Terça-feira, Maio 31, 2011

Dueto português estreia sonata de Óscar da Silva na Rússia



  O violionista Álvaro Pereira e o pianista Sérgio Morais Coelho interpretaram, ontem à noite, na Sala Rachmaninov do Conservatório de Moscovo a Sonata de Óscar da Silva, tratando-se da estreia dessa obra na Rússia.
Além da obra, o dueto português interpretou a Sonata “Duo Grande” em lá maior de Franz Schubert e a Sonata em lá maior de César Franck.
O concerto de Álvaro Pereira e de Sérgio Morais Coelho decorreu numa das mais emblemáticas salas da capital russa e contou com a presença de mais de 200 espetadores.
O espetáculo decorreu no âmbito do IX Festival Internacional de Música “Vselennaia Zvuka” (Universos do Som).
Sérgio Morais Coelho estudou no Conservatório de Música do Porto e no Centro de Cultura Musical, na classe de José Alexandre Reis, bem como na Escola Superior de Música e Artes do Espectáculo do Porto, na classe de piano de Miguel Borges Coelho, terminando a licenciatura com a classificação máxima de 20 valores.
Durante o seu percurso no ensino superior, o pianista frequentou durante dois anos a classe do mestre russo Vladimir Viardo, na Universidade do Norte Texas, e teve aulas com Galina Egyazarova em Madrid.
Sérgio Morais Coelho realizou master-classes com Pedro Burmester, Helena Sá e Costa, Tania Achot, Vitalij Margulis, Carlos Cebro, Solomon Mikovsky, Alexander Mndoyants, Dmitri Bashkirov , entre outros.
Foi bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian entre 1997e 2001, assim como da Universidade do Norte Texas e da Viardo Fellowship Foundation em 2001e 2002.
O pianista venceu, em 1999, o Concurso Nacional de Piano Maria Campina; em 2002, conseguiu o segundo prémio do International Concerto Competition of Texas Music Teachers Association; em 2003, o Prémio Helena Sá e Costa e, em 2004, obteve o 3º Prémio no Concurso Internacional Maria Campina.
Foi solista com a Orquestra Artave sob a direcção de António Soares (1999), a Orquestra Sinfonieta dirigida por Yuri Nasuchkin (2003), a Orquestra Volga Arts de Córdoba e a Orquestra do Algarve dirigida pelo Maestro Ivo Cruz.
Álvaro Pereira foi aluno do concertino Zofia Woycicka da Orquestra Sinfónica do Porto - Casa da Música, no Conservatório do Porto, e ingressou no Conservatório Rimsky- Korsakov de São Petersburgo em 2008 e estuda neste momento sob a orientação de Alexandre Stang, Professor e Artista Emérito da Rússia.
O concerto foi uma iniciativa do Instituto Camões e teve o apoio da TAP, MMC World SA e Centro de Língua e Cultura Portuguesas PORTUGUES.RU.


Domingo, Maio 29, 2011

Polícia detém mais de quarenta participantes em manifestações gays


A polícia moscovita anunciou ter detido mais de trinta pessoas durante as manifestações de domingo a favor e contra as minorias sexuais que hoje se realizaram no centro da capital russa.
Representantes das organizações de gays, lésbicas a transexuais andaram num autêntico jogo do “gato e do rato” não só com a polícia, mas também com “cabeças rapadas” e nacionalistas russos.
Inicialmente, algumas dezenas de gays e lésbicas tentaram manifestar-se perto da Praça Vermelha, gritando palavras de ordem como “Liberdade!”, “Rússia sem homofobia”, mas foram recebidos por manifestantes nacionalistas e ortodoxos que se envolveram em confrontos.
A polícia interveio para deter fundamentalmente representantes das minorias sexuais.
Gays e lésbicas tentaram também manifestar-se em frente da Câmara Municipal de Moscovo, a algumas centenas de metros da Praça Vermelha, mas também aí foram recebidos por nacionalistas.
“Cabeças rapadas” e ortodoxos russos entoavam canções de protesto contra a realização de paradas gays. Duas jovens, apoiantes das minorias sexuais, tentaram polemizar com os jovens nacionalistas, apelando à tolerânciia, mas acabaram por ser detidas pela polícia.
As autoridades moscovitas têm vindo a proibir a realização de paradas gays, alegando irem contra a “moral social” e “a pedido dos habitantes da cidade”.
“O Governo de Moscovo recebeu uma grande quantidade de apelos da sociedade para que essas manifestações sejam proibidas”, justificam-se as autoridades.
Um porta-voz do Ministério do Interior da Rússia tinha dito na sexta-feira a propósito destas manifestações: “as suas ações ilegais têm um caráter provocatório, serão imediatamente travadas em confirmade rígica com a lei vigente”.

Sexta-feira, Maio 27, 2011

Rússia aceita mediar solução do conflito na Líbia


O Presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, considerou hoje que Muammar Kadhafi perdeu a legitimidade e deve abandonar o poder, mas defendeu uma Líbia independente, livre e soberana.
“Se leram a declaração da cimeira, lá está escrito que o regime de Kadafi perdeu a legitimidade, que ele deve sair. Isso foi aprovado por unanimidade”, declarou Medvedev, numa conferência de imprensa depois da Cimeira do G-8, e acrescentou que “a Rússia está interessada na conservação da Líbia como Estado independente, livre e soberano”.
O Presidente russo anunciou que irá “enviar imediatamente” o seu assessor para assuntos africanos, Mikhail Marguelov, a Bengazi, capital da oposição líbia.
“Para podermos utilizar melhor os contatos existentes entre a Rússia e Bengazi, por um lado, e Tripoli, por outro, decidi enviar a Bengazi o meu representante especial para África”, afirmou.
“Por enquanto, considero que seria correto enviá-lo a Bengazi. Quanto a Tripoli, aí a situação é mais complexa, mas, em qualquer caso, espero que tenha possibilidade de conversar tanto com a oposição, com as novas forças políticas, como com representantes da anterior direção”, precisou.
Medvedev manifestou que o seu país não está pronto a receber Kadhafi após a sua demissão:
“Penso que a saída de Kadhaffi não tem significado substancial. Mas se ocorrer, será últil para o país, iremos discutir o que fazer. A comunidade mundial não o vê como dirigente da Líbia. É preciso discutir que país concederá a Kadhafi refúgio caso se demita”, disse ele.
“A Rússia não, mas encontrar-se-á alguns países”, frisou.
Entre os candidatos a refúgio de Kadhafi estão a Bielorrússia, se o ditador Alexandre Lukachenko se aguentar durante mais algum tempo, ou a Venezuela.
Segundo fontes diplomáticas, essa missão foi aceite a pedido de França na Cimeira dos G-8, pois, dias antes, Serguei Lavrov, ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, tinha excluído essa possibilidade.
Desse modo, Moscovo, ao aceitar realizar essa missão, tenta não ser afastada da solução do problema de um país onde ela tem fortes interesses económicos: fornecimento de armas, exploração de gás e petróleo, contrução de vias férreas. 
Além disso, caso consiga cumprir esta missão, evitará, entre outras coisas, a necessidade da realização de uma operação terrestre por parte da NATO.
O êxito nesta tarefa poderá também à Rússia desempenhar um papel de maior relevo na solução do problema da Síria. Como é sabido, Moscovo manifesta-se contra a aprovação de sanções contra Damasco, ao contrário dos Estados Unidos e União Europeia.
A diplomacia de Moscovo vai ter uma oportunidade de mostrar o que vale, resta deselhar-lhe êxitos.

