segunda-feira, agosto 31, 2009

Tragédia na Escola de Beslan foi há cinco anos


A Ossétia do Norte vai assinalar, no 01 de Setembro, o quinto aniversário da “Tragédia de Beslan” sob fortes medidas de segurança, medidas essas que se alargam a todas as escolas da Rússia.
A 01 de Setembro de 2004, um grupo de guerrilheiros separatistas tchetchenos tomou de assalto a Escola Nº1 de Beslan, cidade da Ossétia do Norte, fazendo mais de mil reféns entre professores e alunos.
Segundo as autoridades da Ossétia do Norte, república do Cáucaso russo, as cerimónias começarão com o toque da campaínha da escola às 09.15 horas locais (06.15 em Lisboa), quando os guerrilheiros atacaram a escola.
“Este ano, as cerimónias fúnebres não irão ser muito diferentes das realizadas em anos anteriores, são possíveis apenas pequenas alterações”, declarou um porta-voz dessa república russa à Ria-Novosti.
Durante três dias irá soar música fúnebre nas ruínas da escola e, ao fim do dia, no local onde se encontrava o ginásio, lugar onde foram mantidos os reféns, serão acesas velas. Representantes das autoridades locais, bem como todos os que desejarem irão depositar flores no local da tragédia.
No dia 01 de Setembro, serão também declamados poemas dedicados às memórias das vítimas.
Às 11 horas (08 horas em Portugal) do dia 03 de Setembro, no momento em que começou o tiroteio entre forças de segurança e terroristas, começará uma cerimónia religiosa, realizada por um sacerdote cristão ortodoxo, pelo «descanso das almas». Depois, os alunos de Beslan lançarão para o céu 350 balões, o número de pessoas que morreram durante a operação de resgaste.
As cerimónias fúnebres continuarão no cemitério onde foram sepultadas as vítimas do ataque terrorista, sendo lido o nome de todas elas.
No dia 01 de Setembro de 2004, o grupo terrorista fez mais de mil reféns, a maioria dos quais eram crianças. Os guerrilheiros exigiam a retirada das tropas russas da Tchetchénia.
A operação de resgaste, realizada no dia 03 de Setembro, continua até hoje rodeada de mistérios. As autoridades afirmam que a operação de resgaste começou depois de duas ou três explosões dentro do edifício e, durante ela, não utilizaram armas pesadas.
A organização “Mães de Beslan” põe em dúvida essa versão, exigindo, sem êxito, a realização de investigações independentes.
Apenas um terrorista foi detido com vida: Nurpachi Kulaev, que foi julgado e, em 2006, condenado a prisão perpétua.

Vladimir Putin condena pacto Molotov-Ribbentrop, mas...


O primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, considera que a Rússia e a Polónia devem desenvolver relações partindo do facto de terem sido aliados na Segunda Guerra Mundial.
“Os vestígios do passado não devem ensombrar o presente e muito menos o futuro da cooperação entre a Rússia e a Polónia”, escreve Putin no artigo “Páginas da história, motivo para exigências recíprocas ou base para a conciliação e cooperação?”, publicado pelo diário polaco Gazeta Wyborcza.
Neste artigo, publicado na véspera da sua visita oficial à Polónia, onde irá participar nas cerimónias oficiais dedicadas ao 70º aniversário do início da Segunda Guerra Mundial, Putin aborda vários temas polémicos das relações bilaterais como a guerra soviético-polaca de 1920, o pacto Molotov-Ribbentrop e o caso Katyn.
O primeiro-ministro diz ter aceitado sem vacilação o convite do seu homólogo polaco, Donald Tusk, para assistir às cerimónias do 70º aniversário do começo da Segunda Guerra Mundial “porque nela perderam a vida 27 milhões de compatriotas meus... e porque a Rússia e a Polónia foram aliadas naquela contenda justa”.
Depois de sublinhar que os acontecimentos do séc. XX “são nossa história comum” e não existir um juiz capaz de ditar um veredicto imparcial face ao passado, Putin escreve que “é de extrema irresponsabilidade... deturpar a história, procurando motivos para exigências e ofensas mútuas”.
O primeiro-ministro russo acusa alguns países de terem chegado ao extremo de “glorificar os sequazes dos nazis, pôr em pé de igualdade vítimas e verdugos, libertadores e ocupantes”.
Putin considera incorrecto retirar do contexto histórico comum certos episódios e concentrar unilateralmente as atenções na situação que existia na Europa nas vésperas da Segunda Guerra Mundial.
“Hoje, sugerem-nos o reconhecimento, enquanto o único detonador da Segunda Guerra Mundial, do pacto de não-agressão, assinado pela URSS e a Alemanha a 29 de Agosto de 1939 (pacto Ribbentrop-Molotov)”, escreve o primeiro-ministro.
Putin recorda que, no dia em que foram assinados os acordos de Munique, a Polínia apresentou um ultimato à Checoslováquia e, ao mesmo tempo que as tropas alemãs, invadiu duas regiões do país vizinho.
Segundo o dirigente russo, foi precisamente após o pacto de Munique que Hitler decidiu que “tudo era permitido” e que a França e a Grã-Bretanha “não mexeriam um dedo” para defender os seus aliados.
“...Há razões para condenar o pacto Molotov-Ribbentrop, assinado em Agosto de 1939. Mas, um ano antes, França e Grã-Bretanha assinaram com Hitler os acordos de Munique que dissiparam todas as esperanças em criar uma frente única de luta contra o nazismo”, frisa Putin.
Para ele, os acordos de Munique provocaram a divisão entre os aliados potenciais na luta contra o nazismo, suscitando receios recíprocos.
Vladimir Putin recordou que o Parlamento russo “fez uma avaliação inequívoca do carácter imoral do pacto Molotov-Ribbentrop”, ao contrário de alguns países que também tomaram decisões que “se prestam a várias interpretações” nos anos 30.
“O povo da Rússia, vítima do regime totalitário, faz seus os sentimentos dos polacos relacionados com Katyn, onde jazem os restos mortais de milhares de militares polacos. Os monumentos em Katyn e Mechoe, bem como o destino trágico dos soldados russos feitos prisioneiros pelos polacos durante a guerra de 1920, devem passar a ser símbolos da dor comum e do perdão recíproco”, concluiu.
Quando fala de Katyn e Mechoe, o dirigente russo tem em vista os milhares de oficiais e soldados polacos assassinados pela polícia estalinista. No que respeita aos soldados russos, trata-se de militares do Exército Vermelho que entraram na Polónia, mas foram derrotados, tendo muitos deles sido feitos prisioneiros e morrido na Polónia.
Se as declarações de Putin sobre o pacto Molotov-Ribbentrop não são para "consumo externo", constitui um passo em frente em comparação com o que se tem dito na imprensa russa controlada pelo Kremlin ou o que foi dito pelo próprio Presidente da Rússia, Dmitri Medvedev.

