Segunda-feira, Janeiro 31, 2011

Boris Ieltsin, o Presidente que continua a despertar fortes paixões e discussões


A Rússia vai celebrar, amanhã, o 80º aniversário do nascimento do seu primeiro Presidente: Boris Nikoalevitch Ieltsin. A sua ação e herança continuam a provocar acesas polémicas, mas as sondagens são-lhe cada vez mais favoráveis com o passar dos anos.
Os comunistas acusam-no de “destruir a União Soviética”, da “privatização selvagem”, da “guerra na Tchetchénia”; os liberais estão-lhe gratos pelo “fim do comunismo”, pela “liberdade de expressão e manifestação”, mas, e aqui conincidem com os comunistas, não lhe perdoam a “guerra na Tchetchénia” e a nomeação de Vladimir Putin para seu sucessor.
O sucessor de Ieltsin no Kremlin e os seus apoiantes também não se cansam de recordar os “malditos anos 90”, para reforçar que foi Putin que trouxe à Rússia a “segurança” e a “estabilidade”.
“Os assassinos e vigaristas estão na prisão, a balbúrdia acabou, há regras de jogo e considero que isto é o principal para os investidores”, resumiu o vice-primeiro-ministro russo, Igor Setchin, no Forum de Davos.
As cerimónias principais do aniversário de Ieltsin irão ter lugar na terra natal, a cidade de Ekaterimburgo, nos Urais, e são também um espelho das paixões contraditórias que ele desperta na sociedade russa.
O Presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, estará nessa cidade, no dia 1 de fevereiro, para inaugurar um monumento a Boris Ieltsin, instalado na rua que já tem o nome do primeiro Presidente do país. Trata-se de uma estela de mármore com dez metros de altura, na qual está esculpida a figura de Ieltsin.
Os comunistas prometem instalar na casa onde viveu Ieltsin “uma “lápide” de esferovite, coberta por um plástico da cor do mármore e colada com fita cola”.
“Nessa “lápide” gravaremos acontecimentos como a desintegração da URSS, a privatização selvagem e a guerra na Tchetchénia”, declarou Andrei Alchevskikh, dirigente comunista de Ekaterimburgo, citado pela agência Interfax.
As sondagens mostram que os russos olham cada vez mais de forma positiva para a era de Ieltsin à medida que os anos passam.
Segundo uma sondagem do Levada-Tsentr acabada de realizar, 42 por centro olham para a era Ieltsin de “forma neutra”, 35 por centro de “forma negativa” e 17 por cento de “forma positiva”.
Em Março de 2000, 53 por cento dos inquiridos consideravam essa era “negativa” e apenas 7 por cento lhe deram a nota positiva.
Boris Nikolaevitch Ieltsin nasceu a 1 de Fevereiro de 1933. Engenheiro de profissão, aderiu ao Partido Comunista da União Soviética em 1968.
Em 1985, Mikhail Gorbatchov, então dirigente da URSS, chamou-o para o Moscovo, vendo nele um homem capaz de o apoiar na realização da reforma do regime comunista soviético.
A cooperação durou pouco tempo, pois, em 1990, Ieltsin abandonou o Partido Comunista e passou para a oposição a Gorbatchov.
A 12 de Junho de 1991, foi eleito Presidente da Rússia, cargo que ocupou até 31 de Dezembro de 1999.
Boris Ieltsin faleceu a 23 de Abril de 2007.

Domingo, Janeiro 30, 2011

A Não Perder no CCB: Homenagem a Sofia Gubaidulina




No início de Fevereiro, Sofia Gubaidulina vai ser alvo de uma homenagem. Deixo aqui um artigo meu escrito para a Agência Lusa a propósito desse acontecimento: 

"Sofia Gubaidulina é, talvez, a mulher que mais longe foi como compositora de música clássica, estando entre os maiores vultos nesse campo do séc. XX e início do séc. XXI. Mas a sua carreira não foi fácil pois a sua música não estava conforme os cânones do “realismo socialista”.
Sofia Gubaidulina, a quem o Centro Cultural de Belém dedica um ciclo de 05 a 12 de fevereiro, nasceu em 1931 na Tartária, na União Soviética, numa família tártaro-russa. O avô tártaro, Masgud Gubaidulin, era um líder religioso islâmico, mas ela escolheu a religião cristã ortodoxa da mãe, uma pedagoga russa.
Tinha apenas quatro anos quando ingressou numa escola de música, continuando depois os estudos no Liceu Musical de Kazan, capital da Tartária.
Em 1954, começou a estudar composição e piano no Conservatório de Moscovo, tendo recebido a Bolsa de Estudo Estalinista, concedida a estudantes particularmente dotados. Entre os seus mestres estiveram pedagogos soviéticos como Albett Leman, Grigori Kogan e Iúri Chaporin.
Foi nessa altura que Gubaidulina ouviu da boca do grande compositor soviético, Dmitri Schostakovitch, as seguintes palavras: “Desejo-lhe que avance pelo seu caminho ‘incorreto’”.
Em 1969 e 1970, trabalhou no Estúdio Experimental de Música Eletrónica do Museu Skriabin de Moscovo e compôs a peça “Vivente – non vivente”. Nessa altura, dedicou-se também à composição de música para o cinema, tendo composto obras para 25 filmes soviéticos, entre os quais se distingue o “Espantalho” (1983).
A partir de 1975, Gubaidulina dedicou-se à composição de improvisações no conjunto “Astreia”, com outros conhecidos compositores soviéticos como Victor Suslin e Viatcheslav Artiomov.
Porém, o regime comunista não tolerava inovações no campo da música clássica, nem admitia que as obras dos vanguardistas fossem interpretadas no estrangeiro sem autorização.
No VI Congresso da União dos Compositores Soviéticos, Sofia Gubaidulina e mais seis compositores foram “crucificados” pelos “comissários do realismo socialista”.
“Obras compostas só em prol de combinações sonoras estranhas e de efeitos excêntricos, onde a ideia musical, se existir, se afoga irremediavelmente na corrente de ruídos insuportáveis, de gritos bruscos ou murmúrios incompreensíveis”, declarou Tikhon Khrenikov, dirigente dessa união.
“Será que eles têm direito a representar o nosso país, a nossa música?”, perguntou Khrenikov.
Repetia-se a história. Em 1948, no I Congresso da União dos Compositores da URSS, músicos como Serguei Prokofiev e Dmitri Chostakovitch tinham sido acusados de “cacofonia sonora”.
As obras de Gubaidulina e dos outros seis compositores proscritos não podiam ser transmitidas pela rádio e televisão, não podiam ser interpretadas em concertos.
Por isso, quatro dos sete compositores “malditos”, entre os quais se encontrava Gubaidulina, emigraram da União Soviética em 1991.
Maestros como Simon Rattle, Guennadi Rojdestvenski, Kurt Masur ou Valery Gerguiev e solistas como Mstislav Rostropovich, Anne-Sophie Mutter ou Guidon Kremer estão entre os que solicitaram a Sofia Gubaidulina composições, prova de que realmente estamos perante um génio musical com reconhecimento mundial.
Misturando influências eslavas, tártaras, judaicas e ortodoxas russas, o universo da música de Sofia Gubaidulina é caracterizado por uma variedade de sons, ritmos selvagens, descrições musicais apocalípticas e paradisíacas".

Sábado, Janeiro 29, 2011

Autoridades identificaram autor do atentado terrorista no Aeroporto Domodedovo


O Comité de Investigação da Procuradoria-Geral da Rússia anunciou hoje que as autoridades identificaram o autor do atentado terrorista no Aeroporto Domodedovo.
“Trata-se de um homem de 20 anos, originário de uma das repúblicas do Cáucaso do Norte”, declarou Vladimir Markin, porta-voz desse comité, sublinhando que “não iremos revelar hoje o nome do terrorista porque, atualmente, estão a ser tomadas medidas para descobrir e deter os organizadores e cúmplices do atentado terrorista”.
 Markin acrescentou que “o atentado terrorista foi dirigido especialmente contra estrangeiros”.
O atentado, que ocorreu no passado dia 24, provocou a morte de pelo menos 8 cidadãos estrangeiros e 19 ficaram feridos.
O número total de vítimas do ato terrorista foi de 35 mortos e mais de 100 feridos.
O porta-voz do Comité de Investigação revelou também que as autoridades policiais detiveram “várias pessoas envolvidas na preparação de um atentado terrorista em Moscovo no dia 31 de Dezembro”.
Porém, ele sublinhou que os atentados foram organizados por grupos terroristas diferentes, sem ligações entre si.
P.S. Só não compreendo como é que se pode afirmar que o atentado foi dirigido especialmente contra os estrangeiros. Porque a explosão foi num aeroporto internacional, mas a maioria dos passageiros são cidadãos russos. Talvez a investigação venha a revelar dados que solidifiquem esta versão...

