sexta-feira, setembro 30, 2011

Blog do leitor (Ucranianos na revolta de Varsóvia)


Em Setembro – Outubro de 1944 o Estado Clandestino Polaco e o seu exército, Armia Krajowa (AK) iniciaram a revolta anti-nazi, que foi derrotada por não receber auxílio soviético, a decisão estratégica do Stalin, para enfraquecer as forças anticomunistas da Polónia.
Vários ucranianos participaram na revolta, ao lado das forças anticomunistas polacas, embora logo no início da revolta, provavelmente de propósito, foi lançado o rumor absolutamente falso do que as unidades ucranianas, nomeadamente Divisão Galiza participam no esmagamento da revolta, os seus soldados, alegadamente, cometiam os crimes contra a população civil polaca...

por: Roman Szagala, jornal Nasze Slowo (Polónia)

Logo após a ocupação da Polónia, os nazis proibiram o funcionamento das organizações sociais e educacionais ucranianas, vários dirigentes ucranianas foram enviados para os campos de concentração. Por exemplo, o chefe da Direcção Central do Comité Central Ucraniano, Mykola Kovalski (1855-1944) foi preso e enviado para o campo de concentração de Stutthof, depois para Dachau, onde ele morreu. Ex-funcionário da Secção militar da Missão Diplomática Extraordinária da UNR na Polónia, Illya Chudnenko, até o fim da II G.M., estava preso em Auszwitz. Um dos líderes da resistência armada ucraniana, Taras Bulba – Borovets, em 1934-1935 prisioneiro do campo de concentração polaco de Bereza Kartuska, em 1943 foi preso em Varsóvia pelo Gestapo e enviado para o campo de concentração nazi de Sachsenhausen.

Vários oficiais do exército da UNR, defenderam a Polónia em 1939, após o ataque da Alemanha nazi, o mais graduado foi o general (coronel diplomado do exército polaco), Pavlo Shandruk. Em 1939 ele comandava o estado – maior da 29ª brigada de infantaria, nos dias 20 – 29 de Setembro de 1939 comandava a defesa de (Замостя). Em 1945 Pavlo Shandruk tomou o comando da Divisão Galiza, em 1949 emigrou para os EUA, o Governo polaco no exílio o condecorou com a ordem militar “Virtuti Militari” da V classe.

Em 31 de Março de 1944 o tribunal militar especial do AK ordenou o assassinato do ex-dirigente da Comité Auxiliar Ucraniano, ex-coronel do exército da UNR, Mykhaylo Pohotovko, sem nenhuma decisão formal foram assassinados quatro outros funcionários do mesmo Comité. Poucos ucranianos tiveram a coragem de participar na cerimónia do enterro do coronel Pohotovko e os seus companheiros, receando o massacre vindo dos nacionalistas polacos.

Desde o início da revolta, os revoltosos polacos começaram procurar e aprisionar os ucranianos, baseados na informação não confirmada que os ucranianos eram “pombeiros” (gołębiarzе), assim em Varsóvia eram conhecidos os franco-atiradores. Os ucranianos detidos eram colocados nos esquadros da polícia e nas cadeias, eram obrigados fazer vários trabalhos manuais.

Um dos exemplos dessa “caça aos ucranianos”, por parte dos nacionalistas polacos era a história do Lev Bykovskiy, ex-oficial do exército da UNR. Engenheiro de profissão, ele foi bibliógrafo, estudioso, editor, redactor, publicista, escritor, agente cultural e economista, desde 1928 funcionário da Biblioteca Pública de Varsóvia, primeiro como bibliotecário, depois como o seu director. Durante a revolta, ele recebia para a guarda os diversos livros e arquivos vindos dos particulares e das instituições ucranianas. Em 22 de Setembro de 1944 engenheiro Bykovskiy foi preso e espancado pelos insurgentes polacos, que o enviaram para a construção de barricadas, onde ele foi gravemente ferido na garganta por estilhaço de obus nazi. Mais tarde, ele foi inocentado pelo tribunal polaco. Em Dezembro de 1944 Bykovskiy escreveu o livro de memórias “Revolta polaca em Varsóvia em 1944: lembranças da testemunha”, editada em ucraniano em 1963 em Londres e sob a sua autorização em 1964 em polaco em Paris.

No primeiro dia da revolta, no combate contra os nazis morreu ucraniano Orest Fedoronko, porta-estandarte “Fort” do Comando de Sabotagem do AK, filho do capelão – mor ortodoxo do Exército Polaco, Semen Fedoronko, assassinado pelo NKVD em 1940 no Massacre de Katyn.

Outro ucraniano, Andriy Hitchenko (1926-24.01.2004), filho do cônsul da UNR na Polónia, fazia parte do comando do AK “Baszta”. Duas vezes ferido em combate, preso pelos nazis após a derrota da revolta, ele sobreviveu a II G.M., foi graduado pelo Instituto Politécnico de Varsóvia e até a sua reforma trabalhou nos caminhos de ferro polacos.
O capitão de cavalaria do exército da UNR (tenente contratado no exército polaco), Ivan Mytrus – Vigovski também lutou nas fileiras da AK. Nascido em 1897 na aldeia Umanska na Kuban, em 1907 é admitido no Corpo de Cadetes de Tbilisi, mas em 1912 é expulso por “ucranianofilia”, nos seus livros foi encontrada a colect6anea poética Kobzar do Taras Shevchenko. Ivan Mytrus participou na defesa da Polónia em 1939, em 1940-1944 fez parte do Comando de Sabotagem do AK, morreu, provavelmente, durante a revolta de Varsóvia.

Durante a revolta, o bairro Wolia de Varsóvia foi o palco de batalhas sangrentas entre polacos e alemães. No início de Agosto de 1944 os nazis mataram toda a família do padre ucraniano Anton Lalyshevych, os alemães chacinaram as crianças e o pessoal auxiliar do orfanato ortodoxo ucraniano na rua Wolska № 149. No segundo dia da revolta, os nazis destruíram a igreja grego – católica ucraniana na rua Medowa № 16, onde morreu o seu padre Klementij Kernitski e o monge Veniamin Klachinski. Também foi destruída pelos nazis a igreja ortodoxa da Santa Trindade (cidade velha, rua Podwale № 5), restaurada após a guerra e em 2002 devolvida à Metrópole ortodoxa de Varsóvia.

Segundo os dados históricos, a unidades do exército alemão mais brutal para com as populações civis polacas era a brigada Kaminski (1ª Unidade SS do Exército Popular Russo de Libertação – RONA), chefiada pelo Bronislav Kaminski, polaco de origem por parte do pai. No seu livro Rising-44 («Revolta-44»), historiador britânico Norman Davies confirma a participação do regimento da SS RONA, chefiado pelo Brigadeführer Bronislav Kaminski (líder do Partido Nacional – Socialista Russo) na repressão da revolta de Varsóvia. O regimento RONA foi formado entre os voluntários russos na região russa de Briansk. Norman Davies não lista nenhuma formação etnicamente ucraniana que participou no esmagamento da revolta, a Legião Ucraniana de Autodefesa (31° batalhão da defesa do SD alemão), com 200 soldados, chegou a Varsóvia já após a sua derrota.

