quarta-feira, agosto 31, 2011

Exxon Mobil pode explorar petróleo na plataforma ártica russa e Rosneft no Golfo do México e Texas

A petrolífera russa Rosneft e a companhia norte-americana Exxon Mobil assinaram um acordo de cooperação estratégica na plataforma ártica russa e em águas profundas, podendo a Rosneft explorar petróleo nas áreas da Exxon no Golfo do México e no Texas, anunciou hoje Vladimir Putin.

“Este acontecimento irá ser positivamente recebido pelos mercados mundiais, porque surgem novos horizontes: a atividade de uma das maiores companhias do mundo como a Exxon Mobil na plataforma ártica e em águas profundas”, declarou o primeiro-ministro ao abrir o encontro com a direção da petrolífera norte-americana.

“Segundo vi nas notas, os investimentos diretos podem ser de 200 a 300 mil milhões de dólares, mas, se se falar da organização do território, da construção das estruturas necessárias, o número poderá chegar aos 500 mil milhões”, comentou ele as possibilidades que se abrem perante a Exxon Mobil no Ártico Russo.

A Rosneft, a maior companhia petrolífera russa que é controlada pelo Estado, poderá operar nas áreas da Exxon Mobil no território dos Estados Unidos.

“Foi acordado que a Rosneft recebeu a possibilidade de trabalhar nas áreas da Exxon Mobil no território dos Estados Unidos: no Golfo do México e no Texas, bem como participar em projetos conjuntos no território de terceiros países”, concluiu Putin.

Para uns, trata-se de mais uma cedência ao imperialismo norte-americano, mas, para outros, trata-se de um passo importante da Rússia com vista a ter acesso a tecnologia de extracção de combustíveis no mar.

segunda-feira, agosto 29, 2011

Madeira pitoresca e taxista desonesto

                 

É sempre interessante saber o que os outros pensam de nós e que recordações e lembranças levam da nossa terra, principalmente quando, pelo menos em palavras, se aposta no turismo.
Victória Tarassova é uma conhecida actriz russa, principalmente devido ao seu papel de coronel da polícia na telenovela “Tetraz” (Glukhar).
Ela passou férias na Madeira e declarou ao semanário russo “Sobessednik”:
“A história mais engraçada aconteceu comigo em Portugal, na ilha da Madeira. Aí o oceano é muito frio e o relevo é montanhoso. A cidade está construída em forma de parafuso. É difícil imaginar como é que as pessoas andam de automóvel aí. As casas estão cheias de escadas.
O meu filho soube que num parque se podia andar de trenó pelo asfalto.  O parque é verdadeiramente maravilhoso, com orquídeas e papagaios, mas era preciso subir de teleférico até ao trenó. Na montanha, um estranho silêncio cativou a nossa atenção. O teleférico e os trenós tinham encerrado. Eram seis horas da tarde. Não víamos à volta mais ninguém além de um taxista solitário. O macho propôs transportar-nos por cem euros! Se eu soubesse o que me esperava, teria pago quatrocentos.
Começámos a descer devagar. A aldeiazinha descia por um caminho em forma de caracol. Descíamos, por falta de experiência, com as pernas dobradas. Assim caminhámos mais de três quilómetros. O meu filho estava esgotado e com sede. “Mãe, vou-me deitar e rolar!” – gritou Dania. Quase nada restava dos meus novos sapatos. Vimos uma velhota com cães numa das curvas do caminho. Ela olhava para nós como para loucos! Pouco depois, vimos uma cabine telefónica. Tivemos sorte de encomendar um táxi. Chegámos ao hotel às dez da noite. Nenhum de nós se lembrou do jantar. O meu c… e pernas doíam tanto que mal me consegui mover nos três dias seguintes. Dania não se sentia melhor do que eu.  Mas, no dia seguinte, dirigimo-nos para lá novamente, bem mais cedo, e acabámos por andar de trenó! Às vezes recordo esta história e fico contente pelos portugueses. Devem ter pernas bem treinadas!”
P.S. Eu apenas gostaria de acrescentar que se traria de uma boa publicidade da Madeira não fosse a presença de um taxista oportunista e ladrão.

Sobre o livro "A Saga dos Portugueses na Rússia"

Caros leitores, é sempre agradável constatar que a imprensa russa presta atenção ao teu trabalho. Artigo e entrevista em língua castelhana: http://rusiahoy.com/articles/2011/08/27/entrevista_a_jose_milhazes_12807.html .

sexta-feira, agosto 26, 2011

A vergonha não tem limites

Samuel E'to transferiu-se do Inter para o Anzhi de Makhatchkala e, a acreditar nas notícias dos jornais, irá receber anualmente 20 milhões de euros de salário, ou seja, irá ser o jogador mais bem pago do mundo, ultrapassando Cristiano Ronaldo, Messi, etc.
Poder-se-ia pensar que esse jogador africano vai alinhar nalgum clube com o nível financeiro e qualidade futebolística semelhante ao Real Madrid ou Barcelona, mas, por enquanto, o Anzhi ainda está a anos-luz dessas equipas, não obstante já ter adquirido Roberto Carlos e Zhirkov.
O Anzhi é uma equipa de Makhatchkala, capital do Daguestão, república russa do Cáucaso do Norte, uma das regiões mais pobres e esquecidas da Federação da Rússia. O post anterior descreve bem a situação social, económica e política nessa república.
Quando E'to se transferiu para o Anzhi foi escrito algures que ele iria continuar a viver em Milão e viria à Rússia apenas para jogar. Claro que as coisas não são assim, mas também não são muito normais. Os jogadores dessa equipa vivem e treinam em Moscovo e apenas vão a Makhatchkala disputar os jogos caseiros, pois poucos serão os jogadores que se disponham a ir para lá viver, mesmo a troco de salários chorudos.
Suliman Karimov, um multimilionário daguestanês, realiza assim um dos seus caprichos, enquanto milhares de pessoas continuam a viver na miséria. 
Começo cada vez mais a dar razão aos meus amigos russos que reconhecem que o seu país é muito bom para ganhar dinheiro (esta parte não me diz respeito), mas mau para viver. Pudera, com investimentos como aquele...
Nos últimos nove meses, a Rússia perdeu seis aparelhos espaciais que caíram ou desapareceram depois do lançamento. Na semana passada, perdeu o mais poderoso e moderno satélite de comunicações Ekspress-AM4.
Podem dizer-me que uma coisa não tem a ver com a outra. Eu não concordo.

