segunda-feira, fevereiro 28, 2011

De novo sobre a moral e interesses nacionais nas relações internacionais

Não pretendo defender aqui nem o primeiro-ministro português, José Sócrates, nem o ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, mas, antes de fazer críticas, é preciso olhar para o mundo que nos rodeia.
Hoje, li ,no jornal Expresso, o comentário de Henrique Raposo: "Os abracinhos de Sócrates a Kadhafi faziam sentido?" e destaco o seguinte parágrafo: "III. Depois, convém fazer uma distinção que tarda a ser compreendida em Portugal: uma coisa são os negócios, outra coisa é a política. As nossas empresas podem fazer negócios com as ditaduras. Toda a gente faz isso. Aliás, uma das melhores formas de abrir uma ditadura é através do comércio com o exterior. Porém, as relações económicas não devem determinar um amiguismo político entre uma democracia e uma ditadura. Existe uma fronteira entre a economia (feita pela sociedade) e a política (feita pelo Estado). Um político tem deveres éticos que um empresário não tem. Ou seja, Portugal, enquanto democracia, deve evitar apaparicar regimes pouco decentes. Problema? Quando se olha ao espelho, José Sócrates vê "o motor da economia nacional", vê o "empresário de Portugal". Naquela cabecinha, o Estado é o motor de tudo, e, por isso, ele pensa que tem de liderar comitivas de empresários com o objectivo de meter "cunhas" nos ditadores amigos. Ou seja, a nossa política externa é um reflexo da nossa política interna. Pior: esta vergonha externa (legitimámos ditaduras) é o resultado da vergonha interna que marca da nossa política doméstica: a promiscuidade entre política e negócios". 
Peço desculpa pela longa citação, mas assim não posso ser acusado de truncar ou distorcer ideias. 
Henrique Raposo acusa José Sócrates de juntar política e negócios, acrescentando que "um político tem deveres éticos que um empresário não tem". Eu, se fosse empresário, sentir-me-ia insultado, pois até parece que, em prol do lucro, vale tudo.
Quanto aos deveres éticos do político, eu gostaria que eles fossem sagradamente respeitados por todos, mas, no mundo actual, se o dirigente de algum país, se comportar assim, arrisca-se a ficar completamente isolado e a condenar o seu povo à miséria e ao isolamento.
Isto é tanto mais verdade no que respeita a países pequenos como Portugal.
As relações pessoais entre os dirigentes dos vários países fecham ou abrem muitas portas aos homens de negócios. Veja-se, por exemplo, as relações pessoais entre Vladimir Putin e Sílvio Berlusconi e o seu reflexo nas relações económicas e políticas entre os dois países.
Os meus oponentes poderão retorquir: "Trata-se de dois políticos conhecidos por não terem grandes princípios", mas eu respondo: "Quais são os países governados por "madres Teresas?".
As relações entre a Rússia e a Alemanha são outro exemplo ainda mais flagrante da importância das relações pessoais entre dirigentes nos contactos económicos e políticos. Não é segredo para ninguém que as boas relações entre Gerhard Schroder, quando chanceler da Alemanha, e Vladimir Putin, então Presidente da Rússia, foram essenciais, por exemplo, para a abertura de portas na Rússia a empresas como a Siemens ou a Gazprom na Alemanha.
Claro que é condenável o facto de Schroder ter saltado da cadeira de chanceler para funcionário da Gazprom sem qualquer "período de nojo", mas está muito longe de ser caso único.
Em relação a Portugal, não temos empresas da envergadura dos gigantes alemães ou italianos, os nossos empresários, à escala mundial, são pequenos e médios. Daí se justificar ainda mais o apoio político à expansão das empresas nacionais. 
Portugal não é um gigante na cena mundial (se excluirmos o sentido poético da expressão), é um país pobre e em graves dificuldades económicas, daí não esperarmos que os nossos dirigentes se comportem como santos exemplares.
Claro que o ideal seria manter um equilíbrio nestas questões, mas, num "mundo de cão", não é nada fácil ser cordeiro.
E, para terminar, é caso para dizer que, neste caso, os dirigentes políticos são criticados "por terem cão ou por não terem". Risco profissional.

domingo, fevereiro 27, 2011

O que será que preocupa mais os dirigentes russos no Médio Oriente e Norte de África?


O ministro russo da Defesa, Anatoli Serdiukov, não exclui que os levantamentos populares numa série de países do Médio Oriente e Norte de África possam refletir-se negativamente na cooperação técnico-militar entre a Rússia e esses países.

“Na realidade, isso preocupa-nos. Gostaríamos que os contratos assinados fossem cumpridos e realizados”, declarou Serdiukov aos jornalistas.

Segundo ele, em alguns países árabes mergulhados em convulsões sociais poderão ser revistas as questões da cooperação técnico-militar.

Segundo fontes militares citadas por agências russas, Moscovo poderá sofrer prejuízos da ordem dos 8 mil milhões de euros, mas peritos independentes sobem esse número para 17 mil milhões.

Nos últimos anos, a Rússia tem desenvolvido contatos no campo da exportação de armas com a Arábia Saudita, Egito. Líbia, Iemen, Marrocos, Kuweit e Qatar.

Fonte militar citada pela agência Interfax considera que as sanções do Conselho de Segurança da ONU contra a Líbia poderão causar graves prejuízos na exportação de armas russas.

“Hoje, com esse país há acordos de cooperação técnico-militar no valor de cerca de 2 mil milhões de dólares. Além disso, encontra-se na fase final a preparação de contratos sobre o fornecimento de aviões e meios de defesa anti-aérea no valor de 1,8 mil milhões de dólares”, acrescentou a fonte.

A Líbia pretendia adquirir na Rússia cerca de 20 aviões de combate, sistemas de defesa anti-aérea S-300 “Favorit”, várias dezenas de tanques T-90C. 

