Quarta-feira, Junho 30, 2010

Música religiosa ucraniana em Lisboa

Para quem aprecia música coral religiosa, uma boa proposta:


Terça-feira, Junho 29, 2010

Mais uma história de espiões mal contada



O primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, declarou esperar que o “escândalo de espiões” não prejudique o que de positivo foi acumulado nas relações russo americanas.
Tu chegaste a Moscovo no preciso momento, a polícia “esmerou-se” no teu país e atira pessoas para a cadeia. É verdade que esse trabalho é feito em toda a parte”, disse ele ao receber, na capital russa, Bill Clinton, antigo Presidente norte-americano.
Espero muito que o que de positivo foi acumulado nas nossas relações bilaterais, nos últimos tempos, não saia prejudicado pelos últimos acontecimentos”, frisou.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia emitiu hoje um segundo comunicado onde afirma que os Estados Unidos acusaram de espionagem cidadãos russos que estiveram em território norte-americano em várias alturas, mas sublinha que eles não agiram contra os Estados Unidos.
A propósito das acusações feitas nos Estados Unidos em relação a um grupo de pessoas alegadamente por espionagem a favor da Rússia, comunicamos que se trata de cidadãos russos que se viram no território dos Estados Unidos em diferentes épocas”, lê-se num comunicado no sítio eletrónico do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia.
Declaramos que esses cidadãos não realizaram quaisquer ações dirigidas contra os interesses dos Estados Unidos”, sublinha a diplomacia russa.
Moscovo espera que os funcionários consulares e advogados da Embaixada da Rússia em Washington possam prestar o apoio necessário aos detidos.
Esperamos que a parte americana revele, nesta questão, a devida compreensão, nomeadamente partindo do caráter positivo da atual etapa do desenvolvimento das relações russo-americanas”.
Os dirigentes russos estão a revelar forte nervosismo face às acusações norte-americanas.
Nikolai Kovaliov, antigo diretor do Serviço Federal de Segurança (ex-KGB) da Rússia, considera este episódio “estupidez completa, um detetive ainda mais barato do que os de Agatha Christie”.
Claro que não se trata de uma coincidência ocasional o fato do grupo de “espiões russos desmascarados” ter sido detido logo após a visita de Dmitri Medvedev, Presidente da Rússia, aos Estados Unidos”.
Na véspera, o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia refutou as acusações da polícia alemã sobre a espionagem industrial russa no território da Alemanha com argumentação semelhante.
Trata-se de um conjunto padrão de pretensões apresentadas aos representantes diplomáticos russos na Alemanha, que, segundo os serviços de contraespionagem alemães, continuam a ser “ninhos de espiões” que minam a segurança da Alemanha”, comentou Andrei Nesterenko, porta-voz da diplomacia russa.
Na semana passada, Thomas de Maizière, ministro do Interior da Alemanha, apresentou um volumoso relatório onde se acusa a Rússia e a China de serem os países que mais ativamente fazem espionagem industrial naquele país e constituem uma ameaça aos interesses alemães.
O documento apresentado pelo ministro, infelizmente, está de novo repleto de acusações infundadas ao nosso país, retiradas da época da “guerra fria”, que já parecia distante”, frisou Nesterenko.
Estou convencido de que estes incidentes não irão prejudicar fortemente as relações entre os Estados, até porque a espionagem é tão velha como o mundo.
Acho que as autoridades russas estão a agir com demasiado nervosismo para a altura. Além de dois comunicados publicados num só dia, o que não é frequente, o MNE da Rússia reconheceu que os detidos são cidadãos russos, contradizendo assim as declarações de alguns familiares dos suspeitos.
Waldo Mariscal, filho da Jornalista Vica Pelaez e do professor Juan Lazardo, dois dos alegados espiões, declarou à agência noticiosa russa que: “eles nunca estiveram na Rússia, embora, claro, se interessem pela cultura russa e gostem de Tchaikovski”.
É para estes casos que serve o provérbio: “o silêncio é ouro”.

Segunda-feira, Junho 28, 2010

Decreto sobre ocupação soviética divide coligação governamental na Moldávia


O decreto sobre a ocupação soviética, aprovado pelo Presidente interino da Moldávia, Mihai Ghimpu, está a provocar fortes discussões no país e pode conduzir à desintegração da coligação democrática e pró-europeia que governa esta antiga república da URSS.
Segundo esse decreto, 28 de Junho foi considerado o “dia da ocupação soviética”. Ele prevê, nomeadamente, a realização de cerimónias fúnebres em todo o país, a edificação de um monumento às vítimas da ocupação soviética no centro da capital moldava e a exigência da retirada das tropas russas do território da Moldávia, mais precisamente, da região separatista da Transdnístria.
O atual território da Moldávia formou-se após a assinatura do pacto germano-soviético de 1939, conhecido por Pacto Molotov-Ribbentrop, quando a União Soviética ocupou a Bessarábia, que pertencia à Roménia, e a juntou a uma faixa de território ucraniano que, hoje, constitui a Transdnístria.
A maioria das forças políticas que fazem parte da coligação governamental “Pela Integração Europeia”, constituída pelos partidos Liberal-Democrático e Democrático e pela aliança “Nossa Moldávia” manifestou-se contra a decisão do Presidente interino do país, mas, segundo a agência Novosti-Moldova, Ghimpu recusa-se a anular o decreto.
O decreto foi revogado de facto. Do ponto de vista formal, há duas formas de o revogar: ou Ghimpu faz isso, ou isso será feito pelo Tribunal Constitucional, onde os comunistas já entregaram um protesto”, declarou aos jornalistas Marian Lupu, dirigente do Partido Democrático da Moldávia.
Alguns analistas moldavos consideram que esta divergência é o primeiro sinal forte da desintegração da coligação governamental.
O Partido Comunista da Moldávia, a mais importante força da oposição, já exigiu a demissão de Ghimpu do cargo de Presidente interino.
Esse homem já mostrou várias vezes que não é capaz de dirigir o país. Ele viu-se acidentalmente no cargo de Presidente e envergonha o nosso país. Ele deve demitir-se imediatamente, porque as suas ações divergem da opinião da esmagadora maioria dos cidadãos do país”, disse aos jornalistas Vladimir Voronin, antigo Presidente da Moldóvia e dirigente comunista.
A situação poderá agudizar-se ainda mais à medida que se aproxima a data do referendo, marcado para o próximo mês de Setembro e que deverá decidir se o Presidente da República será eleito por voto direto ou pelo Parlamento, como tem acontecido até agora.

