terça-feira, junho 10, 2014
Camões: o maior dos nossos poetas na Rússia.
quarta-feira, junho 08, 2011
Contributo para História de Portugal (Camões é exemplo de poeta épico na Rússia)
quinta-feira, outubro 16, 2014
Um Camões mais russo
quinta-feira, abril 24, 2008
Festa da Língua Portuguesa em Moscovo
Na véspera do 25 de Abril, a festa da língua de Camões começou com a invocação da Revolução dos Cravos e a canção Grandola, Vila Morena, interpretada por um grupo de alunos e alunas do primeiro ano do Instituto de Relações Internacionais.
Depois, em curtos skatches humorísticos, os futuros diplomatas e tradutores, que irão manter as relações diplomáticas, políticas e culturais entre a Rússia e os Países de Língua Portuguesa, satirizaram “As aventuras de um brasileiro em Portugal”, onde abordaram os desentendimentos linguísticos entre portugueses e brasileiros.
Numa discussão de café, alunas de português do Instituto de Relações Internacionais de Moscovo revelam as suas experiências da estadia em Portugal e discutem o boato da “transferência de Quaresma do F.C.do Porto para o Benfica”.
Nem os professores escaparam à sátira, sempre em língua lusa, dos seus próprios alunos. O professor João Mendonça, leitor do Instituto Camões na Rússia, foi um dos alvos do humor cáustico, mas saudável e correcto do ponto de vista linguístico. O aluno russo que o imitou foi fortemente aplaudido devido ao excelente trabalho na cópia de gestos, expressões.
Catarina Mikhalevitch, aluna do 4º ano de Relações Internacionais interpretou a “Banda” de Chico Buarque e “Não há estrelas no céu”, de Rui Veloso, revelando uma boa dicção e pronúncia, tanto na vertente brasileira como na portuguesa.
Um dos pontos altos do programa foi o skatche “Fonseca”, onde dois estudantes do 4º ano de Relações Internacionais contribuíram para a boa disposição da numerosa plateia, não ficando muito atrás do “Gato Fedorento”. Funcionários russos da Embaixada do Brasil em Moscovo também quiseram participar na festa com alegres canções tropicais, animando ainda mais a plateia.
Para terminar, alunos do primeiro ano de Língua Portuguesa da Universidade Estatal de Moscovo interpretaram a canção de Zeca Afonso “Somos filhos da madrugada”.
Porém, houve ainda uma surpresa. Zé Maria Boyoth, poeta e cantor angolano, é 3º secretário da Embaixada de Angola na capital russa e não se recusou a pegar na guitarra e a interpretar algumas das suas canções. Além de alunos e professores de português, na festa estiveram também presentes representantes diplomáticos de Portugal, Brasil, Angola e Moçambique.
Actualmente, mais de duzentos alunos estudam a língua de Camões em vários institutos e universidades de Moscovo e São Petersburgo.
quarta-feira, junho 08, 2011
Contributo para História de Portugal ( Primeira tradução integral russa dos Lusíadas "morreu" no cerco de Leninegrado )
quarta-feira, maio 28, 2008
Música coral portuguesa em São Petersburgo
Vinte e sete coralistas, dirigidos pelo maestro português João Tiago Santos, pretenderam transmitir aos ouvintes um amplo leque de obras da música coral, que abrange quatro séculos.
Na primeira parte, o coro interpretou Kyrie, de Manuel Cardoso (cerca de 1566-1650), Audivi vocem de caelo, de Duarte Lobo (cerca de 1565-1646), Laudate Pueri, de Lopes Morago (cerca de 1575 - depois de 1640), Regina caeli laetare, de João Rodrigues Esteves (1699-1755), e três cantigas e vilancetes do Cancioneiro Musical d’Elvas.