Lukachenko ameaça encerrar escritórios de médias estrangeiros



O Presidente da Bielorrússia, Alexandre Lukachenko, ameaçou com o encerramento de escritórios de órgãos de informação estrangeiros, acusando-os de atiçar a situação nos mercados financeiro e de consumo.
“Os mídias russos são os que mais histeria provocam... Não vou fazer publicidade deles, mas façam tudo para que eles não estejam presentes no nosso território”, declarou ele numa reunião dedicada à situação financeira na Bielorrússia.
“Vou citar o que escrevem sobre nós os desenfreados mídias russos. Acusam-me de ter abandonado percipitadamente o país e fugi. Tinham em vista a minha viagem ao Cazaquistão, programada há um ano”, acrescentou.
O Presidente bielorrusso declarou também que não permitirá a privatização da propriedade pública, não obstante as dificuldades económicas do país.
“Não haverá qualquer venda criminosa do país. Nem adquirirá sem a minha autorização a MAZ, Belkalii, BelAZ, BMZ”, frisou, tendo em vista grandes empresas que fabricam autocarros, camiões, tratores e produtos químicos.
A Bielorrússia atravessa, mas últimas semanas, uma grave crise financeira. Devido à falta de moeda estrangeiro, o Banco Nacional viu-se obrigado a desvalorizar a moeda nacional em mais de 50 por cento.
Isto levou a uma corrida dos bielorrussos às lojas e ao desaparecimento de numerosos produtos de consumo corrente.
A Rússia prometeu a Minsk créditos, mas exige em troca a privatização de empresas bielorrussas.

G-8 e regime de Kadhafi pedem à Rússia que seja intermediária na solução do conflito na Líbia


Os dirigentes dos países-membros do G-8 pediram à Rússia para chamar a si o papel de intermediária na reguçarização da situação na Líbia, declarou Natália Timakova, porta-voz do Presidente Medvedev.
“Em todos os encontros bilaterais, todos agradeceram ao Presidente (Medvedev) pela sua posição construtiva sobre a Líbia. Mais, em praticamente todas as conversas soou o pedido da Rússia chamar a si a missão de intermediária na normalização da situação na Líbia”, disse ela aos jornalistas russos que acompanham Medvedev na cimeira de Deauville.
Em Moscovo, Serguei Lavrov, ministro russo dos Negócios Estrangeiros, revelou ter tido uma conversa telefónica com o Al-Bagdadi Ali al-Mahmudi, ministro do governo de Tripoli, em que este pediu a Moscovo ajuda para conseguir um cessar de fogo.
“O representante de Tripoli pediu apoio na consecução de um acordo de cessar de fogo e no início de conversações sem condições prévias”, precisou ele.
Lavrov, depois de confirmar a posição da Rússia da necessidade do cumprimento rigoroso por todas as partes fas resoluções do CS da ONU 1970 e 1973, antes de tudo a parte relativa à não permissão de ações capazes de provocar vítimas entre a população civil,  comunicou ao primeiro-ministro líbio a posição da direção russa sobre as perspetivas da saída da crise Líbia “à luz das conversas realizadas por Dmitri Medvedev com os participantes da Cimeira de Deauville”.
Segundo o chefe da diplomacia russa, “tendo em conta todo o conjunto de fatores, desenham-se componentes do possível acordo sobre o cessar dos confrontos armados e da transição da situação para a via política, bem como do início de conversações sobre a construção de uma linha com a participação dos representantes de todas as forças políticas e tribos desse país, sem ingerência externa”.
Serguei Lavrov sublinhou que a opção a favor desse desenvolvimento dos acontecimentos tem o apoio da Rússia, sublinhando que “agora os líbios têm a palavra”.
No início da semana, quando Moscovo recebeu representantes do regime de Muammar Kadhafi e da oposição líbia, os dirigentes russos afirmaram não tencionar mediar o conflito.
Por enquanto, a Rússia não deu uma resposta clara ao pedido do G-8 e do regime de Kadhafi.

Quinta-feira, Maio 26, 2011

Confrontos entre polícia e manifestantes da oposição provocaram dois mortos e dezenas de feridos na Geórgia



Duas pessoas morreram e 37 ficaram feridas durante confrontos entre a polícia e manifestantes da oposição durante a madrugada, informa a agência Novosti-Gruzia, citando uma fonte policial.
Os canais de televisão georgianos mostram imagens em que se vê o automóvel de um dos dirigentes da oposição a sair em alta velocidade do local dos confrontos, atingindo duas pessoas.
Segundo a polícia, o carro é propriedade do filho de Nino Burdjanadzé.
“Morreu o agente da polícia Vladimir Maskhurachvili e um antigo polícia Nodar Tzkhadadzé”, declarou Chota Utiachvili, porta-voz da polícia.
Segundo o Ministério do Interior da Geórgia, no hospital estão internadas 37 pessoas, das quais 8 agentes da polícia.
Durante a madrugada, destacamentos da polícia de choque desalojaram militantes da oposição da Praça da Liberdade, onde hoje de manhã se deverá realizar uma parada militar com a presença do Presidente da Geórgia, Mikhail Saakachvili.
A polícia utilizou jatos de água e gás lacrimogénio para dispersar os manifestantes.
Nino Burdjanadzé,  uma das líderes da oposição, declarou que a polícia de choque agiu de forma “implacável e dura”, empregou “força desproporcional”.
Há cinco dias que a organização da oposição georgiana Aliança Popular se manifestava nas ruas de Tbilissi para exigir a demissão de Mikhail Saakachvili.
Ontem, os manifestantes ocuparam a praça onde hoje deve ter lugar a parada militar para assinalar o dia da independência da Geórgia. A polícia preveniu de que iria atuar se eles não abandonassem o local até à meia noite, o que acabou por acontecer.