Tripulantes do Arctic Sea em silêncio

Onze dos 15 membros da tripulação do cargueiro Arctic Sea regressaram, ao fim da tarde de Sábado, a Arkhanguelsk, cidade do norte da Rússia de onde são originários.
“Logo que o comboio rápido Nº 324 Moscovo-Arkhanguelsk parou, os marinheiros, vestidos com fardas camufladas, começaram a sair de três carruagens, procurando com os olhos os seus parentes”, relata o repórter do jornal electrónico life.ru.
Segundo o jornalista, os tripulantes esconderam-se das câmaras de televisão e evitaram responder às perguntas dos jornalistas.
À pergunta: “Quando é que compreenderam que o vosso navio tinha sido tomado por piratas?”, um dos marinheiros respondeu: “Imediatamente. Isso tornou-se evidente desde os primeiros minutos”.
Às restantes perguntas o marinheiro respondeu com ironia: “O navio estava no mar, no Triângulo das Bermudas, e os piratas alimentavam-nos com gelados”.
Porém, segundo o life.ru, à pergunta como tinham corrido os interrogatórios e os frente-a-frente com os piratas durante a investigação judicial numa das prisões do Serviço Federal de Segurança da Rússia, praticamente todos responderam: “Não nos sentimos muito bem”.
Mikhail Voitenko, redactor da revista marítima Sovfrakht, que denunciou o desaparecimento do cargueiro nos finais de Julho, pediu aos jornalistas para não entrevistarem os marinheiros que regressaram a casa a fim de não prejudicarem os que ainda estão a bordo do Arctic Sea.
O cargueiro Arctic Sea, com 15 tripulantes russos, pertencente a uma empresa finlandesa e matriculado em Malta, partiu de julho da Finlândia com uma carga de madeira para a Argélia e “desapareceu” misteriosamente durante mais de duas semanas até que os militares anunciaram, no dia 16 de Agosto, a sua libertação nas águas do Atlântico, perto de Cabo Verde.
O Ministério da Defesa da Rússia informou que o barco foi sequestrado por oito cidadãos da Estónia, Letónia e Rússia, que foram transportados pela força aérea russa para Moscovo.
Segundo as autoridades russas, o navio está a ser rebocado para o porto de Novorrossisk, no Mar Negro, onde deverá ser alvo de uma vistúria com o objectivo de determinar se o Arctic Sea transportava mais alguma carga além de madeira.
Segundo alguns especialistas citados pela imprensa russa e internacional, o navio podia transportar armas.
Numa entrevista publicada na sexta-feira pelo jornal Komsomolskaia Pravada, um oficial da marinha anónimo rejeitou a possibilidade de o navio transportar complexos de lançamento de mísseis S-300, considerando ser muito difícil esconder cargas de tão grande gabarito entre a madeira.
Porém, não exclui a possibilidade de entre a carga estarem mísseis para o complexo S-300 e “bombas inteligentes” do tipo X-55.
O oficial anónimo considera que essa operação de contrabando de armas poderia ter sido realizada por máfias da Rússia e dos países do Báltico, mas sem o conhecimento do Governo russo.

sábado, agosto 29, 2009

O que irá dizer Vladimir Putin na Polónia?



