Domingo, Outubro 30, 2011

Blog do leitor (A URSS que Humanidade perdeu…)



Texto traduzido e enviado pelo leitor Jest: 
 
"Como é sabido, a URSS estava “em frente de todo o planeta” não apenas no domínio do ballet e cosmos. Na década de 1980, a União Soviética também superava Ocidente em diversas áreas da vida quotidiana da sociedade.
1. A URSS era um dos líderes mundiais em número dos assassinatos (por 100.000 habitantes)
Em 1980, a URSS ocupava o 5° lugar no mundo em número dos assassinatos, superado apenas por países como Colômbia, que naquela década estava na auge da guerra contra o narcotráfico. A prevalência dos assassinatos na República Socialista Federativa Soviética da Rússia (RSFSR) era maior do que a média soviética. Se em 1970 na RSFS da Rússia se cometeram 9,8 mil assassinatos, em 1975 já eram 14.000 e em 1980 – 18.000. Em média, em 1989 na URSS eram assassinados (por 100.000 habitantes) os 12,4 pessoas, enquanto na França – 1,1; na Alemanha – 1,0; na Inglaterra – 1,04 e na Irlanda do Norte, onde decorria a luta armada entre IRA, grupos paramilitares protestantes e as forças policiais, este indício era de apenas 4,72.
2. A URSS era um dos líderes mundiais em número dos suicídios (por 100.000 habitantes)
Em 1984, a URSS ocupava o 2° lugar mundial em número dos suicídios, com índice de 38,8 casos por 100.000 habitantes. O número maior estava registado apenas na Hungria socialista em 1983, que era o líder absoluto neste domínio — 45,3 casos (por 100.000). Para comparação, em 2010 na Rússia este índice era de 23,1 (6° lugar mundial), assim como em 2006 nos vários países da União Europeia: França – 17,7; Alemanha – 9,4; Reino Unido – 9,2.
3. No início da década de 1980, a URSS era o maior consumidor mundial de álcool (per capita)
Se em 1960 na URSS se consumia (per capita, por ano) os 3,2 litros, em 1970 – 8,7 litros, já em 1980 – 10,8 litros. Com a prevalência maior na RSFS da Rússia. Os dados do Comité Estatal da Estatística (Goskomstat) apontam que em 1984 na RSFS da Rússia foram consumidos 10,5 litros de álcool legal (per capita), acrescentado de 3,3 litros da aguardente caseira na base de açúcar e 1,1 litros de outros produtos, que somavam os 14,9 litros (estes dados eram mantidos em segredo até 1988). No mesmo 1984, o segundo país em termos de consumo era a França com 13,5 litros. Além disso, enquanto nos países europeus se bebia maioritariamente o vinho (França, Itália, Portugal) ou a cerveja (Reino Unido, Alemanha), na URSS se consumia as bebidas alcoólicas fortes.
A URSS também era o 2° produtor mundial do álcool etílico (também largamente consumido pela população), a Grande Enciclopédia Soviética, no artigo “Indústria de álcool na URSS” mencionava o facto do que o país aumentava em mais de 50% a sua capacidade produtiva à cada 10 anos. Em 1974 o país alcançou o 2° lugar mundial, produzindo 184 milhões de toneladas, superado apenas pelos EUA com 260 milhões de toneladas. Em 1973 o Brasil produzia 45 milhões de toneladas, Alemanha Federal – 28,4; Reino Unido – 19,1; Itália – 18, França – 8,7.
O 91,6% do parque industrial de produção de álcool estava situado na Rússia, Ucrânia e Belarus. Além disso, a URSS cooperou tecnicamente com a Europa do Leste no domínio da produção de álcool, a Polónia em 1973 produziu 24,9 milhões de toneladas, ultrapassando Reino Unido e a França juntos, Roménia com 9,5 milhões e Checoslováquia com 13,3 milhões também superaram a França individualmente. O álcool barato e acessível contribuiu para a disseminação recorde de alcoolismo na URSS.
4. A URSS sempre liderava mundialmente em número de prisioneiros (por 100.000 habitantes)
Nos anos da repressão estalinista estes números eram especialmente gritantes, mas mesmo em 1986 na URSS estavam encarcerados 846 pessoas (por 100.000 habitantes). No Reino Unido este índice era de 148 pessoas, na Alemanha – 95, na França – 85, hoje na Rússia estão atrás das grades 611 pessoas. Os números soviéticos eram especialmente altos, pois vários crimes menores, delitos e até transgressões administrativas eram punidos com as penas afectivas, no Ocidente substituídos, entre outros, pelo trabalho comunitário.
5. Durante os 50 anos a URSS era um líder mundial em número dos abortos (por 100.000 habitantes)
A Rússia Soviética foi o primeiro país do mundo a legalizar os abortos em 18 de Novembro de 1920. Já em 1934 na URSS eram interrompidas 23,3% de todas as gravidezes (mais do que nos EUA em 2008 году), em Moscovo, no mesmo 1934, eram abortadas 73% das gravidezes.
Em 1965 na URSS foram feitos 5,6 milhões de abortos, nas décadas de 1970 – 1980 todos os anos na União Soviética se efectuavam mais de 4,5 milhões de abortos. Apenas recentemente, a China comunista que possui a população 9 vezes superior a da URSS, superou o “recorde” soviético de 1965. Em 1965 na RSFS da Rússia eram abortadas 60-65% das gravidezes, em 2008 na Rússia foram interrompidas 44,7% de todas as gravidezes. Uma das razões que levou a essa situação era a falta gritante na URSS dos preservativos e outros métodos contraceptivos.
6. Durante muitos anos a URSS era um líder mundial em número das violações (por 100.000 habitantes)
Em 1989 na RSFS da Rússia foram registadas 14,6 mil violações e a média soviética dava 10 violações por 100.000 habitantes, o número superado apenas pelo Lesoto, Suazilândia e África do Sul. No fim da década de 1980, 69% de todas as violações soviéticas eram registadas na RSFS da Rússia, já em 2008 a Rússia ocupa a nada má 36ª posição, com índice de 4,4 violações por cada 100.000 habitantes.
7. Na década de 1980, a URSS ocupava as primeiras posições em número dos divórcios, registando em 1980 os 4,2 divórcios por 1000 habitantes. Em 2004, a Rússia continua ocupar o 2° lugar mundial, registando 4,42 divórcios por 1000 habitantes por ano.
8. A URSS liderava em número dos fumadores e em quantidades de cigarros produzidos (em números absolutos)
Em 1975 na URSS foram produzidos 364,3 biliões de cigarros, sem contar com o tabaco empacotado e a makhorca (tabaco de baixa qualidade). A URSS ocupava o 3° lugar na produção de cigarros (após os EUA e a China), ocupando as posições do topo no consumo de cigarros. Os EUA que produziam 616 biliões de cigarros, exportavam a maioria da sua produção, a URSS fabricava os cigarros para o consumo interno. Durante os 10 anos, entre 1970 e 1980, o consumo dos cigarros aumentou na URSS em 50 biliões de unidades por ano (de 375,3 biliões para 424,6 biliões), com o consumo maior na RSFS da Rússia. A título de comparação, em 2005 na Rússia foram fumados 375 biliões de cigarros.
Mais uma vez a URSS cooperou tecnicamente com a Europa do Leste no domínio da produção de cigarros, elevando a produção da Polónia à 83,6 biliões por ano, da Bulgária à 71,4 biliões, Roménia à 28,8 biliões, Hungria à 24,5 biliões, Checoslováquia à 23,0 biliões, RDA à 19,9 biliões. Na URSS e na Roménia se produzia 5 cigarros por dia por cada habitante do país, incluindo os bebes, na Polónia – 7 e na Bulgária quase 40 cigarros por dia. Também não se deve esquecer que uma parte considerável da produção búlgara era exportada para a URSS (a principal marca búlgara vendida no país era a “BT”). Hoje a Rússia continua ocupar o 1° lugar em número dos fumadores (per capita), dados da OMS apontam que na Rússia fumam 70,1% dos homens.
Fonte (com todas as estatísticas comparativas):