Terça-feira, Maio 24, 2011

Tribunal de Moscovo reduz um ano na pena de prisão de Khodorkovski e Lebedev



O Tribunal de Moscovo confirmou a sentença do tribunal de primeira instância que condenou Mikhail Khodorkovski, antigo patrão da petrolífera russa Yukos, e Platon Lebedev, a pesadas penas de prisão.
O Tribunal de Moscovo apenas reduziu a pena de prisão de 14 para 13 anos.
“Condenar Khdorkovski e Lebedev a uma pena de 13 anos de prisão cada um numa cadeia comum”, anunciou hoje o juiz.
Mikhail Khodorkovski e Platon Lebedev foram condenados por terem “roubado petróleo”. O juiz considerou que eles  roubaram 118 milhões de toneladas de petróleo, e não 347 milhões de toneladas, como tinha decido o tribunal de primeira instância, o que permitiu reduzir a pena de prisão.
Os homens de negócio russos irão ficar na prisão até 2016, pois já se encontram a cumprir outra pena.
A defesa de Khodorkovski e de Lebedev tinha pedido a absolvição dos seus clientes por “ausência de crime nas ações deles”.
O antigo patrão da Yukos tomou a palavra no julgamento para dizer que a acusação era um “absurdo”, sublinhando que exigia a absolvição e não a redução da pena.
“Não preciso de misericórdia”, frisou. 
A Procuradoria-Geral da Rússia considerou que a redução da quantidade de petróleo roubado não justifica a diminuição da pena.
Os advogados de defesa já anunciaram que irão recorrer da sentença no Tribunal Europeu de Direitos do Homem.
O julgamento de Khodorkovski e Lebedev tem sido um dos processos jurídicos mais falados na Rússia e no mundo, pois são muitos os que consideram que eles são julgados não por “crimes económicos”, mas por terem decididon apoiar a oposição ao primeiro-ministro Vladimir Putin.
Quando o juiz terminou a leitura da sentença, cerca de uma centena de pessoas reunidas junto do tribunal gritaram: “Vergonha!”, “Vergonha”!

Corrupção no complexo militar industrial russo - apenas alguns números

Segundo Serguei Fridinski, principal Procurador-Geral Militar da Rússia, um em cada cinco rublos, ou seja 20% do dinheiro investido no complexo militar-industrial russo, desaparece nas areias da corrupção.
Estas declarações foram feitas por ele ao diário Rossiskaia Gazeta ao comentar as razões do falhaço no cumprimento do programa de modernização dos armamentos russos.
Uma das formas é desviar meios para outros fins. Por exemplo, a Fábrica de Rádio de Sarapulski, na Udmutria, não cumpriu quatro contratos porque dos 120 milhões de rublos investidos, 80 % foram para "gastos correntes". Por isso, a produção que devia ter sido entregue em 2009 apenas foi fornecida nos finais de 2010.
Outra forma é o fornecimento de peças "piratas" ou usadas em vez de peças originais e novas.  
Fridinkski pormenoriza: "nos últimos dias, a Procuradoria Militar terminou a inspeção de 275 fábricas de manutenção de aviões, onde os diretores-gerais e seus subordinados, em concluio com os fornecedores, utilizavam, na reparação de aviões, peças e mecanismos velhos e até avariados. Os documentos técnicos foram falsificados. O prejuízo causado foi superior a 90 milhões de rublos e claro que isto não tem  nada a ver com a capacidade de combate ou a segurança dos voos".
Mais um exemplo: "Há vários anos que se viola a lei numa das fábricas de torpedos. Antes, era fornecida produção usada como nova. Estamos a investigar. Agora descobrímos que, quando do fabrico de torpedos, foram utilizadas peças importadas com o prazo de validade ultrapassado e a sua importação era feita sem autorização".

Segunda-feira, Maio 23, 2011

Classe média foge da Rússia - apenas números

Segundo Serguei Stepachin,  chefe do Tribunal de Contas da Rússia, 
1 250 000 de russos, principalmente da classe média e empresarial, abandonaram o país nos últimos três anos. 
Entre 1980 e 1990, quando da desintegração da União Soviética, cerca de um milhão de russos abandonaram o país.
Segundo o Instituto  Levada, cerca de 50% sonham emigrar, sendo que 2/3  têm menos de 35 anos. 63% dos inquiridos gostariam que os seus filhos estudassem no estrangeiro.

Vladimir Putin invoca o nome de Alexandre Nevski como símbolo de patriotismo


O primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, recordou hoje a figura de Alexandre Nevski, príncipe russo que os habitantes de Pskov expulsaram, mas depois pediram para que regressasse.

“Alexandre Nevski é um exemplo brilhante de serviço à Pátria. Foi precisamente ele que uniu todos em torno das suas ideias, todos os que amam a Rússia, que querem o seu desenvolvimento. E embora ele tenha sido expulso, ele voltou e ainda deu na tola da Ordem Teutónica”, declarou ele numa reunião com ativistas de organizações sociais daquela antiga cidade russa.

O primeiro-ministro frisou que foi precisamente o princípe Nevski que deu início à reunificação das terras russas.

“Não obstante a situação extremamente complexa, não obstante a divisão da Rússia, Alexandre Nevski começou o movimento pela unidade da Rússia. E não foi por acaso que me veio à cabeça Alexandre Nevski, porque ele deu início ao movimento para a união gradual da Rússia durante séculos”, acrescentou.

Putin chamou “copiadores” a Guennadi Ziuganov, dirigente do Partido Comunista, e Serguei Mironov, dirigente do Partido Rússia Justa, sublinhando que as tentativas de cópia da sua Frente Popular Unida não podem ser melhores que o original.  

“A cópia do original não pode ser melhor que o original. Trata-se sempre de repetiçõeszinhas de um movimento sério. E parece que não se pode esperar que elas sejam melhores”, precisou.

