sexta-feira, abril 29, 2011

Contributo para a História de Portugal (Navegadores russos e Império Colonial Português) 3ª parte



Notas importantes sobre as colónias portuguesas do Brasil e de Macau estão contidas no livro “Viagem de circum-navegação no navio “Neva” em 1803-1806”, escrito pelo almirante Iúri Lissianski, que comandava o segundo barco da expedição de Kruzenshtern (6).

É também de assinalar “Cartas de marinheiros russos do Brasil para o Sr. N.N”, escritas pelo oficial Makar Ratmanov (7).

Entre 1807 e 1809, o veleiro “Diana”, sob o comando do tenente Vassili Golovnin, realizou mais uma viagem à volta do mundo, tendo o oficial russo publicado o diário de bordo com informações interessantes sobre o Brasil.(8) Mas voltaremos mais abaixo a este oficial da marinha russa, durante a sua segunda viagem, quando passa pelos Açores...


... Passadas as guerras napoleónicas, a Rússia volta novamente às viagens de circum-navegação. Entre 1819 e 1821, Fabian Gottlieb Thaddeus von Bellingshausen comanda uma expedição que, entre outros objectivos, descobre a Antártida.
Bellingshausen deixou-nos um diário de bordo com algumas notas  sobre a vida no Rio de Janeiro: “A cidade, embora situada de forma bastante correta, mas as ruas, na sua maioria, são estreitas; há algumas praças boas e casas de dois andares; no andar de baixo estão lojas ou oficinas, tais como: merceneiros, sapateiros, alfaiates, polidores de pedras, ourives de prata e ouro, etc. Nos andares estão as habitações. O lixo e todas as porcarias são atirados directamente para as ruas; ao fim da tarde, quando escurece, é impossível andar perto das casas sem correr o risco de ser molhado do andar de cima; na cidade, em geral, é evidente uma sujidade horrível”. (21)
O oficial russo fica impressionado com o peso da religião na vida do Rio de Janeiro: “Todas as colinas estão ocupadas por mosteiros, que enfeitam o aspecto externo da cidade. Pode dizer-se que só quase os monges gozam aqui de ar saudável e das agradáveis vistas das alturas. Durante a nossa permanência, quase diariamente víamos nas ruas e templos procissões; a julgar por isso, um estrangeiro desprevenido concluiriado gosto  dos habitantes locais para festas”.
O tráfico de escravos não passou despercebido ao oficial russo: “Aqui encontram-se várias tendas onde se vendem negros: homens, mulheres e crianças. Quando se entra nessas tendas asquerosas, vê-se várias filas de negros sentados, cobertos de tanga, os pequenos à frente e os grandes atrás. Em cada tenda encontra-se permanentemente um dos portugueses ou dos negros anteriormente trazidos; é dever desse guarda tentar apresentar esses infelizes da melhor e mais alegre forma quando chegam os compradores. Ele tem na mão um chicote ou uma vara; quando faz um sinal, eles levantam-se, depois saltam entoando canções de dança; se algum deles, segundo o vendedor, olha, salta ou canta de forma insuficientemente alegre, ele incute-lhe vivacidade com a vara. O comprador, depois de escolher o seu escravo, tira-o da fila, vê-lhe a boca, apalpa-lhe todo o corpo, bate-lhe com as mãos em diferentes partes e, depois desses exames, ficando convencido da resistência e saúde do negro, compra-o. Na nossa presença foi vendido um por 200 taleres espanhóis. Na tenda feminina está tudo disposto da mesma ordem, mas com a diferença de que as negras estão cobertas à frente por um pequeno pedaço de tecido azul e algumas tèm também os peitos cobertos. Na tenda entraram connosco uma velha e uma jovem menina; eram portuguesas. Depois de combinarem o preço de uma jovem negra, viram-lhe a boca, levantaram-lhe as mãos e afastaram o pedaço de tecido do peito; finalmente, a velha apalpou a barriga com ambas as mãos; parece que o preço pedido pelo dono era demasiadamente grande e elas não compraram essa negra e foram para outra tenda. A revista, a venda, a sujidade, o cheiro nauseabundo exalado pelos numerosos escravos e, finalmente, a vigilância bárbara com chicote ou vara, tudo isso provoca nojo em relação ao dono desumano da tenda”. (22)
Os comandantes dos navios russos, que chegaram a 2 de Novembro de 1821, foram recebidos pelo rei D.João VI a 9 do mesmo mês: “o rei honrou-me com algumas perguntas sobre o Rio de Janeiro, sobre o porto, sobre o objectivo da nossa viagem, e, depois das saudações normais, fez uma vénia e nós curvámo-nos até à cintura e recuámos sem virar as costas, enquanto o rei, que se afastava de nós, virava-se de todas as vezes para receber a vénia”. (23)

Pequenas dicas grátis para atrair mais turistas russos


Este ano espera-se um número recorde de turistas russos em Portugal, não obstante as autoridades portuguesas pouco fazerem para isso. Vale-nos o facto de as empresas turísticas russas desenvolverem um grande trabalho para dar a conhecer o nosso país aos russos.
Além disso, a situação instável no Médio Oriente e Norte de África, o sismo no Japão e as inundações da Tailândia fazem com que um número cada vez maior de russos queira descansar em Portugal. A crise económica não os assusta e até pode jogar a favor do nosso país, pois os preços portugueses, nomeadamente dos comes e bebes,  estão muito aquém dos preços noutros países europeus, para já não se falar da própria Rússia.
Mas há algumas pequenas coisas que podemos fazer para tornar o nosso país ainda mais atractivo. Não se pode esquecer que um russo gasta em Portugal tanto quanto dez turistas alemães ou britânicos.
Por exemplo, não ficaria mal renovar o aspecto do interior do Consulado de Portugal em Moscovo, pois trata-se do primeiro contacto que um turista russo tem com o nosso país. Está claramente a precisar de umas obras e seria boa ideia aumentar a sua área tendo em conta o volume crescente de trabalho.
Podem dizer-me que não há dinheiro para isso, mas quero recordar que um turista russo paga mais de 30 euros por um visto e, por conseguinte, trata-se de um investimento que certamente irá dar lucro.
A Transportadora Aérea Portuguesa (TAP) tem pessoal de bordo simpático e um serviço bom, mas também podia fazer alguns melhoramentos.
Tendo em conta que o bilhete de avião Lisboa-Moscovo-Lisboa não é barato, custa, em média, mais de 400 euros, os passageiros, no Aeroporto de Lisboa, podiam entrar no aparelho através de mangueira. Mas se só é possível fazer isso de autocarro (não compreendo porquê), então ele não deve estar estacionado 5, 10 e mais minutos junto do avião até que as empregadas acabem as limpezas. Isto é tanto mais incómodo para os passageiros nos dias quentes. É desagradável.
Também não compreendo porque é que a TAP não pode anunciar as normas de segurança no interior do aparelho em língua russa. Sei que a cassete ou cd com a gravação estão prontos, é apenas necessário introduzi-los no gravador.
Os russos gostam muito quando ouvem falar a sua língua, tal como os portugueses, por isso seria simpático da nossa parte fazer um pequeno esforço para ir ao encontro dos turistas russos. Eles dão valer a essas coisas.
Em tempo de crise, o turismo é uma importante fonte de receitas, mas para isso os portugueses têm de se mexer mais um bocadinho. Não custa nada e só dá lucro.