P.S. O ministro da Defesa da Rússia não esconde o que o preocupa, ao contrário de dirigentes de outros países que agora tentam fazer passar a mensagem de que nada tinham a ver com regimes como o do coronel Khadafi.
Se, nas relações entre Estados, não há moral (e esta grave crise no Médio Oriente e África do Norte provou isso uma vez mais), mas, fundamentalmente, existem interesses /económicos, políticos, geopolíticos, etc., etc.), porque razão é que não se reconhece isso abertamente?
Num mundo assim, em que os maiores países dão frequentemente exemplos de que os seus interesses estão acima de qualquer moral e de quaisquer direitos humanos, que poderão fazer países pequenos como Portugal?
Não será demais exigir que Portugal se comporte como uma espécie de "santinha imaculada" na Europa e no mundo?
Claro que seria bom que as regras morais se sobrepusessem aos interesses na política internacional e interna, mas não será para breve. O homem tem por costume repetir mais os mesmos erros do que as virtudes.     

Enfermeira ucraniana de Muammar Khadafi regressou a Kiev



A ucraniana Galina Kolotnitzkaia, enfermeira do líder líbio Muammar Khadafi, regressou hoje  a casa, informa o canal televisivo ucraniano Canal 5.
Ela encontrava-se entre as 185 pessoas que foram retiradas no domingo da Líbia por um avião do Ministério da Defesa da Ucrânia. Logo que aterrou na capital ucraniana, Galina dirigiu-se para casa da filha, que vive nos arredores da capital ucraniana.
Na Líbia trabalha um grande número de médicos e enfermeiros ucranianos que se recusam a abandonar Tripoli por terem salários em atraso.
Documentos da embaixada norte-americana em Tripoli, revelados pelo sítio Wikileaks no outono de 2010, relatam que a “formosa loira” da Ucrânia tem enorme influência sobre o líder líbio Khadafi.
Num telegrama datado de 2009, os diplomatas norte-americanos colocam, entre as pessoas de confiança de Khadafi, a enfermeira ucraniana de 38 anos, Galina Kolotnitzkaia, que já presta, há muito tempo, assistência ao dirigente líbio.
Segundo a mesma fonte, quatro enfermeiras ucranianas tratam da saúde de Khadafi, mas Kolotnitzkaia goza de maior confiança e acompanha-o em todas as deslocações.

Ambulâncias passam a fazer serviço de táxi para ultrapassar filas de trânsito


Pelo menos quatro empresas médicas da capital russa passaram a alugar ambulâncias não para transportar doentes, mas para fazer serviço de táxi, informa a imprensa russa.

Uma das empresas, contatada por telefone pela agência Interfax, propõe veículos de “pronto socorro” para transporte de passageiros, incluindo para os aeroportos de Moscovo.

A tarifa por hora é de 6168 rublos (154 euros) dentro da cidade e 8 563 rublos (215 euros) se for preciso sair para os arredores, onde se encontram os quatro principais aeroportos da capital russa.

O serviço é procurado por pessoas que não querem atrasar-se para viagens de avião e de comboio devido às extensas filas de automóveis nas artérias rodoviárias da capital.

A situação é tão grave que os membros do Governo vão passar a utilizar helicópteros para chegar do centro da cidade para os aeroportos.

sexta-feira, fevereiro 25, 2011

Presidente Medvedev condena emprego da força contra civis na Líbia, mas com cuidado


A Rússia condena o emprego pelas autoridades da Líbia de força contra cidadãos civis e considera que o extermínio da população civil será considerado um crime, declarou hoje o Presidente russo, Dmitri Medvedev.
“Em Moscovo estamos seriamente preocupados com os acontecimentos que ocorrem na Líbia. Provoca profundo pesar o grande número de vítimas de que falam os mídias. A Rússia condena o emprego da força contra os cidadãos civis, sancionada pela direção do país”, afirma ele numa declaração hoje publicada.
“Apelamos decididamente às atuais autoridades da Líbia, a todos os políticos do país a revelarem contenção para não permitir a posterior deterioração da situação, o extermínio da população civil”, acrescenta o dirigente russo.
“Caso contrário, as ações desse tipo serão consideradas crime com todas as consequências previstas no Direito Internacional”, concluiu.

Presidente Ianukovitch considerou genocídio política de Estaline


O Presidente da Ucrânia, Victor Ianukovitch, considerou que o Holodomor (Grande Fome) de 1932-1933 foi organizado artificialmente e constituiu um genocídio.
“Quero repetir que isso foi organizado em relação a muitas pessoas que viviam no campo. Tiraram-lhes sementes, produtos alimentares na Ucrânia, em Kuban, no Cazaquistão e na Bielorrússia. Isso foi realmente um genocídio em relação a essas pessoas. E isso foi feito pelo poder, dirigido por Estaline”, afirmou ele numa “Conversa direta com o país”.
O Holodomor provocou vários milhões de mortos.
Ianukovitch acrescentou que a Ucrânia não vai rever a sua atitude negativa para com José Estaline, ditador comunista que dirigiu a União Soviética entre 1921 e 1953.
“A história fez a avaliação de Estaline e claro que a Ucrânia não irá rever a sua atitude negativa face a essa personalidade histórica”, frisou.
Em Dezembro de 2010, uma bomba destruiu um monumento a José Estaline que os comunistas tinham erigido em Zaparojie, no Leste da Ucrânia, alguns meses antes.
Quanto à sua posição face a figuras controversas da recente História da Ucrânia: Stepan Bandera e Roman Chukhevitch, Ianukovitch considera que “não se deve dar respostas simples a questões complicadas”.
Os dirigentes nacionalistas Bandera e Chukhevitch foram acusadas pelas autoridades soviéticas de terem colaborado com as tropas nazis na Ucrânia.
A polícia política soviética (KGB) assassinou Chukhevitch na Ucrânia em 1950 e Bandera em Munique, na Alemanha, a 15 de Outubro de 1959.
Victor Iuschenko, antecessor de Ianukovitch no cargo de Presidente do país, concedeu, a título póstumo, o título de “Herói da Ucrânia” a esses dois dirigentes nacionalistas, mas Victor Ianukovitch retirou-o recentemente.
“É muito importante recordar que não devemos procurar divergências entre a nossa gente. É preciso procurar o que nos une. E que cada um acredite nos heróis que quiser, não proibimos nada. Graças a Deus, vivemos num país democrático.
A “conversa direta com o povo”, que foi transmitida pela televisão ucraniana, visou assinar o 1º aniversário da tomada de posse de Ianukovitch no cargo de Presidente.