Quirguistão diz “sim” à revisão constitucional


A Comissão Eleitoral do Quirguistão anunciou que mais de 50 por cento por cento dos eleitores disseram sim ao novo projeto de Constituição apresentado pelo Governo provisório, garantindo assim uma vitória à proposta de transformação deste país da Ásia Central numa república parlamentar.
Segundo as últimas projeções, o apoio poderá ficar muito próximo dos 90 por cento, num escrutínio em que, segundo a Comissão Eleitoral do Quirguistão, a afluência às urnas foi superior a 69 por cento.
Rosa Otunbaeva, primeira-ministra interina do Governo do Quirguistão, já anunciou uma vitória do “sim” no referendo constitucional que legitimiza as novas autoridades.
Hoje, aprovámos a nova Constituição. O referendo realizou-se, não obstante as dificuldades e a resistência dura dos adversários da nova Lei Suprema. Desse modo, o povo pôs um grande ponto final na época da direção autoritária de duas clãs: os Akaiev e os Bakiev”, declarou ela aos jornalistas depois do encerramento das urnas.
Entrámos no campo da lei, eu hoje passarei a ter os poderes de presidente do período de transição e irei também dirigir o Governo”, acrescentou.
Otunbaeva e o Governo provisório chegaram ao poder em Abril passado, depois de um levantamento popular ter derrubado o regime do Presidente Kurmanbek Bakiev.
Não obstante sangrentos confrontos entre as etnias quirguizes e uzbeques em meados de Junho, que provocaram milhares de mortos, feridos e deslocados no sul do país, o referendo foi realizado com vista a legitimar as novas autoridades.
Gostaria de salientar as declarações do Presidente russo, Dmitri Medvedev, que considerou um erro a transformação do Quirguistão de república presidencial em parlamentar e que este país da Ásia Central corre sério risco de desintegrar. Duas notas importantes.

Domingo, Junho 27, 2010

Governo do Quirguistão procura legitimação no referendo

Os eleitores do Quirguistão votam hoje num referendo destinado a legitimar o governo provisório instalado em abril depois do derrube do presidente Kurmambek Bakiev, mas que poderá transformar o país da Ásia Central numa república parlamentar.

“Queiram ou não, o referendo é necessário para sair deste caos. É possível que haja regiões onde não seja possível realizá-lo. Mas organizaremos muitos lugares onde possa ser realizado”, declarou Rosa Otunbaeva, primeira-ministra do Governo interino quirguize.

As autoridades introduziram alterações na lei eleitoral que permitem, nomeadamente, considerar o referendo válido caso nele participem menos de 50 por cento dos eleitores inscritos.

Caso o “sim vença”, o poder será redistribuído a favor do Parlamento e em detrimento do Presidente, serão marcadas eleições parlamentares para outubro deste ano e presidenciais para o ano seguinte.

Porém, os confrontos entre quirguizes e uzbeques, que começaram em 10 de junho em Och, segunda maior cidade do país, e alastaram rapidamente à região vizinha de Jalal-Abad dando origem a distúrbios, incêndios e pilhagens, levaram alguns políticos a considerarem que não existem condições mínimas para a realização do referendo.

Os distúrbios, cuja autoria as autoridades atribuem aos barões da droga e aos apoiantes do antigo presidente Bakiev, provocaram mais de 250 mortos, quase 1200 feridos e 700 mil refugiados.

Omurbek Suvanaliev, general da polícia quirguize que dirigiu a reposição da ordem em Och, demitiu-se em sinal de protesto contra a realização do referendo.

“Não quero que me obriguem a usar recursos administrativos e a manipular os votos das pessoas que sobreviveram a esse drama horrível”, declarou, sublinhando que a realização do escrutínio poderá provocar “nova onda de violência”.

O Partido Comunista do Quirguistão defende o adiamento do escrutínio e a legalização da nova direção do país através da convocação do Parlamento eleito na época de Kurmambek Bakiev e dissolvido após o levantamento popular de Abril passado, mas esta proposta foi recebida com ceticismo, porque cerca de 80 por cento dos deputados foram eleitos em listas do partido do ex-presidente.

Os adversários do referendo consideram também errado limitar os poderes presidenciais numa situação tão conflituosa.

A comunidade internacional, nomeadamente os Estados Unidos, Rússia e UE, defende a realização do refrendo, pois consideram-no um passo importante para estabilização no país.

Sexta-feira, Junho 25, 2010

Autoridades suspendem estado de emergência no sul do país

As autoridades do Quirguistão decidiram suspender o estado de emergência no sul do país à meia noite local (20 horas em Lisboa), informou o centro de imprensa do Governo provisório.
“Hoje, à meia noite, termina a vigência do decreto do Governo Provisório sobre o estado de emergência na região de Jalal-Abad e nalgumas localidades da região de Och”, precisa a fonte citada pelas agências.
O estado de emergência foi decretado no sul do Quirguistão no dia 25 de Junho a fim de travar os confrontos étnicos entre quirguizes e uzbeques. Os incidentes, que começaram a 10 de Junho, provocaram cerca de dois mil mortos, vários milhares de feridos e mais de meio milhão de refugiados.
O levantamento do estado de emergência permitirá realizar o referendo constitucional, marcado para 27 de Junho, em todo o  território desse país da Ásia Central.
Os principais objetivos do escrutinio são a transformação do Quirguistão numa república parlamentar e legitimar as autoridades que chegaram ao poder em Abril passado, quando um levantamento popular levou ao derrube do Presidente Kurmanbek Bakiev.
Baktibek Alimbekov, vice-ministro do Interior do Quirguistão, declarou que as forças de segurança continuarão a trabalhar “em regime reforçado” para garantir a ordem durante o referendo.