Tunísia, Egipto e qual será a próxima paragem do descontentamento social e económico?

Parece imparável a onda de descontentamento social, económico e político que começou na Tunísia. Pelos vistos, poderá varrer outros regimes autoritários do Norte de África, não se sabendo bem o que virá substitui-los. 
Entre outras coisas, os levantamentos na Tunísia e no Egipto mostram que é cada vez mais difícil esconder a verdade das pessoas na era da Internet, transformando-se esta num poderoso instrumento de mobilização social e político. É caso para dizer, recorrendo à terminologia marxista, que a supra-estrutura política e partidária deixou de corresponder às mudanças na sociedade: as cúpulas já não podem governar à maneira antiga e as bases não querem continuar a viver da mesma forma.
O regime norte-coreano de Kim Jing-il compreende bem que a sua sobrevivência passa pela proibição da Internet e pelo isolamento total dos cidadãos em relação ao mundo circundante.
É necessário dar um salto qualitativo, mas, infelizmente, ele está a ser acompanhado de derramamento de sangue devido à teimosia de dirigentes corruptos e autoritários, que pretendem não só continuar no poder  até ao último suspiro, mas também preparar terreno para que as rédeas sejam entregues a descendentes seus. 
Tendo em conta a situação criada na Tunísia e no Egipto, não seria má ideia que outros ditadores e dirigentes autoritários pensassem bem no seu futuro político e até físico, não deixassem ir as coisas longe demais.
Receio que, na maioria dos casos, isso não aconteça, até porque a qualidade das elites políticas se degrada a olhos vistos e a incompetência generaliza-se.
Apenas um exemplo muito recente, aconteceu ontem, sexta-feira, no Forum Económico Mundial de Davos, considerado uma reunião de cérebros para encontrarem respostas para os grandes desafios mundiais.
O Presidente da Ucrânia, Victor Ianukovitch, apresentou "fortes argumentos" para atrair investimentos para o seu país. 
"Para descobrir a Ucrânia, basta vê-la com os próprios olhos, quando os castanheiros começam a florescer em Kiev e, nas cidades ucranianas, as mulheres se começam a despir. É deslumbrante ver essa beleza", declarou ele, citado pelo jornal electrónio Ukraisnkaia Pravda.
Recordamos que este dirigente teve, no passado, problemas com a justiça soviética devido a crimes de cariz sexual.
É difícil pedir muito de dirigentes destes.



Partiu um bom amigo e camarada

Acabei de receber a triste notícia: faleceu Eduardo Guedes, bom amigo e camarada de profissão em Moscovo. Ele foi, durante alguns anos, o correspondente do Jornal de Notícias na capital russa, tendo trabalhado também para vários órgãos de informação.
Eduardo era um homem realmente bom, sempre disposto a ajudar os outros; um excelente profissional: sabia russo e conhecia muito bem a situação na Rússia. Infelizmente, Portugal não soube aproveitar completamente as qualidades deste jornalista.
É difícil dizer ou escrever algo em situações como estas. 
Apresento as condolências à família.
Eduardo, descansa em paz. 

Sexta-feira, Janeiro 28, 2011

Presidente Medvedev ratifica Tratado START-3, mas deixa recados


O Presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, anunciou hoje ter assinado o documento ratificativo do Tratado de Redução de Armamentos Estratégicos (START-3), mas deixou alguns recados à NATO e Estados Unidos.
“Hoje, eu assinei o documento ratificativo que diz respeito ao Tratado START”, declarou ele numa reunião do Conselho de Segurança da Rússia.
Segundo ele, o tratado entrará em vigor depois da troca de documentos ratificativos entre os ministros dos Negócios Estrangeiros dos dois países, que terá lugar em Munique no início de fevereiro.
Porém, Medvedev sublinhou que a Rússia continuará a ocupar-se do sistema de defesa antimíssil europeu e que tomará decisões dependentemente da reação da NATO às suas propostas.
“Os americanos percorreram o seu caminho, nós também o fizemos. A Duma Estatal e o Conselho da Federação analisaram o respetivo documento. Foram feitas algumas observações em grande parte equivalente àquelas que foram feitas pelo Parlamento americano, simétricas, que correspondem aos receios que existem nos nossos deputados em relação à forma como se interpretam os parágrafos do tratado”, acrescentou.
Segundo os deputados russos, o tratado START estabelece de forma vinculante a relação entre armas estratégicas ofensivas e defensivas. Além disso, Moscovo reserva a si o direito de, através de uma declaração especial, abandonar o acordo se o escudo de defesa antimíssil dos Estados Unidos puser e, causa os interesses nacionais da Rússia.
Os EUA e a Rússia comprometem-se, segundo o START-3, a reduzir o seu arsenal de armas estratégicas ofensivas até 1.550 ogivas nucleares e 800 portadores.
O acordo foi assinado pelos Presidentes russo e norte-americano, Dmitri Medvedev e Barack Obama, a 08 de Abril de 2010 em Praga. 
No passado 22 de Dezembro, o documento recebeu luz verde do Senado norte-americano.

Combate ao terrorismo passa por compreender a sua natureza


O verdadeiro combate ao terrorismo passa por um estudo sério das suas fontes e por um intenso trabalho diário com vista à sua prevenção, declarou  Andrei Lymar, sociólogo e professor universitário russo.
“Na era de Estaline, a luta contra o potencial terrorismo transformou-se na luta contra os inimigos do povo e repressões em massa, provocando a esquizofrenia nos cidadãos da URSS. Assim acontece sempre que a fonte da ameaça não é definida, é ilusória ou inventada”, sublinha o sociólogo.
Segundo ele, “poderão ser reforçados os meios técnicos, mas isso não dará resultado. É preciso definir a origem do terrorismo. Há apenas versões: caucasianos, nacionalistas, etc., mas não existem certezas, por isso é difícil elaborar meios eficazes para o combater”.
Aleksei Malachenko, analista político do Centro Carnegie de Moscovo, tem uma opinião semelhante:  “Mas que consequências? As mesmas de sempre: endurecimento da política federal no Cáucaso, mais uma porção de palavreado de que o acto terrorista foi realizado por bandidos (mas entre os verdadeiros bandidos não há suicidas), apelos à separação do Cáucaso do Norte, aumento da xenofobia...”,.
O sociólogo Andrei Lymar defende que o combate ao terrorismo é uma tarefa difícil tanto para os cidadãos, como para o Estado.
“É uma tarefa difícil educar na população a cultura de consumo dos serviços do Estado, incluindo o da garantia de segurança, e o Estado tem dificuldade em formular o conteúdo desses serviços. Daí o problema da solução de tarefas concretas, daí muitas palavras sobre a necessidade de o próprio cidadão pensar na sua segurança”, declara o sociólogo.
“Se o cidadão tiver de pensar a cada momento na sua segurança, como apelam alguns políticos, quando é que ele vai trabalhar, descansar, etc.?”, pergunta ele.
“Por isso” – continua ele – “o Estado resolve o problema pagando compensações monetárias aos cidadãos em todos os casos: catástrofes, atentados terroistas. Por enquanto, as pessoas ficam satisfeitas com isso e não falta dinheiro”.
O professor universitário não vê uma relação direta entre o terrorismo e a corrupção existente na Rússia, mas frisa: “a tradição cultural na Rússia é a do maximalismo: ou tudo, ou nada; ou hoje, ou nunca, sem amanhã ou depois de amanhã. A corrupção tem origem aí, bem como no medo da pobreza de ontem, de hoje e do futuro”.
“A economia tem remédios para isso, mas ainda temos pouca prática”, concluiu.