Rússia anuncia abertamente apoio ao regime de Bashar al-Assad


O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia manifestou  o seu apoio ao regime do Presidente sírio Bashar al-Assad e sublinha que a violência vem também da parte da oposição.
Num comunicado publicado a propósito da sessão especial do Conselho para Direitos Humanos das Nações, convocada para 29 de abril para Genebra por iniciativa dos Estados Unidos, União Europeia e outros estados, Moscovo chama a atenção para o facto da violência vir também do lado dos que contestam o atual regime sírio.
“Em Moscovo continuamos a seguir com preocupação a agudização da situação na Síria”, lê-se no comunicado, onde se sublinha que “a violência, no contexto dos acontecimentos na Síria, parte também dos que protestam”.
“Deve-se pôr fim a quaisquer manifestações de violência. Partimos do princípio de que as autoridades sírias cumprem plenamente os seus compromissos em matéria de defesa da sociedade civil no território do país”, considera a diplomacia russa.
Segunda ela, “a saída da situação criada é apenas possível no quadro legal, na base da concórdia civil na Síria”.
As críticas de Moscovo vão também contra as organizações de defesa dos direitos humanos.
“A Rússia considera antiprodutivas as tentativas de politização da atividade dos mais importantes órgãos de defesa dos direitos humanos, incluindo o Conselho para os Direitos Humanos”, lê-se no comunicado.
“Iremos orientar-nos consequentemente por essa abordagem no âmbito da preparação da sessão especial e da discussão do projeto de resolução do Conselho para os Direitos Humanos, apresentado pela delegação norte-americana”, conclui a diplomacia russa.

quinta-feira, abril 28, 2011

Contributo para a História de Portugal (Navegadores russos e Império Colonial Português) 2ª parte



Não escapou também à atenção do almirante russo o abandono a que estava deixada aquela ilha pela Coroa Portuguesa: “Mas cada viajante, embora eu não tenha tido oportunidade de falar pessoalmente com os portugueses cultos que vivem aqui, pode facilmente constatar que o governo português não presta nenhuma atenção a esta aldeia. Se isso é provocado pela política, então ela é indiscutivelmente a mais falsa; se isso decorre simplesmente do desprezo leviano, isso é ainda mais inaceitável. Que Portugal não vê, em geral, a utilidade que poderia ter das suas possessões nesta parte da Terra é uma verdade reconhecida por todos e não exige mais a mais pequena prova. Em todo o Brasil, a ilha de S. Catarina, com as aldeias que lhe pertencem na parte continental, é a parte destas possessões à qual o governo português nunca prestou particular atenção, embora ela não mereça esse desprezo devido à sua situação extremamente favorável, ao clima saudável, terra fértil e outras posições”(2).
O navegador russo assinala um pormenor curioso: “O chefe da guarnição, quando da nossa passagem, era descendente do glorioso Vasco da Gama. Desde que foram aquarteladas aqui tropas que elas, por decisão do governo, são comandadas por um dos membros dessa gloriosa família. Em 1785, ano em que aqui esteve Laperuz, o comandante das tropas era António da Gama”(3).
Depois de visitarem e explorarem as costas da América do Sul, o Pacífico e os territórios russos no Extremo Oriente, os navios russos passaram por Macau, tendo Kruzenshtern registado importantes aspectos da organização política, comercial e social da colónia portuguesa.
Ele ficou  surpreendido com a difícil situação dos portugueses face às autoridades chinesas. O almirante russo escreveu: “A situação dos portugueses em Macau é extremamente delicada, tanto mais difícil é a situação do governador por ter contactos frequentes com o Governo Chinês. Embora os governadores se comportem com extremo cuidado, acontecem por vezes casos em que eles, sem a perda extrema de respeito para com a sua nação, pouco respeitada também agora pelos chineses, não ousam aceitar as suas exigências” (4).
Segundo ele, “se em Macau mandassem os ingleses ou espanhóis, rapidamente poriam fim a essa vergonhosa dependência dos chineses. Essas nações, tendo nas suas mãos importantes países perto da China, poderiam, em Macau, oferecer resistência à força de todo o Estado Chinês”(5).

Vladimir Putin afirma ainda ser cedo para falar de eleições presidenciais


O Primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, considerou precipitadas as conversas sobre a sua participação nas eleições presidenciais de 2012, mas prometeu aos jornalistas que irão ficar contentes com a sua decisão.

“No que diz respeito à campanha presidencial na Rússia, é cedo ainda para falar nisso, chegará a hora e tomaremos a decisão”, declarou ele aos jornalistas em Oslo, onde se encontra em visita oficial.

“Irão gostar, ficarão satisfeitos”, acrescentou ele virando-se para os jornalistas.

Em meados de abril, o atual Presidente russo, Dmitri Medvedev, afirmou que dentro em breve irá anunciar se se recandidatará ou não a esse cargo. Poucos dias depois, Putin precisou que nem Medvedev, nem ele excluem a participação nas presidenciais.

Na véspera, quando se encontrava em Copenhaga, Putin reagiu de forma mais dura à mesma pergunta dos jornalistas.