No entanto, as informações falsas sobre alegada participação dos ucranianos foram várias vezes repetidas na imprensa clandestina polaca daquela época, criando, dessa maneira o mito na inconsciência colectiva da sociedade polaca. Estes mitos também foram repetidos propositadamente em alguns estudos historiográficos posteriores.

Recentemente, os famoso historiador e especialista em história de Varsóvia, Jerzy Majewski em conjunto com Tomasz Uzikowski colocaram o ponto sobre I, nesta questão. Na guia turística sobre a revolta de Varsóvia, a biografia curta do Bronislav Kaminski se chama: “Não são os ucranianos, mas RONA”.

Segundo a “Enciclopédia Ucraniana”, durante a revolta de Varsóvia morreram cerca de 200 ucranianos. Tento em conta que antes de 1939 viviam na cidade cerca de 2.000-2.500 ucranianos, significa que as perdas ucranianas chegaram à 10%. A maioria foi sepultada no cemitério ortodoxo de Wolia, hoje é quase impossível obter a lista dos falecidos e assassinados, pois naquela altura não eram emitidos as declarações da morte.
Após o fim da revolta, os moradores de Varsóvia que sobreviveram, foram levados até o campo de concentração de Pruszków. Entre os ucranianos, lá parou a família do ex-militar do exército da UNR, Anton Denysenko, sua esposa Olexandra e a filha bebé. Do Pruszków eles foram levados aos trabalhos forçados na Alemanha.

Fontes:

http://www.istpravda.com.ua/digest/2010/10/22/895/view_print (em ucraniano)

http://nslowo.pl/content/view/1210/99 (original)

http://nslowo.pl/content/view/1288/146\ (em polaco)"

terça-feira, setembro 27, 2011

Ministério da Defesa da Rússia renuncia à compra das lendárias Kalachnikov

O Ministério da Defesa da Rússia renunciou à aquisição de espingardas de assalto Kalachnikov (Ak-47) por dispor de "grandes reservas" e porque a arma já não satisfaz as necessidades das Forças Armadas, anunciou o chefe do Estado Maior.“Renunciámos. Antes de tudo, isso deve-se às reservas existentes, elas são dezenas de vezes superiores às necessidades”, precisou o general Nikolai Makarov.
“Primeiro, devemos utilizar as armas que temos armazenadas e as armas que são agora criadas devem ir para as reservas de mobilização, nomeadamente para o equipamento das Forças Armadas”, acrescentou.
Segundo o militar, as espingardas de assalto actualmente existentes “já não nos satisfazem e a sua enorme quantidade faz com que não haja necessidade de aquisições”.
Esta metralhadora foi criada em 1947 por Mikhail Kalachnikov e passou a equipar o Exército Vermelho Soviético dois anos depois.
Devido ao seu baixo preço e facilidade de manuseamento, a AK-47 foi a metralhadora que mais se fabricou no mundo.
A sua popularidade é tão grande que apareceu ou ainda aparece representada no brasão de alguns países, nomeadamente no de Moçambique.

segunda-feira, setembro 26, 2011

Igreja Ortodoxa Russa abençoa recandidatura de Vladimir Putin à Presidência do país

A Igreja Ortodoxa da Rússia considera que a proposta de Dmitri Medvedev avançar com a candidatura de Vladimir Putin para o cargo de Presidente é um exemplo de “moralidade” na política.
“Quando é que se viu, na história da Rússia, o poder supremo no Estado a ser entregue de forma tão pacífica, digna, honesta, amigável?”, pergunta Vselovod Tchaplin, porta-voz da Igreja Ortodoxa Russa.
O sacerdote responde: “é um verdadeiro exemplo de bondade e moralidade na político, um exemplo que deve ser invejado não só pelos nossos antepassados e por aqueles que viveram na era soviética, como também pelos cidadãos da maioria dos países do mundo, incluindo os que nos tentam dar lições”.
O conhecido politólogo Viatcheslav Nikonov, que também é candidato a deputado nas listas do Rússia Unida, considerou que esta configuração do poder poderá ter sido pensada até 2036.
“É evidente que Putin, nesta situação, terá a possibilidade de dirigir a Rússia nos próximos 12 anos se nada acontecer nada extraordinário no país”, precisou.
“Não excluo que, depois, ele seja substituído por Medvedev. Isto significa que conhecemos a configuração do poder russo até 2036”, concluiu.
Porém a decisão do dueto Putin/Medvedev foi mal recebida por alguns dos apoiantes do actual Presidente.
Arkadi Dvorkovitck assessor de Medvedev para assuntos económicos, comentou no Twitter: “Bem, realmente não há motivos para alegria”.
Quando um leitor lhe perguntou o que o levou a ir ao Congresso do Partido Rússia Unida, Dvorkovitch respondeu: “Na sala desportiva pequena de Lujniki é melhor jogar hóquei no gelo”.
A sala desportiva pequena de Lujniki foi o lugar onde se realizou a congresso.

domingo, setembro 25, 2011

Ministro das Finanças promete renunciar a cargo se primeiro-ministro for Dmitri Medvedev

Alexei Kudrin, vice-primeiro-ministro e ministro das Finanças da Rússia, anunciou hoje que não participará num governo dirigido por Dmitri Medvedev devido a divergências sobre questões económicas.
Na véspera, o Congresso do Partido Rússia Unida decidiu avançar a candidatura de Vladimir Putin para o cargo de Presidente da Rússia nas eleições de março de 2012 e, em caso de vitória, Dmitri Medvedev será nomeado primeiro-ministro.
“Eu não me vejo no novo Governo. Não só porque ainda não me foi feita essa proposta, mas penso que as divergências que tenho não me permitirão participar nele”, declarou Kudrin aos jornalistas.
Estas declarações foram feitas em Washington, onde Kudrin  participa numa reunião de ministros das Finanças dos G-20.
“Tenho uma série de divergências com Medvedev sobre política económica, principalmente no que respeita a despesas militares substanciais”, precisou.
Kudrin manifesta-se contra o aumento de 3 por cento do PIB para despesas militares até 2014.
“3 por cento do PIB são cerca de 2,1 biliões de rublos (52 mil milhões de euros) em 2014. Isso é, em 2011, o financiamento de todo o sistema de ensino, incluindo todas as universidades, escolas médias e especiais. Ou seja, em três anos, iremos acrescentar às despesas militares uma quantia igual à que concedemos para financiar a educação”, explicou.
“Isso cria mais riscos tanto para o orçamento, como para a macroeconomia”, frisou.
Segundo ele, “isso não nos permite baixar o deficit enquanto se mantêm preços altos do petróleo. E essa dependência vai conservar-se, o que é arriscado para a economia. Nós discutimos essas questões, mas, não obstante, foram tomadas essas decisões”.
Alexei Kudrin discorda também da política de Medvedev em relação ao Fundo de Pensões, considerando que ele não é sustentável se se mantiver a actual política e defende o aumento da idade de reforma.
O ministro espera, porém, que Vladimir Putin, caso seja eleito Presidente, irá realizar as reformas mais ativamente.
“Putin sente muito seriamente os problemas e reage a eles. Nesse sentido, espero que ele sinta a necessidade do aumento do crescimento económico, nomeadamente da realização de reformas estruturais”, considerou.
O politólogo Dmitri Orechkin considera que se trata de mais um episódio da luta nas mais altas esferas do poder russo.
“Porque é que Medvedev se apressou a apresentar a candidatura de Putin? Porque é que Kudrin se apressou a dizer que não quer participar num governo dirigido por Medvedev? Isso está ligado ao fim do “consenso de Putin” nas altas esferas do poder. Nelas têm lugar combates pela influência no país”, declarou ele à rádio Eco de Moscovo.
P.S. Do ponto de vista da letra da Constituição, Vladimir Putin não viola qualquer norma, mas, do ponto de vista do espírito da Lei Suprema da Rússia, a dança de cadeiras é um retrocesso no desenvolvimento da democracia neste país. O dirigente russo parece daqueles que não sabe abandonar o poder com dignidade. 