A visita do primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, à Polónia, marcada para 01 de Setembro, está envolta numa forte polémica devido à diferença de posições dos dirigentes dos dois países face aos acontecimentos que antecederam a Segunda Guerra Mundial.
Vladimir Putin estará em Gdansk, no norte da Polónia, para participar nas cerimónias dedicadas ao início da Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Aí estarão também presentes dirigentes de Estado e Governo de vários países, incluindo de países vizinhos da Rússia, com quem Moscovo tem fortes divergências no campo da história.
Por altura da celebração do 70º aniversário do pacto Ribbentrop-Molotov, no passado 23 de Agosto, assistiu-se na Rússia a uma reabilitação da política externa de José Estaline, ditador que governou a URSS na altura.
o Serviço de Reconhecimento Externo (SVR, ex-KGB) da Rússia anunciou a publicação de documentos que provam que José Estaline aprovou a conclusão desse pacto como “a única medida de autodefesa nessas circunstâncias”.
“Os Governos britânico e francês, ao assinaram o Acordo de Munique de 1938, apostaram num conluio com Hitler. Em Agosto de 1939, as delegações desse país fizeram gorar as conversações de Moscovo sobre a criação de uma coligação anti-hitleriana”, lê-se num comunicado do SVR a propósito do lançamento da colectânea de documentos “Báltico e Geopolítica”.
O SVR informa que os materiais conseguidos pela espionagem soviética entre 1935 e 1945 revelam as verdadeiras intenções dos principais países europeus.
“Por isso, a única medida acessível de autodefesa para a União Soviética foi a assinatura do Tratado com a Alemanha de Não Agressão de 23 de Agosto de 1939. Esse documento permitiu impedir a conquista dos países do Báltico (Letónia, Lituânia e Estónia) pelos nazis e a sua transformação num trampolin para a invasão do território soviético”, dublinha o SVR.
Além disso, são publicados artigos na imprensa e filmes na televisão que atiram para cima da Polónia a culpa do início da Segunda Guerra Mundial. O Governo de Varsóvia chegou mesmo a pedir esclarecimentos pela exibição de um documentário, exibido no canal estatal Vesti, onde se justifica a assinatura do pacto entre Hitler e Estaline e se acusa a Polónia de ser aliada da Alemanha nazi antes da Segunda Guerra.
Os dirigentes polacos, pelo seu lado, exigem que a Rússia condene inequivocamente o pacto Ribbentrop-Molotov e entregue à Polónia toda a documentação relativa ao “caso de Katin”, lugar onde foram fuzilados milhares de soldados e oficiais polacos. Durante muitos anos, a União Soviética atribuiu esse crime aos nazis alemães, embora ele tenha sido cometido por soviéticos.
Hoje, o Governo de Varsóvia concedeu asilo político ao jornalista russo Evgueni Novogilov, autor de vários artigos sobre a violações dos direitos humanos na Tchetchénia, que, em 2001, esteve internado num hospital psiquiátrico durante sete meses.
Este tipo de acções é mal recebido pelo Kremlin, que nega todas as acusações de censura ou de limitação da liberdade de expressão.
“Não excluo surpresas durante a visita. Ela foi preparada durante muito tempo e Vladimir Putin deve dizer alguma coisa”, considera Fiodor Lukianov, director da revista “Rússia na Política Global”.
Porém, Lukianov espera declarações ponderadas e cuidadosas.
“Ele poderá dizer que o pacto Ribbentrop-Molotov e o início da Segunda Guerra Mundial foram resultado de uma política monstruosa de todos, ninguém tem razão, foi uma tragédia e é preciso tirar conclusões”, acrescenta.

quinta-feira, agosto 27, 2009

Rússia, país com "passado imprevisível"


As postagens sobre o "regresso" de Estaline ao Metropolitano de Moscovo e sobre a morte do autor das letras dos hinos soviético e russo fizeram-me recordar a frase muito popular na Rússia de que este país tem um "passado imprevisível".

Não sou daqueles que defendem que a História de um país é definitiva e não pode ser revista ou precisada, mas considero que as alterações devem corresponder à publicação de novos documentos e a uma lógica bem fundamentada.

Porém, isto não acontecia na URSS, nem na Rússia actual. Cada dirigente que chega ao poder considera-se com poderes e legitimidade para reescrever a história do país. E sempre a pretexto da "justiça histórica". No caso do metropolitano de Moscovo, as pessoas que decidem as alterações devem seguir uma lógica, que não seja uma tentativa de adivinhar o que os chefes supremos querem ou de lançar "iniciativas" para ver como reage a opinião pública a esta ou aquela tentativa de rever a história ou de reabilitar esta ou aquela figura do passado.

Se assim for, deverão fazer voltar tudo ao início, ou seja, dar os nomes originais às estações do metro da capital russa, incluindo àquelas recentemente rebaptizadas como as estações Prospekt Marksa (Avenida de Marx), em honra de um dos teorizadores do socialismo e do comunismo, ou Dzerjunski, em honra do fundador da polícia política soviética.

Mas tal não acontece. O que se vê nos últimos tempos é a reabilitação de uma personalidade política concreta, do ditador comunista José Estaline.

Os comunistas russos ficam felizes ao verem a reabilitação de um dos seus dirigentes, o mais odioso, mas, por outro lado, compreendem que isso não implica a reabilitação da ideologia marxista-leninista-estalinista. Mas mesmo assim ficam contentes, pois nada mais lhes resta do que contentar-se com tais "êxitos".

