Quarta-feira, Março 30, 2011

“Peço-te que não morras de dor”, Iúri Gagarin


“Peço-te que não morras de dor. A vida é vida e ninguém está livre de amanhã ser atropelado por um automóvel. Eu acredito completamente na tecnologia. Ela não deve enganar”, escreveu Iúri Gagarin a 10 de Abril de 1961, dois dias antes de fazer a primeira viagem espacial.

Numa carta dirigida à esposa e às duas filhas, o primeiro cosmonauta acrescenta: “mas acontece que uma pessoa pode cair num lugar plano e torcer o pescoço. Aqui também tudo pode acontecer. Mas, por enquanto, não acredito nisso”.

“Mas se algo acontecer, devemos saber tudo até ao fim. Eu vivi, até agora, honestamente, com verdade e sendo útili para as pessoas, embora a minha vida tenha sido ainda curta. Quando era criança, li as palavras de Tchkalov: “A ser, tenho de ser o primeiro”. Tento ser assim até ao fim”, frisava Iúri Gagarin.

Valentina Gagarina, esposa do homem que realizou uma viagem espacial, apenas recebeu esta missiva depois da morte do marido, a 27 de março de 1968.

A carta e outros documentos secretos sobre a vida e obra de Gararin são publicados no livro “108 minutos que mudaram o mundo”, de Anton Pervuchin, que chegará às prateleiras das livrarias russas no início de Abril.

Neste livro, dedicado ao 50º aniversário da primeira viagem do homem ao Espaço, o autor relata que as autoridades soviéticas sempre afirmaram que a cápsula “Vostok” aterrou, com Gagarin a bordo, no local previsto, embora isso não corresponda à verdade.

Gagarin acabou por aterrar na região de Saratov, no sul da Rússia, longe do local calculado pelos engenheiros, e as esposa e neta de um guarda florestal local foram as primeiras a vê-lo a regressar do Espaço.

“Sou dos nossos, dos nossos, sou soviético”, gritou ele ao notar o rosto de espanto delas quando viram um homem envergando um escafandro.

Segundo Pervuchin, as autoridades comunistas tentavam fazer segredo de tudo, tendo provocado com isso cenas ridículas. Por exemplo, um censor proibiu os jornais soviéticos de escreverem que o foguetão tinha três níveis de locomoção, o que levou a que essa informação chegasse a um grande número de jornalistas.

Os nomes dos construtores das naves espaciais eram também um grande segredo. Por exemplo, após a viagem de Gagarin ao Espaço, o nome do principal engenheiro, Serguei Koroliov, continuou a ser desconhecido, o que o deixava profundamente ofendido.

O autor do livro considera que Koroliov olhava com maus olhos para o fato de a direção comunista da URSS utilizar as viagens espaciais para fins puramente políticos, pondo, por vezes, em risco a vida dos astronautas.

Rússia contra fornecimento de armas à oposição líbia

A Rússia manifesta-se conmtra os fornecimentos de armamentos por parte da NATO à oposição líbia, receando que entre ela estejam membros da Al-Qaeda.

“Recentemente, o ministro dos Negócios Estrangeiros de França anunciou que o seu país está pronto a discutir com os parceiros da coligação o fornecimento de armas à oposição líbia. O secretário-geral da Nato, Rasmussen, declarou que a operação na Líbia visa defender a população, e não o seu armamento”, declarou Serguei Lavrov, chefe da diplomacia russa, após um encontro com o homólogo austríaco.

“Neste ponto estamos de acordo com o secretário-geral da NATO”, frisou.

Segundo Lavrov, Moscovo prestou a atenção às declarações da coligação de que não tencionava definir partido na guerra civil, mas sublinhou que há elementos ambíguos naas declarações de representantes da NATO.

O ministro russo apelou novamente ao cessar de fogo e diálogo.

“Estou convencido de que o cessar de fogo e o início imediato das conversações são a tarefa prioritária. Nós e a Austria somos unânimes no apoio à respetiva iniciativa da União Africana e da Liga dos Estados Árabes”, precisou ele.

Lavrov reconheceu que está na hora de reformas na Líbia, mas frisou que elas devem ser acordadas pelas partes do conflito.

“Claro que será outro regime, que deve ser um regime democrático, mas devem ser os próprios a resolverem o problema, sem ingerência externa, os jogadores externos apenas devem ajudar esse processo de todas as formas”, concluiu.

Segunda-feira, Março 28, 2011

Serguei Lavrov considera apoio militar aos insurgentes líbios ingerência nos assuntos internos da Líbia

 Serguei Lavrov, Ministro dos Negócios estrangeiros da Rússia, considerou hoje que o apoio militar concedido pela coligação ocidental aos insurgentes líbios é, de fato, uma “ingerência” nos assuntos internos da Líbia.

“Consideramos que a ingerência da coligação numa guerra que, no fundo, é interna, civil, não foi sancionada pela resolução do Conselho de Segurança da ONU”, que previa o recurso à força para prioteger os civis contra a repressão do regime do coronel Muammar Kadhafi, declarou ele numa conferência de imprensa na capital russa.

“A defesa da população civil continua a ser a nossa prioridade”, disse, mas acrescentou: “há uma diferença sensível entre ataques aéreos contra os meios de defesa anti-aéreos líbios e contra colunas de tropas” fiéis ao dirigente da Líbia.

Serguei Lavrov reconheceu a legitimidade da entrega do comando à NATO da operação que está a ser realizada na Líbia, mas voltou a sublinhar que as operações militares devem exclusivamente visar a proteção da população civil.

“Essa decisão corresponde aos parâmetros previstos na resolução 1973. Nela está escrito que podem resolver as tarefas previstas no documento tanto países como organizações internacionais e regionais que se disponham para isso. A NATO é uma delas e, por isso, todos os processos foram observados”, precisou.

“Processos são processos, mas os poderes previstos na resolução podem ser utilizados apenas com o objetivo da população civil”, sublinhou.