Quinta-feira, Janeiro 27, 2011

A UE é dura com Minsk, mas suave com Baku


Texto traduzido e enviado pelo leitor Pippo:




"por Gorkhmaz Asgarov



Alguém deveria dizer aos líderes da União Europeia para deixarem em paz o ditador bielorrusso Alyaksandr Lukashenko.

Afinal de contas, na próxima semana, o Presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso reunir-se-á com Islam Karimov, Presidente do Uzbequistão. E na semana passada o mesmo Durão Barroso visitou o Azerbaijão e reuniu-se com o Presidente do Azerbaijão, Ilham Aliyev, cujo registo de direitos humanos é comparável ao do seu homólogo do Uzebequistão. E na mesma semana, a União convidou o Presidente do Turcomenistão, Gurbanguly Berdymukhammedov, a visitar Bruxelas e discutir sobre assuntos de cooperação energética e comercial.

O que faz com que Lukashenka seja diferente dos ditadores acima mencionados? Bom, ninguém pode culpá-lo por a Bielorrússia não possuir petróleo ou gás natural.

Sociedade 'Dinâmica'

Não é nenhum segredo que certos países pós-soviéticos parecem muito diferentes uns dos outros, sobretudo quando os líderes europeus os observam através do prisma do petróleo e do gás. "Eu sei que o seu país tem uma sociedade muito dinâmica", disse Barroso a Aliyev durante a sua visita a Baku.

Dinâmica? Talvez. Mas ninguém o diria se considerar que todos os actos eleitorais tem sido fraudulentos desde 1993, quando o pai de Aliyev, Heydar Aliyev, derrubou o governo democraticamente eleito e tornou-se chefe de Estado num acto que os observadores da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa e do Conselho da Europa descreveram como sendo um golpe de Estado.

Ninguém o diria se tivesse tido em conta o facto de que o governo do Azerbaijão tem constantemente obtido péssimas classificações em termos de corrupção por parte da Transparência Internacional, e que o Presidente Aliyev tem sido apontado como um predador de jornalistas por parte de grupos de vigilância da liberdade dos média.

Dinâmica, de facto…

No mês passado, Lukashenko causou um alvoroço na UE e desencadeou um processo de possíveis sanções contra o seu governo após uma ofensiva brutal pós-eleitoral contra a oposição. Ele poderia ter seguido os passos de Aliyev, o qal fez exactamente a mesma coisa em 2003 e 2005.

A Presidência Infindável


Em Março de 2009, Aliyev alterou a Constituição (através de um referendo fraudulento, é claro) abolindo assim os limites de mandato para a presidência e preparando o cenário para ele "concorrer" infinitamente para o cargo. Quando um jornalista da EuroNews recentemente lhe perguntou se ele se considerava um rei, Aliyev simplesmente balançou a cabeça. Mas é difícil imaginar que poderes pode um rei ter que Aliyev não tenha.

No entanto, Lukashenko é um ditador cruel que deve ser desprezado pela “boa” sociedade europeia, enquanto Aliyev é um verdadeiro amigo que preside um país "dinâmico".

 
A UE precisa de rotas alternativas de energia, e o negócio de um "corredor do sul" para transporte de gás através do Azerbaijão faz muito sentido sob o ponto de vista económico. Do ponto de vista económico, a cooperação com o Turquemenistão e Uzbequistão também fazem sentido.

Mas porque não restringir as relações com esses países dentro de um quadro da cooperação estritamente necessária? Azerbaijão, Turcomenistão e outros países têm hidrocarbonetos a UE tem o dinheiro para os pagar. Então, será que é realmente necessário que os funcionários europeus coloquem os seus braços por sobre os ombros destes governantes autoritários e digam disparates acerca do seu desenvolvimento "dinâmico"?
 
Por que é que Barroso faz o comentário gratuito de que "nós queremos deixar claro que as nossas relações não se limitam ao petróleo e gás", quando todos sabem que 98 por cento das importações da UE provenientes do Azerbaijão são o petróleo e o gás?

Adicionando insulto à injúria

Já foi dito antes, mas, obviamente, precisa ser dito novamente. Quando os líderes da UE fazem visitas de alto nível a esses países e louvam os seus governantes, eles conferem um enorme capital político a essas transacções comerciais. Os líderes autoritários concluem que, enquanto estiverem dispostos a receber dinheiro europeu, eles terão a UE nos seus bolsos. Na falta de legitimidade ente o seu próprio povo, eles diligentemente recebem raspas de legitimidade dos lábios de pessoas como José Manuel Barroso.

Este é um jogo que os líderes autoritários estão felizes por jogar. Afinal, a UE é um exemplo de um modelo político radicalmente diferente para os cidadãos de países como o Azerbaijão. Assim, a "ditaduras da energia" sentem a necessidade de desacreditar a UE, mostrando assim aos seus povos que o discurso da Europa da democracia e dos direitos humanos é apenas um corrilho de mentiras.

 
Quando eles apertam as mãos com altos responsáveis da UE, como Barroso, eles enviam a mensagem de que as críticas do passado (na sua maior parte, proveniente das organizações europeias) nunca importaram e foram esquecidas. No caso do Azerbaijão, a mensagem é ainda pior. Aliyev afirmou muitas vezes que "alguns países" manipulam as questões da democracia a fim de forçar o Azerbaijão a fazer concessões económicas. Quando funcionários da UE assinam acordos e falam sobre o Azerbaijão "dinâmico", toda a gente neste país entende que a democracia, eleições fraudulentas, jornalistas presos, espancados e manifestantes são apenas moeda de troca para tornar o gás e o petróleo mais baratos. Ou pelo menos, isso é o que Baku quer que todos, no Azerbaijão, assim o pensem.

E não ajuda o facto de que, quando Durão Barroso realizou uma conferência de imprensa conjunta com Aliyev em Baku, nenhum dos órgãos independentes dos média do país tivessem estado presentes. Mais tarde, quando Durão Barroso realizou uma conferência de imprensa individual, organizada pelo gabinete da UE em Baku, as perguntas dos jornalistas foram previamente seleccionadas.

Por que é que a UE participa nesta dança Kabuki com o governo do Azerbaijão?

Aqui estão alguns factos para fazer a UE refectir. Eynulla Fatullayev é um jornalista do Azerbaijão que foi detido em 2007 sob acusações falsas, pois os dois jornais que fundou eram críticos em relação ao Governo. Ele foi condenado a 8 anos e meio de prisão sob a acusação de calúnia, difamação, incitação ao terrorismo e à evasão fiscal.

No ano passado, o Tribunal Europeu dos Direitos do Homem absolveu-o de todas as acusações e ordenou ao Azerbaijão que o libertasse e o indemnizasse no valor de 28.000 €. Antecipando-se a esta decisão, o Supremo Tribunal de Justiça do Azerbaijão rapidamente condenou por novas acusações de posse de drogas e evasão fiscais. Ele permanece na prisão até aos dias de hoje.

A indemnização ordenada por Estrasburgo foi depositada numa conta bancária a qual foi congelada na sequência da prisão de Fatullayev, permitindo a Baku afirmar que tinha dado cumprimento à decisão do tribunal, assegurando ao mesmo tempo que Fatullayev não poderia receber o dinheiro.

Barroso afirmou que discutiu este caso com Aliyev. "O Tribunal Europeu dos Direitos Humanos pronunciou-se em seu favor e defendi a sua libertação", disse Barroso. "Eu abordei essas questões, num espírito de abertura e amizade, chamando claramente a atenção do presidente Aliyev. "

Em 21 de Janeiro o Tribunal da Apelação de Baku analisará o recurso de Fatullayev para a sua libertação. Este será um bom teste para os amigos de Durão Barroso em Baku.

E aqui está mais um exemplo do cinismo extremo com que o governo do Azerbaijão trata os seus parceiros europeus.