Na segunda parte do espectáculo, o centro das atenções virou-se para a música coral portuguesa do Século XX: Males de Amor, de Claudio Carneyro (1895-1963), Quatro Canções, de Joly Braga Santos (1924-1988), Das oliveiras frutos redondos, de Fernando Lopes Graça (1906-1994), Ó meu menino e Ó Senhora do Amparo!, de Eurico Carrapatoso (1962) e o tema popular português Tia Anica de Loulé.
O concerto, que teve casa cheia, foi organizado e patrocinado pelo Instituto Camões.
No início desta iniciativa, que coincidiu com o dia da fundação de São Petersburgo, João Mendonça João, leitor do Instituto Camões, quis sublinhar que se tratava de “uma prenda portuguesa para a cidade mandada edificar por Pedro, o Grande”.
“Além do mais, trata-se do primeiro concerto de música coral portuguesa na Rússia e esperamos que seja o reinício da presença musical lusa em São Petersburgo” - acrescentou.
Entre os séculos XVIII e XX, Portugal “exportou” para o Império Russo músicos e cantores de renome mundial. As salas de espectáculos de São Petersburgo ouviram obras de compositores lusos como Domingos Bomtempo e Marcos Portugal e intérpretes como Vianna da Mota. A cantora lírica Luísa Todi e a fadista Amália Rodrigues foram também aplaudidas na cidade.
Mais recentemente, em São Petersburgo actuaram os pianistas portugueses Maria João Pires e Filipe Pinto-Ribeiro.
Tratando-se do primeiro evento do género, o Instituto Camões optou por convidar os estudantes e professores de português das escolas superiores de São Petersburgo.
João Mendonça João disse à agência Lusa que cerca de 70 estudantes frequentam cursos de língua portuguesa na Universidade de São Petersburgo e no Instituto Pedagõgico Herzen.
“Claro que é sempre um risco apresentar pela primeira vez a cultura musical de um país pouco conhecido e longínquo. Mas, por outro, a novidade desperta a curiosidade dos ouvintes” - declarou à Lusa Mikhail Golikov, director artístico do Coro de Câmara “Vozes Jovens de São Petersburgo”.
O maestro João Tigao Santos reconheceu algumas dificuldades dos intérpretes russos:“como se tratou de um reportório absolutamente novo, tivemos algumas dificuldades com a língua, ou mais precisamente, com a fonética, estranha ao ouvido russo. Por isso, tivemos mesmo de ajustar o reportório”.
“O público teve mais sorte, porque recebeu a tradução para russo das canções por nós interpretadas. Esse trabalho foi realizado por alunas da Universidade Estatal de São Petersburgo” - acrescentou.
O maestro João Tiago Santos nasceu em Lisboa em 1977. Formado em direcção coral na Escola Superior de Música de Lisboa, encontra-se presentemente a realizar uma segunda licenciatura em direcção de orquestra no Conservatório de São Petersburgo.
Nesta cidade apresentou-se em concertos com as obras “Cinderela”, de António Spadaveccia, “Cosi fan tutte”, de Mozart, “Sheherazade”, de Rimski-Korsakov, “Romeu e Julieta” de Tchaikovski e “Nona Sinfonia”, de Shostakovitch.
P.S. Foi um espectáculo muito bonito, a bela sala de espectáculos estava cheia e o ambiente aí reinante foi fantástico.
Além disso, desta vez, a minha ida a São Petersburgo ficou também marcada por ter conhecido vários portugueses que vivem nessa cidade. Mais tarde, quando tiver tempo, escreverei sobre a Irmã Maria Teresa, que trabalha na Igreja de Santa Catarina, o pianista Luís Vasco e o cozinheiro Emídio Martinho. Tudo boa gente que, com os muitos amigos dos mais vários países do maestro João Tiago e do leitor João Mendonça João, criaram um momento único.