Cáucaso do Norte continua a ser “tendão de Aquiles” da Rússia

Texto escrito para a Lusa a propósito do 10º aniversário do atentado terrorista de 11 de Setembro:
"A Rússia acordou mais cedo do que muitos países ocidentais para o terrorismo islâmico e, por isso, Vladimir Putin, Presidente da Rússia em 2001, foi o primeiro dirigente mundial a telefonar a George W.Bush para propor apoio na luta contra o inimigo comum.
Dez anos depois, não obstante todas as declarações do Kremlin de que controla a situação no Cáucaso do Norte, essa região continua a ser o “tendão de Aquiles” da segurança da Rússia, atuando aí fortes guerrilhas separatistas de índole islâmica radical.
Grupos de guerrilheiros realizam operações contra a polícia russa em praticamente todas as repúblicas do Cáucaso do Norte: Daguestão, Cabardino-Balcária, Karachaevo-Cherkéssia, Inguchétia, Ossétia do Norte e Chechénia. No ano passado, segundo dados oficiais, aí morreram 754 pessoas em combates entre a guerrilha e a polícia.
Por vezes, a guerrilha consegue mesmo organizar atentados terroristas noutras regiões da Rússia. O último ocorreu no Aeroporto Domodedovo de Moscovo em março deste ano, tendo provocado 37 mortos e dezenas de feridos.
Estas guerrilhas surgiram depois da desintegração da URSS, quando à superfície vieram os problemas nacionais congelados ou reprimidos na era soviética, e foram-se radicalizando com as duas guerras da Chechénia (1994-1996 e 1999-    ).
Com a chegada de Vladimir Putin ao cargo de primeiro-ministro russo, em 1999, as forças militares russas conseguiram expulsar os guerrilheiros das cidades e aldeias da Chechénia para as montanhas. Além disso, Moscovo apostou na “vietnamização” do conflito, colocando à frente dessa república dirigentes locais dispostos a cumprir a vontade das autoridades russas em troca do controlo total de um dado território e de vasto apoio financeiro.
Porém, as medidas de força são claramente insuficientes. Na primeira metade de 2011, a polícia russa liquidou 96 guerrilheiros no Daguestão, 53 na Cabardino-Balcária e 27 na Chechénia.
“Tu matas dois terroristas, mas no lugar deles aparecem quatro”, considera Magomedsalam Magomedov, Presidente do Daguestão.
A maioria dos peritos russos considera que as medidas militares são insuficientes para resolver o problema, defendendo que é necessário combater chagas sociais como o desemprego, a corrupção e o compadrio.
O desemprego é um problema particularmente grave entre a juventude, uma das fontes mais importantes de aumento das fileiras da guerrilha separatista islâmica.
Segundo dados do Partido Rússia Justa, “na Chechénia, oficialmente não trabalha 43 por cento da população activa, na Inguchétia: 21,8 por cento. O desemprego em massa provoca tensão social no Cáucaso do Norte, aumenta a influência dos grupos extremistas no meio juvenil, contribui para a saída da população russa”.
O Kremlin anunciou a realização de um grande programa de desenvolvimento social e económico do Cáucaso até 2025, que prevê, nomeadamente, na transformação dessa região numa zona de turismo.
Mas a corrupção, o compadrio e o terrorismo colocam em risco o cumprimento dos objetivos apontados.
“Quase diariamente matam pessoas, quantos casos de violência!.. Mataram o porta-voz do Presidente do Daguestão, mas que turismo se pode fazer hoje aí?”, interroga o líder nacionalista russo Vladimir Jirinovski.
As autoridades do Daguestão dizem não ter dinheiro para resolver os problemas da população, mas nessa república está o clube “Anzhi”, a equipa de futebol russa que mais dinheiro gasta no reforço das suas fileiras. Suleiman Karimov, magnata local, prefere investir na contratação de jogadores como Roberto Carlos, Zhirkov, Samuel E’to…”

Blog dos leitores (Ucraniano chefe dos moicanos)


 Texto traduzido e enviado pelo leitor Jest:

"O piloto – aviador ucraniano Ivan Datsenko escapou a repressão comunista no fim da II G.M., se tornando o chefe dos índios moicanos no Canadá, conhecido pelo nome indígena de Poking Fire (Aquele Que Furou o Fogo) e o nome inglês John McKnober.

Ivan Datsenko nasceu em 29 de Novembro de 1918 na aldeia de Chernechiy Yar, distrito de Dikanka, província de Poltava na Ucrânia Central. Estudou na escola incompleta na aldeia de Velyki Budnysha, em 1937 se formou na escola técnica veterinária da localidade de Pysarivshchina. No mesmo ano foi chamado a cumprir o serviço militar no Exército Soviético. Em 1940 Ivan Datsenko se graduou na Escola de pilotos militares “Chkalov” em Orenburg. Desde o início da guerra germano – soviética o tenente Ivan Datsenko é comandante da asa do 10° regimento da 3ª divisão do 3° corpo de aviação do longo alcance. O piloto ucraniano efectuou diversos bombardeamentos dos alvos militares e industriais na retaguarda profunda da Alemanha nazi. Participou na batalha de Stalingrado. Até o Agosto de 1943 efectuou 213 raids de combate na frente alemã, pelo que recebeu o patente do 1° tenente. Em 18 de Setembro de 1943 a Presidência do Conselho Supremo da URSS o patenteou com o título do Herói da União Soviética com atribuição da ordem “Lenine” e a medalha “Estrela Vermelha” (№ 1733). O respectivo Diploma do Conselho Supremo está conservado na escola veterinária de Pysarivshchina.