O aparecimento, na historiografia, de termos como "manager eficiente" para caracterizar Estaline, a defesa da justeza do Pacto Molotov-Ribbentrop e o restabelecimento da justiça histórica no metropolitano de Moscovo têm um objectivo: mostrar que Estaline foi um estadista forte, defensor dos interesses da URSS. E que os actuais dirigentes russos mais não fazem do que continuar a sua obra, ou seja, não poupam forças para devolver à Rússia o estatuto de super-potência.

Se não me engano, foi Karl Marx que afirmou que a história se repete. A primeira vez, de forma séria e a segunda, de forma cómica. No caso da Rússia, só espero que a repetição não provoque o mesmo número de vidas da primeira vez. Mas a Humanidade tem por hábito não ter em conta os seus erros do passado, ou, como dizem os russos, "pisa-se o mesmo ancinho duas vezes".

Faleceu o autor da letra dos hinos da União Soviética e da Rússia


Serguei Mikhailkov, conhecido escritor e poeta soviético, autor da letra do hino da URSS, faleceu hoje aos 96 anos numa clínica da capital russa, informa a agência Itar-Tass, citando familiares.
Serguei Mikhailkov nasceu a 28 de Fevereiro (13 de Março) de 1913 em Moscovo. Vinte anos depois, começa a publicar as suas obras em revistas e jornais da capital russa, sendo os seus poemas dirigidos às crianças: Três cidadãos, Tio Stiopa, O Tomás Teimoso, etc.
O poeta, paralelamente, dedica-se à tradução de literatura infantil estrangeira, entre os quais o romance Três Porquinhos, uma adptação de um conto popular inglês.
Os seus versos tornam-se cada vez mais politizados, o que lhe dá, em 1940, o Prémio Estáline por Poemas Infantis.
Em 1938, o Teatro Jovem de Moscovo levou ao palco a peça de Mikhalkov, Tom Kenty, uma adaptação da novela O Príncipe e o pobre de Mark Twain. Este espectáculo manteve-se em palco durante mais de 40 anos.
Em 1943, juntamente com o poeta El-Reguistan, Mikhailkov escreve a letra do hino da União Soviética, que, após várias alterações, feitas sempre pelo próprio Mikhalkov, continua a ser a letra do actual texto russo.
Por exemplo, os versos: “Estaline educou-nos na fidelidade ao povo, ao trabalho e inspirou-nos para feitos heróicos”, foram substituídos, nos finais dos anos 50 do séx. XX, pelos versos: “Por entre tempestades brilhou para nós o sol da liberdade, e o grande Lénine iluminou-nos o caminho. Ele levantou o povo para a verdadeira causa, inpirou-nos no trabalho e para feitos heróicos”.
No hino reabilitado por Vladimir Putin em 2003, os nomes dos dirigentes comunistas são substituídos pela Rússia: “Tu és única na Terra. Tu és única, terra pátria protegida por Deus!”
Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), foi jornalista de guerra, tendo escrito numerosos artigos e o guião do filme “Amigas de Guerra”, que lhe trouxe o segundo Prémio Estaline.
Depois da guerra, escreve numerosas peças de teatro para crianças “Lenço Vermelho”, “Tarefa Especial”, bem como guiões de filmes: Grande Viagem Espacial, Novas Aventuras do Gato de Botas Altas.
Serguei Mikhailkov, poeta escritor muito ligado ao regime comunista, desempenhou funções em vários departamentos da União de Escritores da URSS.
O poder foi também muito generoso para com Milhalkov, tendo-lhe agraciado com três Prémios Estaline, um de Lénine e um de Estado; com o título de Herói do Trabalho Socialista, quatro Ordens de Lénine, uma Ordem da Guerra Pátria, etc.
O novo regime russo também não se esqueceu dele, tendo-o condecorado com a Ordem de Amizade dos Povos, Ordem de Honra, Ordem de São Sérgio, Ordem pelos Serviços à Pátria de 2º grau.
Serguei Mikhalkov era pai de Nikita Mikhalkov e Andre Mikhalkov-Kontchalovski, conhecidos realizadores de cinema.

Blog dos leitores

Texto enviado por Cristina Mestre:

"ACTIVISTAS DO MOVIMENTO DE OPOSIÇÃO “A OUTRA RÚSSIA” VÃO REALIZAR MANIFESTAÇÃO SILENCIOSA

MOSCOVO, 26 de Agosto – Rádio Eco de Moscovo

Activistas do movimento oposicionista “A Outra Rússia”, não obstante a proibição das autoridades municipais da capital, irão realizar a 31 de Agosto próximo uma manifestação na Praça Triunfalnaia.
Esta informação foi prestada ontem à rádio Eco de Moscovo por um dos líderes da coligação, Eduard Limonov.
Segundo ele, a manifestação de protesto será silenciosa, sem palavras de ordem nem cartazes.
A Câmara Municipal de Moscovo voltou novamente a proibir a realização a 31 de Agosto do “Comício dos Dissidentes”, justificando-o pela alegada realização no mesmo local de uma iniciativa desportiva organizada pelo município nesse dia.
O primeiro “Comício dos Dissidentes” teve lugar a 31 de Julho. De acordo com a informação da Polícia, no comício participaram 200 pessoas, 47 das quais foram posteriormente detidas. O movimento oposicionista tenciona efectuar comícios a 31 de Agosto, 31 de Outubro e 31 de Dezembro em Moscovo.
Recorde-se que a acção de protesto é efectuada em apoio ao artigo 31 da Constituição do país, que estabelece a liberdade de reunião."