O maestro João Tiago tem um blogue Nevskiy Prospekt, que recomendo
segunda-feira, março 21, 2011
Bloqueio de Leninegrado impediu primeira edição em verso dos Lusíadas em língua russa
quarta-feira, setembro 14, 2011
Faleceu pioneira do ensino da língua e literatura portuguesa na URSS
terça-feira, março 15, 2011
Novo compêndio de português para russos publicado na Rússia e Portugal
segunda-feira, outubro 05, 2009
Obras do compositores portugueses enchem Sala do Conservatório de Moscovo
O Coro de Câmara “Academia”, da Academia Russa de Música Gnessin, interpretou, sob a direcção do maestro português João Tiago Santos, obras de compositores portugueses do séc. XVI a séc. XX: Duarte Lobo, Lopes Morago, Rodrigues Esteves, Claudio Carneyro, Joly Braga Santos, Fernando Lopes Graça e Eurico Carrapatoso.
Após o concerto, o maestro João Tiago Santos não escondia a satisfação pela grande adesão do público russo à música coral portuguesa, pouco conhecida na Rússia.
"Como já tem acontecido em ocasiões anteriores, os músicos russos, num primeiro contacto, mostram uma certa desconfianca em relação ao nosso repertório. Mas ao longo dos ensaios, essa desconfianca foi-se transformando em empatia, e no concerto o coro interpretou a nossa música com grande entusiasmo. Acima de tudo, penso que conseguimos transmitir ao publico moscovita o espirito da nossa musica", declarou à Lusa, por telefone, o maestro português.
"O concerto insere-se na política que tem sido seguida pelo Instituto Camões de divulgação da cultura portuguesa. É bastante relevante o facto de o nosso repertório ser interpretado por músicos russos. Para grande satisfação nossa, verificou-se que os próprios músicos começaram a incluir algumas destas peças nos seus próprios programas”, acrescentou à Lusa João Mendonça João, leitor do Instituto Camões na Rússia.
“ Deste modo”- continua o organizador do evento - “alcança-se o objectivo ambicioso de ver a execução do nosso repertório alargada a outros coros. Para além do mais, a descoberta do património coral português suscitou tal curiosidade no seio dos músicos que se planeia ministrar um seminário de história da música portuguesa na Academia Russa de Musica Gnesin”.
João Tiago Santos é aluno finalista em Direcção de Orquestra no Conservatório de São Petersburgo, na classe do maestro Vassily Sinaisky. Participou em master-classes com Kurt Masur, Jorma Panula e Osvaldo Ferreira.
Apresenta-se em concertos em várias cidades da Rússia e do Brasil. Dirigiu a Orquestra Sinfónica Kapella de S. Petersburgo, Filçarmónica de Tomsk (Sibéria) e as orquestras sinfónicas dos festivais de Campos do Jordão e Curitiba.
Enquanto maestro de ópera, dirigiu, em São Petersburgo, “Cosi fan tutte” de Mozart e “Evgueni Oneguin de Tchaikovski.
João Santos é bolseiro do Instituto Camões.
terça-feira, abril 22, 2014
Afinal devo estar rico e não sabia...
segunda-feira, maio 19, 2008
Chamem a polícia!
Como não podia deixar de ser, fui mostrar-lhes o Mosteiro dos Jerónimos e, junto do túmulo do nosso grande poeta Luís de Camões, falava-lhes da vida e obra do poeta, das traduções das suas obras, dos reflexos da sua obra na Rússia, ou seja, um daqueles lugares onde temos orgulho de ser portugueses. Nem todos os poetas portugueses viram as suas obras vertidas para russo, nem todos os poetas lusos tiveram o privilégio de serem citados e elogiados por russos de renome como Lomonossov, Jukovski, Puchkin, etc.
Mas, de súbito, à minha frente surgiu um homem que aparentava ser guia turístico e começou a "pregar-me um sermão" no latim moderno, ou seja, em inglês.
Os três russos ficaram estupefactos ao ouvirem o dito homem dizer que eu não tinha direito de estar com eles ali, ao lado do túmulo de Camões, nem no Mosteiro dos Jerónimos.
Quando ele terminou o discurso, virou a costas e foi ter com os seus turistas, mas, quando eu reatei o relato, voltou para trás e dirigiu-se uma vez mais a mim novamente em inglês.