“Os futuros candidatos a Presidente da Rússia não precisam de apoio do estrangeiro. O futuro candidato a Presidente da Rússia precisa do apoio do povo russo”, precisou.

Estas declarações foram interpretadas por alguns analistas como um sinal de que Putin não se irá recandidatar ao Kremlin, o que também considero ser cada vez mais provável.

O primeiro-ministro russo voltou a fazer duras críticas à política externa dos países ocidentais.

“Por vezes vejo a forma ligeira como se tomam hoje decisões de emprego da força no mundo, fico perplexo. E isto não obstante toda a preocupação com os direitos humanos e humanismo que são alegadamente praticados no mundo moderno. Não vêem aqui contradições sérias entre as palavras e a prática das relações internacionais?”, acrescentou ele.

“É preciso fazer tudo para liquidar o desiquilíbrio”, frisou.

Ao responder à pergunta sobre a sua atitude face à Nato, Putin assinalou que Moscovo está preocupado com o alargamento da infraestrutura da Aliança Atlântica e com a sua aproximação das fronteiras da Rússia.

“Qualquer país deve reagir da forma devida à aproximação de uma estrutura militar das suas fronteiras”, concluiu.

P.S. Apenas quero deixar aqui uma pergunta: será que Vladimir Putin, político que afogou em sangue a Tchetchénia, tem o direito de vir falar em moralidade nas relações internacionais? 

quarta-feira, abril 27, 2011

Contributo para a História de Portugal (Navegadores russos e Império Colonial Português) 1ª parte



Texto escrito para o Nº1 da revista do Centro de Investigação Transdisciplinar Cultura, Espaço e Memória da Faculdade de Letras da Universidade  do Porto 


       "Terminado o processo de centralização das terras russas em torno do Reino de Moscovo, os czares russos colocam a abertura de saídas para os mares navegáveis durante todo o ano como uma das suas prioridades da política externa. Isso tornou-se mais premente com o estabelecimento de contactos comerciais entre a Inglaterra e o Reino de Moscovo em 1553.

O czar Ivan IV, o Terrível, cujo reinado se estendeu de 1545 a 1584, manteve prolongadas guerras contra a Suécia, Polónia e Lituânia para conseguir fixar-se nas costas do Mar Báltico, mas sem êxito. Essa tarefa foi bem realizada mais tarde pelo czar Pedro I, o Grande, que reinou entre 1695 e 1725, com a vitória na longa Guerra do Norte contra a Suécia, que se prolongou entre 1700 e 1721 e terminou com a conquista pela Rússia de parte significativa das costas do Báltico e da construção aí da nova capital do império: São Petersburgo.



Ao mesmo tempo que se afirmava no Báltico, o Império Russo alargava-se até para o Pacífico a Leste e para o Mar Negro a Sul.
A necessidade de ligações marítimas entre as várias regiões do Império, a luta contra os turcos, não só por terra, mas também através do Mar Mediterrâneo, e a instalação de colónias russas nas costas orientais da América do Norte, a procura de novos mercados comerciais levaram a Rússia a empreender viagens marítimas de circum-navegação. Os navios russos passaram a utilizar portos do extenso Império Colonial Português para se reabastecerem e estabelecerem contactos comerciais, estudos em vários ramos da ciência.
Antes de passarmos à análise das várias viagens, é importante assinalar que neste estudo foram empregues, no fundamental, fontes escritas em russo: diários de bordo, memórias de viagens, cartas, etc.

A primeira viagem de circum-navegação russa foi realizada entre 1803 e 1806 em dois navios: “Nadejda” e “Neva”, sob o comando do almirante Ivan Kruzenshtern (1770-1846).
Depois de deixar para trás o Continente Europeu e as Ilhas Canárias, os navios russos chegam à ilha de Santa Catariana a 21 de Dezembro de 1803.
Kruzenshtern legou-nos um pormenorizado diário de bordo, onde fixou observações importantes sobre a passagem por terras brasileiras, nomeadamente a boa recepção de que foi alvo pelas autoridades locais: “O governador, Dom José de Currado, coronel português, com quem eu, Lissianski e vários oficiais fomos ter para apresentar cumprimentos, recebeu-nos com extrema simpatia. Mostrou-se imediatamente pronto em prestar-nos toda a ajuda possível. Enviou um sargento para cada um dos nossos navios e ordenou-lhes para estarem à nossa disposição. Pegou na lista de todos os víveres de que necessitávamos e deu ordem a um oficial para adquiri-los o mais rapidamente possível em diferentes lugares da ilha e no continente. Ele foi tão atencioso que obrigou os seus homens a partirem lenha para nós; o que eu lhe tinha pedido especialmente, porque esse trabalho, devido ao forte calor, era extremamente penoso, podia prejudicar a saúde dos nossos serviçais. Ele permitiu-nos montar, na pequena ilha de Atomirice, o nosso observatório, que nos era bastante necessário, tanto para verificar o funcionamento dos cronómetros, que, durante a nossa viagem de Tenerife, divergia em todos, como para outras observações úteis, que o doutor Gorner esperava realizar no Hemisfério Sul do céu, ao qual os astrónomos têm acesso raramente”(1).

Presidente Lukachenko chamou "cabrão" a Durão Barroso


 O Presidente da Bielorrússia, Alexandre Lukachenko, insultou Durão Barroso, Presidente da Comissão Europeia, considerando- o culpado da sua não participação nas cerimónias de Chernobyl.

“Ele (Durão Barroso) é simplesmente um canalha! Por isso não quero falar de diferentes Barrosos, de outros cabrões (козлы), touros, etc. No que respeita aos cabrões (козлы), tais como Barroso e outros, quem é ele, esse Barroso? Conheço um tal Barroso em Portugal, foi corrido e arranjou emprego na Comissão Europeia”, declarou Lukachenko, enfurecido.

Na véspera, Lukachenko deveria encontrar-se com os seus homólogos russo e ucraniano nas cerimónias dedicadas ao 25º aniversário da catástrofe na Central Nuclear de Chernobyl, mas não compareceu ao encontro em protesto pelo Presidente da Ucrânia, Victor Ianukovitch, não o ter convidado para uma conferência internacional, realizada na semana passada.

“Façam essa pergunta a Ianukovitch: porque é que o Presidente não está presente nas suas iniciativas. Perguntem-lhes. Infelizmente, há demasiados “piolhos” na atual direção da Ucrânia, comentou ele, dirigindo-se aos jornalistas.

