quarta-feira, setembro 30, 2009

Convite para lançamento de meu livro sobre Angola



"O enfoque deste livro, como o próprio título sugere, é uma tentativa, ensaiada pela primeira vez, de colocar em perspectiva uma série de questões altamente contro-versas, e em grande parte desconhecidas, sobre um passado ainda envolto em secretismo: o expansionismo militar soviético na África Austral, mais propriamente em Angola. Para tal, o autor acedeu a documentação dos arquivos russos e entrevistou veteranos de guerra, bem como altas personalidades da política soviética. O presente volume oferece, assim, uma ampla gama de ma-térias para todos quantos se interessam pela ingerência soviética em Angola e até no Golfo da Guiné. Toda a sua estrutura se ampara, do princípio ao fim, em fontes russas, trazendo ao conhecimento dos leitores de língua portuguesa um debate que, pouco a pouco, apesar do difícil acesso às fontes, começa a despontar no firma-mento das preocupações da intelligentsia russa e a dar os primeiros frutos: o de saber até que ponto a interven-ção em África, ditada por objectivos geopolíticos e expansionistas, respondeu efectivamente aos interesses globais do Estado russo e quais as causas do seu fracasso".
O lançamento terá lugar na livraria Círculo das Letras, na rua Augusto Gil, 15B, em Lisboa (entre a Av. de Roma e o Campo Pequeno), no dia 9, pelas 18h30.
Caros leitores, serão bem-vindos.

Rússia e Geórgia divergem em relatório da UE sobre conflito


As autoridades russas e georgianas interpretam de forma diferente as conclusões contidas no relatório elaborado pela Comissão Europeia (órgão Executivo da União Europeia) sobre a guerra na Ossétia do Sul, travada em agosto do ano passado.Em comunicado divulgado em Moscou, o ministério russo das Relações Exteriores considera que o relatório da Comissão Europeia deixa claro que a Geórgia foi responsável pelo conflito, ao agredir a Ossétia do Sul. A Rússia afirma ainda que o documento evidencia a completa ilegitimidade das ações georgianas.“Os esforços da Comissão da União Europeia não foram em vão: qualquer pessoa pensante tirará do relatório publicado a 30 de setembro a conclusão fulcral de que a agressão contra a Ossétia do Sul na madrugada de 8 de agosto de 2008 foi desencadeada pela atual direção da Geórgia”, acusa a nota.A diplomacia russa considera também que é de extrema importância o fato de o relatório relacionar os países que armaram e treinaram o exército georgiano.O ministério russo chama atenção para o fato de o documento conter “uma série de ambiguidades”, entre elas “o emprego desproporcionado da força pela parte russa em resposta à agressão georgiana contra a Ossétia do Sul”.“Grandes interrogações provoca o parágrafo do relatório sobre o suposto emprego desproporcionado da força pela parte russa. Porém, no mesmo relatório é fácil encontrar argumentos que mostram o caráter artificial de semelhantes raciocínios”, defende a diplomacia russa.Já o governo georgiano disse estar, “em geral, satisfeito” com as conclusões da Comissão Europeia.“Nas conclusões, que ainda não estudamos até o fim, assinala-se que a guerra em Tskhinvali (capital da Ossétia do Sul) não começou a 7 de agosto, mas antes. Nessa conclusão em parte alguma se diz que a Geórgia começou a guerra”, explicou o ministro para Questões da Reintegração da Geórgia, Temur Iakobachvili, citado pela agência Interfax.O ministro disse que a parte georgiana discorda da missão da UE quando afirma que não houve entrada em massa de tropas russas na Geórgia.“Também não concordamos que a parte georgiana empregou força exagerada no início do conflito armado”, acrescentou.“Consideramos as ações da Rússia uma agressão, porque foram precisamente as suas tropas que invadiram a região de Tskhinvali”, ressaltou.A guerra terminou com vitória da Rússia, que decidiu reconhecer a independência da Ossétia do Sul e da Abkházia, duas regiões separatistas georgianas.

terça-feira, setembro 29, 2009

Blog dos leitores (Recordações do Outono em Moscovo)

Caros leitores, estou em Portugal para o lançamento do meu livro, cujos pormenores sobre a sessão de lançamento saberão dentro em breve. Ou melhor, serão os primeiros a saber. Entretanto, a leitora Ana Penha enviou-me umas fotos tiradas em Moscovo, no Outono do ano passado. É uma estação do ano bela e, por isso, aqui ficam.





















segunda-feira, setembro 28, 2009

Visão russa de eleições portuguesas

O Partido Socialista Português venceu as eleições legislativas, mas, desta vez, sem a maioria absoluta, escreve hoje a imprensa russa.

“O Partido Socialista, força de centro direita que actualmente governa, venceu nas eleições para a Assembleia da República de Portugal, mas não recebeu a maioria absoluta”, escreve Andrei Poliakov, correspondente da agência ITAR-TASS em Lisboa.

Depois de calcular as “perdas sensíveis” do PS em número de votos e assentos, Poliakov considera que o PPD/PSD obteve “praticamente o mesmo resultado das eleições anteriores” e sublinha “o melhor resultado em 25 anos” do CDS/PP, o que, segundo ele, “surpreendeu muitos.

Quanto aos partidos de esquerda, o correspondente da TASS é da opinião de que “ambos, particularmente o “Bloco de Esquerda” teve “melhor participação” do que há quatro anos atrás.

“Ao contrário das eleições de há quatro anos atrás, desta vez, os socialistas, embora tenham vencido, não conseguiram uma maioria absoluta e serão obrigados a formar um governo de coligação”, noticía a agência Ria-Novosti.

O diário governamental russo “Rossiskaia Gazeta chama a atenção para o facto de uma coligação entre o PSD e o PP não ter “a maioria necessária no Parlamento de Portugal”.

domingo, setembro 27, 2009

Todos às eleições!!!!

Caros leitores com direito a voto, não se esqueçam de exercer este direito fundamental. Eu também vou votar e deixo aqui alguns cartazes soviéticos não para recordar tempos em não havia diferença entre votar e não votar, mas para lembrar que se pode voltar a essa situação se deixarmos de participar nos actos eleitorais. E que vençam os mais competentes.




sábado, setembro 26, 2009

A criança deve estar acima de tudo


Caros leitores, como devem ter notado, tenho-me mantido em silêncio no caso da Alexandra, porque as emoções, bem como decisões tomadas "a quente", pouco ou nada ajudam na solução deste problema, pelo contrário, até podem prejudicar.
Com a visita da avó de Sandra a Portugal e o seu regresso à Rússia, terminou uma fase importante deste processo e que teve como principal resultado a constatação do "desencontro" entre Olga Zarubina e a família Pinheiro e um rotundo não da primeira à proposta de vir viver com a família para Portugal.
Tendo em conta os meus conhecimentos da realidade russa, e deste processo em concreto, a Sra. Olga Zarubina já tinha optado pelo não antes da visita a Portugal e só a realizou com o receio de perder alguma oportunidade única na vida.
Não obstante os enormes esforços dos membros do grupo "Pela Alexandra" e da cidadã russa que acompanhou a Sra. Olga Zarubina, esta continuou a considerar que o principal objectivo da parte portuguesa é roubar-lhe a neta. Esta conclusão, parece-me, é tomada com base em comportamentos que ela vê no seu país e em acontecimentos semelhantes ocorridos no estrangeiro e que chegam à vila russa de Pretchistoe via jornais ou televisão.
Seja como for, e tendo em conta que a maioria esmagadora das pessoas que acompanham este caso se preocupa com o bem-estar da Alexandra, será necessário novas ideias para resolver este problema, que parece ter definitivamente passado para o lado russo.
Até agora, as autoridades russas pouco ou nada fizeram para justificar a promessa dada por um diplomata russo no Tribunal de Guimarães de que a menina iria ter, no seu país, boas condições de vida. É verdade que permitiram a entrada de Alexandra para um infantário (estive lá e devo dizer que se trata de uma instituição infantil digna), mas
mais nada foi feito. Ah, tinha-me esquecido, do abono de família, que dá para muito pouco.
Mas o principal problema, ou seja, a permanência da menina numa família de alto risco, está por resolver.
Segundo os jornais russos (aqui não recorro aos meus testemunhos para não me acusarem de ser tendencioso), Olga Zarubina reconheceu que a filha e o filho têm problemas com o álcool; Natália, a mãe da menina, envolve-se frequentemente em conflitos com os vizinhos, é acusada pela polícia e pelos órgãos de segurança social de deixar a filha ao abandono, trazer para casa outros habitantes da vila com problemas de álcool, etc., etc.
Os métodos defendidos para resolver este problema divergem. Alguns, entre eles uma organização de pais de São Petersburgo que acompanha este caso, consideram que é urgente retirar Alexandra daquela casa e ser entregue a outra família. Segundo estes, mesmo que as autoridades retirem os direitos de maternidade a Natália, a menina irá continuar a viver com a mãe debaixo do mesmo tecto.
Outros, porém, continuam a considerar que a menina deve continuar com a família biológica, devendo esta ser ajudada para criar condições normais de vida para Alexandra.
Ambas estas posições têm fortes argumentos a favor das suas posições, mas o problema continuará por resolver se não se passar das palavras aos actos.
Eu sou jornalista, não sou psicólogo, nem psiquiatra e, por conseguinte, não me vou pronunciar sobre a solução do problema, devendo, e isso é a minha tarefa enquanto jornalista, estar atento ao desenrolar dos acontecimentos.
Mas posso desde já dizer que emoções demasiadamente fortes e insultos apenas prejudicam uma solução aceitável. Não estamos no tempo do rei Salomão e não é preciso recorrer a uma sentença tão "salomónica" como a que ele tomou. É perfeitamente possível criar boas condições de vida para a menina na Rússia, ao mesmo tempo mantendo laços afectivos com o casal de adopção português. Há numerosas receitas para resolver o problema de forma a salvaguardar os direitos e a sanidade mental e emocional da menina desde que os adultos coloquem a Alexandra acima de guerras emocionais e outras.
Tanto mais que entre Portugal e a Rússia não existem fortes divergências políticas ou outras. Até agora, ao que eu sei, ninguém tentou utilizar este caso para denegrir um ou outro país e, se assim é, o estabelecimento de contactos entre organizações de defesa dos direitos das crianças portuguesas e russas poderia contribuir para uma boa solução deste e de outros problemas que surjam.
E, para concluir, seria bom que este caso levasse as autoridades portuguesas políticas, judiciais e outras a tomarem medidas no sentido de pôr a criança acima de tudo. Mas receio que, passada a "fase barulhenta", tudo volte ao antigamente até ao próximo drama. Quanto a isto, portugueses e russos são semelhantes e, como dizem os segundos, tropeçam mais de uma vez no mesmo ancinho.