Alguns analistas consideram que a ideia de Putin criar a Frente Popular Unida visa criar uma base para o seu regresso triunfal ao Kremlin nas eleições presidenciais de 2012.

Daí o primeiro ministro de se lembrar de Alexandre Nevski. Este príncipe russo (1221-1263) celebrizou-se pela vitória militar sobre os cruzados da Ordem Teutónica em 1241, quando estes invadiram o noroeste da Rússia.

O seu nome foi muito utilizado pelo ditador comunista José Estaline para elevar o patriotismo dos russos durante a segunda guerra mundial (1939-1945), tendo o seu nome sido imortalizado pelo cieasta soviético Serguei Eiseinstein.

Domingo, Maio 22, 2011

Polícia lança carga contra manifestantes e faz detenções na Geórgia



A polícia de choque georgiana lançou uma  carga contra militantes da oposição que se manifestavam junto da sede da televisão pública na capital da Geórgia e fez numerosas detenções.
“A carga ocorreu de manhã. A polícia dispersou militantes da oposição perto do edficío da televisão central. Durante a carga uma mulher ficou ferida”, declarou um porta-voz do Movimento Democrático-Geórgia Unida.
Nino Burdjanadzé, uma das dirigentes da oposição ao Presidente Mikhail Saakachvili, acusou a polícia de “ter feito uma provocação, mas terá a resposta devida”.
“A polícia prendeu centenas e centenas de pessoas em Tbilissi e noutras cidades georgianas”, acrescentou Burjanadzé.
Os militantes da oposição continuam  no local dos confrontos e recusam-se a abandoná-lo.
“As cargas policiais não nos amedrontam, continuaremos aqui até à última gota de sangue, até que o regime antipopular do Presidente Saakachvili, desapareça”, anunciou umk porta-voz do movimento da oposição Assembleia Popular da Geórgia.
Na véspera, cerca de 6 mil apoiantes da oposição na Geórgia manifestaram-se hoje em Tblissi para exigir a demissão do presidente, Mikheil Saakachvili, que acusam de autoritarismo, constatou um jornalista da France Presse.
Em resposta a um apelo do movimento da oposição Assembleia Nacional, os manifestantes desfilaram pelas ruas da capital com 'slogans' exigindo a saída do presidente, antes de se concentrarem numa praça do centro de Tbilissi.
P.S. Nino Burdjanadzé anunciou que a revolução começou na Geórgia e a oposição convocou para 25 de Maio, dia da independência da Geórgia, uma nova manifestação contra o Presidente Saakachvili. Irakli Okruachvili, antigo ministro da Defesa, que se encontra exilado em Paris, prometeu regressar ao país nesse dia para dirigir os protestos da oposição.
A oposição georgiana está fortemente dividida, o que tem enfraquecido os protestos conta Saakachvili, mas o derrame de sangue em confrontos de rua pode ter consequências muito graves para a Geórgia, país situado na Transcaucásia. 
A comunidade internacional tem de estar atenta à situação no país, para que nele não surja um mais um "ponto quente" numa região extremamente complicada. 
Depois da conquista da independência, em 1991, o poder presidencial nunca foi transferido por via eleitoral, mas sempre através de "revoluções" e de violência. Os Estados Unidos e a União Europeia têm fechado os olhos quando os "seus filhos da mãe" violam as mais elementares regras democrática, deixando entender que a via eleitoral, transparente e justa, não é a única forma de chegar ao poder. 
Essa política de impunidade face aos "seus filhos da mãe" tem resultados péssimos, mas os interesses económicos, militares e políticos falam mais alto do que as lições da História.
Quanto ao Kremlin, este não perde a esperança de ver Saakachvili derrubado, humilhado ou até fusilado ou enforcado nalgum lugar. Para que isso aconteça, está disposto a apoiar qualquer oposição na Geórgia. Porém, é difícil acreditar que Moscovo consiga ganhar as graças dos georgianos enquanto controlar parte significativa do território desse Estado. 

Sábado, Maio 21, 2011

Candidato da CEI ao cargo de diretor-geral do FMI promete não se meter com empregadas de hotel




Grigori Matchenko, candidato da Comunidade de Estados Independentes ao cargo de diretor-geral do Fundo Monetário Internacional, prometeu hoje que não se irá meter com empregadas de hotel.
“Não irei meter-me com empregadas de hotel, disso pode ter a certeza”, declarou Martchenko aos jornalistas quando lhe perguntaram qual a sua posição face ao “sexo fraco” e se jurava não se meter com empregadas de hotel se for eleito para o cargo.
Grigori Martchenko é, atualmente, presidente do Banco Central do Cazaquistão e tem o apoio da Arménia, Azerbaijão, Bielorrússia, Cazaquistão, Moldávia, Rússia, Tadjiquistão, Tirquemenistão, Uzbequistão na luta pelo cargo de diretor-geral do FMI.

Queda de rublo bielorrusso provoca pânico entre a população



Os bielorrussos lançaram uma verdadeira corrida às lojas de produtos a fim de se livrarem da moeda nacional: rublo, que se desvaloriza muito rapidamente.
Esta situação foi reconhecida pelo vice-primeiro-ministro da Bielorrússia, Serguei Rumas: “Hoje de manhã, a monotorização mostrou que em algumas povoações surgiram problemas com a falta de alguns produtos, incluindo sal de cozinha”.
O vice-primeiro-ministro acrescentou que “o governo controla a situação e, nos próximos dias, voltarão a aparecer produtos nas lojas”.
Porém, os bielorrussos parecem não acreditar mais nas promessas dos seus dirigentes, e principalmente do Presidente Alexandre Lukachenko, correndo para as lojas e adquirem tudo aquilo que se pode conservar. Inicialmente, desapareceram os produtos e artigos estrangeiros, mas, agora, aumentou a procura de tudo o que é nacional.
Este pânico é devido à rápida desvalorização do rublo bielorrusso.
No dia 11 de maio, quando o Banco Central da Bielorrússia, liberalizou o câmbio da moeda nacional a fim de travar a sua queda, o preço de 1 euro subiu de 4.500 para 7.000 rublos, mas, no mercado negro, ele atinge os 12.500 rublos bielorrussos.
A fim de salvar o mercado financeiro, os dirigentes bielorrussos lançaram um pedido desesperado de ajuda à Rússia, mas Moscovo não se apressa a ir ao encontro do Presidente da Bielorrússia.
O Kremlin manifesta-se disposto a emprestar pelo menos 2,5 mil milhões de euros para salvar a economia do país vizinho, mas impõe condições. Por exemplo, exige a realização de privatização de parte da propriedade pública bielorrussa.
Um dos alvos principais de Moscovo é a Beltransgaz, empresa que controla a passagem do gás russo para a Europa através da Europa. A Gazprom russa está pronta a pagar cerca de 750 milhões de euros por ela.
Além disso, essa quantia é claramente insuficiente para manter à tona as finanças bielorrussas. Stanislav Bogdankevitch, antigo presidente do Banco Central da Bielorrússia, considera que, em 2011, o país necessita de um empréstimo de mais de 5 mil milhões de euros.
Minsk não pode contar com o apoio dos Estados Unidos e da União Europeia, pois Washington e Bruxelas romperam as relações com Lukachenko devido às repressões que ele tem lançado contra a oposição.