Nessa conferência, que reuniu países e organizadores que doaram meios para a construção de um novo sarcófago para o quarto reator da central, participou Durão Barroso que exigiu a ausência de Lukachenko.

As relações entre a UE e a Bielorrússia estão bastante tensas pois Bruxelas vê em Lukachenko um ditador.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia considerou as declarações de Lukachenko “incorreta sem precedentes”, acrescentando que o dirigente bielorrusso foi convidado para as celebrações em Chernobyl.

A 26 de abril de 1986, uma explosão no quarto reator da Central Nuclear de Chernobyl provocou prejuízos incalculáveis na saúde de milhões de habitantes da Bielorrússia, Rússia e Ucrânia.

terça-feira, abril 26, 2011

A maior catástrofe nuclear da história foi há 25 anos



Na madrugada de 26 de abril de 1986, uma explosão no quarto reator da Central de Chernobyl, na antiga república soviética da Ucrânia, provocou o maior acidente nuclear da história, cujos efeitos ainda hoje são sentidos.
Segundo dados dos peritos, a explosão provocou fugas de radioatividade para a atmosfera equivalentes a 100-500 bombas atómicas como a que foi lançada sobre Hiroshima.
Construída em 1976, era a maior central nuclear do mundo e, por isso, as autoridades comunistas deram-lhe o nome de Vladimir Lénine, fundador da União Soviética.
“A maior das centrais nucleares passou a produzir energia para a construção do comunismo”, anunciou a televisão soviética no dia da sua inauguração.
Dez anos depois, a explosão no quarto reator abalou irremediavelmente as bases do comunismo soviético, tendo dado um grande contributo para a desintegração da União Soviética em 1991.
A central, constituída por quatro reatores em funcionamento e dois em construção, não só produzia energia elétrica, mas também plutónio para uso militar.
Porém, o seu funcionamento apresentava graves problemas de segurança. Os reatores careciam de um sistema que impedisse a fuga de radioatividade em caso de acidente, ou seja, não eram protegidos por sarcófago. Além disso, tinha problemas na refrigeração e podia funcionar com os sistemas de segurança desativados.
A explosão poderá ter ocorrido devido a erro humano, durante a realização de um teste de segurança.
A nuvem lançada pela explosão do quarto reator atingiu a Bielorrússia e a Rússia, países da Escandinávia, da Europa Central e Reino Unido.
O número de vítimas é muito dispare, oscilando entre os 100 e 200 mil.
Atualmente, a radiação continua a fazer sentir-se na Bielorrússia, Ucrânia e Rússia, onde há uma área de 200 mil quilómetros quadrados de terras contaminadas.
O encerramento definitivo da Central de Chernobyl foi acordado entre os sete países mais industrializados do mundo (G7) e a Ucrânia, em 1995, tendo esta recebido compensações financeiras substanciais.
Depois de várias reuniões de países e organizações doadores, foi possível conseguir meios para dar início à construção do segundo sarcófago sobre o quarto reator, que permitirá evitar fugas radioativas nos próximos cem anos, bem como de contentores para guardar resíduos radioativos.

segunda-feira, abril 25, 2011

Não é recomendável enviar mulheres a Marte


     Elena Serova, atualmente a única mulher cosmonauta russa (foto)

O vice-diretor do Instituto de Problemas Médico-Biológicos da Rússia, Valeri Bogomolov, considera que as mulheres exercem influência positiva nos astronautas homens, mas não aconselha a sua participação em viagens a Marte.
“A mulher no espaço disciplina a tripulação. No sentido em que a tripulação trata de si, preocupa-se com o seu aspeto externo, etc. Quando há uma mulher na tripulação, isso é um fator positivo”, declarou ele numa entrevista à agência Interfax.
Porém, Bogomolov, que dirige o instituto russo que estuda o comportamento das tripulações no espaço, não tem a certeza de que seja recomendável incluir mulheres nas tripulações que irão viajar para Marte.
“Há questões a que não posso responder e essa é uma delas. Penso que ninguém sabe a resposta”, considerou ele.
Segundo este perito, as viagens a Marte implicam, além de um grande período de permanência nas condições duras do espaço, “sérias cargas físicas, psíquicas e emocionais”.
“Desse ponto de vista, é preferível enviar uma tripulação puramente masculina”, sublinhou.
Foi isso que levou o Instituto de Problemas Médico-Biológicos da Rússia a escolher apenas homens para a experiência de uma imitação do voo a Marte, que decorre atualmente em Moscovo.
O cientista russo revela que essa decisão se deve também ao fato de terem ocorrido problemas na Estação Espacial Internacional, que se encontra atualmente em órbita.
“Nas conversas particulares connosco, os cosmonautas assinalam que não foi fácil voar com uma certa mulher. Ela não se comporta como é devido, tenta comandar, não se submete ao gráfico geral, sublinha constantemente a sua igualdade mesmo com o comandante da estação”, exemplica ele.
Mas sublinha: “Isso é raro, mas aconteceu. Não há casos desses na cosmonáutica russa”, frisou.
“Frequentemente, uma aitute atenciosa para com a mulher pode ser por ela entendida como uma ofensa, uma humilhação da dignidade ou mesmo assédio sexual. A igualdade de sexos na atividade profissional é um fetiche para os americanos. Na Rússia e nos Estados Unidos há mentalidades e tradições diferentes quanto às relações entre sexos, o que se reflete em diferentes abordagens deste problema e na prática da medicina espacial”, precisa o cientista.
A União Soviética enviou para o espaço duas mulheres: Valentina Terechkova e Svetlana Savitskaia e a Rússia tem apenas uma mulher cosmonauta: Elena Serova.
Esta mulher não concorda com a posição de que a viagem a Marte é “uma tarefa puramente masculina”.