Olhei para ele e perguntei-lhe se falava português. Quando me respondeu que sim, perguntei-lhe que me explicasse o que é que queria de mim. Ele respondeu-me: "Você não tem direito a estar aqui a falar com essas pessoas, porque não é guia turístico!"
Não obstante eu lhe ter dito que, daquela vez, eu não estava a servir de guia, mas que estava apenas a acompanhar os meus amigos, o guia voltou à carga e disse-me: "Vocês não podem ser mais de três".
Comecei-me a rir porque me lembrei do velho hábito russo de beber vodka a três, mas o homem é que não achou graça nenhuma à minha reacção.
"Vou chamar a GNR! Vou trazer aqui a GNR!" - disse homem com um ar claramente nervoso.
"Chame, eu vou ficar aqui à espera!" - respondi eu.
Os meus amigos russos perguntaram se não era melhor a gente se ir embora para não ter problemas, mas eu expliquei que não estava a cometer crime nenhum e que, provavelmente, o guia já tinha abandonado a ideia de ir chamar o agente da GNR. O que veio a acontecer.
Para que o leitor compreenda a "acção patriótica" do guia, tenho de fazer uma adenda a este texto. Efectivamente, em Portugal, só pessoas devidamente autorizadas é que podem fazer excursões com turistas e isso até teria sentido se o nosso país estivesse preparado para reagir atempadamente aos desafios do mundo moderno.
Na realidade, as escolas de turismo limitam-se a preparar guias com o conhecimento das línguas portuguesa, inglesa, espanhola, francesa, e pouco mais. Os novos mercados praticamente não são levados em conta.
Por exemplo, os russos visitam Portugal como destino turístico há pouco mais de dez anos. No ano passado, o Ministério da Economia registou quase 20 mil turistas russos, mas no nosso país há apenas seis (repito, seis!) guias que sabem falar língua russa. Tendo em conta a legislação rígida portuguesa face ao trabalho dos guias, a maioria desses turistas deveria ficar "a ver navios", isto porque os russos preferem que falem com eles na língua deles no estrangeiro, vendo nisso um motivo de orgulho. Além disso, há muitos russos que não falam outra língua.
Nesta situação, as pessoas que sabem russo e conhecem a História de Portugal vêem-se obrigadas a trabalhar "clandestinamente", o que é um profundo absurdo.
Lanço daqui um apelo directo ao Dr. Bernardo Trindade, Secretário de Estado do Turismo. O doutor Bernardo tem feito muito para fazer de Portugal um país de turismo para os russos. Na última exposição de turismo de Moscovo, o doutor esteve entre os que organizaram um pavilhão de que não podemos ter vergonha.
Porém, considero que é preciso resolver o problema dos guias para línguas exóticas como o chinês, russo, polaco, japonês, etc.
E aos guias portugueses de turismo apenas posso dizer. As pessoas que trabalham com turistas russos não são vossos concorrentes, porque falam uma língua que muito poucos de vocês falam. Seria mais importante que contribuissem para que as nossas escolas de turismo acompanhem o progresso. Isso seria bom para todos. Penso eu!...
terça-feira, janeiro 31, 2012
Que faz a CPLP no domínio da divulgação da língua portuguesa?
sexta-feira, março 09, 2007
Rastos lusos em São Petersburgo
O nome e a actividade do iluminista português, António Ribeiro Sanches, estão estreitamente ligados à cidade de São Petersburgo, construída pelo czar Pedro I como “janela para a Europa”.
Daí este génio da época das luzes ter estado no centro das atenções da segunda etapa do ciclo de conferências dedicado às relações russo-português. A primeira parte decorreu em Moscovo e a segunda em São Petersburgo, na universidade local, com o apoio do Instituto Camões.
Tanto mais que, como sublinhou Pedro Calafate, professor da Universidade de Lisboa, os seus escritos continuam actuais.