As declarações de Lavrov são a primeira declaração dura de dirigentes oficiais russos na direção da coligação internacional depois do duelo verbal entre o primeiro-ministro Vladimir Putin e o Presidente Dmitri Medvedev,

Na semana passada, Putin comparou a resolução da ONU a um apelo às cruzadas medievais e condenou a “ingerência” nos assuntos de Estados soberanos como a Líbia. Medvedev saiu em defesa dessa resolução e conmsiderou incorreta a comparação feita por Putin.
É difícil compreender a posição da diplomacia da Rússia. A resolução 1973 do CS da ONU, que foi aprovada também graças à abstenção de Moscovo, visa proteger a população civil dos ataques das tropas fiéis a Kadhafi. Ora, para realizar esse objetivo, a coligação internacional fechou o espaço aéreo líbio e tenta enfraquecer ao máximo o poderio militar do ditador líbio. Se a coligação não deve recorrer a meios militares, como pode ajudar de outra forma a população civil, leia-se a oposição ao regime de Kadhafi?
E que medidas propõe Moscovo para defender a população civil? Um cessar de fogo. Mas se a oportunidade de se conseguir isso, se é que existiu alguma vez, passou, como conseguir agora o fim dos confrontos?
Por vezes, a política externa russa faz lembrar a política externa soviética de Andrei Gromiko, que passou à história com o cognome de "senhor niet" (senhor não). Os princípios seguidos na guerra fria continuam a ser fielmente seguidos.
Mas, às vezes, as posições da política externa russa parecem completamente cínicas, tentando garantir uma boa posição independentemente do desfecho dos conflitos. Se Kadhafi for afastado do poder, Lavrov poderá dizer que a Rússia contribuiu para isso ao não vetar a resolução do CS da ONU, mas se conseguir manter-se no poder, ele poderá dizer ao coronel que sempre nos manifestámos contra a ingerência externa, etc., etc.
Sublinho que, quanto ao cinismo na política externa, a Rússia não está sozinha, bem pelo contrário, está bem acompanhada pelas grandes potências
No entanto, também não se pode pôr de lado a possibilidade de Lavrov ser o porta-voz de Putin na política externa russa, desobedecendo às ordens do Presidente Medvedev.
Seja como for, vamos ver o resultado de semelhante política. A Rússia tem fortes interesses económicos e militares na Líbia, resta saber se os conseguirá conservar.











Quinta-feira, Março 24, 2011

Ex-embaixador russo na Líbia acusa Presidente Medvedev de trair interesses da Rússia

Vladimir Tchamov, embaixador russo em Tripoli que foi afastado do cargo na véspera da votação de sanções contra a Líbia no Conselho de Segurança da ONU, acusou o Presidente Dmitri Medvedev de ter traído os interesses da Rússia ao deixar passar as sanções.
A imprensa russa tinha escrito que Tchamov enviara uma carta a Medvedev, onde o acusava de “traidor” dos interesses nacionais, o que levou o Kremlin a afastá-lo imediatamente do cargo.
Hoje, numa entrevista ao diário Moskovski Komsomolets, Tchamov repete as acusações: “Eu escrevi um telegrama onde sublinhei que represento os interesses da Rússia na Líbia. Os nossos países, nos últimos tempos, estavam concentrados numa estreita cooperação e não é do interesses da Rússia perder semelhante parceiro”.
“As empresas russas assinaram contratos vantajosos no valor de dezenas de milhares de milhões de euros, que podíamos perder e perdemos. Em certo sentido, pode-se considerar isso uma traição aos interesses da Rússia”, declarou.
Tchamov está mais próximo da posição do primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, que considerou “defeituosa” a resolução do Conselho de Segurança da ONU e chamou “cruzadas” à operação militar da coligação internacional.
Segundo Tchamov, Khadafi poderá resistir mais três ou quatro meses, enquanto durarem as reservas de alimentos.



Terça-feira, Março 22, 2011

Esclarecimento aos sócios e adeptos do Sporting

Hoje, fui informado de que, na véspera, num debate entre candidatos ao cargo de presidente do Sporting Clube de Portugal, no canal televisivo RTPN, o meu nome, ou mais precisamente, um artigo escrito por mim para a Lusa, foi citado por um deles, o sr. Bruno Carvalho, para "dar credibilidade" ao "fundo russo" por ele anunciado.
É para mim motivo de orgulho ao constatar que os meus trabalhos são lidos, ouvidos e vistos, e apreciados , mas sinto-me na necessidade de precisar alguns termos para que não se criem equívocos.
Alguns sócios do Sporting viram nisso mais uma garantia de que os meios financeiros russos irão chegar ao clube de Alvalade caso o sr. Bruno Carvalho vença as eleições, o que não é bem isso.
Eu, enquanto correspondente da Lusa, RDP e SIC em Moscovo, tentei fazer chegar aos leitores, ouvintes e telespectadores o máximo de informação objectiva sobre os investidores russos, nomeadamente sobre Leonid Tiagatchov, antigo presidente do Comité Olímpico da Rússia.
Conversei com eles dentro e fora da conferência de imprensa organizada em Moscovo pelo candidato Bruno Carvalho, conversei demoradamente com este último, e escrevi e transmiti aquilo que consegui reunir e analisar.
Escrevi que existem realmente russos que pretendem investir no Sporting caso o sr. Bruno Carvalho vença, frisei que se trata de pessoas influentes na Rússia e com capacidade para conseguirem colocar no clube de Alvalade 50 milhões de euros. Resumindo, e o sr. Bruno Carvalho pode confirmar, realizei o meu trabalho com a maior das objectividades. 
Porém, não posso dar credibilidade ou garantias de que tudo se realize, pois nada depende de mim. Tudo depende só e apenas dos sócios do Sporting que, baseando-se nos discursos dos candidatos, no que escrevem os órgãos de informação, nomeadamente aqueles para quem trabalho, e noutros factores, votarão pelo candidato que considerem melhor.
Eu já disse que, sendo adepto do Varzim Sport Clube, não pretendo influir na escolha dos sportinguistas, até porque esse não é trabalho de jornalista.
Por isso, volto a repetir: eu assisti ao anúncio do fundo russo, às propostas que foram feitas e comuniquei isso, mas não posso passar atestados de credibilidade a ninguém.
Desejo os maiores êxitos ao vencedor das eleições e, caso o Sporting venha jogar a Moscovo, estou disposto a dar todo o apoio possível a esta equipa portuguesa. Para mim, qualquer equipa portuguesa que jogue fora, em competições europeias, é um representante de Portugal e, por isso, tem todo o meu respeito.

Segunda-feira, Março 21, 2011

Bloqueio de Leninegrado impediu primeira edição em verso dos Lusíadas em língua russa


O bloqueio imposto pelas tropas alemãs à cidade soviética de Leninegrado, que começou em 1941 e se prolongou por 872 dias, impediu a publicação da primeira edição em verso dos Lusíadas, obra épica de Luís de Camões, em russo.

A tradução, realizada pelo filólogo russo Mikhail Travtchetov, estava praticamente acabada e pronta a ser editada pela “Lenizdat”, mas o cerco nazi não só impediu a sua publicação, como roubou a vida ao seu tradutor.

Mikhail Travtchetov nasceu São Petersburgo, em 1889, dedicando grande parte da sua vida ao ensino de Literatura nas escolas soviéticas e à tradução para russo de autores estrangeiros como Pierre Jean de Béranger, Lope de Vega, Calderon de la Barca, Lord Byron e Camões.