domingo, abril 24, 2011

Queda de popularidade de Medvedev e Putin atinge números nunca vistos


  Os níveis de popularidade do Presidente Medvedev, do primeiro-ministro Putin e do partido dirigido por este último: Rússia Unida sofreram quedas nunca vistas.
Segundo uma sondagem realizada pelo Fundo “Opinião Pública”, entre janeiro de 2010 e março de 2011, a popularidade de Dmitri Medvedev entre os russos desceu de 62 para 46 por cento e a confiança para com Vladimir Putin caiu de 69 para 53 por cento.
O Partido Rússia Unida recebeu o apoio de 44 por cento dos inquiridos, tendo o nível de desconfiança face à força política dirigente no país aumentado de 29 para 38 por cento.
Os sociólogos consideram que os russos se inclinam para a “ditadura” e o apoio a Putin quando ocorrem convulsões, atentados teroristas ou conflitos armados,mas viram-se para Medvedev quando a situação é mais estável.
Os peritos assinalam a presença de uma “tendência perigosa” para o poder: o desprezo por parte deste dos interesses da classe média e a concentração exclusiva nos seus próprios interesses.

sábado, abril 23, 2011

Recordações pascais do passado soviético


As autoridades comunistas soviéticas nunca se cansaram de afirmar que na URSS havia liberdade de pensamento e de religião, o que era completamente falso. E os festejos da Páscoa na era soviética eram uma prova clara disso.
Recordo-me de quão difícil era chegar a um templo religioso na noite de Sábado para Domingo para assistir às cerimónias religiosas pascais. Cordões de polícia (naquela altura chamava-se milícia), controlo de documentos e tomada de notas pelas autoridades miliciais. Caso um estudante soviético ousasse ir assistir a um serviço religioso e fosse detectado pela polícia, seria garantidamente expulso da universidade ou escola que frequentava.
Quanto aos estrangeiros, podíamos passar livremente, pois todo o espectáculo era para nos convencer. Os realizadores, verdade seja dita, eram maus, mas parece que conseguiam convencer alguns...
No entanto, as medidas repressivas falhavam frequentemente e as autoridades soviéticas recorriam a outras artimanhas para afastar as pessoas das cerimónias religiosas. Pouco antes da meia noite, ou seja, a poucos minutos do início das cerimónias pascais, o primeiro canal da televisão soviética começava a transmitir o programa "Melodias de Países Estrangeiros", onde apresentados cantores ou grupos musicais quase proibidos pela ideologia comunista. Por exemplo, o grupo ABBA!
Nesses espectáculos não podiam faltar actuações do Bailado Moderno de Berlim, mas da República Democrática Alemã. Programas bastante primitivos, mas que até permitiam organizar discotecas.
Por isso, tenho dificuldade em assistir a cerimónias religiosas onde antigos e actuais dirigentes comunistas, antigos e actuais agentes do KGB, de vela na mão (os russos chamam-lhes os "candelabros ortodoxos")  parecem ouvir atentamente as palavras dos sacerdotes, mas os lábios ficam imóveis porque não sabem as orações. 
Mas, no mínimo, já aprenderam a benzer-se! O primeiro passo é o mais difícil...

Rússia desmente experiências sexuais no espaço



O vice-diretor do Instituto de Problemas Médico-Biológicos da Rússia, Valeri Bogomolov, afirmou que os cosmonautas soviéticos e russos nunca fizeram sexo no espaço, nem sequer para fins científicos.
«Não existe qualquer testemunho oficial ou não oficial de que tenha sido feito sexo no espaço, bem como experiências nesse campo», declarou o cientista à agência Interfax.
Bogomolov comentou assim notícias publicadas em órgãos de informação que revelavam que a União Soviética e os Estados Unidos teriam realizado ensaios científicos no espaço, durante os quais os cosmonautas teriam feito sexo e tentado ter filhos.
«No que respeita à astronáutica americana, simplesmente não tenho dados para refutar isso categoricamente. Em todo o caso, não temos dados oficiais. Há apenas boatos anedóticos, insinuações na imprensa que não merecem crédito», concluiu.

sexta-feira, abril 22, 2011

Viagem ao reino da radioatividade




Densas florestas de pinheiros e bétulas dominam uma paisagem bucólica, mas um «check-point» na estrada entre Kiev e a central de Chernobil e o ruído dos dosímetros recordam a tragédia de 26 de abril de 1986.
Os dosímetros, que detetam as radiações, assinalam em Kiev 12-13 miliroentgen/hora - um valor normal. Mas no «check-point Ditiatkin», a cerca de 30 quilómetros da central, os aparelhos sobem para 30.
Depois do rigoroso controlo de passaportes, tal como numa fronteira entre dois países, entra-se na chamada “zona restrita” de Chernobil, dominada por casas e edifícios abandonados, alguns deles já em ruínas.
A primeira paragem é no estádio de futebol de Chernobil para ver os primeiros carros blindados que combateram, após a explosão, o incêndio e a fuga de radioatividade.
Ao lado do estádio, uma alameda ladeada de lápides com nomes de heróis soviéticos que combateram nessa região durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Ao fundo, as cúpulas douradas de um templo ortodoxo e casas abandonadas da Rua Soviética.
Chega um novo «check-point»: “Kopatchi”, a dez quilómetros de distância da central. Depois, a “floresta ruiva”, assim chamada porque os cones das árvores adquiriram essa cor devido ao elevado nível de radioatividade.
Na cidade de Pripiati, ou melhor, daquilo que resta do lugar onde residiam milhares de funcionários da central de Chernobil e suas famílias. À entrada, na parede de um dos prédios, ainda se consegue ler algumas das letras enormes de uma quadra do hino soviético: “O Partido de Lenine, força do povo, conduz-nos para a vitória do comunismo”.
“Era uma cidade de habitantes maioritariamente jovens, muitos engenheiros, intelectuais, com um nível de vida mais alto do que noutras regiões da Ucrânia”, recorda Alexandre, um dos motoristas que participou na retirada dos habitantes após a explosão na central.
“Neste momento, o nível de radioatividade aqui é cem vezes superior à norma. Não toquem nas plantas, nem pisem a relva, andem pelo asfalto”, previne Iúri, funcionário do Ministério para Situações de Emergência da Ucrânia que acompanha quase uma centena de jornalistas.
“Restaurante”, “Casa da Cultura Energuetik”, “Hotel Polessia”, edifícios em ruínas, com aspeto de terem sido frequentemente pilhados.
“A rede que isola a zona não parou os pilhadores. Eles faziam e fazem buracos, entram na zona e levam dos edifícios tudo o que podem: móveis, aquecedores, tudo o que é feito de metal, para vender, não obstante tratar-se de materiais radioativos”, afirma Andrei, um dos guardas da zona.
A próxima paragem é o quarto reator da central nuclear. Coberto por uma pesada couraça de betão e metal, edificada à pressa pouco depois da explosão em 1986 para travar a fuga da radioatividade, necessita uma nova cobertura. Por enquanto, apenas estão lançados os alicerces do novo sarcófago.
Depois de uma passagem pelo edifício central chega a hora de sair da “zona restrita”. Novamente os «check-points», onde as máquinas de controlo mostram que os níveis desceram. É o regresso à “zona da normalidade”.

