Sábado, Dezembro 31, 2011

Putin deseja felicidades aos russos, independentemente das ideias políticas

O primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, desejou bem-estar a todos os cidadãos russos, independentemente das posições políticas, informa o sítio eletrónico do Governo da Rússia.
“Claro que gostaria de desejar bem-estar a todos os nossos cidadãos, independentemente das paixões políticas: aos que simpatizam com as forças de esquerda, aos que se encontram à direita, em cima, em baixo, em qualquer posição, quero desejar a todos bem-estar e prosperidade”, acrescentou.
“Encontramo-nos a meio de um ciclo político: terminaram as eleições para a Duma Estatal, começaram as eleições presidenciais. Em alturas como estas, os políticos exploram sempre os sentimentos dos cidadãos, agitando um pouco em toda a parte, fazendo ondas, mas esse é um preço inevitável pela democracia. Nada há de extraordinário nisso”, comentou.
Após as eleições de 4 de dezembro, em que venceu o partido no poder Rússia Unida, tiveram lugar, em várias cidades russas, manifestações de protesto contra a “falsificação dos resultados”.
Putin manifestou também esperança de que o novo ano será bom para a Rússia.
“A economia mundial não acalmou, navega entre ondas agitadas. Nesse sentido, a Rússia parece, em certa medida, uma “ilhota de estabilidade”. Em todo o caso, por enquanto. Embora a situação ao nosso redor seja bastante preocupante, isso é verdade. Mas precisamente devido ao facto de termos, em geral, superado as consequências da crise, a economia intensifica os ritmos de desenvolvimento. Isso faz-nos acreditar que o ano seguinte será bom”, considerou ele.
“A propósito, o ano seguinte é o Ano do Dragão, segundo o calendário oriental. Eu nasci precisamente no Ano do Dragão. Regra geral, foram sempre tempos bons para nós. Espero que, também desta vez, o Dragão traga sorte, bem-estar e prosperidade a cada família russa, a todos os nossos cidadãos”, concluiu o primeiro-ministro.
Em março de 2012, Vladimir Putin disputará, pela terceira vez, a luta pelo cargo de Presidente da Rússia.

Quarta-feira, Dezembro 28, 2011

Turquia aceitou passagem de gasoduto russo através do Mar Negro

 A Turquia autorizou a construção do gasoduto South Stream através do Mar Negro, anunciou hoje Vladimir Putin durante conversações com uma delegação de Ancara.
"Quero agradecer à Turquia por ter dado a autorização definitiva para a construção do gasoduto South Stream na sua zona económica", acrescentou o primeiro-ministro russo que agradeceu também à Comissão Europeia pelos apoios concedidos ao projecto.
"Trata-se incondicionalmente de um projecto europeu. Agradecemos à Comissão Europeia pelo apoio. Sabemos que apoia diferentes projectos de infraestruturas, nomeadamente o South Stream", acrescentou.
O dirigente russo recordou que na realização do projecto participam a empresa russa Gazprom, a italiana Eni, a francesa EdF e a alemã BASF.
Alexandre Medvedev, vice-presidente da Gazprom, fez saber que o país não vai renunciar à construção do South Stream mesmo que Moscovo chegue a acordo com Kiev sobre o controlo do sistema ucraniano que transporta gás da Rússia para a Europa.
Medvedev só não sabe ainda se o gasoduto vai entrar em Itália pelo norte ou pelo sul.
O South Stream vai fornecer gás da Rússia e da Ásia Central à Europa por um gasoduto construído a uma profundidade máxima de dois quilómetros no Mar Negro e com um comprimento de 900 quilómetros. Com uma capacidade anual de transporte de 30 mil milhões de metros de gás, vai prolongar-se à Áustria e Itália.
O gasoduto, cuja construção está avaliada em cerca de 10 mil milhões de euros vai ser o concorrente do Nabucco, gasoduto projectado pela União Europeia para transportar gás da Ásia Central através do Mar Cáspio.

Putin gostaria de oferecer aos russos "eleições presidenciais limpas"

O primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, disse hoje que gostaria de oferecer aos russos como prenda de Ano Novo eleições presidenciais livres.
"Eleições limpas em 2012", disse Putin quando os jornalistas lhe perguntaram que prenda colocaria junto da árvore dos russos.
Putin, que se candidata pela terceira vez ao cargo de Presidente da Rússia, considerou que os russos, caso venha a vencer as eleições, não irão ver nele um "Putin-2".
"As pessoas mudam, cada pessoa deve corresponder às exigências dos dias de hoje e de amanhã".
O dirigente russo disse também que não conversou com o actual Presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, sobre a possibilidade de ocupar o cargo de Presidente interino até às eleições de 04 de março de 2012.
Putin frisou que a lei não o obriga a deixar de ocupar o cargo de primeiro-ministro durante a campanha eleitoral.
O primeiro-ministro russo defendeu também a necessidade de diálogo com a oposição, mas reconheceu não saber ainda de que forma.
"Deve existir diálogo, mas estou a pensar sob que forma", disse.
Quanto à participação em debates eleitorais, Putin comentou: "não sei, não é que tenha medo, mas o problema é que a oposição não está ocupada com trabalho concreto".
"É preciso dizer que gosto do trabalho no Governo. É muito concreto. Claro que o Governo é responsável pela situação social e económica do país", continuou.
"Está-se mesmo junto do forno", frisou Putin.
O primeiro-ministro russo mostrou-se também preocupado com a situação económica na União Europeia, mas acrescentou esperar que as autoridades russas consigam evitar a influência negativa da crise.
"Alguns países (da Europa) escorregaram para a recessão, isso é oficial e preocupa-nos muito. O nível do desemprego aumentou bruscamente, sendo de 17 por cento na Grécia e de 22,8 em Espanha. Isso são números acima de tudo. Nós temos o menor número: 6,3 por cento", concluiu.

