos para uma intervenção militar... a não ser que... a não ser que outros países, do muy democrático Ocidente, resolvessem intervir! Aí sim, teríamos a Ucrânia como palco de perigosas jogadas militares entre duas potências, onde o risco de uma rajada evoluir para uma guerra localizada e brutal seria grande. E no meio disto tudo, qual seria a posição das FA Ucranianas ante tal panorama? Tomaria elas partido, ou ficariam tão divididas como o está o país?

Pippo disse...

Entretanto, as partes vão definindo cada vez mais as suas posições:

http://www.publico.pt/mundo/noticia/ministro-alemao-admite-sancoes-pessoais-da-ue-contra-dirigentes-ucranianos-1624257

Fernando Negro disse...

Muito boa intervenção do comentador Pippo, às 00:44.

Concordo que, para a Rússia, seria um imenso desastre político estar a intervir militarmente, sem ter uma muito boa justificação para tal.

Pois, tal justificaria o projecto expansionista da OTAN, com a desculpa de que a Rússia representa um perigo para a Europa - coisa que, é exactamente o que a Rússia quer impedir (a OTAN de se expandir para as suas fronteiras mais próximas e imediatas).

Assim como, tal forçaria a Rússia a deixar de poder criticar o Ocidente, a propósito de todas as "intervenções"/invasões que este último tem feito.

Seria uma queda do plano moral mais alto em que se encontra a Rússia, para um ao mesmo nível a que está o Ocidente.

Fernando Negro disse...

Se bem que... Se a Rússia vir que a OTAN irá mesmo expandir-se para a Ucrânia, não sei o que poderá fazer...

Pois, nesse caso, deverá ser - e sem exagero algum - o princípio de uma Terceira Guerra Mundial.

Pois, toda a gente bem informada sabe que o Ocidente planeia atacar a Rússia.

E, se isto será, quase certamente, apenas uma questão de tempo, caso o OTAN se consiga expandir para a Ucrânia... Sabe-se lá o que os russos poderão fazer, em vez de ficarem à espera que o Ocidente finalize a construção do seu escudo de defesa antimíssil, para poder sobreviver a uma retaliação...

(Que coisa... Que mundo incrível é este, em que vivemos.)

José Milhazes disse...

Fernando Negro, não exagere, mesmo que tenha por base citações de pessoas tão bem "informadas". Essa do Ocidente planear atacar a Rússia... Bem, pense bem antes de escrever.

Fernando Negro disse...

Dr. Milhazes,

Relativamente ao que poderá resultar da crise ucraniana, não sei mesmo o que pensar... E, o que disse, foi algo que me passou pela cabeça...

Mas, quanto ao plano que o Ocidente tem de atacar a Rússia,

A minha fonte inicial é esta declaração de um ex-agente dos serviços secretos militares russos. (Que tem, ao longo dos anos, provado ser uma pessoa credível - e que não estou a ver porque razão iria estar a mentir sobre uma coisa destas.)

Mas, muito mais do que isso, é uma clara dedução que faço, exactamente por parar para "pensar" no que se passa na Europa e no Mundo...

1) Sabemos que está a ser construído um escudo de defesa antimíssil pelos países ocidentais.

Ora, se a Rússia não andou a ameaçar o Ocidente com ataques nucleares, porque razão está agora a ser construído tal escudo (em vez de ser adoptada uma política de desarmamento nuclear, tal como defende Putin)?

2) Sabemos que o Ocidente tem estado a invadir tudo o que são países ricos em recursos naturais e sabemos também que, ao longo da sua história, sempre tentou controlar/dominar tudo o que são países neste mundo.

Ora, porque razão deveremos pensar que a Rússia será uma excepção a tudo isto?

Anónimo disse...

"2) Sabemos que o Ocidente tem estado a invadir tudo o que são países ricos em recursos naturais e sabemos também que, ao longo da sua história, sempre tentou controlar/dominar tudo o que são países neste mundo.
" Mais um coma mania comunista da perseguição e das invasões. Ora bem sabemos que a URSS é que invadiu tudo o que havia à sua volta, com a ajuda providencial dos nazis que foi boa enquanto durou, para criar um cordão sanitário de forma ao comunismo sobreviver.

A historinha dos recursos naturais ... enfim aplica-se como uma luva à ocupação e subjugação da Ucrânia o grande celeiro de trigo para ajudar a revolução. Quanto ao petróleo também nunca o vi embaratecer

Fernando Negro disse...

E, só para que entendam como cheguei ao raciocínio que descreve o pior dos cenários...

Quando digo que, caso a OTAN se expanda para a Ucrânia, poderá ser o início de uma Terceira Guerra Mundial,

O que se passa é que, para isto acontecer, será porque conseguiu a aliança UE-EUA-OTAN instalar os seus fantoches nazis no poder. Fantoches esses, que, devido ao seu ódio para com os russos, (caso se sintam seguros) não deverão ter problemas nenhuns em alinhar, mais uma vez, numa agressão à Rússia - e que, até independentemente disto, deverão aceitar a colocação de muitas tropas da OTAN em seu território.