Em 1940, Travtchetov terminou a principal obra da sua vida, a tradução de português para russo dos Lusíadas de Camões. O redator dessa edição, professor Alexandre Smirnov, considerou-a “um acontecimento na literatura traduzida para russo”.

O texto da tradução foi entregue na tipografia na Primavera de 1941, mas a invasão da União Soviética pelas hordas hitlerianas adiou a sua publicação.

Andrei Rodosski, professor de língua e literatura portuguesas da Universidade de São Petersburgo (antiga Leninegrado), citando as palavras da irmã do tradutor, escreve que “o manuscrito que fora entregue à Editora Lenizdat desapareceu durante o bloqueio”.

Porém, conservaram-se os cadernos com os rascunhos da tradução, que atualmente fazem parte do espólio da Biblioteca Nacional da Rússia, em São Petersburgo. Alguns dos fragmentos da tradução foram publicados na obra “Literatura Estrangeira. Época do Renascimento”, com edições em 1959 e 1976.

Não obstante ter sido publicada em russo uma tradução integral do poema épico camoniano em 1988, o professor Rodosski defende que a versão poética de Travtchetov não deve ser esquecida e merece ser impressa, pois possui grandes qualidades.

Depois de analisar as virtudes e defeitos da tradução de Travtchetov, Rodosski conclui: “as qualidades da tradução são bastante grandes e resta apenas lamentar que ela não tenha sido publicada até agora”.

É também de salientar que a Travtchetov traduziu outras obras do poeta português, nomeadamente os seus sonetos.

O destino do próprio tradutor russo foi tão dramático como o da sua obra. Tendo-se recusado a abandonar Leninegrado, tal como fizeram o grande compositor soviético Dmitri Chostakovitch e numerosos outros intelectuais, ficou livre do serviço militar por questões de saúde, mas inscreveu-se como bombeiro no Serviço de Defesa Anti-Aérea e Anti-Química da União Soviética.

Entre outras tarefas, os membros desse serviço deviam, nos telhados da cidade, vigiar a queda de bombas incendiárias lançadas pela aviação alemã a fim de as recolher rapidamente e impedir incêndios de edifícios. Em 1942, a revista norte-americana publica, na capa de um dos seus números, o retrato de Chostakovitch com o capacete de bombeiro.

Mikhail Travtchetov faleceu em Dezembro de 1941, quando regressava de um turno de vigilância noturna.

Putin compara resolução do CS da ONU a apelo a cruzadas

O Primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, criticou, em termos extremamente duros, a resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas sobre a Líbia e considerou-a um apelo às cruzadas medievais.
Para Putin, “A resolução do Conselho de Segurança é incompleta e deficiente, ela permite tudo e faz lembrar o apelo medieval às cruzadas”
“De fato, ela permite a invasão de um Estado soberano”, declarou ele num encontro com operários de uma fábrica de armamentos na cidade de Votkin.
O dirigente russo reconhece que “o regime líbio não se enquadra nos critérios de país democrático”, mas sublinha que “ninguém tem o direito de se imiscuir em conflitos políticos internos.
Putin considera que “a política dos Estados Unidos de ingerência nos conflitos noutros países torna-se uma tendência constante, sem moral, nem lógica”.
“Os acontecimentos atuais na Líbia confirmam a justeza do reforço da capacidade defensiva da Rússia”, concluiu.
A Rússia esteve entre os 5 países com assento no Conselho de Segurança da ON U que não apoiaram a resolução que permite o emprego de medidas militares contra o regime de Khadafi para proteger a população civil líbia, mas, tal como a China, não recorreu ao direito de veto enquanto membro permanente nesse órgão.
Isto levou alguns analistas russos a considerarem que existem fortes divergências na direção do país sobre as ações empreendidas pela comunidade internacional.
Segundo o diário Kommersant, Medvedev inclinava-se para o apoio à resolução da ONU, mas o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia, que defende uma política externa mais à maneira de Vladimir Putinb, defendia o veto. O compromisso entre as partes foi encontrado na abstenção.
A imprensa russa escreve que Dmitri Medvedev optou mesmo, a despeito da tradição diplomática russa, por retitrar de imediato de Tripoli o embaixador russo, Vladimior Tchamov, por considerar que este defendia os interesses de Khadafi em Moscovo e não os do seu país na Líbia.
Tendo em conta o caráter abrangente da resolução da ONU, o Kremlin sabia que a sua aplicação iria dar o que deu. Por isso, nas palavras de Putin pode-se detetar uma crítica à abstenção da Rússia no CS das Nações Unidas.
Se assim é, temos mais uma prova da confusão reinante na direção russa face aos acontecimentos na Líbia. Além disso, a política externa, segundo a Constituição russa, é prerrogativa exclusiva do Presidente do país .
Não me espanta ouvir de Vladimir Putin declarações desta natureza, e piores ainda, mas gostaria de voltar a fazer a pergunta: à luz do Direito Internacional, o que é mais criminoso, a invasão da Ossétia do Sul e a ocupação de território georgiano em 2008 pelas tropas russas ou a ação militar da coligação internacional?
A Rússia invadiu um Estado soberano sem qualquer mandato da ONU, a pretexto de defender a "segurança de seus cidadãos", cidadania concedida a todo o vapor para justificar, depois, a ação militar.
A lei da força sobrepôs-se uma vez mais ao Dirteito Internacional e, enquanto isso acontecer, as Nações Unidas para nada servem.
Se, até à crise líbia, as Nações Unidas valiam o que valiam, quase nada, a partir de agora, passam a valer ainda menos.

Domingo, Março 20, 2011

Afinal de que lado está a Rússia na questão em torno da Líbia?