Moscovo acusa Portugal de discriminação e aponta aumento de julgamentos por pedofilia

O Ministério dos Negócios Estrangeiros russo divulgou um relatório sobre a violação dos direitos humanos pela União Europeia e os Estados Unidos, onde cita Portugal por não ter transposto a diretiva sobre o direito de livre circulação e residência.
Baseando-se em dados da Agência Europeia para Direitos Fundamentais do Homem, a diplomacia russa acusa Portugal de estar entre os países europeus que não colocou a sua legislação em conformidade com a diretiva de 2004 sobre o direito de circulação livre e residência dos cidadãos da UE e dos elementos das suas famílias no território dos países membros.
Na esfera do emprego, o Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) russo, citando dados da mesma agência, considera que 24 por cento dos brasileiros são discriminados em Portugal.
Baseando-se em dados da Associação Europeia para a Prevenção de Acidentes e a Segurança, a diplomacia russa considera que Portugal, Áustria, Holanda e Bélgica se encontram entre os países da UE "onde é evidente o aumento de casos de julgamentos ligados à violência sexual em relação às crianças, nomeadamente por parte de representantes da Igreja Católica e de altos funcionários públicos".
Mas as críticas mais duras são feitas em relação aos Estados Unidos e NATO. A diplomacia russa acusa os Estados Unidos de continuarem a violar os direitos humanos tanto no próprio território, como quando atuam no estrangeiro.
"A situação nos Estados Unidos está longe dos ideais proclamados por Washington. A atual administração continua a empregar a maioria dos métodos de controlo da sociedade e de ingerência na vida privada dos americanos empregues pelos serviços secretos de Washington durante a era de Bush, sob o pretexto da "guerra contra o terrorismo", sublinha o relatório.
O MNE russo considera que, no conflito líbio, registaram-se violações dos direitos humanos cometidos tanto pelas partes beligerantes, como pela NATO.
"Sérias críticas merecem as ações da coligação da NATO na Líbia do ponto de vista da observação das normas do Direito Internacional, nomeadamente do Humanitário", frisa o documento.
Este relatório é uma resposta às críticas feitas por Washington e Bruxelas às violações dos direitos humanos na Rússia, nomeadamente no campo político.

Terça-feira, Dezembro 27, 2011

Putin e Medvedev continuam frenética "dança de cadeiras".

Seja por excesso de confiança ou por falta de modéstia, mas o dueto Dmitri Medvedev e Vladimir Putin que governa a Rússia está convencido que irá continuar por muito tempo no poder e que a vitória de Putin nas presidenciais de Março de 2012 são “favas contadas”.
E se alguém tivesse dúvidas, hoje foi dado mais um passo importante para que elas desaparecessem. O dia começou com Vladimir Putin a dizer que “é impossível” a revisão dos resultados das eleições parlamentares de 04 de Dezembro e recomendou a oposição a queixar-se nos tribunais que tomarão as medidas adequadas para cada falsificação da contagem de votos.
Tendo em conta a “independência” dos tribunais russos, que consiste no facto de deles nada depender, pode-se imaginar as sentenças dos juízes a favor das queixas da oposição.
Além disso, Putin considera que a oposição não tem qualquer tipo de ideias e não imagina os seus dirigentes a realizarem “trabalho concreto”.
Claro que tinha de fazer de conta que deu ouvidos aos protestos daqueles milhares de cidadãos (na sua maioria jovens e membros da classe média), prometendo que, se for preciso urnas transparentes, arranja-se dinheiro para isso e sublinhando que não quer ganhar as eleições com trafulhices.
Tendo em conta a minha experiência como observador dos processos políticos, estou entre os que consideram que, em eleições presidenciais transparentes, Putin ficará em primeiro lugar. Mas, se não ganhar à primeira volta, vence à segunda porque irá defrontar o dirigente comunista Guennadi Ziuganov e, neste caso, a maioria dos russos, engolindo sapos ou não, vai optar por Putin. A não ser que tenham uma memória muito curta.
Neste momento, não existe qualquer político que consiga disputar a sério as presidenciais com Putin, porque o Kremlin fez a política de terra queimada em relação à oposição, impedido o desenvolvimento de um sistema político e partidário moderno e democrática.
É também verdade que a oposição está extremamente dividida, existindo dentro dela forças como o Partido Comunista ou o Liberal-Democrático que estão prontos a negociar a sua fidelidade com quer que esteja no poder, o importante é que paguem bem e garantam um bom nível de conforto aos dirigentes.
Porém, isso não dá a Putin e Medvedev o direito de, sem esperar a decisão do eleitorado russo, começar uma desenfreada “dança de cadeiras”, como já foi iniciado.
 Hoje, Dmitri Medvedev nomeou para vice-primeiro ministro do Governo Vladislav Surkov, que deixa assim o cargo de vice-chefe da Presidência da Rússia.
Surkov, considerado o ideólogo e eminência parda do Kremlin, irá responder no Governo pela pasta da “modernização”. Nas estruturas presidenciais, ele era também vice-chefe da comissão para a modernização.
“Gosto muito desse trabalho”, respondeu Surkov à proposta de Medvedev.
“Espero que agora se dedique directamente a tudo isso, que esse trabalho seja mais visível e com um maior conteúdo”, frisou o Presidente russo, sublinhando que “todos as prerrogativas socioeconómicas estão concentradas no executivo”.  
Viatcheslav Volodin, homem próximo de Putin, passou de dirigente do aparelho do Governo para vice-chefe da Administração Presidencial, sendo substituído no primeiro cargo por Anton Vaino, que ocupou até agora o cargo de vice-chefe do aparelho do Governo.
Djakhan Pollieva passou do cargo de assessora do Presidente da Rússia para dirigente do aparelho da Duma Estatal da Rússia.
Na semana passada, Serguei Ivanov, ligado ao clã dos “siloviki” (representantes dos serviços secretos nas altas estruturas do poder russo) passou de vice-primeiro-ministro para chefe da Administração Presidencial.
Serguei Narichkin, outro “silovik”, deixou a chefia da Administração Presidencial e foi eleito dirigente da Duma Estatal (câmara baixa) do Parlamento Russo, reforçando as posições de Putin num órgão onde o seu partido Rússia Unida está pior representado devido ao desaire eleitoral.
Apenas uma pergunta: quem irá realizar e quando serão realizadas as medidas apresentadas por Dmitri Medvedev para modernizar o sistema político russo? Será Vladimir Putin que irá derrubar a “vertical do poder” criada por ele depois de chegar ao Kremlin em 2000?
Por enquanto, a situação na Rússia não faz prever uma “primeira eslava”, mas o desprezo manifestado pelo poder em relação à oposição e à sociedade pode sair caro ao Kremlin, a julgar pela história.