Sábado, Outubro 29, 2011

O moderno Teatro Bolshoi conservou seu espírito e tradições seculares – Presidente Medvedev

 
O Presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, manifestou-se convicto de que o renovado Teatro Bolshoi está “impecável” e “tecnicamente moderno”, mas que, ao mesmo tempo, conservou a sua alma e tradições seculares.
“Vi que tudo foi feito segundo a última palavra da técnica, da tecnologia teatral, segundo a última palavra das abordagens deste tipo de edifícios complexos. Estou convencido de que, neste sentido, o teatro será impecável, mas o principal é que nele se conservou o espírito do Teatro Bolshoi. Neste sentido, certamente iremos convencer-nos disso dentro de alguns segundos”, declarou ele na cerimónia de reabertura do mais importante teatro russo.
O Teatro Bolshoi de Moscovo reabriu as suas portas hoje, depois de obras de restauro que duraram seis anos e custaram cerca de 500 milhões de euros.
“O nosso país encontrou sempre dinheiro para que o Bolshoi estivesse em bom estado. Isso aconteceu há 150 anos atrás e hoje. Estou absolutamente convencido que tudo o que foi feito irá servir, ainda muitos anos, gerações dos cidadãos, todos os que gostam do Teatro Bolshoi”, acrescentou.
“Está tudo maravilhoso!”, concluiu Medvedev ao comentar os seis anos de trabalho de centenas de construtores, restauradores e pintores.
Na rua, dois ecrãs gigantes, montados junto da estátua de Karl Marx, um dos criadores da ideologia comunista, que se encontra em frente ao Bolshoi, transmitiam em direto a cerimónia.
Dezenas de pessoas tentavam adquirir bilhetes de ingresso na cerimónia, pois sem êxito, dado que as autoridades adotaram por distribuir apenas convites por altas individualidades do mundo da política, negócios e cultura. Entre os convidados viam-se antigas glórias do teatro como a bailarina Maia Plissetskaia ou a cantora de ópera Galina Vichnevskaia, bem como Mikhail Gorbatchov, antigo Presidente da União Soviética, Naína Ieltsina, viúva do ex-presidente russo Boris Ieltsin, ministros do Governo russo e dirigentes dos partidos representados no Parlamento Russo.
A cerimónia de reabertura continuou com um concerto de gala, que começou com a entrada de um camião no palco principal, símbolo do início das obras de restauração. “Operários” interpretaram a ária “Glória!” da ópera russa “Ivan Sussanin” de Mikhail Glinka.
Depois, durante cerca de 90 minutos, bailarinos e cantores interpretaram episódios de conhecidos bailados e óperas russos e estrangeiros, entre os quais as óperas Joana d’Arc de Giusseppe Verdi, Dama de Espadas de Piotr Tchaikovski, Príncipe Igor de Alexandre Borodin e  Chamas de Paris de Boris Assafiev e dos bailados Gata Borralheira de  Serguei Prokofiev, Século de Ouro de Dmitri Schostakovitch e Lago dos Cisnes de Piotr Tchaikovski.
As surpresas da noite foram três cantoras de ópera estrangeiras: as sopranos romena Ângela Gheorghiu, a francesa Natalie Dessay, a lituana Violeta, bem como o barítono russo Dmitri Khvorostovski.
Um espetáculo monumental, pomposo, à altura do Teatro Bolshoi.
As obras de restauração permitiram dar ao exterior e interior do edifício o aspeto original, que tinha antes da revolução comunista de outubro de 1917. Foram retirados da fachada do teatro e do palco principal símbolos soviéticos como a foice e o martelo, tendo substituído pela águia bicéfala, símbolo da Rússia czarista reabilitado depois da queda do comunismo no país.
Além disso, os construtores utilizaram a oportunidade para reforçar os alicerces do edifício e construir uma garagem subterrânea de vários andares.
O primeiro edifício do Teatro Bolshoi (Grande, em russo) foi construído em 1780 e deve o seu nome ao facto de se encontrar na mesma praça do Teatro Malii (Pequeno, em russo). Depois de dois fortes incêndios que o destruíram quase completamente, um deles quando das invasões napoleónicas de 1821, adquiriu o aspeto que possui atualmente.
Durante a segunda guerra mundial (1939-1941), o edifício foi atingido por uma bomba da aviação nazi, mas os danos foram rapidamente reparados.