“Gosto tanto da Rússia quanto lhe devo, e devo-lhe tudo o que possuo e tudo o que sou” – escrevia Ribeiro Sanches na obra Plano para a Educação de um Jovem Senhor.
Este amor e respeito pela Rússia levou o médico português a recomendar aos czares russos o respeito pela “propriedade dos bens”, bem como pela liberdade interior de querer ou não querer, amar, aborrecer, julgar ou não julgar, ver ou não ver, que são acções interiores que se passam dentro de nós”.
“A questão do primado – afirmou Pedro Calafate – afigurou-se essencial no seu combate pela reforma da sociedade russa, na qual a vontade do czar tendia a ser considerada como fonte única da lei”.
Segundo o professor português, Ribeiro Sanches dedica-se, na sua obra Sobre a Cultura e as Belas-Artes no Império da Rússia, a essa questão, “mostrando que uma monarquia pode ser governada de dois modos”. O primeiro por simples decretos, sem respeito pela propriedade e pela liberdade, atropelando o direito natural que é a base do direito histórico, oscilando ao sabor das circunstâncias e dos acidentes, colocando o conjunto da sociedade numa situação de imprevisibilidade e sem poder de antecipação dos actos e decisões.
Ribeiro Sanches é adepto do segundo modo: aquele que verdadeiramente propunha à sociedade e nobreza da Rússia, era o que se baseava em leis fixas, dispostas pelos tribunais, assegurando a liberdade e a propriedade dos bens a todos os indivíduos.
Nesta conferência, abordaram-se também a vida e a obra de famílias portuguesas ligadas à história de São Petersburgo, seguida de uma visita pela cidade-museu.
O Palácio de Menchikov, o primeiro grande edifício construído depois de Pedro I ter decidido edificar a nova capital russa nas margens do rio Neva. Aí, António Vieira, cristão-novo português organizou as primeiras “assembleias”, ou seja, festas para a nobreza russa.
A casa situada na Rua Moika, 12, onde, após ter sido ferido num duelo, faleceu o grande poeta russo Alexandre Puchkin, a 27 de Janeiro de 1837. Junto ao leito dele encontrava-se Juliana Strogonova, filha da Marquesa de Alorna, poetisa portuguesa.
A Praça do Senado, onde, a 14 de Dezembro de 1825, um grupo de oficiais russos organizou um levantamento armado contra o czar Nicolau I, inspirados, nomeadamente, nas revoluções liberais portuguesas. Do outro lado da barricada, estava João Velho, filho do primeiro consul de Portugal em São Petersburgo, José Velho. Tendo perdido um braço na contenda, João fez uma brilhante carreira militar e administrativa.
Hoje, a língua portuguesa continua viva nesta cidade do Báltico graças ao trabalho de João Mendonça, leitor do Instituto Camões, e professores da língua lusa como o poeta Andrei Rodosski, tradutor de obras de autores portugueses:Francisco Manuel de Melo, Almeida Garret, Alexandre Herculano, João de Deus, Mário de Sá-Carneiro,etc.
Praça do Senado. Estátua equestre de Pedro I
Palácio de Menchikov
terça-feira, março 23, 2010
Português contínua a gozar de alguma procura na Rússia
quarta-feira, junho 04, 2008
Busca do "sentido da vida" e "ideia nacional" atrai leitores russos de Fernando Pessoa

Uma rápida visita à internet russa mostra que o poeta português Fernando Pessoa (1888-1935) está longe de ser desconhecido entre os leitores russos.
Pelo contrário, traduzido por grandes poetas russos como Boris Pasternak, o autor do romance "Doutor Jivago", e Boris Slutski, Pessoa atrai os que andam à procura do "sentido da vida". Outros buscam na sua poesia a "ideia nacional".
"Os leitores russos não procuram a mesma coisa na poesia de Pessoa. Uns estudam na sua obra o fenómeno da heteronimia, que teve nele o expoente máximo e está ligado à tradição de Dostoievski" refere a professora Olga Ovtcharenko, em declarações à Lusa.