Moscovo desconhece cooperação nuclear entre Irão e Coreia do Norte


O Ministério russo dos Negócios Estrangeiros anunciou que a Rússia não tem informações seguras de cooperação entre o Irão e a Coreia do Norte no campo do fabrico de mísseis e armas nucleares.
“Nós prestámos atenção a publicações nos órgãos de informação sobre o relatório interno da ONU onde se afirma que Pyongyang e Teerão trocam regularmente tecnologias no campo do fabrico de mísseis”, declarou Alexandre Lukachevitch, porta-voz da diplomacia russa.
“Não temos informação segura de que a Coreia do Norte e o Irão cooperem, tanto mais numa base regular”, acrescentou.
Lukachevitch considerou inadmissível a publicação de relatórios confidenciais de peritos dos comités do Conselho de Segurança das Nações Unidas.
“Esses documentos pertencem à categoria dos confidenciais também para evitar interpretações incorretas. Nos últimos tempos registaram-se vários casos em que peritos do CS da ONU difundiram informação incorreta e, frequentemente, até falsa sobre a violação do regime de sanções”, concluiu.
Viatcheslav Kondrachov, porta-voz do Estado Maior das Forças Armadas da Rússia, declarou que nem o Irão, nem a Coreia do Norte têm capacidade de produzir mísseis balísticos intercontinentais.
“Presentemente, nenhum Estado no mundo, à excepção dos Estados Unidos, Rússia, Grã-Bretanha, França e China, possui armas nucleares e meios balísticos intercontinentais”, precisou o general russo.
Segundo ele, “no plano técnico e organizativo, só esses países estão em condições de testar mísseis balísticos intercontinentais”.
“O processo de fabrico de mísseis balísticos intercontinentais é extremamente difícil e moroso. É necessário resolver tarefas técnicas e tecnológicas muito complicadas para fabricar propulsores, sistemas de controlo e ogivas”, acrescentou.
Kondrachov disse também que é muito difícil fabricar, com base em foguetões espaciais, mísseis intercontinentais capazes de transportar ogivas nucleares.
“Segundo os dados do Estado Maior, o programa de mísseis da Coreia do Norte não constitui um perigo sério. No míssil norte-coreano não há o terceiro nível e ogivas nucleares”, precisou.
Na quarta-feira, o Presidente russo, Dmitri Medvedev, declarou, numa conferência de imprensa para mais de 800 jornalistas russos e estrangeiros, que estados como o Irão, cujo programa armamentista é argumento para a criação do sistema de defesa antimíssil europeu, não constituem perigo para a Europa e os Estados Unidos.

Sexta-feira, Maio 20, 2011

Blog do Leitor (A Rússia e a China desafiam a NATO)


Texto enviado pelo leitor Pippo:



19.Mai.11
A intervenção ocidental na Líbia poderia ser apenas a ponta do iceberg, e o que está em desenvolvimento poderá constituir uma geoestratégia orientada no sentido de perpetuar a dominação histórica do Ocidente sobre o Médio Oriente na era posterior à Guerra Fria. E interligado com este processo está o precedente extremamente preocupante de uma acção militar da NATO sem um mandato específico da ONU.
Esperava-se que as consultas do Ministro do Estrangeiros chinês Yang Jiechi em Moscovo, no decurso do fim-de-semana, preparassem a visita do presidente Hu Jintao à Rússia no próximo mês. Mas acontece que, afinal, se revestiram de um carácter de imensa importância para a segurança internacional.
Os continuados esforços russo-chineses para “coordenar” a sua posição sobre temas regionais e internacionais evoluíram para um nível qualitativamente novo no que diz respeito à situação em desenvolvimento no Médio Oriente.
A agência oficial de notícias russa utilizou uma expressão pouco usual –“estreita cooperação”- para caracterizar o novo modelo a que conduziu a sua coordenação de políticas regionais. Isto tenderá a colocar perante um forte desafio a agenda unilateralista do Ocidente no Médio Oriente.
A visita de Hu à Rússia tem lugar, em princípio, para assistir de 16 a 18 de Junho ao desenrolar do Fórum Económico Internacional, que o Kremlin está cuidadosamente a coreografar como um acontecimento anual no estilo de um “Davos da Rússia”. Ambos os países estão muito entusiasmados face à possibilidade de a visita de Hu constituir um momento crucial na cooperação energética entre China e Rússia.
O gigante russo da energia, Gasprom, espera bombear anualmente para a China 30.000 milhões de metros cúbicos de gás natural até 2015, e as negociações sobre os preços estão numa etapa avançada. Os funcionários chineses sustentam que as negociações, agora paradas, se concluíram com um acordo por ocasião da chegada de Hu à Rússia.
Naturalmente, quando a economia importante de mais rápido crescimento no mundo e o maior exportador de energia do mundo chegam a um acordo, o assunto tem maior alcance do que um acordo de cooperação bilateral. Haverá inquietação na Europa, que tem sido historicamente o principal mercado da Rússia para a exportação de energia, devido ao facto de que surja um “competidor” a Oriente e que o negócio energético do Ocidente com a Rússia possa ter a China como “sócio comanditário”. Esta mudança de paradigma potencia uma transferência das tensões Este-oeste acerca do Médio Oriente.