Mais de um ano atrás, a Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa (APCE) nomeou o social-democrata alemão Christoph Straesser como relator especial para os presos políticos no Azerbaijão. No entanto Straesser ainda não recebeu o convite do governo do Azerbaijão para visitar o país e implementar o seu mandato.

O Conselho da Europa pediu a Baku que resolvesse o problema, mas sem sucesso. Straesser provavelmente receberá o seu convite na mesma altura em que Fatullayev receber a sua indemnização.

Lukashenko pode obter sanções; Aliyev irá rir por último.

Quarta-feira, Janeiro 26, 2011

Finalmente, descobri quem sou!

Há mais de 50 anos que não conseguia saber quem sou eu realmente. Mas foi necessário ir à festa do 10º aniversário da SIC Notícias para desvendar esse mistério.
À entrada, fui abordado para ser fotografado para várias revistas, oportunidade que jamais poderia perder. Era a primeira vez na vida que me fotografavam na posse dos "famosos". As Caxinas iriam render-se definitivamente. Depois de futebolistas, o José Milhazes. 
A festa foi fantástica, uma oportunidade para rever velhos amigos e camaradas (gosto deste tratamento entre os jornalistas) e passei umas boas horas, mas, logo a seguir, regressei a Moscovo e esqueci-me de que tinha sido fotografado.
Porém, hoje, ao vaguear na Internet, deparei com as fotos do 10ºaniversário da SIC Notícias numa revista. As fotos "7" e "43" aparecem com a legenda "José Milhazes e a mulher, Siiri". Vão ver, mas que grande pontaria! É verdade que eu e ele temos barba branca, também é verdade que a minha esposa e a esposa desse senhor são loiras, mas eu sou o correspondente da Sic, Lusa, RDP, enquanto que o senhor que aparece na fotografia é comentador desportivo no programa "Dia Seguinte", Dr. Dias Ferreira, e a sua esposa.
Claro que não fico zangado com os meus camaradas jornalistas pelo lapso, isso acontece a todos, e espero que o Dr. Dias Ferreira também não fique zangado. 
Dr. Dias Ferreira não quer trocar comigo de lugar pelo menos durante algum tempo?

Cientistas russos e de países da NATO criam aparelho para detetar suicidas


 Peritos da Rússia e da NATO trabalham na criação de um aparelho capaz de detetar à distância explosivos no corpo de um terrorista, revelou Dmitri Rogozin, embaixador russo junto da Aliança Atlântica.

“Atualmente, no Conselho Rússia-NATO, os nossos cientistas trabalham na criação de um aparelho que poderá detetar à distância explosivos no corpo do terrorista”, escreveu ele na rede Twitter.

“Trata-se de um projeto científico conjunto. Resolvemos juntar cérebros e defender as pessoas de atos terroristas em locais de concentração”, afirma ele.

Estas informações de Rogozin foram feitas a propósito do atentado terrorista no Aeroporto Internacional Domodedovo de Moscovo, que matou 35 e feriu mais de uma centena de pessoas.

Terça-feira, Janeiro 25, 2011

Promissora dramaturga entre as vítimas mortais do atentado terrorista

Одной из жертв теракта в московском аэропорту "Домодедово" стала драматург Анна Яблонская. Она предчувствовала смерть




 A dramaturga Anna Iablonskaia, que morreu no atentado terrorista no Aeroporto Domodedovo, era uma das mais destacadas autoras da jovem geração, considera Elena Gremina, diretora do Teatr.doc.
“Anna Iablonskaia era uma das melhores jovens dramaturgas, as suas peças são únicas, inovadoras e vivas. Ela era muito procurada pelos teatros”, sublinhou ela.
Entre as suas peças de teatro mais conhecidas estão “Câmara de vídeo”, “Saída para o mar”, “A Polegar e o Pirilampo”, “O rádio abandonado”, “Carta ao Jardim Zoológico”, “Calor” e “Show do cowboy sem cão”.
Ela publicou também outras obras de prosa e poesia.
Anna Iablonskaia, que nasceu em 1981 em Odessa, na Ucrânia, tinha chegado ao Aeroporto Domodedovo vinte minutos antes da explosão e venha receber a Moscovo um prémio de dramaturgia.
A dramaturga venceu numerosos prémios literários.
A explosão de uma bomba no Aeroporto Internacional Domodedovo de Moscovo, na véspera, provocou 35 mortos e mais de uma centena de feridos.

Procuradoria-Geral admite terceiro processo contra Khodorkovski e Lebedev


A procuradoria-geral da Rússia admitiu, na segunda-feira, vir a lançar um terceiro processo judicial contra o ex-patrão da petrolífera russa Yukos, Mikhail Khodorkovski, e o seu sócio do grupo bancário Menatep, Platon Lebedev, escreve hoje o diário Komsomolskaia Pravda.
Em 30 de dezembro de 2010, um tribunal de Moscovo condenou Khodorkovski e Lebedev a 14 anos de prisão cada, por roubo de petróleo e branqueamento de capitais. Num primeiro processo, em 2004, tinham sido condenados a oito anos de prisão.
“Atualmente, procuramos 18 cúmplices de Khodorkovski e Lebedev. Se durante a investigação se descobrirem outros crimes, será necessário imputar-lhes acusações adicionais e julgá-los. Somos obrigados a isso pelo art. 21 do Código Penal da Rússia”, declararam os procuradores Valeri Lakhtin e Gultchekha Ibraguimova numa entrevista hoje publicada.
Os procuradores recordaram que o primeiro processo começou com a apropriação fraudulenta de 20 por cento das ações da empresa Apatit e evasão fiscal de sucursais da Yukos e que quando foi determinada a culpa de Khodorkovski e Lebedev, o processo foi levado a tribunal, mas a investigação não parou.
Os investigadores descobriram roubo de petróleo e apropriação ilegal dos títulos da petrolífera russa VNK, o que levou ao segundo processo.
Os dois funcionários da Procuradoria-Geral desmentiram rumores sobre a natureza política do processo contra Khodorkovski.
“Provámos no tribunal o uso de esquemas de apropriação ilegal de petróleo e de branqueamento de capitais. As alegações sobre a natureza política do julgamento de Khodorkovski não passam de um subterfúgio. Os dois arguidos roubaram ao Estado e aos acionistas milhares de milhões de dólares. Devem continuar na prisão”, frisaram.