quinta-feira, fevereiro 24, 2011

Mercenários ucranianos combatem na aviação líbia


Ucranianos estão a combater na Força Aérea da Líbia. Terão sido esses pilotos mercenários a conduzir os aviões que bombardearam manifestantes para reprimir protestos.
"Pilotos mercenários ucranianos combatem na Força Aérea da Líbia, escreve hoje o diário "Segodnia", citando militares ucranianos na reserva que realizaram esse trabalho naquele e noutros países africanos.
"Os nossos pilotos, que se despediram da Força Aérea da Ucrânia, podem ser encontrados em toda a parte: Congo, Nigéria, Chade... Eu conversei pessoalmente com pilotos nossos que prestam serviço na Líbia. A maioria combate ilegalmente", declarou ao jornal Vladimir L., comandante do avião de transporte Il-76.

Ucranianos e russos


"Oficialmente, eles são contratados, por exemplo, para empresas de transporte de alimentos e outras mercadorias civis. Na prática, transportam fundamentalmente armas, munições, explosivos", explicou o piloto. 
Segundo a mesma fonte, "as tripulações são constituídas fundamentalmente por ucranianos e russos" e o seu "salário, dependendo da intensidade dos voos e do nível de risco, varia entre os 100 dólares por hora de voo e os 10 mil por mês, ou mais". 
Artiom, outro piloto mercenário com mais de 20 anos de prática, disse ao Segodnia que há pilotos ucraninos nas fileiras da Força Aérea da Líbia, Moçambique e Angola. 
"Um camarada meu, primeiramente, trabalhou em Angola: ensinava os locais a voar nos MIG's, fornecidos ainda pela URSS. Depois, foi para a Líbia, pois lá pagam bem melhor: dez mil dinares (mais de 8 mil euros)... Ele ensina os aviadores líbios a voar nos Mig's". contou. 
Segundo Artiom, aviões militares líbios são reparados na Fábrica de Aviões de Odessa, no Sul da Ucrânia.  A gerência da fábrica, contatada pelo jornal, respondeu que "isso é segredo de Estado". 
O Ministério da Defesa da Ucrânia, por sua vez, desmentiu estas notícias, mas os pilotos afirmam que isso é feito porque não há dados oficiais sobre o número de pilotos ucranianos que trabalham no estrangeiro.
A agência de inteligência norte-americana Stratfor denunciou que ucranianos pilotaram aviões que bombardearam manifestações na Líbia. 

quarta-feira, fevereiro 23, 2011

Moscovo pode perder encomendas militares devido a instabilidade no Médio Oriente


A Rússia poderá perder cerca de dez mil milhões de dólares se tiver de rever os planos de cooperação técnica e militar com os países do Médio Oriente e de África atingidos por desordens, declarou uma alta fonte do setor à agência Interfax.

“Estão em fase de planeamento ou de execução contratos de fornecimentos de armas na ordem dos dez mil milhões de dólares com alguns países do Médio Oriente e do Norte de África atingidos por convulsões. Por isso, nada se pode excluir e, no pior dos casos, esses planos poderão falhar”, acrescentou a fonte.

Segundo ela, atualmente, “as estruturas russas que se dedicam à exportação de armas acompanham, a situação com vista à possível alteração da base normativa e judicial de cooperação com esses países”.

A Rússia exporta quantidades significativas de armamentos e equipamentos militares para países como a Líbia, a Argélia e o Irão.

O analista militar Pavel Felgengauer considera que as perdas da Rússia poderão atingir os 20 mil milhões de dólares.

terça-feira, fevereiro 22, 2011

Quem serão "eles"?



O Presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, que realizou hoje uma visita inesperada ao Cáucaso do Norte, declarou que existe o perigo de desintegração em “pequenos estilhaços” de uma série de países do Médio Oriente e de chegada de fanáticos ao poder.
“Olhai para a situação criada no Médio Oriente e no mundo árabe, ela é gravíssima, virão dificuldades muito grandes”, declarou ele numa reunião extraordinária do Comité Antiterrorista Nacional, realizada em Vladikavkaz, capital da Ossétia do Norte.
Segundo ele, “em alguns casos, pode tratar-se da desintegração de grandes Estados densamente povoados, da desintegração desses países em pequenos estilhaços”.
“E esses Estados são muito complexos, é bem provável que ocorram acontecimentos muito complicados, incluindo a chegada de fanáticos ao poder. Isso significará conflitos prolongados e a disseminação do extremismo, é preciso olhar para a verdade de frente”, acrescentou.
Dmitri Medvedev sublinhou que “eles antes prepararam esse cenário para nós, tanto mais irão tentar realizá-lo agora. Em qualquer dos casos, esse cenário não passará”.
Medvedev não precisou quem são “eles”.
O dirigente russo exigiu dos serviços secretos “o extermínio dos bandidos através do desferimento de golpes preventivos”.
“Esses monstros não fazem cerimónia com mulheres e crianças e não devemos ter dó deles”, disse ele, defendo a necessidade de continuar a “desferir golpes contra as suas tocas”.
“Não se trata de ações de vingança em relação aos terroristas. É preciso julgá-los, mas se oferecerem resistência, devem ser implacavelmente destruídos”, precisou.
“É preciso levar esse trabalho até ao fim, não se pode parar”, frisou.
Medvedev recordou que, em 2010, “foram liquidados 320 bandidos, incluindo mais de 40 cabecilhas, e mais de 600 foram julgados”.
O Presidente russo deixou também claro que a redução de agentes da polícia prevista não irá afetar o Cáucaso do Norte, região da Rússia onde atua uma guerrilha separatista islâmica.

