sábado, julho 30, 2011

Blod do leitor ("O camarada Ozzy Osbourne")

 
Texto enviado pelo leitor Jest:

"Estas memórias são o meu contributo ao 20° aniversário do desmantelamento da União Soviética.

Era um tempo posterior ao início da Perestroica, mas os professores da escola ainda chateavam os rapazes por causa do cabelo comprido ou as meninas por causa do verniz nas unhas ou da maquilhagem “excessiva”.

Um dia estávamos no nosso habitual “deboche” estudantil, chateando a professora, uma querida com quem me relaciono ainda hoje, quando apareceu a Chefe do Departamento do Ensino, posto conhecido pela sigla de “ZavUCh”. Zavuch era uma figura respeitada pelos alunos, pois tinha o poder real de expulsar o estudante da escola e se o aluno não era um marginal que sonhava com este “castigo” (e não era o nosso caso), ele temia contraria-la. Na maioria dos casos zavuch era uma professora quarentona ou cinquentona, autoritária, com voz sonante e muita energia.

A zavuch que, salvo erro leccionava física, imediatamente “partiu por cima” do rapaz que era o líder não oficial da nossa turma. Com boas notas, mas também bastante malandro, era filho e neto do pessoal ligado ao cinema ucraniano. No casaco do seu fardamento escolar, de cor castanha suja (odiávamos aquele fardamento), estavam dois distintivos metálicos: um tinha a cara do Vladimir Ulyanov e outro do Ozzy Osbourne.

— O que é isso?!! – perguntava zavuch no tom medianamente ameaçador.
Isso é o camarada Vladimir Ilyich Lenine, o fundador do partido comunista da União Soviética, dizia o rapaz pausadamente. (Pausa). E isso é o camarada Ozzy Osbourne, o fundador do partido comunista do Reino Unido.

Zavuch não fez nenhuma outra pergunta...

Sensivelmente no mesmo ano tínhamos chegado à idade de treze anos e picos, a idade em que o jovem cidadão soviético passava da condição de pioneiro (“Pioneiro é o exemplo para todas as crianças!” como dizia o slogan), para a condição do membro da juventude comunista, o Komsomol. Vivíamos na época em que já quase ninguém acreditava nos discursos pronunciados publicamente, por isso a chefe do Komsomol de escola, responsável pelo “recrutamento”, não perdia o tempo com as ideologias.

— Sabem, ser membro do Komsomol vai vós ajudar na entrada da Universidade, pois apenas nos poderemos vós emitir a característica escrita. Sabem, não vale a pena resistir a minha proposta, pois de qualquer maneira, no exército todos os rapazes serão forçados a entrar na organização...

E por ai fora, pois se ela não conseguiria nós convencer, não progrediria na sua carreira no PCUS, não iria para os seminários fora da nossa cidade, não faria as visitas aos camaradas dos países socialistas e nunca passaria da carreira medíocre de burocrata no  departamento de educação local. Como eu era jovem e inconformista, naquela tarde fiz um pequeno show da retórica anti-comunista que resultou no facto do que na nossa turma de uns 26 alunos, Komsomol consegui alistar apenas uma única menina. Em termos de comparação, na turma paralela onde a maioria dos alunos eram “betinhos”, a mesma moça “recrutou” 17 alminhas...

Uns anos antes, uma outra zavuch, a professora da história e militante do PCUS, que aparentava ter a fé mais ou menos genuína nas ideias comunistas, decidiu “desmistificar” o breakdance. Dado que ninguém na nossa escola dançava essa dança “decadente” acho que agiu simplesmente em conformidade com alguma directiva ideológica do comité do PCUS da cidade ou mesmo do comité republicano.

— Sabem, vocês devem pensar que breakdance vem do Ocidente, mas isso não é verdade. Na realidade, a dança vem da África, dos povos primitivos que habitam lá. Por isso vão pensando que dançando break vocês se aproximam ao Ocidente, aos valores superiores, muito pelo contrário, vocês se assemelham aos primatas, que fazem este tipo de movimentos primários...

Não éramos os putos particularmente politicamente correctos, mas também não éramos xenófobos, gostávamos da Boney M e escutávamos as canções do Michael Jackson. Mesmo sem saber ainda que a sua “moon walk” não era uma espécie do breakdance. Lembro que fiquei perplexo, pois durante uma década da minha vida escolar aprendia que o PCUS é a vanguarda da humanidade e URSS é o território livre de racismo e da discriminação racial. E de repente uma proeminente representante do PCUS opta por um discurso claramente vexatório e pejorativo. E porque? Eu francamente não sabia, nem imaginava onde naquele exacto momento andava a tão propalada “amizade dos povos”..."

sexta-feira, julho 29, 2011

Autoridades polacas dividem responsabilidades na queda do avião que vitimou o Presidente do país

 A comissão de investigação polaca das causas da queda do avião do Presidente da Polónia, Lech Kaczynski, atribui responsabilidades na tragédia tanto aos pilotos polacos, como aos controladores aéreos russos.
Porém, ela sublinha, num relatório hoje publicado, que “as principais causas da catástrofe deveram-se à parte polaca”.
O Tupolev 154 M despenhou-se nos arredores da cidade de Smolensk, a oeste de Moscovo, a 10 de abril de 2010. A queda do aparelho provocou a morte do Presidente Kaczynski, bem como 96 tripulantes e passageiros, entre os quais se encontravam numerosos altos funcionários polacos.
A comissão considerou que o controlador aéreo russo, que se encontrava no num aeródromo militar de Smolensk, “deu ordens erradas à tripulação”.
Por isso, acrescentam os membros da comissão, “não foi possível entrar automaticamente na segunda tentativa de aterragem”.
Além disso, ela concluiu que o aeródromo “não estava preparado para receber vasos aéreos com segurança”.
Por exemplo, o sistema de iluminação do aeródromo era “insatisfatório”.
Porém, a comissão reconheceu também que os pilotos polacos não estavam bem preparados para conduzir o aparelho.
Os pilotos “não reagiram ao sinal do sistema de aproximação perigosa do solo, nomeadamente aos avisos do tipo “PULL UP”, emitido pelo TAWS”, lê-se no documento divulgado.
Segundo ela, “o trabalho da tripulação foi caótico, nele intrometeram-se terceiras pessoas que entraram na cabine, o comandante, que pilotava o aparelho, estava sobrecarregado com comunicações via rádio”.
No entanto, a comissão sublinha que “a tripulação não foi sujeita a pressões para aterrar”.
“Os erros na preparação dos pilotos, o nível da sua preparação criavam ameaça à realização de voos. O controlo do seu treino foi insuficiente”, sublinha a comissão.
Ela considera também que foi um erro a escola especial de pilotos polacos ter renunciado aos “navegadores russos”, que dominam a língua russa.
Segundo os membros da comissão, “os aparelhos funcionavam normalmente”.
O relatório da comissão de investigação, que contém 328 páginas, foi elaborado sob a direção de Eji Miller, ministro do Interior da Polónia, e recebeu o apoio de todos os 34 membros.
O Comité de Aviação da Rússia já prometeu responder a este relatório. Em declarações antes feitas, dirigentes desse comité lançaram para cima dos pilotos polacos as responsabilidades pela queda do avião.

quinta-feira, julho 28, 2011

Emancipação da mulher na União Soviética




Estou a ler uma recente edição da “História da Rússia: 1894-2007 e deparei com o seguinte documento, no mínimo curioso.