Chernobil: Betão para sarcófago de reator é “português”



O betão do novo sarcófago para o quarto reator da central de Chernobil é produzido na Fábrica de Cimento de Odessa, no sul da Ucrânia, propriedade da «joint-venture» portuguesa C+PA.
Esta «joint-venture» foi constituída por duas empresas portuguesas: a Teixeira Duarte, que detém 52 por cento das ações, e a Cimpor, com os restantes 48 por cento.
“Os consórcios franceses Bouygues e Vinci, que vão dar início à construção de um novo sarcófago no quarto reator abriram um concurso internacional para a aquisição de cimento para a obra. Participaram numerosas empresas ucranianas e estrangeiras, mas fomos escolhidos porque o nosso cimento é o de melhor qualidade”, disse à Agência Lusa Miguel Machado, diretor-geral da Fábrica de Cimento de Odessa.
“Gostaria de salientar que a nossa fábrica encontra-se longe da central nuclear de Chernobil [norte da Ucrânia], mas fomos os escolhidos devido precisamente à qualidade do cimento que produzimos”, frisou Miguel Machado.
A Fábrica de Cimento de Odessa irá fornecer 25 mil toneladas para a obra que se encontra na fase de construção de alicerces, acrescentou.
A empresa C+PA adquiriu 51 por cento das ações dessa fábrica de cimento ucraniana em maio de 2005 e os restantes 49 por cento em novembro do ano seguinte.
De acordo com fontes oficiais ucranianas, a construção do novo sarcófago, que deverá evitar fugas de radioatividade do quarto reator da central nuclear de Chernobil, estava orçada em cerca de 600 milhões de euros, mas os custos já subiram para 900 milhões e poderão atingir 1,54 mil milhões de euros.
A nova cobertura do quarto reator terá 150 metros de altura, 150 metros de comprimento e 260 metros de largura.
A obra, com uma garantia de cem anos, é financiada principalmente pela União Europeia.
Fontes das empresas francesas de construção do sarcófago disseram à Lusa que a obra já tem um ano de atraso devido a entraves burocráticos levantados pelas autoridades ucranianas.
P.S. Quero deixar aqui um agradecimento especial aos portugueses  Manuel Machado e João Graça Moura, que dirigem a Fábrica de Cimento de Odessa. Só homens com a força e a coragem deles conseguem fazer com que as empresas portuguesas se imponham em mercados complicadíssimos como o ucraniano. Boa sorte.

quinta-feira, abril 21, 2011

Bielorrússia: País "era tão democrático, que até metia nojo"

O Presidente da Bielorrusia, Alexander Lukashenko, afirmou hoje que o seu país “era tão democrático, que até metia nojo”, o que alimentou receios de uma intensificação da repressão sobre a oposição política


Lukachenko disse também que o Ocidente está a preparar uma ingerência direta nos assuntos internos da Bielorrússia.
“A análise dos acontecimentos ocorridos no fim do ano passado e no início do presente leva à conclusão que querem fazer derrubar o nosso jovem Estado”, declarou ele numa mensagem ao Parlamento e povo da Bielorrússia.
Segundo ele, “inicialmente começaram com ameaças políticas, o não reconhecimento das eleições, listas de proibidos de viajar, sanções económicas. Depois, o incentivo da agiotagem no mercado financeiro, depois danças macabras em torno dos acontecimentos na estação Oktyabrskaia (atentado terrorista que matou 13 pessoas)”.
“Tudo isso são correntes da mesma cadeia: semear a desconfiança para com o poder, sufocar com uma forca o país. Querem que sejamos iguais a todos os outros em redor, no fim de contas”, frisou.
“Eles querem que no poder haja discórdia, que nesta sala oval (sala do Parlamento) haja pancadaria”, considerou.
Lukachenko promete resistência: “Se nos tentarem dobrar, pôr de joelhos e, depois, sufocar, iremos, no mínimo, resistir. Iremos combater por cada pedaço nosso de terra”.
O dirigente bielorrusso reconheceu que os investigadores não encontraram rastos da política e do mundo do crime no atentado terrorista no metropolitano de Minsk.
“Quanto ao atentado terrorista, não encontrámos, por enquanto, vias para os políticos, para os criminosos ou bandidos”, precisou.
“Mas não excluímos essas versões”, acrescentou.
Lukachenko acusou a oposição de tentar aproveitar-se da situação.
“Eles tentaram aproveitar-se da situação. Então, eu ordenei pôr fim a insinuações e constatámos que eles puseram o rabo entre as pernas durante um dia. Quando os convidaram para uma conversa, tratou-se de uma conversa, e não interrogatório, tal como ordenei, pediram-lhes fatos, mas eles não os tinham”, concluiu.