Monumento a Estaline retirado da sua cidade natal


O monumento ao ditador comunista soviético José Estaline (1879-1953) foi retirado secretamente na madrugada passada da praça central de Gori, sua terra natal. O lugar será ocupado por um monumento aos “heróis mortos na guerra contra a Rússia em Agosto de 2008”.
O monumento de 15 metros de altura, erigido em 1952, será transferido para o Museu José Estaline, situado a algumas centenas de metros da praça.
Segundo a rádio Imédi, “os habitantes da cidade não foram prevenidos da decisão, por isso tratou-se de uma ação completamente inesperada para eles”.
“A desmontagem da estátua demorou várias horas, tendo a praça sido previamente cercada pela polícia. Todos estes pormenores permitem duvidar de que a proposta de retirar o monumento fosse recebida em delírio pela população local”, sublinha a rádio georgiana.
A praça onde se encontrava o monumento, que tinha o nome de Estaline, passará a chamar-se Praça dos Heróis Mortos na Guerra contra a Rússia e no centro será edificado um novo monumento aos soldados georgianos que tombaram na guerra contra as tropas russas em Agosto de 2008.
Moscovo enviou tropas suas para território georgiano a pretexto de proteger os seus cidadãos na Ossétia do Sul, região separatista da Geórgia, tendo os militares russos chegado a bombardear e ocupar a cidade de Gori.
A primeira tentativa de desmontagem do monumento a Estaline foi feita há dois anos atrás.
“Estaline é o fundador da União Soviética e o carrasco de milhões de pessoas. Num país que constitui um símbolo da liberdade, é inadmissível que no centro da cidade esteja um monumento a Estaline, não obtante ele ser de origem georgiana”, declarou então Gueorgui Baramidzé, vice-primeiro-ministro do Governo da Geórgia.
Porém, só à segunda vez é que as autoridades georgianas conseguiram retirar a estátua de Estaline.
Depois desta desmontagem, bustos e estátuas de Estaline podem ser vistas em algumas cidades russas, erigidos por iniciativa do Partido Comunista da Federação da Rússia.

Quinta-feira, Junho 24, 2010

Comunistas de São Petersburgo exigem repetição de jogo Portugal-Coreia do Norte

                                 
Ilia Repin. Cossacos escrevem carta ao sultão turco

Publico abaixo a tradução da carta enviada pela "Organização dos Comunistas de São Petersburgo e da Região de Leninegrado à FIFA. Antes disso, gostaria de lembrar que entre as propostas desta organização está a de beatificação do ditador comunista José Estaline pela Igreja Ortodoxa Russa.

 

 

 

"Estimado Sr. Blatter!

O 19º Campeonato do Mundo de Futebol, cuja fase final se realiza na República da África do Sul entre 11 de Junho e 11 de Julho, está a ser acompanhado, para nossa profunda tristeza, de numerosos escândalos, provocações, ingerência na competição dos serviços secretos imperialistas e, por isso, a competição perdeu a legitimidade aos olhos de milhões de amantes do futebol: partidários da paz e da amizade entre os povos.

Por exemplo, quando da escolha do local de realização, foi afastada do concurso a Grande República Socialista Popular Árabe da Líbia.

Quando, sob a pressão das forças progressistas do planeta, a República da África do Sul, que derrubou o jugo do apartheid, foi escolhida como local de realização do campeonato, o conhecido revanchista e experiente espião Franz Beckenbauer fez várias tentativas de mudá-lo. Isso estragou os nervos aos jogadores da selecção da África do Sul e dos seus amigos, os comunistas de todo o mundo.

Através de ameaças, chantagem, falsificações e terror moral, foram afastadas da competição as equipas de Cuba, Venezuela, Vietname, Laos, Abkházia, Nicarágua, Síria, Nepal, Zimbabwe, Namíbia, Bielorrússia, ou seja, os países socialistas mais destacados. Não nos satisfazem as explicações ridículas dos burocratas da FIFA de que os países socialistas jogam mal futebol.

A campanha publicitária do torneio, a despeito dos protestos da opinião pública mundial, foi entregue à Coca-Cola, sobre cuja consciência pesam milhões de vidas jovens assassinadas, principalmente na Rússia.

No período de realização do campeonato, os racistas e neocolonialistas submeteram a uma perseguição implacável os apoiantes da República da África do Sul, veteranos do movimento de libertação, pelo emprego do vuvuzel. A campanha desenfreada de ridicularização dessa tradição nacional dos negros levou, no fim de contas, a que a selecção da RAS não tenha pasado aos 1/8 de final. Semelhante discrimação aberta do país que recebe o campeonato ocorreu pela primeira vez na história do futebol mundial.

No período de preparação dos jogos, veteranos, homens da ciência e da cultura, combatentes pela independência da Ásia e da África chamaram a atenção da FIFA para o facto de a nova bola da Adidas: Jabulani, especialmente fabricada para o Campeonato, revelar uma surpresa total da sua trajectória, não obedece às pernas humanas, é controlada de fora. Disso falou, nomeadamente, Fidel Castro.