Do herói ao “inimigo do povo”

Em 19 de Abril de 1944 o avião do Ivan Datsenko foi abatido pelo fogo antiaéreo alemão nas proximidades da estação ferroviária Lviv–II na Ucrânia Ocidental. O piloto ucraniano conseguiu se ejectar e foi capturado pelos alemães. À partir daquele instante, a sua história tem duas versões. Uma diz que ele fugiu do cativeiro nazi, ultrapassou a linha da frente e se apresentou na sua unidade militar. No dia seguinte foi preso pela contra inteligência militar soviética SMERSH e após um apressado julgamento foi enviado aos campos de concentração de GULAG. Algures pelo caminho Ivan Datsenko consegui fugir dos carrascos do NKVD, foi procurado, mas não achado...

Outra versão diz que capturado pelos alemães, ele ficou preso nos campos de concentração nazis e no fim da guerra passou para a zona de ocupação americana, da onde, provavelmente, usando uma identificação alheia conseguiu emigrar para Canadá. Essa versão parece mais provável por causa de diversos factores. O livro soviético “Pela Bravura e Coragem”, editado em 1973, lista todos os heróis da União Soviética naturais da região de Poltava (233 pessoas no total). Na página 105 se escreve o seguinte: “No dia 18 de Abril de 1944 (...) durante a tarefa de combate o corajoso “falcão” morreu com a morte heróica”. No mesmo 1944 os seus familiares receberam a carta oficial das autoridades militares soviéticas que confirmava a morte do Ivan Datsenko. A prática comum daquela época ditava que no caso de “traição”, seria lhe retirado o título do Herói da União Soviética e até o seu nome seria apagado de todas publicações e dos registos de condecoração.

O índio ucraniano

Em 1967 em Montreal no Canadá decorria a Expo-67. A URSS participou no evento com os Dias da cultura soviética, atendidas pelo dançarino checheno Mahmud Esambaev, que mais tarde quis ver as danças dos índios. Numa das reservas indígenas ele foi recebido por um homem alto e forte de pele clara, embora pintado e vestido a preceito tribal. Ao lado dele estava uma bela mulher índia. O índio fez a vénia e disse: “Bem vindo! Por favor, entre na minha cabana.” Tudo isso em ucraniano puro. Assistindo a incredulidade do Esambaev, o índio explicou que ele é ucraniano, natural da região de Poltava e se chama Ivan Datsenko, mas que na tribo é conhecido pelo nome de Piercing Fire ou Pocking Fire (Aquele Que Furou o Fogo). Naquele encontro Ivan Datsenko mostrou-se grande apreciador do canto, ele cantou várias músicas populares ucranianas, incluindo “Rozpriahayte, hloptsi, koney”. Mais tarde ucraniano e checheno se tornaram amigos, chegaram trocar a correspondência.

Familiares na Ucrânia

Depois de ler na imprensa o relato do Esambaev, a sobrinha do Ivan Dotsenko, Olga Ruban começou procurar pelo tio. Alguns livros diziam que ele morreu em combate, outros relatavam que não voltou após uma missão. Até foi consultar os videntes, todos eles diziam, olhando para a foto do jovem Ivan, que ele estava vivo. Olga conseguiu localizar o colega do Ivan Datsenko no exército, Mykola Dzhugan, que também confirmou a sobrevivência do Ivan e o seu aprisionamento pelos nazis. Dzhugan disse que quando Ivan escapou dos nazis, ele, tal como outros ex-prisioneiros fui chamado de traidor. Depois disso, Datsenko fugiu da URSS...

Olga Ruban escreveu aos jornais, contactou o programa da TV russa que procura as pessoas desaparecidas “Espere por Mim”, achou os contactos do Ensambaev. Mais tarde pediu ajuda do presidente ucraniano e da primeira-ministra ucraniana Yulia Tymoshenko. Ensambaev não a recebeu até a sua morte e o seu arquivo se perdeu em Grozni na 1ª guerra chechena. Apenas Yulia Tymoshenko tinha lhe respondido, mas disse que não podia ajuda-la.

A vida no Canadá

No Canadá Ivan Datsenko trabalhou na construção civil na região de Montreal. Apaixonou-se por uma mulher índia, filha do chefe de uma das reservas indígenas. Pediu a mão da sua futura esposa e foi aceito como membro da tribo. Serviu a tribo como gestor de visitas turísticas e após a morte do sogro, que não teve filhos varões, se tornou o chefe tribal. Tudo indica que Ivan Datsenko morreu em 2002. O lugar do chefe da tribo foi ocupado pelo seu filho John. Hoje as reservas indígenas já não existem no Canadá. Os netos do Ivan Datsenko, John (Ivan) e Nina vivem na região de Ottava. Parece que John é polícia e Nina é jornalista. Até agora Olga não conseguiu contacta-los, desconhecendo o seu destino...

O programa “Espere por Mim” organizou a análise comparativa entre as fotos do Ivan Datsenko e as fotos do chefe índio Piercing Fire (Pocking Fire) no Instituto de Examinação Forense de Moscovo. A análise computorizada revelou a correspondência total (contando com o envelhecimento) dos diversos elementos da face, como nariz, linhas da boca, sobrancelhas e queixo, que permite concluir que o piloto ucraniano Ivan Datsenko e o chefe índio Piercing Fire (Pocking Fire) são a mesma pessoa.