Segunda-feira, Janeiro 24, 2011

Mais um texto sobre morte de Samora Machel


do site www.canalmoz.com
 
ACIDENTE DE MBUZINI
Interferências de Pik Botha ameaçaram idoneidade das investigações
O antigo ministro dos negócios estrangeiros sul-africano, Pik Botha, interferiu nos trabalhos da comissão de inquérito instaurada pela África do Sul como Estado de Ocorrência do acidente de Mbuzini, pondo em cheque a autoridade dos investigadores que no terreno procediam à identificação das causas do desastre de aviação em que perdeu a vida o primeiro presidente de Moçambique, Samora Machel. Segundo Theresa Papenfus, autora da obra biográfica «Pik Botha and His Times», o ex-ministro sul-africano tomou a iniciativa de entregar às autoridades moçambicanas a documentação da aeronave sinistrada em Mbuzini, à revelia dos preceitos que regem as comissões que investigam acidentes de aviação. 
A autora cita o investigador responsável pela parte sul-africana, Rennie van Zyl, a dizer que Pik Botha “havia tornado mais difícil a tarefa dos investigadores pois ele, infelizmente, já havia concordado que os moçambicanos retirassem documentos de entre os destroços do avião. Perdemos muitas provas. Conseguimos salvar as caixas negras quase no fim, pois Pik Botha até estava disposto a entregá-las a Moçambique”. Acrescenta Van Zyl, referindo-se ao investigador-chefe, pela parte sul-africana, “Felizmente, o Piet de Klerk evitou que isso acontecesse e a seguir a polícia colocou as caixas negras sob sua custódia”. 
A União Soviética, com o apoio de Moçambique, insistiu sempre na entrega incondicional das caixas negras às autoridades de Moscovo. Van Zyl volta a ser citado na biografia a dizer que “os russos sugeriram que Piet de Klerk levasse as caixas negras para Moscovo. Não concordámos, pois não sabíamos se voltaríamos a ver, quer Piet de Klerk, quer as caixas negras”. Van Zyl afirma que as partes soviética e moçambicana acabariam por aceitar uma proposta sua de que as caixas negras fossem abertas num país neutro, a Suíça. Isto, no caso do gravador de cabine (CVR). Relativamente ao gravador digital de dados (DFDR), Van Zyl propôs que a África do Sul ficasse com uma cópia, sendo a outra aberta e descodificada em Moscovo na presença de representantes dos três países. 
De acordo com Van Zyl, quando a 14 de Novembro de 1986 ele apresentou a proposta em Maputo, “tanto os soviéticos como os moçambicanos levantaram objecções, especialmente face às declarações recentemente proferidas pelo ministro soviético da aviação civil”, Ivan Vasin, que mesmo antes da abertura das caixas negras já tinha decidido quais haviam sido as causas do acidente. Adianta Van Zyl: “Quando eram cerca das 9 horas da noite, um dos russos perdeu as estribeiras com o colega da KGB e disse-lhe algo em russo. O homem da KGB tentou calá-lo. Meia hora depois, o acordo estava assinado e à meia-noite eu estava de regresso a Joanesburgo.” 
Voltando a referir-se a Pik Botha, o investigador responsável pela parte sul-africana disse que o ex-ministro dos negócios estrangeiros da África do Sul consentiu que o mecânico de bordo, Vladimir Novoselov, fosse evacuado do Hospital Militar 1 em Pretória. Van Zyl afirma que quando se deslocou a Moscovo em Dezembro de 1986, as autoridades soviéticas impediram-no de entrevistar Novoselov, alegando “dificuldades de transporte” para São Petersburgo, cidade onde se encontrava o mecânico de bordo. Idêntica sorte tiveram os investigadores da comissão de inquérito moçambicana presentes na capital soviética. 
Quando o Relatório Factual elaborado pelos investigadores dos três países foi apresentado perante a Comissão de Inquérito sul-africana num tribunal de Joanesburgo em Janeiro de 1987, Novoselov não foi autorizado pela União Soviética a testemunhar nem a ser acareado. Sob pressão de Moscovo, Moçambique retirar-se-ia dos trabalhos da Comissão de Inquérito instaurada pelo Estado de Ocorrência, não comparecendo no tribunal de Joanesburgo, apesar do representante oficial moçambicano junto dessa comissão, Dr. Paulo Muxanga, ter solicitado momentos antes, à parte sul-africana, que recomendasse uma firma de advogados para defender os interesses de Moçambique nessa instância jurídica. 
Do Hospital Militar 1, Vladimir Novoselov foi evacuado para Maputo a 29 de Outubro de 1986. Novoselov seguiu da capital moçambicana para Moscovo no dia 5 do mês seguinte, tendo o Presidente Joaquim Chissano apresentado cumprimentos de despedida a esse tripulante no mesmo dia, deslocando-se para o efeito à Representação Comercial da União Soviética em Maputo. 
Em «Memórias em Voo Rasante», Jacinto Veloso, que integrou a Comissão de Inquérito moçambicana, revelou que a Embaixada Soviética em Maputo por duas vezes impediu que investigadores moçambicanos entrevistassem Novoselov entre os dias 30 de Outubro e 5 de Novembro de 1986, alegando que o mecânico de bordo do Tupolev presidencial não se encontrava em bom estado de saúde. 
A autópsia aos corpos da tripulação foi outro caso apontado na biografia, «Pik Botha and His Times», como revelando interferência do antigo ministro sul-africano dos negócios estrangeiros nos trabalhos da Comissão de Inquérito. Sem o consentimento dos investigadores sul-africanos, em Mbuzini Pik Botha concordara com o ministro da segurança moçambicano, Sérgio Vieira, que os corpos dos tripulantes fossem imediatamente transferidos para Maputo. Os investigadores conseguiriam, porém, que os corpos fossem primeiro transportados para o hospital de Komatipoort para extracção de humor vítreo, e de sangue mediante a incisão de golpes no pescoço. A autópsia ao cadáver de Samora Machel seria efectuada em Maputo por um médico patologista sul-africano com o apoio de médicos moçambicanos e cubanos.
(Redacção) 

Moscovo foi mais uma vez alvo da barbárie terrorista

Caros leitores, como já devem saber, um suicida fez-se explodir no Aeroporto Internacional Domodedovo de Moscovo, matando pelo menos 35 pessoas e ferindo quase duas centenas. 74 dos feridos foram internados em vários hosospitais, encontrando-se 36 em estado grave.
Mais um crime gravíssimo sem qualquer tipo de justificação, que deve ser unanimamente condenado por todos. A minha solidariedade só pode ir para as vítimas deste crime hediondo e seus familiares. 
Ainda se desconhecem numerosos pormenores sobre o autor ou autores do atentado terrorista, apenas se diz que o suicida tinha, segundo algumas fontes, "o aspecto de árabe", mas para as pessoas que vivem na Rússia qualquer cidadão do Sul da Europa ou do Cáucaso pode ser confundido com um árabe.
A minha opinião é que se tratou de mais crime cometido pela guerrilha separatista islâmica do Cáucaso do Norte, que, não obstante todas as declarações dos dirigentes russos, continua activa e a fazer graves prejuízos.
Mas os especialistas chamam a atenção para o facto de este atentado ter ocorrido devido a falhas nos sistemas de segurança na Rússia. É incrível como num aeroporto como no Domodedovo conseguem entrar um ou vários homens com vários quilos de explosivos sem terem sido detectados. Como é sabido, as medidas de segurança são reforçadas, mas só depois dos atentados terroristas. Algumas semanas depois e tudo está esquecido. A polícia prefere extorquir dinheiros aos estrangeiros e estranhos.
Há muito que o Kremlin devia ter tomado medidas sérias para travar a corrupção e desorganização nas forças de segurança, mas não vai além de "medidas cosméticas". Os dirigentes russos preocupam-se mais em lançar a polícia contra os manifestantes liberais do que em  empregá-la no combate ao terrorismo e ao crime organizado, contra a corrupção.
Vamos esperar os resultados da investigação, mas certamente que não mostrarão uma boa imagem das forças de segurança.

Domingo, Janeiro 23, 2011

Irão quer negociar diretamente com Rússia troca de combustível nuclear


O Irão está pronto a assinar um acordo para troca de combustível nuclear para um reator, mas prefere fazer isso diretamente com a Rússia, declarou hoje o embaixador iraniano na Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), Ali Asghar Soltanieh.
“Se for conseguido um acordo, se conseguirmos receber combustível para este projeto humanitário, claro que isso exercerá uma influência positiva na mentalidade do nosso povo, será mais um momento positivo para a Rússia”, declarou Ali Asghar Soltanieh, numa entrevista à rádio Eco de Moscovo.
“Caso contrário, isso será um ponto fraco para a Rússia”, acrescentou.
O diplomata iraniano assinalou que o governo de Teerão está pronto para as conversações e espera a mesma prontidão da parte russa.
“Perguntem aos vossos responsáveis porque é que não se querem sentar à mesa das conversações”, sublinhou, rematando que “o Irão, nesta questão, só acredita na Rússia”.
Na véspera, o regime de Teerão afirmou estar disposto a chegar a um acordo sobre a troca de urânio com a comunidade internacional se receber 120 quilos de urânio enriquecido a vinte por cento como combustível para os seus reatores nucleares.
“Isto é claramente chantagem política e diplomática com vista a dividir o sexteto de intermediários. Não acredito que a Rússia aceite este tipo de discurso, tanto mais que tem compromissos assumidos no quadro do sexteto de intermediários e do Conselho de Segurança da ONU”, declarou à Lusa fonte diplomática russa.
No dia 22 de Janeiro, as conversações realizadas entre a Alta Representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros, Catherine Ashton, em representação do sexteto (Rússia, China, Estados Unidos, França, Alemanha e Grã-Bretanha), e o secretário do Conselho Supremo da Segurança Nacional do Irão, Saidi Jalili, terminaram sem resultado.