Posição idêntica


O Médio Oriente o Norte de África acabaram por ser o tema central das conversações em Moscovo de Yang com o seu anfitrião Sergei Lavrov. A Rússia e a China decidiram trabalhar juntas para enfrentar os problemas que decorrem da agitação no Médio Oriente e no Norte de África. Disse Lavrov: “Acordámos em coordenar as nossas iniciativas utilizando as capacidades de ambos os Estados com o fim de ajudar à estabilização mais rápida que for possível e à prevenção de mais consequências negativas imprevisíveis na zona”.
Lavrov disse que a Rússia e a China têm uma “posição idêntica” e que “qualquer nação deveria determinar o seu futuro de forma independente, sem interferência externa”. É presumível que os dois países tenham agora acordado uma posição comum de oposição a qualquer iniciativa da NATO no sentido de realizar uma operação terrestre na Líbia.

Até agora, a posição russa tem sido de que Moscovo não aceitará que o Conselho de Segurança da ONU atribua mandato à NATO para uma operação terrestre sem uma “posição claramente expressa” de aprovação desse mandato por parte da Liga Árabe e da União Africana (da qual a Líbia faz parte).
Existe, evidentemente, um “défice de confiança” neste caso, que se torna cada dia mais inultrapassável a menos que a NATO decida um cessar-fogo imediato na Líbia. Dito em poucas palavras, a Rússia já não confia em que os EUA e os seus aliados da NATO sejam transparentes acerca das suas intenções no que diz respeito à líbia e ao Médio Oriente. Há alguns dias Lavrov falou longamente sobre a Líbia em entrevista ao canal de televisão russo Tsentr. Exprimiu grande frustração face à ambiguidade e aos subterfúgios com que o Ocidente interpreta unilateralmente a Resolução 1973 da ONU, de modo a fazer praticamente tudo o que lhe apetece.
Nessa entrevista Lavrov revelou: “Chegam-nos relatórios acerca da preparação de uma operação terrestre [na Líbia] que sugerem que os planos correspondentes estão em desenvolvimento na NATO e na UE”. Deu a entender publicamente que Moscovo suspeita de que o plano dos EUA seria evitar a necessidade de um contacto com o Conselho de Segurança para obter mandato para operações terrestres da NATO na Líbia e, em vez disso, pressionar o secretário-geral da ONU Ban Ki-Moon no sentido de obter de que este “solicite” à aliança ocidental a disponibilização de escoltas para a missão humanitária da ONU, utilizando essa “solicitação” como cobertura para dar início a operações terrestres.
A posição pública da Rússia e da China impediria os funcionários do secretariado de Ban Ki-Moon de facilitarem sub-repticiamente, por portas travessas, uma operação terrestre da NATO. Ban visitou Moscovo recentemente e alguns relatos russos sugeriram que “levou uma descompostura” pela forma como dirige a organização mundial. Um perito comentador moscovita escreveu com contundente sarcasmo:
Há muitas maneiras de dizer politicamente a um convidado, por conta própria e por conta dos próprios parceiros internacionais: “Não estamos muito satisfeitos com o seu desempenho, estimado senhor Ban”. É usual que nem sequer sejam necessárias palavras nestes casos. É óbvio que o secretário-geral aprecia o romantismo revolucionário das guerras civis e que apoia os combatentes pela liberdade em geral. Em resultado disto, aparece com frequência ao lado dos arqui-liberais da Europa e dos EUA.


Todavia, o secretário-geral da ONU não deveria adoptar posições políticas extremas, e muito menos deveria alinhar com a minoria dos Estados membros da ONU no que diz respeito a este tema, como fez nos casos da Líbia e da Costa do Marfim. Não é para isso que foi eleito. A questão não reside em obrigar o senhor Ban a mudar de posição ou de convicções, mas em procurar que ajuste ligeiramente a sua visão no sentido de uma maior neutralidade.
Moscovo e Pequim parecem encarar o denominado Grupo de Contacto Líbia (formado por 22 países e seis organizações internacionais) com muitas reservas. Referindo-se à decisão de grupo, na sua reunião de Roma na 5ª feira passada, de disponibilizar de imediato um fundo temporário de 250 milhões de dólares como ajuda aos rebeldes líbios, Lavrov afirmou de forma cáustica que o grupo “intensifica os seus esforços no sentido de desempenhar um papel dirigente na definição da política da comunidade internacional em relação à Líbia”, e advertiu de que deveria evitar “tentar substituir-se ao Conselho de Segurança das Nações Unidas, ou tomar partido por uma das partes”.
Converteu-se em motivo de inquietação para Moscovo e Pequim que o grupo de contacto evolua gradualmente para um verdadeiro processo regional, marginalizando a ONU, com a finalidade de formatar o levantamento árabe em moldes que se ajustem às estratégias ocidentais. O grupo de Estados do Conselho de Cooperação do Golfo (e da Liga Árabe) que está presente no grupo de contacto permite que o Ocidente proclame que o processo constitui uma voz colectiva de opinião regional. (Ironicamente, a França convidou a Rússia a unir-se ao grupo de contacto).
Ponta do iceberg
Na conferência de imprensa com Yang em Moscovo na passada 6ª feira, Lavrov foi directo ao essencial: “O grupo de contacto estabeleceu-se por sua conta. E agora arroga-se a responsabilidade pela política da comunidade internacional em relação à Líbia. E não apenas em relação à Líbia, temos ouvido apelos a que este grupo decida o que fazer em outros Estados da região”. O que preocupa a Rússia no imediato é que o grupo de contacto poderia estar-se deslocando em direcção à Síria no sentido de realizar também nesse país uma mudança de regime.
A China tem sido até agora muito diplomática no que diz respeito ao tema da Líbia e tem deixado à Rússia o papel de por em respeito o gato ocidental, mas começa a tornar-se cada dia mais eloquente. Yang foi bastante directo na conferência de imprensa em Moscovo na sua crítica à intervenção ocidental na Líbia. Há apenas três semanas o Diário do Povo comentou que a guerra na Líbia estava em ponto morto; o regime de Muhamar Khadafi tinha mostrado a sua resistência e a oposição líbia foi sobrestimada pelo Ocidente. Comentou o jornal
“A guerra líbia converteu-se numa situação delicada para o Ocidente. Primeiro, o Ocidente não pode permitir-se a guerra, económica e estrategicamente… A guerra sai demasiado cara aos países europeus e aos EUA, que ainda não saíram completamente da crise económica. Quanto mais tempo dure a guerra, mais os países do Ocidente se verão em desvantagem.
“Segundo, o Ocidente vai deparar-se com muitos problemas militares e legais… Se o Ocidente prossegue o seu envolvimento será visto como tendo optado por uma das partes… No que diz respeito às operações militares, os países ocidentais vão ter que enviar forças terrestres para depor Khadafi… Isso vai muito para além do âmbito da autoridade das Nações Unidas, e é provável que repita os erros da Guerra no Iraque… Numa palavra, a solução militar para o problema da Líbia chegou ao limite e há que colocar a solução política na agenda.”
As conversações de Yang em Moscovo significam que Pequim já se deu conta que o Ocidente está determinado em aguentar, custe o que custar, a delicada situação, fazer com que se “tranquilize” seja a que preço for e depois consumir os resultados sem compartilhar com ninguém. Por conseguinte, parece haver uma revisão da posição chinesa e uma aproximação à da Rússia (a Rússia tem sido muito mais abertamente crítica em relação à intervenção ocidental na Líbia).