A situação em torno da Líbia deteriora-se de hora para hora, não sendo, neste momento, possível avaliar quais as consequências deste conflito. Isto, em grande parte, porque as Nações Unidas ou potências capazes de influirem no rumo dos acontecimentos demoraram demasiado tempo a tomar medidas adequadas.
Se a decisão de criar uma zona de exclusão aérea sobre a Líbia fosse tomada nas primeiras semanas do conflito, quando a oposição ao coronel Khadafi controlava parte significativa do país, talvez o ditador já estivesse nas mãos do Tribunal Penal Internacional, no outro mundo ou, no melhor dos casos para ele e a família, algures na Bielorrússia ou na Venezuela.
A fim de encontrar um consenso, a decisão de sanções militares contra Khadafi foi tomada quase um mês depois do início do conflito, quando o coronel já teve muito tempo para reagrupar as suas forças.
Agora, este atraso talvez vá custar mais uns milhares de vítimas humanas.
Neste conflito, tal como já vem acontecendo há muito, Moscovo tenta agradar a gregos e troianos, arriscando-se a perder posições em regiões onde tinha fortes interesses económicos.
Como é sabido, a Rússia absteve-se na votação do segundo pacote de sanções contra o regime de Khadafi, posição também tomada por Pequim e que abriu caminho à intervenção militar internacional.
Quando esta começou, o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia veio lamentar isso, sublinhando que a resolução do Conselho de Segurança da ONU tinha sido mal preparada.
Será que a diplomacia russa já não sabia, quando se absteve, que a resolução estava mal preparada ou que a resposta de alguns países ocidentais e árabes seria uma intervenção militar?
Hoje, Domingo, veio exigir a suspensão da ofensiva , apelando às forças estrangeiras para que suspensam o “uso indiscriminado” da força que, afirma Moscovo, já matou civis.
Numa declaração do porta-voz da diplomacia russa, Alexander Lukachevitch, os ataques aéreos excedem o mandato dado pelo Conselho de Segurança, que aprovou a criação de uma zona de exclusão aérea e autorizou todas as medidas necessárias para proteger a população civil.
O porta-voz afirmou que os ataques aéreos atingiram alvos não-militares na capital líbia, Tripoli, e noutras cidades. Em consequência, disse, 48 civis morreram e mais de 150 foram feridos, além de um centro médico ter sido parcialmente destruído.
Será que o Kremlin não entendia, quando se absteve, que as bombas, por enquanto, ainda não reagem às roupas civis ou às fardas militares?
Esta falta de clareza nas posições de Moscovo (e penso que também de Pequim) deve-se ao facto de a diplomacia russa tentar jogar em vários tabuleiros, esperando colher sempre alguns frutos, independentemente do resultado da contenda. Será que o Kremlin acredita que Khadafi ainda pode ganhar esta guerra?
Normalmente, este tipo de política "maleável" acaba por não dar grandes resultados.
O Kremlin tem-se manifestado claramente contra a chamada "intervenção militar humanitária" e, por isso, fiquei "surpreendido" ao ver que Moscovo se absteve no Conselho de Segurança da ONU. Ou será que não quis fazer a figura de defensor de um regime criminioso e mentecapto como é o de Kahdafi? Pelos vistos, não sabe bem o que fazer e opta por decisões que supostamente permitem estar sentado em dois bancos ao mesmo tempo.
Neste contexto, é também curioso assinalar a posição de uma certa esquerda face ao conflito na Líbia.
Segundo a Agência Lusa, o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, manifestou hoje a solidariedade do seu partido para com o povo líbio, defendendo uma “solução política” que ponha “fim à agressão imperialista” naquele país.
“Perante a agressão imperialista à Líbia e ao seu povo, queremos dizer que somos solidários com o povo líbio”, afirmou o líder comunista.
Jerónimo de Sousa abordou a questão da Líbia durante o discurso que proferiu num almoço comemorativo dos 90 anos do PCP, realizado em Mora, distrito de Évora, e que juntou cerca de 1 500 militantes e simpatizantes do partido no Alentejo.
Mas que "povo líbio"? Aquele que estava a ser massacrado e oprimido pelo coronel ou a família de Khadafi e o seu regime.
Voltamos à velha história, o imperialismo agride Khadafi, enquanto os tanques soviéticos libertaram Praga. Na cabeça de certos senhores nada muda, tudo parece conservado e congelado.









Sexta-feira, Março 18, 2011

Presidente russo disposto a receber e dar emprego a japoneses

O Presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, declarou que o seu país está disposto a prestar ajuda humanitária ao Japão e, se for necessário, a receber e criar postos de trabalho para eles na Sibéria e no Extremo-Oriente.
Estamos prontos para prestar aos nossos vizinhos japoneses ajuda humanitária, enviar alimentos, água, medicamentos e outros meios necessários”, afirmou ele numa reunião do Conselho de Segurança da Rússia.
Ele acrescentou que se deve pensar também na “possível receção de crianças japoneses e de pessoas vítimas do sismo em casas de saúde russas para reabilitação médica e psicológica”.
Em geral, podemos pensar na utilização, em caso de necessidade, de parte do potencial laboral dos nossos vizinhos, principalmente nas regiões pouco habitadas da Sibéria e do Extremo Oriente”, frisou.
Medvedev exigiu do Ministério para Situações de Emergência da Rússia que “monotorize permanentemente a situação criada no Extremo Oriente, principalmente no que respeito ao nível da radioatividade”.
O dirigente russo mostrou-se também disponível para enviar ecólogos, médicos e outros especialistas para o Japão, se Tóquio considerar necessário, bem como ajudar a elaborar recomendações sobre as medidas de proteção do pessoal contra a radiação.
Dmitri Medvedev anunciou que os sismos no Japão já provocaram mais de 16 mil mortos e desaparecidos no Japão, mas reconheceu que esse número irá crescer.

Quarta-feira, Março 16, 2011

Antigos legionários das SS e seus apoiantes desfilaram em Riga


Mais de duas mil pessoas manifestaram-se na capital da Letónia a fim de assinalar o Dia do Legionário das SS nazis, tendo esse acontecimento decorrido sem incidentes, informa a polícia local.
“Cerca de 2 500 pessoas participaram na manifestação e na deposição de flores no Monumento à Liberdade. Os protestos contra ela não foram muito ativos. O número de polícias foi suficiente para manter a ordem em toda a cidade. Não se registaram incidentes”, declarou aos jornalistas Silgita Pildava, porta-voz da polícia.
Na manifestação participaram seis deputados do Parlamento da Letónia, bem como dirigentes de várias organizações nacionalistas desse país e da Estónia.
Cerca de 70 militantes antifascistas protestaram contra a realização dessa manifestação ao som da Sétima Sinfonia de Chostakovitch, também conhecida por Sinfonia de Leninegrado, dedicada à resistência ao fascismo.
A legião letã das SS foi criada pelo comando alemão durante a Segunda Guerra Mundial no território da Letónia, Estado que fora ocupado pela União Soviética em 1939 e invadido pela Alemanha nazi em 1941.
Esta legião foi acusada de participar em operações de extermínio de judeus na Letónia.
Por esta legião passaram cerca de 150 mil letãos. Após a reocupação desse país pela URSS em 1944, numerosos soldados dessa legião foram julgados e condenados a pesadas penas nos campos de concentração da Sibéria.
Depois da proclamação da independência da Letónia em 1991, os soldados sobreviventes dessa legião criaram uma organização que se manifesta anualmente em Riga a 16 de março.

Moscovo concede crédito a Minsk para construção de central nuclear



A Rússia vai conceder à Bielorrúsia um crédito de 6 mil milhões de dólares para a construção da primeira central atómica nessa república, - informou o primeiro-ministro da Rússia Vladimir Putin. 