Sexta-feira, Outubro 28, 2011

Forças armadas russas lançam com êxito míssil intercontinental a partir de submarino nuclear

   
A Armada Russa realizou hoje com êxito o terceiro teste, este ano, do míssil balístico intercontinental mais moderno Bulava, anunciou um porta-voz do ministério russo da Defesa.
“Hoje, no quadro dos ensaios técnicos, foi realizado mais um lançamento do míssil balístico intercontinental Bulava a partir do submarino nuclear Iúri Dolgoruki,”, avançou.
“O lançamento foi feito quando o submarino se encontrava debaixo de água e programado para um voo do míssil com o máximo alcance”, acrescentou.
“À hora prevista, o míssil atingiu o alvo previsto no Oceano Pacífico, o que foi fixado pelos órgãos de controlo ”, concluiu o porta-voz militar.
Os lançamentos deste míssil começaram em setembro de 2004. Os três primeiros tiveram êxito, mas entre o quarto e o 12º. lançamentos só um não falhou, o que levou à suspensão de testes durante nove meses. Em 2010, foram realizados dois lançamentos com êxito. Em 2011, três.
O ministério da Defesa da Rússia planeia concluir os testes até ao fim deste ano.
O míssil intercontinental Bulava (SS-NX-30 na classificação da NATO) comporta de seis a dez ogivas nucleares com uma potência de 100 a 150 quilotoneladas cada uma, tem um poder individual de manobra, pode alterar a trajetória e a altura e pode voar a baixas altitudes.
Com um peso total de 36,8 toneladas, este míssil tem um poder de alcance de 8 mil quilómetros.

Quinta-feira, Outubro 27, 2011

Realizador Marco Martins surpreende cinéfilos russos

A obra do realizador de cinema português Marco Martins surpreendeu os espetadores russos, tendo a sua obra sido alvo de fortes discussões nas sessões de exibição dos seus filmes.

Marco Martins foi a sensação do Festival de Cinema dos Países da União Europeia, realizado na cidade russa de Kaliningrado, tendo um dos dias (22 de outubro) sido dedicado aos seus filmes de ficção Alice (2006), Como Desenhar um Círculo Perfeito (2009) e ao documentário Traces of a Diary (2010).
Em Moscovo, a 24 de outubro, o documentário Traces of a Diary foi mostrado no Instituto de Cinema VGIK, tendo sido seguido de uma animada discussão pelos espetadores, na maioria alunos dessa escola russa.
No dia seguinte, mais de uma centena de pessoas encheram a sala do clube Dom para assistir ao filme Como Desenhar um Círculo Perfeito.
“Este filme foi o que provocou maior interesse, pois aborda um tema muito polémico: o incesto. A história do amor entre dois irmãos foi motivo para acesas discussões”, declarou Marco Martins à Lusa.
“Tinha alguma expetativa antes de vir à Rússia, pois trata-se de um país onde ainda não tinham sido apresentados filmes meus. Mas foram entendidos e bem recebidos pelo público”, frisou.
A estadia do realizador em Moscovo terminou com a apresentação do seu filme Alice no Instituto de Relações Internacionais, onde estiveram presentes mais de cem alunos.



Marco Martins nasceu em Lisboa em 1972. Formou-se na Escola Superior de Teatro e Cinema, tendo depois completado a sua formação nos Estados Unidos. Estagiou com realizadores como Wim Wenders, Manoel de Oliveira, César Monteiro e Bertrand Tavernier, Pedro Costa e João Canijo.

Entre 1994 e 1998 escreve e realiza três curtas metragens premiadas em vários festivais: Mergulho no Ano Novo (Prémio de Melhor Curta Metragem Nacional no Festival Internacional de Curtas Metragens de Vila do Conde); Não basta ser cruel e 14 segundos e um Tico – no caminho para a escola (Prémios Melhor Curta Metragem e Melhor Realizador no VII Festival Ibérico ,  Prémio Eixo Atlântico).

Fundador da Produtora Ministério dos Filmes, é hoje o realizador de publicidade português mais premiado, tendo ganho prémios nos mais importantes festivais Nacionais e Internacionais (Cannes, Eurobest, One Show, etc),  entre os quais, melhor realizador de publicidade Ibero-Americano em 2003 e 2004.

Em 2005 Alice,  a sua primeira longa metragem, conquistou a Quinzena dos Realizadores no Festival de Cannes (Prix Regard Jeune), além de diversos prémios em Festivais Internacionais,  tendo sido o primeiro filme português nomeado para o Fassbinder Award (European Discovery of the Year)e candidato aos óscares.

No final de 2009 realiza o seu primeiro documentário intitulado Traces of a Diary realizado no Japão com fotógrafos como Araki, Daido Moryama e Hiromix que ganhou o prémio “Premio Honorífico del Jurado” no Documenta Madrid.

Como Desenhar um Círculo Perfeito foi a sua segunda longa metragem apresentada em estreia no Festival do Rio e premiada no Estoril Film Fest 2009 com o prémio de melhor “Jovem Talento” para Rafael Moraes.