Sábado, Janeiro 22, 2011

Quem vai para o Kremlin e quem vai para o mausoléu de Lénine?

Como é sabido, nos últimos dias, volta-se a discutir, na Rússia, o que fazer com a múmia de Vladimir Lénine, dirigente comunista, que se encontra num mausoléu na Praça Vermelha. Além disso, há muito que se discute quem irá ser o Presidente da Rússia em 2012.
Os russos, tal como os portugueses, respondem rapidamente a essas questões com anedotas. Aqui fica uma, mas, antes de a contar, sublinho que se trata de uma anedota:
"Um jornalista faz duas perguntas a Vladimir Putin:
- Vladimir Vladimirovitch, primeira pergunta: porque é que pretendem retirar a múmia de Lénine do mausoléu? E, segunda: Vai candidatar-se às eleições presidenciais de 2012?
Putin responde com o normal ar de político decidido:
- Junto as duas respostas numa só. Vamos reunir-nos (com o Presidente Medvedev) e decidir: quem vai para o Kremlin e quem vai para o mausoléu.

Sexta-feira, Janeiro 21, 2011

Irão não tenciona cumprir resoluções do CS da ONU

O Irão não tenciona cumprir as resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovadas em arrepio das normas jurídicas internacionais, declarou, hoje, Asghar Soltanieh, enviado do Irão junto da Agência Internacional da Energia Atómica (AIEA).

Soltanieh encontra-se há dois dias em Moscovo para encontros com jornalistas russos com vista a esclarecer a posição de Teerão sobre a problemática nuclear.

“O Irão não cumpriu e não irá cumprir as resoluções do Conselho de Segurança da ONU, porque não têm força e base jurídica, foram aprovadas em arrepio das normas jurídicas internacionais. Pensamos que o CS da ONU, enquanto instrumento utilizado pelos países ocidentais e, nomeadamente, pelos Estados Unidos, enquanto instrumento para pressionar Teerão, entrou num beco sem saída”, declarou Soltanieh.

Ele frisou que o Irão está pronto a ajudar a comunidade mundial a “sair desse beco sem saída”.

“Estamos prontos a ajudar a comunidade mundial e o CS da ONU da situação criada se os países ocidentais, em primeiro lugar os EUA, deixarem de exercer pressão em órgãos competentes como o Conselho de Segurança e a AIEA, para a realização dos seus objetivos políticos”, precisou Soltanieh.

O diplomata iraniano acrescentou que Teerão está pronto a conversações sobre todos os aspetos da ordem do dia internacional, incluindo as questões de desarmamento, não difusão de armas nucleares e a questão da troca de urânio fracamente enriquecido por urânio enriquecido até 20 por cento.

Em Julho de 2010, Mahmud Ahmadinejad, Presidente do Irão, disse que as novas sanções do CS da ONU não iriam influir no desenvolvimento do programa nuclear do seu país.

Quando queremos, podemos!

A Forus Fashion Group, empresa russa de distribuição de roupa infantil começou a vender a marca portuguesa Petit Patapon.

Segundo a revista Retailler.ru, a primeira loja a vender roupa infantil portuguesa foi aberta há três meses atrás em Krasnodar, cidade do sul da Rússia, no centro comercial “Praça Vermelha”.

No ano corrente, a Forus Fashion Group planeia abrir, em sistema de subfranchinsing, 20 lojas Petit Patapon em grandes cidades russas.

No próximo dia 29, a Petit Patapon irá abrir uma loja no centro comercial “Mega-Khimki”, em Moscovo.

Além disso, a Forus Fashion Group planeia, este ano, lançar a loja russa on-line Petit Patapon.

A Petit Patapon, sediada em Barcelos, tem numerosas lojas em Portugal e no estrangeiro, bem como lojas on-line que vendem roupa infantil para 29 países.

Além da Petit Patapon, a Forus Fashion Group distribui, no mercado russo, marcas de roupa infantil como Mirtillo (Itália), Tommy Hilfiger Children (Holanda), Miniature (Dinamarca).

Blog do leitor (Vergonha)

Texto escrito e enviado pelo leitor António Campos:
 
O final da Segunda Guerra Mundial trouxe esperança para muitos. Assistia-se ao fim dos impérios e os ideais dos direitos humanos aparentavam estar a consolidar-se com a promulgação da Declaração Universal dos Direitos do Homem em Assembleia Geral da ONU no dia 10 de Dezembro de 1948 Até uma grande parte dos soldados do Exército Vermelho alimentava essa esperança. Após as carnificinas internas dos anos 30 e sua experiência no Ocidente durante os combates, sentiam que os profundos sacrifícios que estavam a fazer teriam necessariamente que resultar num mundo melhor para todos. Até para eles próprios.

Pelo menos do lado ocidental, o pós-guerra trouxe para muitos essa convicção, assim como evidências de que o mundo caminharia mais cedo ou mais tarde para um conjunto de estados de direito a coexistir pacificamente, e onde os direitos dos indivíduos suportados por um sociedade civil sólida e vigilante se sobreporiam ao que o historiador anarquista francês Daniel Guérin, na sua obra de 1938 “Fascismo e Grande Capital” previra já nessa altura: o domínio do corporativismo sobre os interesses da população em geral, que em naquela altura se costumava designar por “classes trabalhadoras”.

A guerra no Iraque, a crise financeira, o reinado Bush e, last but not least, o fenómeno Wikileaks, chamaram a atenção dos mais distraídos para o facto de as coisas não estarem a evoluir exactamente assim. Fomo-nos habituando a dar, impávidos, em muitas partes do mundo, com regimes que à primeira vista são democracias defensoras da universalidade dos direitos humanos mas que ao memso tempo apoiam regimes autoritários ou ditatoriais, em nome da estabilidade geopolítica e dos seus interesses empresariais. Para além dos exemplos que são sobejamente conhecidos, causará certamente surpresa aos leitores que, segundo os autores Alberto Sabio e Nicolas Sartorins, no seu livro “El Final de la Dictatura”, os Estados Unidos procuraram dificultar a transição de Franco para uma democracia, uma vez que consideravam, desde Eisenhower, que aquele protegia melhor os seus interesses do que um estado democrático. Aliás, o primeiro governo monárquico espanhol, liderado por Carlos Arias Navarro, político de carreira próximo de Franco, encabeçava um executivo de ministros com ligações estreitas aos interesses económicos e militares americanos, tais como o ministro dos negócios estrangeiros, José Maria de Areilza, ligado aos grupos Rockefeller e ao Chase Manhattan Bank, ou o vice-presidente do governo, Alfonso Osorio, antigo presidente da filial da Exxon em Espanha. Ambos também ex-embaixadores nos Estados Unidos. O governo de Navarro rivalizou com o regime de Franco na repressão e nos assassinatos políticos, bem como nas violações dos direitos humanos, o que não pareceu preocupar grandemente os Estados Unidos. Talvez este episódio esquecido sirva para justificar que, da totalidade dos países da Europa Ocidental, a população espanhola continue a ser a mais hostil aos objectivos da política externa americana.

E Portugal? Saído de uma das mais longas ditaduras repressivas da Europa que atrasou o desenvolviento do país durante décadas impossíveis de contabilizar, e palco de uma revolução caótica lentamente consolidada numa democracia parlamentar, assistiu impotente (mas não sem o condenar publicamente) ao conluio entre os Estados Unidos e a Austrália para legitimar a anexação de Timor-Leste pela Indonésia, que resultou numa das maiores tragédias humanas desde a Segunda Guerra Mundial. Quem não se lembra da mobilização humana nacional (o cordão “Portugal Por Timor” em Setembro de 1999?) que pressionou a que as Nações Unidas promovessem um referendo para a independência, após o massacre do cemitério de Santa Cruz? Por outro lado, signatário da Declaração Universal dos Direitos do Homem, Portugal é membro da OSCE, uma organização que se empenha em promover a democracia e o liberalismo económico na Europa e já presidiu a essa organização. Portugal possui um Observatório dos Direitos Humanos. A resolução do Conselho de Ministros português nº 27/2010 menciona expressamente: “O ordenamento jurídico português funda -se no valor do respeito pelos direitos humanos e consagra um conjunto de direitos, liberdades e garantias individuais, estreitamente ligados ao princípio da dignidade da pessoa humana”. Presume-se que aspire tais coisas para o mundo inteiro e não só para a população portuguesa.
Em geral, os portugueses, à excepção do ocasional e serôdio saudosismo de Salazar, causado pelo desnorte e incompetência das instituições políticas actuais, são fervorosos defensores dos direitos humanos e têm-nos como dado adquirido. Mas tal exemplo parece não estar a ser seguido pelos seus governantes em matéria de política externa. Obcecados em mendigar parcerias e oportunidades de negócio com quem der mais e mandando no processo o paleio humanista às urtigas, fazem por exemplo vista grossa sobre a violência do regime de Chávez em troca de negócios como a exportação da anedota chamada Magalhães, a ampliação do porto de Caracas, os inúmeros projectos imobiliários concedidos a construtoras portuguesas e as parcerias com a Galp. Para Chávez, obviamente, Sócrates é um “homem bom”. E Sócrates sorri em troca.