Estaline “regressa” lentamente ao metropolitano de Moscovo


A direcção do Metropolitano de Moscovo começou a restabelecer o nome do ditador comunista, José Estaline, nas estações do transporte subterrâneo da capital russa a pretexto da “justiça histórica”.
O primeiro passo foi dado na estação Kurskaia, onde, durante obras de restauração, foram reescritos, em grandes letras douradas, dois versos do hino da União Soviética que elogiava o trabalho do ditador comunista: “Estaline educou-nos na fidelidade ao povo, ao trabalho e inspirou-nos para feitos heróicos”.
A estação reconstruída foi ontem aberta ao público.
Nos finais dos anos 50 do séc. XX, quando da campanha de “desmacaramento do culto da personalidade de Estaline”, esses versos, tanto no hino como na estação de metropolitano, foram substituídos por outros do mesmo poeta: “Por entre tempestades brilhou para nós o sol da liberdade, e o grande Lénine iluminou-nos o caminho”.
“Trata-se do restabelecimento da verdade histórica. A inscrição que hoje podem ver os passageiros é a mesma que os passageiros viram em 1950, quando foi inaugurada a instalação”, explicou Pavel Sukharnikov, porta-voz do Metropolitano de Moscovo.
Na cerimónia de abertura, Dmitri Gaev, director do Metropolitano, reconheceu, porém, que o “restabelecimento da justiça histórica” não foi total: “Claro que há pequenas mudanças. Por exemplo, desapareceu a estátua de Estaline, que esteve aqui durante os primeiros anos de funcionamento da estação”.
Esta onda de “justiça histórica” começou com a decisão de Vladimir Putin, então Presidente da Rússia, de recuperar a música do antigo hino da URSS.
Os comunistas de Moscovo viram na iniciativa da direcção do Metropolitano uma prenda no 130º aniversário do nascimento de José Estaline e ao 65º aniversário da vitória da URSS na Segunda Guerra Mundial.
“Hoje, tem lugar uma reavaliação de Estaline, ele transforma-se, na consciência social, de homem que abusou do poder num estadista que fez da União Soviética uma grande potência”, considera Vladimir Lakeev, dirigente da representação comunista na assembleia municipal da capital russa.
Alla Gerber, presidente da Fundação “Holocausto”, considera que isso provoca a indignação de muitos moscovitas.
“Sou contra a destruição de monumentos, sou pela sua restauração, mas é difícil imaginar que na Alemanha, por exemplo, reponham na pedra palavras em honra de Hitler”, declara esta conhecida defensora dos direitos humanos na Rússia.
A direcção do metropolitano de Moscovo não anunciou até onde irá o “restabelecimento da verdade histórica”, pois, originalmente, no subterrâneo da capital russa havia estações como “Estalinskaia”, “Fábrica Estaline”.
O próprio metropolitano tinha o nome de Lazar Kaganovitch, um dos mais odiosos ministros da era estalinista, tendo sido rebaptizado com o nome de Lénine nos finais dos anos 50 do séc. XX.

quarta-feira, agosto 26, 2009

Moscovo não permitirá desforras no Cáucaso

A Rússia não permitirá quaisquer tentativas de desforra e a repetição de aventuras militares no Cáucaso, declarou o primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, numa conferência de imprensa com o Presidente da Ossétia do Sul, Eduard Kokoiti.
Putin e Kokoiti realizaram esse encontro no primeiro aniversário do reconhecimento pela Rússia da Abkházia e da Ossétia do Sul, regiões separatistas da Geórgia.
“A Rússia tenciona continuar a prestar apoio político e económico tanto à Ossétia do Sul, como à Abkházia. Gostaria também de declarar uma vez mais, de forma clara e inequívoca: a Rússia não permitirá quaisquer tentativas de desforra, a repetição de novas aventuras militares na região. Iremos acompanhar com atenção e reagir de forma adequada a todos esses acontecimentos”, frisou.
Segundo Putin, o reconhecimento da independência das regiões separatistas foi necessário apenas para “legalizar os esforços com vista à manutenção da paz”.
“A Rússia nunca empurrou, nem pediu a ninguém para reconhecer a independência da Abkházia e Ossétia do Sul”, frisou o primeiro-ministro russo.
A independência dessas duas regiões separatistas da Geórgia foi reconhecida apenas pela Rússia e Nicarágua.
Antes, Dmitri Medvedev, Presidente da Rússia, declarou que a decisão de reconhecimento da independência da Abkházia e Ossétia do Sul “foi absolutamente correcta”, sublinhando que ela é “irreversível”.
Temur Ikobachvili, ministro para a Reintegração da Geórgia, declarou que a Rússia “cometeu um erro” ao reconhecer a independência daqueles territórios, acrescentando que “ela mostrou que é um país imprevisível” e “deteriorou seriamente as relações com os vizinhos”.
Iakobachvili sublinhou que a Geórgia irá continuar a lutar pela sua integridade territorial não por via militar, mas diplomática.
A Rússia reconheceu a independência da Abkházia e da Ossétia do Sul depois de uma guerra, em Agosto de 2008, com a Geórgia a pretexto da protecção da população russa residente na segunda região separatista georgiana.