Estreia em Setembro de 2011 no S. Luiz Teatro Municipal de Lisboa o seu documentário “Jorge Salavisa - Keep Going”.

Mítico Teatro Bolshoi de Moscovo reabre as portas depois de seis anos de restauro




            ***José Milhazes, Agência Lusa***

Moscovo, 27 out (Lusa) – O Teatro Bolshoi de Moscovo reabre as suas portas amanhã, depois de obras de restauro que duraram seis anos e custaram cerca de 500 milhões de euros.
“O principal teatro do país deve ser assim: belo, pomposo e com equipamentos modernos. A área do teatro duplicou e temos vários palcos de ensaios, por isso podemos preparar, ao mesmo tempo, espetáculos de ópera e bailado”, justificou Anatoli Iksanov, diretor-geral do mais conhecido teatro russo.
A sessão de reabertura do Teatro Bolshoi, marcada para as 18 horas de Moscovo (seis horas em Lisboa), será seguida de um concerto de gala, preparado pelo encenador russo Dmitri Tcherniakov e conduzido pelo maestro Vassili Sinaiski.
“O concerto de gala será um espectáculo pouco comum, dedicado à história do Teatro Bolshoi e às pessoas que, antes trabalharam nele. Ele irá durar hora e meio e conta com a participação de todos os artistas do teatro, bem como de cinco cantores de ópera de renome mundial”, anunciou Tcherniakov, sem avançar mais pormenores.
O bailado A Bela Adormecida de Piotr Tchaikovski e a ópera Ruslan Liudmila, de Mikhail Glinka, foram os espetáculos escolhidos para estrearem o palco principal do teatro.
A cerimónia de abertura será transmitida por todos os canais federais de televisão russos, bem como em 600 cineteatros em numerosos países do mundo.
Espera-se que na cerimónia de reabertura do teatro estejam presentes o Presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, e o primeiro-ministro russo, Vladimir Putin. Em época de campanha eleitoral para as eleições parlamentares de dezembro, este acontecimento permite mostrar obra feita pelo dueto que governa o país.
A direção do teatro decidiu não vender bilhetes para a cerimónia, tendo optado por enviar convites a ilustres personalidades.
Porém, na Internet, foram postos à venda por desconhecidos bilhetes falsos de ingresso, cujo preço varia entre 2.300 e 40 mil euros. O Ministério da Cultura da Rússia viu-se obrigado a abrir um inquérito para averiguar a origem desse negócio.
As obras de restauração permitiram dar ao exterior e interior do edifício o aspeto original, que tinha antes da revolução comunista de outubro de 1917. Foram retirados da fachada do teatro e do palco principal símbolos soviéticos como a foice e o martelo, tendo substituído pela águia bicéfala, símbolo da Rússia czarista reabilitado depois da queda do comunismo no país.
Além disso, os construtores utilizaram a oportunidade para reforçar os alicerces do edifício e construir uma garagem subterrânea de vários andares.
O primeiro edifício do Teatro Bolshoi (Grande, em russo) foi construído em 1780 e deve o seu nome ao facto de se encontrar na mesma praça do Teatro Malii (Pequeno, em russo). Depois de dois fortes incêndios que o destruíram quase completamente, um deles quando das invasões napoleónicas de 1821, adquiriu o aspeto que possui atualmente.
Durante a segunda guerra mundial (1939-1941), o edifício foi atingido por uma bomba da aviação nazi, mas os danos foram rapidamente reparados.
O Teatro Bolshoi constituiu, durante toda a sua história, uma autêntica “fábrica” de estrelas de ópera e bailado. Cantores de ópera como Fiodor Chalapin e Galina Vichnevskaia, bailarinas como Galina Ulanova e Maia Plissetskaia muito contribuíram para a glória desse teatro.
Lusa/fim

Quarta-feira, Outubro 26, 2011

Vladimir Putin indignado com forma como meios de informação noticiaram morte de Kadhafi

 O primeiro-ministro russo Vladimir Putin condenou a forma como os meios de informação mundiais noticiaram a morte do antigo líder da Líbia, Muammar Kadhafi.
"Quase toda a família de Kadhafi foi assassinada. Todos os canais mundiais exibiram o seu cadáver. É impossível ver isso sem aversão! O que é isso? E mostram o homem todo coberto de sangue, ferido, ainda vivo e a ser linchado. E tudo isso repetem nos canais", declarou Putin numa reunião do Conselho Coordenador da Frente Popular Unida da Rússia.
"Não existe semelhante coisa na moral de nenhuma das religiões mundiais. Nem no cristianismo, nem no judaísmo, nem entre os muçulmanos há explicações para fazer isso desaguar nos meios de informação", acrescentou o chefe do governo russo na reunião com os dirigentes da organização que irá apoiar a sua candidatura ao cargo de Presidente da Rússia.
Para Vladimir Putin os jornalistas deverão ponderar antes de mostrar imagens do tipo.
"No seio da própria comunidade [jornalística], as pessoas compreendem o que fazem e que são moralmente responsáveis. Antes de tudo, moral", concluiu.
P.S. Apenas posso dar parcialmente dar razão ao primeiro-ministro russo, pois gostaria de sublinhar que não foram os jornalistas que assassinaram Kadhafi. Por outro lado, podia-se ter evitado a exibição de algumas imagens muito chocantes. Pelo menos que sirvam de exemplo para outros dirigentes que por nada deste mundo querem deixar o poder voluntariamente.


Segunda-feira, Outubro 17, 2011

Lançamento do meu livro A Saga dos Portugueses na Rússia

Quero deixar aqui um agradecimento a Macedo Vieira, presidente da Câmara Municipal da Póvoa de Varzim, e o vereador da Cultura, Luís Diamantino, pelo apoio dado ao lançamento do meu livro na minha terra natal.
Não posso também deixar de agradecer e enviar um abraço a todos os familiares, amigos do Liceu da Póvoa e leitores do meu blog presentes no Diana-Bar.
Um forte abraço para todos.