Domingo, Dezembro 25, 2011

URSS/20 anos: Discussões sobre fim do império soviético mantêm intensidade

 


*** José Milhazes, para a Agência Lusa ***
Moscovo, 23 dez (Lusa) - O 20.º aniversário do fim da União Soviética voltou a reacender com novas forças as discussões sobre as causas da desintegração do maior país do mundo a 25 de dezembro de 1991.
Rádios, televisões e jornais prepararam e transmitiram reportagens especiais sobre esse acontecimento, procurando explicar as razões que levaram ao fim da URSS, o papel que tiveram no processo personalidades políticas como Mikhail Gorbatchov, primeiro e último Presidente da URSS, e Boris Ieltsin, primeiro Presidente da Rússia independente.
Os autores do documentário "URSS: a derrocada de um império", transmitido pelo canal NTV, atribuíram as culpas fundamentalmente a Gorbatchov, acusando-o de ceder posições ao Ocidente e de gerir mal os processos internos na URSS.
Embora o antigo Presidente soviético seja um dos principais intervenientes nos acontecimentos, não tem direito a responder às acusações que lhe são feitas. As críticas de Gorbatchov aos atuais dirigentes russos também não contribuem para o aumento das suas possibilidades de se defender.
O primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, continua a considerar a desintegração da União Soviética "a maior tragédia geopolítica do séc. XX", esquecendo-se, tal como a maioria da atual élite russa, que jamais chegaria tão longe na estrutura do poder se o império continuasse a existir.
O lamento pode parecer que o regresso ao passado é tido como alternativa ao atual regime existente na Rússia. Por exemplo, Guennadi Ziuganov, dirigente do Partido Comunista da Federação da Rússia, apresenta a política do ditador comunista José Estaline um exemplo a seguir no séc. XXI. Como se nada no mundo tivesse mudado.
Apresentar essa alternativa depois das mudanças operadas nos setores económico, social e político na Rússia, significa admitir mergulhar o país numa nova guerra civil, como aquela que ocorreu entre 1917 e 1922.
O líder comunista apresenta a aposta na modernização do complexo militar-industrial como uma das formas de a Rússia acompanhar o progresso e competir no campo internacional. Vladimir Putin e o Presidente russo, Dmitri Medvedev, também não parecem estar contra a demonstração de força militar, apresentando o país como uma fortaleza rodeada de inimigos.
Os opositores desta ideia sublinham que a corrida aos armamentos foi uma das principais causas da desintegração da União Soviética.
Tanto mais que a atual direção russa continua a cometer outro erro que já fora fatal para a URSS: a manutenção de uma economia baseada quase exclusivamente nos altos preços mundiais do petróleo e do gás. Isto é tanto mais grave se se tiver em conta que a maior parte da herança industrial e tecnológica soviética está praticamente esgotada.
Perante uma forte onda de descontentamento da classe média e da juventude, que não se veem representadas no atual sistema político, Medvedev apresentou, na quarta-feira, uma série de reformas para permitir e aumentar a participação dos cidadãos.
Resta saber se Medvedev não está a imitar Mikhail Gorbatchov, numa das suas facetas mais negativas, ou seja, na reação tardia aos desafios colocados pela sociedade. E se as promessas não passam disso, sendo apenas lançadas para travar a crescente contestação das mais diferentes oposições.
Lusa/fim

URSS/20 anos: Espaço pós-soviético continua em processo de redefinição

  *** José Milhazes, para a Agência Lusa ***

Lisboa, 23 dez (Lusa) - A substituição da bandeira vermelha soviética pela tricolor russa no Kremlin de Moscovo, na noite de 25 de dezembro de 1991, há 20 anos, foi talvez um dos momentos mais simbólicos do século passado.
Começou assim uma nova era de redefinição do espaço ocupado pela União Soviética, que constitui um sexto da Terra.
Estónia, Letónia e Lituânia foram as últimas repúblicas a serem obrigadas a aderir à URSS, em 1939, e por isso estiveram na linha da frente da fuga quando o edifício chamado Império Soviético começou a ruir. Hoje, com maior ou menor sucesso, já fazem parte da União Europeia.
A Geórgia está a ter menos sucesso na aproximação à NATO e UE, em parte devido aos receios da Rússia, que já provocaram um conflito armado entre os dois países em 2008.
Quanto às restantes 12 repúblicas da ex-URSS: Arménia, Azerbaijão, Bielorrússia, Cazaquistão, Moldávia, Quirguistão, Rússia, Tajiquistão, Turquemenistão, Ucrânia, Uzbequistão continuam juntas na Comunidade de Estados Independentes, organização criada mais para gerir a desintegração da URSS do que para gerar um novo polo de integração.
Aqui, a Rússia, por razões históricas, geográficas, políticas e militares, tem tentado incentivar o processo de reunificação e de integração, mas com poucos êxitos.
Se para os dirigentes russos, isso significa recriar uma dimensão perdida, para os líderes dos restantes países trata-se da afirmação de Estados independentes e de um olhar de desconfiança face ao "irmão mais velho".
O exemplo da Ucrânia é o mais evidente. Não obstante Kiev ter apostado na viragem para a UE, Moscovo não desiste de a tentar mudar de rumo, recorrendo para isso ora a ameaças como o aumento do preço do gás, ora a benesses caso aceite integrar a União Aduaneira, composta pela Rússia, Cazaquistão e Bielorrússia. A tentação de "não deixar escapar a Ucrânia" é tanto maior quanto mais sérias são as dificuldades com que se depara a UE.
Moscovo procura também não perder zonas de influência estratégicas como a Ásia Central e a Transcaucásia. Receando a continuação da presença dos Estados Unidos na região depois da retirada das tropas norte-americanas do Afeganistão em 2014, o Kremlin tenta não permitir a criação de novas bases militares e fechar a já criada por Washington no Quirguistão.
No entanto, corre o sério risco de ver entrar pelo seu território a influência do islamismo extremista caso os talibãs recuperem posições no Afeganistão. A não ser que Moscovo espere que Pequim assuma com a Rússia um papel militar mais relevante na Ásia Central.
Porém, todos os planos de chefiar processos de integração ou de alargamento de zonas de influência podem cair por terra se Moscovo perder a corrida da modernização interna. A herança soviética está a chegar ao fim e os actuais dirigentes russos não têm sabido ou não querem aproveitar as boas oportunidades económicas, criadas pelo alto preço dos hidrocarbonetos no mundo, para modernizar as infraestruturas e fazer entrar a Rússia na fase da inovação.
Até agora, o dirigente russo não conseguiu realizar isso e, como pretende ocupar o Kremlin por mais 12 anos, pode acontecer que, no fim dos dois mandatos, se não inventar mais uma fórmula de continuação do poder, a Rússia se veja definitivamente afastada da locomotiva da inovação.
Lusa/fim

Sábado, Dezembro 24, 2011

Mikhail Gorbatchov aconselha Vladimir Putin a abandonar a corrida a Presidente do país

O antigo Presidente da União Soviética, Mikhail Gorbatchov, aconselhou hoje Vladimir Putin a abandonar a corrida presidencial, como forma de “conservar o que fez de positivo”.
Vladimir Vladimirovitch (Putin) deve ir-se embora já. Já cumpriu três mandatos: dois como Presidente e um como primeiro-ministro. Ora, três mandatos já chega”, declarou o pai das reformas democráticas na URSS em declarações à rádio Eco de Moscovo.