Com a OTAN a construir uma tão grande base avançada, na fronteira imediata da Rússia e tão próxima da capital da última e também do que serão, certamente, muitos dos seus pólos tecnológicos, científicos, industriais etc... Quanto tempo irá a Rússia tolerar a presença de uma base avançada de uma aliança militar, claramente sua inimiga e com planos para a atacar, tão próxima do seu "coração"?

Quando digo que deveria ser o início de uma Terceira Guerra Mundial, não digo que, assim que a OTAN entrasse na Ucrânia, começaria logo uma. Mas que, assim que tal presença militar massiva começasse a tomar forma, seria o início de um acumular de tensões que levariam a tal guerra. Pois, como disse, a construção de tal base avançada visa claramente, como sabem a OTAN e a Rússia, um eventual, ou muito provável, ataque.

Ataque esse, que, de tão próximo que viria, suponho que seria mais difícil de impedir, do que se viesse de um ponto mais longínquo do planeta. (Pois, estamos a falar de distâncias de apenas cerca de 600 Km da capital Moscovo)

E, assim sendo, iria a Rússia simplesmente deixar tal estabelecimento militar ocorrer? Não iria tentar fazer algo para o impedir? Haveria quem, na Rússia, estivesse disposto a arriscar uma acção militar na Ucrânia para o impedir? E, poderia tal acção constituir o espoletar de uma guerra com o Ocidente?

[continua]

Fernando Negro disse...

[continuação]

Para além disto, o que mais me preocupa, é que, independentemente do que os russos poderiam (ou poderão), ou não, fazer na Ucrânia, o facto é que, as elites ocidentais envolvidas em tudo isto (e estou a falar das que se situam no topo das operações - e não necessariamente dos seus fantoches políticos mais visíveis) são conhecidas por serem pessoas verdadeiramente (e no sentido clínico da palavra) loucas - [1] [2]. E, haja ou não quem tente impedir estas de estabelecerem uma forte presença militar na Ucrânia, o que se passa é que, caso o consigam fazer, deverão em muito estas sentir-se encorajadas para prosseguir com os seus planos do que será, então, um muito mais provável ataque.

E, com o Ocidente a implodir economicamente, enquanto que a Rússia se desenvolve, e esse mesmo Ocidente, se nada for feito para o impedir, prestes a perder, a médio prazo, a sua supremacia mundial para a Rússia e outros países (euro-)asiáticos... Há quem, muito bem informado, diga - [em inglês] [e em castelhano] - que estas elites ocidentais estarão dispostas a arriscar um "tudo ou nada", com um ataque à Rússia - para se apoderarem dos recursos naturais da última e, deste modo, ao mesmo tempo impedir a Rússia de se tornar a nova superpotência mundial e, com o domínio que terá o Ocidente do seu território, ser antes, e em definitivo, este último o poder dominante no Mundo.

Mas, como digo... Ultimamente, sei muito pouco o que pensar sobre tudo isto... Pois, não sou - nunca fui, nem pretendo vir a ser - um perito em análises geopolíticas, ou geoestratégicas. Até porque, este tipo de cenários são, para mim, demasiado assustadores, para querer estar a reflectir sobre os mesmos... E, espero muito estar errado nas piores suspeitas que possa ir tendo...

Mas, uma coisa que vos posso garantir, é que estas mesmas elites ocidentais, que têm nos seus planos expandir a OTAN para este grande país do Leste da Europa, têm planos para dominar o mundo inteiro. E, relativamente a isto, sei eu muito bem do que falo. Sendo, até, a denúncia desses mesmos planos, o principal propósito das muitas colocações que tenho feito no meu blogue.

Anónimo disse...

"Com a OTAN a construir uma tão grande base avançada, na fronteira imediata da Rússia e tão próxima da capital da última e também do que serão, certamente, muitos dos seus pólos tecnológicos, científicos, industriais etc.." Quem mais se arma e a ritmo acelerado é a Rússia.

Doença ... o comunismo é uma tremenda doença. Uma psicopatia aguda ... uma infantilidade que não morre coma a idade. Uma mania que são perseguidos e nada mais conta. Eles que treinaram, armaram e ajudaram o terrorismo por todo o mundo, providenciaram apoio à produção de drogas e logística na América latina acham-se perseguidos. Que ricos hipócritas estes exportadores imperialistas de violência, morte e fome: morte aos milhões.

mikaelrc ribeirocardoso disse...

Comcordo plenamente fernando negro a russia novamente sendo atacada como no passado e pessoas ainda defenden o ocidente lamentavel incluindo o dono deste blog