Terça-feira, Agosto 31, 2010

Polícia deteve cerca de uma centena de opositores ao Kremlin


A polícia da capital russa deteve cerca de uma centena de militantes da oposição ao Kremlin, que tentaram manifestar-se em defesa do artigo 31.º da Constituição, que prevê a liberdade de manifestação.
Segundo a oposição, esse artigo da lei suprema da Rússia obriga os organizadores de manifestações apenas a informarem as autoridades da sua realização, mas Iúri Lujkov, presidente da Câmara de Moscovo, considera que elas só podem realizadas depois de obtida a autorização respetiva, o que não foi o caso.
Entre os militantes da oposição detidos encontram-se Boris Nemtsov, dirigente da organização liberal Solidariedade, Eduard Limonov, líder do Partido Nacional-Bolchevique, Serguei Kossiakin e Serguei Udaltsov, dirigentes da Frente de Esquerda, e Roman Dobrokhotov, líder da organização juvenil Nós. Eles foram conduzidos para esquadras próximas e incorrem numa pena de prisão até 15 dias por “resistência às autoridades”.
“Eu nem sequer cheguei à Praça do Triunfo. Fui agarrado e levado à força pela polícia para um autocarro e agora encontro-me numa esquadra da polícia”, declarou Roaman Dobrokhotov à Lusa, por telefone.
“Segundo me disseram algumas testemunhas, a polícia foi dura, rasgou os casacos a vários detidos e alguns foram agredidos. Desta vez, a polícia foi particularmente dura”, acrescentou.
Boris Nemtsov acompanhava vários deputados do Parlamento Europeu, nomeadamente a finlandesa Hadi Hautala, dirigente do comité parlamentar para os direitos humanos. O dirigente da oposição russa tentou distribuir o seu livro, “Putin – 10 anos”, mas foi agarrado e levado para uma das numerosas camionetas da polícia.
“Não temos medo, porque estamos solidários com o povo russo e essa solidariedade incute-nos ousadia”, declarou Hautala aos jornalistas presentes.
O general Viatcheslav Kozlov, vice-chefe da polícia de Moscovo, tinha prometido tratar os deputados europeus como os opositores russos.
“Se essas pessoas forem para o comício, considero que se trata de uma provocação e mais uma oportunidade para denegrir a polícia moscovita. Eles que venham, serão tratados como participantes num comício ilegal”, ameaçou.
Ao princípio da noite, Nemtsov anunciou que a polícia libertou quase todos os detidos, sublinhando que eles serão levados a tribunal no próximo dia 09 de setembro.
Porém, Vsevolod Tchernozub, um dos líderes da Solidariedade, declarou à rádio Eco de Moscovo que a polícia o transportava, e a mais 17 pessoas, numa camioneta há mais de três horas e não sabia para que esquadra iriam.
Horas antes do início da iniciativa da oposição, centenas de polícias e soldados do Ministério do Interior da Rússia cercaram a Praça do Triunfo, para onde tinha sido convocada a manifestação, mas isso não evitou que várias centenas de pessoas, com o número 31 ao peito, chegassem à praça.
Segundo vários cálculos, na ação participaram entre 300 e 1000 pessoas.
Realizaram-se manifestações semelhantes em várias cidades russas, mas só em São Petersburgo a polícia decidiu seguir o exemplo dos agentes moscovitas e dispersar à força os oponentes do Kremlin, que gritavam: “Constituição!” e “Rússia sem Putin!”. Foram detidas cerca de 90 pessoas.
Na véspera, numa entrevista ao diário Kommersant, o primeiro ministro Vladimir Putin, acusou a oposição de provocar o poder e prometeu “cacete na cabeça”.

Leitura recomendada


'Como Sobrevivemos ao Comunismo sem Perder o Sentido de Humor', Slavenka Drakulic. Editora Pedra da Lua
   
"A maior virtude de 'Como Sobrevivemos ao Comunismo sem Perder o Sentido de Humor' reside talvez na capacidade da autora de combinar a análise provocadora com a textura da vida quotidiana: o fascínio de uma criança perante uma luxuosa boneca estrangeira; o assombro e a inveja de um leste-europeu perante o sistema telefónico americano e a sua consternação face aos inúmeros sinais de pobreza em Nova Iorque [...] Um livro profundo e de fina qualidade literária.” New York Times Book Review

Leitura Recomendada



"O FIM do COMPROMISSO", de Paul Hollader. Editora Pedra da Lua


"O primeiro livro a oferecer uma visão histórica comparativa abrangente da desilusão com os sistemas e ideologias comunistas.
A sedução que alguns dos maiores pensadores do século XX sentiram pelas mais corruptas ideologias - como o comunismo e o nazismo, á uma das mais intrigantes histórias desse malfadado século. N’O Fim do Compromisso, o reconhecido sociólogo Paul Hollader investiga como e que motives terão levado estes zelotas a derrapar nas causas que os moviam. Este é o primeiro livro que tem uma visão histórica comparativa abrangente da desilução com os sistemas e ideologias comunistas. No decurso dos seus estudos, Paul Hollander examina os sentimentos de ex-revolucionários, oficiais de alta patente e intelectuais na União Soviética, bem como nos países do bloco soviético e nos estados comunistas terceiro mundistas".