sábado, setembro 24, 2011

Oposição reage de forma negativa à recandidatura de Putin ao cargo de Presidente

Praticamente todos os partidos da oposição russa reagiram de forma negativa à decisão de Vladimir Putin se recandidatar a Presidente da Rússia e de Dmitri Medvedev passar para o cargo de primeiro-ministro.
“Nada tem de novo para mim. O dueto é obrigado a manobrar, mas, ao mesmo tempo, qualquer tentativa de o destruir significará a falência total da sua política dos últimos anos”, declarou aos jornalistas Guennadi Ziuganov, presidente do Partido Comunista da Rússia.
“A troca de lugares nada mudará no país”, comentou com sarcasmo o dirigente do segundo maior partido russo depois do Rússia Unida.
“É uma triste notícia. Nos próximos anos é bem possível uma explosão social e Medvedev destruiu a possibilidade de ser o único político importante que está acima da contenda”, considerou Guennadi Gudkov, dirigente do Partido Rússia Justa, o terceiro maior partido russo.
O político liberal Boris Nemtsov, que dirige o Partido da Liberdade Popular, proibido de participar nas eleições, considerou Putin um provocador.
“Putin é simplesmente um provocador. Ele provoca uma revolta do povo russo com a sua eternidade, com a fisionomia coberta de botox, provoca o povo russo a sair para a rua e a agir como agem nos países onde o poder deixa de mudar”, explicou.
“Ele não é Sócrates, nem Espinosa. Ele é cobarde, receia perder tudo, ir para a prisão e, por isso, agarra-se ao poder até ao fim. Pobre Rússia”, concluiu ele.
O líder nacionalista Vladimir Jirinovski também não ficou surpreendido com a decisão do dueto.
“Era de esperar. Ainda bem que finalmente se definiram, porque a indefinição já enervava. Mas para nós, o mais importante são as nossas listas eleitorais, o candidato a Presidente”, comentou o dirigente do Partido Liberal-Democrático.

Dueto Medvedev/Putin decidem eternizar poder a pretexto de continuarem reformas

O XII Congresso do Partido Rússia Unida pôs fim a um “segredo de polichinelo” da política russa: Dmitri Medvedev vai ceder o cargo de Presidente da Rússia a Vladimir Putin e, em troca, passará a ocupar o cargo de primeiro-ministro russo.
Putin declarou que há muito tempo tinha combinado com Medvedev o que cada um irá fazer depois das eleições parlamentares e presidenciais, marcadas, respetivamente, para 04 de dezembro de 2011 e 04 de março de 2012.
O actual primeiro-ministro propôs Medvedev para dirigir as listas eleitorais do partido que, segundo os seus dirigentes, conquistará a maioria dos assentos na Duma Estatal (câmara baixa) do Parlamento da Rússia. Se assim for, Medvedev irá formar o futuro executivo do país.
O actual Presidente, em resposta, considerou que Putin deve regressar ao Kremlin para o substituir.
Segundo uma emenda feita à lei eleitoral, o mandato do Presidente aumentou de quatro para seis anos e o do Parlamento de quatro para cinco anos. Por conseguinte, Putin poderá ficar no Kremlin até 2024. Depois, Medvedev pode recandidatar-se por mais 12 anos, etc.
Tudo isto é feito, como sublinharam Medvedev e Putin, com vista a continuar a “realização das reformas”, a “modernização do país”.
Os partidos da oposição receiam que o Partido Rússia Unida tudo fará para obter a maioria absoluta dos votos na Duma Estatal, nomeadamente recorrendo a falsificações das eleições.
Serguei Mironov, dirigente do Partido Rússia Justa, antigo aliado do Kremlin, promete combater, nas eleições parlamentares de dezembro, “todos os falsificadores e vigaristas que transformam as eleições em farsa”
Na presença de Vladimir Tchurov, presidente da Comissão Eleitoral da Rússia, Ziuganov acusou as autoridades de falsificarem as eleições no país.
“A verdadeira concorrência política na Rússia deve substituir a ditadura do ópio dos médias, dos sacos de dinheiro e dos cassetetes da polícia”, apelou, mas sublinhou que “o regime político actual irá vestir máscaras diferentes, amedrontar os oponentes e roubar votos nas eleições”.

quinta-feira, setembro 22, 2011

Congresso de Rússia Unida poderá não desvendar principal tabu da política interna

Congresso do Partido Rússia Unida, que se realizará na capital russa entre 23 e 25 de setembro, poderá ainda não anunciar qual será o seu candidato às eleições presidenciais de 04 de março de 2012.
“O Congresso irá discutir as listas de deputados nas eleições para a Duma Estatal (câmara baixa do Parlamento)”, declarou Serguei Neverov, secretário do Presidium do Partido Rússia Unida, quando lhe perguntaram se a reunião máxima do maior partido russo iria revelar o nome do seu candidato ao Kremlin.
Durante o congresso, irão discursar os dois mais prováveis candidatos: Vladimir Putin, primeiro-ministro e dirigente do Rússia Unida, e Dmitri Medvedev, Presidente da Rússia.
“Dmitri Medvedev participa tradicionalmente no congresso e manifesta apoio. Nós encontramo-nos com ele e pedimos sempre conselho. Por isso, esperamos ouvir dele algumas direções do trabalho conjunto”, acrescentou Neverov.
Segundo este alto funcionário da Rússia Unida, o congresso irá analisar e aprovar o “Programa Popular”.
“Recebemos um grande número de propostas dos nossos cidadãos, elas visam o desenvolvimento do país em geral e de várias regiões em particular. Elas serão a base do trabalho legislativo”, precisou.
O congresso aprovará também a lista eleitoral de 600 candidatos que foram escolhidos em eleições primárias em que participaram mais de 4700 candidatos. Entre eles estarão também membros da Frente Popular Unida, organização criada por Putin para alargar a base eleitoral da Rússia Unida.
Vladimir Putin deverá encabeçar essa lista.
Quanto à possibilidade de Dmitri Medvedev vir a fazer parte da lista de candidatos, Neverov declarou: “Se ele pretender estar nas listas, claro que iremos analisar com satisfação essa proposta”.
O Congresso irá também renovar a constituição do Presidium e do Conselho Geral da Rússia Unida.