Militares russos instalaram sistema de defesa anti-aérea contra mísseis norte-coreanos


Nikolai Makarov, chefe do Estado Maior General das Forças Armadas da Rússia, declarou hoje que Moscovo instalou um conjunto de mísseis anti-aéreos S-400 Triumf no Extremo Oriente, para proteger-se dos mísseis norte-coreanos.
“Tomámos essas medidas preventivas para garantirmos a protecção contra lançamentos falhados dos próprios projectéis (norte-coreanos) e não permitir que os seus fragmentos caíam no território da Rússia”, declarou o general Makarov, que faz parte da comitiva do Presidente russo, Dmitri Medvedev, que se encontra de visita à Mongólia.
O comandante militar constatou com preocupação que o polígono onde a Coreia do Norte faz ensaio de diversas armas, em particular, as nucleares, se encontra “muito perto” da Rússia.
Os sistemas anti-aéreos S-400 Triumf estão preparados para abater aparelhos aéreos que usam a tecnologia Stealth, mísseis de cruzeiro de pequeno tamanho e, em perspectiva, novos mísseis balísticos tácticos e táctico-operativos. O sistema é capaz de interceptar ogivas com a velocidade máxima de 4,8 km/seg, o que corresponde a um míssil balístico com alcance de cerca de 3.500 quilómetros.
Os mísseis pesam 420 quilos e têm um alcance de 120 km a alturas compreendidas entre cinco metros e 30 km. A preparação de lançamento exige o máximo de oito segundos, uma vez que os mísseis estão instalados em rampas.
Todo o funcionamento deste sistema de defesa antiaérea é feito em regime automático.

terça-feira, agosto 25, 2009

Mas haverá carga suspeita ou não no cargueiro?


Nenhuma carga suspeita foi descoberta a bordo do cargueiro Arctic Sea, desviado por piratas nos finais de Julho com 15 tripulantes russos e descoberto a 16 de Agosto no Oceano Atlântico, anunciou na terça-feira o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia.
“Nada foi descoberto de suspeito quando da primeira inspecção a bordo. Um outro controlo será efectuado no porto de escala”, lê-se num comunicado publicado.
Numa entrevista que será publicada na quarta-feira no diário Rossiskaia gazeta, Alexandre Bastrikin, dirigente do Comité de Investigação da Procuradoria-Geral da Rússia,não exclui a posibilidade de o navio transportar não só madeira.
“Precisamente por isso é necessário, sem falta, revistar o navio para que nessa história deixe de haver páginas por esclarecer. Não excluimos a possibilidade de no cargueiro haver não só madeira”, declarou.
“Em parte, também por essa razão foram retidos os membros da tripulação, pois é preciso compreender que eles não estão envolvidos nesses acontecimentos. O navio alegadamente foi desviado duas vezes, mas não entrou em
contacto”, acrescentou Bastrikin.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia informa também que o cargueiro esteve sempre sob uma observação permanente dos organismos competentes.
“É evidente que um barco com 7000 toneladas não se podia ter perdido. O seu itinerário foi sempre acompanhado, as suas coordenadas provinham de numeras fontes, nomeadamente de nossos parceiros europeus”, afirma-se no comunicado.
O MNE da Rússia recorda que o barco foi desviado por oito indivíduos: dois cidadãos da Rússia, um cidadão da Estónia, um da Letónia e quatro apátridas.
Segundo a diplomacia russa, o capitão do Arctic Sea tentou fazer passar o navio por uma embarcação norte-coreana “Cendin-2”, informação que foi desmentida por Pyongyang.
Após constatar essa desinformação, foi decidido fazer uma busca no navio, tendo-se constatado que se tratava do Arctic Sea, acrescenta o MNE russo.
Apenas deixo aqui uma pergunta: se o cargueiro esteve sempre sob o controlo das autoridades russas, porque é que elas foram perguntar à Coreia do Norte se o navio pertencia esse país ou não?
Por enquanto, acho que as autoridades russas estão a gerir muito mal este caso do ponto de vista informativo. Além disso, não entendo a troco de quê a NATO participou em toda esta "estória" muito mal contada...