Segunda-feira, Agosto 30, 2010

Ou estás quietinho, ou levas na cabeça



O primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, concedeu uma entrevista ao diário Kommersant onde aponta as prioridades da sua política interna e externa.
Putin afirma desconhecer quem é Iúri Chevtchuk e que a oposição se reúne periodicamente na Praça do Triunfo de Moscovo, mas apoia as ações da polícia contra os manifestantes.
Iúri Chevtchuk, tal como Putin, nasceu e vive em São Petersburgo, e é um dos maiores nomes da música rock soviética e russa dos últimos 30 anos. Quanto às manifestações da oposição, elas realizam-se no dia 31 dos meses que têm esse número de dias para protestar contra a violação do art.31 da Constituição, que prevê a liberdade de expressão, mas sempre reprimidas pela polícia.
O artº 31 da Constituição da Rússia reza: “Os cidadãos da Federação da Rússia têm o direito a reunir-se pacificamente, sem armas, a relizar reuniões, comícios e manifestações, marchas e piquetes”.
A oposição considera que, por conseguinte, não precisa de pedir autorização às autoridades, mas deve apenas informar atempadamente das iniciativas; mas o poder considera que esse direito só pode ser feito com a sua permissão.
 “Digo sinceramente, dou-lhe a palavra de honra de membro do partido! Eu não conheço Chevtchuk e desconheço que eles (oposição extra-parlamentar) se reúnem na Praça do Triunfo... regularmente”, reconheceu Putin.
O primeiro-ministro diz não compreender porque é que a oposição se manifesta onde “não lhe é permitido”.
“Em Londres, (as autoridades) definem o lugar. Onde não podem manifestar-se, levam cacetete pela cabeça abaixo. Não se pode? Vieste? Levas a tua medida. E ninguém fica indignado”, acrescentou.
Putin dá conselhos à oposição de como se comportar: “Convidar os jornalistas, duas ou três câmaras, ocidentais, orientais, russas, reunirem-se-se todos, levantarem a bandeira com ossos e caveira, dizerem que o poder vá para o lugar que querem e que irão criticar enquanto não conseguirem o seu objetivo”.
“O que há de bom no mundo moderno? Pode-se falar numa esquina de uma casa de banho pública e todo mundo vai ouvir porque lá estão todas as câmaras! Disseram e tudo bem, que se dirijam para o mar fazendo barulho com os cascos”, acrescentou.
Segundo ele, a oposição tem por objetivo dizer que “fazemos o que queremos e iremos provocar-vos para que nos dêem com um cacetete na cabeça. Pintam-se com tinta vermelha e dizem que o poder antipopular se comporta de forma indigna e esmaga os direitos humanos”.
“Se o poder faz cedências, ela (oposição) encontrará motivo para outras provocações. E isso continuará eternamente”, frisou.
 Putin afirmou que desconhecia que Mikhail Khodorkovski, antigo dono petrolífero da YUKOS, estava a ser julgado pela segunda vez, mas sublinhou que foi bem condenado.
“Ele cumpre a pena merecida. Quando sair em liberdade, será um homem livre. Não, não fui eu que o encostei à parede”, considerou.
“Quando soube do segundo processo, fiquei muito surpreendido, perguntei que processo era aquele se ele já estava na cadeia. Mas que segundo processo? Mas se esse processo tem lugar, isso é necessário do ponto de vista da lei. Não sou eu que conduzo o processo”, frisou.
Quanto às presidenciais em 2012, Putin voltou a afirmar que “iremo-nos reunir e resolver”.
Putin não vê progressos no processo de “reinício” das relações com os Estados Unidos, acusando Washington de continuar a defender a instalação do escudo antimíssil na Europa e rearmar a Geórgia.
“Eu quero acreditar muito nele. Segundo, eu quero muito. Terceiro, são visíveis as intenções da atual administração dos Estados Unidos de melhorar as relações com a Rússia. Mas há outro aspeto. Por exemplo, tem lugar o rearmamento da Geórgia. Para quê?”, interroga ele.
“Parece que tínhamos chegado a um acordo para na Polónia não ser instalado o sistema antimíssil e na República Checa ainda não foi decidida a questão dos radares. Fantástico! Mas, na prática, anunciam que se planeia o mesmo noutros países da Europa. Onde está o “reinício”?, conclui o primeiro-ministro russo.
Analistas russos consideram que Vladimir Putin deu início à campanha eleitoral para as parlamentares de 2011 e as presidenciais de 2012, deixando claras as suas posições face aos problemas internos e externos do país.
Esta entrevista provocou uma forte onda de indignação e revolta entre a oposição. Ela não esperava que Putin fosse tão longe nas palavras.
Pessoalmente, acho que o primeiro-ministro russo nada disse de novo. Disse  apenas o que pensa e na linguagem que ele considera que o povo entende e gosta.
Se utilizarmos o mesmo nível linguístico no português, o discurso de Vladimir Putin pode ser traduzido com as palavras da canção: “Ou estás quietinho, ou levas no focinho! Ou estás quietinho e caladinho, ou levas no focinho”.

Blog dos leitores (Tudo será definido este Outono)