terça-feira, setembro 20, 2011

Sentença de Tribunal Europeu satisfaz quase todas as partes

A Rússia manifestou hoje satisfação pela decisão do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos, que considerou que as autoridades russas não quiseram « deliberadamente » destruir a petrolífera YUKOS, do ex-magnata russo Mikhail Khodorkovski.
O Tribunal Europeu de Direitos Humanos considerou “injustos os processos judiciais contra a petrolífera russa YUKOS, mas “não encontrou política” neles, lê-se na sentença  publicada.
Analisada a queixa do YUKOS, o tribunal considerou que a Rússia violou o artigo 6 da Convenção Europeia de Defesa dos Direitos Humanos: o direito a um julgamento justo.
Os juízes decidiram também que a Rússia violou o artigo 1 do protocolo número 1 (defesa da propriedade) dessa Convenção.
Porém, o Tribunal Europeu de Direitos Humanos considerou que a Rússia não violou o artigo 14 da Convenção Europeia de Defesa dos Direitos Humanos, que proíbe a discriminação, nomeadamente com base em convicções políticas, e o artigo 18 da mesma convenção.
Andrei Fiodorov, representante da Rússia junto desse tribunal, considerou que a decisão foi largamente « a favor da Rússia ».
« O tribunal europeu reconheceu que as reclamações fiscais contra a YUKOS tinham fundamento, rejeitou as acusações sobre os motivos políticos do caso e reconheceu que YUKOS não era uma campanha tão limpa e transparente porque criou sociedades falsas em regiões com regime fiscal preferencial », frisou ele, citado pela Interfax.
O tribunal não tomou decisão sobre o pagamento dos cerca de 70 mil milhões de euros exigidos pela YUKOS à Rússia.
« É possível que o tribunal nos condene a pagar alguma coisa, mas certamente que não será milhares de milhões de euros », concluiu.
Os defensores russos dos direitos humanos aprovam a sentença do tribunal, mas divergem quanto aos motivos políticos do processo.
« Eu e outros meus colegas esperavamos esta sentença… O Tribunal Europeu apoiou não o oligarca, mas o direito dos cidadãos russos a um tribunal independente e justo », considerou Oleg Orlov, dirigente da organização de defesa dos direitos humanos Memorial.
« Nesta situação, o Tribunal Europeu viu-se numa situação muito difícil, porque desde entre a data dos acontecimentos e o momento de apresentação da queixa, o processo transformou-se de económico em político. Em 2001, ele não parecia político, mas depois tramsformou-se nisso no segundo processo », defende Elena Panfilova, conhecida defensora dos direitos humanos.
A pretexto de dívidas fiscais, a YUKOS foi declarada falida em 2006 e vendida à petrolífera pública Rosneft.
O seu antigo patrão, Mikhail Khodorkovski, depito desde 2003, foi condenado, em 2005, por roubo de petróleo e branqueamento de capitais a oito anos de prisão. Um segundo processo fez aumentar a pena para 13 anos.

domingo, setembro 18, 2011

Kremlin não admite qualquer tipo de desvio



O multimilionário russo Mikhail Prokhorov lançou na sexta-feira um apelo aos seus apoiantes para que abandonem o Partido Causa Justa (Causa de Direita), força política por ele dirigida.
“Eu apelo-vos a sair deste projeto de marionetas pró-Kremlin”, declarou ele no congresso por ele convocado.
“Infelizmente, hoje não temos congresso. Participantes desta reunião, o congresso ontem foi falsificado… Hoje não chamamos congresso a isto”, acrescentou ele perante os seus apoiantes.
Segundo ele, “o partido que começa com mentira, não tem direito a olhar para os olhos dos eleitores”.
Prokhorov frisou que o Partido Causa Justa não tem fundamento legal para participar nas eleições parlamentares de 04 de dezembro.
O multimilionário russo acusou Vladislav Surkov, vice-presidente da Administração do Presidente da Rússia, de estar por detrás da tentativa de lhe roubar o partido e prometeu não descansar até que esse funcionário do Kremlin seja demitido.
“Vladislav Surkov é o condutor das marionetas e ,enquanto estiver na política, na Rússia não haberá política”, frisou.

Mikhail Prokhorov, 46 anos é dos homens mais ricos da Rússia. Na Primavera, depois de receber luz verde do Kremlin, ele passou a dirigir o Partido Causa Justa, força política que deveria servir para “roubar terreno” à oposição extra-parlamentar russa.

Porém, os atritos com o Kremlin começaram logo que Prokhorov deu a entender que não iria ser um obediente elo do actual poder.

Fontes da imprensa russa consideram que o Kremlin não ficou contente com o facto de Prokhorov ter incluído nas listas eleitorais do partido político alguns políticos que não gozam da sua confiança. Um deles é Evgueni Riosman , dirigente da organização Cidade sem Drogas, político muito popular pelo combate contra o tráfico de drogas e traficantes.

Um grupo de militantes deste partido reuniu-se noutra sala em Moscovo e destituiu Mikhail Prokhorov do cargo de dirigente da Causa Justa.

Blog do leitor (Alemanha impediu a entrada da Ucrânia na NATO)




Texto traduzido e enviado pelo leitor Jest 

"Ucrânia não foi aceita na NATO por medo da Alemanha de estragar as relações com Rússia, enquanto em 2008 o país estava muito perto de concluir o Plano de Acção para a Adesão (MAP) no âmbito da NATO, escreve o jornal ucraniano KyivPost, citando WikiLeaks.

Como consta nas transcrições publicadas pela WikiLeaks, no início de 2008, a Ucrânia solicitou a adesão à NATO, que logo recebeu o aval e o apoio dos Estados Unidos. A análise do pedido deveria ser feita na cimeira da NATO em Bucareste. Juntamente com Ucrânia, Geórgia também pretendia aderir à NATO. Contra a adesão desses países à NATO se manifestou França e acentuadamente Alemanha, temendo uma reacção negativa da Rússia. No entanto, o acordo tinha sido assinado em Bucareste com o apoio dos restantes países membros da Aliança e assinatura do MAP da Ucrânia e Geórgia foi agendada para o mês de Dezembro. Se mais tarde a França tinha começado duvidar da sua avaliação negativa desta questão, Alemanha continuou teimosamente a insistir em convencer outros países membros da NATO do que a adesão da “terrível”, em termos políticos, Ucrânia apenas aumentará a tensão da Aliança com Rússia e afectará negativamente a condução da missão militar da NATO no Afeganistão. Como resultado, devido aos esforços da Alemanha, na cimeira da NATO em Bruxelas a questão da adesão da Ucrânia à NATO foi, de facto, esquecida, concentrando-se na resolução de problemas de Afeganistão. As informações da WikiLeaks sobre o comportamento da Alemanha na véspera da cimeira da NATO em Bruxelas e a sua oposição à adesão da Ucrânia à NATO provêm da fonte estritamente classificada da NATO.