Mas a FIFA ignora quais críticas das forças progresistas sobre as condições insuportáveis em que decorre o Campeonato. Os acontecimentos em torno da equipa da República Democrática Popular da Coreia do Norte (RDPC) são a apoteose da violação de todas as regras e tradições desportivas, uma prova da ingerência descarada do bloco da NATO na vida desportiva. Inicialmente, antes do jogo decisivo contra o Brasil, desapareceram os melhores quatro jogadores da única equipa socialista que chegou ao campeonato.

Mas, mesmo privada pelos inimigos dos seus melhores filhos, a equipa da Coreia Popular apertou seriamente os brasileiros. Depois de pessoas de boa vontade terem retirado das garras da CIA, a FIFA devia suspender o campeonato até à apuração de todas as circunstâncias do rapto, inspeccionar os estádios, as bolas, as balizas, os próprios desportistas para determinar a sua autenticidade, a correspondência às regras de utilização de meios técnicos. Isso não foi feito! Foi organizado apressadamente o jogo entre a suposta “selecção da RDPC” e a equipa de Portugal, durante o qual a maioria dos observadores viu claramente que no campo estava a ocorrer algo muito pouco parecido com o futebol, o desporto e o desanuviamento da tensão internacional.

“Alguns peritos afirmam que metade dos jogadores da seleção da RDPC foram substituídos por futebolistas da Coreia do Sul...Outros assinalam a trajetória inexplicável da bola, que, com a ajuda de meios técnicos, voava constantemente para a baliza da seleção da RDPC. Além disso,ninguém tem dúvidas de que a seleção portuguesa é constituída por drogados acabados, mas não foram feitos testes de doping. Nenhum comentador conseguiu explicar a diferença na qualidade do jogo da equipa da RDPC nos jogos contra o Brasil e Portugal, tanto mais que brasileiros e portugueses são absolutamente iguais”.

Nestas condições, os Comunistas de Petersburgo e da Região de Leninegrado exigem da FIFA a repetição do jogo entre a RDPC e Portugal, depois de investigar os factos do rapto dos jogadores da Coreia do Norte, inspeccionar a equipa de Portugal sobre o consumo de drogas, estudar a relva e as bolas a propósito de aparelhos especiais que influem na trajectória do movimento da bola.

Exigimos a passagem da selecção da RAS aos 1/8 de final, porque, caso contrário, renascerá o apartheid.

Informamo-o que nós iremos hoje apelar aos trabalhadores sul-africanos para que deixem de operar no Campeonato em sinal de protesto contra as limitações impostas às equipas da RDPC e da RAS na etapa decisiva da competição, inspirados por Kim Jong-il e Nelson Mandela.

Acabem com a guerra do futebol contra as equipas dos países que estão na vanguarda da luta contra o imperialismo, pela paz e o progresso social!"

Terça-feira, Junho 22, 2010

Mais uma guerra de gás, desta vez entre Rússia e Bielorrússia





O consórcio energético russo Gazprom prometeu hoje garantir completamente o fornecimento de gás aos consumidores europeus não obstante a ameaça da Bielorrússia de cortar o trânsito do combustível russo através do seu território.

“Iremos utilizar vias alternativas de transporte de gás através da Ucrânia e da Lituânia, a utilização das reservas dos depósitos subterrâneos”, declarou Serguei Kuprianov, porta-voz da Gazprom, ao canal televisivo Vesti 24.

Kuprianov acrescentou que já recebeu a confirmação de Kiev, o que foi anunciado pelo primeiro-ministro ucraniano, Mikola Azarov, de que a Gazprom poderá aumentar os volumes de trânsito de gás através da Ucrânia.

“Não vemos qualquer problema, os nossos clientes na Europa receberão os volumes de gás acordados”, frisou.

A Gazprom explica que a dívida de 192 milhões de dólares surgiu devido ao fato de a Bielorrússia, em 2010, ter decidido unilateralmente pagar o gás ao preço do ano passado: 150 dólares por mil metros cúbicos, enquanto, segundo o contrato assinado, tem de pagar 174 dólares.

Alexandre Lukachenko, Presidente da Bielorrússia, deu ordem para que seja suspensa a passagem de gás russo para a Europa através do seu país até que a Gazprom pague as dívidas.

“Quero informar-vos do conflito que, infelizmente, se transforma numa guerra de gás entre a Gazprom e a Bielorrússia”, declarou ele num encontro com Serguei Lavrov, ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia.

 “Enquanto não pagarem o dinheiro pelo trânsito durante meio ano, o gás não passará”, frisou.

Segundo ele, “a Gazprom deve-nos 260 milhões de dólares, incluindo o trânsito de gás em Maio. Ela reconhece essa dívida. Nós devemos-lhe 190 milhões de dólares, mas ela deve-nos 260 milhões. E chegam ao absurdo de dizerem que não pagamos essa dívida”, acrescentou.

Na véspera, o primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, declarou que o seu país não iria reduzir os fornecimentos de gás à Bielorrússia mais de 15 por cento “tendo em conta a atitude especial para com os consumidores bielorrussos”, mas, hoje, a Gazprom  subiu esse número para o dobro e promete não ficar por aí.
O consórcio energético russo Gazprom prometeu hoje garantir completamente o fornecimento de gás aos consumidores europeus não obstante a ameaça da Bielorrússia de cortar o trânsito do combustível russo através do seu território.

“Iremos utilizar vias alternativas de transporte de gás através da Ucrânia e da Lituânia, a utilização das reservas dos depósitos subterrâneos”, declarou Serguei Kuprianov, porta-voz da Gazprom, ao canal televisivo Vesti 24.


“Não vemos qualquer problema, os nossos clientes na Europa receberão os volumes de gás acordados”, frisou.

A Gazprom explica que a dívida de 192 milhões de dólares surgiu devido ao fato de a Bielorrússia, em 2010, ter decidido unilateralmente pagar o gás ao preço do ano passado: 150 dólares por mil metros cúbicos, enquanto, segundo o contrato assinado, tem de pagar 174 dólares.