Artigo traduzido e enviado por Cristina Mestre

"Vzgliad

Terminou esta sexta-feira o prazo de entrega das listas eleitorais nas comissões eleitorais locais. A 10 de Outubro deverão ter lugar 7.841 eleições de diferentes níveis e referendos locais e, em seis regiões – Tuva, Belgorod, Kostroma, Novossibirsk, Magadan e Tcheliabinsk – serão reeleitos os parlamentos locais.
O politólogo Dmitry Orlov, director da Agência de Comunicações Políticas e Económicas, concedeu uma entrevista ao jornal Vzgliad, em que fala da situação dos partidos no início do novo ciclo eleitoral, sobre as forças que podem não sobreviver até 2012 e sobre o papel que o Kremlin pode exercer neste processo. Há poucos dias, o politólogo publicou um relatório, “O Elo Fraco e a Nova Estratégia do Kremlin”, dedicado a estas questões.
Vzgliad: Por que razão este relatório foi escrito agora, quando falta ainda mais de um ano até à campanha eleitoral das parlamentares (Duma de Estado)?
Dmitry Orlov: A causa é evidente: começa uma nova temporada política, a configuração do espaço político está a mudar, começa em Outubro um grande ciclo de campanhas eleitorais, que terminará com as eleições presidenciais em Março de 2012. É importante o facto de em Setembro começar a fase activa do grande ciclo eleitoral e, por isso, a redistribuição de forças políticas, a sua influência, o surgimento de novas figuras políticas, tudo isso será definido neste Outono.
Vzgliad: No relatório fala-se muito sobre o papel do Kremlin, que definirá de facto quais os partidos irão existir e quais os que irão abandonar o palco político. A seu ver, a maioria dos eleitores confia plenamente no Kremlin e continua a desempenhar um papel passivo?
D.O.: O relatório não afirma que o Kremlin definirá tudo pelos eleitores. O Kremlin cria certos limites e coopera com outros jogadores políticos, expressa algumas preferências e realiza-as. Gostaríamos de ressaltar que o sistema político existente, de que fala o dirigente adjunto da Administração do presidente, Vladislav Surkov, não significa que os assentos na Duma de Estado sejam distribuídos. Para ocupar um lugar no Parlamento é necessário resistir a uma forte concorrência política. Chega um momento em que as forças oposicionistas já não podem contar com quaisquer preferências especiais. Agora, a concorrência política é um assunto dos próprios partidos.
Vzgliad: No relatório diz-se que “a realização do projecto de direita tem como ponto de partida a decisão do Kremlin sobre a criação de um partido liberal leal”. Por outras palavras, um partido de direita poderá aparecer na Duma de Estado só com apoio do Kremlin?
D.O.: Ao contrário da oposição tradicional – o Partido Comunista, o Partido Liberal Democrata e o partido Rússia Justa, um projecto de direita só é viável se for apoiado pelo Kremlin. Isto tem a ver com o fraco apoio eleitoral, com a dificuldade organizativa e com o problema da liderança.
Vzgliad: Cito outra frase do relatório: “Se, por quaisquer razões, um dos três partidos oposicionistas no Parlamento se transformar em “elo fraco” (inclusive do ponto de vista da compreensão dos desafios da modernização), nada poderá deter o Kremlin de fazer um “jogo de expulsão” em relação a qualquer jogador”. Quer isto dizer que o Kremlin é o único promotor verdadeiro da modernização do país?
D.O.: É absolutamente evidente que o Kremlin está no centro do processo de modernização. Tenho em vista o Kremlin no amplo sentido da palavra – o presidente e o Governo. Mas o poder precisa do apoio de um partido que assuma a responsabilidade e vote a favor dos projectos de lei frequentemente impopulares, mas necessários para a modernização.
Hoje, nominalmente, todos os partidos se manifestam pela modernização, mas, quando chegar a altura de votar os projectos de lei, o poder poderá contar apenas com a Rússia Unida. A oposição no nosso país é populista e não irá apoiar decisões não populistas.
Vzgliad: Quem, a seu ver, poderá tornar-se líder da direita?
D.O.: Não posso por enquanto referir um nome concreto. Se o referir, a carreira política desta pessoa será afectada. Mas considero pouco provável que seja Kudrin. Kudrin não é popular entre os eleitores democráticos de direita. Embora seja adversário da Rússia Unida, tal não o torna num líder político popular.
Vzgliad: Uma parte do relatório é dedicada ao eleitorado de protesto que se divide em duas partes: aqueles que receberam pouco do poder e aqueles que apoiam posições políticas diferentes das que o poder defende. O relatório não menciona a classe dos chamados “novos zangados”, embora fale pormenorizadamente sobre eles, por exemplo, o ideólogo da Rússia Unida, Alexey Tchadaev...
D.O.: Penso que actualmente esta classe não tem importância sociológica. Pode haver muitos descontentes com algumas decisões do poder ou acções da burocracia, digamos 15% da população urbana. Mas quantos deles irão votar, levando em consideração que a população urbana e a classe média não participam frequentemente nas eleições? Considero que, no máximo, votará um em cada cinco descontentes. Por outras palavras, trata-se de 3%, ou seja de um grupo sociologicamente pouco importante, em qualquer caso, agora.
Os “novos zangados” não influirão no clima eleitoral nem nestas eleições regionais, nem nas eleições parlamentares ou presidenciais. Influirão nos ânimos sociais, na “cozinha”, mas não nos resultados das eleições. Tal não significa, porém, que diferentes forças políticas não devam trabalhar com eles.
Vzgliad: O relatório refere o partido Rússia Justa como um elo fraco do sistema político. Se este partido enfraquecer, para onde irá, a seu ver, o seu eleitorado – para o partido governante ou para a oposição?
D.O.: Penso que os antigos partidários da Rússia Justa irão votar em medida igual na Rússia Unida, no Partido Comunista e no Partido Liberal Democrata.
Ao mesmo tempo, a Rússia Justa pode não perder a força. Se lutar na ala esquerda, pode transformar-se num partido socialista normal, fazendo recuar o Partido Comunista. Mas o partido deve livrar-se do seu líder, Serguey Mironov, que simplesmente não é popular entre as pessoas.
Vzgliad: A direcção da Rússia Unida declarou recentemente que nas próximas eleições não irá utilizar “alavancas administrativas”. Na sua opinião, irão alterar-se neste caso os resultados do partido governante e em que grau?
D.O.: A meu ver, é pouco importante que o partido obtenha nas eleições 52 ou 57 por cento. Hoje em dia, estão criadas condições iguais para um jogo justo. Os pequenos partidos devem em condições iguais superar o predomínio do partido governante, mas a Rússia Unida tentará manter com todas as forças este predomínio. E penso que irá consegui-lo.
As minhas previsões em relação às eleições parlamentares em 2011 são referidas no relatório: a Rússia Unida obterá de 65 a 70%, o Partido Comunista – de 10 a 15%, o Partido Liberal Democrata e a Rússia Justa – de 7 a 10% cada um.

Artigo original: http://vzgliad.ru/politics/2010/8/27/428255.html

Vladimir Putin inaugura oleoduto entre Sibéria Oriental e China


O primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, inaugurou hoje o troço do oleoduto Sibéria Oriental-Oceano Pacífico que transportará petróleo até à fronteira da China.