Porque se estão a criar clãs à volta dele”, acrescentou.

Gorbatchov nãzo vê nada de terrível n uma decisão dessas. Ao recordar acontecimentos que se registaram à precisamente 20 anos atrás, ele sublinhou que ninguém o derrubou do cargo de Presidente da URSS, mas foi o próprio a anunciar a demissão.

Ele deve fazer o mesmo. Eu faria o mesmo, então ficaria defendido tudo o que de positivo foi feito”, concluiu.

O antigo Presidente soviético no dia em que a oposição ao Kremlin realizou a sua mais numerosa manifestação em Moscovo a fim de exigir novas eleições parlamentares e a Rússia sem Putin.

Gorbatchov invocou motivos de saúde para não estar presente na Avenida Sakharov, mas quis deixar a sua posição marcada nesta entrevista radiofónica.

Milhares de pessoas exigem realização de novas eleições parlamentares


Milhares de pessoas exigem, na Avenida Sakharov, no centro da capital russa, a realização de novas eleições parlamentares na Rússia e a demissão do primeiro-ministro russo, Vladimir Putin.

Segundo os organizadores do evento, não obstante o frio que se faz sentir em Moscovo, no comício de protesto já se juntaram muito mais de 120 mil pessoas e os manifestantes continuam a chegar. Porém, a polícia fala em mais de 29 mil.

No entanto, a polícia suspendeu temporariamente o acesso à Avenida Sakharov devido ao grande número de manifestantes concentrados no local.

Vladimir Rijkov, um dos organizadores do comício, abriu esta iniciativa de protesto lembrando que o poder não satisfez qualquer cedência às reivindicações apresentadas pela oposição no passado 10 de dezembro: libertação dos presos políticos; elaboração de uma nova legislação eleitoral não para 2013, como prometeu o Presidente Dmitri Medvedev, mas para a realização de um escrutínio antecipado em 2012, e demissão de Vladimir Tchurov do cargo de presidente da Comissão Eleitoral da Rússia.

Não abandonaremos as praças enquanto as nossas reivindicações não forem cumpridas”, frisou Rijkov.

O escritor Boris Akunin declarou que o poder tentou dividir a oposição, mas não conseguiu.

O que nos une é mais importante do que o que nos divide”, sublinhou, acrescentando que “na avenida encontram-se mais de cem mil pessoas”.

Medvedev respondeu à nossa primeira manifestação com promessas vagas e Putin com insultos. Por isso, nas eleições presidenciais, nenhum de nós deve votar nele”, concluiu.

Artiom Troitski, conhecido crítico musical russo, subiu ao palco vestido de preservativo “para me proteger de doenças transmitidas pelo sistema eleitoral russo infetado”.

Espera-se ainda a intervenção de conhecidos políticos como Mikhail Gorbatchov, antigo Presidente da União Soviética, Alexei Kudrin, ex-ministro das Finanças do governo de Vladimir Putin, e Mikhail Prokhorov, magnata que tenciona participar nas eleições presidenciais de 04 de março de 2012.

Oposição aumenta lista de reivindicações dirigidas ao Kremlin

O comício da oposição em Moscovo terminou com a aprovação de uma resolução com uma lista de reivindicações superior à apresentada na manifestação de 10 de dezembro.
Os manifestantes exigiram hoje a libertação dos presos políticos, a revisão dos resultados das eleições parlamentares de 04 de dezembro, o castigo dos autores das falsificações no escrutínio, ao registo de todos os partidos da oposição, a aprovação de uma nova legislação eleitoral e a criação de uma união de eleitores para controlar as eledições.
Alexei Kudrin, antigo ministro das Finanças do governo de Vladimir Putin, apoiou a realização de eleições parlamentares antecipadas, a realização das presidenciais de março de 2012 em novas condições e o diálogo com o poder vigente.
“É preciso organizar uma área de diálogo. De outro modo, teremos uma revolução, iremos perder a oportunidade que hoje temos de transformação pacífica e a confiança necessária no novo poder que for ekleito”, frisou.
O magnata Mikhail Prokhorov, um dos candidatos a Presidente da Rússia, tomou da palavra para prometer novas eleições parlamentares se vencer nas presidenciais de março de 2012.
Durante o comício foi anunciado que Mikhail Gorbatchov, antigo Presidente soviético, não esteve presente por “motivos de saúde”.
Embora a polícia reconheça que a manifestação na Avenida Sakharov juntou mais pessoas que no comício realizado na Praça Bolotnaia a 4 de dezembro, ela anunciou que estiveram presentes apenas 29 mil pessoas, enquanto que a oposição fala em mais de cem mil.
Fontes independentes apontam os mais de 80 mil como o número mais próximo da realidade. Seja como for, a próxima manifestação ficou marcada para fevereiro de 2012.
Realizaram-se também comícios e manifestações de protesto contra a falsificação dos resultados eleitorais em numerosas cidades russas, não tendo a polícia registado qualquer incidente.

SANTO NATAL E MUITO BOAS NOTÍCIAS

Caros leitores amigos, desejo-vos um Santo Natal e muito boas notícias para o ano de 2012. Espero estar aqui para acompanhar a evolução dos acontecimentos na Rússia e arredores. Vai valer a pena.

Sexta-feira, Dezembro 23, 2011

Autoridades preparam-se para comício da oposição concentrando tropas e blindados em Moscovo