Decreto do Soviete Distrital de Saratov dos Comissários do Povo sobre a abolição da propriedade privada das mulheres

O casamento legal, que tinha lugar até recentemente, é, sem dúvida, um produto da desigualdade social que deve ser completamente arrancado na República Soviética. Até agora, os casamentos legais eram uma arma séria nas mãos da burguesia na luta contra o proletariado, graças aos quais todos os melhores exemplares do sexo maravilhoso eram propriedade dos burgueses, dos imperialistas, e semelhante propriedade não podia deixar de ser uma violação da continuação correcta do género humano. Por isso, o Soviete Distrital de Saratov dos Comissários do Povo, com a aprovação do comité executivo do Conselho Regional de Deputados dos Trabalhadores, Camponeses e Soldados, decretou:
1. A partir de 1 de Janeiro de 1918 é abolida a posse constante das mulheres entre os 17 e os 32 anos…
3. Os anteriores proprietários (maridos) conservam o direito de utilização extraordinária da sua esposa…
4. Todas as mulheres abrangidas por este decreto deixam de ser propriedade privada e são propriedade de toda a classe trabalhadora.
5. A distribuição das mulheres retiradas é da competência do Conselho de Deputados de Operários, Soldados e Camponeses…
8. Cada homem que deseje utilizar um exemplar do património popular deve apresentar uma declaração sobre a sua pertença à classe trabalhadora, passada pelo comité operário da fábrica ou pelo sindicato…” (Za prava tcheloveka”. M., 1999. Nº45, pág.8).

Diplomacia russa promete não deixar sem resposta restrições de viagem impostas a 60 funcionários russos pelos EUA

A Rússia não deixará sem resposta as restrições de viagem a 60 funcionários russos suspeitos de envolvimento na prisão e morte de Serguei Magnitski, advogado russo do fundo de investimentos norte-americano Hermitage Capital Management, anunciou o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia.
“A parte americana conhece bem as medidas tomadas pelas autoridades russas para a investigação completa e multilateral da tragédia ocorrida com Magnitski. Sendo assim, os jogos políticos em que o poder executivo dos Estados Unidos se parece envolver provocam perplexidade e preocupação”, lê-se num comunicado da diplomacia russa.
“Não se pode deixar de ver que semelhantes ações são capazes de irritar seriamente as relações russo-americanas, de prejudicar os esforços de reforço da confiança e da interação construtiva no diálogo bilateral”, acrescenta o MNE da Rússia.
Segundo este, “a parte russa não deixará sem resposta semelhantes passos adversários e tomará as medidas adequadas que defenderão a soberania do nosso país e os direitos dos cidadãos de ações injustificadas de Estados estrangeiros.
O Governo norte-americano impôs hoje restrições de viagem a 60 funcionários russos suspeitos de envolvimento na prisão e morte de um advogado da Rússia com ligações aos Estados Unidos.
Serguei Magnitski morreu em 2009, depois de ter passado quase um ano encarcerado e quando aguardava julgamento, sob a acusação de evasão fiscal relacionada com a atividade profissional que mantinha com um investidor norte-americano, que tinha sido banido na Rússia por constituir alegado risco para a segurança do país.
Organizações de defesa de direitos humanos russas e internacionais consideram que ele foi assassinado por ter denunciado esquemas de branqueamento de capitais por altos funcionários russos.
A decisão do Governo dos Estados Unidos surge depois de várias deputados norte-americanos terem feito pressão no sentido da adoção de uma nova legislação que restringisse as viagens e congelasse os bens dos 60 russos que acreditam estarem envolvidos na execução de Serguei Magnitski.
P.S. Este pode ser mais um sinal da deterioração das relações russo-americanas, que se vem juntar às sérias divergências quanto à criação de um escudo anti-míssil europeu. Moscovo ameaça com uma nova corrida aos armamentos caso não participe na criação e gestão desse escudo. Além disso, a imprensa norte-americana de hoje publica um relatório da CIA que acusa os serviços secretos militares russos (GRU) de estarem por detrás de um atentado terrorista contra a embaixada norte-americana na Geórgia. 

quarta-feira, julho 27, 2011

Dmitri Medvedev deve tomar iniciativa para arrancar país do pântano – analistas


Dois dirigentes do Instituto de Desenvolvimento Moderno, patrocinado pelo Presidente da Rússia, consideram que o país está mergulhado num pântano e só será daí retirado se Dmitri Medvedev chamar a si a responsabilidade política pelo destino da Rússia e recandidatar-se ao Kremlin em 2012.
Num artigo publicado hoje no diário económico Vedomosti, Igor Iurguens e Evgueni Gontmakher consideram ter chegado a hora de Medvedev revelar se vai recandidatar-se ao cargo de Presidente da Rússia nas eleições de 4 de março de 2012.
Caso contrário, prevêem uma “catástrofe económica, social e política, mascarada de estabilização” e “a degradação em todas as áreas”.
Segundo Iurguens e Gontmakher, empresário e economista respetivamente, se o primeiro-ministro Vladimir Putin ou outro homem da sua equipa substituírem Medvedev no Kremlin, as bolsas de capitais na Rússia ruirão, aumentará bruscamente a fuga de capitais e de cérebros para o estrangeiros, terão lugar manifestações de insatisfeitos que poderão adquirir “caráter extremista”.
Os analistas do Instituto de Desenvolvimento Moderno receiam que a assistência médica e o sistema de educação deixem de ser grátis, as reformas diminuem e o regime político endureça e “se torne completamente marginal como na Bielorrússia”.
O artigo é publicado numa altura em que Vladimir Putin, primeiro-ministro russo, desenvolve uma ativa campanha eleitoral com a criação da Frente Popular Unida, enquanto que Medvedev se transforma cada vez mais numa figura periférica.
“Até as mais elementares ações de Dmitri Medvedev com vista à modernização são não só deturpadas, mas também sabotadas” por parte do primeiro-ministro, frisam eles.
Os analistas acrescentam que a sabotagem tem lugar em campos como combate à corrupção, clima de investimentos e política externa.
“O nosso sistema político está organizado de tal forma que perante nós não se coloca a escolha entre dirigentes com diferentes programas de modernização, mas entre duas políticas fortemente personificadas: ou a “estabilização” como sinónimo de estagnação, de degradação, de catástrofe nacional inevitável, ou a modernização como projeto muito arriscado, mas por enquanto viável”, justiçam eles a necessidade da recandidatura de Medvedev.
Caso avance, Medvedev deve estabelecer com a sociedade um “diálogo de iguais e incómodo”.
“Aqui é necessário a descentralização do Estado e a garantia da liberdade real dos órgãos de informação, liberalização radical do sistema de formação de partidos e organizações não governamentais, etc.”, recomendam.