Na cerimónia, que decorreu na região de Amur, no Extremo Oriente russo, Putin afirmou que o seu país realizou a sua parte da ideia do projeto que surgiu há seis anos, sublinhando que falta agora a China terminar a construção do gasoduto.
A parte russa do projeto tem 64 quilómetros de comprimento, enquanto que o oleduto chinês terá um comprimento de 960 quilómetros e deverá estar terminado em finais de Setembro.
O pipe-line irá transportar cerca de 15 milhões de toneladas de petróleo russo por ano e o contrato de fornecimento do combustível foi assinado por um prazo de 20 anos.
Putin sublinhou que este projeto não prevê apenas o fornecimento de matéria-prima para a China, mas “constitui um projeto multilateral que reforçará a nossa interação energética”.
“Os parceiros chineses participam na extração de petróleo no território da Rússia e empresas russas são acionistas de refinarias e de redes de distribuição na China”, precisou.
“Este é um projeto importante para nós, porque diversificamos os fornecimentos da nossa matéria-prima estratégica. Até agora os fornecimentos fundamentais eram realizados para a Europa... Era pouca a quantidade que ia para a Região Asiática do Pacífico”, acrescentou.
Segundo ele, com a inauguração deste troço, “iremos transportar até às costas do Pacífico 30 milhões de toneladas de petróleo por ano e, depois do seu alargamento, 50 milhões de toneladas”.
Putin sublinhou também que a cooperação com a China não se reduz apenas ao fornecimento de petróleo, mas também engloba as esferas do fornecimento de armamentos e da energia nuclear.
O primeiro-ministro russo concluiu frisando que este projeto constitui um grande contributo para o desenvolvimento económico e social do Extremo Oriente da Rússia.

Domingo, Agosto 29, 2010

Cosmodrómo russo entrará em funcionamento em 2018 no Extremo Oriente





A Rússia começará a lançar todas as suas naves espaciais pilotadas a partir do Cosmódromo Vostotchni em 2018, anunciou, no sábado, Serguei Ivanov, vice-primeiro-ministro do Governo russo.
Ivanov comentava assim as palavras do primeiro-ministro Vladimir Putin que defendeu, numa reunião realizada no local onde irá nascer o novo centro espacial, na região do Amur, no Extremo Oriente russo, a construção de um novo cosmódromo.
“Em 2005, começámos a falar da necessidade de construir esse cosmódromo. Depois da desintegração da União Soviética, o cosmódromo de Baikanur ficou no território do Cazaquistão amigo”, declarou Putin.
Segundo Ivanov, a primeira rampa de lançamento de naves de carga para o Espaço começará a funcionar em 2015.
O novo cosmódromo está ser construído num local onde antes se encontrava uma base das Tropas de Mísseis Estratégicos do Ministério da Defesa da Rússia.
“Este lugar foi escolhido porque ao lado passa o caminho de ferro Transiberiano, está a ser construída a auto-estrada Tchita-Khabarovsk e corre o rio Amur”, precisou Ivanov.
Vladimir Putin sublinhou que a construção do novo cosmodrómo contribuirá para o desenvolvimento do Extremo Oriente russo, região pouco povoada, mas com grandes potencialidades e recursos naturais.
“A construção do novo cosmódromo contribuirá para que a Rússia se reafirme como potência espacial e contribuirá para o desenvolvimento do Extremo Oriente”, frisou o primeiro-ministro.
A primeira etapa dos trabalhos irá custar cerca de 500 milhões de euros e ,durante a qual, serão construídas infraestruturas e uma cidade com uma população de 30 a 40 mil habitantes.

Sexta-feira, Agosto 27, 2010

Primeiro-ministro Putin defende construção de auto-estrada entre Moscovo e Petersburgo


O primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, voltou a defender a necessidade da construção da auto-estrada entre Moscovo e São Petersburgo, suspendida na véspera pelo Presidente Dmitri Medvedev.
“É preciso construir a estrada entre os principais centros da Rússia: Moscovo e São Petersburgo”, declarou Putin aos jornalistas, sublinhando que “há sempre problemas entre o desenvolvimento e a conservação da natureza”.
O primeiro-ministro russo chamou a atenção dos jornalistas para o fato de o seu Governo ter sempre analisado atentamente os problemas de proteção da natureza.
Putin apresentou vários exemplos em que as autoridades foram ao encontro das opiniões dos ecólogos, mas acrescentou que podem estar outros interesses por detrás das reivindicações ecológicas.
“Infelizmente, nós, às vezes, vemos a utilização dos problemas ecológicos na luta de concorrência. Tivemos e temos todas as razões para supor que a campanha lançada durante a construção de um porto no noroeste da Rússia foi paga pelos concorrentes”, precisou.
“Segundo ele, os problemas ecológicos são utilizados também com fins políticos, como, por exemplo, com a Corrente do Norte (gasoduto que irá ligar a Rússia à Alemanha pelo Mar Báltico). É preciso ter paciência, tentar afastar-se ao máximo de quaisquer ambições, antes de tudo, ambições da parte do poder, mas devo dizer que os representantes das organizações ecológicas também têm ambições. Isso é um pecado comum”.
Concretamente em relação à discussão em torno da Floresta de Khimki, que já foi parcialmente destruída para permitir a construção da auto-estrada, Putin disse que “isso é normal, isso está correto”.
“Eu abordei essa questão com Dmitri Medvedev. Repito uma vez mais, isso corresponde completamente à lógica e prática do nosso comportamento”, frisou.
Em Novembro de 2009, Putin assim uma decreto que prevê a passagem da auto-estrada através da Floresta de Khimki, nos arredores da capital russa. Os ecólogos contestaram, mas perderam em todas as instâncias judiciais, incluindo o Supremo Tribunal.
Os trabalhos começaram sob fortes protestos dos ecologistas e foram suspensos ontem por Dmitri Medvedev.
O diário económico Vedomosti chama a atenção para o fato de Medvedev ter ordenado suspender os trabalhos “quando já não tem sentido, porque o espaço para a estrada já foi desflorestado quase até ao fim”.
Segundo este jornal, “os peritos suspeitam que as forças políticas simplesmente querem ganhar pontos com o problema da Floresta de Khimki”.