sexta-feira, setembro 25, 2009

Irão provoca grande dor de cabeça no Kremlin


O anúncio pelo Irão de que está a construir uma segunda fábrica de enriquecimento de urânio parece ter constituído uma grande surpresa para o Kremlin. Talvez porque os dirigentes russos não esperassem que o regime iraniano os enganaria ao ponto de fazer a diplomacia russa motivo de chacota.
Mas foi isso que aconteceu. Moscovo andou durante tantos anos a proteger o Irão e a tentar convencer o mundo, não sei se a convencer-se também, de que o programa nuclear iraniano tinha apenas objectivos pacíficos, etc., etc.
Foi este um dos principais argumentos que Moscovo utilizou para criticar a iniciativa norte-americana de instalar um sistema de defesa anti-míssil no Leste da Europa. Além de Teerão não ter mísseis capazes de chegarem muito longe, diz-se em Moscovo, o programa nuclear visa objectivos meramente pacíficos.
A surpresa foi tanta que Dmitri Medvedev não soube como reagir imediatamente e prometeu uma declaração especial a este propósito para mais tarde. O Presidente russo declarou que o seu país está pronto a colaborar, através de todos os meios, com a AIEA na realizaçao da inspecção do programa nuclear iraniano. Além do mais, apelou ao Irão a "colaborar completamente com a Agência Internacional de Energia Atómica". Tratou-se de uma autêntica facada pérfida nas costas da diplomacia russa, pois a mim não me passa pela cabeça que Moscovo soubesse da existência da segunda fábrica de enriquecimento de urânio e se comportasse da forma como se comportou face ao Irão durante todos estes anos.
Se os serviços secretos russos estivessem ao corrente, deveriam ter prevenido a diplomacia, a não ser que agentes secretos e diplomatas russos andem a puxar para vários lados.
O anúncio do Irão, além de ser um forte insulto, diria mesmo, uma cuspidela no rosto da Rússia, vai obrigar Moscovo a apoiar sanções mais duras no Conselho de Segurança das Nações. Esta é a única forma de tratar com regimes que não só
enganam os seus adversários, como deixam em maus lençóis os países que os protegem na arena internacional.
Este incidente tem, acho eu, um aspecto positivo. Rússia e China poderão tomar posições idênticas aos restantes países envolvidos na solução do programa nuclear iraniano, permintindo criar uma frente monolítica e mais firme face a Teerão.
Não significa isto, porém, que a China e a Rússia irão dar luz verde a uma solução militar do problema, por exemplo, apoiar um ataque militar contra o Irão, mas serve para que tirem conclusões. E uma delas é que só porque os norte-americanos dizem "a", nós devemos responder "b".
Moscovo e Pequim tiveram razão ao criticar a intervenção americana no Iraque, mas, o caso do Irão deve levá-los a pensar que é preciso ter cuidado, mas mesmo muito cuidado na escolha de parceiros e amigos. E isto deve ser válido para todos os países.

Mas há cada burocracia!

Anita Baranova, cidadã letónia que trabalhava em Londres, onde se casou com um português, regressou à pátria com o marido para dar à luz um filho na localidade de Bauski, sua terra natal. Porém, todas as tentativas de registar o filho com nome e apelidos portugueses esbarram nas barreiras burocráticas da Letónia.

Gosto do meu país, dos meus pais, são pessoas idosas e não seria correcto deixá-los sozinhos. O meu marido aceitou acompanhar-me sem problemas”, relata Anita ao jornal letão Vesti.Segodnia.

Segundo o jornal, os pais decidiram chamar ao filho Ricardo Daniel Baranov Cardoso e registá-lo na Letónia, mas autoridades recusam a fazê-lo se eles não aceitarem “letonizar” o nome e os apelidos dos pais.

Embora o alfabeto letão seja latino, tal como o português, a língua tem declinações e particularidades fonéticas, o que transformaria o bebé luso-letão em Ricardu Daniels Baranovs Cardozu.

Os burocratas letónios propuseram a Anita que registasse o filho como mãe-solteira, tornando assim desnecessários os “complicados” apelidos do pai, proposta que foi limiarmente recusada pelo casal letónio-português.

Pensamos diariamente no problema e procuramos novas saídas. Uma vez, no notário, aconselharam-nos a registar a criança em Portugal. Assim o fizemos, mas quando cheguei aqui e tentei obter uma cópia dos documentos, o nome e os apelidos apareçam de novo mal escritos”.

A saída para este embróglio burocrático parece passar pelos tribunais europeus.

Em declarações ao jornal, Aleksei Dimitrov, advogado e conselheiro do Parlamento Europeu, recorda que, recentemente um casal alemão registou o filho com dois apelidos na Dinamarca, mas não conseguiu que isso fosse aceite na Alemanha devido à proibição das leis locais.

Os pais recorreram ao Tribunal da UE no Luxemburgo e ganharam a causa, que se tornou um precedente na União Europeia.

Mas até que saia uma decisão desse tribunal no caso do Ricardo, a criança lusa-letónia, actualmente com seis meses de idade, continuará a não existir na Letónia e a não ter acesso à assistência médica e segurança social públicas, constata o diário.

quarta-feira, setembro 23, 2009

Livro de Rui Tavares publicado em língua russa




A obra de Rui Tavares “O pequeno livro do grande terramoto. Ensaio sobre 1755” acaba de ser publicado em língua russa pela editora da Universidade Europeia de São Petersburgo.
Na capital russa, a sessão de apresentação do livro teve lugar na véspera, na Universidade Estatal de Relações Internacionais de Moscovo, e contou com a presença do autor, o escritor e historiador português, Rui Tavares.
Perante um auditório constituído por alunos e professores de língua portuguesa, Rui Tavares, que é também deputado independente do Bloco de Esquerda no Parlamento Europeu, abordou o tema dos “dias que mudaram o mundo”, fazendo um paralelo entre o incêndio de Roma (ano 64 d.C.), o Terratomo de Lisboa (1755) e o ataque contra o World Trade Center de Nova Iorque (2001).
O estudioso português debruçou-se também sobre as intensas discussões filosóficas provocadas pelo Terramoto de Lisboa na Europa, concentrando a sua atenção nas obras de Voltaire e Rousseau, bem como sobre a figura e a obra do Marquês do Pombal.
Olga Russinova, crítica de arte russa e autora do prefácio, chamou a atenção para os ecos do Terramoto de Lisboa na Rússia, sublinhando, nomeadamente, que algumas estampas russas que representam inundações em São Petersburgo não passam de cópias de estampas portuguesas sobre o Terramoto de Lisboa, sendo as chamas substituídas por ondas.
Karl Briulov, um dos maiores pintores do classissismo russo do séc. XIX, autor de conhecidas telas como “Assassinato de Inês de Castro” e paisagens da Madeira, ilha onde viveu durante um ano, foi buscar inspiração ao Terramoto de Lisboa para uma das suas mais célebres obras: “O último dia de Pompeia”.
“Este livro é uma revolta contra “falhas na memória” da Humanidade, que se interessa apenas pelo que está perto”, considera Olga Russinova.
A tradução do livro, publicado com o apoio do Ministério da Cultural de Portugal e a Durecção-Geralm de Livro e das bibliotecas, foi realizada pela professora Elena Golubeva, uma das maiores especialistas em língua portuguesa na Rússia.
A sessão de lançamento do livro em Moscovo foi organizada por João Mendonça João, leitor do Instituto Camões.