terça-feira, julho 26, 2011

Organização juvenil pró-Kremlin demarca-se das declarações de Breivik

O movimento juvenil pró-Kremlin “Nachi” (Nossos) considerou as declarações de Anders Behring Breivik “loucura” e “ideias fascistas”.
A organização juvenil Nachi foi criada em 2005 na Administração do Presidente da Rússia e é liderada por Vassili Iakemenko, dirigente da Agência Federal (Ministério) da Juventude.
O Nachi reagiu assim ao manifesto publicado pelo norueguês que admitiu ter sido o autor do massacre que fez 93 mortos.
Nesse documento, Breivik , ao justificar a necessidade de educação “conservadora” e “patriótica” da juventude, cita como exemplo a seguir a organização juvenil russa, que tem apoio ao mais alto nível.
“A opinião de Anders Breivik, independentemente do tema, não passa da opinião de um louco. Ele teve como objetivo destabilizar a situação na Noruega e chamar a atenção para ideias fascistas. O movimento Nachi é conhecido pela sua luta firme contra o fascismo e não consideramos dever reagir a declarações de psicopatas e fascistas”, declarou Kristina Potuptchiv, porta-voz dessa organização russa.
Beivik recorreu também à Rússia como exemplo de organização política ideal.
“A democracia não funcional na Europa deve ser substituída por uma forma dirigida de democracia, semelhante à russa”, escreveu, acrescentando que “Putin deixa a impressão de ser um dirigente justo e decidido, digno de respeito”.
Porém, segundo ele, “é difícil analisar Putin” e, por conseguinte, “não é claro se ele é para nós potencialmente o melhor amigo ou o pior dos inimigos”.
Dmitri Peskov, porto-voz de Vladimir Putin, apelou a não tomar “conclusões precipitadas” enquanto não se provar que o documento foi escrito por Breivik.
“O terrorista é uma criação do inferno e tudo o que escreveu pode ser considerado delírio de um louco”, declarou Peskov ao jornal Kommersant.

segunda-feira, julho 25, 2011

Ministro russo considera que multiculturalismo conduz a beco sem saída


A política do multiculturalismo, que se tornou uma das causas do atentado terrorista na Noruega, não tem futuro, nomeadamente na Rússia, considera Konstantin Romodanovski, diretor do Serviço russo de Emigração.
“O multiculturalismo é o estímulo das diferenças. Se se estimular as diferenças, isso conduzirá a um beco sem saída”, declarou ele à agência Interfax.
Por outro lado, ele assinalou que “as danças, canções, cultura, experiência e história nacionais devem continuar”.
“Mas, na sociedade, as pessoas devem comportar-se de forma compreensível para os outros, e não ser um elemento de irritação, orientar-se por abordagens e princípios únicos, viver segundo regras únicas”, sublinha Romodanovski.
“A política da integração é outra coisa, devemos diluir as diferenças”, acrescentou.
Romadonovski defende que os imigrantes que querem trabalhar na Rússia devem ser escolhidos segundo critérios como idade, nível de instrução, preparação profissional e capacidade de adaptação.
O problema do multiculturalismo, cuja discussão foi incentivada pelos acontecimentos na Noruega, é muito atual na Rússia, país onde vivem mais de cem povos e que acolhe milhões de emigrantes dos países da antiga União Soviética.

sexta-feira, julho 22, 2011

Fotógrafos acusados de espionagem na Geórgia foram condenados a penas com execução suspensa

Um tribunal da capital georgiana condenou hoje a penas de prisão com execução suspensa quatro fotógrafos que tinham sido acusados de trabalhar para os serviços secretos militares russos (GRU).
Zurab Kurktsilidzé, correspondente da Agência Europeia EPA, foi condenado a três anos de prisão com execução suspensa, Irakli Guedenidzé (fotógrafo do Presidente Saakachvili), Gueorgui Abdaladzé (fotógrafo do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Geórgia), foram condenados a quatro anos de prisão com execução suspensa e Natia Guedenidzé, esposa de Irakli, a dois anos de prisão com execução suspensa.
A Procuradoria Geral da Geórgia declarou que ficou provado que os fotógrafos trabalhavam para os serviços secretos russos, sublinhando que eles “reconheceram isso”.
Ela publicou hoje no seu “site” uma declaração em que se afirma que a Procuradoria pediu ao tribunal que reconhecesse um “acordo processual com os culpados”.
Segundo a Procuradoria, “durante a investigação, os acusados, na presença de advogados, revelaram informação que tem particular importância para a segurança da Geórgia”.
Por isso, os procuradores não pediram penas de prisão efetiva para os alegados espiões.

Os serviços de contra-espionagem georgianos detiveram, durante a noite de 06 para 07 de julho, quatro fotógrafos, entre os quais estava o fotógrafo pessoal do Presidente da Geórgia, Mikhail Saakachvili.
Zurab Kurktsilidzé, correspondente da Agência Europeia EPA, Irakli Guedenidzé (fotógrafo do Presidente Saakachvili), Natia Guedenidzé, esposa de Irakli, e Gueorgui Abdaladzé (fotógrafo do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Geórgia), foram acusados de espionagem “a favor de um país estrangeiro”, informou o Ministério do Interior.
As organizações de defesa dos direitos humanos acusaram as autoridades georgianas de “mania de espionagem”, exigindo a libertação dos fotógrafos.

quinta-feira, julho 21, 2011

Eleições presidenciais na Rússia marcadas para 04 de Março de 2012

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As eleições do Presidente da Rússia irão realizar-se a 04 de março de 2012 devido à transferência do dia feriado de domingo, 11 de março, para sexta-feira, 09, anunciou Maia Grichina, membro da Comissão Eleitoral Central da Rússia.
“Será nesse dia”, declaração Grichina à agência Ria-Novosti quando lhe foi perguntado se as eleições irão ser a 04 de março devido à transferência do dia feriado.
Segundo o decreto do Governo da Rússia, em 2012, o dia feriado de domingo, 11 de março, é transferido para sexta-feira, 09, com vista à “utilização racional pelos trabalhadores dos dias feriados e de festa”.
O grande tabu dessas eleições consiste em saber se Dmitri Medvedev se vai recandidatar ao cargo de Presidente ou se será substituído por Vladimir Putin, atual primeiro-ministro russo.

Entrevista ao jornal Slovo a propósito do meu novo livro

Para os meus leitores que falam russo, aqui fica a minha entrevista ao  "Slovo", 

jornal em língua russa publicado em Portugal.

 

«Сага о португальцах в России»