Análise que merece atenção


RIA Novosti

Las revoluciones pueden ocurrir también en países del espacio postsoviético

11:42 22/02/2011

Tras la noticia sobre la dimisión del presidente de Egipto Hosni Mubarak la revista estadounidense “Time” se precipitó a publicar la lista con nombres de otros diez “dictadores” que deberían seguir el ejemplo del máximo mandatario egipcio.

Tras la noticia sobre la dimisión del presidente de Egipto Hosni Mubarak la revista estadounidense “Time” se precipitó a publicar la lista con nombres de otros diez “dictadores” que  deberían seguir el ejemplo del máximo mandatario egipcio.
En esa lista fueron incluidos dos líderes de las antiguas repúblicas soviéticas, el presidente de Bielorrusia, Alexander Lukashenko, y su homólogo de Tayikistán, Emomali Rajmonov.

¿Por qué fueron elegidos precisamente estos países y no Georgia, Azerbaiyán o Turkmenistán que tampoco son precisamente ejemplos de democracia y libertad? Posiblemente, porque algunos círculos políticos de EEUU quieren sustituir lo real por lo conveniente: Georgia es un fiel aliado de Estados Unidos en el proceso para  “contener” de Rusia y Turkmenistán y Azerbaiyán son suministradores de gas natural que es muy necesario.
Este enfoque, sin embargo, entraña mucho peligro, igual que la costumbre de ver lo que uno desea allí donde no lo hay. En realidad, el desarrollo de los acontecimientos en Egipto y Túnez distan de estar claros y recuerdan la famosa fábula sobre los tres sabios, cada uno de los cuales tocó en la oscuridad una pierna, la trompa y la oreja de un elefante, respectivamente, y ninguno de los tres, por supuesto, llegó a descubrir que se trataba de un elefante.

En Estados Unidos y Europa Occidental la mayor parte de los medios de información influyentes en un arranque de idealismo ve lo sucedido en El Cairo y Túnez como un “avance” y una “lección para todos los dictadores del planeta”.
 La minoría tiene una visión más realista y no descarta que los acontecimientos se desarrollen de acuerdo con un guión mucho más funesto. Y, finalmente, la prensa iraní vislumbra con esperanza en los acontecimientos en Egipto la tan largamente esperada “Revolución islámica”, seguidora de la tradición de la revolución anti-monárquica en Irán de los años 1978-1979. En aquella ocasión en el país llegó al poder el Ayatollah Jomeini y ocurrió lo que ocurrió.


De las revoluciones se habla bien o no se dice nada  
La verdad sea dicha, los tres puntos de vista son correctos, pero no son suficientes. La postura de los medios de información occidentales es la más vulnerable, aunque los manifestantes de Egipto y Túnez utilizaron tecnologías modernas, es decir, Google y Twitter, tan apreciados por los expertos estadounidenses.

“Es absolutamente evidente que tanto los egipcios como los tunecinos lograron una espectacular victoria sobre el despotismo y la corrupción en nombre de la libertad, el autogobierno y la dignidad humana”, manifestó en las páginas del diario “The New York Times” el publicista Roger Cowen.
Palabras muy bonitas, pero de momento los intentos de recuperar la dignidad humana se reducen en ambos países a las demandas colectivas de subir los sueldos. Y el liberal “New York Times” lleva años advirtiendo sobre los daños que causan a la economía un rápido aumento de sueldos y los gastos sociales.

 Los partidarios de la “visión optimista de las revoluciones islámicas” de Cowen, sin embargo, reconocen de mala gana que las revoluciones también tienen sus desventajas. Y enseguida se recuerda a  los “Hermanos musulmanes”, organización egipcia, incluida por Rusia a principios de los 2000 en la lista de grupos terroristas. No obstante, en la análoga lista estadounidense dicha organización, a diferencia del HAMAS, no aparece. ¿Por qué será?
Todo parece indicar que la razón radica en la diferente “especialización” de estos grupos: Hamas se dedicaba a luchar principalmente contra Estados Unidos e Israel, mientras que los “Hermanos musulmanes” todavía durante la URSS solían llevar a las regiones musulmanas del país literatura ilegal. Así que la Unión Soviética luchaba contra las organizaciones islamistas antisoviéticas y Estados Unidos contra aquellas anti-estadounidenses. Por otra parte, para los terroristas Rusia no es sino parte del mundo occidental, la periferia del gran mal.

Dicho sea de paso, tanto durante el conflicto entre Armenia y Azerbaiyán por la región de Alto Karabaj como durante las dos guerras ruso-chechenas, en el territorio de la antigua URSS operaron “voluntarios” de los países islámicos, procedentes de Egipto, Yemen, Arabia Saudí y otros. Es decir, eran súbditos de aquellos “regímenes” que corren el peligro de desaparecer  en caso de llegar hasta allí los ánimos revolucionarios que se produjeron en Egipto, un país clave en el mundo árabe.
En su momento se logró frenar las actividades de los terroristas árabes en Chechenia gracias a que Moscú llegó a un entendimiento con el régimen de Hosni Mubarak y de otros países árabes. El argumento de Moscú fue convincente: tras utilizar el Cáucaso Norte como polígono para entrenar métodos de lucha violenta, los fundamentalistas pasarán a crear más problemas en los países árabes. 
De todos los Estados del Oriente Medio, fueron precisamente las antiguas autoridades egipcias las que colaboraron con Rusia de manera más activa y, en concreto, el director de los servicios secretos egipcios, el actualmente desaparecido de la escena Omar Suleiman.
 A pesar de las declaraciones de los “Hermanos musulmanes” de que a los rebeldes en el Cáucaso ruso se brindaba exclusivamente ayuda ideológica, las autoridades egipcias consiguieron controlar con mano férrea  no sólo a los miembros de la organización clandestina, sino a los estudiantes rusos de las universidades egipcias que sucumbieron a las persuasiones de éstos. ¿Se logrará llegar a cooperar de una manera semejante con las nuevas autoridades del país?