Moscovo poderia ter incentivado Pequim a perceber o que se avizinha. Mas o argumento decisivo parece ser o crescente sentimento de intranquilidade em relação ao que está em causa. A intervenção ocidental na Líbia poderia ser apenas a ponta do iceberg, e o que está em desenvolvimento poderá constituir uma geoestratégia orientada no sentido de perpetuar a dominação histórica do Ocidente sobre o Médio Oriente na era posterior à Guerra Fria. E interligado com este processo está o precedente extremamente preocupante de uma acção militar da NATO sem um mandato específico da ONU.
Desde então, Lavrov e Yang participaram em Astana numa conferência de ministros de Negócios Estrangeiros da Organização de Cooperação de Xangai (SCO) que negociará a agenda para uma cimeira do organismo regional a ter lugar na capital cazaque em 15 de Junho. A grande questão é se o acordo russo-chinês sobre “estreita cooperação” em relação aos temas do Médio Oriente e o Norte de África irá converter-se em posição comum da SCO. Parece que a probabilidade de que tal suceda é elevada.
*O embaixador M. K. Bhadrakumar foi diplomata de carreira do Serviço Exterior da Índia. Exerceu funções na extinta União Soviética, Coreia do Sul, Sri Lanka, Alemanha, Afeganistão, Paquistão, Uzbequistão, Kuwait e Turquia

Novo livro: "A SAGA DOS PORTUGUESES NA RÚSSIA"




Caros leitores, às 18 horas do dia 03 de Junho, estarei na Feira do Livro do Porto para participar num colóquio onde estarão também Rui Cardoso e António Mega Ferreira. Nesse dia será posto à venda o meu livro "A Saga dos Portugueses na Rússia", livro de História e de estórias sobre as relações luso-russas desde tempos antigos até ao início do séc. XX. 
Estarei lá para autografar o livro para quem o quiser adquirir e também para dar um abraço a todos os leitores do meu blog que por lá passem.
  

Blog do Leitor (Pesadelo em Elm Street – versão Lukashenka)




Texto enviado por António Campos:

O “paraíso igualitário” bielorrusso está à beira do colapso. Economia e modelo social de fachada, que muitos defensores do modelo de Lukashenka usavam ingenuamente como exemplo de “sucesso” e “crescimento” alternativos aos modelos ocidentais, está a um passo do precipício. Desde que os russos fecharam a torneira dos subsídios através da transferência de hidrocarbonetos a preços preferenciais, gerando rendas no qual a economia se sustentava, ficaram a descoberto todas as fragilidades ocultas da economia real da Bielorrússia. O país esgotou muito rapidamente as suas reservas de moeda estrangeira, em virtude de uma balança de pagamentos a pender fundamentalmente para o lado das importações, e encontra-se neste momento totalmente dependente de ajuda externa.

Antes das eleições, o governo de Lukashenka tinha negociado um pacote de ajuda Ocidental, orçado em de cerca de 3,6 mil milhões de dólares, cuja entrega terá ficado condicionada à realização de um processo eleitoral livre e justo. No entanto, foi a sua surpreendente viragem a leste, visível na imprensa e em todos os noticiários durante a minha estadia no país uma semana antes das eleições, o principal indicador de que as promessas ao ocidente dificilmente seriam honradas. Lukashenka aparentava ter assegurado um plano B caso a contestação social fosse superior à esperada. E não só as eleições foram uma vez mais viciadas, como também se assistiu a um movimento popular significativo que motivou um violento ciclo de repressão sobre a oposição. O resultado foi uma série de julgamentos de fachada que produziu, entre outras, uma sentença de cinco anos de trabalhos forçados sobre o seu maior opositor político e antigo candidato presidencial Andrey  Sannikov. A sua mulher recebeu uma pena de dois anos de pena suspensa e outros activistas foram também condenados a penas de prisão. O misterioso ataque bombista em Minsk, que causou 14 vítimas mortais e muitos ainda atribuem ao próprio regime (e outros ao FSB), foi também usado para intensificar a repressão política.

Com a ajuda Ocidental fora do baralho após os acontecimentos iniciados a 19 de Dezembro, restava a Lukashenka que as maquinações entre os chefes de estado dos países irmãos, bem patentes uma semana antes nas fotos oficiais inundadas de sorrisos de ambos os lados, produzissem o seu resultado. Depois de não arriscar a desestabilizar o regime e jogar a sua cartada repressiva, o plano B do presidente, a cobertura do Kremlin, teria que ir adiante.

É extremamente difícil entender as razões que levaram Lukashenka a achar, após a violenta campanha de descredibilização pré-eleitoral encomendada pelo Kremlin (que incluiu, entre outras coisas, a série de documentários “O Padrinho”), que poderia contar incondicionalmente com este para manter as suas garras no poder caso as coisas corressem mal. Talvez tudo tivesse sido um bluff mediático para deixar um recado à oposição de que poderia impunemente deitar para o lixo as exigências de democratização do Ocidente. Nunca saberemos. Sabemos sim, que tal acabou por se revelar um grosseiro erro de cálculo.