20.07.2011 20:29
«Сага о
 португальцах в России»
Историк, писатель, переводчик и журналист Жозе Мильязеш живет в Москве. Он окончил исторический факультет МГУ и его специальность - история России. Изучая связи России и Португалии, занимался исследованиями в архивах библиотек Москвы, Воронежа, Иркутска, Петербурга, результатом чего стало множество научных статей.
Активно печатается в различных зарубежных и российских СМИ: BBC (Великобритания), RЗdio France Internacionale (Франция), Радио Свобода (США), “Эхо Москвы” (Россия). Восьмого августа 1989 г. он пишет первый репортаж для португальского радио TSF, а в следующем году с запуском газеты PЬblico становится ее корреспондентом в Москве.
Во время визита по приглашению газеты «Público» Михаила Горбачева в Португалию в 2000 году  Жозе Мильязеш был его переводчиком.
Связи Португалии со странами мира не перестают занимать пытливого исследователя: в библиотеке Иркутского государственного университета он ищет письменные свидетельства о португальских миссиях в Китае и Японии, в архиве Горбачев-Фонда изучает связи между КПСС и Компартией Португалии (1985-1991), а также о связях СССР с Анголой.
В 2006 году создал блог  www.darussia.blogspot.com, где публикует материалы в основном о политической ситуации в России и СНГ, а также исследовательские работы об отношениях между африканскими странами и СССР.
В 2007 году получил степень доктора филологических наук, защитившись в Университете Порту. Тема его докторской диссертации - «Влияние испанских и португальских либеральных идей на русских декабристов».
В 2009 году вышла книга Жозе Мильязеша «Ангола: начало конца СССР».
Недавно в Порту прошла  презентация новой книги любознательного португальца - «Сага о португальцах в России»  («A Saga dos Portugueses na Rússia»). По этому поводу - наше интервью.
- Сеньор Жозе, видите, как получается - Вам, португальцу, живущему в Москве, залает вопросы украинка, живущая в Лиссабоне… Как Вы думаете, зачем Богу было угодно так перемешать народы?
- Божий промысел... Но, как вы можете прочесть в моей книге, что-то подобное уже происходило в XVIII, XIX и XX вв. Как португальцы говорят: «Аs voltas que o mundo dá» - история возвращается...
- Вы в России уже 34 года. И там произошло за это время очень много перемен. А что, по-Вашему, нельзя менять ни в коем случае?
- Дружбу и уважение к другим, желание узнавать и открывать. Если бы я не приехал в Россию, может быть, моя жизнь была бы беднее. У меня есть жена и дети, потому что я жил в Советском Союзе/России. Этого достаточно, чтобы ни о чем не жалеть. Кроме того, я приобрел в России друзей, опыт...
tema_p11На презентации книги "Ангола. Начало конца Советского Союза"
- Каких перемен Вы ждете у себя на Родине в связи со сменой правительства?
- Я надеюсь, что это правительство будет иметь мужество, чтобы сделать необходимые реформы и вырвать Португалию из кризиса, что  министры  будут работать не только для того, чтобы победить в следующих выборах, но и для того, чтобы вытянуть страну из болота. Можно только пожелать им сил в решении трудных задач.
- Не кажется ли Вам, что эти перемены больше зависят от «тройки», чем от новой власти?
- Конечно, многое зависит от «тройки», но мы также должны выполнить свою часть работы. Наши политики при поддержке португальцев довели страну до такого состояния. Но если мы не решим наши проблемы, то кто-то их решит за нас. В этом случае можно будет только сожалеть.
- Вы издали новую книгу. Расскажите о ней.
- Моя книга «Сага о португальцах в России» является плодом длительной работы в области изучения истории многовековых отношений между Португалией и Россией. Я попытался доказать, что несмотря на то что Португалия и Россия находятся в крайних точках Западной и Восточной Европы, между двумя странами были многочисленные контакты в различных областях. Я говорю о жизни португальцев, которые приехали жить в Россию и проделали большую работу - Антониу Виейра, Жоау да Кошта, Рибейру Санчеш, и о выдающихся русских, которые побывали  в Португалии: Карл Брюллов, Иван Гончаров и многие другие. Есть очень любопытные эпизоды в отношениях между двумя странами, и об этом я попытался рассказать.
- Какие новые идеи вызревают у Вас?
- У меня есть много идей, но они должны еще конкретизироваться. В процессе завершения две книги: одна - о последних пяти годах жизни в СССР, вторая - об отношениях между СССР и Анголой. Эта тема занимает мое внимание. Я буду продолжать изучать португальско-российские отношения, потому что еще многое предстоит сделать. Конечно, если читатели будут интересоваться моими книгами.
- Собираетесь ли Вы этим летом посетить Португалию? Где хотите побывать?
- Когда я еду в Португалию, стараюсь сделать все возможное, чтобы побыть с моей семьей и друзьями. Времени, к сожалению, никогда не хватает. Я не знаю, когда это будет, но всякий раз, когда я еду в Португалию, стараюсь побывать на Севере, где я родился.
- Где обычно отдыхает Ваша семья?
- Это всегда трудно предсказать. Так как мы корнями связаны с Россией, Эстонией и Португалией, возможность поехать в одну из этих стран - всегда праздник. Я очень  много путешествую, поэтому, когда попадаю в Португалию, просто отдыхаю дома.

Тамара Морошан

terça-feira, julho 19, 2011

Moscovo lança com êxito rádio-telescópio espacial RadioAstron


A agência espacial russa Roskosmos anunciou no dia 18 o lançamento bem sucedido do rádio-telescópio espacial RadioAstron (Spektr-R) a bordo do foguetão Zenit-2SB a partir do Baikonur, cosmódromo que a Rússia aluga no território do Cazaquistão.

Um porta-voz da Roskosmos confirmou à agência Ria-Novosti que o rádio-telescópio se separou do foguetão à hora prevista.

Construído pelo grupo aeroespacial NPO Lavotchkin, em cooperação com o centro AstroEspaço do Instituto de Física Lebedev, o rádio-telescópio espacial RadioAstron vai realizar observações de diversos objetos celestes através de interferometria de banda larga, juntamente com uma série de rádio-telescópios terrestres.

O RadioAstron dedicar-se-á ao exame de núcleos de galáxias, buracos negros supermassivos, aceleração de partículas, efeito Faraday, campos magnéticos, raios espaciais e movimento superlumínico.

Os seus equipamentos poderão detetar efeitos cosmológicos, estudar a matéria e a energia obscuras, medir a velocidade de pulsares e examinar a dependência entre as caraterísticas físicas de núcleos de galáxias e o fenómeno de desvio para o vermelho.

O lançamento do RadioAstron ajudará também a Rússia na monitorização da atividade solar  que aumenta e, segundo algumas previsões, até poderá causar certos problemas técnicos em finais de 2012.

O rádio-telescópio terá um prazo de funcionamento mínimo de cinco anos. Segundo o “site” do projeto, a sua órbita terá a inclinação de 51,6 graus, um período de 7-10 dias, apogeu de 350.000-390.000 km, e perigeu de 10.000-70.000 km.

Novo blog sobre a Rússia

A Cristina Mestre decidiu avançar com um novo blog sobre a Rússia em português. Seja bem vinda ao mundo dos blogues. Recomendo vivamente, pois trata-se de uma perita no mundo russo e arredores. 
Quem estiver interessado em conhecer melhor a Rússia, pode consultar: www.russia-press.blogspot.com

segunda-feira, julho 18, 2011

Viagem de Medvedev à Alemanha ensombrada por escândalo em torno de Vladimir Putin

A viagem do Presidente russo, Dmitri Medvedev, à Alemanha, que começa hoje, fica ensombrada pelo escândalo em torno da suspensão da atribuição do prémio alemão Quadriga a Vladimir Putin, primeiro-ministro russo, escreve hoje a imprensa de Moscovo.
Dmitri Peskov, porta-voz de Putin, tentou desdramatizar a situação, declarando que “ela não está ligada às nossas relações bilaterais e não terá influência nelas”.
“Isso deve-se mais à balda reinante entre o júri de um prémio tão respeitado”, declarou ao diário Kommersant.
Na semana passada, a organização não governamental Werkstatt Deutschland decidiu atribuir a Putin o prémio Quadriga por “ele já hoje ser digno de um capítulo à parte num compêndio de História”, “por ter aberto caminho para o futuro segundo a tradição de Pedro I” e “ter conseguido estabilidade, garantindo o equilíbrio da prosperidade, da economia e da identidade nacional”.
Essa atribuição provocou uma onda de críticas na Alemanha e no estrangeiro, tendo levado à demissão de membros do júri e à ameaça de Vaclav Havel, antigo Presidente checo, de devolver o mesmo prémio, que lhe fora atribuído anteriormente.
Dmitri Peskov disse ao diário Nezavissimaya Gazeta que “isso não foi motivo para tristeza. Eu conversei com Vladimir Vladimirovitch (Putin) no sábado. Ele estava um tanto perplexo. Em geral, posso dizer que essa organização, com semelhante barulheira, apenas se prejudicou a si própria e à sua reputação”.
O diário Kommersant chama a atenção para o facto de ninguém, na Alemanha, ter vindo em apoio do primeiro-ministro russo.
O jornal Nezavissimaia gazeta olha para este escândalo de forma mais abrangente, sublinhando que “semelhantes divergências se refletem em todos os aspetos da interação das instituições políticas, sociais e estatais russas com o Parlamento Europeu, o Conselho da Europa e outras organizações”.
Porém, esse diário conclui que o incidente com Putin não contém perigo para as relações do Ocidente com a Rússia, porque o primeiro “é pragmático” e “irá desenvolver os seus negócios mesmo com um líder político de que não gosta”. 