Mas a aparente surpresa surgiu que nem uma bomba no site oposicionista bielorrusso charter97, que refere que Portugal, ao contrário da maioria dos membros da União Europeia, que actualmente se concerta para estabelecer um conjunto de sanções contra o regime de Lukashenka após a violenta repressão pós-eleitoral de Dezembro último, está a tentar bloquear o processo. Segundo o site “até a Itália foi forçada a fazer concessões no sentido de manter uma posição europeia comum”. Estranhamente, já em 2002, o estado português, então a assumir a presidência da OSCE, decidiu não acatar uma resolução de uma sessão de ministros de negócios estrangeiros europeus, apoiada por 14 países, de negar a emissão de visto de entrada a Lukashenka.

Porquê esta resistência a uma iniciativa que, do ponto de vista da defesa dos direitos humanos parece óbvia? Seguindo a lógica venezuelana, não parece muito difícil entender. Em 18 de Novembro de 2008, Luis Amado e o seu homólogo russo Sergei Lavrov encontravam-se no sentido de “aprofundar relações bilaterais, intensificando o diálogo político e a relação económica e comercial”. Alguns resultados desse estreitamento foram os contratos para a construção de um complexo turístico e comercial chamado “Caravela Portuguesa” em Sochi, e a construção de uma petroquímica russa em Portugal.
Em texto que publiquei neste blogue há uns meses, chamei a atenção para a facilidade com que a Rússia consegue comprar políticos e empresários europeus, retalhando a frágil coesão europeia para fazer valer os seus objectivos expansionistas. Lukashenka deve agora, em grande medida, a sua permanência no poder ao Kremlin, que acaba de assinar uma série de acordos bilaterais com o país, tornando-o num protectorado de facto do seu vizinho autoritário. O objectivo agora, a nível de política externa russa, parece ser exercer pressão política sobre os elos mais fracos da cadeia (note-se que a Espanha, também em sérias dificuldades económicas, está também reticente em embarcar no comboio das sanções), obtendo alavancagem política a troco de negócios ou, quem sabe, compra de dívida soberana a preço de saldo.

Por mais cínicas que se tenham tornado as relações internacionais e por mais ocas que se tenham tornado as patranhas dos governantes mundiais para os noticiários em matéria de direitos humanos, gorando quase todas as esperanças do mundo do pós-guerra, tenho a certeza que a população portuguesa em geral, se devidamente informada destas posições, nunca compreenderia nem apoiaria este descalabro. Não o fez em relação a Timor. É dever de todos nós, enquanto elementos da sociedade civil, divulgar esta posição vergonhosa e, em nome do que defendemos e do que o nosso governo alega defender, para darmos o nosso constributo para que a Europa se transforme num continente que sirva de exemplo de civismo e democracia para todo o mundo, e não uma marionete manipulada pelos megalómanos expansionistas do Kremlin. Por mais Magalhães que fiquem por impingir.







Quinta-feira, Janeiro 20, 2011

Oposição bielorrussa acusa autoridades portuguesas de tentarem bloquear aprovação de sanções contra Lukachenko

O principal sítio da oposição bielorrussa na Internet (charter97.org), acusou hoje Portugal de “tentar bloquear uma reação adequada da União Europeia às repressões monstruosas na Bielorrússia ao mais diversos níveis, desde o Parlamento Europeu ao Conselho da União Europeia”.
Segundo o charter97, “na Europa tem lugar uma verdadeira guerra por debaixo do tapete entre os adeptos de sanções duras em relação ao ditador que perdeu toda a vergonha e os que tentam fazer ‘lobby’ dos interesses do usurpador”, uma referência ao atual Presidente, Alexandre Lukachenko.
“Até a Itália, tradicional adepto do ditador, foi obrigada a recuar e apoiar a posição comum da Europa”, acrescenta.
Fontes das conversações citadas pelo sítio eletrónico da oposição bielorrussa afirmam que a Grécia e a Eslovénia, tal como Portugal, “também consideram que os negócios de sangue e o fechar de olhos às violações dos direitos dos bielorrussos são perfeitamente aceitáveis e apoiam a cooperação com o último ditador da Europa”.
O Parlamento Europeu apelou hoje à UE para a adoção de sanções contra Minsk devido à detenção de diversos membros da oposição e ao prosseguimento dos processos judiciais contra os candidatos da oposição às presidenciais.
Lukachenko acusou hoje a Alemanha e a Polónia de terem tentado afastá-lo do poder e admitiu a aplicação de medidas “muito duras” contra a União Europeia (UE) no caso de aplicação de sanções.



Assessor de PR russo responsabiliza Putin por problemas nos investimentos



Arkadii Dvorkovitch, assessor do Presidente Medvedev para assuntos económicos, considera que o Governo de Vladimir Putin tem responsabilidades no mau clima de investimentos existente na Rússia, embora considere o trabalho do primeiro-ministro “eficaz”.

Segundo ele, no país existem “problemas com o clima de investimentos”.

“E claro que parte da responsabilidade por isso, e o próprio primeiro-ministro falou muitas vezes disso, é do Governo. Penso que nem ele diria que o trabalho é absolutamente eficaz”, acrescentou ele, numa conferência on-line com leitores do jornal gazeta.ru.

Porém, ele avaliou a atividade do primeiro-ministro como “eficaz”.

Dvorkovitch considera que a condenação de Mikhail Khodorkovski, ex-patrão da petrolífera YUKOS, a mais uma pena de 14 anos de prisão levará à reavaliação dos riscos por parte dos investidores estrangeiros.

“No que respeita à perda na imagem e à atitude dos investidores, penso que nós, dentro em breve, dentro de uma semana, veremos e ouviremos tudo em Davos, o maior forum de investimentos, veremos que essas perguntas irão ser feitas a todos os membros da delegação russa e ficará clara a atitude dos investidores. Penso que parte significativa da comunidade internacional fará perguntas sérias e aumentará a avaliação dos riscos de atividade na Rússia”, precisou.

O assessor económico do Kremlin recordou as palavras de Dmitri Medvedev de que “nós temos um clima de investimentos muito mau”.

“Muitos realmente não vêem perspetivas de fazer negócios e investir no interior da Rússia. Isso é confirmado pelos números do crescimento do investimento, que estão muito longe dos registados no período antes da crise”, frisou.

Dvorkovitch considera que a “indefinição eleitoral” e “a corrupção que não diminui” estão entre as causas do deterioramente do clima económico do país.

Em Dezembro de 2011 realizar-se-ão eleições para a Duma Estatal (Câmara Baixa) do Parlamento Russo e, um ano depois, terão lugar eleições presidenciais, desconhecendo-se ainda quem será o candidato do Kremlin: Putin ou Medvedev.

Entretanto, os investimentos estrangeiros na Rússia desceram de 56,9 mil milhões de dólares em 2009 para 38,3 mil milhões em 2010.