Segundo ele, o respectivo acordo poderá ser assinado dentro de um mês. 

A construção da central atómica neste país estará a cargo da companhia russa “Atomstroiproekt”. 

Putin considera que as tecnologias modernas podem garantir o desenvolvimento seguro da energia atómica. 

Numa conferência de imprensa na capital bielorrussa, Putin chamou a atenção para o fato de as centrais nucleares nipónicas terem sido construídas há 40 anos, frisando que, hoje, os reatores são bem mais perfeitos e seguros. 

“A energia atómica só pode desenvolver-se , quero sublinhar, só pode, se ela for absolutamente segura. Isso será possível? Nas condições atuais, sim”, acrescentou. 

Segundo ele, “os sistemas, os reatores e as centrais nucleares modernas estão equipados com meios de segurança que excluem cenários como o aquele que ocorre no Japão”. 

A Rússia possui em funcionamento 11 centrais nucleares, com 32 reatores.



A Turquia não tenciona desistir do projeto de construção da primeira central nuclear, que será realizado com a participação da Rússia, declarou hoje Tyip Erdogan, primeiro-ministro turco. 

A primeira central nuclear turca deverá ser construída na província de Mersin e custará cerca de 20 mil milhões de dólares. 

Várias organizações sociais e ecológicas turcas apelaram às autoridades para abandonarem a ideia da construção da central nuclear em Mersin devido aos acontecimentos trágicos nom Japão. 

Segundo elas, a central vai ser construída numa região onde podem ocorrer fortes sismos. 

Dmitri Medvedev, Presidente da Rússia, apoiou a posição do primeiro-ministro turco, que se encontra de visita a Moscovo, sublinhando que os russos irão aplicar esquemas de controlo completamente novos. 

“Acordámos com os nossos amigos turcos que na central nuclear em Mersin será utilizado um esquema completamente novo que encerra em si três possibilidades: a própria construção, o seu controlo e gestão. Claro que isso faz aumentar ainda mais a nossa responsabilidade e os nossos parceiros turcos estão muito interessados nisso”, declarou. 

Segundo Medvedev, a construção de novas centrais atómicas é, hoje, alvo de especial atenção devido à situação extraordinária nas centrais nipónicas.

Terça-feira, Março 15, 2011

"Factor russo" na eleição do presidente do Sporting Clube de Portugal

Como adepto do Varzim Sport Club, estou à vontade para falar do famoso "factor russo" na eleição do presidente do Sporting Clube de Portugal, pois não estou preocupado em saber qual dos candidatos irá vencer.
Decidi colocar aqui uma postagem sobre o tema, pois acompanhei intensamente a passagem de um dos candidatos, no caso Bruno Carvalho, por Moscovo, onde veio apresentar o grupo de investidores russos.
Além disso, recebi alguns mails de sócios do Sporting a tentarem saber mais pormenores.
Eram muitos aqueles que esperavam que se tratava de um forte "bluff" na luta pela presidência do Sporting. 
Mesmo depois de eu ter enviado vários serviços para a Lusa, para a SIC e para a RDP após a apresentação do fundo russo por Bruno Carvalho, um camarada jornalista de um órgão de informação português telefonou-me para confirmar se realmente eu tinha visto em pessoa Leonid Tiagatchov, Alexandre Nazarov e Iúri Passetchnik. Respondi que "não só vi, mas cumprimentei e conversei com eles". Sublinhei que "eles realmente existem".
Tendo em conta o curriculum vitae dos potenciais investidores no Sporting caso Bruno Carvalho, não duvido da capacidade deles conseguirem arranjar 50 milhões de euros.
Numa conversa com um homem que trabalhou durante muitos anos com Tiagatchov no Comité Olímpico da Rússia, ele disse-me: "Tiagatchov pode não ter no bolso 50 milhões para investir no Sporting, mas tem tantas ligações a nível de ministros, oligarcas e políticos, que não terá dificuldade em arranjar essa quantia".
"Num país onde há mais de 100 bilionários, 50 milhões de euros são trocos", acrescentou.
E não posso deixar de concordar com ele. Quero recordar que a transferência do médio português Danny do Dínamo de Moscovo para o Zenith de São Petersburgo custou "apenas" 30 milhões de euros.
Sinceramente falando, pareceu-me que o fundo russo não avança com mais dinheiro, pois espera para ver como irão correr as coisas.
Claro que os mais curiosos gostariam de saber se a proveninência é limpa ou não e não querem que eu repita o ditado latino: "o dinheiro não cheira!", mas apenas posso dizer que isso é tarefa que deve ser resolvida pelas autoridades portuguesas competentes.
A nós, jornalistas, cabe a tarefa de informar o mais pormenorizadamente possível os leitores sobre as pessoas ou empresas envolvidas em operações deste tipo, o que eu tentei fazer, o resto caberá aos órgãos sociais do Sporting que deverão controlar as contas, bem como à polícia, se for caso disso.
Os investidores russos sublinharam várias vezes que os contactos foram estabelecidos e acompanhados pela Embaixada da Rússia em Lisboa, acrescentando que decidiram avançar depois de receberem informações dos diplomatas russos sobre Bruno Carvalho.
Segundo eles, os contactos entre Bruno Carvalho e os russos já tem mais de dez anos.
Resumindo, independentemente do candidato que vença, desejo votos de muitos êxitos ao clube, espero que esteja representado nas competições europeias e venha jogar muitas vezes à Rússia.



Eleições regionais dão vitória ao Partido Rússia Unida


O Partido Rússia Unida, dirigido pelo primeiro-ministro Vladimir Putin, venceu nas 12 regiões da Rússia onde ontem se realizaram eleições regionais.
A Federação da Rússia é constituída por 85 repúblicas e regiões e, no domingo, realizaram-se eleições nas regiões de Nijegorod, Kaliningrado, Tver, Kirov, Kurski, Orenburg, Tambov, Repúblicas dos Komi, Daguestão, Adigueia, Círculo Autónomo de Khanta-Mansiisk e Tchukotka.
Segundo dados preliminares, essa força política venceu os escrutínios com percentagens situadas entre os 40 e 70 porcento.
“Nas eleições da véspera, a afluência às urnas foi bem maior do que em anos anteriores. Isso é prova da estabilidade política no país. Os eleitores confiam neste sistema, sentem-se num Estado com um sistema político estável”, comentou Boris Grizlov, um dos dirigentes da Rússia Unida.
Porém, a oposição chama a atenção para o fato de, não obstante as numerosas violações da lei eleitoral, o Partido Rússia Unida ter conseguido maioria absoluta em 7 das 12 regiões onde se realizaram as eleições.
“Nós tivemos de enfrentar nestas eleições uma situação em que a Rússia Unida e os seus candidatos utilizaram todas as tecnologias sujas nos últimos 20 anos”, declarou Guennadi Ziuganov, dirigente do Partido Comunista da Federação da Rússia.
Porém, Vladimir Tchurov, presidente da Comissão Eleitoral da Rússia, respondeu que “as eleições decorreram com uma grande atividade da parte dos eleitores e foi acompanhada de uma aguda luta política que, no fundamental, teve lugar no âmbito da lei”.
Nos parlamentos regionais estão também representados o Partido Comunista da Federação da Rússia, que ficou em segundo lugar na maioria das regiões, o Partido Rússia Justa, o Partido Liberal-Democrático e o Partido Partriotas da Rússia.
Os líderes da Rússia Unida viram neste escrutínio um “ensaio” das eleições parlamentares de dezembro de 2011.