Moscovo não desiste de convencer NATO de criar sistema de defesa antimíssil conjunto

Moscovo não abandonou as tentativas de convencer a NATO da necessidade de criação de um sistema de defesa antimíssil conjunto na Europa, declarou o embaixador russo junto da Aliança Atlântica.
Porém, Dmitri Rogozin, numa entrevista à rádio Eco de Moscovo, considera que a probabilidade do seu êxito não é grande.
A Rússia exige garantias jurídicas e técnicas de que a NATO não apontará contra ela os sistemas de defesa antimíssil da Aliança Atlântica, mas esta recusa-se a dar semelhantes garantias.
Rogozin observou que os Estados Unidos consideram que essa proposta “não tem lógica, porque a Rússia não é membro da Aliança”.
O embaixador russo defende que, neste momento,  há duas possibilidades: ou os europeus concordam com um “parâmetro único de segurança”, ou “cada uma das partes cria o seu chamado “guarda-chuva” de segurança antimíssil, cujo raio de ação não abrangerá territórios alheios.
Ele reconhece que é “muito baixa” a probabilidade de que os membros da NATO aceitem a primeira possibilidade.
“Eles, por enquanto, têm falta de confiança, falta-lhes intelecto”, frisou, acrescentando que “se não quiserem um sistema conjunto, iremos criar separados”.
“Por isso, em qualquer dos casos iremos criar tropas aéro-espaciais até ao fim do ano… Até 2015, será criado o sistema de defesa anti-aéreo S-500, que será capaz de atingir alvos no Espaço ”, frisou.
Segundo Rogozin, o problema deverá ficar resolvido até ao fim do ano corrente.
“Se não virmos incluídos sistema deles, devemos ter em conta que na Cimeira da NATO em Chicago, marcada para maio do ano que vem, será tomada uma decisão definitiva que irá excluir a nossa cooperação”, considerou.
“Então, partindo dessa decisão, devemos planear o desenvolvimento do nosso programa de armamento”, concluiu.
Na Cimeira Rússia-NATO de Lisboa, em novembro do ano passado, as partes decidiram cooperar na criação de um sistema de defesa antimíssil coordenado.
Quanto à situação na Líbia, Rogozin considera que a NATO está dividida e acusa a França e Grã-Bretanha de terem desencadeado a guerra nesse país do Norte de África.
Ao mesmo tempo, defende que “a Aliança Atlântica praticamente se esqueceu dos seus interesses no Leste da Europa”.
O embaixador russo frisa que Moscovo não fornece armas à Líbia, mas acrescenta que “o que fazem alguns países da NATO é de uma falta de vergonha absoluta e contradiz as resoluções do CS da ONU sobre a Líbia”.
“Por exemplo, o lançamento de armas para os rebeldes feito por helicópteros franceses é objeto de conversas muito sérias entre nós”, concluiu.
P.S. Aconselho a fixar o nome deste embaixador russo, também conhecido por posições xenófobas, pois poderá vir a tornar-se um político muito importante no seu país. Não excluo a possibilidade de puder vir a ser Presidente da Rússia...

domingo, julho 17, 2011

TAP com vida extremamente complicada no mercado russo ou desprezo pela defesa de interesses nacionais

 
Chamou-me a atenção, por motivos óbvios, um artigo publicado no semanário SOL, em 16 de Julho, com o título "Russos quebram acordo com a TAP" (ler em: http://sol.sapo.pt/inicio/Economia/Interior.aspx?content_id=24236).
Na realidade, a Transportadora Aérea Portuguesa está a ser alvo de concorrência desleal no mercado russo, sendo agravada a situação pelo facto das entidades portuguesas responsáveis não atuarem em uníssono.
Graças a um bom trabalho publicitário feito pela TAP e algumas operadoras  turísticas russas que vendem Portugal como destino turístico, a linha aérea Lisboa-Moscovo-Lisboa mostrou ser extremamente rentável e despertou a cobiça da concorrência russa. 
Não é segredo para ninguém que um dos concorrentes é a empresa aérea privada russa "Transaero", que pretende agora dividir o bolo  preparado pela companhia portuguesa.
A atitude tomada pelas autoridades portuguesas competentes neste caso é surpreendente, para não dizer algo mais forte. É sabido, e isso no citado artigo fica claro, que existe um acordo bilateral entre o INAC e a FATA (autoridade aérea russa) que permite a realização de 14 voos semanais pelas companhias designadas, ou seja, pela Aeroflot e a TAP.
Porém, quando as autoridades russas violaram o acordo e não permitiram o aumento do número de voos semanais  da TAP de cinco para nove, o Instituto Nacional de Aviação Civil continuou a passar à Transaero (companhia aérea não designada) licenças para realizar voos para o Funchal (um) e Lisboa (dois). Ao fazer isso em relação a uma empresa russa não designada, o INAC perdeu uma das alavancas de pressão mais importantes nas conversações com a FATA russa.
Além disso, parece não haver uma política coordenada neste campo entre o INAC e o Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal, fator que contribui muito para o enfraquecimento do poder negocial da TAP. Ninguém em Lisboa quer irritar o Kremlin, ao ponto de abandonarem as empresas portuguesas num mercado complicado como é o russo.
A não autorização do aumento do número de voos está a prejudicar fortemente a imagem da TAP no mercado russo, pois já havia centenas de bilhetes vendidos para voos diretos e os passageiros vêem-se agora obrigados a fazer a viagem via Francfurt, etc.
Nesta situação, era justificável uma política ativa das autoridades portuguesas, pois o mercado turístico russo é promissor, mas, segundo consegui apurar, a única iniciativa prevista consiste numa reunião entre representantes do INAC e da FATA, marcada para Agosto.
Sendo assim, a batalha para esta época balnear foi perdida em todas as frentes pela TAP. E se as autoridades portuguesas continuarem com a mesma política, a transportadora portuguesa arrisca-se a perder ainda mais dois voos no Outono e Inverno.
Sei, de fontes bem informadas, que as autoridades russas envolvidas no processo estão surpreendidas com a facilidade com que os portugueses cedem posições.
Quero deixar bem claro que não sou adepto de uma declaração de guerra à Rússia para defender os interesses nacionais, nem a composição de um novo hino nacional, mas é necessário conservar alguma dignidade, mesmo estando nós numa situação económica difícil. 
Até porque o nosso povo diz: "quem muito se baixa, ...", o resto todos nós sabemos.
Escusado será dizer que não se conhece qualquer apoio ou iniciativa da União Europeia na solução do problema, embora outras companhias aéreas europeias já tenham passado pela mesma situação. Cada um que se desenrasque!

Comunistas formam “milícia popular” para defrontar Frente Popular de Vladimir Putin


O Partido Comunista da Federação da Rússia, segunda força política no Parlamento do país, proclamou ontem a criação de uma “Milícia Popular” para enfrentar a Frente Popular Unida do primeiro-ministro Vladimir Putin.