O resumo dos documentos publicados pela WikiLeaks também mostra que os alemães olham com desprezo a proposta do Medvedev sobre a segurança europeia, mas acreditam que a devem “considerar”, esperando que isso “melhore a atmosfera” das relações com Rússia. Alertando contra o perigo de “colocar Rússia em um canto”, com a concessão do MAP a Ucrânia e Geórgia após a invasão russa da Geórgia em Agosto de 2008, os alemães, ao mesmo tempo expressam-se muito críticos contra as declarações de Medvedev sobre a colocação de mísseis de curto alcance em Kaliningrado.

Fontes:

sexta-feira, setembro 16, 2011

Companhias russa e europeias assinam contrato sobre construção do gasoduto South Stream

A gasífera russa Gazprom, as companhias italiana Eni, francesa EdF e alemã Wuntershall assinaram hoje um acordo para realizar a construção do gasoduto South Stream, que irá ligar a Rússia à Europa através do Mar Negro.
O documento foi assinado no quadro do Fórum Económico de Sochi, cidade do sul da Rússia, e contou com a presença do primeiro-ministro russo Vladimir Putin.
O novo tubo terá uma capacidade de transporte de 15,74 mil milhões de metros cúbicos de metro por ano e deverá estar operacional em 2015.
O Presidente da Ucrânia, Victor Ianukovitch, propôs que esse gasoduto seja construído não pelo fundo do Mar Negro, mas através do território ucraniano, mas Moscovo recusou imediatamente dessa proposta, porque não quer que os seus fornecimentos de gás à Europa estejam dependentes de países transitários.
 O comissário europeu da Energia, Gunther Oettinger, criticou o South Stream, considerando-o uma tentativa de frustrar os planos europeus de construir o chamado gasoduto Corredor do Sul.
Oettinger criticou a utilização do gás como “instrumento político de pressão sobre o Turquemenistão e p Azerbaijão”, acusando Moscovo de fazer pressão sobre esses países para os obrigar a abandonar o projeto.
O Kremlin, por sua vez, acusou a União Europeia de pretender construir um gasoduto através do Cáspio sem o acordo de todos os países ribeirinhos.
P.S. Só não entendo uma coisa: como é que a União Europeia diz ter uma atitude única face aos problemas energéticos, mas empresas europeias de primeira linha participam no projeto South Dream? 

quarta-feira, setembro 14, 2011

Rússia segue com atenção movimentações políticas e sociais no continente

A Europa foi sempre uma das referências de desenvolvimento para a Rússia. Por isso, os problemas económicos, sociais e políticos que ocorrem nos países da União Europeia são acompanhados com atenção no país, até porque, mais tarde ou mais cedo, se podem refletir também nele.
Dmitri Danilov, analista do Instituto da Europa da Academia das Ciências da Rússia, vê a origem da crise no facto de “o modelo europeu de democracia não permitir rapidamente a solução dos problemas acumulados”.
Numerosos analistas russos vêem uma das principais causas da crise europeia no “fracasso do multiculturalismo” e da “política de migração”.
“Os britânicos, tal como, antes, os habitantes de Itália, França e Alemanha viram-se reféns da política do multiculturalismo, realizada desenfreadamente durante décadas. Graças a ela, o país viu-se inundado de migrantes. Não por aqueles que chegaram há muito à Grã-Bretanha em busca de melhor vida e estavam prontos a trabalhar de sol a sol em prol do futuro dos seus filhos. Mas os seus descendentes não souberam singrar na vida, receber instrução, não compreendem porque é que, sendo cidadãos locais, não podem ser tão prósperos como os locais”, considera o analista Evgueni Chestakov.
A crise afeta também os europeus, que procuram novas formas de luta pelos seus direitos.
Segundo Dmitri Danilov, “a população apenas pode exercer influência na situação por via democrática, mas muitos compreendem que isso é extremamente difícil, no mínimo trata-se de uma via muito longa, mas é preciso viver já, resolver rapidamente os problemas”.
“Os atuais protestos são uma forma de chamar a atenção das autoridades para os problemas sociais sérios na Europa”, frisa o analista.
O analista Dmitri Kondrachov não vê nestes processos o “declínio da Europa”, mas o regresso às origens.
“Não, não se trata do declínio da Europa, mas do regresso às fontes da civilização que deu ao mundo as sangrentas cruzadas, guerras religiosas fanáticas, a noite de S.Bartolomeu, a escravidão, a servidão da gleba, o nazismo, o holocausto. A civilização que não tolera nada de diferente e explora cruelmente todos os que não pertencem a ela”, defende.
Outro problema também é a falta de elites políticas competentes, capazes de encarar os desafios apresentados pela situação no continente.
“Para que haja vontade política, é preciso personalidades carismáticas: Churchill, de Gaule. Mas, no atual sistema político no Ocidente não há líderes deles, porque não os cria. O sistema produz managers políticos, muito controláveis, ligados a muitos grupos de interesse”, considera Danilov.

Autoridades prevêem redução da população activa em 10 milhões nos próximos quatro anos

Autoridades prevêem redução da população activa em 10 milhões nos próximos quatro anos. O número de população activa na Rússia sofrerá uma redução de pelo menos 10 milhões de pessoas entre 2011 e 2015, declarou hoje Nikolai Patruchev, secretário do Conselho de Segurança da Rússia.

“As reservas de aumento do nível da atividade económica nas idades jovem e adulta estão praticamente esgotadas. Isso exige novas soluções e medidas para atrair para o nosso país força de trabalho altamente qualificada”, precisou Patruchev, citado pela agência Interfax.

Ele frisou que o país “entra no período mais complicado do ponto de vista da situação demográfica”.

Nikolai Patruchev revelou que, por incumbência do Presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, está a ser elaborada a “conceção da política estatal de migração”.

O alto funcionário russo propõe a criação de “um corpo de engenharia que possa garantir a vinda de quadros qualificados, necessários à economia russa”.

Em junho passado, peritos da Academia das Ciências da Rússia publicaram o relatório “Estado do emprego e do mercado do trabalho na Rússia”, onde calculam que, até 2025, o número de população ocupada na economia diminuirá 12,9 por cento e o número de russos capazes de trabalhar descerá entre 18,5 e 21 por cento.