Novo compêndio de português para russos publicado na Rússia e Portugal



A Editora russa Filomatis acaba de lançar um manual “Português para Principiantes” que pretende colmatar algumas falhas no ensino da língua portuguesa na Rússia.
O manual, com uma tiragem de 3 000 exemplares, foi escrito por Galina Petrovna, professora de português no Instituto de Relações Internacionais de Moscovo (MGIMO), e João Mendonça João, leitor do Instituto Camões na Rússia.
“Trata-se de um manual elaborado em conformidade com os padrões europeus, tem um novo formato, mais atrativo, que contrasta com a austeridade dos manuais semelhantes anteriores publicados na Rússia”, declarou à Lusa João Mendonça João.
O leitor do Instituto Camões sublinha também que “o manual não contém textos ideológicos e políticos”, numa alusão ao fato de os manuais soviéticos de português estarem cheios de textos sobre “os êxitos da União Soviética” e “a luta do Partido Comunista Português pelos interesses dos trabalhadores”.
“Além disso -, continua João Mendonça João, - o manual é acompanhado de dois CD’s com diálogos e exercícios. Os diálogos foram gravados por portadores da língua”.
“Penso que se trata do primeiro manual elaborado na Rússia com o contributo de um nativo da língua”, concluiu.
O manual, que foi publicado com o apoio do Instituto Camões, da Fundação Gulbenkian e da empresa russa Rino Terra, irá custar cerca de 20 euros na Rússia.
Os autores disseram à Lusa que o manual também entrará no círculo livreiro português, desconhecendo-se a data do aparecimento nas livrarias.

Sábado, Março 12, 2011

Partido Rússia Unida pretende obter maioria absoluta em todas as eleições regionais


Os eleitores russos irão escolher, no próximo domingo, 12 parlamentos regionais e os presidentes da câmara de nove capitais regionais, podendo esse ato eleitoral ser visto como um ensaio das parlamentares previstas para dezembro próximo.
A Federação da Rússia é constituída por 85 repúblicas e regiões.
O Partido Rússia Unida, do primeiro-ministro Vladimir Putin, pretende conquistar mais de 50 por cento em todas as regiões.
“Tal como anteriormente, nós lideramos com grande vantagem em todas as regiões. Hoje, a nossa liderança é indiscutível”, considera Andre Vorobiov, um dos dirigentes dessa força política que controla o Parlamento da Rússia.
Porém, as restantes forças políticas que se encontram representadas no Parlamento da Rússia, queixam-se da pressão sobre os seus candidatos e de violação da lei eleitoral.
“Irrita-nos o fato de a campanha eleitoral ter ficado marcada por uma enorme pressão sobre os nossos candidatos, mas, mesmo nessas condições, fizemos um grande trabalho”, afirmou Ivan Melnikov, membro do Comité Central do Partido Comunista da Federação da Rússia.
Este dirigente comunista sublinha, por exemplo, o fato da oposição ser discriminada nos canais de televisão pública em comparação com a Rússia Unida.
Nikolai Levitchev, dirigente do grupo parlamentar do Partido Rússia Justa, receia “provocações e violações no dia do escrutínio”, mas promete “lutar pela confiança dos eleitores  em quaisquer circunstâncias”.
Boris Nemtsov, dirigente da oposição liberal extra-parlamentar na Rússia, considera que só poderá haver eleições justas no país se “os partidos e candidatos da oposição não forem afastados das eleições por motivos politicos”, “se deixar de haver censura total nas televisões, incluindo “listas negras” de políticos”, “se não se registarem falsicações durante a eleição antecipada e no dia do escrutínio”.
Alguns analistas políticos consideram que o escrutínio de domingo poderá ser uma repetição das eleições parlamentares marcadas para dezembro próximo.
“Devido à proximidade cronológica, esta campanha eleitoral regional pode ser considerada um ensaio da campanha parlamentar, considera o politólogo Vitali Ivanov.

Quinta-feira, Março 10, 2011

Vice-presidente norte-americano apela à democratização da política russa


Joe Biden, vice-presidente dos Estados Unidos, manifestou-se hoje pelo reforço dos princípios democráticos na Rússia, bem como pela realização de eleições abertas e justas.
“A história mostra que, nos países industrializados, economicamente desenvolvidos, a modernização política e a modernização económica avançam lado a lado. Uma é impossível sem outra”, declarou Biden num encontro com estudantes na Universidade Estatal de Moscovo.
Segundo Biden, os russos querem que “o seu país reforce as instituições democráticos para que as instituições estatais funcionem segundo as normas, para que os membros da oposição não sejam rotulados como traidores, mas como patriotas”.
Biden considerou também que o clima para o investimento e o estado do sistema judicial são obstáculos para a entrada na Rússia de um maior número de empresas americanas.
“Não obstante a liberalização das nossas relações comerciais, o clima para o investimento e outras condições na Rússia devem melhorar, porque tudo isso ainda é um enorme obstáculo para uma enorme quantidade de empresas norte-americanas”, sublinhou no mesmo encontro.
O vice-presidente assinalou que empresários estrangeiros têm interesse na garantia dos seus investimentos e num sistema judicial justo.
Biden apresentou, como exemplos, o julgamento de Mikhail Khodorkovski, antigo patrão da petrolífera Yukos que cumpre uma pena de oito anos, o advogado Serguei Magnitski, que faleceu numa prisão de Moscovo por falta de assistência médica, e a perseguição de militantes da oposição russa.

Diplomacia russa considera inadmissível ingerência militar na Líbia


Serguei Lavrov, Ministro russo dos Negócios Estrangeiros, declarou hoje que é inadmissível a ingerência militar nos assuntos internos tanto dos países africanos, como dos Estados de outros continentes.

“Na Carta da ONU e noutros documentos do Direito Internacional está claramente escrito que cada povo tem o direito de definir o seu destino, não sendo admissível a ingerência nos seus assuntos internos, tanto mais militar”, precisou ele, numa conferência de imprensa em Moscovo.