Fonte:

Fotos do Ivan Datsenko & chefe Piercing Fire (Pocking Fire):

Em 2011 a história do Ivan Datsenko deu a origem ao filme ucraniano do realizador Mykhailo Illyenko (irmão do Yuri Illienko), chamado “Fire Crosser” (Aquele Que Furou o Fogo).

Página oficial do filme:

quinta-feira, agosto 25, 2011

Dmitri Medvedev encarrega Gazprom de elaborar projeto de gasoduto para a Península da Coreia



O Presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, encarregou Alexei Miller, diretor da gasífera russa Gazprom, de se debruçar sobre a problemática do projeto de gás com a participação da Rússia, Coreia do Norte e Coreia do Sul.

“Ontem, eu dei ordens ao diretor Miller (da Gazprom) que se dedique afincadamente a esta problemática. Por isso, esperamos que sai daí um bom projeto”, declarou Medvedev aos jornalistas, após um encontro com o homólogo norte-coreano, Kim Jong Il.
Os líderes dos dois países decidiram, durante a cimeira, dar início à construção de um gasoduto que transportará combustível russo para a Coreia do Sul através do território da Correia do Norte.
O comprimento do gasoduto será de mais de 1100 quilómetros, dos quais 700 no território norte-coreano. O tubo irá transportar, anualmente, até 10 mil milhões de metros cúbicos de gás, mas esse volume poderá ser aumentado em caso de necessidade.
A 23 de julho de 2009, as gasíferas sul-coreana e russa: Kogas e Gazprom assinaram um acordo sobre fornecimento de gás russo. O documento previa a construção de um gasoduto através do território da Coreia do Norte, mas a sua realização foi adiada devido à deterioração das relações entre Pyongyang e Seul.
A Rússia passou a transportar gás liquefeito para a Coreia do Sul por mar, através do porto de Vladivostoque”.

Moscovo, com a realização do novo projeto, tenta não só contribuir para a normalização das relações entre as duas Coreias através da intensificação dos contactos económicos, mas também diversificar o número de compradores de seus combustíveis na Ásia e mostrar à China que ela não é o único comprador do gás russo e, por isso, não pode ditar preços desse combustível.

Cargueiro espacial “Progress M-12M caiu na região das Montanhas de Altai

O lançamento da nave espacial de transporte russa Progress M-12M a partir do Cosmodromo de Baikonuir, no Cazaquistão, foi mal sucedido e os seus fragmentos caíram na região do Altai, no sul da Sibéria, anunciam as agências russas.
Segundo a Ria-Novosti, “o aparelho atingiu uma grande altura, depois começou a cair bruscamente, desfez-se em pedaços e quase ardeu nas camadas altas da atmosfera”.
Alexandre Borissov, dirigente do distrito de Tchoisk, na região das Montanhas de Altai, declarou que os pedaços da nave caíram numa zona de nogueiras durante a noite, não tendo por isso feito vítimas entre as pessoas.
“A explosão foi tão forte que os vidros das janelas tremeram a 100 quilómetros. Vivo aqui há 40 anos, estamos habituados a que caiam  partes de foguetões, mas nunca aconteceu explosão tão forte.
A Interfax recorda que este é o primeiro fracasso das naves de tipo Progress desde 1978.
Mas, nos últimos nove meses, a Rússia perdeu seis aparelhos espaciais que caíram ou desapareceram depois do lançamento. Na semana passada, perdeu o mais poderoso e moderno satélite de comunicações Ekspress-AM4.
Uma fonte da Ria-Novosti considera que a tripulação da Estação Espacial Internacional poderá ter de economizar produtos alimentares, bem como água. 
“A nave transportava maças, limões, laranjas, cebola e alho. Além disso levava livros, prendas, combustível, aparelhagem médica, roupa interior, bem como aparelhagem para experiências científicas”, informa a agência, citando uma fonte dos serviços espaciais da Rússia.
Atualmente, na Estação Espacial Internacional encontram-se seis astronautas: três russos, dois norte-americanos e um japonês.