E como previram os mais atentos, o plano B falhou. Finalmente, o Kremlin conseguiu rasteirar Lukashenka. Empatando a entrega do anteriormente negociado pacote de ajuda de 3 mil milhões de dólares, está a ser uma peça central na desestabilização social sem precedentes em curso. Ainda esta semana, segundo a Reuters, o rublo bielorrusso sofreu uma queda de 15% em relação ao dólar. Há apenas algumas semanas, um dólar comprava cerca de 3.000 rublos. Hoje vale 6.500. A indústria, já de si fraca, e com uma capacidade limitada de obter divisas através de exportações, está paralisada pela impossibilidade de obter na banca moeda estrangeira para adquirir matérias-primas, continuando a despedir milhares de trabalhadores. O mercado negro de rua de divisas voltou ao país, após dez anos de ausência e toda a gente, particulares e empresas, está sofregamente a utilizá-lo. Por todo o lado há faltas de produtos básicos importados e a população está em pânico, a que não é alheio o discurso de Lukashenka na TV a ameaçar todos os que propagassem “boatos” sobre desvalorização da moeda ou faltas de produtos essenciais nas lojas. Tal provocou uma corrida ainda maior ao açambarcamento de euros, dólares e alimentos. Estes desenvolvimentos provocaram uma subida sem precedentes da inflação, que se situa agora nos 18%, em termos de variação anual do IPC. Um diplomata estrangeiro com funções em Minsk afirmou ao Financial Times: “estamos a ir na direcção do Zimbabwe”.

Não é de surpreender portanto que Vladimir Putin se tenha deslocado na terça-feira passada a Minsk reiterando a “oferta” de 3 mil milhões de dólares em empréstimos (segundo algumas fontes), condicionados a reformas estruturais e, mais importante, à privatização de empresas estatais, o que indicia a intenção do Kremlin de se apoderar dos activos estratégicos do país. Outras fontes citam que Putin ofereceu mil milhões pelo controlo total do sistema de pipelines bielorrusso. Segundo o Financial Times, Anastasiya Golovach, analista na Renaissance Capital, afirmou que “o empréstimo ajudará a restabelecer a confiança dos investidores. Mas a Bielorrússia terá seguramente que dar algo em troca e a Beltransgaz (operadora do pipeline que assegura parte do o abastecimento de gás russo à União Europeia) será o preço a pagar.” É provável que outros activos valiosos, tais como as refinarias bielorrussas, o principal operador de telecomunicações móveis e a Belaruskali, uma importante produtora de potassa, caiam nas mãos de oligarcas russos com ligações ao Kremlin.

E não deixa de ser irónico que, ao encostar Lukashenka à parede, Putin está a colocar a Bielorrússia exactamente na mesma situação traumática em que a Rússia se viu envolvida após o colapso da União Soviética. As semelhanças são assustadoras. E cinicamente, é certo que tentará tirar partido do caos social e económico resultante.

Com o erro fatal do dia 19 de Dezembro de 2010, Lukashenka obliterou, sem precisar de qualquer ajuda, a eficácia da sua estratégia de balançar entre o Ocidente e a Rússia, e deu de bandeja o seu país ao seu vizinho maior. É bem possível que, ainda durante a sua vida, assista, de uma obscura dacha nos arredores de Minsk, ao desaparecimento da Bielorrússia enquanto país independente. Mas seja o que for que aconteça, o seu destino político está certamente traçado.

Quinta-feira, Maio 19, 2011

Afinal podemos esperar que Dmitri Medvedev se recandidate a Presidente da Rússia



Os políticos devem pensar que as sociedades chegaram a um ponto de total idiotismo e que se pode fazer tudo o que lhes vem à gana. O "grande tabu" em torno da recandidatura de Dmitri Medvedev ao cargo de Presidente da Rússia nas eleições de Março de 2012 é um exemplo claro dessa posição das elites políticas.
Há já vários meses que Medvedev e Putin vêem fazendo declarações no sentido de que tanto um como outro não exclui a possibilidade de se recandidatar, quando toda a gente já entendeu que só um deles irá fazer isso.
Dmitri Medvedev declarou hoje que não se pode excluir a possibilidade da sua recandidatura ao cargo de Presidente da Rússia nas eleições de março de 2012.

“Se me pergunta no seguinte sentido: pode ter a esperança; eu respondo: pode ter, com toda a certeza absoluta, esperança”, declarou Medvedev a um jornalista austríaco se podia esperar a sua recandidatura.
O dirigente russo lamentou o facto de o jornalista, que acompanha o Presidente da Áustria, Heinz Fisher, numa visita a Moscovo, não ter assistido à sua conferência de imprensa na véspera.
“Eu gastei com esse tema duas horas e 20 minutos”, acrescentou.
“Posso facilitar-vos um pouco a vida ao dizer que o Presidente Medvedev será benvindo na Áustria independentemente do cargo”, retorquiu o dirigente austríaco.
Na quarta-feira, Dmitri Medvedev, numa conferência de imprensa realizada para mais de 800 jornalistas, declarou que ainda não tinha chegado a hora de anunciar a sua decisão sobre esse tema.
Porém,  excluiu a possibilidade de concorrer nas eleições presidenciais de março de 2012 contra o primeiro-ministro Vladimir Putin.
“Não se trata de brinquedos, trata-se do destino das pessoas, e não de ambições pessoais”, reagiu ele, numa conferência de imprensa com mais de 800 jornalistas russos e estrangeiros.
O Presidente russo frisou que tem muito boas relações com o “colega e parceiro”, acrescentando que “estas relações têm mais de vinte anos”.
“Digam o que disserem, mas nós realmente somos aliados”, acrescentou.
Segundo Medvedev, “há concorrência que ajuda, mas há concorrência que conduz a um beco sem saída. Iremos orientar-nos por uma abordagem responsável quando for decidida a questão de quem se candidatará ao quê”.
“Nós realmente temos a mesma formação, em direito, e os nossos valores estão muito próximos. E nós dois queremos realmente que o nosso país seja moderno... As discussões no dueto não são más, porque assim nasce a verdade”, sublinhou.
O Presidente russo espera o apoio do Partido Rússia Unida, dirigido por Vladimir Putin, se se decidir recandidatar.
Dmitri Peskov, porta-voz de Putin, declarou, hoje, que o candidato ao cargo de Presidente do país irá ser avançado no congresso do Partido Rússia Unida.
Moral da história, há muito que não existe qualquer tabu em tudo isto. Medvedev tenta manter expetativa numa "telenovela", cujo episódio final já é conhecido. Ele vai recandidatar-se com o apoio de Putin e da Rússia Unida, continuando a ser um transmissor fiel das ideias e ações do primeiro-ministro russo.
E se há algum tabu aqui, ele consiste em saber que cargo irá Vladimir Putin ocupar se abandonar a direção do Governo russo. Ele vai querer continuar a reinar na Rússia por muitos anos. Onze anos no poder foram poucos...
Será que já nasceu mais um "líder da nação?"