Segundo ele, a Rússia espera receber uma análise da situação na Líbia depois do relatório do representante especial do secretário-geral da ONU para esse país.

“Há alguns dias atrás, o secretário-geral da ONU nomeou o seu representante especial para a Líbia e nós esperamos que ele vá, urgentemente, à região e estude a situação humanitária na Líbia. Vamos esperar o relatório desse enviado para fazer um quadro mais claro do que ocorre nesse país, do que se passa com os refugiados que fugiram para os Estados vizinhos, um quadro geral”, acrescentou Lavrov.

Lavrov revelou que a reunião do “Quarteto para o Médio Oriente” (Rússia, Estados Unidos, União Europeia e ONU), marcada para março, foi adiada a pedido de Washington.

Porém, ele frisou que a Rússia está contra pausas no processo de paz no Médio Oriente, principalmente tendo em conta os acontecimentos nessa região e no Norte de África.

“Não aceitamos os argumentos de que, tendo em conta os acontecimentos no Médio Oriente, no Norte de África, na Líbia, Egito, Tunísia e noutros países, é necessário fazer uma pausa no processo de conversações entre Israel e a Palestina. Acho exatamente o contrário. É necessário triplicar, decuplicar os esforços para, na situação atual, voltar à mesa das conversações”, frisou.

No início de setembro de 2010, os Estados Unidos conseguir organizar conversações diretas entre israelitas e palestinianos, mas elas foram rapidamente interrompidas, quando terminou a moratória sobre a construção de aldeias hebraicas na margem ocidental do Jordão.

AS tentativas de reatamento dessas conversações não deram até agora resultado.

Business as usual


Texto enviado pelo leitor Pippo: 
"Na cena internacional, as nações e os fazedores de opinião frequentemente adoptam uma linguagem dúplice e maniqueísta, através da qual demonizam certos povos, países e líderes enquanto louvam outros que, na sua essência, são iguais aos primeiros. O observador atento cedo se apercebe que os falsos moralismos normalmente invocados não são mais do que a capa de interesses materiais, normalmente associados à economia e ao lucro, mais do que ao bem estar das populações.
No caso dos países ex-soviéticos, é notória a preocupação com os países da UE condenam o regime bielorrusso e o seu presidente, taxado de Ditador e anti-democrata (e poucas dúvidas parece haver de que assim seja), ao mesmo tempo que cortejam ditaduras, pelo menos, iguais à bielorrussa, muito mais militaristas e potencialmente agressivas, mas também com mais recursos energéticos e mais abertas ao investimento estrangeiro. É o caso do Azerbaijão.
Apesar da crescente preocupação britânica com o estabelecimento de laços económicos com ditaduras estrangeiras no Médio Oriente e na Ásia Central, nesta segunda-feira o duque de York pressionou um deputado Tory para ajudar a impulsionar as relações das empresas britânicas com o Azerbaijão, uma autocracia acusada ​​de torturar manifestantes e opositores políticos (no ano passado, uma coligação de grupos de direitos humanos disse que Aliyev tinha conseguido a estabilidade do país apenas através de uma ofensiva total contra a oposição política, sufocando os meios de comunicação independentes e de oposição, e a redução das liberdades fundamentais).
De acordo com Mark Field, deputado Tory pelas cidades de Londres e Westminster e presidente do grupo de todos os partidos parlamentares sobre o Azerbaijão, o Palácio de Buckingham pediu o apoio no parlamento e em Whitehall (sede do MNE) para os investimentos britânicos no Azerbaijão, país que o príncipe André pressentia ser "um país de Cinderela que tem grandes oportunidades".  Field acrescentou, dizendo que "uma das coisas que André disse sobre esse seu sentimento foi de que o Azerbaijão era uma grande oportunidade, e que quanto mais os políticos e as empresas britânicas se comprometem com as suas congéneres do Azerbaijão, maiores serão os seus benefícios materiais".

O duque de York, que atua como representante especial do Reino Unido para o comércio internacional e investimento, Pretende realizar a sua oitava visita ao Azerbaijão em Junho. A sua última visita, em Novembro de 2010, ocorreu apenas algumas semanas após as críticas internacionais contra a realização de eleições parlamentares do país. 
André viajou para aquela ex-república soviética três vezes desde 2008 a título privado. Das restantes vezes, ele viajou para lá em nome da UK Trade and Investment. 
De acordo com declarações do porta-voz do Príncipe André, o trabalho do Duque funciona de duas maneiras:"Ele tenta identificar oportunidades de negócios britânicos em mercados estrangeiros. Igualmente, é, por vezes, atrair investimento estrangeiro para o Reino Unido. 

"É inteiramente apropriado que o duque de York deve tentar identificar oportunidades de negócios para as empresas britânicas no Azerbaijão, um país no qual o governo britânico opera"".

Quarta-feira, Março 09, 2011

Bruno Alves revela faceta poveira em entrevista ao sítio do Zenith



Bruno Alves é um dos "três mosqueteiros" portugueses do Zenith de São Petersburgo e já deu provas que está bem integrado nessa equipa. Com Danny e Fernando Meira, já venceu o Campeonato russo de Futebol e a Supertaça.
Hoje, o sítio electrónico do Zenith de São Petersburgo publica uma longa entrevista com o defesa português, onde deste futebolista luso-brasileiro revela as suas origens poveiras, evidentes mesmo sem ter pronunciado o nome da Póvoa de Varzim.
Bruno Alves gosta de jogar futebol de praia e o seu prato preferido é o bacalhau à "Gomes de Sá". Mas a costela poveira revela-se noutra declaração:
"P. Já alguma vez participou no Carnaval (do Brasil)?
R. Não, nunca participei.
P. Qual é a sua festa preferida?
R. É o dia de São Pedro. Trata-se de uma festa tradicional na minha cidade natal. Todas as pessoas juntam-se e saiem para as ruas centrais. Ela tem lugar no Verão. Bom tempo, a cidade é muito bem enfeitada. E é bom quando estamos todos juntos. A disposição melhora imediatamente". "
No Domingo passado, telefonei-lhe, por razões profissionais, depois do jogo em que o Zenith venceu a Supertaça da Rússia. Bruno Alves ficou surpreendido ao saber que a Póvoa também é a minha terra natal, mas recordei o tempo em que o pai dele, Washington, jogou na equipa do meu coração: o Varzim Sport Clube.
Se a memória não me atraiçoa, Bruno e o seu irmão começaram também no Varzim e sinto pena ao ver que, há já uns tempos, o meu clube anda pelas ruas da amargura.
Mas o principal são as Festas de São Pedro, das quais também tenho enormes saudades. Fogueiras, danças , vinho e muita folia com as rusgas. 