Quinta-feira, Agosto 26, 2010

Incêndios provocaram prejuízos superiores a 300 mil milhões de dólares

A situação catastrófica com os incêndios florestais na Rússia em 2010 e a falta de gestão das florestas pelo Estado causaram prejuízos económicos superiores a 300 mil milhões de dólares, declarou hoje Alexei Zimenko, diretor do Centro de Conservação da Biodiversidade da Rússia.
Segundo dados oficiais, na época de fogos de 2010 ocorreram mais de 29 mil incêndios numa área total de 927 mil hectares, que provocaram a morte de 54 pessoas e destruíram 2 500 habitações.
“Segundo cálculos muito cuidadosos, o prejuízo económico é superior a 25 mil dólares por hectare de floresta. Sendo assim, à escala do país, a falta de meios de proteção da narureza no presente ano custou, no mínimo, 375 mil milhões de dólares”,precisou ele, numa conferência de imprensa.
Os ecólogos baseiam os seus cálculos nos dados do Centro Mundial de Monotorização de Incêndios, na Alemanha, que considera que as chamas devoraram mais de 15 milhões de hectares de floresta na Rússia.
Mesmo tendo em conta a margem de erro, a área foi superior a 10-12 milhões de hectares.
Segundo Zimenko, os cálculos dos ecólogos baseiam-se em dos índices: o valor da madeira e o custo dos meios-padrão para os trabalhos de recuperação. Eles não incluem as despesas com o tratatamento das novas plantas nos primeiros 5-10 anos de crescimento, bem como a destruição de plantas e animais, incluindo espécies inscritas no Livro Vermelho da Rússia.
Na semana passada, Serguei Choigu, ministro para Situações de Emergência da Rússia, declarou que os prejuízos diretos dos fogos rondam os 12 mil milhões de rublos (cerca de 300 milhões de euros).

Presidente Medvedev suspende construção de auto-estrada Moscovo – São Petersburgo


O Presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, decidiu suspender a realização do decreto do Governo sobre a construção da auto-estrada Moscovo-São Petersburgo através da Floresta de Khimki até à realização de novos estudos.
“Não obstante ter sido tomada uma decisão especial do Governo sobre a construção da auto-estrada, não obstante ela ter sido analisada pelo nosso sistema judicial e terem sido tomadas decisões sobre essa questão, as nossas pessoas, incluindo representantes de partidos políticos, desde o maioritário Rússia Unida até às organizações sociais da oposição, os peritos afirmam que o projeto necessita de uma análise completmentar”, declarou ele no seu blog na Internet.
“Tendo em conta a quantidade de apelos, decidi e encarrego o Governo de suspender a realização do decreto sobre a construção da auto-estrada e de realizar novas discussões com a sociedade e os peritos”, acrescentou.
O Partido Rússia Unida, chefiado pelo primeiro-ministro Vladimir Putin, dirigira um apelo ao Presidente Dmitri Medvedev para que suspenda a construção de um troço da auto-estrada Moscovo-São Petersburgo através da Floresta de Khimki.
Este apelo deixou perplexos jornalistas, ecólogos e políticos da oposição porque foi Vladimir Putin que, em 2009, ordenou a construção da via rápida através dessa floresta de carvalhos nos arredores de Moscovo.
O corte de árvores, não obstante todas as ações e protestos dos ecólogos, começou há várias semanas atrás e o início das obras está previsto para Outubro.
“Estrondoso! Isso é fantástico!”, reagiu Evgueni Tchirikova, dirigente do movimento “Em Defesa da Floresta de Khimiki”, acrescentando que a decisão da Rússia Unida se deveu ao fato de “eles terem visto a quantidade de pessoas que estão indignadas com o corte da floresta”.
Oleg Mitvol, perfeito do Círculo Administrativo do Norte de Moscovo, onde se encontra a polémica floresta, propôs hoje a construção da auto-estrada noutra região, sublinhando ter o apoio de Iúri Lujkov, presidente da Cãmara de Moscovo.
A auto-estrada que ligará as duas maiores cidades da Rússia vai ser construída por troços, com a participação de empresas estrangeiras, entre elas a Brisa portuguesa.

P.S. Apenas uma nota. A decisão do Presidente Medvedev pode ser positiva, mas foi não só tomada tarde, como vai contra decisões de tribunais de todas as instâncias. Estes consideraram que a construção estava a ser realizada dentro da lei. Por isso, Dmitri Medvedev, mesmo que o pretexto seja muito nobre, violou a separação de poderes.
E como deveria reagir um primeiro-ministro desacreditado pelo Presidente? Obviamente, demitir-se! Mas será que vai ser o caso? 

Nem Amnistia Internacional, nem Greenpeace escapam!


A polícia da capital russa deteve dois voluntários da Aministia Internacional e impediu a exibição de cartazes informativos dessa organização não governamental, bem como da Greenpeace da Rússia e The One Campaign (fundação internacional da luta contra a SIDA), durante o concerto dos U2.
O grupo de rock irlandês realizou, na quarta-feira à noite, um concerto no Estádio Lujniki de Moscovo com lotação esgotada, tendo assistido mais de 60 mil espetadores.
Os agentes policiais alegaram que os voluntários tinham organizado um piquete não autorizado antes do concerto.
Estas ações da polícia provocaram os protestos da administração do grupo de rock U2, porque tudo tinha sido acordado antes do espetáculo, incluindo a distribuição de informação sobre essas organizações.
Na terça-feira, Bono, o vocalista da banda, encontrou-se com Dmitri Medvedev, Presidente da Rússia, com quem abordou o problema do combate à SIDA.
A oposição russa enviou uma carta a Bono onde considera que “na Rússia, a censura policial se alargou à música rock e à ecologia”.
“Os músicos são presos e ameaçados pelo conteúdo das suas canções, os ecólogos sofrem pressão repressiva inadequada contra a sua atividade não violenta”, lê-se na missiva.
O cantor lamentou ter recebido a carta depois do encontro com Medvedev e, ontem, antes do concerto, encontrou-se com Mikhail Gorbatchov, antigo Presidente soviético, com os jornalistas do jornal “Novaya Gazeta”, onde trabalhou Anna Politkovskaia, assassinada em 2007 em condições até agora pouco esclarecidas.
Além disso, Bono, para descontentamento do Kremlin, encontrou-se com o crítico musical Artiom Troitski e o conhecido cantor de rock russo Iúri Chevtchuk, dois dos assinantes da carta de protesto.
“Soubemos da vossa carta quando estavamos a regressar de Sotchi, onde me encontrei com o Presidente. Se Troitski me tivesse entregue a carta antes do encontro, eu não teria vergonha de a entregar ao Presidente Medvedev.... Tenho muita pena que tenha acontecido assim”, declarou Bono, citado pela Novaya Gazeta.
A forte chuva que caiu em Moscovo não conseguiu resfriar o calor humano no Estádio de Lujniki. O concerto teve um dos pontos mais altos quando Bono convidou Iúri Chevtchuk a juntar-se ao U2 no palco para interpretarem a canção Knokin' on Heaven's Door, composta por Bob Dilan.
A plateia aplaudiu efusivamente quando Chevtchuk cantou uma das quadras dessa canção em língua russa.
Há uns tempos atrás, quando Vladimir Putin se encontrou com intelectuais de São Petersburgo, ele não reconheceu (!) Chevtchuk, embora qualquer russo minimamente informado conhece gigante do rock russo, mas Bono reconheceu.
Pergunto: de que é que alguma gente tem tanto medo?