Avó pede a autoridades russas para que obrigue portugueses a deixar a família Zarubin em paz


Olga Zarubina, avó da menina russa que foi retirada pelo Tribunal de Guimarães à família portuguesa de acolhimento, exigiu às autoridades russas que tomem medidas para que os “portugueses” deixem em paz a sua família.
“Porque é que os portugueses nos dizem como devemos viver no nosso país e as nossas autoridades nada fazem para acabar com isso?! Porque é que permitem tal coisa?”, interroga Olga Zarubina numa entrevista ao diário russo Komsomolskaia Pravda, a publicar na quarta-feira.
“Eu não quero nada dos portugueses, só quero que nos deixem em paz! E das nossas autoridades não preciso de nada, só apoio moral!”, acrescenta.
Ao responder à pergunta “Que impressões trouxe de Portugal”, ela afirmou: “Mas quais impressões! É claro que eles nada mais querem além de Sandra... Tenho medo de ir para lá”.
“Receio que em Portugal eles encontrarão forma de nos tirar Sandra... Não confio nada nessas pessoas (membros do grupo “Pela Alexandra” que acompanharam Olga na visita a Portugal), simplesmente não as conheço. Imaginem só, quando se apresentaram, apenas disseram o nome. Nada mais sei deles, nem sequer o apelido!”, continua.
“Se acontecesse alguma coisa, que poderia dizer eu? Que um Miguel qualquer disse isto ou aquilo? Haverá assim tão poucos Miguéis em Portugal?”, interroga Olga Zarubina.
A avó de Alexandra afirmou também não ter querido visitar a casa proposta para a sua família por João e Florinda Pinheiro, família portuguesa de acolhimento de Sandra, por “não querer ficar a dever nada a ninguém.
Quanto às malas de roupas e prendas que lhe foram oferecidas em Portugal, Olga Zarubina comentou: “Eu não queria! Mas disseram-me: “Não é para ti, é para as meninas”. Mas elas não precisam de tantos trapos, nós somos capaz de comprar tudo”.
A avó de Alexandra queixa-se também de a sua família ser pressionada pelas autoridades da vila de Pretchistoe.
“A polícia persegue Natália. Revistam tudo, revistam... Tratam-na como criminosa! Até quando! Por isso ela tem dificuldade em encontrar emprego”, revelou Olga.
Olga Zarubina reconheceu pela primeira vez que a filha tem problemas com o álcool.
À pergunta: “É verdade que Natália bebe muito?”, ela respondeu: “Que dizer? Acontece. Inicialmente, tudo estava normal, enquanto havia possibilidades de encontrar emprego, mas agora não se controla”.
A avó de Sandra promete fazer com que a filha se trate numa clínica russa.
“O principal é que se trate e encontre emprego. Então, tudo se organizará! Devagar, mas vai-se organizar”, concluiu.


Podem ver vídeo e fotos em: http://yar.kp.ru/daily/24365/549465/

terça-feira, setembro 22, 2009

Blog dos leitores (COMO DEITAR ABAIXO ESTA DUPLA)


A leitora Cristina Mestre enviou a tradução do artigo que publicamos abaixo


"(POLÍTICOS TENTAM EVITAR QUE PUTIN VOLTE A CONCORRER À PRESIDÊNCIA)
21.09.2009 – Jornal Vedomosti

Os partidários do presidente russo Dmitry Medvedev iniciaram uma campanha para impedir que o primeiro-ministro Vladimir Putin volte a candidatar-se ao Kremlin em 2012, escreve hoje o jornal Vedomosti.
Vladimir Putin corre o risco de se converter num líder decrépito ao estilo do antigo chefe comunista Leonid Brejnev, se voltar a ocupar a chefia do estado em 2012, declarou à Reuters Ígor Yurguens, vice-presidente da Associação russa de Empresários e Gestores Industriais (RSPP – sigla russa) e presidente do Instituto de Desenvolvimento Moderno (Insor), cujo conselho patrocinador é encabeçado por Dmitry Medvedev.
No passado 11 de Setembro, Putin deu a entender que poderá candidatar-se às eleições presidenciais de 2012. Se ficar novamente no Kremlin durante dois mandatos consecutivos, terá quase 72 anos em 2024, altura em estes terminam.
A melhor maneira de evitá-lo é fomentar uma competição aberta entre Putin e Medvedev nas eleições de 2012, considera Yurguens, convencido de que na Rússia “há um conflito de interesses” entre os conservadores, partidários de Putin, e os liberais, agrupados em torno de Medvedev. Yurguens definiu a correlação de forças entre ambos os grupos como 70 para 30.
O porta-voz do primeiro-ministro russo, Dmitry Peskov, comentou que é absurdo procurar hipotéticos conflitos entre as equipas de Medvedev e Putin pois, segundo ele, tais grupos não existem. Ambos os líderes deixaram claro que saberão chegar a um acordo em 2012. O próprio Medvedev, numa entrevista à cadeia de televisão norte-americana CNN, pronunciou-se no mesmo sentido.
Um funcionário do Kremlin disse que Yúrguens abusa da sua imagem de perito próximo do presidente. Mas ninguém o vai castigar por isso, acrescentou. O Instituto Insor passa por ser um centro de análise e investigação que trabalha para Dmitry Medvedev. No Verão de 2008, este instituto sugeriu liberalizar o sistema político da Rússia. Pouco depois, o presidente propôs ampliar as atribuições dos partidos.
Um ex-dirigente da RSPP considera que as declarações de Yúrguens contaram com o beneplácito dos seus superiores.
“É uma tentativa de mobilizar o campo político e de ver os ânimos das pessoas”. Um alto responsável do partido Rússia Unida também considera que o recente artigo deu Medvedev, “Avante, Rússia!” e o comentário de Yúrguens perseguem um mesmo objectivo que é a procura de correligionários.
Outro funcionário da Rússia Unida assinalou que ambos os líderes ainda estão acima da batalha ainda que as respectivas equipas rivalizem desde há bastante tempo na área legislativa, na altura das nomeações-chave ou quando se trata do controlo dos canais de televisão. Agora que Yurguens chamou as coisas pelos seus nomes, esta luta poderá tornar-se pública, disse.
O dirigente do Partido Comunista, Guennadi Ziugánov, qualificou na semana passada o artigo de Medvedev como “o acontecimento do mês” e criticou o Gabinete federal por “não responder à sua mensagem básica”. O seu colega Vadim Soloviov também apoia os objectivos de modernização traçados por Medvedev.
Os líderes ocidentais vêem em Medvedev um dirigente mais moderno e esperam que algum dia ele possa converter-se num presidente autónomo, embora dificilmente se atreva a debilitar as posições de Putin, pensa Alexander Rahr, perito do Conselho Alemão de Política Externa.
O politólogo russo Evgueni Minchenko duvida que possa haver competição entre Medvedev e Putin: este último concentra nas suas mãos a maioria dos recursos: finanças, recursos humanos, controlo dos corpos de segurança e meios de comunicação, para além de uma forte imagem de salvador da Rússia. Não obstante, Medvedev poderá aproveitar o facto de Putin já ter esgotado a sua "agenda salvadora" e correr o perigo de se “atolar na rotina”.

Original em: http://www.vedomosti.ru/newspaper/article/2009/09/21/214315"

Blog dos leitores (o novo Exército russo)

O leitor Manuel Santos enviou o seguinte texto para publicação:

"Por ocasião da última cimeira “VALDAI CLUB 2009”, o reconhecido especialista russo em assuntos militares e antigo coronel do GRU Vitaly Shlikov expôs a imensa reforma que o Exército russo que irá começar a sofrer a partir do próximo mês de Dezembro.
Shlikov que é um dos autores da dita reforma, afirma tratar-se de uma autêntica revolução na estrutura e na própria maneira de pensar da máquina militar russa, em particular o Exército, resultando numa abordagem completamente nova e revolucionária, rompendo em absoluto com os ditames militares soviético-russos que moldam a doutrina militar deste país desde há 200 anos para cá.

Em termos gerais, o pensamento militar russo referente ao seu exército consiste em manter uma força massiva assente em grandes números para combater guerras em larga escala à semelhança da 2ª guerra mundial e o eventual teatro de operações na Europa central durante a guerra fria.
Além do exército regular, existe a possibilidade de em caso de conflito mobilizar grandes números de reservistas para preencher as chamadas “divisões vazias” que consistem unicamente em material armazenado na caserna. A partir do momento da incorporação dos reservistas, a divisão é declarada operacional de um momento para o outro, obviamente sem nenhum treino nem expriência dos seus constituintes.