¿Puede pasar esto aquí?
No puede sorprender, sin embargo, que sea en los países de la Comunidad de Estados Independientes (CEI) (y no en Rusia) donde se lea con más atención la lista elaborada por Time sobre los dictadores que han de caer muy pronto.

En relación a los acontecimientos ocurridos en Egipto y Túnez, la postura oficial de algunos gobiernos en el oriente postsoviético se puede resumir con el título de la famosa novela de Sinclair Lewis: “Eso no puede pasar aquí”.
Los expertos en esos países señalan lo poco consistentes que son las especulaciones  sobre las supuestas tradiciones propias que hacen imposible la caída de los regímenes existentes desde Brest hasta Vladivostok.

A esto hay que añadir que cualquier grupo político con fuerzas suficientes para alcanzar el poder mediante una revuelta o golpe de Estado sería peor para esos países que el Gobierno actualmente en el poder. Es una realidad del mapa político de la CEI.
Es evidente que son necesarios cambios, pero estos no deben llegar como resultado de las acciones de un  “usurpador colectivo”, las masas revolucionarias. Es preciso llenar urgentemente de contenido institutos –mortecinos en los últimos años- como las elecciones, la sociedad civil, la oposición y los medios de comunicación independientes.

Y aquí, mucho depende de la voluntad de los líderes de esos países: de su capacidad para distinguir la retórica y las medidas artificiales de la preocupación real por las necesidades del pueblo.
En primer lugar, este contraste entre los éxitos proclamados y la realidad salta a la vista en las cuestiones económicas. El derrocado presidente de Túnez, Zine El Abidine Ben Ali, gustaba de proclamar que, durante los 23 años de su gobierno, la renta per cápita en Túnez se había triplicado, pasando de 1.201 dólares a 3.786.
De acuerdo con los datos oficiales del consejero del presidente de Kazajstán, Ermujamet Ertysbaev, en los últimos 16 años de gobierno del presidente Nazarbaev, la renta per cápita se ha elevado de 700 a 9.000 dólares. En el papel, el salto es todavía más impresionante que en el caso de Túnez… y, sin embargo, no estaría de más recordar cómo han crecido los precios de los alimentos, la gasolina y la vivienda durante ese período.

No es hambre lo que provoca las revoluciones
Como muestra la experiencia histórica, las revoluciones no ocurren cuando la gente se muere de hambre, sino cuando desde una situación de estabilidad y moderado crecimiento económico se producen caídas pronunciadas en un período breve de tiempo.

Son muy pocos los líderes autoritarios que han podido dejar el poder con dignidad, evitando este tipo de revueltas. Además del líder de Singapur, Lee Kuan Yew, citado por Ertysbaev, sólo es posible citar aquí a dos mandatarios europeos: el francés Charles de Gaulle y el finlandés Urho Kekkonen (que gobernó en Finlandia con intervalos entre 1956 y 1982). Pero no hay que olvidar que estos últimos gobernaron en una época en la que todavía no existía Internet y durante un período de fortísimo crecimiento económico en Occidente. Nada parecido se vislumbra ahora en el horizonte económico.
Y esta distancia entre los éxitos proclamados y la realidad del país no se da sólo en la economía. El Gobierno egipcio estaba muy orgulloso de los logros alcanzados en el desarrollo cultural del país, como por ejemplo la reconstrucción de la Biblioteca de Alejandría; todos los años se ampliaban las filas de la unión egipcia de escritores. Pero casi nadie se preocupaba del efecto real de las inversiones realizadas en tales proyectos. De hecho, con unas elevadas tasas de analfabetismo, serían pocos los egipcios capaces de valorar proyectos como los de la biblioteca.

Estas cuestiones, sin embargo, preocupaban poco a Mubarak, satisfecho con el sistema de poder que se había construido. En una entrevista concedida en 2007 a la arabista Elena Supónina, comentarista del periódico Vremia Novostei, Mubarak se permitió el lujo de aconsejar a Putin que se presentara a la reelección por tercera vez, haciendo caso omiso de las protestas de la oposición.
No parece hacerse tampoco demasiadas preguntas el presidente de Kazajstán, Nursultán Nazarbaev, que acaba de convocar unas elecciones presidenciales extraordinarias para el tres de abril. Pero las preguntas que se ignoran durante demasiado tiempo, tienen la mala costumbre de reaparecer después, sólo que en un tono mucho más alto…

LA OPINIÓN DEL AUTOR NO COINCIDE NECESARIAMENTE CON LA DE RIA NOVOSTI


segunda-feira, fevereiro 21, 2011

Mikhail Gorbatchov faz duras críticas ao dueto Putin/Medvedev


O antigo Presidente soviético, Mikhail Gorbatchov, fez hoje duras críticas ao Presidente russo, Dmitri Medvedev, e ao primeiro-ministro Vladimir Putin, acusando-os de monopolizar as eleições presidenciais de 2012.

“Isso não me agrada. Não me agrada a forma como eles se comportam”, declarou ele, numa conferência de imprensa em Moscovo.

Segundo o pai da perestroika, “isso [a eleição do novo Presidente da Rússia] não é tarefa de Putin, é tarefa dos eleitores”.

“Mas será que não se pode eleger outro?” – perguntou Gorbatchov, e respondeu: “penso que há falta de humildade quando Vladimir Vladimirovitch [Putin] diz que se vai sentar com Dmitri Anatolevitch [Medvedev] e acordar qual deles se vai candidatar a presidente”.

“Isso é de uma vaidade incrível!”, exclamou.