As autoridades russas estão a concentrar tropas na capital do país a pretexto de evitarem incidentes durante a manifestação da oposição ao Kremlin convocada para amanhã, noticiam as agências russas citando testemunhas das movimentações de soldados do Ministério do Interior da Rússia.
A oposição russa, que engloba tanto representantes de partidos com assento parlamentar, como forças políticas não autorizadas pelo Ministério da Justiça, vai protestar contra a “falsificação das eleições parlamentares”, pela demissão do dirigente da Comissão Eleitoral da Rússia e realização de um novo escrutínio.
Eu saída de Moscovo às 19.45 horas (15.45) de quarta-feira quando vi, em sentido contrário, uma coluna militar acompanhada por automóveis da polícia de trânsito”, declarou, Andrei Filin, dirigente da Federação de Automobilistas da Rússia, à agência RBK.
Segundo ele, a coluna era constituída por “cerca de 20 veículos, entre os quais dez camiões com soldados, dois veículos e outros meios blindados móveis”.
O ministério não planeia trazer para a capital forças suplementares além das necessárias para garantir a ordem”, comentou um porta-voz oficial do Ministério russo do Interior à agência Ria-Novosti.
Os organizadores da manifestação esperam uma afluência recorde à Avenida Sakharov, onde se irá realizar o protesto. A julgar pelos russos que já confirmaram a sua participação no evento através da rede social do Facebook e do seu análogo russo Vkontake, irão estar presentes mais de 75 mil pessoas.
Na manifestação de 10 de dezembro, o número de participantes ultrapassou a quantidade de inscritos nas redes sociais.
O Patriarca da Igreja Ortodoxa Russa, Kirill I, lançou hoje um apelo para que os russos “não acreditem incondicionalmente” nessas redes sociais.
A confiança ingénua do homem actual na informação colocada nas redes sociais, a desorientação e a perda de valores básicos tornam os nossos contemporâneos particularmente vulneráveis à manipulação da sua consciência”, declarou ele na sua mensagem anual.
Kirill I considera que “as mudanças do vetor político não podem mudar radicalmente e tornar a sociedade feliz se não existir um desejo de transformação da personalidade humana”.
O chefe da Igreja Ortodoxa Russa desvalorizou os comícios ao compará-los com a cerimónia de veneração do “Cinto da Mãe de Deus”, realizada em Moscovo no mês de novembro.
Na realidade, centenas ou milhares participam em diferentes comícios, mas com a Mãe de Deus foram ter milhões de nossos concidadãos ortodoxos, que conseguiram chegar até à relíquia após estarem muitas horas numa fila. A fila infinita de diferentes pessoas mostrou à nossa sociedade que o sal da terra russa, de que alguns mídias não deram conta durante muito tempo e de forma arrogante, nunca deixou de existir e que as esperanças populares estão ligadas à fé em Deus”.
O Kremlin espera que as promessas feitas pelo Presidente Dmitri Medvedev de liberalização do sistema político russo: eleição direta dos governadores das regiões e repúblicas da Federação da Rússia, facilidade de participação de partidos e cidadãos nas eleições, contribua para a desmobilização da oposição.
Estruturas tectónicas da siciedade começaram a movimentar-se, o tecido social ganhou nova qualidade. Já estamos no futuro. E esse futuro não será calmo. Mas não vale a pena ter receio. A turbulência, mesmo que forte, não é uma catástrofe, mas um tipo de estabilidade. Tudo vai correr bem”, comentou Vladislav Surkov, vice-dirigente da Administração Presidencial e ideológo do Kremlin.

Quinta-feira, Dezembro 22, 2011

Será que Dmitri Medvedev ainda não se atrasou?

Ежегодное послание президента Дмитрия Медведева Федеральному Собранию РФ


O Presidente russo, Dmitri Medvedev, apresentou hoje um programa de reformas políticas com vista à modernização do sistema político na Rússia.
Pronunciado a poucos meses do abandono desse cargo, a sua mensagem ao Parlamento Russo é recebida como o seu programa à frente do Governo russo, pois Vladimir Putin prometeu nomeá-lo primeiro-ministro caso vença nas presidenciais de março de 2012.
Medvedev respondeu a algumas das mais importantes exigências da oposição russa, que se via impossibilitada de participar realmente na vida política, bem como de influir nas estruturas do poder: anunciou a eleição direta dos dirigentes das 83 regiões e repúblicas da Federação da Rússia e a remoção de barreiras com vista a permitir a participação das forças da oposição nas eleições parlamentares e presidenciais.
No fundo, Medvedev propõe a liquidação de barreiras criadas pelo seu antecessor e sucessor no cargo de Presidente da Rússia: Vladimir Putin.
O Presidente russo prometeu também continuar a luta contra a corrupção, um dos grandes obstáculos na via do desenvolvimento do país. Entre outras medidas, propôs o “controlo das depesas dos funcionários públicos” através das declarações de rendimentos e proibir a assinatura de acordos entre as estruturas estatais e empresas privadas controladas por familiares de funcionários públicos.
Dnmitri Medvedev fez um resumo dos avanços do país durante o período da sua presidência, sublinhando os êxitos no campo da natalidade e do aumento da esperança de vida, do aumento das pensões e salários.
No entanto, frisou que a Rússia deve estar pronta para enfrentar a grave crise económica mundial.
No campo da política externa, o dirigente russo sublinhou que o seu país irá continuar os processos de integração económica e militar com alguns dos serus vizinhos. Por exemplo, anunciou que a União Económica Euroasiática deverá estar criada até 2015.
Medvedev mostrou-se também disposto ao diálogo no que respeita à instalação de um sistema de defesa antimíssil conjunto na Europa com os Estados Unidos, mas frisou que “para isso é necessário que os nossos parceiros ocidentais nos ouçam”.
Caso contrário, lembrou que Moscovo tem resposta se os Estados Unidos avançarem sem a Rússia para a criação de um sistema.
Um discurso que vai ao encontro de algumas das mais importantes exigências da oposição russa, que convocou importantes manifestações de protesto para 24 de dezembro.
Porém, alguns analistas consideram essas medidas insuficientes e tardias.
Trata-se de passos lógicos, esperados, mas eles diferem, quanto ao dinamismo, da radicalização crescente da corrente de protesto. Não considero que nas palavras do Presidente haja uma resposta completa, sistemática, às exigências dos que pretendem participar nas manifestações”, afirmou o politógo Mikhail Vinogradov, citado pela agência Ria-Novosti.
A situação exige a aceleração na tomada de decisões. Mas é preciso compreender que o dinamismo do poder está, hoje, aquém, dos ritmos de radicalização do protesto”, concluiu.
Tudo isso é demagogia. Chegou tarde e o comboio já partiu”, comentou Eduard Limonov, líder da organização da oposição Outra Rússia.
Alguns líderes da oposição estão a interpretar esta mensagem de Medvedevb como sinal de fraqueza, o que também poderá contribuir para o incentivo dos protestos.


Quarta-feira, Dezembro 21, 2011

Vladimir Putin coloca homem de confiança à frente de Duma Estatal

O ex-chefe da Administração do Kremlin, Serguei Narichkin, foi eleito hoje presidente da Duma Estatal, câmara baixa do Parlamento Russo, que na véspera dera início aos trabalhos da sexta legislatura.

A candidatura de Narichkin, apresentada pelo partido no poderr Rússia Unida foi aprovada pelos 238 deputados que essa força política tem na câmara baixa.

O ex-funcionário do Kremlin ganhou a votação face a três candidatos da oposição parlamentar: Ivan Melnikov, do Partido Comunista, Vladimir Jirinovski, do Partido Liberal-Democrático, e Serguei Mironov, do Partido Rússia Justa.