Um "morto" ressuscita como alegado pirata

Um dos oito alegados piratas que desviaram o cargueiro Arctic Sea morreu oficialmente há três anos, escreve o jornal electrónico russo newsru.com.
Trata-se de Andrei Lunev, cuja cidadania as autoridades judiciais russas não conseguiram determinar. Uma parente do alegado pirata viu-o na televisão e reconheceu nele o parente que tinha sido dado como morto há três anos.
Segundo Tatiana Altavil, parente do alegado pirata, Lunev era pescador e trabalhava numa traineira em Petropavlovsk-Kamtchatski, no extremo-oriente da Rússia. A 18 de Agosto de 2006, o barco afundou-se, tendo as autoridades afirmado que toda a tripulação faleceu.
Mais tarde, verificou-se que Lunev talvez não tivesse iddo para o mar naquele dia, pois entrára em conflito com a chefia.
A imprensa russa estranha também a razão que levou um dos piratas a declarar perante as câmaras de televisão que faziam parte de um grupo de “ecólogos” e que entraram no Arctic Sea porque se tinham perdido no mar.
“O facto de os “ecólogos” não terem instrução média e, nalguns casos, não terem diploma da escola, põe em dúvida a veracidade dessas declarações. Além disso, a polícia estónia reconheceu em alguns criminosos cadastrados. As tatuagens nos seus corpos são outra prova a favor do passado criminoso”.
Oficialmente, o Arctic Sea, navio maltês com tripulação russa, transportava madeira da Finlândia para a Argélia. Desapareceu em finais de Julho e foi descoberto perto de Cabo Verde no passado dia 16 de Agosto por um navio de guerra russo.

sábado, agosto 22, 2009

A União Soviética não tinha alternativa à assinatura do pacto Molotov-Ribbentrop?


O Pacto Molotov-Ribbentrop, acordo soviético-alemão que está entre os documentos que provocaram a Segunda Guerra Mundial, foi assinado a 23 de Agosto de 1939, mas continua a provocar fortes discussões na sociedade russa.
O Kremlin continua a defender a posição soviética face a esse pacto, considerando que ele foi provocado pela falta de vontade da Grã-Bretanha e da França de chegarem a um acordo com a União Soviética, obrigando Estaline a assinar o acordo com Hitler como medida de autodefesa.
Na véspera do 70º aniversário da assinatura desse documento, o Serviço de Reconhecimento Externo (SVR, ex-KGB) da Rússia anunciou a publicação de documentos que provam que José Estaline aprovou a conclusão desse pacto como “a única medida de autodefesa nessas circunstâncias”.
“Os Governos britânico e francês, ao assinaram o Acordo de Munique de 1938, apostaram num conluio com Hitler. Em Agosto de 1939, as delegações desse país fizeram gorar as conversações de Moscovo sobre a criação de uma coligação anti-hitleriana”, lê-se num comunicado do SVR a propósito do lançamento da colectânea de documentos “Báltico e Geopolítica”.
O SVR informa que os materiais conseguidos pela espionagem soviética entre 1935 e 1945 revelam as verdadeiras intenções dos principais países europeus.
“Por isso, a única medida acessível de autodefesa para a União Soviética foi a assinatura do Tratado com a Alemanha de Não Agressão de 23 de Agosto de 1939. Esse documento permitiu impedir a conquista dos países do Báltico (Letótia, Lituânia e Estónia) pelos nazis e a sua transformação num trampolin para a invasão do território soviético”, dublinha o SVR.
“A União Soviética propôs várias vezes a criação de um sistema de segurança colectiva com os países democráticos, com a Grã-Bretanha e a França, mas eles recusaram isso em 1936 e 1938. A URSS propôs ajuda militar à Checoslováquia. A França não deixou fazer isso. Ou seja, a Grã-Bretanha e a França dirigiam a agressão da Alemanha para o Oriente, contra a União Soviética comunista”, considera Vladimir Lavrov, vice-director do Instituto de História da Rússia.
Porém, Lavrov considera que o protocolo ilegal, que determinava a divisão da Polónia e a ocupação dos três países do Báltico pela União Soviética, era “ilegal”.
“O pacto, sem o protocolo secreto, não tem nada de mau: dois países acordaram não se atacar. Isso era normal, foi até um momento positivo. Mas havia o protocolo secreto e ele foi avaliado no 2º Congresso dos Deputados do Povo da URSS, a 24 de Dezembro de 1989. Aí sublinhava-se que, em princípio, o acordo correspondia às normas jurídicas internacionais, mas o protocolo secreto era ilegal desde o início”, acrescentou.
O historiador Nikolai Svanidzé defende que o pacto Molotov-Ribbentrop apenas trouxe proveitos à Alemanha nazi.
“Na realidade, tratou-se de um pacto entre Estaline e Hitler sobre a divisão da Europa do Leste”, considera ele, e responde aos que defendem que esse acordo permitiu às URSS ganhar tempo: “Conseguimos tanta paz quanto Hitler desejou, porque ele precisava de tempo para atacar a União Soviética, e conseguiu o tempo que queria”.
Esta discussão tem como fundo a decisão do Kremlin de tomar medidas para não permitir “a falsificação da história”, que é vista por alguns historiadores como uma tentativa de impôr uma versão oficial dos acontecimentos.
“O problema das falsificações deve preocupar os historiadores profissionais, e não os políticos”, defende Oleg Budnitski, investigador do Instituto de História da Rússia.
“Para um historiador profissional, qualquer transporte da política para a história, mesmo que com boas intenções, é um mal”, sublinha.

sexta-feira, agosto 21, 2009

Qual serão as nacionalidades dos alegados piratas?