Com a nova estrutura, praticamente deixará de haver mobilização e o Exército regular passará a ser constituido por cerca de 1 milhão de homens. O número de carros de combate (Main Battle Tank) passará dos actuais 20.000 para cerca de 2.000 apenas.
Mais vocacionado para intervenções em pequenos conflitos (ex: campanha georgiana, Cáucaso) ou escaramuças este novo exército enfrentará conflitos de larga escala como uma eventual invasão chinesa com auxílio das armas nucleares tácticas. Nos tempos da guerra fria, as armas nucleares fossem táticas ou estratégicas eram consideradas armamento “tabu” que implicaria uma escalada imprevisível num confronto.

Porém na actual doutrina, as armas nucleares tácticas vão constituir o bastião da defesa territorial russa face a um eventual invasor numeroso, tal e qual durante a guerra fria a estratégia da NATO assentava em pequenos exércitos com armas nucleares capazes de dissuadir ou aniquilar a vantagem das forças numerosas do Pacto de Varsóvia.

A se concretizar esta imensa reforma, a Rússia assume uma doutrina militar defensiva a nível do seu território e porventura daquilo que considera a sua zona local de influência contrariando a tese de algumas vozes no Ocidente que antevêem um novo período de expansionismo militar russo do qual a campanha na Georgia foi apenas o começo. Outro indicador importante além da redução de gastos, é que é óbvio o caminho rumo ao exército profissionalizado e melhor especializado e treinado.

Se será possível implementar toda esta revolução face às mentalidades presentes, cultura criada em décadas, entropia e resistência de uma imensa organização secular com imensos problemas e em tempo útil isso será outra conversa.

A entrevista de Vitaly Shlikov ao jornalista Andrei Zolotov da RIA NOVOSTI poderá ser consultada aqui:

http://en.rian.ru/valdai_op/20090914/156124823.html "

domingo, setembro 20, 2009

Terrorismo não poupa líderes religiosos muçulmanos


Dois agentes do centro de combate ao terrorismo do Ministério do Interior da Inguchétia, república do Cáucaso do Norte russo, foram hoje assassinados a tiro, tendo um terceiro sido ferido com gravidade.
“”Desconhecidos atacaram a tiro um automóvel na estrada federal “Kavkaz”, que transportava agentes do centro de luta contra o terrorismo do Ministério do Interior da Inguchétia. Dois agentes morreram no local e um foi hospitalizado com ferimentos”, informa a agência Interfax, citando fontes da polícia.
Na Karacthaievo-Tcherkéssia, outra república do Norte do Cáucaso, desconhecidos assassinaram a tiro Ismail Bostanov, conhecido teólogo muçulmano.
“O assassinato do dirigente espiritual teve lugar de manhã na cidade de Tcherkess. O seu automóvel estava parado perto de um semáforo quando foi atacado a tiro por desconhecidos. Ismail Bostanov faleceu e o seu filho foi ferido e internado num hospital”, informa a polícia de Karatchaievo-Tcherkéssia.
Segundo a polícia, uma das possíveis causas do assassinato de Bostanov, vice-presidente da Direcção Espiritual dos Muçulmanos de Karatchaevo-Tcherkéssia e Stavropol, reitor do Instituto Islâmico, teria sido as suas críticas ao wahhabismo, corrente radical do Islão.
“Durante as investigações, um dos motivos fundamentais do assassinato de Ismail Bostanov é o facto de ele ter combatido activamente o wahhabismo na região”, declarou Nikolai Ossiak, ministro do Interior da Karatchaievo-Tcherkéssia.
Bostanov foi assassinado no dia em que os muçulmanos celebram a festa de Eid-ul-Fitr, que marca o fim do Ramadão, uma das duas grandes festividades do calendário do Islão.
Nos últimos, o Cáucaso do Norte tem assistido a uma forte onda de terrorismo, ligado a movimentos separatista de cariz islâmico radical.

Avó diz “não definitivo” à transferência da família para Portugal


Olga Zarubina, avó da menina russa que foi retirada a família adoptiva portuguesa, disse à Lusa que a sua decisão de não se mudar para Portugal com a família é “definitiva e irreversível”.
Na semana passada, a avó de Alexandra, esteve no Porto e em Braga a convite do grupo “Pela Alexandra”, organização que luta pelo regresso da menina russa a Portugal, para estudar no local as propostas feitas por autarcas e homens de negócios portugueses à família Zarubina.
Entre as propostas, estava a oferta de um apartamento pela autarquia portuense, de um café para Natália, mãe biológica de Alexandra, explorar e apoio económico à mudança da família Zarubina da Rússia para Portugal.
“Não quero ir para lado nenhum , para um país estranho, a minha pátria é a minha casa e a minha família irá continuar a viver aqui, em Pretchistoe”, declarou, por telefone, à Lusa Olga Zarubina.
A avó de Sandra recusou-se a compartilhar as impressões da sua viagem a Portugal, repetindo constantemente que “o não é definitivo”, “não saio daqui para lado nenhum”.
Esta posição é compartilhada por Natália Zarubina, mãe de Sandra.
“Não vamos para lado nenhum, vamos continuara viver aqui. A Alexandra sente-se bem e tudo irá correr da melhor forma”.
Natália revelou à Lusa que Aleksei, seu namorado ucraniano que trabalhava em Portuhgal, se juntou, há alguns dias atrás, à família Zarubina na aldeia de Pretchistoe.
“Ainda não posso dizer quando será o casamento, porque ainda falta tratar da papelada, mas tudo irá ser resolvido”, acrescentou.
Olga e Natália afirmaram desconhecer a decisão, tomada na véspera pelo Presidente russo, Dmitri Medvedev, de ordenar ao procurador-geral e ao comissário para os Direitos da Criança para “analisarem" o emprego da legislação sobre protecção dos menores, nomeadamente quando do divórcio dos pais ou quando vivam separadamente, como no caso de Alexandra Zarubina.
Segundo o diário Komsomolskaia Pravda, o Presidente russo, Dmitri Medvedev, decidiu “esclarecer a essência e as causas dos dramas familiares que há vários anos chamam a atenção da opinião pública russa”.
“Não ouvimos falar disso, mas isso até pode ajudar a resolver alguns dos nossos problemas”, comentou Natália Zarubina.
Iúri Kudriavtsev, vice-presidente da Câmara Municial Pervomaisk, em cuja freguesia se situa a aldeia de Pretchistoe, admite a possibilidade de Alexandra ser retirada da família, devido ao comportamento da mãe:
“Estamos a pensar nisso, mas... olhe se nós dermos a guarda à avó, praticamente nada mudará. A mãe continua na mesma família... Vamos desterrar a mãe?”, declarou Kdriavtsev, numa entrevista à Rádio Liberdade.
“Essas declarações não foram feitas a rádio nenhuma, é tudo mentira. Eu telefonei para a câmara e disseram-me que ninguém tinha feito essas declarações”, frisou Olga Zarubina à Agência Lusa.
“Eles não têm razões para retirar a menina da nossa família”, concluiu.

Blog dos leitores (Censo populacional na Rússia adiado)

Texto enviado pelo leitor António Campos:

"Alegando falta de fundos por “dificuldades financeiras devido à crise internacional”, a administração russa adiou para depois das próximas eleições presidenciais a realização do censo populacional geral. Na quarta-feira passada, Alexander Surinov, director-adjunto do Rosstat, afirmou aos jornalistas que “está a ser preparada uma decisão destinada a adiar o censo até Outubro de 2010". O Ministério do Desenvolvimento Económico desse à Gazeta.ru que a nova data para a realização do censo não foi ainda determinada, mas que nunca será antes do período de férias de 2012”. Note-se que a data prevista para as próximas eleições presidenciais é Março de 2012.

Yevgeniy Gontmakher, director-adjunto do Instituto de Economia Mundial e Relações Internacionais da Academia de Ciências da Rússia afirma que “o problema é que os líderes do país não compreendem a importância do censo nacional”[…]”Um censo proporciona informações únicas acerca da situação de um país. A indisponibilidade de alguns milhares de milhões de rublos resultará em perdas de muitos milhares de milhões em resultado de projecções incorrectas. Quando chegarmos a 2012, a discrepância relativamente ao censo anterior ter-se-á tornado crítica, uma vez que este está já desactualizado, não podendo sequer ser usado nas projecções do ano que vem ou do ano seguinte”.

Contudo, o Partido Comunista e outras forças da oposição manifestaram a opinião de que existem motivações políticas por detrás do adiamento. Por exemplo, o deputado do PCFR, Vadim Solovyev afirmou, em declarações à Gazeta.ru, que “por um lado, a ausência de dados actualizados simplifica a manipulação de listas eleitorais e, por outro, o governo evita assim a utilização pela oposição de publicidade negativa relativamente aos resultados das suas políticas”.