“Se o navio do Estado se afundar nas ondas do caos, da corrupção, do banditismo, da avareza e da traição, isso será mal para todos. A Milílicia Popular visa, antes de tudo, levar a palavra da verdade, da unidade, do coletivismo ao povo, visa salvar toda a nação”, declarou o líder comunista, Guennadi Ziuganov, num comício dedicado à criação da nova organização.
Os comunistas russos não escondem que esta organização, que visa unir grupos políticos de esquerda e nacionalistas, é criada com vista a neutralizar o impacto da criação da Frente Popular Unida, que, além do Partido Rússia Unida, reúne centenas de organizações profissionais, sociais, políticas.
A Frente Popular Unida não tenciona substituir a Rússia Unida nas eleições parlamentares de dezembro de 2011, mas apenas alargar a sua base eleitoral.
O Partido Comunista segue-lhe o exemplo e também não pretende alterar o nome da organização que irá aparecer no boletim de voto.
No comício de criação da “Milícia  Popular” participaram cerca de duas mil pessoas que portavam, além das bandeiras vermelhas, estandartes imperiais russos. Alguns manifestantes envergavam fardas militares da época de Nicolau II, czar derrubado pelos comunistas russos em outubro de 1917.
O comício começou com o hino “A Deus do Céu, Misericordioso…” e com a bênção de um sacerdote ortodoxo, escreve o jornal Novaia Gazeta.
Valeri Rakchin, secretário do Comité Central do Partido Comunista, afirmou que na “Milícia Popular” se inscreveram cerca de 200 organizações sociais, com um número de membros superiores a 3,5 milhões de pessoas.
Ziuganov prometeu apresentar um programa para “salvar a Rússia”.
“Preparamos um programa de saída do país da crise, elaborado pelos melhores cientistas, industriais, financistas e agrários. Esse programa terá 11 setores e há um pacote de projetos-lei”, precisou.
O líder comunista declarou que irá recorrer ao serviço de “500 mil observadores” para controlar as eleições parlamentares de dezembro de 2011.
O líder estalinista acusou Vladimir Putin de ter copiado dos comunistas a ideia da criação da Frente Popular Unida, mas a Rússia Unida já veio fazer a mesma acusação na direção dos comunistas.
A miscelânea ideológica que reina no Partido Comunista, que o torna semelhante a um partido nacional-comunista, é muito cómoda para a atual direção russa, tanto mais que Ziuganov não "ultrapassa a risca" nas críticas ao poder, nem anseia a ele. "Oposição barulhenta", mas inofensiva.
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sábado, julho 16, 2011

Segunda carta aberta ao Exmo. Sr. Ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Paulo Portas

Exmo. Sr. Ministro, não sei se a minha primeira carta aberta chegou às suas mãos ou às de algum dos seus assessores, mas decidi escrever-lhe uma segunda, pois só e apenas pretendo contribuir para o bem do país, que neste momento passa por um momento difícil.
As crises são momentos de sofrimento para os povos, mas, ao mesmo tempo, transportam em si oportunidades novas para resolver os problemas mais prementes do país.
Uma dessas oportunidades, de que já falei na primeira carta, é o aumento da captação de turistas russos pelo mercado português, processo que conhece, este ano, uma forte dinâmica positiva.
Porém, esta dinâmica não pode ser motivo para não se fazer melhor, para parar e esperar que os frutos caiam maduros da árvore. Como dizia Santo Agostinho, “parar é morrer”.
Talvez o seu Ministério justifique com motivos económicos e financeiros a ausência de obras no interior do Consulado de Portugal em Moscovo ou a criação de melhores condições de atendimento ao público. Permita-me que discorde, pois essa seria uma medida que daria, directa e indirectamente, lucros visíveis à economia e empresas portuguesas.
Mas se o mal está na falta de dinheiro, gostaria de chamar a atenção para pequenos pormenores, que não custam muito dinheiro, mas, se concretizados, contribuiriam para melhorar a imagem do nosso país na Rússia.
Como é sabido, tendo em conta o grande número de turistas russos que pretendem visitar o nosso país, aqueles que não o fazem através de agências de turismo (o mecanismo de cooperação entre agências turísticas e o Consulado Luso, felizmente, está a funcionar bem) têm de se inscrever previamente no Consulado de Portugal em Moscovo para puderem entregar o pedido de visto.
Isso pode ser feito de duas formas: a primeira, através de um call-center que trabalha de uma forma mais do que estranha e ultrapassada. O requerente do visto tem de ligar para esse call-center, depois vai pagar o preço da chamada a um banco e só depois entra na lista de espera.
Este ano, os turistas russos tiveram a possibilidade de se inscrever através da Internet, mas não é tarefa difícil o “site”. Isto porque a Embaixada de Portugal na Rússia deve ser a única entre os membros da EU que não tem um “site” na Net! Os russos devem fazer a inscrição através do “site” das comunidades portuguesas, cuja descoberta não é tarefa fácil.
Não há dinheiro para fazer um “site”, faça-se um blog, que é fácil e grátis, onde se coloque a informação, em português e russo, a fim de facilitar a vida dos turistas russos.  
O número de turistas russos que não desejam recorrer aos serviços das agências de turismo é cada vez maior e isto deve ser levado em conta.
E mais um pequeno pedido, que não deve trazer grandes custos para Portugal. O horário de funcionamento do nosso Consulado está escrito ao lado da porta de entrada apenas em língua portuguesa. Mas será assim tão difícil e caro colocar uma placa em russo. Aí, apenas deve estar escrito o seguinte: “Консульский отдел Посольства Португалии в Москве. Oткрыт в рабочие дни с … по…”.
Senhor Ministro, peço-lhe que veja nesta missiva apenas o desejo de contribuir para o melhoramento da imagem do nosso país na Rússia, e nada mais.
Obrigado pela atenção e bom trabalho na defesa dos interesses nacionais neste mundo difícil.

Blog do Leitor (Como a Sibéria abastecerá a energia da sequiosa China)


Texto traduzido e enviado pelo leitor Manuel Santos:

Oleg Deripaska, um dos homens mais ricos da Rússia, está a investir biliões de dólares em novas centrais hidroeléctricas na remota Sibéria para exportar a electricidade produzida para a China e facturar com a sua ascendente economia. O repórter da BBC, Daniel Sandford visita este último projecto.

Para chegar à barragem de Boguchanskaya no leste da Sibéria, gasta-se 90 minutos de avioneta desde a cidade mais próxima.
Serpenteando através do denso matagal da taiga, correm as águas do imenso e majestoso Angara, o único rio que flui do Lago Baikal e o grande abastecedor do Yenisei que corre em direcção ao Ártico.
O Angara já conta com três represagens prévias, em Irkustsk, Bratsk e Ust-Llimsk.
Neste momento uma quarta hidroeléctrica está quase finalizada em Boguchanskaya, próximo de Kodinsk e começará a gerar energia em Abril de 2012.
O leste da Sibéria já produz mais energia do que consome. Logo porquê os planos de cada vez mais centrais hidroeléctricas?
A resposta reside no enorme mercado de consumo de electricidade da China, a centenas de quilómetros. A China solicitou o fornecimento de 60 biliões de kWh/ano por volta de 2020, suficientes para as necessidades da Grécia ou Hong Kong.
“Será uma oportunidade única em que a Rússia poderá benificiar também do crescimento asiático” refere Oleg Deripaska, o presidente da En+ e administrador do gigante dos alumínios Rusal e co-proprietário da barragem de  Boguchanskaya.
“Creio que o produto interno bruto das províncias siberianas poderá triplicar em 15 anos. Será impensável não aproveitar esta oportunidade. Temos tudo: recursos humanos, competências, tecnologia e um mercado próximo.”
A barragem de  Boguchanskaya tem 9 turbinas de grande porte. Quando todas estiverem a trabalhar, a barragem poderá debitar uma potência de 17 biliões de kWh/ano.
Muita desta energia será usada numa nova unidade de produção de alumínio da Rusal, mas qualquer excedente irá para a rede eléctrica russa e será disponibilizada para exportar para a China. Um exemplo de como se transforma água em dinheiro.