"Mas há outros - continua - que concentram as suas atenções na 'Mensagem', porque nela Pessoa estuda e revela a psicologia e ideia nacionais. Actualmente, na Rússia, assistimos a uma crise de identidade, de nacionalidade, daí o interesse pelo poeta português".
Segundo Olga Ovtcharenko, o escritor nacionalista russo Alexandre Prokhanov escreve muito sobre o Quinto Império, "mas as suas ideias sobre esse tema estão na obra de Fernando Pessoa".
Esta estudiosa da Literatura portuguesa reconhece que, primeiro, descobriu Camões e, depois, ao estudar a continuação da tradição camoniana na literatura lusa, chegou ao séc. XX e a Fernando Pessoa.
O seu interesse por Fernando Pessoa já se materializou na publicação de obras como "Fernando Pessoa e a tradição do ocultismo em Portugal", "Prosa oculta", "Concepção de Deus na obra de Fernando Pessoa" e "Problema do destino histórico de Portugal no ciclo poético de Fernando Pessoa".
Andrei Rodossky, professor de Língua e Literatura Portuguesas da Universidade de São Petersburgo, foi um dos que tentaram traduzir Fernando Pessoa para russo, mas desistiu.
"No início da minha actividade de tradutor, debrucei-me sobre 'Mar Português', mas essa tradução não foi publicada por ter um nível baixo e porque foram editadas traduções da obra de Pessoa de muito boa qualidade. Virei-me para Mário de Sá-Carneiro", disse.
Este professor é conhecido entre a comunidade lusófona na Rússia não só pela excelente tradução de obras de Mário de Sá-Carneiro, mas também de outros poetas portugueses modernos.
Rodossky atribui a existência de numerosas traduções da poesia de Fernando Pessoa para russo ao facto de "ele ser um lírico apurado, profundo, e de existirem traduções que dão uma imagem perfeita da sua riqueza poética".
"Obras como a 'Mensagem' são mais populares entre os russos que se interessam pela História de Portugal, enquanto que a maioria dos admiradores de Pessoa se interessa pela sua lírica, de um psicologismo profundo, que reflecte profundamente sentimentos e emoções", sublinha.
"Além disso - continua - a obra de Fernando Pessoa coincide temporariamente com o Século de Prata da poesia russa (primeiro terço do séc. XX). Este período era censurado pelo regime comunista e, quando cai, os russos estudam-no com intensidade, interessam-se pelo que se escrevia na Europa nessa altura e vão dar a Fernando Pessoa, um dos expoentes poéticos da época".
A obra poética de Fernando Pessoa foi numerosas vezes publicada na União Soviética e na Rússia.
Além das traduções de poemas dispersos por conhecidos poetas russos como Boris Pasternak e Boris Slutski (este ocupou-se da poesia do heterónimo Álvaro de Campos), é de salientar a publicação da colectânea "Lírica", com prefácio de Jacinto Prado Coelho, em 1978, "35 sonetos ingleses de Pessoa", traduzido por Valerii Pereleshin, bem como outras colectâneas em 1988 e 1989.
Pereleshin, pseudónimo de Valerii Salatko-Petryshche, foi um poeta que saiu da Rússia em 1917, depois da vitória da revolução comunista. Viveu na China até 1952 e depois no Brasil. É nesse país lusófono que este poeta traduz para russo parte da obra de Fernando Pessoa e alguns sonetos de Luís de Camões.
Mas a maior edição das obras poéticas de Fernando Pessoa (Alberto Caeiro, Ricardo Reis, Coelho Pacheco, Álvaro Campos) foi realizada em 1989 e nela participaram conhecidos tradutores russos de poesia portuguesa como E.Vitkovski, A.Guleskul, A.Kosse, B.Dubin, V.Reznitchenko e S. Aleksandrovski.
Em 1977, Olga Ovtcharenko publica a sua tradução da obra "Mensagem" e Boris Dubin edita em russo "Páginas Dispersas".