Com efeito, há outros indícios das razões pelas quais a administração russa pretende sacrificar a obtenção de dados estatísticos precisos sobre o país durante mais quatro anos. Um exemplo é a intervenção na semana passada de Vitaly Kolbanov, director do Departamento de Análise do Ministério da Saúde e do Desenvolvimento Social, numa conferência sobre “A Saúde da Nação e a Política Demográfica Estatal”, na qual afirmou que “a Federação Russa não está a atravessar uma crise demográfica”.

Fontes:
op.rbc.ru/society/18/09/2009/330217.shtml
www.kommersant.ru/doc.aspx?DocsID=1239706
http://www.gazeta.ru/politics/2009/08/12_a_3235678.shtml "

sábado, setembro 19, 2009

URSS recebeu bem a nomeação de José Eduardo dos Santos dirigente do MPLA e de Angola


A nomeação de José Eduardo dos Santos para os cargos de secretário-geral do MPLA e de Angola, em 1979, foi bem recebida na capital soviética, não só porque ele tinha estudado na URSS, mas também devido às relações tensas com o seu antecessor nesses cargos: Agostinho Neto.
As divergências entre Agostinho Neto eram antigas, tendo começado logo após o estabelecimento de relações entre eles. Em 1963, Nikita Khrutchov esteve perto de reconhecer Holden Roberto e a FNLA, não fora a pronta intervenção de Álvaro Cunhal, secretário-geral do Partido Comunista Português, que na altura se encontrava em Moscovo.
Em 1972, os dirigentes soviéticos recebem com descontentamento a notícia da aliança feita entre o MPLA e o FNLA, bem como, no ano seguinte, a notícia de que Agostinho Neto ordenou o fuzilamento de cinco dirigentes do MPLA, tendo Joaquim Chipenda escapado à morte devido à intervenção das autoridades zambianas.
As relações entre Agostinho Neto e a URSS não melhoraram também depois da proclamação da independência de Angola em Novembro de 1975.
O general soviético Vladimir Varennikov, que realizou duas missões de serviço em Angola (1982 e 1983), explica nas suas memórias, as razões do isolamento a que Agostinho Neto e o seu movimento chegaram em Outubro-Novembro de 1975: “Porque Neto e os seus correligionários estavam sentados em Luanda e ele não estava em condições de impor a mais elementar ordem na vida e actividade desta enorme capital e, depois, tentar, através dela, influir na província”.
Karen Brutentz recorda outro facto que ilustra os atritos graves entre a direcção soviética e Agostinho Neto. Na véspera do Congresso do MPLA, realizado em Dezembro de 1975, Moscovo enviou a Luanda funcionários comunistas para darem orientação ideológica aos camaradas angolanos, mas estes não lhes prestaram ouvidos.
“Os nossos consultores, que tinham sido enviados para Angola na véspera do congresso constituinte do MPLA, aconselhavam insistentemente a não formar um partido,
mas a apostar no “movimento”, na “frente”, o que permitiria atrair para as suas fileiras outras forças. Porém, Neto não lhes deu ouvidos.
As relações entre o dirigente angolano e o Kremlin deterioraram-se ainda mais durante o chamado “golpe de Nito Alves”, em Maio de 1977, tendo Agostinho Neto considerado que o “levantamento” tinha sido inspirado pela União Soviética.
“Fomos apanhados de surpresa por esses acontecimentos. Nito Alves tinha participado no Congresso do Partido Comunista da União Soviética, o que era um sinal de inteira confiança de Moscovo”, declarou à Lusa um tradutor militar russo que se encontrava em Luanda na altura.
As divergências entre o dirigente angolano e o Kremlin levaram mesmo alguns, nomeadamente a sua esposa, Eugénia Neto, a avançar a versão de que Agostinho Neto não teria falecido de morte natural na mesa de operações em Moscovo, mas alguns dos soviéticos que estiveram envolvidos nesse caso afirmaram à Lusa que foi um erro operar Neto, porque “já não havia nada a fazer”.

sexta-feira, setembro 18, 2009

Proprietários retiram tabuleta do restaurante "Anti-soviético"


A tabuleta do restaurante “Anti-soviético” foi hoje retirada da fachada do edifício onde se encontrava devido à pressão das autoridades municipais, anunciou Alexandre Vanin, director do estabelecimento.
“Para não entrar na senda da guerra, nem do conflito, fomos obrigados a obedecer. Fomos obrigados a desmontar a tabuleta”, declarou.
Os dirigentes da junta de freguesia do bairro onde se encontra o restaurante tinha exigido a alteração do nome da churrascaria, alegando que ele insultava os veteranos.
“Hoje, recebemos um comentário oficial dos veteranos. Eles não escreveram nenhuma carta a Mitbol. Nem nós, nem os órgãos de informação que contactaram os veteranos viram essa carta”, sublinhou Vanin.
O director do restaurante “Anti-soviético” acrescentou que irá recorrer aos tribunais para defender o nome do estabelecimento.
Oleg Mitbol, presidente da junta, declarou que os proprietários não tinham recebido licença para instalar a placa, sublinhando que “o estabelecimento foi multado, foi ordenada a desmontagem da placa. Foi tudo feito segundo a lei”.
“Para mim é muito importante o facto de termos mostradon que ouvimos os veteranos da guerra (segunda Guerra Mundial). Se há sérios problemas, nomeadamente no plano moral, tentamos resolvê-los”, acrescentou.
“Nenhuma churrascaria vale as lágrimas de um veterano”, concluiu Mitbol, parafraseando uma célebre frase do clássico Fiodor Dostoevski, que escreveu: “o maiúsculo pecado do mundo não vale uma minúscula lágrima de criança”.
O restaurante “Anti-soviético” herdou o seu nome de um café existente, ainda na era soviética, no mesmo local. O estabelecimento era conhecido entre os moscovitas por “anti-soviético”, pois situava-se em frente do hotel “Soviético”.

: Reeleição de Durão Barroso mostra decisão da Europa em tornar-se jogador global


A imprensa russa analisa hoje o que poderá trazer às relações entre a Rússia e a União Europeia a reeleição de Durão Barroso para o cargo de Presidente da Comisão Europeia.
“O português que, segundo os seus adversários políticos, fugiu, em 2004, de uma derrota parlamentar na pátria para a União Europeia, soube conquistar a um parlamento irredutível o direito de dirigir a Comissão Europeia durante os próximos cinco anos”, escreve o diário Nezavissimaia Gazeta”.
O jornal tenta responder à pergunta “Será isso bom ou mau para a Rússia?”.
“Na realidade, Barroso nunca foi um parceiro confortável para a Rússia, nem quando era primeiro-ministro de Portugal, nem no cargo de dirigente da Comissão Europeia. Ele teve sempre uma posição puramente pragmática nas relações com a Rússia”, constata o diário.
Segundo a Nezavissimaia Gazeta, “Para a Rússia, isso significa que o dirigente da Comissão Europeia continuará consequentemente a defender os princípios do comércio liberal, nomeadamente no campo da energia, inclinar a Rússia a aderir a um novo “Quioto”..., realizar uma política de diversificação das fontes e meios de transporte de combustíveis”.
“A julgar por tudo, a Europa está mesmo decidida a transformar-se num jogador global”, conclui.
O jornal Novaya Gazeta, órgão de informação que tem em Mikhail Gorbatchov um dos principais accionistas, escreve que Durão Barroso tem fama de “camaleão político”, recordando o seu percurso político de jovem maoísta até à eleição para o cargo de presidente da Comissão Europeia.
Depois de atribuir essa característica ao seu “pragmatismo político”, o jornal sublinha que essa qualidade leva alguns a considerá-lo “um fantoche da França e Alemanha, locomotivas da integração europeia”.
No que respeita às relações com a Rússia, o Novaya Gazeta escreve: “o seu liberalismo revela-se no facto de ele não aceitar a abordagem estatal-monopolista russa do comércio e investimentos, de criticar a situação com os direitos humanos na Rússia. Mas ele regressa ao campo conservador quando se trata da política real”.

Decisão de Obama deve ser seguida de decisões noutros campos


O primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, espera que os Estados Unidos, depois da decisão de renunciar ao escudo anti-míssil, renunciem também às limitações impostas à transmissão de novas tecnologias à Rússia, bem como à entrada da Rússia, Bielorrússia e Cazaquistão na Organização Mundial do Comércio.
Na véspera, Barack Obama, Presidente dos Estados Unidos, anunciou a revisão dsos planos do seu país sobre a instalação de elementos de um escudo anti-míssil na Polónia e República Checa, contra os quais a Rússia protestava.
“Trata-se de uma boa ideia. Espero muito que, após essa decisão correcta e ousada, se sigam outras, incluindo a suspensão total das limitações à cooperação com a Rússia, à transmissão à Rússia de altas tecnologias e ao trabalho com vista ao aumento do número de membros da Organização Mundial do Comércio à custa da Rússia, Bielorrússia e Cazaquistão”, declarou Putin hoje, no Forum Económico Internacional de Sotchi.