Aldeias queimadas

A enorme barragem, tal como outras igualmente grandes noutros pontos do mundo, constitui uma imagem espantosa. Tem um comprimento de 3 quilómetros, a estrutura de betão vai a uma altura de 80 metros, tendo a albufeira, uma profundidade de 70 metros.
Mesmo por cima desta represa, O Angara continua como foi durante milhares de anos, largo em centenas de metros e de curso rápido. Os pequenos establecimentos populacionais que nasceram nas suas margens nos últimos 300 anos tornaram-se aldeias de aspecto turístico de casas de madeira. Agora estão a ser todas queimadas de modo a que quando a área for inundada, os destroços não venham a obstruir a nova barragem.
Alexander Bryukhanov viveu em tempos em Kezhma, uma cidade de 10.000 pessoas.
A sua população sobrevivia da pesca e da agricultura, totalmente isolados do mundo extrior. Com o correr dos anos, a população desta cidade mudou-se para blocos de apartamentos de estilo soviético em cidades modernas e cinzentas como Kodinsk.
“A maior tragédia passa-se com os velhos” refere Bryukhanov. “Começam a morrer cerca de um ano após a mudança. Tudo por causa de perderem as suas casas, as suas quintas, os vizinhos, a troco de apartamentos apenas com uma televisão como companhia.”
Alexander Bryukhanov leva-nos até outra aldeia, Prospikhino, que já teve uma população de 5000 pessoas. Apenas um punhado de casas ainda subsiste sendo as restantes já madeira queimada e fundações. Alguns cavalos selvagens banham-se num pequeno afluente do Angara.
Prospikhino ainda não está totalmente vazia. Konstantin Poddubny chega na sua velha mota Ural com sidecar. Ele recusa-se a sair, porque refere que o esquema de compensações é uma fraude que priva as pessoas daquilo que é seu.
“As autoridades vão queimar todas as casas que restam. Depois teremos problemas em arranjar um apartamento na cidade. Já muita gente passou por isso.”
“ As autoridades prometem-lhes apartamentos, eles abandonam o lugar, as casas são queimadas e aí dizem-lhes que se não há casa, não há apartamento. Ao mesmo tempo pessoas que não têm nenhuma relação com as nossas aldeias ficam com apartamentos.”
Poddubny refere que ninguém na Sibéria necessita de novas centrais. “Existem outras centrais neste rio que só estão a produzir a meio da sua capacidade. Isto é apenas para exportar para a China.”

Ecosistema frágil

Os grupos de ambientalistas referem que o impacto das centrais existentes no Angara nunca foi positivo. Partes do rio transformaram-se em zonas pantanosas, tendo as árvores enterradas alterado a química da água.
“Eles afirmam que constróiem novas barragens nos rios siberianos de modo a que os chineses não emitam mais gases para o efeito de estufa.”, segundo Alexander Kolotov, da Rivers International.
“Obviamente a questão será se estaremos na disposição de destruir o ecosistema, matar os rios siberianos e inundar vastas florestas apenas para salvar o mundo das emissões de carbono chinesas.”
Muitas mais barragens estão planeadas para a bravia Sibéria oriental, para saciar a electricidade da sequiosa China.
Segundo Oleg Deripaska, essas barragens ajudarão a transformar a Sibéria no próximo Canadá: rico em recursos e uma história de sucesso do ponto de vista económico.

http://www.bbc.co.uk/news/world-13782406

quinta-feira, julho 14, 2011

Fotos da sessão de lançamento do livro "A Saga dos Portugueses na Rússia" (Porto)


"A Saga dos Portugueses na Rússia" nasceu da dissertação de Doutoramento apresentada por José Milhazes na Universidade do Porto. Foi nesta cidade, na Livraria da INCM, que o livro foi apresentado oficialmente no passado dia 17 de Junho. A apresentação da obra esteve a cargo de Jorge Alves, professor do Departamento de História e de Estudos Políticos e Internacionais da FLUP e orientador de José Milhazes no Doutoramento. Intervieram também o autor, Duarte Azinheira e Renato Leitão, por parte da editora, e a assistência, que estimulou o diálogo sobre as relações russo-portuguesas e sobre a longa experiência de José Milhazes na Rússia.




Na sessão de lançamento no Porto não podia faltar o vinho da invicta para o convívio e a conversa que continuou informalmente.


José Milhazes vive há mais de trinta anos na URSS/Rússia, trabalha como jornalista e correspondente sediado naquele país para diversos meios de comunicação social desde 1989. É também historiador, doutorado em 2008 pela Universidade do Porto. A Saga dos Portugueses na Rússia, que traça a história das relações luso-russas, alicerça-se numa pesquisa de muitos anos em bibliotecas e arquivos russos. É, por isso, a obra de maior profundidade sobre esta temática publicada em Portugal. Mas sendo um livro sobre história, é um livro claro, de leitura aprazível.
Porque é que nos primeiros romances e novelas escritos em russo estão presentes Portugal e os portugueses? Como se cruzaram as vidas da grande poetisa portuguesa Marquesa da Alorna e do maior dos poetas russos Alexandre Pushkin? O que sabia Camões da longínqua Rússia? Que almirante russo se recusou a ajudar Napoleão a conquistar Portugal? Questões que têm resposta neste livro.

terça-feira, julho 12, 2011

A Rússia continua a apodrecer não obstante as promessas de modernização

A retirada do navio Bulgária, que se afundou no domingo no rio Volga, começará a 16 de julho e deve ser realizada por empresas que levantaram o submarino nuclear Kursk, anunciou hoje Serguei Choigu, ministro para Situações de Emergência da Rússia.
“A retirada deve começar às 17 horas de 16 de julho”, declarou o ministro.
Victor Olerski, vice-ministro dos Transportes da Rússia, informou que a operação de içamento do navio de passageiros está a ser preparada pelos institutos de investigação científica de São Petersburgo que elaboraram o método de retirada do Kursk, submarino nuclear russo que se afundou no Mar de Barents em Agosto de 2000.
As autoridades russas enviaram para o locar da tragédia uma grua capaz de levantar pesos até 350 tonelas, devem a ela juntar outra com a mesma capacidade, noticia a agência Interfax.
Construído em 1955, o navio de cruzeiro Bulgária naufragou no domingo a 80 quilómetros de Kazan, a 3k de distância da margem, onde o rio Volga atinge uma profundidade de 20 metros.
Segundo os últimos dados, no momento do acidente encontravam-se 205 pessoas a bordo do navio, tendo sido salvas 79. Foram recolhidos mais de 80 cadáveres, continuando a operação de busca para encontrar mais de 40 desaparecidos.
As autoridades russas consideram que o navio não tinha condições técnicas para navegar.
“Neste momento, a principal explicação para a tragédia consiste em que o navio não estava tecnicamente preparado para navegar”, revelou a agência Ria-Novosti, citando uma alta patente da polícia da Tartária, república da Rússia onde ocorreu o acidente.
Igor Panichin, porta-voz do Ministério para Situações de Emergência da Rússia, acrescenta que testemunhas depuseram que o navio saíra inclinado do porto e teria virado ao ser atingido por uma forte onda.
Anatoli Markin, porta-voz do Comité de Investigação da Rússia, revelou também que foram abertos processos-crimes contra os capitães de dois navios que passaram na zona do acidente e não prestaram socorro aos náufragos.
Como já é tradição, o Presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, ameaça castigar os culpados e ordena inspeções de todos os navios de passageiros e o primeiro-ministro, Vladimir Putin, promete dinheiro às famílias das vítimas: um milhão de rublos (25 mil euros) por cada morto. 
Parece ser mais fácil pagar indemnizações aos familiares das vítimas do que tomar medidas sérias para prevenir semelhantes acidentes. Onde está a tão apregoada modernização? A Rússia continua a cair de podre. Claro que um navio construído em 1955 pode estar bem conservado e operacional, mas para isso é necessário uma manutenção cara e vistorias a sério.
Quando Larry King perguntou a Vladimir Putin o que aconteceu ao submarino Kursk, ele respondeu: afundou-se! Mas isso foi no primeiro ano da sua presidência. Onze anos de poder trouxeram-lhe alguma experiência e tenta a afogar a desgraça das famílias das vítimas com dinheiro. Será esta a inovação?