Contributo para a História de Portugal


Texto escrito para a Agência Lusa:

"PCP: Fracasso do comunismo em Portugal deveu-se ao mau exemplo soviético
                       
A derrota do Partido Comunista Português no verão quente de 1975 deveu-se a uma tendência anticomunista universal devido à não aceitação do exemplo do Partido Comunita da União Soviética, considera Anatoli Tchernaiev, antigo funcionário da Seção Internacional do PCUS.
Tchernaiev, que também foi assessor do Presidente soviético Mikhail Gorbatchov, escreve no seu diário “Êxodo Conjunto” a 23 de Agosto de 1975: “As coisas estão más em Portugal. Boris Ponomariov [dirigente da Seção Internacional do PCUS] considera que o caso acabará com a vitória de Soares, que não há forças para voltar a um regime fascista. Não sei! Não sei! Oxalá!”
 “Os comunistas exageraram, embora talvez não sejam eles a causa principal. Mas que evolução tenebrosa decorreu desde a receção de Cunhal à imagem do “regresso de Lénine a Petrogrado” até aos atuais cercos das salas onde ele discursa, destruição e incêndio de sedes do PCP!”, exclama ele.
“Parece tratar-se de uma tendência anticomunista que se entranha em toda a parte, com base no afastamento do PCUS enquanto factor da paz e da não aceitação dele como exemplo”, conclui Tchernaiev.
Quanto à imagem do dirigente comunista português a subir ao blindado (imitando o líder soviético Vladimir Lénine), o historiador Mikhail Massaev considera que os portugueses, em Abril de 1974, não compreenderam essa ato, pois não tinham ainda visto filmes soviéticos.
“Boris Ieltsin subiu para cima de um tanque e passou a ser respeitado. Na URSS, gerações tinham visto em filmes Vladimir Lénine em cima de um blindado (e não era importante o fato de Lénine não ter subido para cima de um blindado). No Portugal fascista não exibiam filmes sobre Lénine e não compreenderam o fato de Álvaro Cunhal, dirigente dos comunistas portugueses, ter subido para cima de um blindado”, escreve ele no artigo: “Símbolo como categoria da Filosofia  da História nos períodos Moderno e Contemporâneo.

Terça-feira, Março 08, 2011

Rússia é contra ingerência externa na Líbia



A Rússia é contra a ingerência militar na situação da Líbia, declarou hoje aos jornalistas Serguei Lavrov, ministro russo dos Negócios Estrangeiros.
“Não consideramos a ingerência externa, tanto mais militar, um meio de resolver a crise na Líbia. Devem ser os próprios líbios a resolverem os seus problemas”, disse ele.
Segundo o ministro, a posição russa face à Líbia continua a ser a mesma anunciada pela direção da Rússia.
“Ela consiste na necessidade de travar imediatamente a violência, antes de tudo a violência contra a população local, e fazer a situação enveredar pela via política. É indispensável que a crise seja resolvida por via política e para isso é necessário parar o derramamento de sangue”, acrescentou.
Lavrov frisa que os crimes contra a população civil na Líbia não devem ficar impunes.
“Apoiamos os esforços da comunidade mundial com vista a prestar ajuda humanitária às pessoas que se viram em dificuldades devido aos acontecimentos na Líbia. Enviamos ajuda humanitária em aviões para o Ministério para Situações de Emergência. Apoiamos a iniciativa do secretário-geral da ONU no sentido de nomear um representante especial seu para questões humanitárias na Líbia”, concluiu.
A admistração norte-americana examina “todas as opções”, incluindo militares, na rise líbia e repete os seus apelos à demissão do coronel Khadafi.
O influente senador republicano John McCain e o senador democrático John Kerry pronunciaram-se pela criação de uma zona de exclusão aérea sobre a Líbia para reduzir a margem de manobra do regime de Khadafi.
A Líbia mergulha cada vez mais num mar de sangue da guerra civil, sem fim à vista. Enquanto a comunidade internacional estuda a forma ou formas de travar o conflito, este alarga-se e faz aumentar rapidamente o número de vítimas.
As tradicionais sanções da ONU parecem não obrigar Khadafi a abandonar o poder em Tripoli, o que faz aumentar a tentação de intervenção externa no conflito. Mas tendo em conta as posições diferentes dos membros do Conselho de Segurança da ONU face ao conflito, é difícil dislumbrar uma forma de intervenção aceite por todos.
A posição de Moscovo de deixar aos próprios líbios a solução do conflito na Líbia é pouco convincente, visto que ela apenas provocará o alargamento da guerra civil e o aumento do perigo de desintegração territorial da Líbia. 
Uma intervenção militar direta no conflito poderá ter também efeitos catastróficos, por isso talvez não seja tão má a ideia da criação de zona de exlusão aérea sobre a Líbia, apoiada por todos os membros do Conselho de Segurança. Mas para isso é necessário que as grandes potências não ponham em primeiro lugar os seus interesses mesquinhos na região.

Segunda-feira, Março 07, 2011

Queda de avião pode ter sido devida a problemas técnicos ou falha humana




 A queda do avião Antonov 148, que ocorreu no sábado de manhã no sudoeste da Rússia, pode ter sido causada por problemas técnicos ou falhas humanas, informa a agência Interfax citando fontes policiais.
“A catástrofe foi provocada por problemas técnicos, não se pode falar em quaisquer ações conscientes”, sublinhou uma das fontes da agência.
Porém, outra fonte não exclui a possibilidade de o avião ter caído devido a erros humanos. No interior do avião estavam dois pilotos birmaneses que não tinham treinado a pilotagem deste tipo de aparelho, mas poderiam ter sido autorizados a dirigir o avião.
Uma das testemunhas do acidente declarou à Interfax que “o avião começou a arder alguns segundos antes de cair”, acrescentando que “o avião sobrevoou a escola, começou a arder e caiu nas hortas dos habitantes locais”.
Segundo a mesma agência, a queda do avião provocou a morte de cinco membros da tripulação e de dois pilotos birmaneses.
As autoridades ordenaram o início de investigações com base no artigo 351 do Código Penal da Rússia “sobre a violação das normas de voo e da sua preparação”.
O avião Antonov 148 começou a ser explorado por empresas de aviação russas e ucranianas em 2010, mas aparelhos deste tipo já tiveram problemas técnicos, nomeadamente com avarias no piloto automático.
A companhia Rússia, que explora este tipo de aparelhos, considerou, então, que “a fiabilidade de exploração do Antonov 148 não pode garantir um nível suficiente de segurança e de regularidade de voos”.
O aparelho que se despenhou era um dos dois que deviam ser fornecidos às Forças Armadas da Birmânia, tendo sido este o primeiro país a adquirir aviões deste tipo.