Nikita Mkrtchian, analista do Instituto de Demografia da Escola Superior de Economia de Moscovo defende que esse processo só pode ser combatido com um forte aumento do número de imigrantes, mas frisa que essa decisão esbarra com dificuldades sérias.

“Pode-se conseguir esses dez milhões à custa da migração laboral temporal. Se no nosso país já se encontram de 3 a 5 milhões de trabalhadores estrangeiros, isso significa que deverão trabalhar 15 milhões, o que é um número gigantesco, difícil de garantir mesmo que se abra completamente as portas”, precisou.

Faleceu pioneira do ensino da língua e literatura portuguesa na URSS

 
Elena Gueorguievna Golubeva, uma das pioneiras do ensino da língua portuguesa e da tradução de obras de português e galego para russo, faleceu hoje aos 81 anos na sua cidade natal, tendo lecionado na Universidade local até ao último dos seus dias.
Nascida em 1930, Elena Golubeva terminou Faculdade de Filologia da Universidade de Leninegrado, na especialidade de línguas portuguesa e galega. Ficou ligada para sempre a essa escola, uma das pioneiras no ensino da língua de Camões na União Soviética, onde lecionou Língua Portuguesa, Literatura dos Países Lusófonos e Teoria e Prática de Tradução.
Entre 1972 e 1995, dirigiu a Cadeira de Filologia Românica da Universidade Estatal de Leninegrado/São Petersburgo.
Golubeva participou na tradução de várias coletâneas de poesia portuguesa para russo, tendo vertido para a língua de Puschkin poetas lusos como Fernando Pessoa e Sofia de Mello Breyner. Além disso, traduziu “Sonetos” de Luís de Camões e “Poesia dos Trovadores. Antologia da Literatura Galega”.
No campo da prosa, Elena Golubeva traduziu escritores tão diversos como o brasileiro Machado de Assis, e os portugueses Alexandre Herculano, José Saramago, Rui Tavares e Gonçalo M. Tavares.
A professora é também autora de compêndios de língua portuguesa para alunos russos.
“Uma mulher muito humilde, discreta, mas de grande sabedoria. Quando eu dava aulas de conversação na Universidade de São Petersburgo, ela vinha ouvir-me para aperfeiçoar o seu português”, recorda João Mendonça, leitor do Instituto Camões em Moscovo, em declarações à Lusa.
“Desapareceu uma das personalidades que mais fez para divulgar o português na Rússia”, concluiu.
Elena Golubeva foi condecorada com a medalha soviética de “Veterano de Trabalho” e a medalha russa “Por ocasião do 300º aniversário de São Petersburgo”, mas não foi agraciada com qualquer ordem de Portugal ou do Brasil.

terça-feira, setembro 13, 2011

Rússia não quer ver União Europeia no Mar Cáspio


A Rússia criticou hoje a decisão do Conselho da União Europeia ter confirmado o mandado da Comissão Europeia para as conversações com Turquemenistão e Azerbaijão com vista à assinatura de um acordo de realização do projeto do Gasoduto Transcaspiano.
“O Ministério dos Negócios da Rússia lamenta a decisão do Conselho da UE. A julgar por tudo, ela foi tomada sem ter em conta a situação jurídica e geopolítica realmente hoje existente na bacia do Cáspio”, considera Alexandre Lukachevitch, porta-voz da diplomacia russa.
Lukachevitch recorda, num comunicado publicado em Moscovo, que “os Estados do “quinteto do Cáspio” (Rússia, Cazaquistão, Turquemenistão, Azerbaijão e Irão) acordaram que todas os problemas na região serão exclusivamente solucionados pelos Estados ribeirinhos. Sem dúvida que entre essas questões estão os planos de construção de um Gasoduto Transcaspiano em águas fechadas e com grande atividade sísmica”.
“Semelhante gasoduto é uma qualidade completamente nova, pela envergadura e riscos potenciais, incomparavelmente maiores do que os necessários quando da extração de recursos minerais no fundo com oleodutos tecnológicos do jazigo até à costa, que existem no Mar Cáspio. Pelo que sabemos, esta é a primeira experiência da União Europeia e ficamos espantados ao saber que haja intenção de o instalar no Cáspio, em cuja costa não há Estados da UE”, justificou Lukachevitch.
Segundo ele, “as tentativas de ingerência externa nos assuntos do Cáspio, tanto mais sobre questões sensíveis para os membros do “quinteto do Cáspio”, são capazes de complicar seriamente a situação nessa região, refletir-se negativamente nas conversações entre os cinco Estados sobre o novo estatuto jurídico do Cáspio”.
“Decisões sobre projetos de tal envergadura devem ser aprovados por todos os Estados do Cáspio”, frisou.
“Esperamos que o Conselho da União Europeia olhe com a devida atenção para a posição da Rússia e dos outros Estados do “quinteto do Cáspio” e se abstenha de ações não acordadas nesse formato”, concluiu o diplomata.
O Gasoduto Transcaspiano deve ser parte integrante do chamado “Corredor do Sul”, projeto da UE com vista a reduzir a dependência europeia dos fornecimentos de gás russo.
Segundo ele, o gás do Turquemenistão será transportado através do Azerbaijão, Geórgia e Turquia para a Europa, através do gasoduto Nabucco.
As autoridades turcomenas calculam poder fornecer à Europa até 40 mil milhões de metros cúbicos de gás por ano.

Convite para Festa da Independência da Ucrânia em Lisboa


segunda-feira, setembro 12, 2011

Pragmatismo económico supera divergências políticas

As abordagens diferentes da Rússia e da Grã-Bretanha face a alguns problemas não deve reflectir-se de forma negativa nas relações entre os dois países, declarou hoje o Presidente russo, Dmitri Medvedev, depois de um encontro com David Cameron, primeiro-ministro britânico.
“Partimos do princípio de que entre os nossos países há muita coisa comum e muito mais o que nos une do que nos dividiu ou divide”, frisou ele numa conferência de imprensa no Kremlin.
Segundo Medvedev, “mesmo que as nossas abordagens face a esta ou àquela questão nem sempre coincidam, isso não é motivo para dramatismo. O principal é não permitir que isso se manifeste de forma negativa em todo o leque das nossas relações”.
A situação na Síria é um dos motivos de divergência entre os dois países.
“A parte russa considera que, em relação à Síria, é necessário aprovar uma resolução que seja dura, mas, ao mesmo tempo, equilibrada e dirigida aos dois participantes do conflito, tanto às autoridades dirigidas por Bashar Assad, como à oposição. Só nesse caso a resolução pode ter êxito”, defendeu Medvedev.
“Não vemos futuro para o Presidente Assad e o seu regime na Síria. Penso que eles perderam a sua legitimidade e devem renunciar ao poder”, respondeu Cameron.
Dmitri Medevedev defendeu o reatamento do trabalho conjunto dos serviços de segurança russos e britânicos, congelado depois da morte de Alexandre Litvinenko, antigo agente do Serviço Federal de Segurança (FSB/KGB), em Londres. As autoridades britânicas consideram que os serviços secretos russos estão por detrás dessa morte.
Antes da conferência de imprensa, Medvedev  e Cameron assinaram a declaração “Parceria na base dos conhecimentos para a modernização”.
“As partes consideram que a cooperação no campo do desenvolvimento inovador, a criação de tecnologias de ponta, amigas do meio ambiente e que contribuem para o melhoramento da qualidade de vida das pessoas e para a realização do seu potencial criador, são parte inseparável da modernização”, lê-se no documento.
A Rússia e a Grã-Bretanha prometem desenvolver esforços para melhorar o clima no campo do comércio e dos investimentos.
Representantes russos e britânicos assinaram outros documentos no campo das relações económicas bilaterais, tendo Londres prometido apoio com vista a fazer de Moscovo um centro financeiro internacional.