Alexandre Lukachenko, Presidente da Bielorrússia, deu ordem para que seja suspensa a passagem de gás russo para a Europa através do seu país até que a Gazprom pague as dívidas.

“Quero informar-vos do conflito que, infelizmente, se transforma numa guerra de gás entre a Gazprom e a Bielorrússia”, declarou ele num encontro com Serguei Lavrov, ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia.

 “Enquanto não pagarem o dinheiro pelo trânsito durante meio ano, o gás não passará”, frisou.

Segundo ele, “a Gazprom deve-nos 260 milhões de dólares, incluindo o trânsito de gás em Maio. Ela reconhece essa dívida. Nós devemos-lhe 190 milhões de dólares, mas ela deve-nos 260 milhões. E chegam ao absurdo de dizerem que não pagamos essa dívida”, acrescentou.

Na véspera, o primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, declarou que o seu país não iria reduzir os fornecimentos de gás à Bielorrússia mais de 15 por cento “tendo em conta a atitude especial para com os consumidores bielorrussos”, mas, hoje, a Gazprom  subiu esse número para o dobro e promete não ficar por aí.
O dirigente Lukachenko continua a sua política de ganhar com o equilíbrio entre  vários campos, apresentando-se como um defensor firme dos interesses nacionais. Isto pode fazer parte do seu plano para as eleições presidenciais de 2011.
A Rússia, pelo seu lado, não encontra forma de "pôr Lukachenko na linha". O projecto de união dos dois Estados é cada vez mais a caricatura de uma verdadeira aproximação. Moscovo está cada vez mais farto do dirigente bielorrusso, mas parece não ter alternativa.
O Kremlin não consegue encontrar fórmulas de convivência com os seus vizinhos. Talvez precise de repensar a sua política externa e mudar de táctica e estratégia.  

Reflexões tristes sobre a relação entre ditaduras e futebol


Um dos possíveis destinos da selecção norte-coreana é ser internada num campo de concentração ou obrigada a trabalhar numa mina de carvão, escreve a imprensa russa, desta vez com conhecimento de causa.
Estas afirmações fizeram-me recordar um episódio da história do futebol soviético, mais precisamente do jogo entre as selecções da URSS e da Jugoslávia em 1952, nas Olímpiadas de Helsínquia.
Nos oitavos de final, os jogadores soviéticos estavam a perder 1:5 frente aos jugoslavos, mas acabaram por empatar por 5:5, obrigando à realização de um jogo de desempate no dia seguinte. A URSS perdeu 1:3 e foi eliminada.
Nessa altura, a União Soviética era dirigida por José Estaline, um dos principais mestres de Kim Jong-il, e o ditador soviético não ficou indiferente a essa derrota. Participou inclusive na escolha das formas de castigo dos seus futebolistas.
Em 1948, Broz Tito, Presidente da Jugoslávia tinha, de facto, rompido as relações diplomáticas com a URSS, o que fez dele um inimigo especial de Estaline, levando a imprensa soviética a chamar-lhe “cão do imperialismo”, etc.
Furrioso com a derrota, que considerou um “crime político, Estaline dissolveu a equipa de futebol do TsDSA (clube pertencente ao Exército Vermelho), que tinha dado à selecção 5 dos vinte jogadores e o treinador. Além disso, retirou o título de “mestre do desporto” a grandes nomes do futebol soviético como Petrov, Arkadiev, Bachachkin, Nikolaev, Beskov e Krijevski.
Mais, foi ordenada a destruição de todos os filmes e fotos desse jogo na União Soviética.
Kim Jong-il já começou a imitar o seu mestre: os órgãos de informação norte-coreanos não comunicaram o resultado do jogo entre a Coreia do Norte e Portugal e foi suspensa a transmissão de outros jogos da selecção nacional.
Resta agora saber se o ditador coreano vai seguir o exemplo do seu pai Kim Il-sung, que enviou para um campo de concentração os jogadores que perderam a partida frente a Portugal em 1966, ou revelará tanta “mericórdia” como Estaline, que se limitou a tomar “medidas administrativas”...
E só mais uma nota, ou melhor, uma pergunta: como será possível ter relações ou justificar regimes deste tipo no séc. XXI?

O que vai acontecer à selecção da Coreia do Norte?







A Selecção portuguesa, ao bater a equipa da República Democrática Popular da Coreia por 7:0, conseguiu a maior vitória na história das suas atuações no campeonato do mundo, escreve o jornal Sovietski Sport.
Esta opinião é partilhada por numerosos órgãos de informação da Rússia.

“Capitão! Sorri!”, escreve o jornal desportivo eletrónico  championat.ru, referindo-se a Cristano Ronaldo, e sublinha que ele “finalmente pôs fim àvoto de silêncio”.

“O que dirá agora Kim Jong-il?”, pergunta o mesmo diário, e responde que “será interessante ver o que irão mostrar nos noticiários da televisão coreana”.
O portal desportivo Goalbox.ru interroga-se se a equipa coreana, depois de tão pesada derrota, não irá parar a um “campo de concentração.
“Lembramos que, em 1966, também no campeonato do mundo, e também depois de uma derrota frente aos portugueses (3:5), toda a equipa foi exilada para um campo de concentração. Tal foi a decisão dura da decisão do regime déspota da Coreia do Norte”, acrescenta.
Evgueni Lovtchev, antigo jogador da seleção soviética de futebol, escreve no Sovietski Sport: “Os portugueses fizeram-nos felizes principalmente pela atitude face às oportunidades de golo. Muitas oportunidades e nem um grama de confusão ao terminarem o ataque. Todos muito concentrados”.
“Pelos vistos, quanto mais avançar o campeonado do mundo, mais iremos assistir a jogos de qualidade, espeteculares, com muitos golos”, frisou.
A imprensa desportiva russa destaca também as declarações de jogadores portugueses no sentido de que a seleção portuguesa não se deixará levar pela euforia e já pensa no jogo com o Brasil. 