Após a votação, Narichkin agradeceu a confiança depositada nele e pediu boa coordenação e trabalho construtivo a todos os deputados.

Serguei Narichkin é um dos homens de confiança de Vladimir Putin. Nascido em 1954 em Leninegrado, cidade natal do atual dirigente russo, Narichkin formou-se em economia, trabalhou para os serviços secretos soviéticos (KGB) sob a capa de conselheiro económico da Embaixada da URSS em Bruxelas, sendo considerado um membro influente do grupo dos “siloviki”.

Começou a trabalhar com Putin no departamento internacional da Câmara de Leninegrado/São Petersburgo, tendo sido chamado para Moscovo em 2004, para trabalhar no departamento económico da Presidência da Rússia, então já ocupada por Vladimir Putin.

Em 2008, quando Dmitri Medvedev é eleito Presidente da Rússia, Narichkin passou a dirigir a Administração do Kremlin, sendo visto como um dos “controladores” deixados por Putin para garantir o seu regresso ao poder máximo no país em 2012.

A sua eleição para a presidência da Duma é vista como uma forma de Putin continuar a controlar a câmara baixa do Parlamento Russo depois da mudança da correlação de forças nesse órgão, que passou a ser menos favorável ao poder vigente.

Isto é particularmente importante na véspera das eleições presidenciais de 4 de março de 2012, onde Putin surge como principal favorito na corrida.

Nas legislativas de 04 de dezembro, o Rússia Unida conquistou 238 dos 450 assentos, o Partido Comunista 92, o Rússia Justa 64 e o Partido Liberal-Democrático 56.





Terça-feira, Dezembro 20, 2011

OTSC define instalação de bases militares estrangeiras

 A Organização do Tratado de Segurança Coletiva (OTSC) acordou hoje que a instalação de bases militares estrangeiras no território dos Estados membros só será autorizada com o acordo de todos.
A cimeira da Organização do Tratado de Segurança Coletiva, constituída pela Rússia, Arménia, Bielorrússia, Cazaquistão, Quirguistão, Tajiquistão e Uzbequistão, realizou-se hoje na capital russa.
O Governo de Moscovo, o principal impulsionador dessa emenda ao tratado, veio já sublinhar a sua importância. O Presidente russo, Dmitri Medvedved, considerou a decisão motivo de "consolidação" entre os Estados membros.
"Para a delegação russa o acordo sobre a instalação de bases militares por Estados exteriores à região só pode acontecer com o acordo unânime países da OTSC. Trata-se de um dos principais acordos hoje conseguidos", considerou Natália Timakova, porta-voz do Kremlin.
"A Rússia vê nisto mais um fator de estabilidade no Continente Eurasiático e uma manifestação clara do carácter de aliados nas relações entre os nossos países", frisou.
Esta decisão afeta os Estados Unidos que têm alugada até 2014 uma base aérea nos arredores de Bichkek, capital do Quirguistão. Esta base é importante para a operação norte-americana no Afeganistão.
Os dirigentes da OTSC consideraram também, num comunicado divulgado depois da reunião, que o sistema de defesa antimíssil norte-americano a instalar na Europa prejudica a segurança no "continente, e no mundo".
"Os Estados membros da OTSC assinalam que a instalação unilateral dos sistemas estratégicos de defesa antimíssil por um Estado ou grupo de Estados, sem ter em conta os interesses legítimos de outros países e sem garantias a estes últimos de garantias juridicamente válidas, prejudicará a segurança internacional e a estabilidade estratégica na Europa e no mundo", sublinha-se no comunicado.

Kim deixou de ser camarada

Publico a nota na íntegra para que não me acusem de distorcer ideias. Os comentários estão no final do texto:

 

"Nota do Gabinete de Imprensa do PCP

Sobre o falecimento de Kim Jong-II

Face a várias solicitações de diferentes órgãos de comunicação social sobre o falecimento de Kim Jong-Il, o PCP divulga a seguinte informação:
O PCP reafirma nesta ocasião a sua posição de respeito e solidariedade para com a soberania da República Democrática Popular da Coreia – RDPC, o direito que lhe assiste a determinar o seu rumo próprio de desenvolvimento em condições de paz e não ingerência nos seus assuntos internos, e o objectivo da reunificação pacífica da nação coreana.
Lembrando a posição há muito expressa face a fenómenos e práticas da realidade política coreana com as quais não se identifica, o PCP reafirma a solidariedade para com o povo coreano perante as pressões, agressões e tentativas de desestabilização do imperialismo, a que, desde a Guerra da Coreia no início dos anos 50, o povo coreano e a RDPC têm estado permanentemente sujeitos e, ao mesmo tempo, a mais firme rejeição da agenda intervencionista do imperialismo, designadamente dos EUA, na península coreana e região da Ásia-Pacífico.
O PCP expressou as suas condolências ao povo coreano e à direcção do Partido do Trabalho da Coreia pelo falecimento do seu dirigente Kim Jong-Il."
É injusto dizer que o PCP não evolui! Deixou de chamar camarada ao grande líder, pelo menos no seu comunicado. Mas estou convencido que lhe chamou camarada, grande pensador, etc., etc. nas condolências enviadas.
Quanto ao resto, é tudo evidente demais para comentar. Trata-se de um caso puramente clínica e não sei se a medicina moderna tem meios de tratamento. O desenvolvimento da doença leva a um final conhecido de todos, mesmos dos grandes líderes. 

Segunda-feira, Dezembro 19, 2011

"O importante é não permitir revolução colorida" – deputado russo

O deputado e vice-chefe da Comissão de Relações Internacionais da Duma Estatal, câmara baixa do Parlamento Russo considera que após a morte de Kim Jon-Il o importante é não permitir a realização de uma "revolução colorida" e a queda do regime.
"Esse país é muito fechado. Por isso, até os mais fortes serviços de espionagem do mundo compreendem com dificuldade o que lá poderá acontecer. A nossa posição consistiu e consiste em que qualquer tensão deve ser anulada só por via diplomática", acrescentou, em declarações à agência Ria-Novosti.
"É evidente que irá ter lugar uma mudança no poder e, tendo isso como pano de fundo, ninguém deve tentar especular e tentar realizar mais revoluções coloridas, porque isso irá ter consequências catastróficas", afirmou.
Por "revolução colorida" os dirigentes russos compreendem os movimentos políticos e sociais que ocorreram em países vizinhos: Geórgia, Ucrânia e Quirguistão, e que levaram à queda de regimes políticos.
O deputado russo recorda que a Coreia do Norte possui armas nucleares e mísseis, bem como o quinto mais numerosos exército do mundo.
"Claro que isso preocupa muito os países da região: Rússia, China e Japão. Isso preocupa também seriamente os Estados Unidos pois são fortes aliados da Coreia do Sul. A tensão está a aumentar nessa região. Segundo informações existentes, todas as forças, tanto da parte da Coreia do Norte, como da Coreia do Sul, foram postas em estado de alerta", frisou.
Por isso, o deputado considera que "não deve haver qualquer tentativa de pressão externa, pois isso poderá ter consequências catastróficas".
Klimov recordou também que o sucessor de Kim Jong-il, o seu filho mais novo, tem "instrução ocidental e, nesse sentido, há esperança de que, depois de chegar ao poder, compreenda que é impossível governar sem mudanças e as mudanças devem ser graduais".
"O sentido de auto-sobrevivência obriga-lo-á a fazer reformas no país", sublinhou, acrescentando, porém, que, neste momento, "não há todas as condições para a queda do regime comunista".