Putin regressa ao Kremlin para reforçar poder político

O primeiro-ministro da Rússia declarou hoje que a sua candidatura à presidência, nas eleições de março de 2012, deve-se ao facto de tencionar reforçar as bases do sistema político e criar condições para a diversificação da economia.
Numa entrevista aos três canais da televisão russa, Putin justificou a sua candidatura ao cargo que ocupou antes de ser chefe do governo referindo que gosta de levar tudo até um fim lógico.
"Se começo a fazer alguma coisa, tento ou levá-la até ao fim lógico, ou, no mínimo, conseguir o efeito máximo", sublinhou.
Putin disse ter chegado a acordo com o atual Presidente, Dmitri Medvedev, sobre troca de cargos há quatro anos atrás.
No campo da política externa, o primeiro-ministro russo promete "ponderação".
"A Rússia continuará a realizar uma política externa ponderada, cujo objetivo fundamental é a criação de condições para o desenvolvimento interno", frisou.
Quando lhe perguntaram se se considerava um falcão", Putin respondeu: "primeiro, o falcão é uma avezinha boa", mas quando a pergunta foi: "mas você não é certamente uma pomba?", ele rematou: "em geral, eu sou um homem".
Ele negou as acusações de existência de ambições imperiais na Rússia.
“Lá (no Ocidente), tudo é possível e pode-se fazer tudo e nós é que temos ambições imperiais. A esses críticos, e eles são críticos claramente mal-intencionados, posso dizer: sabem, dediquem-se aos vossos assuntos: luta contra a inflação crescente, contra a dívida estatal crescente, contra a gordura, no fim de contas, que façam alguma coisa”, ironizou.
“Mas nós não falamos de uma união política, do renascimento da União Soviética, porque a Rússia nem sequer está interessada nisso hoje. Ela não está interessada a chamar a si riscos excessivos, um peso demasiado dos países que, por umas ou outras causas, nesta ou naquela área, estão um pouco atrás das nossas costas”, explicou.
O dirigente russo acusou ainda a União Europeia de tentar unilateralmente fazer baixar o preço do gás russo, um dos principais produtos de exportação da Rússia, e defendeu que a Gazprom deve ter acesso direto aos consumidores europeus.
Putin considerou que a China não é uma ameaça, mas um parceiro firme.
Depois de considerar que a China participa na corrida pela liderança mundial, frisou que “nós não pretendemos discutir com a China aí”.
“Aqui, a China tem outros concorrentes. Eles que se entendam”, considerou e rematou: “para nós, a China é um parceiro seguro”.

Domingo, Outubro 16, 2011

Blog do leitor (O azar ministerial ucraniano)

Texto enviado pelo leitor Jest:
"A segurança do primeiro – ministro ucraniano, Mykola Azarov, parte os espelhos dos carros e insulta em baixo calão russo os automobilistas que demoram ceder prioridade à comitiva ministerial.
Os jornalistas ucranianos do programa “Znak Oklyku” (Sinal de Exclamação) do canal televisivo TVi conseguiram filmar os momentos em que seguranças gritam ao megafone: “Passa para a direita, seu deformado! Para direita! Rápido!”.
“Se o automobilista não for rápido, ele é bloqueado pelos carros da comitiva, as pessoas fardadas saem da janela e batem com o bastão da polícia de trânsito no vidro gritando: “Para direita, put@, eu disse!” Quando o automobilista é alcançado pelo mini – bus com a cirene, um polícia abre a porta corrediça e com toda a força bate no espelho do carro, o virando para o lado oposto”, — descreve a situação o jornalista do programa, Kostyantyn Usov.
Ver o vídeo chocante:

Blogueiro

Me lembro quando em 2009 o ministro português Manuel Pinho se exaltou no plenário do parlamento e mostrou os aos seus oponentes. Foi demitido do executivo quase em directo pelo primeiro – ministro de então, José Sócrates. É claro que não estou a espera que o presidente que cumpriu duas vezes a pena prisional por crimes do delito comum se irá preocupar com as acções tão “mesquinhas” dos seguranças do seu subordinado, isso que faltava!"

Blog do leitor (Pró-russo e Anti-russo)

Texto enviado pelo leitor António Campos:
"Mesmo sem cabelo grisalho e com um semblante infinitamente mais agradável, Yuliya Tymoshenko faz-me lembrar o nosso antigo primeiro-ministro José Sócrates. O seu crime? Muito semelhante ao de Sócrates mais as suas infames PPPs (parcerias público-privadas): use agora, pague depois…durante muitos anos. Nas vésperas das eleições de 2010, o anúncio de um preço “promocional” para o gás comprado à Gazprom dava um jeitão do ponto de vista político à candidata a presidente da Ucrânia. O busílis é que a promoção era apenas válida para o primeiro ano do contrato. Os restantes 9 foram negociados com base em preços indexados ao crude. Correu mal para Tymoshenko, porque os preços do petróleo voltaram rapidamente a subir. E agora, a prisão de um dos estandartes da alegadamente anti-russa revolução laranja por um presidente pró-russo é vista pelo Kremlin como uma manobra anti-russa. Uma ironia impagável.
Porque é que o Kremlin anda a estrebuchar e a chamar anti-russa à condenação de Tymoshenko? Porque a Gazprom está agarrada ao pricing do gás indexado ao crude como criancinha à perna da mãe. O gás dos xistos e a criação de mercados spot são péssimas notícias para uma empresa altamente ineficiente que só tem a ganhar com o estabelecimento de preços artificialmente elevados para o bem que vende, tendo tudo a perder com o estabelecimento de mercados verdadeiramente competitivos. Os chineses, que não são nenhuns parvos, não estão a ir na conversa da indexação, a Alemanha também lhes está a fazer um manguito, a Turquia já o fez, e só países com baixo poder negocial como a Ucrânia é que poderão ser mais ou menos “convencidos” a alinhar no esquema.
Este tópico é tão importante para a rentabilidade da Gazprom (e para a estabilidade fiscal russa, dada a sua dependência das rendas da venda de hidrocarbonetos), que leva o economista Craig Pirrong, especialista em mercados de commodities, a afirmar que a forma como a Rússia se vai sair nas negociações dos contratos de fornecimento de gás poderá bem ser vista como um indicador bastante preciso do seu futuro político e económico."