O antigo dirigente soviético considerou que a Rússia se encontra a meio do caminho rumo à democracia, mas parou.
“Penso que não fomos além de metade do caminho. Temos um parlamento, tribunais, um presidente e um primeiro-ministro, mas são mais imitações, não há trabalho eficaz, principalmente dos tribunais e do parlamento”, frisou.
Gorbatchov considerou que o Partido Rússia Unida, do primeiro-ministro Putin, não passa da “pior cópia do Partido Comunista da União Soviética”, não excluindo a possibilidade de vir a criar um partido social-democrata.
“Tenho muita pena de os dirigentes atuais não serem muito atuais”, observou.
O político criticou também a forma como foi conduzido o processo de Mikhail Khodorkovski, ex-patrão da petrolífera Yukos, e do seu sócio Platon Lebedev.
“Acredito nela, acredito plenamente. Penso que isso deve ser alvo de investigação”, afirmou Gorbatchov ao comentar as declarações de Natália Vassilevna, funcionária do Tribunal de Moscovo que afirmou que a sentença de Khodorkovski e Lebedev, que os condenou a novas penas de prisão em finais de dezembro, não foi escrita pelo juiz do processo, mas por instâncias superiores.
“No caso Khodorkovski há muitas coisas que me deixam perplexo, tal como a vocês. Não foi feita uma avaliação justa e juridicamente fundamentada da forma como Khodorkovski fazia os seus negócios”, frisou.
Porém, concluiu: “mas se ficar provado que eles derramaram sangue, devem responder por isso”.

domingo, fevereiro 20, 2011

Presidente Lukachenko nas tintas para a opinião do Ocidente



Alexandre Lukachenko, Presidente da Bielorrússia, declarou que não se preocupa com a opinião do Ocidente sobre o julgamento de militantes da oposição e condena a "paneleirice".
Os opositores são acusados de terem provocado desordens na capital bielorrussa depois  de serem anunciados os resultados das eleições presidenciais, a 19 de dezembro, que deram a vitória absoluta a Lukachenko.
O primeiro opositor a ser julgado foi, na véspera, condenado a quatro anos de prisão.
“Estou-me nas tintas para todos os comentários deles. As pessoas (no ocidente) são más e desonestas, não se pode conversar com elas, nem estabelecer relações”, disse ele aos jornalistas.
O dirigente bielorrusso diz saber o que o Ocidente tencionava fazer na Bielorrússia.
“Eles perderam aqui e tentam agora justificar-se. Gastaram na Bielorrússia centenas de milhões de dólares, dividiram-nos com a oposição bielorrússia e agora tentam justificar-se e gritar que aqui há presos políticos”, exclamou.
“Aqui não há presos políticos, mas bandidecos comuns, com cadastro”, acrescentou.
O Presidente bielorrusso não poupou também críticas aos defensores dos direitos das minorias sexuais.
“Vieram aqui uns grandes ativistas, de orientação correta ou incorreta. E começaram a criticar-me por eu ter condenado a “paneleirice”. Eu não gosto de “paneleiros” e disse que não gosto. Os ministros dos negócios estrangeiros ficaram ofendidos comigo. Mas porquê?”, perguntou ele.
“Vivemos numa sociedade democrática e, além disso, eu sou presidente. Tenho o direito de exprimir a minha opinião”, frisou.
“Eu disse (ao ministro alemão dos Negócios Estrangeiros) isso sincera e pessoalmente. É preciso ter um modo de vida normal”, precisou.
Lukachenko concluiu: “Se na Alemanha e na Polónia podem fazer isso, que façam. Nós não precisamos disso aqui”, exclamou, reconhecendo que “infelizmente, também no nosso país não haja falta desse “bem””.
O dirigente bielorrusso respondeu assim à decisão da União Europeia de congelar os ativos de mais de 150 altos funcionários bielorrussos e de proibir a sua entrada na UE.

sábado, fevereiro 19, 2011

Primeira estação orbitral soviética partiu da Terra há 25 anos



A estação espacial soviética MIR, o primeiro complexo de investigação científica instalado fora da Terra, foi lançado há precisamente 25 anos, tendo girado em torno do planeta até 23 de Março de 2001.
O projeto de construção de estações órbitrais habitadas começou a ser elaborado em 1976 pela união científico-produtiva soviética “Energia”.
Em 1979 começou a ser fabricado o bloco central, bem como equipamentos de bordo e científicos. Porém, em 1984, todos os recursos foram canalizados para o programa de fabrico do vaivém soviético “Buran”, o que atrasou o lançamento da estação MIR.
A construção da primeira estação espacial foi retomada devido à insistência de Grigori Romanov, secretário do Comité Central do Partido Comunista da União Soviética, que ordenou que os trabalhos ficassem terminados até ao XXVI Congresso desse partido, que se realizou entre 25 de fevereiro e 6 de março de 1986.
Lançado o bloco central, a estação foi alargada com a acoplagem de seis módulos.
A partir de 1995, a MIR começou a receber tripulações internacionais, tendo-se realizado 14 com astronautas da Síria, Bulgária, Afeganistão, França, Japão, Grã-Bretanha, Aústria, Alemanha, Eslováquia e Canadá.
Além disso, pela MIR passaram 44 astronautas norte-americanos no quadro do programa “MIR-Shuttle”. No total, aí trabalharam 104 astronautas de 12 países
Nos finais dos anos 90 do séc. XX, a estação espacial começou a ter problemas técnicos e o Governo da Rússia, alegando falta de meios financeiros, decidiu “afogá-la” no Oceano Pacífico em Março de 2001.
Esta decisão foi contestada por alguns cientistas e cosmonautas russos, que consideraram que a estação podia ser explorada durante mais tempo.
A MIR foi substituída pela Estação Espacial Internacional.