Antes, fonte militar russa, citada sob anonimato pelas agências russas, confirmou que as “medidas de retaliação” anunciadas pelo Presidente Dmitri Medvedev, em Novembro de 2008, seriam “congeladas, se não mesmo abandonadas”.

Ainda há menos de dois meses o sucessor de Vladimir Putin, hoje primeiro-ministro, reiterara que iria colocar no pequeno enclave russo, situado entre a Polónia e a Lituânia, quatro a cinco sistemas tácticos de curto alcance Iskander – mísseis de elevada precisão que, a partir daquela posição, podiam alcançar não apenas todo o território polaco, mas também partes da República Checa e da Alemanha.

Presidente russo analisa legislação sobre menores por causa do caso Alexandra


O Presidente russo, Dmitri Medvedev, deu ordens ao procurador-geral e ao comissário para os Direitos da Criança para "analisarem" o emprego da legislação sobre protecção dos menores, nomeadamente quando do divórcio dos pais ou quando vivam separadamente, como no caso de Alexandra Zarubina.

Segundo o diário Komsomolskaia Pravda, o Presidente russo, Dmitri Medvedev, decidiu "esclarecer a essência e as causas dos dramas familiares que há vários anos chamam a atenção da opinião pública russa".

Entre os casos apontados por Medvedev estão os de Alexandra Zarubina, menina russa que foi retirada à família de acolhimento portuguesa pelo Tribunal de Barcelos, e de Deni Baissarov, cujo pai raptou o filho à mãe, Cristina Orbakaite, filha da mais famosa cantora russa, Alla Pugatcvhova.

Medvedev ordenou ao procurador-geral, Iúri Tchaika, e ao comissário para os Direitos da Criança junto da Presidência russa, Aleksei Goloban, para resolverem esses e outros casos até 20 de Novembro próximo.

Olga Zarubina, avó de Alexandra, esteve em Portugal entre 13 e 16 de Setembro, mas optou por não se encontrar com João e Florinda Pinheiro, família portuguesa de acolhimento que criou a criança.

"Não achei indispensável encontrar-me com eles", declarou à Lusa Olga Zarubina, após a chegada a Moscovo, recusando-se a avançar mais explicações.

A avó de Alexandra esteve no Porto e em Braga a convite do grupo "Pela Alexandra", organização que luta pelo regresso da menina russa a Portugal, para estudar no local as propostas feitas por autarcas e homens de negócios portugueses à família Zarubina.

Entre as propostas, estava a oferta de um apartamento pela autarquia portuense, de um café para Natália, mãe biológica de Alexandra, explorar e apoio económico à mudança da família Zarubina da Rússia para Portugal.

"Esta decisão do Presidente Medvedev poderá impedir definitivamente o regresso de Alexandra a Portugal", declarou à Lusa um advogado ligado à defesa dos Direitos Humanos.

"A ressonância do caso de Alexandra nos órgãos de informação e na sociedade russa obrigou Medvedev a tomar medidas, pois trata-se de um caso que afecta a imagem internacional da Rússia", frisou a fonte.

Autoridades exigem mudança de nome de restaurante “Anti-soviético”


As autoridades municipais da capital russa exigem que o proprietário do restaurante “Anti-soviético” mude o nome do seu estabelecimento, pois ofende a “memória dos veteranos”.
Evgueni Ostrovski, proprietário do restaurante, anunciou que as autoridades municipais lhe impuseram esse ultimato, porque “os veteranos que vivem nesse bairro, estão descontentes com esse nome”.
Caso ele não aceite o “conselho”, as autoridades prometem tomar medidas mais duras para conseguir o seu objectivo.
“Não podemos chegar e simplesmente encerrar esse estabelecimento, mas podemos trabalhar com os donos dessa churrascaria sobre a história e explicar-lhe que não toleraremos semelhante atitude para com a memória dos veteranos”, preveniu Oleg Mitbol, presidente da junta do bairro onde se situa o restaurante.
“Claro que dói ver numa avenida central de Moscovo uma churrascaria com o nome de “Anti-soviético. Espero que cheguemos ao 65º aniversário da Vitória (na Segunda Guerra Mundial) sem semelhantes estabelecimentos”, acrescentou.
“Trata-se de um acto demonstrativo. Desse modo mostram as suas verdadeiras ideias políticas”, comentou o escritor Victor Chenderovitch, frequentador assíduo da churrascaria.
“Os veteranos têm direito a ficar indignados e a experimentar os mais diversos sentimentos. Penso que, na Alemanha, há veteranos que ficam ofendidos com a palavra “antifascista”, porque isso ofende a sua mocidade, quando faziam parte da juventude hitleriana. Mas não penso que seja possível em Berlim encerrar uma cervejaria chamada “Antifascista”, acrescentou Chenderovitch aos microfones da rádio Eco de Moscovo.
O proprietário do restaurante “Anti-soviético” deixou claro que não irá obedecer ao ultimato das autoridades, considerando semelhante decisão “ilegal”.
P.S. Se eu tiver tempo, irei lá almoçar ou jantar no fim de semana, antes que acabem com as espetadas "anti-soviéticas". A propósito, o café que se situava no local do actual restaurante já era conhecido por "anti-soviético" na era comunista por ficar situado em frente ao hotel "Soviético".

Futebolista, engenheiro químico e oficial de comunicações


A chegada ao poder de José Eduardo dos Santos em Angola não podia ter sido melhor recebida em Moscovo, pois tratava-se de um político “nosso”, ou seja, que estudou na União Soviética.
O actual Presidente angolano ingressou, em 1963, no Instituto de Petróleo e Química de Baku, no Azerbaijão, um instituto que preparava engenheiros petroquímicos. Além de José Eduardo dos Santos, este instituto continua a ter como motivo de orgulho o facto de ter tido como estudantes Lavrenti Béria, ministro do Interior da URSS enttre 1938 e 1953 e um dos maiores carrascos do séc. XX, e Vaguit Alekperov, actual dono da petrolífera russa Lukoil, com fortes interesses em Angola.
Segundo Valentin Varennikov, famoso general soviético que esteve várias vezes em Angola para organizar a resistência às investidas da UNITA e da África do Sul, “dos Santos, quando jovem, estudante, destacava-se por capacidades invulgares, tinha um intelecto tenaz e vivo”.
O mesmo general recorda também que o actual dirigente angolano “era fisicamente bem desenvolvido”, o que o levou “a jogar no Neftchi (Azerbaijão), equipa de futebol da primeira liga soviética. Porém, segundo outras fontes, José Eduardo dos Santos não passou das reservas desse clube.
Depois de receber o diploma de engenheiro em 1969, José Eduardo dos Santos não regressa a Angola, ingressa num instituto militar soviético, onde se especializa em oficial de comunicações.
Valentin Varennikov, nas suas memórias, aborda também as relações familiares do dirigente angolano.
“A sua vida pessoal desenvolveu-se de forma bastante mais dramática. Sob a pressão das tradições nacionais, ele teve de deixar a esposa branca e a filha, constituir uma nova família, porque a esposa do presidente devia ser negra. Dos Santos sujeitou-se aos costumes do seu povo”.
Porém, Varennikov acrescenta: “comportou-se de forma bastante nobre em relação à sua família anterior: deu-lhe uma villa, concedeu à antiga esposa uma pensão e um subsídio à filha”.
Após a queda da União Soviética, José Eduardo dos Santos continuou a ter boas relações com a Rússia, abrindo as portas ao capital russo em sectores como exploração de diamantes, petróleo e gás em Angola.
A 31 de Outubro de 2006, o Presidente de Angola foi condecorado com a Ordem da Amizade dos Povos pelo seu homólogo russo, à altura, Vladimir Putin.