José Estaline, ditador comunista soviético, também chorava


O ditador comunista soviético José Estaline chorou pelo menos duas vezes durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), escreve Lavrenti Béria, chefe da polícia política NKVD-KGB da União Soviética, nas suas memórias que irão ser publicadas em breve.
Béria afirma ter visto lágrimas nos olhos do ditador a 23 de Setembro de 1943, quando foi informado da forma como os soldados soviéticos combatiam em Estalinegrado, cidade batizada em sua honra.
Estaline voltou a chorar a 10 de Maio de 1945, no dia a seguir à capitulação da Alemanha nazi perante as tropas soviéticas em Berlim.
“Ontem à noite estivemos em casa de Koba (mais um dos pseudónimos de Estaline). Novamente nós três. Klim (Vorochilov), eu e Gueorgui (Malenkov). Viatcheslav (Molotov) estava longe, na América. E de novo Koba não estava igual a si mesmo. Estava mais meigo e até deixou escapar uma lágrima. Eu também não me reconheci a mim próprio. Nem acredito que nos livrámos de fardo tão pesado!”, escreve o carrasco de milhões de soviéticos.
Segundo Béria, Estaline, a um mês do início da guerra entre a União Soviética e a Alemanha, não acreditava que Hitler fosse atacar o seu país, não obstante todas as provas em sentido contrário.
Quando Andrei Jdanov, um dos dirigentes do Partido Comunista Soviético, contou a Béria que Estaline duvidava que Hitler iria correr um “grande risco”, o chefe da polícia política respondeu: “talvez assim seja, mas as informações da fronteira são muito más, não se transferem tantas tropas sem razão. Eles reforçam pontes de madeira com ferro. Para quê? Desinformação? Um c...! Eles estão a preparar-se bem”.
Lavrenti Béria escreve também que, em Agosto de 1942, aconselhou Estaline a “emborrachar” Churchill para que este aceitasse criar mais rapidamente a segunda frente de combate contra os nazis.
“Koba contou-me que o meu conselho sobre Churchill serviu. Churchill concordou, apanhou uma borracheira e foi-se embora. Koba contava e ria-se. Viatcheslav também se ria e Kilim Vorochilov desatou às gargalhadas”, recorda Béria
“Depois Koba disse: “Tudo corre bem quando conheces antecipadamente as fraquezas do inimigo”, frisa.
Georgiano de origem, tal como Estaline, Lavrenti Béria foi chamado a Moscovo para trabalhar na direção da polícia política soviética em 1938, tendo sido fuzilado depois da morte do ditador comunista soviético, em 1953.

Ucrânia/Chernobyl: Japão repete os mesmos erros da Ucrâni




O diretor do Centro Científico de Medicina Radiológica ucraniano, Vladimir Bebechko, considerou que o Japão está a cometer hoje os mesmos erros no campo da medicina que a Ucrânia depois da catástrofe de Tchernobyl.
“As lições de Tchernobyl não chegaram nem sequer ao Japão, que hoje comete os mesmos erros. Isto não obstante ser um dos países mais ricos do mundo e uma das nações mais disciplinadas”, declarou numa mesa-redonda por ocasião do 25.º aniversário da catástrofe nuclear ucraniana.
A explosão no quarto reator da Central Nuclear de Tchernobyl (norte), considerado o maior desastre na história da energia atómica, ocorreu a 26 de abril de 1986 e provocou fugas de radioatividade que poluíram numerosas regiões da Ucrânia, Bielorrússia e Rússia.
O médico ucraniano apontou como o maior erro dos japoneses o excessivo heroísmo atribuído aos trabalhos de liquidação das consequências da avaria na Central Nuclear de Fukushima, sublinhando que “neles é utilizado um número maior de salvadores do que o necessário”.
“Daí que, não obstante o alto nível de civilização do país e o profissionalismo na abordagem da liquidação da avaria, a envergadura das consequências será significativamente maior do que poderia ser”, precisou em declarações à Agência Lusa.
Segundo Vladimir Bebechko, é impossível passar sem atos de heroísmo em operações deste género, mas “os japoneses sujeitam-se teimosamente a um risco injustificado”.
“As consequências negativas do heroísmo injustificado aquando da neutralização das consequências da avaria na Central Nuclear de Tchernobyl deviam ter dado uma lição a toda a Humanidade”, acrescentou.
O cientista ucraniano não descartou a possibilidade da envergadura da catástrofe na Central Atómica de Fukushima-1 poder vir a ser superior ao que aconteceu em Tchernobyl depois de abril de 1986.
“O aumento das doenças cancerosas na Ucrânia provocado diretamente pela radiação de Tchernobyl foi de 8 a 11 por cento e o Japão deve ter isso em linha de conta”, frisou.

Ucrânia/Chernobyl: Consequências ainda se farão sentir por muito tempo





As consequências da catástrofe de Tchernobyl ainda se farão sentir no território da Ucrânia durante muito tempo e a situação complica-se por o Estado não conceder praticamente meios para as combater.
A explosão do quarto reator da Central Nuclear de Tchernobyl, a 26 de abril de 1986, provocou fugas de radioatividade que poluíram numerosas áreas da Ucrânia, Bielorrússia e Rússia.
Numa mesa-redonda por ocasião do 25.º aniversário da catástrofe, médicos ucranianos disseram que o Orçamento de Estado da Ucrânia financia apenas o tratamento de seis pacientes com doenças cancerosas por ano, enquanto que o número de doentes graves é de 594.
Vladimir Bebechko, diretor do Centro Científico de Medicina Radiológica da Ucrânia, sublinhou que a situação é particularmente grave entre crianças e jovens.
“Hoje, considera-se que existem seis mil casos de cancro da tiróide entre crianças e jovens provocados pela avaria. Além disso se, até 1986, 40 por cento das crianças ucranianas eram consideradas saudáveis, atualmente, esse número não é superior a 15 por cento”, precisou.
Este cientista calculou que a tiróide foi o principal alvo da radiação de Tchernobyl, pois mais de 80 por cento dos isótopos, lançados para a atmosfera devido à explosão, são de iodo radioativo que se acumula precisamente nas células dessa glândula.
Elena Stepanova, diretora da secção de pediatria do Centro de Patologia de Kiev, apresentou números ainda mais assustadores.
“Comparando o número de crianças doentes existente em 1992 e hoje, constata-se que o número de crianças com doenças do sistema digestivo quintuplicou, com doenças ósseas e musculares mais do que quintuplicou”, enumerou.
“O número de crianças com comportamento psíquico alterado aumentou quatro vezes, crianças com problemas cardíacos 3,9 vezes, com doenças do fígado 3,6 vezes, com problemas respiratórios 1,5 vezes”, acrescentou.
“Os problemas de Tchernobyl continuarão não só porque não aprendemos tudo, mas também porque nem sempre podemos fazer o que queremos devido à falta de financiamento do Estado”, lamentou Bechenko.
Porém, o Conselho de Estudo do Meio Ambiente da Ucrânia considerou que os dados avançados pelos médicos são exagerados.
Peritos deste conselho consideraram que a ação da radiação de Tchernobyl é tão mortífera quanto os excessos na alimentação. Na sua opinião, o acidente de 1986 aumentou o risco de morte em 1 por cento, tal como a poluição do ar, o tabaco ou o consumo exagerado de gorduras.
O número de vítimas mortais provocado pela catástrofe de Tchernobyl continua também a ser objeto de discussão.
Em 2000, a Organização Mundial de Saúde calculou que Tchernobyl pode ter sido a causa de 50 mil pessoas. Mas em 2005 o “Fórum Tchernobyl” das Nações Unidas, do qual faz parte a Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), considerou que a catástrofe provocou 56 mortos e cancro da tiróide em quatro mil, 90 por cento dos quais foram curados.
A organização não governamental Greenpeace refutou os números da ONU ao informar que apenas na Bielorrússia foram registados 273 mil casos de cancro, 90 mil dos quais fatais.
A Organização Médicos pela Paz considerou que a catástrofe de Tchernobyl pode matar entre 50 e 100 mil pessoas.

