
Se estes resultados se concretizarem, os comunistas perderão a maioria que tinham no Parlamento (60 dos 101 deputados), alcançada no passado mês de Abril.
Mas antes de passar à análise dos resultados, gostaria de chamar a atenção para o facto de, em quatro meses, os comunistas terem perdido 22 deputados, ou seja, quase um terço dos votos. Este número parece dar razão à oposição que, em Abril, acusou os comunistas de falsificação dos resultados da eleição parlamentar, pois é muito difícil perder tantos deputados em tão pouco tempo. Ou talvez continue a ter razão o ditador comunista José Estaline, que dizia que "o importante não é em quem se vota, mas a forma como se contam os votos".
Nas parlamentares de Abril, os comunistas ficaram a um voto de puderem eleger o Presidente da República no Parlamento. Eram necessários 61, mas o Partido dos Comunistas conseguiu 60 e, desta vez, ao contrário do que acontecera anteriormente, não conseguiu arrastar para o seu lado nenhum deputado da oposição. Como as eleições de Julho foram convocadas porque o Parlamento não conseguiu eleger o Chefe de Estado de um dos países mais pobres da Europa, os resultados do último escrutínio vieram ainda mais complicar a situação.
Em nome do afastamento dos comunistas do poder e do enfraquecimento do domínio político e económico do clã do ainda Presidente da República, Vladimir Voronin, os partidos democráticos poderão conseguir formar Governo, mas este vai ser instável, porque há fortes contradições no campo anti-comunista. Além disso, a situação económica e social da Moldávia é tão deplorável, que o futuro Governo terá tarefas titânicas para resolver.
As complicações internas poderão ser agravadas pelos problemas externos com que se debate esta antiga república da União Soviética. A Moldávia enfrenta o problema do separatismo na Transdniestria, onde a maioria da população é russa e ucraniana, e na Gagaúzia, onde a população é predominantemente turcomana. Se o novo Governo tentar fazer uma política pró-romena ou pró-europeia, terá sérios problemas com esses territórios separatistas, que recebem o apoio de Moscovo.
As coisas ficarão ainda piores se o novo Governo fizer ressuscitar a adesão da Moldávia à NATO.
É de assinalar que a Rússia tem nas mãos fortes alavancas de pressão económica, como é o caso do boicote aos produtos agrícolas moldavos, principalmente ao vinho. Não foi por acaso que, durante a campanha eleitoral, Moscovo suspendeu as limitações à importação de vinho moldavo, que antes considerava não estar conforme as normas sanitárias.
Esta pesada derrota dos comunistas é, ao mesmo tempo, um revés para a política externa russa na região, se ela for analisada segundo o prisma da luta entre a Rússia, por um lado, e a UE e Estados Unidos, por outro lado.
Nada promete estabilidade no país e o primeiro teste será a eleição do novo Presidente da República. Se os comunistas não chegarem a um acordo com a actual oposição, sobre a figura do novo Presidente, será impossível a sua eleição, o que obrigará a uma repetição de eleições parlamentares. Um país tão pobre como a Moldávia não se pode dar ao luxo de realizar actos eleitorais tão frequentemente como acontece agora.



