Quarta-feira, Janeiro 19, 2011

ACIDENTE DE MBUZINI QUE VITIMOU SAMORA


















Estados Unidos mantiveram comunicações entre Tupolev e Maputo sob escuta



– revela biografia de Pik Botha



Pretoria (Canalmoz) - As comunicações via rádio entre o Tupolev presidencial e a Torre de Controlo do Aeródromo de Maputo estiveram sob escuta dos Estados Unidos na noite do acidente de Mbuzini em que perdeu a vida o então chefe de Estado moçambicano, Samora Moisés Machel. A revelação vem contida na biografia do antigo ministro sul-africano dos negócios estrangeiros, Pik Botha, publicada em Dezembro último na África do Sul.

Segundo a autora da obra biográfica «Pik Botha and His Times», pouco depois do despenhamento do Tu-134A em Mbuzini, os investigadores da parte sul-africana receberam de entidades americanas a transcrição das referidas comunicações. A autora cita o investigador-chefe do acidente, pela parte sul-africana, como tendo dito que “os americanos mantinham a frequência sob escuta”. A frequência em causa era a do sistema de comunicações rádio de alta frequência utilizado pela Torre de Controlo do Aeroporto de Maputo para comunicar com aeronaves. O livro não fornece pormenores sobre a forma e o local onde foi efectuada a escuta, mas esta função cabe, em princípio, à NSA (National Security Agency), organismo norte-americano responsável pela recolha e análise de comunicações e transmissões em territórios estrangeiros.

Para além dessa transcrição, acrescenta a autora do livro, os investigadores sul-africanos também dispunham de outra, idêntica, obtida pela Base Aérea de Hoedspruit, situada junto à fronteira com Moçambique.

A transcrição permitiu aos investigadores de imediato detectarem falhas da tripulação do Tupolev presidencial. Efectivamente, no primeiro contacto com a Torre de Controlo do Aeroporto de Maputo, após ter entrado no espaço aéreo moçambicano, o Tupolev forneceu a hora prevista de chegada, o número de passageiros a bordo, o aeroporto de origem, e a autonomia da aeronave desde o momento de descolagem de Mbala, na Zambia. Nessa primeira comunicação, o operador de rádio do Tupolev pedia à Torre de Controlo para informar a quem de direito que “levava a bordo o No. 1”, numa referência ao Presidente Samora Machel.

Todos estes dados constam do plano de voo, que por norma deve ser efectuado antes da partida de uma aeronave. Tratando-se de um voo VIP, o plano de voo do avião transportando o presidente Samora Machel deveria ter sido efectuado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros moçambicano, com pelo menos 24 horas de antecedência. O fornecimento desses dados a cerca de 30 minutos da hora prevista de aterragem em Maputo era uma indicação clara de que a tripulação do Tu-134A não havia cumprido com um requisito elementar da navegação aérea, pondo em perigo a aeronave e a vida dos passageiros.

Posteriormente, em Moscovo, foi possível proceder à transcrição (e tradução do russo para o inglês) dos registos do gravador de cabine (CVR) do Tupolev que depois foi sincronizada com a transcrição da gravação da Torre de Controlo do Aeródromo de Maputo, ficando os investigadores com uma ideia mais clara do sucedido nos últimos 30 minutos do fatídico voo, em particular a acumulação de erros e falhas por parte da tripulação, o que viria a causar a colisão do aparelho contra os montes dos Libombos em Mbuzini. (ver transcrição integral de ambas as gravações em www.samoramachel.com/transcricaoo_CVR_ATC.pdf)


Moscovo publica transcrição de todas as conversas dos controladores aéreos do aeródromo de Smolensk

омиссия проанализировала записи, зарегистрированные диспетчерским магнитофоном, а также записи переговоров группы руководства полетами с экипажем самолета Ту-154


O Comité de Aviação Interestal publicou hoje, no seu sítio na Internet, a transcrição de todas as conversações e conversas registadas pelos gravadores do aeródromo de Smolensk, perto do qual se despenhou o avião que transportava o Presidente da Polónia, Lech Kaczynski.

Essa decisão foi tomada depois da parte polaca ter publicado excertos das conversas dos controladores aéreos.

O governo da Rússia deu hoje por terminado o trabalho da Comissão de Estado sobre o acidente do avião polaco Tupolev-154, no qual morreu em abril de 2010 o Presidente da Polónia Lech Kaczysnki.

“Devido ao termo do trabalho da comissão técnica do Comité de Aviação Interestatal, considera-se terminado o trabalho da Comissão de Estado para o esclarecimento das causas da catástrofe do aparelho Tupolev-154, ocorrido a 10 de abril de 2010 em Smolensk, que provocou a morte do Presidente Lech Kaczysnki, a mulher e outros acompanhantes”, de acordo com um documento publicado hoje.

As autoridades russas concluíram que o avião que matou Lech Kaczynski caiu em abril porque a tripulação foi pressionada a aterrar em condições adversas por um oficial da Força Aérea polaca que estaria alcoolizado.

Kaczynski e outras 95 pessoas, incluindo a mulher do chefe de Estado polaco e altos responsáveis polacos, morreram quando o avião se despenhou ao tentar aterrar em Smolensk, no oeste da Rússia. Não houve sobreviventes.

As autoridades russas também concluíram que a preparação insuficiente da tripulação e a decisão de aterrar, apesar das advertências para as más condições meteorológicas, também contribuíram para o acidente.

Porém, a parte polaca que investigou a queda declaro também hoje que os controladores aéreos russos encontravam-se sob pressão, não informaram a tripulação do Tupolev 154 sobre o desvio da rota.

Toda esta discussão leva-me a voltar ao tema da morte do antigo Presidente moçambicano, Samora Machel, sobre a qual escrevi um livro. Esta seria uma boa altura para as autoridades do Maputo publicarem todos os documentos de que dispõem sobre a tragédia para que não restem dúvidas.
Se elas encobrem alguma coisa, fogem à publicação dos documentos, então eu não tenho dúvidas de que o Tupolev caiu não devido a um atentado organizado pelos serviços secretos da África do Sul, mas devido a erros crassos da tripulação.
Como se diz na minha terra: "Quem não deve, não teme".

Terça-feira, Janeiro 18, 2011

Igreja Ortodoxa Russa quer mais roupa nas mulheres

Vselovod Tchaplin, dirigente da Secção de Interação entre a Igreja Ortodoxa e a sociedade, considerou hoje que é preciso “impor ordem” nas formas como as mulheres russas se vestem.
“Não está mau o fato de empresas, universidades e escolas terem um código de conduta. Seria bom criar um código nacional (que pode não abranger os bares de strip-teas e os prostíbulos”, considera o sacerdote citado pela agência Interfax-religuia.
Segundo ele, “em todas as épocas, entre todos os povos, o aspeto externo do homem não era considerado prerrogativa absoluta dele”.
“Não é uma questão pessoal a forma como as mulheres se comportam nos locais públicos, no instituto, no trabalho”, considera Tchaplin..
Nos mês passado, o sacerdote declarou: “Se (a mulher) anda de mini-saia, ela pode provocar não só um caucasiano, mas também um russo. Se, além disso, ela está bêbada, ele provoca ainda mais. E se ela tenta ativamente entrar em contato com as pessoas, depois não se pode admirar se esse contato terminar numa violação, e ela não tem mesmo razão”.
“Uma mulher vestida ou pintada como um palhaço, que, desse modo, quer estabelecer contato com alguém na rua, no metropolitano ou no bar, arrisca-se a encontrar um idiota borracho, mas não encontrará certamente um companheiro de vida com o mínimo de juízo e de respeito mútuo. Poderá encontrar um idiota sóbrio, mas será que ela procurava isso?”, pergunta Tchaplin.
Estas declarações já provocaram respostas indignadas de organizações de direitos humanos.
Que estupidez. A pessoa deve vestir-se como quiser. Depois eles (ortodoxos) proibirão as mulheres de pintar os lábios”, reagiu Liudmila Alekseevna, dirigente da organização Grupo de Helsínquia de Moscovo.
Segundo ela, “na era soviética, inicialmente, prendiam pelas calças apertadas, depois pelas calças largas, depois proibiram as mulheres de andar de ombros descobertos”.
“Eles (ortodoxos) poderiam ao menos uma vez inventar algo que liberte as pessoas, e não as limite”, concluiu.