quinta-feira, fevereiro 17, 2011

Faleceu Arnold Kalinin, primeiro Embaixador soviético em Portugal


 O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia anunciou hoje a morte de Arnold Kalininin, o diplomata que estabeleceu as relações diplomáticas entre a União Soviética e Portugal em 1974.
Segundo uma nota do MNE da Rússia, Arnold Ivanovitch Kalinin faleceu na capital russa após prolongada doença.
O primeiro diplomata soviético em Portugal nasceu em 1929. Em 1951, terminou o Instituto Estatal de Relações Internacionais de Moscovo, o principal centro de formação de diplomatas da URSS e da Rússia.
Entre 1969 e 1974, Kalinin foi Conselheiro da Embaixada da União Soviética em Cuba, de onde foi transferido para Lisboa a fim de abrir a representação diplomática soviética.
Portugal não reconheceu a revolução comunista de outubro de 1917, tendo rompido as relações diplomáticas em 1918. Elas só foram reatadas após o 25 de Abril de 1974.  
Depois de abandonar a capital portuguesa em 1982, Kalinin regressou a Moscovo, mas, no ano seguinte, passou a ocupar o cargo de embaixador da URSS em Angola, terminando a sua carreira diplomática onde começou, em Cuba.
Iulian Semionov, conhecido escritor e jornalista soviético, esteve em Portugal para cobrir as eleições para a Assembleia Legislativa entre Abril e Julho de 1976. No livro de memórias que publicou sobre essa viagem, escreveu: Arnold Kalinin fala brilhantemente bem espanhol e português, goza de respeito em Lisboa e os conselhos que me deu destacaram-se pelo conhecimento escrupuloso dos problemas e pela objetividade total”.
As autoridades soviéticas condecoraram-no com as ordens “Bandeira Vermelha”, “Amizade dos Povos”, bem como com as  medalhas “Por Trabalho Abnegado” e “Veterano do Trabalho”.
“A imagem de Arnold Kalinin, diplomata altamente qualificado, homem trabalhor, bondoso e aberto, ficará para sempre nos corações de seus colegas e camaradas”, lê-se na nota do MNE da Rússia.

quarta-feira, fevereiro 16, 2011

Visita de Medvedev a Itália visa dar novo impulso a relações bilaterais


 A visita do Presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, a Itália, que começa hoje, dará um novo impulso às relações bilaterais, que já se encontram a um nível alto, declarou hoje um porta-voz da diplomacia russa.
O principal objetivo da visita oficial de Medvedev é dar início ao ano da cultura russa em Itália e da cultura italiana na Rússia.
“A visita do Presidente Medvedev é uma nova página qualitativa nas relações entre a Rússia e Itália, que será completada de forma muito boa e harmoniosa pelo início do ano da cultura”, acrescentou Alexandre Lukachevitch, na conferência “Rússia/Itália: perspetivas de desenvolvimento”.
Segundo ele, “a Itália, tradicionalmente, está entre os parceiros estratégicos privilegiados e o estado atual das relações corresponde ao espírito de cooperação criado em todos estes anos”.
Lukachevitch sublinhou que o ano da cultura “mostrará à opinião pública até onde chegaram as nossas relações nas mais diversas áreas”.
Mauricio Massari, representante do Ministério dos Negócios Estrangeiros de Itália, assinalou que “a visita do Presidente Medvedev é um sinal significativo da intensidade da parceria russo-italiana”.
Medvedev irá encontrar-se com o seu homólogo italiano, Giorgio Napolitano, e com o primeiro-ministro Silvio Berlusconi.
No dia 17, o dirigente russo será recebido pelo Papa Bento XVI no Vaticano.
Dmitri Sizonenko, porta-voz da Igreja Ortodoxa Russa, saudou esse encontro, acrescentando que “a Igreja Russa apoia de todas as formas o desenvolvimento de relações harmoniosas entre Estados e igrejas em prol das pessoas”.
O clérigo ortodoxo chamou a atenção a “proximidade de posições que defendem consequentemente o Patriarca Kirill e Bento XVI, manifestando-se contra o aborto, a legalização dos casamentos homossexuais, a eutanásia, experiências médico-biológicas incompativas com a doutrina cristã”.

terça-feira, fevereiro 15, 2011

Rússia assinala o dia da memória dos soldados que combateram fora das suas fronteiras


A Rússia celebra hoje pela primeira vez o “Dia da Memória dos russos que cumpriram o seu dever para além das fronteiras da Pátria”.
Este dia foi escolhido porque, a 15 de fevereiro de 1989, o último soldado soviético abandonava o território do Afeganistão depois de uma aventura militar de nove anos que custou a vida a mais de 13 mil militares soviéticos.
Segundo a lei “Sobre os dias da glória militar e datas memoráveis da Rússia”, este dia visa prestar homenagem “aos cidadãos que deram provas de dedicação e fidelidade à Pátria durante combates fora das fronteiras do nosso país depois da Segunda Guerra Mundial, cumprindo os compromissos internacionais da URSS e da Rússia de prestação de ajuda militar a países amigos”.
“A nova data memorial visa contribuir para o reforço da consciência patriótica dos cidadãos da Rússia”, lê-se na lei.
Os historiadores russos calcularam que, depois da Segunda Guerra Mundial, 1 milhão e 500 mil soldados e oficiais soviéticos e russos participaram em conflitos fora das fronteiras do país, tendo perdido a vida 25 mil.
Militares soviéticos e russos participaram em mais de 30 conflitos, nomeadamente em países como Coreia, Vietname, Egito, Síria, Afeganistão, Moçambique e Angola.
Em conformidade com dados oficiais, 11 mil soldados e oficiais soviéticos combateram em Angola entre 1975 e 1991, tendo morrido 54.
Por Moçambique passaram 4 mil conselheiros militares soviéticos entre 1975 e 1991, 21 dos quais morreram nessa antiga colónia portuguesa.
A última intervenção de soldados russos para além das fronteiras do seu país ocorreu em Agosto de 2008, quando, a pretexto da “garantia da segurança e da defesa dos cidadãos da Rússia”, tropas de Moscovo entraram no território da Geórgia e ocuparam duas regiões separatistas georgianas: Ossétia do Sul e Abkházia.

O que é nacional é bom!