quarta-feira, abril 20, 2011

Vladimir Putin afirma que seu país conseguiu evitar crise semelhante à de Portugal


O primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, considerou, hoje, que a Rússia conseguiu escapar aos graves riscos provocados pela crise económica mundial e apresentou Portugal como exemplo de país que não resistiu ao impato negativo.

”A economia mundial restabelece-se gradualmente, mas as consequências da crise mostraram ser tão sérias que conduzem a tensão social em muitos Estados”, declarou Putin ao fazer um balanço da atividade do seu governo em 2010.

“Observamos a desestabilização de regiões inteiras, com consequências imprevisíveis. Há 15 dias atrás, Portugal foi obrigado a recorrer à UE para pedir ajuda financeira urgente. Antes, já a Irlanda e a Grécia tinham feito isso”, exemplicou ele ao dirigir-se aos deputados da Duma Estatal (câmara baixa) do Parlamento russo.

Segundo Putin, “foi nosso êxito comum que a Rússia, num período muito complicado da crise global, tenha evitado sérios riscos, muito reais, que podiam enfraquecer o país, o seu potencial económico e humano, levar à deterioração dos padrões sociais”.

O dirigente russo frisou que a Rússia deve ser independente e forte para evitar o ditado grosseiro e a ingerência externa.

“Sejamos honestos, no mundo atual, se tu és fraco, aparece obrigatoriamente alguém que te quer aconselhar, indicar para onde deves avançar, que política tens de realizar. Por detrás de semelhantes conselhos bondosos e discretos estão o ditado grosseiro e a ingerência nos assuntos internos de um Estado independente”, frisou.

Vladimir Putin voltou a recordar Portugal ao anunciar a sua proposta de criação de uma comunidade económica única da Grande Europa e de pôr termo ao sistema de vistos entre a Rússia e a UE.

“Estou convencido de que a nossa ideia, dirigida aos nossos parceiros europeus, sobre a criação de uma comunidade harmoniosa de economias de Lisboa a Vladivostoque, terá o apoio dos europeus”, declarou.

“Para iniciar, propomos aos colegas europeus a realização de projetos com vista a liquidar os “lugares estreitos” na nossa cooperação. Realizar na prática a ideia do complexo energético único da Grande Europa”, acrescentou.


Chernobyl: Viagem para além da vida




Peço desculpa aos leitores do blog pelo silêncio de alguns dias, mas estive muito ocupado na escritura de textos para a Lusa e para a RDP. Porém, agora que surgiu uma oportunidade, gostaria de compartilhar convosco algumas impressões. 
Para mim, a visita à "zona restritiva" de Chernobyl foi uma experiência única na vida, ficou muito, mas mesmo muito além de todas as expectativas. Nunca imaginei que poderia, na Terra, passar para outra dimensão, mas foi precisamente isso que aconteceu.
Quando se chega ao check-point de Ditiatkin, que faz lembrar uma verdadeira fronteira entre dois países, fica-se com a impressão de pouco ou nada vai mudar, mas ao vermos carros blindados, camiões, igrejas, parques e casas abandonadas... É uma impressão chocante: os pássaros cantam em florestas bonitas e, aparentemente, limpas; os escaravelhos, aos milhares, passeiam por toda a parte, mas não há pessoas, onde estão as crianças, os velhos.
Em alguns lugares, fica-se com a impressão de que os habitantes saíram por pouco tempo e vão regressar, mas sabemos que não será assim, que só poderão regressar talvez no séc. XXII.  
A visita à cidade de Pripiati, onde viviam os trabalhadores da Central Nuclear e seus familiares (cerca de 25 mil pessoas), é impressionante. Hotel, restaurante, casa da cultura, carrocéis, tudo vazio, abandonado, pilhado. Não obstante a segurança da zona em torno de Chernobyl, com um diâmetro de 30 km, as pessoas entram para roubar tudo o que possa ser vendido, não obstante os níveis de radiação serem altíssimos: móveis, aparelhos de aquecimento de edifícios, portas, janelas, etc., etc.
O quarto reator da Central, onde ocorreu a explosão na noite de 25 para 26 de Abril de 1986, ou melhor, o que resta dele, está coberto por um sarcófago e, ao lado, começaram os trabalhos para a construção de um novo, mais seguro.
Ao sair da zona, fomos sujeitos a controlo radioactivo, numa máquinas que fazem lembrar as máquinas de controlo dos aeroportos.
Aconselho aos meus leitores que vejam o filme de Andrei Tarkovski "Stalker", pois parece-me ter sentido aquilo que sentiram aqueles que entraram na zona. A propósito, a palavra "zona" foi retirada desse filme e passou a ser empregue em relação a Chernobyl.
Veio-me várias vezes à cabeça um trecho do Apocalipse do Apóstolo S.João: “O terceiro anjo tocou a trombeta, e caiu do céu sobre a terça parte dos rios, e sobre as fontes das águas uma grande estrela, ardendo como uma tocha. O nome da estrela é Absinto; e a terça parte das águas se tornou em absinto, e muitos dos homens morreram por causa dessas águas, porque se tornaram amargas” (8:10-11).
Chernobyl traduz-se como absinto para português. Talvez apenas coincidência ou aviso à negligência humana? 

Durante estes vias, irei publicar vários textos sobre esta viagem e algumas fotos. Infelizmente, não poderei publicar as cerca de 800 fotos que tirei em Chernobyl, mas os leitores poderão ver parte significativa na minha página do facebok.