terça-feira, agosto 23, 2011

Delegação militar russa visita Pyongyang enquanto Kim Jong Il viaja pela Rússia

Uma delegação militar russa chegou à Coreia do Norte para conversações na mesma altura em que Kim Jong Il viaja pela Rússia e se prepara para uma cimeira com o seu homólogo russo, Dmitri Medvedev, prevista para quarta-feira.
“O objetivo fundamental da nossa visita consiste no reforço dos laços de amizade entre as forças armadas dos dois países”, declarou o almirante Konstantin Sidenko, comandante da Região Militar Oriental da Rússia, à chega a Pyongyang.
Segundo a agência russa ITAR-TASS, os representantes de Moscovo e de Pyongyang tencionam analisar a possibilidade de restabelecimento da cooperação militar, a realização de visitas de amizade de navios das armadas da Rússia e da Coreia do Norte e a organização de manobras conjuntas no mar.
Porém, o serviço de imprensa do Ministério da Defesa da Rússia sublinha que as manobras terão um “caráter humanitário”.
“Na primeira etapa, é possível que se trate do reinício da cooperação técnico-militar na esfera da teoria militar, do planeamento militar. Talvez convidemos para estudar nas nossas escolas oficiais norte-coreanos. E só depois de se criarem condições internacionais favoráveis, será possível a realização de manobras conjuntas”, considerou Konstantin Sivkov, vice-presidente da Academia de Problemas Geopolíticos.
Este analista frisa que não se deve falar de fornecimentos de armas russas à Coreia do Norte devido às sanções aprovadas pela ONU contra esse país.
Este visita decorre paralelamente à viagem de Kim Jong Il pelo Extremo Oriente e Sibéria.
Tanto Pyongyang, como Moscovo têm mantido no maior dos segredos o programa da visita do dirigente norte-coreano.
Segundo a imprensa russa, Kim Jong Il deu um passeio de barco pelo Lago Baical, a maior reserva de água potável do mundo, e tomou banho numa piscina com água desse reservatório.
Na quarta-feira, espera-se que ele se encontre com Dmitri Medvedev, Presidente da Rússia, em Ulan-Udé, capital da república russa da Buriátia. As autoridades locais estão a tomar fortes medidas de segurança.
Os especialistas russos consideram que o principal tema das conversações será a cooperação no campo da energia, que inclui a construção de um gasoduto que irá ligar a Rússia à Coreia do Sul através da Coreia do Norte.
Kim Jong Il e Dmitri Medvedev também poderão abordar o tema do reatamento das conversações sobre o desarmamento nuclear na Península da Coreia no quadro do “sexteto” de intermediários (Coreia do Norte e Sul, Rússia, Estados Unidos, China e Japão).
A prestação de ajuda humanitária russa a Pyongyang podem ser igualmente tema das conversações. Antes do dirigente norte-coreano iniciar a visita à Rússia, Moscovo enviou cerca de 50 mil toneladas de trigo para Pyongyang.
A última visita do líder norte-coreano à Rússia, também realizada de comboio, teve lugar em 2002.

Blog do leitor (Porque é que a Ucrânia não é Rússia?)



Texto traduzido e enviado pelo leitor Jest


"A Ucrânia como país independente completou 20 anos da sua história. As diferenças entre Ucrânia e Rússia vistas pelo académico russo de origem ucraniana.


Para a elite política russa Ucrânia se torna um ponto de rotura, anti-ego, no principal alvo da agressão da inconsciência colectiva. O primeiro – ministro russo discursa sobre Ucrânia na campa do general Denikin, chamando o país vizinho da “Pequena Rússia” e apelida de “criminosos” todos aqueles que a querem separar da Rússia (esquecendo que exactamente essa posição ditou a derrota do Denikin). [...] Ucrânia como anti – Rússia substitui gradualmente os EUA no retrato maniqueísta do mundo dos habitantes do Olimpo político russo.

E não apenas porque a contraposição Rússia – EUA, apesar do seu prestígio parece cada vez mais cómica para um país que não consegue realizar o objectivo proclamado publicamente, de alcançar Portugal. Entre os criminosos e outros grupos desviantes frequentemente existe a proibição de saída. Os criminosos matam os renegados, alcoólicos (e drogados) tentam novamente seduzir aqueles que superaram o vício. A elite política russa fica extremamente emocionada: “Vocês são tão soviéticos como nós, apenas provinciais! Como vocês querem entrar na Europa?!” [...]

Em 1991, 90,32% dos cidadãos da Ucrânia apoiaram a Independência estatal no referendo popular, cerca de 8% eram contra. Dados do serviço da pesquisa sociológica “Centro Razumkov”, apontam que em 2009 a Independência seria apoiada por 52%, ¼ votaria contra, 23% ou não decidiram ou não votariam. No Ocidente da Ucrânia a Independência é apoiada por 86% contra 4%, a correlação no Centro é de 52% / 25%, no Leste 41% / 32% e no Sul 36% / 32%. [...]

Mas se perguntar Ucrânia sobre aquilo que o país quer hoje, os dados serão diferentes. A maioria esmagadora dos ucranianos não quer a restauração da união com Rússia de nenhuma forma. Os dados do Instituto Gorshenin mostram que apenas 9,3% dos ucranianos querem ter a moeda comum com Rússia, 8,1% querem ter a legislação comum, 7,6% gostariam ter os órgãos comuns do poder estatal e 5,1% o exército comum. [...]

Qualquer um que ganhe as eleições irá continuar o projecto Ucrânia, o curso de integração na Europa e não se integrará na Rússia. Pois Ucrânia já é diferente. Claro, que ela não é Anti – Rússia. Ela é Não – Rússia. Isso é o resultado da sua maioridade separada.

Uma das diferenças visíveis entre Ucrânia e Rússia é existência das eleições na Ucrânia e a sua ausência na Rússia. Segunda diferença – o pluralismo da imprensa e a liberdade de expressão na Ucrânia e a ausência de tudo isso na Rússia. Terceiro: o mundo empresarial não é perseguido, tal como na Rússia. Não existe nada parecido com a “ausência da lei” por parte da polícia. A polícia de trânsito não conta, são como baratas, não é possível elimina-los. (Geórgia provou que isso é perfeitamente possível).

Também existem muitas parecenças. Corrupção. Promiscuidade entre o mundo empresarial e o poder. A cultura empresarial, salvo erro, é pior do que na Rússia. Nas aldeias bebem menos e não existe a falta de esperança gritante, como nas aldeias russas. Talvez por isso a esperança da vida dos homens é maior. Embora em geral, os ucranianos hoje são tão soviéticos como russos [...] devem “espremer” o seu sovietismo nos próximos 15 anos, não menos do que isso. [...]

Provavelmente a maior diferença entre dois países, é o facto da Rússia continuar considerar-se como império. Os russos, na sua maioria, estão prontos perdoar ao poder a limitação dos seus direitos em troca da grandeza aparente do país. Os cidadãos da Ucrânia certamente não estão prontos para isso. O complexo imperial russo se situa mais profundamente do que o imperialismo britânico, francês ou alemão. O imperialismo alemão foi eliminado em dois tempos. Totalmente e para sempre. Os britânicos e franceses o perderam e se não sem a sangue, certamente de forma consciente. Praticamente todas as nações imperiais já “espremeram” este seu imperialismo. [...]