Domingo, Dezembro 18, 2011

Blog do leitor (Fábrica soviética da morte)


Texto enviado pelo leitor Jest:
 
"No início das purgas soviéticas dos anos 1930, os condenados ao fuzilamento em Moscovo eram sepultados em pequenas covas individuais. Estas sepulturas estão espalhadas em todo o polígono de Butovo. Mas desde o Agosto de 1937 os assassinatos em Butovo tomaram as proporções tão grandes que a “tecnologia” do extermínio tinha que mudar.
Com ajuda de uma retroescavadora, foram cavados vários poços de grande porte, com o cumprimento de cerca de 500 metros, a largura de 3 metros e uma profundidade de 3 m (as valas podem ser vistas nas fotografias aéreas que foram feitas pelo organismo de gestão de solos ao pedido do NKVD).
No polígono de Butovo, a execução dos condenados à morte por famosas “tróicas” estava ao cargo do Isai Davidovich Berg que desde 1934 era o Chefe da unidade administrativa e económica do departamento do NKVD da província de Moscovo. Nascido em Moscovo no seio de uma família judia, em 1920 se alistou no Exército Vermelho, em 1925 já comandava um pelotão. É membro do PCUS desde 1930.
Dado que NKVD tinha que exterminar muita gente em um curto período de tempo, Berg apresentou a sua invenção tecnológica: as pessoas nus, amordaçadas, com mãos e pés amarrados, eram colocados em camiões fechados, 20-30, por vezes até 50 pessoas, até o ponto de não conseguirem se mexer. Dentro do camião, que se parecia com o de transporte do pão, colocava-se o tubo de escape, que sufocava as pessoas até a morte com os produtos de combustão. Se a vítima não morria asfixiada, ficava em um estado semiconsciente, facilitando o seu extermínio. Pela primeira vez foi usado pelo NKVD em 1936.
O próprio Berg foi preso em Agosto de 1938 acusado de pertencer à organização terrorista dentro do NKVD e fuzilado em Março de 1939. Foi reabilitado ao título póstumo em Junho de 1962.
Ver no YouTube:

Sábado, Dezembro 17, 2011

Os comunistas russos até no suicídio são unânimes

Não, não há excepção à regra. Os comunistas, mesmo quando se decidem suicidar, fazem-no por unanimidade. Como se dizia na era estalinista, um paço para esquerda, ou um paço para a direita, e esse desvio dá direito a fuzilamento.
Isto vem a propósito do Congresso do Partido Comunista da Federação da Rússia, realizado hoje nos arredores de Moscovo. Os delegados comunistas decidiram, por unanimidade, apresentar a candidatura do seu líder Guennadi Ziuganov ao cargo de Presidente da Rússia.
Esta decisão mostra que os comunistas russos nada aprendem com a história. Ziuganov foi derrotado nas presidenciais de 1996, 2000 e 2008, mas continuam a apostar numa carta batida.
Guennadi Ziuganov nunca receberá o apoio da maioria dos russos por várias razões. A primeira, é porque é um estalinista descarado, cavernoso, e os russos não aceitam repetir um regime que matou milhões de pessoas em nome de uma experiência social.
Segundo, uma parte significativa da população russa não vai renunciar àquilo que conseguiu depois da queda da União Soviética. Por exemplo, quantos russos votarão agora para que deixem de ter liberdade de sair e entrar no seu país? Quantos estarão dispostos a renunciar ao seu apartamento, casa, automóvel em nome de uma igualdade social impossível?
Ziuganov vai fazer, isso sim, um grande jeito a  Vladimir Putin caso este tenha de disputar uma segunda volta, cenário que não pode ser posto de parte.
A julgar pelas sondagens existentes e tendo em conta o grande número de candidatos, à segunda volta passarão Putin e Ziuganov. Sim, sim, Putin e Ziuganov e, perante esta escolha, alguns vão dizer que venha o diabo e escolha, mas muitos mais irão engolir um grande sapo, tal como engoliram na disputa entre Ieltsin e Ziuganov em 1996, e votarão pela continuação de Putin no Kremlin por mais seis anos.
Por vezes, a política de Ziuganov leva-me a pensar que este senhor existe na política russa para que os russos tenham de escolher entre o mau e o pior.
E, para terminar, deixo aqui as declarações feitas por Ziuganov, hoje, no Congresso do Partido Comunista. Bate forte no dueto Putin-Medvedev, mas não poupa as dezenas de milhar de pessoas que saíram no passado sábado à rua para contestarem os resultados das eleições.
Rússia/eleições: Candidatura a Presidente de Guennadi Ziuganov aprovada por unanimidade
Moscovo, 17 dez (Lusa) – O Congresso do Partido Comunista da Federação da Rússia aprovou por unanimidade a candidatura do seu dirigente Guennadi Ziuganov para o cargo de Presidente da Rússia.
Valeri Rachkin, presidente da comissão de mandatos, anunciou que todos os 209 delegados deram o seu voto.
Depois, os delegados começaram a gritar: “Ziuganov para nosso Presidente!”.
“Compreendo que, com o meu carácter exigente, isso não foi fácil de conseguir”, comentou Ziuganov.
Além de Ziuganov, já registaram as suas candidaturas: o primeiro-ministro Vladimir Putin, dirigente do Partido Rússia Unida, Serguei Mironov, líder do Partido Rússia Justa, Vladimir Jirinovski, presidente do Partido Liberal-Democrático.
Manifestaram também vontade de participar na corrida: Mikhail Prokhorov, magnata russo, Gueorgui Iavlinski, líder do Partido Iabloko, Eduard Limonov, dirigente do Partido Nacional-Bolchevique, Dmitri Mezentsev, governador da região de Irkutsk, Victor Tcherepkov, antigo presidente da Câmara de Vladivostoque.
Estes terão de recolher cada um 2 milhões de assinaturas de eleitores russos, pois não são apoiados por partidos com assento parlamentar.
Moral da história: quem não conhecer Ziuganov, que o compre!