Sexta-feira, Outubro 14, 2011

Francesa Marine Le Pen defende maior aproximação de Moscovo

A candidata da extrema-direita às eleições presidenciais francesas de 2012 defendeu hoje a saída da França da NATO e da zona euro, e uma maior cooperação de Moscovo com os políticos que defendem a política russa na Europa.
"A Rússia não é suficientemente ativa na hora de fomentar as relações com atores e políticos europeus que, tal como eu, simpatizam com ela", declarou Marine Le Pen, dirigente da Frente Nacional (FN), numa entrevista ao diário russo Kommersant.
A advogada, de 43 anos, que está a preparar a primeira visita oficial à Rússia, considerou não ter direito a "dar lições de democracia" a Moscovo e confessou sentir uma "certa admiração" pelo primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, candidato às presidenciais de março de 2012.
"Parece-me que Vladimir Putin tem carácter e uma visão do futuro necessários para garantir à Rússia a prosperidade que merece. Uma cooperação mais ativa com França e outras nações europeias podia acelerar esse processo", acrescentou.
No plano civilizacional, considerou que Paris tem mais interesses comuns com Moscovo do que com Washington, mas o Presidente francês, Nicolas Sarkozy, "virou as costas aos russos" e a imprensa francesa, seguindo o exemplo da europeia, "demoniza a Rússia".
Marine Le Pen afirmou estar convencida que a FN é o único partido herdeiro da política do general Charles De Gaulle na defesa de uma França autónoma, forte e influente. Pronunciou-se pela "recuperação da soberania financeira e da moeda própria, considerou que França sairá da NATO se vencer as eleições, criticou a intervenção ocidental no Norte de África e sugeriu confiar a solução dos problemas da Líbia, Egito e Tunísia aos vizinhos africanos ou árabes.
A líder da FN frisou também a necessidade de "reduzir até um mínimo imprescindível" a imigração em França, que acolheu 10 milhões de pessoas nos últimos 30 anos.
"É hora de travar essa invasão", disse, depois de recordar as palavras de Putin que a França se poderá transformar numa "colónia das suas antigas colónias".

Terça-feira, Outubro 11, 2011

Regime de Presidente da Ucrânia resolveu primeira tarefa, mas enfrenta duas mais difíceis

Artigo escrito para a Agência Lusa: 
 
"O Presidente da Ucrânia, Victor Ianukovitch, conseguiu que a sua mais perigosa adversária política tenha sido condenada por “abuso de poder” quando da assinatura dos acordos de gás com a Rússia em 2009, o que lhe dá uma base jurídica para exigir a revisão desses documentos.

Além disso, e isso parecia ser um dos objetivos do atual poder em Kiev, poderá afastar Timochenko da participação das eleições parlamentares do Outono de 2012.
“O regime de Victor Ianukovitch cumpriu a sua primeira tarefa: conseguiu a condenação de Iúlia Timochenko. Resta saber como irá cumprir as duas tarefas seguintes”, declarou por telefone à Lusa a partir de Kiev Vladimir Dolin, comentador político.
“Será, agora, preciso libertá-la para satisfazer a vontade de Vladimir Putin e da União Europeia e afastá-la o máximo tempo da vida política”, acrescentou.
Moscovo protestou contra a detenção e o julgamento da antiga primeira-ministra ucraniana, pois a sua condenação é um dos argumentos para a revisão do preço do gás que a Rússia vende à Ucrânia. Kiev considera que está a pagar demais pelo gás russo que consome e de menos pelo transito desse combustível para a Europa através do seu território.
A União Europeia considera que se trata de um processo “político” e ameaça travar a assinatura do acordo de associação com a Ucrânia, que está prevista para breve.
“Trata-se de tarefas extremamente complicadas, que nem sequer o próprio regime sabe o que fazer, pois colocou-se numa situação muito complicada, diria mesmo, numa camisa de sete varas”, frisou o analista.
“Talvez consigam encontrar alguma saída quando dos processos de apelação nos tribunais ucranianos e europeus”, concluiu.
O partido liderado por Timochenko já anunciou que irão apelar da sentença nos tribunais ucranianos e europeus."

Problemas na zona euro são mais políticos do que financeiros




Raramente estou de acordo com Vladimir Putin, mas, desta vez, tenho de concordar:
 