Segunda-feira, Junho 21, 2010

Blog dos leitores ( Sochi e o Estado da Nação)


Texto enviado pelo leitor António Campos: 

"Logo após a Rússia ter vencido a corrida para a realização das Olimpíadas de inverno na cidade costeira de Sochi, Putin afirmou que  a honra de organizar os jogos representava não só o reconhecimento internacional do talento desportivo russo, mas também, sem margem para dúvidas, uma "avaliação do nosso país". É certamente uma afirmação com profundo significado. Não terá sido então com grande surpresa que a peça publicada a 7 de Junho pelo Noviy Region 2, ostentando o sugestivo título "A corrupção fará com que as Olimpíadas de Sochi sejam as mais caras da história", foi recebida.

Ainda que estimativas independentes dos custos totais do projecto se aproximem dos 39 mil milhões de dólares, valor dez vezes superior aos gastos com as duas últimas Olimpíadas de inverno em Turim e em Salt Lake City, nenhum analista externo, segundo a Nezavisimaya Gazeta, teve até agora acesso ao respectivo plano financeiro. Assim, não é possível  ter uma ideia da estrutura de custos nem das origens dos capitais, especialmente os provenientes do orçamento de estado. Como resultado, a falta de transparência permite ocultar da população as maciças transferências de capital do erário público para esquemas de corrupção. De acordo com cálculos do economista Alexei Skopin, 30 dos 39 mil milhões de dólares constituirão uma espécie de "taxa" a pagar pelos contribuintes aos funcionários públicos, criminosos e, em geral, a todos os envolvidos no projecto olímpico. Feitas as contas, cada russo terá que desembolsar cerca de 200 dólares do seu bolso para financiar o empreendimento.

Uma interessante peça publicada recentemente no Novoe Vremia, com o título "Vova 12%?" ilustra eloquentemente o estado das coisas: o promotor imobiliário Valery Morozov, numa entrevista ao Sunday Times, acusou  Vladimir Leschevsky, alto funcionário da administração presidencial, e personalidade próxima do primeiro-ministro, de ter recebido um suborno de 12% do valor do seu empreendimento hoteleiro a construir em Sochi (totalizando cerca de 1,5 mil milhões de rublos) na sequência de uma visita da inspecção fiscal aos seus escritórios em Moscovo. As autoridades estão a investigar estas alegações, mas não será certamente difícil adivinhar o desfecho.

Como se este clima de saque oficial generalizado não bastasse, os infelizes elementos na base da cadeia alimentar têm que sofrer ainda mais. Um bom exemplo é a forma como decorre o processo de expropriações. O Comité Olímpico Internacional tem vindo a receber centenas de queixas de residentes relativamente à falta de transparência e injustiça com que os processos estão a ser conduzidos pela empresa de construção estatal  Olympstroi. A agravar a situação, em Abril de 2009, a Duma fez passar legislação propondo a eliminação de audiências públicas para expropriações, ao mesmo tempo que reduzia para um mês o prazo para a assinatura dos acordos de expropriação, findo o qual caducaria qualquer direito a indemnização. Em grande parte dos casos, os avaliadores  valorizam a propriedade em montantes significativamente inferiores aos que servem de base ao cálculo do imposto sobre imóveis. Vários proprietários terão sido informalmente avisados de que," devido à crise financeira internacional", os valores de avaliação seriam ainda mais comprimidos, contrariamente ao que seria de esperar para um local destinado a receber os próximos Jogos Olímpicos de inverno. Na maioria das situações, a expropriação é efectivada na forma de venda forçada ao estado a valores abismalmente inferiores aos de mercado, sendo-lhes ainda, no final, exigido o pagamento de uma taxa de 13% sobre o valor recebido. Na senda da velha expressão portuguesa, contado ninguém acredita.

Têm também surgido múltiplas queixas relativamente a problemas de saúde pública, sector que parece estar a ser largamente ignorado pelas autoridades. NA aldeia de Akhshtyr, desprovida de água corrente, quatro dos cinco poços que a abasteciam foram cobertos sem qualquer aviso pela pavimentação de uma estrada de acesso. A população ficou sem  abastecimento alternativo de água durante meses. Noutro caso, foi instalada uma fábrica de cimento junto a um complexo residencial. A funcionar dia e noite, a fábrica produz ruído, poluição e poeiras, o que, com grande probabilidade, afectará a saúde dos residentes no longo prazo. Todas as tentativas de sensibilizar as autoridades locais para o problema ficaram sem resposta.

Em linha com a postura governamental em matéria de protestos populares, uma manifestação pacífica à porta do local onde o Comité Olímpico realizava uma conferência de imprensa durante uma visita a Sochi em 2009 foi interrompida pela polícia, que rasgou os cartazes de protesto e acusou sete dos manifestantes de "organizar uma manifestação ilegal".