Sexta-feira, Dezembro 16, 2011

Cazaquistão: Confrontos entre polícia e grevistas provocam pelo menos dez mortos

 Confrontos entre a polícia e operários da indústria petrolífera provocaram pelo menos 10 mortos na cidade de Janaozen, no sudoeste do Cazaquistão, anunciou Askhat Daulbaevn, procurador-geral do país da Ásia Central.
Segundo Daulbaevn foram incendiados os edifícios da câmara municipal, da sede de uma empresa de gás e de um hotel.
Fontes não oficiais, citadas por agências russas, falam em mais de mil participantes nos confrontos, que teriam provocado dezenas de mortos e feridos.
Os confrontos ocorrem no 20º aniversário da proclamação da independência do Cazaquistão.
As autoridades planeavam realizar festejos na praça central de Janaozen, onde se encontravam grevistas a protestar.
Segundo autoridades locais, citadas pela agência Itar-Tass, os grevistas, armados com paus e cocktails Molotov fizeram dispersar a manifestação que festejava a independência, incendiaram um autocarro e uma árvore de Natal, bem como destruíram uma tenda e um palco.
Porém, o jornal Respublika, da oposição ao regime do Presidente Nursultan Nazarbaiev, acusa as autoridades de terem provocado os confrontos.
"As autoridades obrigaram crianças e jovens, transportando bandeiras, a desfilar na praça, no local onde se encontravam os operários. Os trabalhadores da indústria petrolífera travaram-nos e foram atacados pela polícia. Assim ocorreu o primeiro confronto. As crianças e jovens fugiram", escreve o jornal.
O jornal eletrónico Life News cita testemunhas referindo que a polícia teria disparado contra a multidão e lançado um camião contra os manifestantes, o que provocou a ira destes.
O jornal Lada chama a atenção para o facto de a greve se prolongar há mais de meio ano e ter como principal reivindicação o aumento de salários.
As autoridades concentram na região polícia de choque a fim de controlar a situação.
O Cazaquistão é uma antiga república soviética da Ásia Central. Rico em hidrocarbonetos e minérios, o país destaca-se pelo grande fosso existente entre uma minoria rica e uma maioria pobre.
Mais um foco de tensão numa região de si tão complicada como é a Ásia Central. Veremos se Nussultan Nazarbaev conseguirá gerir esta crise, a mais grave na ainda breve história deste país.

Quinta-feira, Dezembro 15, 2011

Putin promete elevar o país a um nível novo se vencer as eleições presidenciais

O primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, considera ser sua “super-tarefa” elevar a Rússia a um novo nível se for eleito Presidente do país.
“É preciso reorganizar a sociedade de outra forma, reforçar o sistema político, alargar a base dos institutos democráticos e modernizar todos os aspetos da vida da sociedade russa, nomeadamente no campo político e económico”, precisou ele no programa televisivo “Conversa com Vladimir Putin. Continuação…”
“É necessário que sejam transformações profundas na nossa sociedade, para que o nosso país seja sólido e as leis do seu desenvolvimento sejam irreversíveis, para que ela entre numa face completamente nova. Isso será a minha super-tarefa se me confiarem esse trabalho”, acrescentou.
Ele considerou “curioso” um boletim de voto publicado na revista “Vlast”, onde se lia: “Putin, vai para o c…!”.
“Vi essa inscrição, diverti-me muito e até me alegrou. Não há nada de novo nessa atitude”, considerou.
Putin frisou que, quando da “operação antiterrorista no Cáucaso do Norte, ouviu e viu coisas muito piores.
“Os nossos parceiros ocidentais esforçaram-se particularmente. Que caricaturas  de mim vi tão horríveis, mas então já estava convencido de que agia corretamente e hoje não duvido que atuo bem”, concluiu.
Ao comentar as declarações do senador norte-americano John McCain, que considerou que Putin terá o mesmo destino de Kadhafi, o primeiro-ministro russo disse: “mostraram a todo o mundo como o mataram, cheio de sangue. Isso é democracia? Quem fez isso? Aviões pilotados à distância, nomeadamente americanos, atacaram a caravana onde ele estava, depois, pela rádio, tropas especiais que não deviam estar no território líbio levaram para o local os chamados opositores e combatentes. E mataram-no sem investigação e julgamento”.
“Essas palavras (de McCain) não foram ditas em relação a mim. Isso foi dito em relação à Rússia. Alguns querem pô-la de lado para que ela não incomode a dominar no mundo”,  frisou.
 O primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, considerou hoje que os Estados Unidos não constroem as suas relações com os parceiros nos princípios de aliados.
“Tomaram a decisão sobre o Afeganistão, mas pediram conselhos aos aliados sobre o que é preciso fazer no Afeganistão? Uma porra! Primeiro lançaram o ataque e depois começaram a chamar todos e a dizer: quem não está connosco, está contra nós. Mas será isso aliança? Não há qualquer tipo de aliança”, declarou no programa televisivo “Conversa com Vladimir Putin. Continuação…”.
O dirigente russo anunciou que a Rússia irá continuar a erigir as relações com os Estados Unidos, que, segundo ele, está a perder o papel de polícia internacional.
“Queremos e iremos continuar a construir as relações com os Estados unidos”, disse.
Segundo ele, “também no interior dos Estados Unidos tem lugar uma certa transformação. A sociedade americana já não quer desempenhar o papel de polícia mundial”, acrescentou.
Putin considera que a desconfiança dos Estados Unidos em relação à Rússia dificulta o desenvolvimento das relações entre os dois países, bem como com a Europa.
“O mais importante país do mundo ocidental: Estados Unidos, olha com desconfiança para o nosso potencial nuclear e mísseis e penso que cometem um enorme erro ao considerar que, em, primeiro lugar, é preciso retirar esse potencial nuclear e só depois ver em nós um possível aliado”, precisou.
Ele considerou isso um exemplo típico do período da “guerra fria”.
Quanto à política interna, Vladimir Putin deu grande atenção às manifestações da oposição que contesta os resultados das eleições parlamentares de 04 de dezembro. Ele prometeu diálogo com a oposição, mesmo com aquela que é financiada pelo estrangeiro, mas não aceita a repetição do escrutínio.
Putin prometeu eleições presidenciais mais transparentes, propondo a instalação de câmaras de vídeo nas secções de voto.