Texto escrito para a Agência Lusa:

"A “Indústrias de Carnes do Minho”(ICM),  uma das empresas do grupo português Primor, começou a exportar carne de porco há menos de um ano para a Rússia, mas já conseguiu vender cerca de 2 500 toneladas, no valor de 3,5 milhões de euros.
“Estamos neste mercado há menos de um ano e estamos muito satisfeitos com os resultados. Vendemos cerca de 2 500 toneladas de carne de porco congelada no valor de 3,5 milhões de euros”, revelou à Lusa Pedro Pinto, presidente do conselho de administração do grupo Primor.
“Mas não vamos ficar por aqui. O nosso objetivo é duplicar o volume de exportações de carne de porco para a Rússia, bem como explorar novos setores, nomeadamente vender charcutaria de alta qualidade”, acrescentou ele, numa reunião de apresentação de numerosos produtos derivados de carne na capital russa.
Segundo ele, “a Rússia é um mercado muito exigente, mas nós temos produtos de alta qualidade. Por isso, estamos confiantes no êxito”.
As exportações de carne da ICM para a Rússia são feitas através da multinacional MMC World SA, com sede no Porto.
Segundo Carlos Silva, presidente da MMC World SA, esta empresa exporta carnes de Portugal e de vários países da América Latina para a Rússia, China, Angola.
“Temos um armazém em São Petersburgo, mas tencionámos alargar a nossa atividade na Rússia a fim de expandir o negócio das carnes”, declarou ele à Lusa.
O presidente da MMC reconheceu que foi difícil o processo de certificação de carnes no mercado russo, mas acrescentou que esse problema já está superado.
A apresentação dos produtos da Primor realizou-se no âmbito da Feira Internacional de Produtos Alimentares “Prodexpo-2011”, a maior exposição do género realizada na Rússia.
Na Prodexpo-2011 marcaram presença dez empresas portuguesas que produzem e exportam vinhos, azeite, queijos e carnes". 

Novo escandalo no caso Khodorkovski e Lebedev



As declarações de que o veredito do caso Khordorkovski e Lebedev teria sido imposto ao juiz Victor Danikiln (na foto) constituem uma provocação, declarou aos jornalistas Anna Ussatchova, porta-voz do Tribunal de Moscovo.
Natália Vassilevna, representante do Tribunal Khamovnik de Moscovo, onde foi julgado o antigo patrão da petrolífera YUKPS e o seu sócio Platon Lebedev, declarou, numa entrevista à televisão Dojd que a sentença foi imposta ao juiz, de quem era auxiliar.
“A sentença de Mikhail Khodorkovski foi escrita por juízes do Tribunal de Moscovo e imposta ao juiz do processo Victor Danilkin”, frisou.
Segundo ela, o juiz “devia falar com o Tribunal de Moscovo sobre todos os momentos litigiosos que ocorriam nas sessões. Ou seja, quando acontecia alguma coisa, quando algo corria mal, ele devia informar o Tribunal de Moscovo e receber ordens”.
“As declarações de Vassilieva constituem uma provocação. É evidente que ela não conhece os princípios básicos da justiça. Danilkine conduzia o processo há dois anos e era a única pessoa que podia escrever a sentença”, sublinhou Ussatchova.
O juiz Danilkin já veio desmentir também as declarações da sua auxiliar.
O advogado de Khodorkovski, Vadim Kliuvgant, manifestou “a esperança de que não se trate de uma provocação”, mas acrescentou que as declarações de Vassilieva não são uma surpresa para a defesa.
“Afirmámos mais de uma vez publicamente que o juiz não tinha autonomia para emnitir o veredito”, recordou.
Khodorkovski e Lebedev foram condenados a 14 anos de prisão por roubo de petróleo e branqueamento de capitais em finais de dezembro de 2010.

segunda-feira, fevereiro 14, 2011

Russo e italiano pisaram “superfície marciana”





O russo Alexandre Smilievski e o italiano Diego Urbina pisaram hoje, pela primeira vez, “a superfície marciana” no quadro da experiência internacional Marte 500, informa o Centro de Controlo de Voos Espaciais da Rússia.
Numerosos jornalistas presenciaram ao emocionante momento em direto, através de um ecrã instalado no Centro, nos arredores de Moscovo. Às 9.00 horas de Portugal Continental, Smolievski e Urbina pousaram os seus pés na “superfície marciana” que, neste caso, se encontra a apenas alguns quilómetros de distância, num módulo construído para a experiência no Instituto de Problemas Bio-Médicos de Moscovo (IPBM).
“Os “astronautas” colocaram na superfície as bandeiras da Rússia, China e Agência Espacial Europeia (ESA) e fizeram um breve discurso de saudação em russo e inglês, depois do qual procederam ao programa de exploração no terreno.
Smolievaki, Urbina e outros quatro voluntários rigorosamente selecionados vivem fechados desde junho passado, por um período de 520 dias, num simulador de uma nave espacial que viaja a Marte.
Chegados ao Planeta Vermelho no passado 12 de fevereiro, a tripulação separou-se em dois grupos. Um ficou a bordo da nave na órbita marciana, enquanto que o outro vai realizar, nos próximos dias, visitas à superfície.
A de hoje foi a primeira. A segunda, em que participarão Smolievski e o chinês Wang Yue, está prevista para o próximo 18 de fevereiro. A última, realizada por Smolievski e Urbina, realizar-se-á a 22.
Durante os desembarques, os participantes da experiência vão explorar o terreno com a ajuda de dois veículos robotizados, farão perfurações para encontrar água e realizarão outros simulacros.
O módulo de aterragem deixará a “superfície marciana” no próximo 23 de fevereiro e, no dia seguinte, acoplará à nave principal. A viagem de regresso à Terra começará a 1 de Março.
A Rússia está representada no Marte 500 por três voluntários: Alexei Sitev, chefe da expedição, o médico Suirob Kamolov e o investigador Alexander Smolievski. São acompanhados pelo francês Roman Charles, engenheiro de bordo, pelo italiano Diego Urbina e pelo chinês Wang Yue.
O objetivo da experiência consiste em testar os mecanismos de adaptação fisiológica e psicológica às condições de um voo autónomo de longa duração, as particularidades das relações entre os tripulantes e o centro de controlo, assim como o funcionamento de sistemas vitais e de investigação.
Cada um dos voluntários irá receber cerca de 80 mil euros pelos 520 dias de viagem.
Os “astronautas” vivem num espaço de 550 metros cúbicos e contatam com o mundo exterior basicamente através do correio eletrónico.
A “viagem a Marte” pode ser seguida através do Google.