Militares russos preparados para “piores dos cenários” no país depois das revoluções em África

As revoluções na Tunísia, Egito e Líbia mostram que as forças armadas russas devem estar prontas para os piores dos cenários de desenvolvimento da situação política na Rússia, declarou hoje o chefe do Estado Maior das Forças Armadas da Rússia.

“A situação no mundo é complicada, muda de forma rápida, principalmente na África do Norte e no Médio Oriente. Era difícil prever o que aconteceu numa série de países dessa região, os acontecimentos aí desenvolveram-se com uma velocidade enorme”, acrescentou o general Nikolai Makarov, numa conferência de imprensa.

Segundo ele, “hoje ninguém pode dizer o que se irá passar aí. Trata-se de um sinal para todos os Estados”.

“Nós, militares, devemos estar prontos para os piores dos cenários”, concluiu.

Rússia irá apoiar adesão da Palestina à ONU

A Rússia irá apoiar a adesão da Palestina à ONU, declarou hoje Vitali Tchurkin, embaixador russo nas Nações Unidas, numa entrevista ao canal televisivo Rossia-24.
« Claro que iremos votar a favor de qualquer uma das propostas dos palestinianos, mas devo dizer que nós não os empurramos a agir assim. Nós dissemos que os apoiaremos no que decidirem. Trata-se de uma questão da estratégia política e diplomática deles, eles decidem sozinhos se querem aderir à ONU », acrescentou.
O diplomata russo frisou que essa será « uma das intrigas mais interessantes da 66ª Sessão da Assembleia Geral da ONU, que deverá começar a 21 de setembro.
Segundo Tchurkin, a Palestina pode utilizar duas vias para conseguir a sua independência.
« A primeira via é apresentar o pedido de adesão à ONU. Aqui, o candidato tem de ter a respetiva recomendação do Conselho de Segurança », explicou.  
« Mas aqui a principal dificuldade reside em que os Estados Unidos não escondem que empregarão o direito de veto a essa resolução », precisou.
« Além disso, alguns países membros do CS, que ainda não reconheceram a Palestina, podem abster-se na votação », acrescentou.
Vitali Tchurkin recordou que « no que respeita à Rússia, não temos qualquer problema porque reconhecemos a Palestina em 1968 ».
A segunda possibilidade, segundo ele, consiste na aprovação pela Assembleia Geral da ONU uma resolução sobre o aumento do estatuto da Palestina nas Nações Unidas.
« Hoje, a Palestina é observadora na ONU, mas enquanto formação. Há a possibilidade de conseguir o estatuto de observadora como Estado que não é membro da ONU », assinalou.
« Semelhante desenvolvimento é bem possível e, caso a Palestina consiga esse estatuto, terá a possibilidade de aderir a uma série de importantes institutos internacionais, organizar de forma completamente as suas relações com o FMI e o Banco Mundial », frisou.
« Para que a Palestina percorra com êxito essa vida, ela precisa de receber 129 votos, ou seja, conseguir o apoio de 2/3 dos membros da Assembleia Geral. Hoje, 125 países reconheceram a Palestina e há mais países que simpatizam com ela », concluiu o representante russo.

Blog do leitor (Desporto, jeans e comunismo)


Texto enviado pelo leitor Jest:
 
"Tal como Alemanha nazi, os diversos regimes comunistas desde sempre usaram o desporto para provar alegada superioridade da sua ideologia frente a democracia ocidental. Apesar do enorme volume de informação sobre o assunto, ainda hoje é possível encontrar no Ocidente os ingénuos que creiam que os atletas vindos atrás da Cortina de Ferro superavam os seus companheiros ocidentais apenas por causa do “amor à camisola” ou coisas do género...


Após a II G.M., quando os países socialistas se engajaram no movimento olímpico, os respectivos governos começaram usar os atletas como a prova viva do que o desporto socialista é superior aos seus congéneres capitalistas. Este, por sua vez, era constantemente descrito na propaganda comunista como “inundo de doping e droga”, acusado de exigir os “resultados a qualquer custo”, na base da “concorrência capitalista desumana”.

A primeira vantagem dos países socialistas residia no facto do que os seus atletas eram profissionais, competindo com os amadores ocidentais. (O bardo soviético Vladimir Vysotsky, na sua canção “Profissionais” dizia que os profissionais canadianos recebem “grandessíssimos milhares”, mesmo “pela derrota, mesmo pelo empate” e “os nossos rapazes recebem o mesmo salário”). Além disso, cada país socialista criava as suas próprias técnicas para superar o adversário ideológico. Por exemplo, RDA possuía as instalações onde os atletas treinavam no ambiente de pressão atmosférica superior à normal, treino que proporcionava as vantagens em comparação com os atletas que não possuíam este tipo de preparação.

O apoio que URSS dava aos seus atletas de alta competição era menos tecnológico, talvez porque a alta tecnologia soviética teve apenas duas prioridades: a defesa e o cosmos. Os atletas soviéticos de alta competição eram afectos às Sociedades Desportivas Voluntárias (DSO), tais como Lokomotiv (Caminhos de Ferro), Metallurg (indústria metalúrgica), Avangard (movimento sindical da Ucrânia), Dynamo (Ministério do Interior) ou CSKA/SKA (exército). Nestas sociedades os atletas eram registados como operários, trabalhadores ou funcionários, embora vinham às unidades onde alegadamente trabalhavam apenas nos dias em que lá iam receber o seu salário.

Por outro lado, os subsídios que os desportistas soviéticos recebiam do estado eram absolutamente ridículos, comparados com os valores auferidos pelos seus companheiros ocidentais. Por exemplo, o medalha europeu de prata de um desporto individual, recebia no início dos anos 1980, a quantia de 95 copeque por hora, que somava 7,60 rublos por dia e 228 rublos por mês (menos impostos). Ao câmbio oficial daquela época este valor equivalia aos cerca de 380 USD (com limite de 200 USD por pessoa por cada viagem ao estrangeiro, salvo seja). No entanto, no mercado paralelo, este mesmo valor dava para comprar uns 114 USD (ao câmbio livre dos especuladores). A título de exemplo, o salário mínimo soviético na mesma época era de 70 rublos, uma bicicleta custava entre 70 à 100 rublos, um carro entre 3.500 (Oka VAZ-1111) à 10.000 (Volga GAZ-24) rublos.