No ano seguinte, alguns poemas de Fernando Pessoa são publicados na colectânea "Estrofes do século -2", que reúne poemas dos maiores poetas do século XX.
Em 2006, o poeta português chega de novo aos leitores russos noutra colectânea: "Século da Tradução".
O interesse pela obra de Fernando Pessoa na Rússia aumenta consideravelmente nos últimos anos devido à publicação em língua russa dos romances "Os últimos três dias de Fernando Pessoa", de António Tabucchi, e "Ano da Morte de Ricardo Reis", de José Saramago.
"Foi o primeiro autor que li em português e gostei muito, porque não imaginava que numa língua cheia de "ches" se podia escrever poesia tão lírica e bela", declarou à Lusa Nikita Muraviov, estudante do primeiro ano de língua portuguesa do Instituto de Relações Internacionais de Moscovo.
"É o verdadeiro Pushkin português", qualificou. Alexandre Pushkin é considerado o maior de todos os poetas russos.
A poesia de Fernando Pessoa serve também para vender flores. Várias floristas russas citam o poeta português para promover a sua produção: "E o jardim tinha flores/De que não me sei lembrar... Flores de tantas cores... Penso e fico a chorar...".
Os versos de Pessoa "Se te queres matar, porque não te queres matar?" servem de mote a um estudo do Instituto de Psicoterapia e Psicologia Clínica da Rússia com vista a prevenir o suicídio: "Que dizer a um homem que está no telhado. Texto para impedir suicídios".
segunda-feira, abril 15, 2013
Centro de Língua e Cultura Portuguesas na Rússia comemorou aniversário em crescimento
domingo, fevereiro 15, 2009
Música portuguesa em São Petersburgo
“É uma experiência única. Um público exigente quase enche uma sala de espectáculos de São Petersburgo num concerto onde são intrerpretadas obras de compositores de um país tão pouco conhecido como Portugal”, declarou por telefone à Lusa o maestro João Tiago Santos.
A orquestra interpretou “Modos de Expressão Ilimitada”, de Eurico Carrapatoso; “Abertura D.Inês de Castro”, de Viana da Motta, e “Sinfonia n.1 em ré menor, op. 08, “Aos heróis e másrtires da última guerra mundial””, de Joly Braga Santos.
“Foi um excelente concerto. A sala de espectáculos estava quase cheia, tinha mais de setecentas pessoas, o que é muito bom”, considerou João Mendonça, leitor do Instituto de Camões em Moscovo, que se deslocou a São Petersburgo especialmente para assistir ao concerto.
Depois de cantar durante oito anos no Coro da Gulbenkian e de ocupar o cargo de maestro-assistente da Orquestra do Algarve, o maestro João Tiago ingressou, em 2004, na Faculdade de Direcção de Orquestra do Conservatório de São Petersburgo.Dirigiu a Orquestra do Teatro de Ópera do Conservatório de São Petersburgo e a Orquestra Sinfónica de Tomsk, na Sibéria.
“No início, quando comecei a ensaiar as obras, os músicos da orquestra, que são mais de 80, olhavam com desconfiança, porque não tinham ideia do que iam tocar, mas foram gostando à medida que ensaiavamos”, acrescentou o maestro.
“Eles não estavam à espera que em Portugal se compusesse música clássica de tão alto valor. Foi uma surpresa muito agradável”, frisou João Tiago Santos.
“Todas as três composições foram recebidas muito bem pelo público, que não poupou aplausos”, acrescentou João Mendonça.
O concerto da Orquestra Sinfónica Kapella de São Petersburgo foi patrocionado pelo Instituto de Camões.
Nos próximos dias 21 e 22 de Fevereiro, em Moscovo, a soprano portuguesa Lara Martins interpretará a “Ária de Nicea” da Ópera Testoride Argonauta, de João de Sousa Carvalho, bem como obras de Anton Arensky e Franz Schubert.