Para quem quiser ver a actuação de Bono e Chevtchuk: http://newsru.com/russia/26aug2010/u2shev.html

Terça-feira, Agosto 24, 2010

Presidente Medvedev promete apoio a Bono no combate à SIDA



O Presidente russo, Dmitri Medvedev, prometeu apoiar o programa do cantor Bono, solista do grupo de rock U2, de luta contra a SIDA.
Bono, num encontro com Medvedev em Sotchi, no sul da Rússia, defendeu que o problema da transmissão da SIDA da mãe para a criança, nomeadamente da contaminação do recém-nascido pela mãe infetada, poderia ser resolvido até 2012.
“Esse programa é bom e muito concreto, e é um bom meio de resolver os problemas. Iremos refletir na forma como a Rússia poderá participar nele”, respondeu o dirigente russo, citado pela Ria-Novosti.
Bono perguntou a Medvedev: “Sei que se encontrou com o Presidente Obama. O senhor gostou realmente do hot-dog?”
“Tenho de dar uma resposta diplomática: o hot-dog é uma comida saborosa, mas eu raramente me dou ao luxo de o comer”, respondeu Medvedev.
Bono encontra-se na Rússia no quadro de um torneio mundial.

Preços de produtos alimentares disparam e começam a provocar escassez

Os preços de produtos alimentares como o leite e o trigo serraceno estão a provocar a escassez e uma brusca subida de preços na Rússia. Os retalhistas acusam os produtores e intermediários, mas estes devolvem as acusações e culpam também os incêndios e seca.
A oferta de leite na rede comercial cobre a procura em 70-80 por cento, escreve hoje o diário Nezavissimaia Gazeta.
Peritos do grupo de distribuição X5Reital, que conta com várias cadeias de distribuição a grosso e com mais de 1300 supermercados na Rússia, consideram que o consumo de leite aumentou em 40 por cento durante o mês de Agosto. Em parte, este aumento deveu-se ao fato de os médicos recomendarem beber mais leite nas regiões atingidas pelos incêndios florestais.
No mesmo período, o preço de venda do leite ao consumidor subiu, em média, 10 por cento.
Quanto ao trigo serraceno, um dos cereais mais consumidos no país, ele desaparece rapidamente das prateleiras das lojas e supermercados.
“Neste campo observa-se a maior subida dos preços: entre 40 e 60 por cento”, declarou Mikhail Susov, porta-voz do X5ReitalGroup.
“A indústria transformadora e intermediários, alegando consequências da seca, sobem os preços do leite comprado aos produtores, o que provoca o aumento dos preços a retalho”, lê-se numa nota do centro de imprensa da Tzentrosoiuz da Rússia.
A Tzentrosoiuz é constituída por uma rede de empresas que compram, transformam e realizam produtos agrícolas em 76 regiões do país.
As grandes empresas retalhistas pedem ao Governo russo que investigue “se os fornecedores aumentam os preços por razões justificadas ou por especulação e se há permissas económicas para o aumento de preços”.

Integração na Europa continua a ser tarefa prioritária da Ucrânia



O Presidente da Ucrânia, Victor Ianukovitch, declarou que a integração europeia é o vetor prioritário do desenvolvimento do país.
“A integração europeia continua a ser a direção prioritária da Ucrânia”, declarou Ianukovitch ao discursar no Dia da Independência da Ucrânia.
Ianukovitch espera que a cimeira Ucrânia-UE, que se realizará no outono, constituirá um passo significativo na via da integração europeia do seu país.
O Presidente sublinhou que o alto nível de relações entre a Ucrânia e a Rússia não dificulta a integração europeia do seu país, mas contribui para ela.
“Nós elevámos ao mais alto nível também as relações com os Estados Unidos”, acrescentou.
Victor Ianukovitch defendeu também a necessidade de realização da revisão constitucional.
“Vejo a Ucrânia como um Estado com um sistema político estável e estou pronto a apresentar a fórmula”, disse ele, e acrescentou: “Um Presidente forte com alavancas práticas de coordenação e controlo da realização das questões fulcrais das reformas e da política estratégica do Estado”.
“É necessário, continuou ele, um parlamento competente e politicamente estruturado, com uma forte coligação e uma influente oposição. Um poder exceutivo responsável e profissional, onde não haja ministros intocáveis”.
Segundo Ianukovitch, “é preciso também poderes locais economicamente sólidos e responsáveis perante as comunidades”.
“Semelhante sistema político deve começar a funcionar o mais depressa possível e para isso devemos, todos juntos, aperfeiçoar a Constituição”, frisou.
Ianukovitch quer que a Rada Suprema (Parlamento) funcione até 2015 e quer que o mandato de Presidente aumente de quatro para sete anos.
O dirigente ucraniano avisou igualmente que as reformas irão exercer sacrifícios, concluindo que: “o seu efeito real pode revelar-se apenas muito tempo depois”.