A Rússia consumiu a droga imperial em jejum, praticamente na meninice, antes de se tornar o estado nacional. Em apenas um instante histórico, entre o Ivan I e Ivan III, a Moscóvia engordou 30 (!) vezes. Somos maiores e mais grandiosos do mundo! Nesta frase, o sentido “MAIS” foi cristalizando antes de se formar o sentido de “NÓS”. Não importa quem somos! Importa que somos MAIS! Somos – Horda? Boa. Importante que somos horda superlativa. Somos o Império russo? Optimamente. Somos URSS! Belo! Importante que outra vez somos maiores e todos nós temem. Rússia – é o supra estado energético? Mas será que MAIOR? Sim, maior, não se preocupem. OK! Serve!

Espremer o imperialismo será difícil para Rússia também porque do ponto de vista russo [...] o império é quando (o imperialista) tem o chapéu de coco e os locais são espancados com a chibata. Pelo contrário, o camarada Sukhov libertava as mulheres da Ásia Central. Como isso pode ser o império? [...] A fronteira entre a metrópole e a colónia não passa pelo mar, nem pela terra, mas passa entre a elite e a população. Nestes condições imperialismo é extremamente pegajoso. [...]

Tudo supracitado permite tirar algumas conclusões.

Primeiro, a julgar pelo comportamento das elites, nossos países entraram no seu 20° aniversário não como maiores de idade, mas como jovens problemáticos, que não conseguem superar os seus complexos.

Segundo, as trajectórias da vida dos países separam-se cada vez mais. Rússia outra vez aquece o caldeirão da nação imperial. Ucrânia já rastejou fora dele e não pretende voltar.

Terceiro, simplesmente é chato quando as pessoas [...] se tornam reféns dos políticos incapazes de crescer até a alcance das tarefas colocadas pela época.

Fonte:

segunda-feira, agosto 22, 2011

Tomada de Tripoli pode não significar fim do regime de Kadhafi (opiniões de peritos russos)

Mikhail Marguelov, representante especial do Presidente da Rússia para África, considera que a tomada de Tripoli pela oposição líbia pode não significar a queda de Muammar Kadhafi.
Segundo ele, o coronel pode fugir da capital líbia, pelo deserto ou por mar, e não utilizou a maior parte do arsenal de que dispõe.
“Tripoli pode cair hoje ou amanhã. Os insurgentes controlam o leste do país, mas não controlam o deserto, as fronteiras com o Sudão, Chade e Argélia. Por isso haverá, durante algum tempo, focos de resistência”, declarou Marguelov à rádio Eco de Moscovo.
Depois de recordar o recente lançamento de um míssil balístico Scud por Kadhafi, o político russo acrescentou: “espero muito que ele não realize nenhum dos seus planos suicidas”.
Marguelov sublinhou que a Rússia não irá dar refúgio político ao coronel líbio.
“A Rússia não esteve, nem estará pronta a receber Kadhafi. Deixámos de lhe apertar a mão depois de ter ordenado bombardeamentos aéreos de manifestações”, explicou.
Gueorgui Mirski, analista do Instituto de Economia Mundial e Relações Internacionais, considera que o futuro da Líbia e de Kadhafi são “duas coisas diferentes”.
Segundo ele, “a Líbia continuará a ser um país de segundo plano. Se não tivesse petróleo, ninguém ouviria falar dela. Mas como o tem, irá desempenhar algum papel, mas já não político”.
“Graças ao caráter de Kadhafi e à sua revolução, a Líbia desempenhava um papel geopolítico exageradamente grande, que não correspondia à sua importância geopolítica. Ele metia-se em toda a parte, apoiava terroristas, revoluções”, explica Mirski.
O cientista defende que a Líbia se tornará num país normal, sublinhando que tem possibilidades de manter a integridade territorial.
“Não vale a pena esperar guerras entre as tribos líbias”, concluiu.
Evgueni Minchenko, diretor do Instituto Internacional de Peritagem Política, defende que Kadhafi poderá ainda resistir e que a sua queda conduzirá à desintegração da Líbia.
“Kadhafi preferirá morrer em combate ou fugir para um dos países vizinhos e continuar a resistência. Tanto mais que o exército líbio se ingeriu várias vezes nas disputas dos vizinhos e, hipoteticamente, ele pode encontrar aí significativo apoio”, considera ele.
“O mais provável é que se formem três Estados, conforme as fronteiras historicamente das regiões: Tripolitânia (no noroeste), Cirenaica (no nordeste) e Fezã (no sul). Estas províncias da Líbia desenvolveram-se, durante muito tempo, independentemente umas das outras e existem todas as hipóteses de cada uma se tornar independente. Talvez algumas tribos proclamem a sua autonomia”, acrescenta.
O perito conclui que, nesse caso, “a Líbia assistirá a uma catástrofe humanitária, cujas consequências ultrapassarão o que hoje ocorre no Iraque”.

domingo, agosto 21, 2011

Blog do leitor (Desconhecidos bandeirantes ucranianos)

 

Texto traduzido e enviado pelo leitor Jest:


"Durante longo período da ocupação soviética da Ucrânia, a bandeira nacional ucraniana era proibida e a sua posse ou exposição pública era sentenciada com a pena de morte ou a prisão nos campos de concentração.
por: Andriy Kvyatkovskiy *
Na Ucrânia o Dia da Bandeira Nacional é celebrado duas vezes, no dia 24 de Julho apenas em Kyiv (por ocasião do içamento da bandeira nacional na Câmara Municipal de Kyiv em 1990) e no dia 23 de Agosto, festa nacional estabelecida pelo Decreto presidencial de 2004 (o içamento da bandeira nacional no parlamento ucraniano em 1991). Mas nem sempre foi assim...
Em 1958 na aldeia de Verbytsya no distrito de Khodoriv na província de Lviv foi criado um grupo clandestino que içava as bandeiras nacionais e divulgava os folhetos anti-soviéticos. Em 1962 (durante a “primavera” de Khrushev!), o líder do grupo, Fedir Protsiv foi sentenciado à morte, outros 6 resistentes receberam as penas de prisão entre 8 à 15 anos.
Em Novembro de 1961 na aldeia de Vytvytsya na província de Ternopil, o miliciano soviético Mykhaylo Dyak içou a bandeira ucraniana. Ele não foi descoberto e serviu de inspiração para a criação da Frente Nacional Ucraniana, organização clandestina activa até 1967.
No dia 1 de Maio de 1966 dois jovens operários ucranianos, o serralheiro Georgiy Moscalenko e trabalhador da construção civil, Viktor Kuksa trocaram a bandeira soviética vermelha pela bandeira ucraniana no edifício do Instituto da Economia Popular de Kyiv (onde desde os anos 1960 estudavam os bolseiros da África lusófona). A bandeira ucraniana continha tryzub e as letras do Hino nacional ucraniano (também proibido na URSS). Quase um ano o grupo especial do KGB procurou pelos autores do acto corajoso, no fim eles foram sentenciados à 2 e 3 anos da prisão nos campos de concentração em Mordóvia. A procuradoria geral da Ucrânia já independente dificultou o processo de reabilitação do Georgiy Moscalenko e Viktor Kuksa, mas acabou por ceder perante a pressão da sociedade civil.
Para comemorar o 55° aniversário da proclamação da República Popular da Ucrânia Ocidental (ZUNR), na noite de 22 de Janeiro de 1973 na vila de Chortkiv, província de Ternopil, foram içadas 4 bandeiras nacionais e espalhados diversos folhetos. O povo repetia a frase do guarda do cinema local, onde foi hasteada uma das bandeiras: “Á noite olho – a vossa bandeira, de manha vejo – a nossa bandeira”. A acção era da autoria dos 9 jovens activistas da aldeia vizinha de Rosokhach, quase todos eles foram presos e enviados aos campos de concentração da Mordóvia.
O aposentado ucraniano Borys Zakharovych Nebesnyuk também tem uma história ímpar. O seu pai era camponês, em 1958 passou um ano na prisão pelo roubo de um saco de feno no kolkhoz. Tio – Vasyl Nebesnyuk foi membro da OUN desde década 1930, comandava uma unidade do UPA e morreu em combate em 1948.
Em 1964 Borys Nebesnyuk foi graduado pela escola de enfermagem de Kharkiv e enviado ao kolkhoz para ajudar na lavoura de repolho na província de Dnipropetrovsk (prática comum na URSS). Na escola de enfermagem, ele fazia parte de um grupo patriótico clandestino de 11 estudantes, chefiado pelo professor Hryhoriy Pysarenko. Professor Pysarenko pertencia à uma família ucraniana patriótica, alegadamente, ele manteve os contactos directos com os dissidentes ucranianos em Kyiv.
Juntamente com Nebesnyuk, foram enviados ao kolkhoz mais dois membros do grupo, Vasyl Osadchuk e Dmytro Sobolyuk, ambos tiveram os familiares a lutar no UPA. Nas vésperas do aniversário do golpe comunista de 1917, celebrado anualmente no dia 7 de Novembro, eles decidiram trocar a bandeira vermelha do clube local pela bandeira ucraniana. Compraram quatro camisas checoslovacas de nylon, duas azuis e duas amarelas, pediram sua amiga local, Zina, para fazer a bandeira. A rapariga não sabia o que fazia, disseram que era a bandeira estudantil. Zina não foi descoberta, ninguém do grupo denunciou-a. Os nossos “bandeirantes” nem sabiam direito a ordem da colocação das faixas na bandeira, que ficou “amarela e azul”, em vez de azul e amarela.
Quando a bandeira foi hasteada, o chefe do comité local do partido comunista avisou o KGB. Dois rapazes foram presos imediatamente, Borys Nebesnyuk fugiu, mas também foi rapidamente detido. A investigação se desenrolou em Kharkiv, ninguém denunciou os restantes colegas do grupo clandestino. O julgamento público decorreu no recinto da fábrica Malyshev em Abril de 1965. Os estudantes locais eram obrigados assistir o julgamento e gritar “Fu-zi-lar! Fu-zi-lar! Ban-deris-tas!”
Primeiramente, a sua sentença era de apenas 2 anos da cadeia, ao abrigo do artigo 140 do código penal ucraniano (“Roubo”), foram acusados de roubar as camisas compradas legalmente. Apenas dois meses antes do fim da pena foi feito o novo julgamento, eles foram acusados ao abrigo do artigo 142, parte 3 (“Roubo à mão armada que causou danos físicos severos”). Foram sentenciados à pena capital, que após apelação ao procurador – geral da URSS foi comutada para 15 anos da cadeia, mais 5 anos de degredo. Desta vez os amigos foram separados e Borys Nebesnyuk desconhece o seu destino. Ele cumpriu a pena em Kharkiv, em 1967, por ocasião do 50° aniversário do poder soviético foram lhe “perdoados” 4 anos, em 1970 (100° aniversario do nascimento do Lenin) “perdoaram” lhe dois anos do degredo. Também foram contabilizados dois anos da primeira pena. Assim Borys Nebesnyuk saiu em liberdade em 1972.
Viveu o degredo na república autónoma russa de Komi. Só em 1975 voltou para Ucrânia sem direito de viver nas grandes cidades (a regra do “101° quilómetro”). Trabalhou na construção civil. Aposentado desde 2006, a sua pensão é de 287 UAH (36 USD). Não foi reabilitado, pois era condenado pelos artigos “criminais”. A prática soviética e ucraniana determinava que os dossiers dos casos criminais (diferentemente dos casos políticos), eram guardados nos arquivos do Ministério do Interior durante um certo período de anos, depois eram destruídos. No caso do nosso “bandeirante”, desde a sua detenção já decorreram 47 anos...
Fonte:
* Sobre o autor: jornalista, editor do jornal ucraniano lendário “Post-Postup”, co-autor do livro “Cemitério de Lychakiv” (ISBN 9667188280)."