"O primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, declarou hoje que a União Europeia tem meios suficientes para resolver o problema da dívida da Grécia, frisando que a solução do problema se coloca mais no plano político que económico.
“Os problemas da dívida existem e isso é resultado da ausência de uma devida disciplina financeira, mas, por enquanto, trata-se mais de um problema político do que financeiro”, declarou ele, citado pela agência Ria-Novosti.
Em viagem pela China, Putin constatou que o problema da Grécia é o mais agudo, mas acrescentou: “mas se a memória não me engana, a Grécia constitui apenas 2 por cento do PIB de toda a Europa. Claro que se pode resolver esses problemas”.
O dirigente russo, baseando-se em cálculos de especialistas, considerou que são necessários entre 1 e 1,5 biliões de euros.
“Claro que não é uma quantia pequena, séria, mas completamente suportável para a zona euro em geral”, frisou.
“Não é assim tanto dinheiro para a zona euro, embora seja uma quantia considerável. Porque é um problema político? Porque, para concentrar esses recursos, os países mais importantes da Europa devem apoiar os que se viram em situação difícil. É preciso uma certa coragem política dos dirigentes desses países, porque a sua população não ficará muito contente com esse desenvolvimento dos acontecimentos”, argumentou.
Segundo Putin, “no fim de contas, a solução do problema é vantajosa para toda a Europa unida, por isso é preciso fazer alguma coisa”.
O candidato ao cargo de Presidente da Rússia estima que os acontecimentos na zona euro têm consequências negativas para toda a economia mundial, mas frisa: “não penso que os BRICS possam fazer algo de particularmente importante aqui, pois os grandes europeus têm recursos suficientes para solucionar estes problemas”.
Por insistência dos jornalistas, Putin comentou também uma sua afirmação anterior sobre o “caráter parasita da economia americana”.
“Ouçam uma série de peritos e dirigentes europeus, membros dos governos, líderes dos blocos económico-financeiros dos principais Estados da Europa. Eles dizem o mesmo, eu não disse nada de novo”, afirmou.
O primeiro-ministro russo defendeu também o aumento dos BRICS em estruturas como o FMI e o Banco Mundial."

Iúlia Timochenko apela ao derrube do regime do Presidente Ianukovitch

A antiga primeira-ministra ucraniana, Iúlia Timochenko, lançou hoje um apelo ao derrube do regime do Presidente Victor Ianukovitch, sublinhando que a sua queda está para breve.
O juiz Rodion Kireev anunciou ter ficado provada a acusação, precisando que Timochenko provocou prejuízos à Ucrânia de cerca de 150 milhões de euros e condenando-a a sete anos de prisão.
“Estou convencida de que a sentença está ser ditada não pelo juiz Kireev, mas pelo Presidente Ianukovitch. A sentença fará o povo entender ainda mais que os ditadores não abandonam o poder voluntariamente. Isso não é só tarefa do meu partido, mas de todo o povo”, acrescentou Timochenko.
“Ele (Ianukovitch) pensa que demonstra a sua força, o seu poder, mas, na realidade, ele humilha-se, desacredita-se e risca-se da realidade democrática ucraniana e mundial”, frisou.
Timochenko lamentou que as ações de Ianukovitch criem obstáculos na via da aproximação da Ucrânia face à União Europeia.

Antiga primeira-ministra Iúlia Timochenko condenada a sete anos de prisão

O Tribunal  Petcherski condenou Iúlia Timochenko, antiga primeira-ministra ucraniana, a sete anos de prisão por “abuso de poder” aquando da assinatura de contratos de fornecimento de gás russo em 2009.
Além disso, Timochenko fica privada de ocupar cargos nas estruturas do poder durante três anos, o que a impedirá de participar nas eleições parlamentares do Outono de 2012.


O juiz decidiu também que a antiga primeira-ministra terá de “indemnizar plenamente” a empresa pública de gás ucraniana Naftogaz, que teria sido prejudicada em cerca de 150 milhões de euros.


Segundo o juiz Rodion Kireev, os acordos sobre o fornecimento de gás russo à Ucrânia foram assinados “exclusivamente graças às ações ilegais e individuais de Iúlia Timochenko”.


“Os atos de Timochenko foram além dos seus poderes, o que provocaram pesadas consequências”, concluiu.


A sentença foi recebida com gritos pelos apoiantes de Timochenko que se encontravam na sala de sessões: “Vergonha!”, “Eles também serão condenados!”, “Este bando está condenado!”.


A líder da oposição, ao reagir à sentença, declarou aos jornalistas que “a Ucrânia está a voltar a 1937”, ano em que o ditador José Estaline desencadeou uma forte onda de terror em toda a União Soviética.


Iúlia Timochenko e os seus advogados já anunciaram que irão recorrer da sentença para tribunais ucranianos e europeus.

Segunda-feira, Outubro 10, 2011

Caros leitores do Norte de Portugal



No dia 14 de Outubro, às 21.30 horas, irei estar no lançamento do meu livro "A Saga dos Portugueses na Rússia"  na Póvoa de Varzim. A sessão terá lugar no Diana-Bar. Espero por vocês.

Sexta-feira, Outubro 07, 2011

A “Chechénia norte-americana”