domingo, julho 10, 2011

Será que Deus teve pena da Rússia?

O chefe-adjunto da administração do Kremlin afirmou hoje que o primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, foi enviado por Deus para ajudar a Rússia a enfrentar os graves problemas no país após a queda da União Soviética.
"Sinceramente, creio que Putin foi enviado à Rússia pelo destino e por Deus numa hora de dificuldade", referiu Vladislav Surkov, numa entrevista à televisão chechena.
Surkov, pessoa de confiança de Putin desde que este chegou ao poder há mais de dez anos, sustentou que o antigo presidente foi enviado por Deus para assumir a rédeas da Rússia, depois das eleições presidenciais de março de 2000.
A sua popularidade caiu para mínimos históricos, devido ao aumento drástico do custo de vida, do desemprego e da corrupção entre funcionários e polícias.
Putin continua porém a ser apontado como forte candidato às próximas eleições presidenciais, em março de 2012, muito embora não tenha confirmado a sua candidatura.
O primeiro-ministro russo criou recentemente uma Frente Popular  Unida à imagem do Partido Comunista da União Soviética, apelando às designadas organizações e forças patrióticas que apoiem o seu programa de desenvolvimento para a próxima década.
Não fico nada espantado que Surkov, eminência parda do Kremlin, tenha revelado a "origem divina" de Putin, pois trata-se de uma personagem que diz o que for preciso e quando preciso.
Também já não me espanta a notícia hoje difundida pelo diário alemão Suddeutsche Zeitung de que a organização Werkstatt Deutschland atribuiu a Vladimir Putin o Prémio Quadriga-2011.
Este prémio é atribuído de três em três anos a personalidades políticas que se destacam pela "iniciativa" e "espírito de iniciativa". Entre os laureados estiveram políticos como Mikhail Gorbatchov e Vaclav Havel, que não necessitam de apresentações.
O prémio será entregue no dia 3 de Outubro, Dia da Reunificação da Alemanha. 
Segundo essa organização, "Vladimir Putin já merece um capítulo à parte no livro de História", "no espírito de Pedro o Grande, ele abre caminho para o futuro".
Mas será que essa organização alemã também vai aderir à Frente Popular como fez a aldeia russa Grande Sodoma ou um orfanato para crianças com deficiências psíquicas?
Se bem me recordo, Putin não está entre os políticos que deram o seu contributo para a reunificação alemã. Pelo contrário, como agente do KGB soviético, trabalhou na República Democrática Alemã nessa altura e devia atuar no sentido oposto. A não ser que secretamente andasse a "provocar brechas" no Muro de Berlim, o que é muito pouco provável.

sábado, julho 09, 2011

Samora Machel ficou desiludido com a União Soviética

 
Samora Machel, primeiro Presidente de Moçambique, ficou desiludido com o apoio da União Soviética, o que o levou a assinar o Acordo de Nkomati com a África do Sul em 1984, revelam documentos dos arquivos soviéticos.
Segundo documentos do Arquivo da Política Externa da Rússia, Machel convenceu-se da ineficácia da ajuda soviética durante a sua visita à URSS em meados de 1983.
Numa reunião com Nikolai Tikhonov, primeiro-ministro soviético, o dirigente moçambicano criticou a URSS por, durante sete anos de independência, não ter acabado nenhuma das obras iniciadas em Moçambique, propondo que fosse estabelecido o controlo dos comités centrais do Partido Comunista da União Soviética e da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO) sobre elas.
Tikhonov não recebeu bem as críticas, respondeu-lhe que, quando a URSS começou a construir o socialismo, os soviéticos estavam sozinhos e que vários países libertados, incluindo Moçambique, tinham possibilidade de receber ajuda de Moscovo.
O primeiro-ministro soviético aconselhou-o a partir das possibilidades reais de Moçambique e a desenvolver as áreas económicas que dessem efeito económico rápido: indústria mineira, exportação de espécies raras de madeira e pescas.
Piotr Evsiiukov, na altura embaixador soviético em Maputo, escreveu nas suas memórias: "Samora Machel, durante essa visita, ficou convencido do fracasso económico da União Soviética".
Documentos do Arquivo da Política Externa da Rússia revelam também que Machel, numa reunião de países africanos de expressão portuguesa, realizada em Luanda no mês de abril de 1986, tentou convencer o seu homólogo angolano, José Eduardo dos Santos, a não apostar apenas na URSS e em Cuba na sua política externa e a ser flexível na continuação de contactos com os Estados Unidos.
Essa desilusão foi um dos motivos fundamentais para Machel assinar o Acordo de Nkomati com a África do Sul, em 1984.
Esse documento previa que a África do Sul deixaria de apoiar a RENAMO, movimento que combatia o regime de Samora Machel em Moçambique, e este retiraria o apoio ao Congresso Nacional Africano (ANC), que lutava contra o apartheid.
Esse passo de Moçambique foi mal recebido pela URSS e por alguns dirigentes africanos.
Segundo um documento existente no Arquivo Estatal de História Contemporânea da Rússia (RGANI), Kundi Paihama, então membro do Bureau Político do MPLA, fez um paralelo entre essa iniciativa e a traição dos interesses da unidade de África, na luta contra o imperialismo e o racismo, por parte do Egito e da Somália, e frisou que Angola jamais faria um acordo desse tipo com a África do Sul.

Como adquirir no Brasil o livro "A Saga dos Portugueses na Rússia"

Caros leitores do Brasil, tenho recebido alguns mails a perguntarem onde podem adquirir o meu livro "A Saga dos Portugueses na Rússia". Nesta obra, publiquei materiais sobre as relações entre a Rússia e o Brasil até à independência deste país lusófono.
Aos interessados recomendo adquirir o livro através da Livraria Camões da Imprensa Nacional Casa da Moeda, através do sítio eletrónico: http://www.incm.com.br
Obrigado pela atenção.

Estações Ferroviárias de Moscovo

Estação "Iaroslavskii". Daqui partem os comboios para Norte e Nordeste da Rússia, bem como para a Mongólia e a China


Estação "Leninegradskii". Daqui partem comboios para São Petersburgo, Norte da Rússia, Estónia e Finlândia

Estação "Kazanskii". Daqui partem comboios para o Este e Sul da Rússia, bem como para o Cáucaso.