domingo, julho 12, 2015

O Desmoronamento da Ucrânia



Enquanto a União Europeia anda entretida com o “problema grego”, dando provas da incapacidade total dos seus dirigentes de retirá-la do beco em que se encontra, a Ucrânia transforma-se num problema gravíssimo a Leste, afundando-se cada vez mais em contradições internas e externas.
Desta vez, os confrontos armados chegaram à parte ocidental da Ucrânia, na fronteira com a Hungria, envolvendo grupos armados políticos com ligações mafiosas e grupos armados mafiosos com ligações políticas. Na calma cidade de Mukatchevo, membros da organização de extrema-direita “Pravyi Sektor” (Sector de Direita) envolveram-se num tiroteio com guardas de Mikhail Lanio, deputado do Parlamento ucraniano.
Segundo as notícias da região, os confrontos deveram-se ao facto de esses grupos não terem dividido pacificamente os lucros do contrabando do tabaco e de outros produtos. O resultado do tiroteio foi de 3 mortos e 9 feridos, alguns dos quais nada tinham a ver com este tipo de guerrilha e apenas estavam à hora errada no sítio errado.
As autoridades de Kiev enviaram para o local destacamentos especiais da polícia e exigem que os homens armados do “Sector de Direita” se rendam e entreguem as armas. Porém, estes respondem que só se renderão se receberem essa ordem do seu comandante máximo Dmitri Iarosh.
Iarosh deslocou-se de Kiev para o local e, provavelmente, o caso poderá ficar resolvido sem mais vítimas. Porém, ele não resolve o problema em definitivo enquanto as autoridades ucranianas não acabarem completamente com os grupos armados existentes no país e não organizarem forças armadas e polícia mais eficazes. Grupelhos com o peso eleitoral do “Sector de Direita”, nem outros quaisquer, não têm o direito de aterrorizar civis, trazendo à memória cenas da guerra civil ocorrida após o golpe comunista de 1917 no Império Russo, de que a Ucrânia fazia parte.
Entretanto, no Leste, com maior ou menor intensidade, continuam os combates entre forças armadas ucranianas, de um lado, e separatistas e tropas russas do outro. Os Acordos de Minsk, de cujo cumprimento a Rússia, Alemanha e França são garantes, transformam-se cada vez mais em simples papel e o conflito pode reiniciar-se com nova força.
Nesta situação, acompanhada da degradação social e económica na Ucrânia, as autoridades de Kiev parecem tentar provar que a política do Kremlin em relação ao país vizinho foi um amontoado de erros de palmatória. Mas não pelas razões que se possa pensar.
Na História não há condicional, o que aconteceu aconteceu e é impossível fazer rodar o filme para trás. Mas suponhemos que Moscovo autorizava que o antigo Presidente ucraniano Victor Ianukovitch assinasse o Acordo de Parceria com a UE em finais de 2013. Acredito que nada do outro mundo teria acontecido, como não aconteceu depois da “revolução laranja pró-ocidental” de 2004. Mais, não duvido que Ianukovitch fosse reeleito presidente (com mais ou menos batota) e as relações com a Rússia pouco ou nada mudariam, nem sequer as acesas discussões sobre a passagem do gás russo para a Europa que terminavam sempre em acordo.
Além disso, a Rússia continuaria a dominar as bases que tinha na Crimeia.
Sendo assim, a anexação da Crimeia pelas tropas russas e a ingerência directa no Leste da Ucrânia mais não foram do que erros crassos de estratégia do Presidente Vladimir Putin. Este dirigente e a sua corte, sempre pronta a adivinhar as vontades do dono, não tiveram a paciência suficiente para esperar e o resultado está à vista. Além das consequências já apontadas, é de salientar também que a intervenção russa contribuiu seriamente para a consolidação do espírito nacional ucraniano, processo esse que tem por base o ódio, sublinho, o ódio, para com o país vizinho.
Porém, devido à luta pelo poder entre grupos e clãs na Ucrânia, este país pode acabar destruído e dividido em pequenos feudos.


2 comentários:

João José Horta Nobre disse...

Putin é estúpido. Tenho ódio a esse homem, também sublinho, ÓDIO. É um assassino do KGB e uma besta sem escrúpulos que quer destruir a Europa em conjunto com os Estados Unidos que foi quem provocou toda esta situação para começar.

Obama e Putin deviam mas era de ir dançar a lambada juntos e deixar-nos a todos em paz porque já chega de tanta demência no Ocidente!

Anónimo disse...

Mukatchevo, sede da Igreja Rutena, igreja católica oriental, de rito bizantino - e que muito sofreu na época soviética com o conluio dos ortodoxos russos