A "avaliação do nosso país" de Putin continua, desta vez na área ambiental. No seu artigo intitulado "Sochi Olympics 2014: an environmental disaster of Soviet proportions?", o jornalista Gary Cartwright, afirma que, embora a construção se tenha iniciado em 2008, não houve implementação de medidas adequadas de avaliação independente do impacto ambiental numa zona classificada como património mundial pela UNESCO. 8 mil hectares do parque natural foram reclassificados como área urbana e o estádio e a aldeia olímpica irão ser construídos numa área antes considerada protegida. Outras reservas de biosfera, nomeadamente Teberda e Utrish, foram drasticamente reduzidas e, numa ocasião , os documentos relativos à utilização dos terrenos foram simplesmente alterados sem qualquer consulta prévia, tanto a nível governamental como público, retirando terreno da Reserva da Biosfera do Cáucaso por forma a autorizar a Gazprom a construir uma estrada. Por outro lado, a legislação foi alterada para ter em conta a realidade olímpica: a Lei sobre Áreas Protegidas foi modificada, permitindo agora a realização de actividades desportivas em parques naturais, situação expressamente proibida na legislação anterior, e o Código Florestal foi alterado para permitir o abate de plantas em risco de extinção. Ensaios recentes financiados pelo WWF detectaram níveis alarmantes de arsénio, fenóis e óleos no Mzymta, o mais longo rio a desembocar no Mar Negro. Sem grandes surpresas, de acordo com o jornalista, o acesso a organizações ambientais independentes aos estaleiros de construção é consistentemente vedado. Dada a situação, é caso para perguntarmos o que tinha Putin em mente quando reiterou o seu respeito pelo aspecto ambiental do projecto olímpico. Será provavelmente por isso que,  ao mesmo tempo que assiste com indiferença a estes desenvolvimentos, se desdobra em manobras de charme diante do Comité Olímpico e das câmaras, tal como aquela em que presenciou, com pompa e circunstância, a reintrodução de dois leopardos persas no parque natural.

Ainda que recentemente criticada pelo Programa Ambiental da ONU quanto ao seu desempenho em matéria ambiental, a Olympstroi nega todas as alegações, acusando os activistas de querem sabotar a realização dos jogos numa manobra de relações públicas. No entanto, tal não impediu o Greenpeace e o WWF de suspenderem, como forma de protesto, as suas actividades de consultoria junto da empresa. Esta última organização terá afirmado em Fevereiro que "a preparação para os Jogos Olímpicos está fora de controlo, a construção é de má qualidade e os danos no ambiente são já extensos".

A ganância dos promotores do projecto parece não ter limites, o que já levou a resultados desastrosos e poderá ter consequências ainda mais nefastas. Numa entrevista à BBC, o geólogo Sergei Volkov, antigo consultor da equipa de planeamento do projecto, afirmou que os trabalhos de construção foram iniciados sem que tenham sido realizados estudos geológicos e climáticos básicos, o que levou já à destruição de uma infra-estrutura portuária no valor de 14 milhões de dólares e à morte de três pessoas, na sequência de um temporal de média intensidade. Volkov referiu que a área, onde existem importantes depósitos de  urânio, mercúrio e outros minerais tóxicos, é perigosa e geologicamente instável, relembrando um importante aluimento de terras nos anos 60 no vale do rio Mzymta, local de construção de uma auto-estrada e ferrovia de apoio à infra-estrutura dos jogos. Receoso de represálias pelas autoridades face à sua posição crítica aberta, Volkov abandonou o país e refugiou-se na Ucrânia.

À luz do desastre multifacetado que aparenta ser o projecto olímpico de Sochi, a pergunta óbvia prende-se com o porquê da posição displicente do COI relativamente ao estado das coisas. Uma pista é-nos dada pelos comentários do analista Phil Butler, que refere um dos múltiplos exemplos da promiscuidade desporto-negócios subjacente ao projecto: "A região de Krasnodar é uma das mais ricas do país em recursos naturais, em particular, madeira. (...) A Michael Weinig AG é uma empresa alemã com um papel na economia da região,  como demonstra a sua inclusão em numerosos fóruns económicos e negócios antes e depois do processo de candidatura de Sochi. Qual a relevância desta empresa? Para além de ser a maior produtora mundial de máquinas para a indústria da serração, o seu presidente é, nada mais nada menos, do que Thomas Bach, vice-presidente da comissão executiva do COI." Importa referir que a região é uma das últimas fontes abundantes no planeta de madeiras raras usadas na indústria do mobiliário, tais como carvalho e ácer.

Em suma: ainda que não tivesse sido seguramente esse o seu objectivo, a afirmação de Putin foi presciente no que respeita à avaliação do seu legado. Avaliar o microcosmos do projecto de Sochi é avaliar o estado da nação e o impacto dos seus mais de dez anos no poder. Para realizar um evento de relações públicas que certamente considera ser a coroa do seu previsível terceiro mandato presidencial, Putin não olhou a meios e colocou em marcha o bulldozer chamado Rússia SA, criando oportunidades astronomicamente lucrativas para os seus servidores e toda a espécie de abutres empresariais internacionais, ao mesmo tempo que os interesses da nação são ignorados, sem qualquer hipótese de reacção.

A Rússia de Putin é Sochi.


Presidente Medvedev à procura de modelo de mordernização para seu país


O Presidente russo, Dmitri Medvedev, realiza uma visita aos Estados Unidos entre 22 e 24 de Junho, sendo o seu principal objetivo o incentivo da cooperação russo-americana na esfera da inovação e das altas tecnologias
A Rússia projeta construir um centro de investigação científica em Skolkovo, localidade situada nos arredores da capital russa. Por isso, o dirigente russo pretende estudar a experiência da criação do centro de investigação científica em Silicon Valley, nos Estados Unidos.
“Quero ver como estão organizadas as coisas em Silicon Valley. Gostariamos de criar algo de semelhantes na Rússia, mas tendo obrigatoriamente em conta as nossas conceções. Por isso, o estudo da experiência de Silicon Valley é bastante, mas mesmo bastante curioso”, declarou Medvedev, citado pelas agências russas.
O Presidente russo tenciona também encontrar-se com o seu homólogo norte-americano, Barack Obama.
“Espero que possamos discutir toda a ordem do dia das relações russo-americanas, mas gostaria de insistir em alguns setores: na cooperação económica entre a Rússia e os Estados Unidos, porque nós, nos últimos tempos, reforçámos a nossa cooperação na esfera da segurança, mas não melhorámos  significativamente os contatos no campo da economia”, frisou.
Segundo ele, “nos últimos tempos, conseguimos restabelecer um diálogo completo, atingir resultados bem concretos, basta recordar o nosso trabalho no campo internacional: assinatura do Tratado START-3, os projetos que tentamos realizar presentemente e mais uma série de aspetos sobre os quais nos entendemos melhor”.
Medvedev e Obama irão analisar também a situação no Médio Oriente, Afeganistão e Irão, existindo em relação a este ultimo país divergências entre Moscovo e Washington.
No passado dia 17, o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia publicou um comunicado onde considera “inaceitáveis” as sanções tomadas unilateralmente contra o Irão pelos Estados Unidos, bem como o pacote de medidas acordadas pelos ministros dos Negócios Estrangeiros da UE de pressão sobre Teerão.
“De fato, repete-se sempre a mesma história: logo que nós, à custa de grandes esforços, chegamos a um acordo no CS da ONU sobre a escolha de medidas de pressão sancionária precisamente equilibradas sobre o Irão, os Estados Unidos e a UE não ficam por aí e, rigorosamente falando, revelam desprezo político para com a parceria com a Rússia”, sublinha-se no comunicado.