sábado, agosto 20, 2011

Falta de cuecas abalou a etiqueta soviética

A propósito do 20º aniversário da derrota do golpe comunista de 19 de Agosto de 1991 muitos relatos e memórias têm sido publicadas e reveladas. Deixo aqui uma que mostra a "fartura" existente na União Soviética.
Leonid Kravtchuk recorda que, quando era segundo-secretário do Partido Comunista da Ucrânia, parte do Partido Comunista da União Soviética, foi visitar uma fábrica textil.
A fábrica estava instalada num edifício de dois andares. Quando ia a subir as escadas do rés-do-chão para o primeiro andar, convidou as operárias e gerentes da fábrica a passarem à sua frente, proposta que foi prontamente recusada.
Perplexo, Kravtchuk perguntou porque é que não queriam passar à frente. Elas explicaram: "Não podemos porque não temos cuecas vestidas, pois não aparecem à venda nas lojas".
Como se costuma dizer, acredite se quiser.
Mulheres, na URSS também não havia tampões e pensos higiénicos, entre muitas outras coisas.

Grande líder norte-coreano entra secretamente na Rússia em comboio blindado


A visita surpresa de Kim Jong Il, dirigente da Coreia do Norte, à Rússia foi recebida de forma diferente pelos analistas russos.
Fiodor Lukianov, redator-chefe da revista “Rússia no mundo global” considera que Kim Jong Il irá discutir com o seu homólogo russo, Dmitri Medvedev, a construção de um gasoduto através de toda a Península da Coreia, que atravessará os territórios das duas Coreias.
Segundo ele, “as conversações podem levar à abertura económica da Coreia do Norte, que tradicionalmente se encontra numa situação complicada”.
O perito russo considera mesmo que a realização do projeto conjunto das duas Coreias, com a participação da Rússia enquanto parte neutra, pode contribuir para “tirar o conflito entre elas do beco sem saída”.
Konstantin Asmolov, analista do Instituto da Coreia da Academia de Ciências da Rússia, tem uma posição oposta, sublinhando que “não há razões evidentes para o encontro”.
“Tudo o que poder ser analisado na cimeira Rússia/Correia do Norte não poderá arrancar a situação do ponto morto, isso diz respeito às conversações no campo do “sexteto”, porque aí nada depende da posição da Coreia do Norte, mas dos Estados Unidos e dos seus aliados, em primeiro lugar da Coreia do Sul”, declarou ele à rádio Eco de Moscovo.
O “sexteto”, constituído pelas Coreias do Norte e Sul, Estados Unidos, Rússia e China, tem como objetivo resolver o problema do programa nuclear de Pyongyang de forma às autoridades comunistas  renunciarem às armas nucleares.
“Ou serão discutidos projetos a longo prazo, como a ideia da Gazprom de fornecer à Coreia gás, mas ainda é preciso criar as infraestruturas”, acrescentou.
O dirigente supremo  norte-coreano, Kim Jong Il, atravessou a fronteira da Rússia de madrugada, no maior dos segredos e no seu comboio blindado.
Kim Jong Il não viaja de avião, pois não acredita muito na segurança dos aparelhos voadores.
O itinerário do dirigente do regime político mais fechado do mundo continua a ser segredo. O Kremlin revelou apenas que ele irá visitar os Círculos Federais da Sibéria e do Extremo Oriente russo.
Não foi revelado o lugar onde Kim Jong Il irá encontrar-se com o seu homólogo russo, Dmitri Medvedev, mas a imprensa russa avança como lugar provável a cidade de Ulan-Udé, no sudeste da Sibéria.

sexta-feira, agosto 19, 2011

Iúlia Timochenko sente-se “muito mal”, mas recusa assistência médica prestada por autoridades

Iúlia Timochenko, que se encontra na prisão há duas semanas, sente-se “muito mal”, mas as autoridades não permitem que ela seja assistida pelo médico pessoal, declarou Marina Soroka, porta-voz da  antiga primeira-ministra ucraniana.
“Iúlia Vladimirovna sente-se muito mal, mas não permitem o acesso do médico a ela. Desconhece-se o tipo de doença, mas o médico de Timochenko diz que é necessário fazer análises”, precisou ela, citada pela agência Ria-Novosti.
“Como é que ela se pode preparar para fazer declarações no tribunal sobre o processo do gás nesse estado?”, perguntou Soroka, acrescentando: “eles [poder] querem simplesmente dar cabo de Timochenko como política”.
Iúlia Timochenko é acusada de ter abusado do poder durante as conversações com a Rússia sobre fornecimentos de gás em 2009.
O seu advogado de defesa já pediu oito vezes a libertação da dirigente da oposição ucraniana, pedidos recusados pelo juiz.
O Serviço Penitencial da Ucrânia informou que o Tribunal Petcherski, onde a antiga primeira-ministra está a ser julgada, autorizou ontem uma consulta médica, mas Timochenko recusou-a.
“Ontem, uma comissão médica, constituída por conhecidos especialistas da Ucrânia, esteve na prisão. Não obstante isso, Timochenko recusou a consulta, o que ficou fixado por escrito”, lê-se num comunicado desse serviço.
Iúlia Timochenko afirma recear a assistência médica oficial.