Avó esteve em Portugal, mas recusou encontro com família portuguesa de acolhimento


Olga Zarubina, avó de Alexandra, menina russa que foi retirada da família portuguesa de acolhimento pelo Tribunal de Guimarães, esteve em Portugal entre 13 e 16 de Setembro, mas optou por não se encontrar com João e Florinda Pinheiro.
“”Não achei indispensável encontrar-me com eles”, declarou lapidarmente à Lusa Olga Zarubina após a chegada a Moscovo, recusando-se a avançar mais explicações.
A avó de Alexandra esteve no Porto e em Braga a convite do grupo “Pela Alexandra”, organização que luta pelo regresso da menina russa a Portugal, para estudar no local as propostas feitas por autarcas e homens de negócios portugueses à família Zarubina.
Entre as propostas, estava a oferta de um apartamento pela autarquia portuense, de um café para Natália, mãe biológica de Alexandra, explorar e apoio económico à mudança da família Zarubina da Rússia para Portugal.
“Olga Zarubina recusou-se visitar a casa que João e Florinda Pinheiro tinham alugado para a família russa viver caso decida vir para Portugal”, revelou à Lusa a cidadã russa que a acompanhou na visita e pediu para não revelar o seu nome.
“Ela recusou-se também a ir a casa da família Pinheiro, tendo-se cruzado apenas num restaurante de Braga, mas Olga não recusou a mala, com roupas e prendas, que João e Florinda entregaram para a Alexandra”, acrescentou.
“A viagem foi normal, mas se é bom viver como hóspede, melhor ainda é estar em casa”, começou a avó de Alexandra, em jeito de balanço.
“As propostas que foram feitas são sérias, mas preciso de pensar muito bem. Quando chegar a Pretchistoe (aldeia onde vive a família Zarubina na Rússia), vou aconselhar-me com a família e iremos decidir”, acrescentou.
“Não é fácil mudar de um país para outro. A minha família já tem a experiência dura de mudança do Cazaquistão para a Rússia, quando do fim da União Soviética. Por isso, precisamos de tempo para pensar”, frisou.
Olga Zarubina foi recebida por um representante da Câmara do Porto que prometeu conceder todo o apoio possível à família russa se ela decidir vir residir para Portugal.
“Foi-lhe prometido, além de um apartamento, o rendimento social mínimo, apoio da acção social e acompanhamento de integração para Valéria, a irmã mais velha de Alexandra”, revelou à Lusa uma das participantes no encontro.
Além disso, a avó de Alexandra teve oportunidade de visitar um infantário, tendo notado que “é muito semelhante aos nossos infantários na Rússia”, uma escola secundária de Vila Nova de Gaia, a Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto (Valéria pretende dedicar-se à Arquitectura) e um hospital do Porto.
Olga Zaburina não quis visitar uma clínica de Vila Real, onde a filha Natália poderá ser sujeita a um curso de recuperação de uma doença que a afecta.
“Duvido que a minha filha queira ser internada”, argumentou ela.
Em Braga, a avó de Alexandra encontrou-se com algumas mulheres da comunidade russa e ucraniana que conheciam ou eram amigas de Natália, quando ela vivia nessa cidade.
Antes de partir para Moscovo, Olga Zarubina foi também a alguns supermercados para comparar preços de produtos alimentares e outros, tendo feito numerosas perguntas aos portugueses que a acompanharam.
Os membros da organização “Pela Alexandra” aproveitaram a oportunidade para comprar roupas e prendas para a família Zarubina.
Agora, a avó de Alexandra tem um mês para tomar uma decisão.
“Preciso de tempo para pensar, é uma decisão difícil, já tenho alguma idade...”, concluiu Olga antes de embarcar no comboio que a levou de Moscovo para Pretchistoe.

quinta-feira, setembro 17, 2009

Medvedev saúda decisão de Obama, mas há vozes que querem travar “euforia”


O presidente russo, Dmitri Medvedev, saudou hoje a "decisão responsável" da administração norte-americana de abandonar o projecto de construção de um escudo anti-míssil na Europa de Leste.
“Na Rússia demos conta da declaração do Presidente Obama sobre a correcção das abordagens dos Estados Unidos face à questão da defesa antimíssil”, disse ele.
As declarações de Medvedev, transmitidas pela televisão estatal, surgiram horas depois de o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciar a decisão de abandonar o projecto para a construção do escudo na Europa de Leste e a sua transferência para "outra localização".
O Presidente russo recordou que abordou esse tema com o seu homólogo norte-americano nos encontros em Londres e Moscovo.
“Nós acordámos e fixámos nas nossas declarações conjuntas que a Rússia e os Estados Unidos irão tentar trabalhar conjuntamente na avaliação dos riscos de difusão de mísseis no mundo. A declaração hoje feita em Washington mostra que se formam boas condições para esse trabalho”. Claro que ainda irão ser realizadas consultas concretas de peritos e o nosso país está pronto para isso”, acrescentou.
Medvedev anunciou que irá voltar a este tema durante a cimeira russo-americana, a realizar a 23 de Setembro em Nova Iorque, à margem da Assembleia Geral da ONU.
“Espero que acordemos encarregar os respectivos departamentos dos nossos dois países para aumentar a interacção, nomeadamente envolvendo no trabalho Estados europeus e outros interessados”, precisou.
Segundo ele, irão conjuntamente ser elaboradas “medidas eficazes em relação aos riscos de difusão de mísseis”.
“Essas medidas permitirão ter em conta os interesses e preocupações de todas as partes e garantir segurança igual para todos os Estados no espaço europeu”, frisou.
Medvedev congratulou-se com a decisão do presidente norte-americano e afirmou-se preparado "para continuar o diálogo".
Porém, Dmitri Rogozin, embaixador russo junto da NATO, apelou a que “não se entre em euforia” face à proposta de Obama.
“Aqui ouvem-se vozes no Ocidente, e na NATO também, que dizem que se trata de uma enorme cedência à Rússia... Não gostaria que nos alegrassemos e caíssemos numa euforia infantil”, declarou Rogozin à televisao russa.
«Em cedencia falam os que querem tirar de nós alguns dividendos.... Vós querieis que na República Checa não existisse radar e, na Polónia, mísseis, agora chegou a vossa vez de ceder...”, acrescentou.
“Não vale a pena ter ilusões sobre essa proposta, é necessário olhar para as pedras submersas”, concluiu.

Malta recusa-se a participar na entrega do cargueiro ao armador

Malta, sob cuja bandeira navegava o cargueiro Arctic Sea, recusa-se a participar na entrega do navio no porto de Las Palmas, informa hoje o Comité de Investigação da Procuradoria-Geral da Rússia.
“Semelhante decisão da parte maltesa provoca problemas à entrada do navio no porto de Las Palmas, tal como fora acordado com o Reino de Espanha”, lê-se no documento publicado.
Segundo esse comité, “Malta apenas chama a si o compromisso de informar o proprietário do navio”.
O Comité de Investigação sublinha que “a decisão maltesa põe em situação difícil tanto a tripulação do cargueiro, como dos investigadores que lá se encontram”, acrescentando que já se faz sentir “falta de víveres” a bordo.
O cargueiro Arctic Sea, que oficialmente transportava madeira da Finlândia para a Argélia, foi desviado no Mar Báltico em finais de Julho e encontrado por navios de guerra russos nas costas de Cabo Verde a 16 de Agosto.
As informações contraditórias prestadas pelas autoridades russas levaram a supôr que o navio poderia transportar mísseis ou outros “materiais perigosos” para o Irão, tendo obrigado a uma intervenção dos serviços secretos israelitas para fazer abortar a operação..

Moscovo espera por confirmação oficial de recusa de Washington a escudo antimíssil

A Rússia espera uma confirmação oficial da decisão da administração norte-americana de renunciar à instalação de elementos do escudo antimíssil (ABM) na Europa Oriental, declarou hoje à Ria-Novosti um porta-voz da diplomacia russa.
“Esperamos a confirmação dessas informações. Em princípio, esse desenrolar dos acontecimentos corresponde aos interesses das nossas relações bilaterais com os Estados Unidos”, assinalou o interlocutor da agência.
“Esperamos há muito tempo por isso. Nunca duvidámos da justeza do que a Rússia defendia. Isto, por um lado, significa uma avaliação mais mais estreita, mais objectiva da situação no Irão, e, por outro lado, uma atitude mais séria para com o diálogo estratégico entre a Rússia e os Estados Unidos como factor importantíssimo da conservação da estabilidade global”, declarou Konstantin Kossatchov, presidente da Comissão Internacional da Duma Estatal da Rússia.
Segundo os analistas em Moscovo, este passo poderá dar um forte impulso às relações entre a Rússia e os Estados Unidos não só no plano bilateral, mas também no plano internacional.
O projecto de instalação de dez mísseis interceptores na Polónia e de um radar na República Checa, considerado por Moscovo como um atentado à sua segurança, foi lançado pela administração de George W.Bush sob o protexto de proteger os países ocidentais contra eventuais ataques iranianos.

quarta-feira, setembro 16, 2009

Considerações amargas

Caros leitores, em momentos como este apetece abandonar tudo e desistir. Um blog sobre Rússia é transformado, por alguns leitores, numa arena de insultos pessoais, racistas, etc., etc. !!!! Que tem a ver a Rússia com as relações entre alguns brasileiros e portugueses que não se entendem sem ser através de insultos? Nada!!!!
Será que esses leitores apenas deixam comentários neste blog para o destuir? Eu sei que há muita gente que não está de acordo com as minhas ideias, que detesta este blog, mas tudo tem limites...
Não, eu não vou desistir, porque sei que a maioria dos leitores quer ver este blog a funcionar e porque eu sou teimoso. Mas não duvidem os que tentam destruir e desacreditar este blog que vou tomar medidas com vista a neutralizar o seu "trabalho".
Até agora, perco horas a limpar comentários insultuosos, o que não pode continuar, pois não tenho tempo a perder. Trata-se de um luxo demasiadamente caro para mim.
Por isso, se continuarem a provocar através da publicação de comentários insultuosos, eu simplesmente não permirei a publicação directa de comentários e só colocarei os que achar por bem.
Se querem tratar de outros problemas que não os relacionados com os temas deste blog, criem o vosso espaço e insultem-se à vontade.
E só mais um pormenor: leitores anónimos, não sejam cobardes quando insultam, dêem a cara.