A Rússia acompanha atentamente a situação no Afeganistão não só devido à experiência da União Soviética entre 1979 e 1989, mas também porque a retirada das tropas ocidentais pode desestabilizar a situação na Ásia Central e no Cáucaso.
Os analistas russos consideram que, na fase inicial da intervenção norte-americana, os êxitos das tropas de Washington foram inegáveis.
"Até 2003, os talibãs não apresentavam séria resistência, ficava-se com a impressão de que eles tencionavam chegar a um acordo", escreve Nikita Mendkovitch, analista do Centro de Estudos Contemporâneos do Afeganistão.
"Porém, depois, eles mudaram de tática. Por isso, em 2008, os talibãs conseguiram regressar em muitas províncias e apenas Cabul goza de relativa segurança", acrescenta.
Depois de tomarem consciência do erro dessa estratégia, os americanos tiveram de a rever. Em 2009, o Presidente Obama sancionou o envio para o Afeganistão de mais 30 mil homens.
"Começaram verdadeiros combates, a coligação passou a combater em terra: Construir postos de controlo, realizar ataques, cercar as posições dos talibãs, tomá-las e, depois, a realizar buscas, ou seja, a empregar, na prática, a tática russa na Chechénia. Como resultado, as coisas passaram a estar a favor da coligação", acrescenta Mendkovitch.
Os analistas russos divergem quanto ao futuro do Afeganistão depois da retirada das tropas dos Estados Unidos e da NATO.
"É impossível prever como se irá desenvolver a situação militar, mas sem dúvida que o futuro governo do Afeganistão será de coligação, os talibãs vão fazer parte dele. Será triste se forem os talibãs de Hakkani", considera Alexei Malachenko, do Centro Carnegi de Moscovo.
"Nós, agora, vemos no Afeganistão o que se passava na Chechénia em 2004: os terroristas pareciam encostados às cordas, a luta nas frentes tinha praticamente terminado, mas deu-se um surto de terror: Escola de Beslan, assassinato de Akhmat Kadirov. Trata-se do desenvolvimento lógico da guerra terrorista, quando a guerra de frentes termina e aparecem recursos para realizar ações terroristas mediáticas e eficazes", defende Mendkovitch.
Este analista está convencido que os talibãs não vão conseguir reunir forças para reagir se a coligação manter a actual dinâmica até 2012, mas frisa que isso não é um dado adquirido.
Moscovo receia que se repita o "cenário soviético", ou seja, que o actual regime em Cabul não resista após a retirada das tropas da coligação ocidental.
"A probabilidade do regresso dos talibãs ao poder é alta, as conversações de paz com os Estados Unidos são para eles um passo tático, mas, depois da saída das tropas, o regime de Karzai não aguentará", pensa Vladimir Sotnikov, analista do Instituto de Relações Internacionais da Academia das Ciências da Rússia.
"A chegada ao poder dos talibãs é perigosa porque pode desestabilizar a situação na Ásia Central e no Cáucaso do Norte russo", sublinha.
Daí a importância que a Organização do Tratado de Segurança Coletiva, que reúne a Rússia, Bielorrússia, Arménia, Cazaquistão, Quirguistão, Uzbequistão e Tadjiquistão, concede ao reforço do seu papel nessas regiões. Nessa organização discute-se a possibilidade de aprovar um documento que preveja a intervenção de tropas de um dos membros "em caso de instabilidade".
"Vemos como de forma surpreendente a saída dos americanos do Afeganistão coincide com o aparecimento de certos contingentes militares junto das fronteiras russas no Tadjiquistão. Começarão provocações, tentativas de exportar o radicalismo islâmico. Por isso, os Estados Unidos não estão interessados na reconciliação nacional no Afeganistão", estima o historiador e escritor Nikolai Starikov.
"Eles precisam, nessa região, de uma caldeira instável, da qual salte agressão contra os países vizinhos. Mas podem-se enganar", conclui.

Quinta-feira, Outubro 06, 2011

Moscovo considera “inaceitável” política norte-americana no campo da defesa antimíssil

A Rússia considera inaceitável a prática americana de “factos consumados” nas questões da defesa antimíssil europeia e de transformar isso num objecto de confronto.
“Consideramos inaceitável a prática americana de “factos consumados” nas questões da organização do sistema de defesa antimíssil na Europa, quando, sem discussão colectiva, sem ter em conta as opiniões de todos os países interessados, são tomadas decisões capazes de influir no estado da segurança e da estabilidade na Europa e no Atlântico”, afirma-se num comunicado publicado hoje pela diplomacia russa.
“Se os acontecimentos continuarem a desenvolver-se assim, a possibilidade de transformar a defesa antimíssil de campo de confronto em objecto de cooperação, criada na Cimeira de Lisboa da Rússia-NATO, perder-se-á”, acrescenta o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia, comentado o acordo entre Washington e Madrid de incorporar a Espanha nesse sistema.
Segundo os diplomatas russos, “este passo dos Estados Unidos rumo à construção “por fases”, “por etapas”, do sistema de defesa antimíssil na Europa não pode deixar de preocupar, pois, já na primeira fase da sua realização, tem lugar um aumento considerável de mísseis norte-americanos  na zona europeia”.
“Além disso, não só não vemos a prontidão da administração norte-americana em ir ao encontro das preocupações russas numa questão fulcral para nós: as garantias jurídicas de que o futuro sistema antimíssil não será apontado contra as forças nucleares estratégicas russas, mas também fixamos o desejo de abordar de forma cada vez mais ampla as regiões de instalação desses sistemas pelos Estados Unidos”, conclui a diplomacia russa.
Moscovo considera necessário desenvolver o acordo conseguido em Lisboa, na Cimeira da NATO-Rússia, em Novembro do ano passado, que prevê a criação de uma concessão e arquitectura conjuntas do sistema europeu de defesa antimíssil, numa base igual e transparente.
O Kremlin ameaça responder com medidas de carácter militar se os Estados Unidos avançarem sozinhos e não derem garantias de que o sistema de defesa antimíssil não visa neutralizar os mísseis nucleares russos.

Quarta-feira, Outubro 05, 2011

Na Bielorrússia passou a ser proibido bater palmas, ficar de pé, fazer silêncio


O Parlamento da Bielorrússia introduziu hoje alterações à lei “Sobre iniciativas de massas” que equiparam o “silêncio” e o “estar de pé” a acções de protesto.
As emendas foram aprovadas numa sessão fechada do Parlamento bielorrusso na segunda-feira, mas só hoje foi revelado parte do conteúdo.
Anatoli Glaz,vice-presidente da Comissão de Direitos do Homem do Parlamento, anunciou que as emendas equiparam acções flash mob a piquetes, limitam os locais de realização de manifestações e “explicam alguns termos”.
Além disso, são proibidas acções de massas organizadas através da Internet e redes sociais se aí for revelado o local, hora e objectivo da concentração.
Segundo o deputado, as ações silenciosas, se organizadas sem a sanção do poder, também são equiparadas a acções de protesto não autorizadas e “o silêncio e o estar de pé são considerados ações”.
Glaz assinalou, numa conferência de imprensa, que os deputados estudaram a prática europeia e que consideram que as emendas não pioram a lei de concentração de massas.
“As alterações não mudam a lei para pior e ela não fica pior do que noutros países e o castigo pelas violações é até mais humano do que nos Estados Unidos”, concluiu.