No entanto, o desporto era uma das poucas maneiras legais que o cidadão soviético tinha para viajar pelo mundo e até de fazer algum negócio lucrativo. As pessoas competiam, lutavam, ganhavam os torneios e até conseguiam trazer do estrangeiro os produtos do dito “consumo popular”, em grande procura no país do socialismo triunfante. Um dos itens muito desejados era a simples calça jeans, de preferência Lee, Lewis ou Wrangler (na URSS não se conheciam outras marcas). Um par destas jeans, se forem genuínas, ou como se dizia de “firmá” custava 100 rublos e era vendido em um instante. Os desportistas mais instruídos traziam do Ocidente apenas as peças que componham os jeans: fecho ziper, os botões, a linha amarela e mais importante a aplicação rectangular de cabedal cozida atrás na cintura que continha as letras mágicas: Lee, Lewis ou Wrangler. Só os jeans com estas aplicações eram consideradas “firmá” e como tal, eram muito valorizados pelos alfaiates que se dedicavam à fabricação dos jeans “genuínos”.

Outro item de roupa trazido do estrangeiro, muito apreciado e copiado na URSS nos anos 1970-1980 eram os casacos “Montana”. Tinham a cor preta ou mais raramente azul escura, feitas de nylon, possuíam dois fechos ziper de dentes grossos nos bolsos e a inscrição branca “Montana” por cima do coração. Já nos anos 1980-1990 “Montana” foi destronado pelo casaco “Alasca” (Snorkel Parka N3B) e na década de 1990 o mercado e o coração das pessoas foi ganho pelos casacos de penugem chineses.

Entre outros itens que os desportistas traziam do Ocidente se podem mencionar os aparelhos de rádio (os que tinham ondas curtas deveriam ser registados na polícia por causa da possibilidade de seus proprietários escutarem “vozes”). Este eufemismo soviético designava as estações de rádio estrangeiras, entendia-se “do inimigo”, que emitiam para o território da URSS as notícias e mais diversos programas em russo, ucraniano e em algumas outras línguas faladas no país. Faziam parte do grupo as estações tão diversas como “Voz de Pequim”, “Rádio Vaticano”, BBC, “Voz da América”, “Deutsche Welle” ou “Rádio Liberdade”. Todas estas rádios viam periodicamente as suas emissões interrompidas pelas interferências emitidas de propósito por estações soviéticas especiais. A BBC ou “Voz de América” eram menos interrompidas (por serem mais conservadoras e menos incómodas), já a “Rádio Liberdade” era o alvo preferencial das interrupções, chamadas popularmente de “abafadores”.

Outro artigo cultural muito procurado e de fácil revenda eram os discos de vinil, principalmente dos ABBA ou Bonney M. Ambos os grupos eram tolerados pelas autoridades soviéticas e como tal, os seus discos podiam entrar na URSS de forma legal. Por vezes, dentro daqueles envelopes de cartolina entrava na União Soviética a música “subversiva”, Julio Iglesias aqui, Scorpions ali, mas isso é uma outra história.

Também vale a pena recordar, que praticamente até aos últimos dias da sua existência, na URSS o maior crime que o cidadão poderia cometer não era o assassinato, nem o estupro, nem o roubo de grandes proporções. Um dos maiores crimes era a fuga para o estrangeiro, ou mesmo a tentativa de fuga, ou até a sugestão de fuga, se calhar até o pensamento. Por isso, nas suas deslocações ao estrangeiro, mesmo se for para os países socialistas, os atletas soviéticos eram “aconselhados” pelas vigias do KGB (cada grupo de viajantes tinha um, chamado “mamka” ou seja mamãe, sem contar com os habituais delatores de costume) a não se deslocar para lado algum sozinho, mas de preferência em grupos de 3 – 5 pessoas. (No seu conto “Um dia de Ivan Denisovitch”, Alexander Soljenitsin descreve uma prática semelhante instalada nos campos de concentração soviéticos, onde os prisioneiros eram fortemente “desencorajados” de andarem sozinhos, apenas em grupo, mesmo se for para o posto médico ou para as retretes). Houve tempo, quando os atletas e outros viajantes soviéticos andavam literalmente de mãos dados, se A quiser fugir, os B, C e D o poderiam agarrar e vice-versa. Na época de Brejnev, quando as pessoas perderam a fé comunista completamente e apenas diziam publicamente aquilo que gozavam em privado, os costumes já eram mais “liberais”. No entanto, lembro me de um caso curioso dos finais dos anos 1970, quando na Alemanha Federal, um jovem – desportista levou todo o grupo onde estava inserido para um banco para tentar trocar os seus rublos pelo marco alemão (a lei cambial soviética proibia levar mais que 30 rublos para estrangeiro). Estado soviético imponha aos viajantes um limite cambial muito baixo, os atletas recebiam diariamente apenas 15, no máximo 20 dólares americanos e tinham que fazer uma complicadíssima ginástica mental para poupar os últimos centavos para comprar algo para a revenda, sem esquecer as prendas para família, treinador, colegas e claro, para os responsáveis do comité olímpico (e/ou da federação), que não se opuseram à sua viagem ao estrangeiro...

Enfim, o banco alemão não quis trocar a “moeda mais estável do mundo” e o jovem – atleta foi sancionado após voltar a URSS, apesar dos bons resultados desportivos, durante as próximas duas décadas ele se tornou “não saído”, ou seja proibido de sair ao estrangeiro. Nestas andanças de proteger a “moral soviética”, KGB sempre optava pelo seguro, pois hoje a pessoa quer trocar os rublos e amanha quiçá trocar a pátria e não pode ser, pois claro...

Bónus

Para antecipar as possíveis e esperadas acusações de “anticomunismo selvagem” e outros –ismos menos simpáticos, gostaria de mencionar os seguintes elementos que me permitem afirmar, que fuga para estrangeiro era um dos crimes mais horrorosos, que um cidadão soviético poderia cometer contra a mãe – pátria (horizonte temporal 1953 – 1989/90). Qualquer outro crime cometido significava apenas (quase sempre) o castigo para o seu autor. Como se dizia em uma comédia soviética: “roubou, bebeu, cadeia...” A família não era sancionada pelos crimes dos seus familiares ou parentes. Por exemplo, o Estado soviético protegia os familiares directos dos assassinos em série, mudando-lhes as identidades e domicílios, etc. Já no caso de uma fuga para estrangeiro a mão do Estado era bem mais pesada, os familiares e até colegas do “traidor” poderiam perder o emprego, perdiam regalias e/ou promoções, quase automaticamente também se tornavam “não saídos”, entre outras coisas. E é tudo por hoje, companheiros, camaradas e amigos, boas leituras!"