Erro de cálculo




A viagem a São Petersburgo foi praticamente toda dedicada ao TGV, mas ainda ficaram alguns momentos para um curto passeio a Pushkin (Tsarskoe Selo), uma espécie de Sintra nos arredores de Sintra.


Ao lado do liceu onde estudou o grande poeta russo, Alexandre Pushkin, encontra-se um pequeno templo ortodoxo e a placa de bronze registada na foto.


Esta placa é mais uma prova de que os comunistas soviéticos consideravam o seu poder eterno. Nela estava escrito "Edificío do antigo templo...", mas a história não lhes deu razão e as autoridades russas, para pouparem dinheiro, apenas picaram a palavra antigo...

Rússia entra na era da alta velocidade




A Rússia entra na era da alta velocidade através de um “compromisso” entre a mais moderna tecnologia alemã e a infra-estrutura russa ainda não modernizada. Os Velaros Rússia, fabricados pela empresa alemã Siemens, irão começar a circular no próximo mês de Dezembro entre Moscovo e São Petersburgo, ficando à espera de uma linha férrea autónoma e mais moderna.
Não obstante, Vladimir Zinner, director do Departamento de Alta Velocidade dos Caminhos de Ferro da Rússia (RZD), não tem dúvida de que o primeiro TGV a cursar entre as duas maiores cidades russas está ao nível de concorrer com o automóvel e o avião.
SAPSAN (Falcão) é o nome do primeiro comboio de alta velocidade fabricado pela Siemens especialmente para a Rússia e os testes com os primeiros aparelhos revelaram já as boas perspectivas deste moderno meio de transporte.
Mesmo utilizando a actual infra-estrutura existente, o SAPSAN deverá cursar a uma média de 150 quilómetros à hora, o que permitirá superar os 660 quilómetros que separam Moscovo e São Petersburgo em 04 horas e 15 minutos.
Em comparação com os actuais comboios russos, o TGV da Siemens faz apenas poupar 33 minutos, mas, além de prometer velocidades bem mais altas quando for construído um caminho de ferro especial para o efeito (até uma média de 350 km/hora), já agora garante mais espaço, conforto e segurança.
Inicialmente, a Rússia planeava adquirir à Siemens 60 comboios de alta velocidade, mas a crise económica mundial obrigou a rever os planos e a reduzir esse número para oito.
Mas trata-se de dificuldades temporárias e as autoridades russas dizem-se decididas a modernizar as infraestruturas do país.
“O nosso objectivo é construir até 10 mil quilómetros de linhas férreas de alta velocidade até 2030”, declarou à Lusa Vladimir Zinner.
“Vamos apostar principalmente nas distâncias médias, onde o poder de concorrência do TGV é evidente em comparação com o avião, para já não falar do automóvel”, acrescentou.
Num país onde praticamente não existem auto-estradas, uma viagem entre Moscovo e São Petersburgo de automóvel leva, em média, 8-9 horas, o que faz com que este meio de transporte não seja concorrente com o TGV.
“O TGV também vai concorrer com o avião. Embora o voo entre Moscovo e São Petersburgo demore apenas 1 hora e 20 minutos, é necessário estar no aeroporto duas horas antes do voo e, antes disso, é necessário chegar ao aeroporto. Tendo em conta as extensas filas de carro nas estradas das duas cidades russas e o facto de os aeroportos se situarem nos arredores, a viagem do avião não se torna mais rápida”, declarou à Lusa Hans-Jorg Grundman, chefe do Departamento de Mobilidade da Siemens.
“Além disso”, continua, “o passageiro terá muito mais espaço, poderá usar computador e telemóvel no comboio e o bilhete será mais barato”.
Segundo a direcção da RZD da Rússia, o bilhete (ida e volta) de TGV entre Moscovo e São Petersburgo deverá rondar os cem euros, enquanto que o bilhete de avião custa 130 euros.
“E não se pode menosprezar o facto de o TGV ser incomparavelmente menos poluente”, sublinhou Grundman.

Rússia aposta na importação de tecnologia estrangeira no campo da alta velocidade







As enormes mudanças políticas de finais do séc. XX provocaram sérias alterações nos planos de desenvolvimento dos transportes na Rússia. O maior país do mundo, onde os caminhos de ferro sempre foram uma prioridade entre os transportes, necessita de comboios de alta velocidade para a sua modernização.
A União Soviética deu início ao fabrico de comboios rápidos em 1965, mas a posterior desintegração do país e do COMECOM (organização económica dos antigos países comunistas)levaram à suspensão do projecto, optando a actual direcção russa pela importação de tecnologia estrangeira.
O primeiro comboio de alta velocidade a ser produzido na era soviética recebeu o nome de Aurora, em honra do cruzador de guerra que, em Novembro de 1917, deu o sinal para o início da revolução comunista.
Com locomotivas fabricadas pela empresa Skoda na Checoslováquia, o Aurora atingia uma média de 160 km/hora e cobria a distância entre Moscovo e São Petersburgo em 04 horas e 59 minutos.
Mais tarde, em 1984, o comboio rápido ER-200, fabricado em Riga, na Letónia, fez subir a velocidade média para 200 km/hora, o que reduziu o tempo de viagem para 04 horas e 48 minutos.
Porém, a fábrica letã teve tempo de produzir apenas dois comboios de alta velocidade, um dos quais já se encontra no Museu dos Caminhos de Ferro da Rússia.
Era preciso encontrar uma solução para este problema depois da queda da União Soviética e uma decisão política de Vladimir Putin, então Presidente da Rússia, foi o suficiente para dar início à cooperação entre os Caminhos de Ferro da Rússia e o consórcio alemão Siemens no campo da alta velocidade.
A decisão do Kremlin de apostar na tecnologia alemã foi tomada num encontro entre Putin e Gerhard Schroeder, então chanceler alemão.
Os dirigentes da Siemens não escondem esse facto, mas sublinham que, actualmente, outras empresas do ramo entram no mercado russo. Por exemplo, o TGV que irá ligar São Petersburgo e Helsínquia, capital da Finlândia, será de fabrico francês.
A Siemens participa não não só na modernização da rede ferroviária de alta velocidade russa. Os Caminhos de Ferro da Rússia planeiam também substituir, até 2030, todas as 20 mil locomotivas de que actualmente dispõem, e isso será feito com a participação do consórcio alemão.
Em Ekaterimburgo, cidade russa nos Urais, uma empresa russo-germânica conjunta produz, presentemente, cem locomotivas por ano, mas outros projectos avançam.

terça-feira, setembro 15, 2009

Moscovo dá novos passos para anexar Abkházia e Ossétia do Sul


A Rússia assinou hoje um acordo de cooperação com a Abkházia e a Ossétia do Sul que que prevê a criação de bases militares nessas regiões separatistas da Geórgia.
O acordo, válido por 49 anos, foi assinado na capital russa por Anatóli Serdiukov, ministro da Defesa da Rússia, e pelos seus homólogos da Abkházia e da Ossétia do Sul, respectivamente Merab Kichmaria e Iúri Tanaev.
O documento prevê, entre outras coisas, o aquartelamento de 1.700 soldados russos em cada uma dessas regiões, cuja independência foi reconhecida pelo Kremlin em Agosto do ano passado.
Anatóli Serdiukov anunciou que a Rússia planeia assinara novos acordos de cooperação no campo técnico-militar com a Abkházia e Ossétia do Sul.
“Trata-se apenas do primeiro passo entre os nossos ministérios. Nos tempos mais próximos irá ser assinada uma série de acordos nos campos da cooperação militar e técnico-militar”, declarou.
No mesmo dia, o general Victor Trufanov, comandante do Serviço Fronteiriço do Serviço Federal de Segurança (FSB) da Rússia, anunciou que irá prender os navios que violarem a fronteira marítima da Abkházia, anunciou hoje .
Antes, o vice-comandante desse serviço, Evgueni Intchin, declarou que as forças fronteiriças navais do FSB da Rússia irá, juntamente com a guarda-fronteiriça abkhaze, garantir a segurança dos navios que entrarem nas águas da Abkházia.
A Abkházia, região separatista da Geórgia, proclamou a independência, em Agosto do ano passado, com o apoio de Moscovo. A guarda-fronteiriça georgiana, desde o início de 2009, deteve mais de 20 navios por terem “violado as regras de entrada nas águas de territórios ocupados”.
Moscovo, baseando-se no acordo assinado com a Abkházia sobre a garantia conjunta da segurança nas águas territoriais abkhazes, ameaçou recorrer à força para impedir aquilo que considera “acções de pirataria” da Geórgia.
O general Victor Trufanov anunciou também que “todos os trabalhos necessários para organizar as fronteiras da Abkházia” estarão terminados em Novembro de 2009.

Em Direito Internacional, estes passos têm uma definião: anexação.