Segunda-feira, Agosto 23, 2010

Vladimir Putin escreve prefácio de livro sobre Boris Ieltsin


O primeiro-ministro russo Vladimir Putin, num prefácio escrito para uma biografia de Boris Ieltsin, considerou “grandiosa” a envergadura das transformações realizadas pelo primeiro Presidente da Rússia.
O livro “Ietsin” foi escrito por Boris Minaev, antigo jornalista da revista Ogoniok, e é publicado na série “Vida de Pessoas Famosas”, uma das mais populares sobre personalidades famosas da história da Rússia e da Humanidade.
A publicação coincide com o 19º aniversário da tentativa de golpe comunista de 1991 com vista a derrubar Mikhail Gorbatchov do cargo de Presidente da União Soviética.
No prefácio, Vladimir Putin escreve que até os mais consequentes adversários são obrigados a reconhecer em Ieltsin qualidades humanas que fazem a honra de qualquer político. Ele chamava a si não só as responsabilidades, mas também os desafios.
O primeiro-ministro russo considera que uma verdadeira avaliação da obra de Ieltsin “não será feita nem por nós, nem talvez pelos nossos filhos”, sublinhando que a envergadura das transformações realizadas nos anos 90 do séc. XX é tão grandiosa que “só o tempo poderá fazer-lhe uma avaliação verdadeira”.
“Claro que nós, contemporâneos, somos tendenciosos face ao que ocorre aos nossos olhos. Eu também não posso olhar objetivamente para Boris Nikolaevitch”, reconhece Putin.
“Ieltsin, depois de dirigir ao povo o seu discurso de despedida, despediu-se de todos... E, quando ia a sair do Kremlin, com o seu andar pesado, parou de repente perto do carro, olhou para mim e disse: “Guardem a Rússia!”, recorda o atual primeiro-ministro russo.
“Estas palavras suas devem ficar para a história, tornar-se a principal recomendação para os que ocupam esse alto cargo (Presidente). Eles podem não a pronunciar em voz alta, mas cada Presidente, ao deixar esse cargo ou ao ser investido nele, deve recordar as palavras de Ieltsin: “Guardem a Rússia!”, conclui.
Serguei Mikheev, vice-presidente do Centro de Tecnologias Políticas da Rússia, considera que Putin escreveu este prefácio, porque não esquece os seus mestres. 

Blog dos leitores (Há 20 anos, o Kremlin reabilitou toda a dissidência soviética no exílio)

Texto traduzido e enviado por Cristina Mestre:

"Há 20 anos, o Kremlin reabilitou toda a dissidência soviética no exílio
Dmitri Bábich, RIA Novosti

Há 20 anos, a 16 de Agosto de 1990, foi publicado um decreto do presidente da União Soviética, Mikhail Gorbatchov, sobre a restituição da cidadania soviética aos dissidentes no exílio.
A designação oficial dessa lei era a seguinte: “Decreto do presidente da URSS que revoga os decretos do Soviete Supremo da URSS relativos à privação da cidadania soviética a certas pessoas residentes fora da URSS”.
A lei da restituição da cidadania foi aprovada imediatamente após o decreto de 13 de Agosto de 1990 “sobre o restabelecimento dos direitos das vítimas da repressão política durante os anos 1920-1950”.
De acordo com o segundo decreto, os beneficiários já não eram só as vítimas da repressão estalinista mas todos os dissidentes expulsos da URSS desde 1966 até 1988.
Foi uma época surpreendente: apesar das novas tendências de abertura política, a antiga retórica continuou. Ainda se utilizava o termo “certas pessoas” e também estava em voga assinalar todos os inconformistas como “certos círculos”. 
Dava a impressão que as autoridades soviéticas sentiam vergonha das mudanças anunciadas, situação compreensível se tivermos em conta que os casos mais recentes de pessoas a quem fora retirada a cidadania soviética tiveram lugar em 1988, por outras palavras, pelo mesmo Governo que, dois anos mais tarde, reabilitou os dissidentes expulsos.
Em 1988 haviam sido abertos os últimos processos por “propaganda anti-soviética” e ordenada a vigilância a soviéticos “por contactos não autorizados” com estrangeiros. Os responsáveis daquelas perseguições, consideradas ilegais em 1990, nunca foram castigados. Isto depreende-se do texto do decreto, que excluiu qualquer tipo de desculpa ou pagamento de indemnizações pelos danos causados. A repressão política na URSS terminou sem que tivesse sido anunciado o seu fim de forma oficial. O texto do decreto era curto e conciso: “É indicado ao Ministério dos Negócios Estrangeiros da URSS informar as pessoas residentes fora da URSS, afectadas pela anulação da cidadania soviética, do conteúdo do presente decreto e, caso tal seja pedido, entregar-lhes passaportes como cidadãos da URSS”.
Como dizem nalguns filmes: “A investigação concluiu que não aconteceu nada”. Mas o que se passou não se pode esquecer, ainda que muitos quisessem ou queiram precisamente isso. A propósito, o Governo soviético nunca apresentou desculpas e não faltaram tentativas de arranjar forma para uma possível marcha atrás. 
Em 1986, o director do KGB, Viktor Chebrikov, ao informar o Bureau Político do Partido Comunista Soviético (PCUS) sobre o regresso a Moscovo do académico Andrei Sakharov do seu desterro na cidade de Gorki, disse que a vigilância sobre o académico se manteria.
Ou seja, o director dos serviços secretos sugeriu aos seus colegas dos mais altos cargos do Partido, que seria simples anular a decisão anteriormente tomada.
Mas após o decreto de Gorbatchov, passou a ser muito difícil tentar de novo impor a mordaça do silêncio à sociedade soviética. Figuras de toda a condição, desde Soljenitsin a Limonov (Savenko) recuperaram o seu estatuto de cidadãos de pleno direito. Entre eles não havia nenhum ponto em comum nem conseguiram criar nenhum tipo de “frente anti-soviética comum”.  
Simplesmente, tal como o seu famoso compatriota Boris Pasternak, queriam “viver, pensar, sentir, criar, fazer descobertas”. Mas, nos finais dos anos 80, isso era impossível, sobretudo para aqueles que se dedicavam às ciências humanas.
Hoje, uma frase que se repetia muito naquela altura soa tremendamente estranha: “Há que corrigir o erro de ter exilado Soljenitsin e Brodsky”, duas figuras que, por alguma estranha razão, sempre apareciam juntas, apesar de ser difícil conceber dois escritores mais diferentes e distantes um do outro.
Um, profeta épico, incómodo na Literatura e mesmo na História, que se sentia chamado a mudar não só a Rússia mas o resto do mundo. O outro, um poeta lírico anglófilo, deleitando-se com a sua existência pessoal e única, um esteta muito afastado das obras épicas.
Não obstante, entre eles e o resto dos dissidentes parece que existia algo em comum, que era a capacidade de sonhar, de criar, de aspirar a algo novo.
Num, essa aspiração expressou-se em prosa; noutro, em poesia, num terceiro, na economia ou sociologia.
Hoje, não obstante, este tipo de aspiração não está na moda: há medo de romper o status quo. Pelo contrário, está na moda falar da inutilidade dos dissidentes. “Sonharam, escreveram coisas mas o que resultou de positivo de tudo isso? Melhor seria se tivessem tentado mudar o sistema de dentro, como nós fizemos, os russos simples”.
Esta teoria é cínica e equivocada, sendo muito fácil verificá-lo da seguinte maneira: imagine que vai a uma biblioteca e pede poemas de Akhmatova ou de Tsevetaeva, um livro de Soljenitsin, a Ilha da Crimeia de Axionov ou os relatos satíricos de Voinovich. Não terá problemas, verdade?  
Ora todos estes autores estiveram numa altura ou noutra sob vigilância e tiveram problemas com as autoridades. 
Imagine-se agora a pedir obras do camarada Jdanov, secretário do Comité Central do Partido, ou os trabalhos de Mikhail Andreevich Suslov, ou as reflexões sobre a moral socialista de Felix Kuznetsov, para não mencionar os representantes da ortodoxia comunista mais dura. Como o olhariam?
Não é por acaso que o livro de Roy Medvedev sobre o seu irmão Jores Medvedev, que foi internado em Maio de 1970 num hospital psiquiátrico em Kaluga por ter publicado livros no Ocidente, se intitula precisamente: “Quem é que está louco?”.
Não seria demasiado inteligente esperar a verdade absoluta das pessoas a quem Gorbatchov devolveu os direitos de cidadania em 1990, entre outras razões, porque se tratava de um grupo bastante heterogéneo.
O violoncelista Mstislav Rostropovich apoiava o primeiro presidente da Rússia Boris Yeltsin, enquanto o escritor Andrei Siniavsky o odiava. Muitos dissidentes cometeram erros de juízo e…continuam a cometê-los.
Jores Medvedev durante um tempo confiou na regeneração do socialismo na União Soviética; o seu irmão, Roy Medvedev, chegou a justificar quase por completo as acções de Yuri Andropov, um dos líderes comunistas que se destacou pela perseguição dos dissidentes.
Também não se verificaram as previsões do académico Sakharov de uma convergência entre os sistemas socialista e capitalista e o livro do dissidente Andrei Amalrik “Sobreviverá a União Soviética até 1984?”, que deu uma data incorrecta do fim da URSS.
Não obstante, se tivermos em conta que o livro foi escrito em 1969 e que nem a CIA, nem a Direcção Geral de Estatística, nem a Academia das Ciências estavam à espera que o sistema se desmoronaria em 1991, devemos reconhecer que os erros dos dissidentes foram infinitamente mais valiosos do que as verdades dos ortodoxos.  
Por isso, muito obrigado, Mikhail Sergueevich, por esse decreto que reabilitou toda a dissidência soviética no exílio.