Domingo, Junho 20, 2010

Apenas imagens de Nova Jerusalém








Viagem a Nova Jerusalém com algumas atribulações




Não, caros leitores, não quero escrever sobre uma viagem a Jerusalém, cidade disputada por Israel e a Palestina, mas do Mosteiro de Nova Jerusalém, situado a pouco mais de cem quilómetros a norte de Moscovo.
Começado a construir em meados do séc. XVII pelo Patriarca Ortodoxo Nikon, este mosteiro tem cópias de monumentos de Jerusalém como o Santo Sepulcro. Mas o mais interesante é ver uma extraordinária combinação do barroco europeu com a arte sacra ortodoxa, vísivel principalmente no imponente Templo da Ressureição.
Infelizmente, esta obra-prima encontra-se parcialmente em ruínas, não só devido à política anti-religiosa comunista na era soviética, mas  principalmente por causa da barbárie nazi, pois as tropas alemãs tentaram arrasá-lo à bomba durante a segunda guerra mundial.
O que resta, porém, permite ver a grandiosidade desse templo, tanto mais que estão a ser feitas obras de restauro, que devolverão a beleza inicial ao monumento.

Fui com cinco amigos e tudo corria às mil maravilhas até que ouvimos um sacerdote ortodoxo fazer um sermão a um grupo de peregrinos, que mais parecia um discurso num comício de nacionalistas russos. Ficamos a saber, entre outras coisas, que só a Rússia é santa...
Mas, depois da visita a uma fonte santa e um passeio pelo enorme parque,  esquecemo-nos do sermão.
 O seu eco ouviu-se quando regressavamos a Moscovo de comboio. Um russo, que trezandava que nem uma adega, decidiu conversar precisamente com o único português do grupo que não falava língua russa. Como o luso não reagia, o homem começou a levantar a voz, sentindo-se ofendido por não quererem conversar com ele. Só a intervenção (verbal e pacífica) dos portugueses russófonos fizeram-no abandonar a carruagem na próxima estação, mas, antes de abandonar, gritou alguns insultos anti-semitas na nossa direcção, mais precisamente, dirigindo-se a mim, talvez impressionado pelas minhas longas barbas brancas.
Mas as coisas não se ficaram por aqui. Na estação em que o alcoólico saiu, entrou um casal idoso que se sentou num dos extremos da carruagem, que ia praticamente vazia. O português não-russófono, grande amante de fotografia, estava de pé para fotograr paisagens, enquanto trocava umas palavras com outros lusos na língua de Camões.
A senhora levantou-se e exigiu, primeiro, que ele se sentasse, e, segundo, que falasse russo, ao que ele respondeu : “Не понимаю по-русский” (Não compreendo russo). Melhor seria se tivesse ficado calado, pois ela parece ter ficada convencida de que o português estava a gozar com ela.
Quando um de nós explicou à senhora que ele não pretendia sentar-se, nem nós tencionavamos falar entre nós em russo, ela contra-atacou: “Se querem viver aqui falem russo”.
Falhadas todas as tentativas de explicar à senhora que respeitamos e falamos russo (nesse momento, veio-me à cabeça  o verso do poeta Maiakovski: “Eu apredenria russo só porque nela falou Lénine!”), ouvimos da boca da anciã: “é por isso que a Rússia continua de joelhos!”.
A propaganda oficial parece dar resultado, embora de forma retardada, pois os dirigentes russos afirmam que “a Rússia já está a levantar-se!” .
Terminada a conversa, lembrei-me de que, na semana passada, um deputado do Parlamento Municipal de Moscovo decidiu pôr à votação um “código de conduta dos estrangeiros” na capital russa. Segundo esse documento, os estrangeiros devem falar russo entre si e não vestir “trajes nacionais”!!!!
Um dos críticos deste documento original chamou a atenção para o facto de os estrangeiros (na sua esmagadora, imigrantes da Ásia Central e Transcaucásia que procuram emprego emn Moscovo) vestirem  fatos de treino, peça de roupa que, pela popularidade que goza entre os homens russos, pode ser considerada  “traje nacional russo”.
No Forum Económico Internacional de São Petersburgo, o Presidente russo, Dmitri Medvedev declarou: “A Rússia deve tornar-se um país atraente, para onde queiram ir pessoas de todo o mundo à procura do seu sonho especial, de melhores possibilidades para o êxito e para a auto-realização que a Rússia pode dar a todos os que estão prontos a aceitar este desafio e a amar a Rússia como o seu novo lar ou como segunda  casa.
Palavras bonitas que foram pronunciadas por Medvedev na sexta-feira em São Petersburgo,  mas que, no dia seguinte, ainda não tinham chegado aos comboios dos arredores de Moscovo...