http://sp.rian.ru/analysis/20100818/127502412.html "

Polícia moscovita faz tudo para impedir concerto de ecologistas, mas sem êxito


A polícia da capital russa tomou fortes medidas para impedir, no domingo, um concerto de protesto contra a passagem de um troço da auto-estrada Moscovo-São Petersburgo pela Floresta de Khimki.
Porém, isso não impediu a concentração de milhares de pessoas no centro de Moscovo, transformando essa iniciativa numa das maiores ações da oposição extra-parlamentar russa.
Antes do início da iniciativa, agentes da polícia detiveram dois dos organizadores, acusando-os de “desobediência à autoridade”.
Lev Ponomariov, dirigente da organização “Pelos Direitos Humanos”, foi detido quando chegava à Praça Pushkin, onde devia ter lugar o concerto. Ele tentou explicar à polícia que a reunião tinha sido permitida pelas autoridades municipais, mas acabou por ser conduzido para uma das esquadras de Moscovo.
Na véspera, a polícia deteve cerca de 70 pessoas por alegadamente terem participado no ataque contra o edifício da Câmara de Khimki, cidade dos arredores de Moscovo.
No dia 28 de Julho, cerca de 500 pessoas manifestaram-se em frente do edifício tendo atirado pedras e pintado paredes em sinal de protesto contra a construção de um dos troços da auto-estrada Moscovo-São Petersburgo.
Além disso, os mais de 400 agentes e de dezenas de autocarros e camiões da polícia que cercavam a Praça Pushkin impediram a entrada de um camião com uma aparelhagem sonora para que os cantores presentes não pudessem atuar.
“Um tal major Iudin, baseando-se numa decisão dos seus chefes, declarou que não permitirá a entrada na praça de qualquer aparelhagem sonora além do megafone”, declarou aos jornalistas Mikhail Kriguer, dirigente do Comité de Acções Anti-bélicas.
A polícia não deixou entrar os músicos do grupo de rock “Recusa Gentil”, pois traziam instrumentos musicais para atuarem. 
Os manifestantes podiam entrar nas Praça apenas através de quatro entradas equipadas com aparelhos de controlo de armas, semelhantes aos existentes no aeroporto, e depois de uma revista cuidada de sacos e malas.
O megafone foi o único aparelho de som cedido pela polícia, mas mesmo esse não funcionava. No entanto, isso não impediu que Iúri Chevtchuk, uma espécie de Bob Dylan russo, pegasse na sua guitarra e interpretasse conhecidas canções suas, sendo acompanhado por numerosas centenas de vozes.
A construção do primeiro troço da auto-estrada Moscovo-São Petersburgo, com um comprimento de 58 quilómetros, irá ter início no próximo mês de Outubro, mas os trabalhos de derrube de árvores da Foresta de Khimki, numa faixa de cem metros, já começaram.
As autoridades afirmam que tudo está ser realizado segundo a lei, enquanto que as organizações ecologistas falam de “crime ambiental”.