Entre os alegados sequestradores do cargueiro Arctic Sea há dois russos, um estónio, um letão e três pessoas sem cidadania, precisou um porta-voz do Tribunal do Bairro Basmani de Moscovo.
As autoridades judiciais russas afirmam não ter informações sobre a cidadania de um dos alegados piratas.
Antes, o Comité de Investigação da Procuradoria-Geral da Rússia anunciou que entre os piratas que desviaram o navio havia um espanhol, um russo, um lituâno e três apátridas, não revelando a cidadania de dois.
Porém, todos os detidos têm nomes e apelidos russos: Evgueni Mironov, Igor Borissov, Vitali Lepin, Alexei Bullev, Andrei Lunev, Alexei Andriuchin, Dmitri Bartenov e Dmitri Savinf.
Antes ainda, o Ministério da Defesa falou em sequestradores da Rússia, Letónia e Estónia.
O Tribunal do Bairro de Basmani de Moscovo já sancionou a detenção de todos os alegados piratas e continua a ouvir os restantes.
O cargueiro, que desapareceu em finais de Julho, foi recuperado por militares russos no passado domingo, perto do arquipélago de Cabo Verde.

Blog dos Leitores (Pacto Molotov-Ribbentrop)


O leitor António Campos fez-nos o favor de traduzir um artigo de Edward Lucas, publicado na revista The Economist, a propósito do Pacto Ribbentrop-Molotov, cujo 70º aniversário da assinatura será assinalado no Domingo, 23 de Agosto. Amanhã, irei publicar um artigo que escrevi para a Agência Lusa.



"Criminalizar a investigação histórica está errado
Em que medida o contexto determina críticas e elogios? Esta é a questão que os que pretendem efectuar juízos ou fazer observações acerca de Hitler, Estaline ou do clima enfrentam. Levado a extremo, quando cada atributo é analisado isoladamente, a moral e a razão desaparecem. Hitler era bom para os animais. Estaline adorava crianças. Churchill bebia demais. John F. Kennedy era um mulherengo. Estamos no verão e está fresco, portanto o aquecimento global é um disparate.
No outro extremo, quando tudo está ligado, os juízos tornam-se impossíveis, em virtude do receio de deixar de fora eventuais comparações importantes. Porquê queixarmo-nos de Estaline quando podemos escrever sobre Mao? Então e os impérios coloniais do século 19? Estes aniquilaram muitos mais milhões de pessoas do que os regimes totalitários do século 20. Que direito tem um comentador britânico/americano/alemão/chinês/russo de falar sobre a Rússia/Alemanha/China/América/Inglaterra? Esta pode ser uma boa táctica de debate, mas conduz à paralisia mental: quando tudo conta, nada conta.
A resposta tempestuosa a uma recente coluna sobre uma resolução da OSCE equiparando Hitler a Estaline realça a questão. Uma das linhas de ataque usadas foi do tipo “o artigo “esqueceu-se” de mencionar os crimes britânicos”. É certamente verdade que a Grã-Bretanha tem muitas coisas de que se envergonhar sobre o que se passou antes, durante e depois da segunda guerra mundial. O acordo de Munique com Hitler para eviscerar a Checoslováquia é uma delas; outra é a deportação de cossacos e outras forças anti-soviéticas para uma morte certa após a guerra, na Operação Keelhaul. Uma terceira é dada pelas décadas de recusa em aceitar que o massacre de Katyn foi obra dos soviéticos e não dos nazis.
Mas o objectivo do artigo não era debater se a história soviética era mais (ou menos) maldosa do que a britânica. Comparações desse tipo estão pejadas de dificuldades, sendo uma das mais importantes a forma de medir a maldade. Esta não se mede em unidades convenientes (males, giga-males, tera-males) que podem ser facilmente somados para produzir uma folha de cálculo de assassínios e devastação.
O que pode ser claramente afirmado é que a Grã-Bretanha, tal como quase todos os outros países que se dizem civilizados, não criminaliza a investigação histórica. Um australiano que pretenda investigar o tratamento genocida dos Tasmanianos, ou um americano que pretenda escrever acerca dos bombardeamentos de civis alemães poderá mesmo receber uma bolsa de estudo para tal. Ao contrário da Rússia, tais indivíduos não arriscarão passar tempo na prisão. A Resolução da Assembleia Parlamentar da OSCE é admirável, principalmente porque desafia a tentativa do Kremlin de impedir o estudo destes temas históricos.
A resolução da OSCE está aberta a críticas legítimas. John Laughland, historiador britânico no Instituto para a Democracia e Cooperação em Paris (pró-Kremlin), afirmou no canal Russia Today que os políticos são maus historiadores. Ninguém se saiu bem no processo que conduziu à segunda guerra mundial. A Polónia, referiu este historiador, ajudou a desmembrar a Checoslováquia ao anexar a cidade de Cieszyn/Tĕšin. O plano de Hitler de atacar a Polónia é anterior ao pacto Molotov-Ribbentrop, pelo que este acordo, por mais vergonhoso que fosse, não deu a luz verde para a invasão. Laughland argumenta também que as premissas centrais do nazismo eram a guerra e a perseguição racial, enquanto o comunismo soviético não era racista nem expansionista (na época de Estaline).
Estes são, de facto, temas excelentes para os historiadores. Mas tal não significa que os políticos os devam ignorar. O Pacto Molotov-Ribbentrop não é um acontecimento exclusivamente maléfico. Mesmo Putin, nas suas declarações, revela ser um pouco nebuloso quanto aos detalhes do mesmo. Assim, o septuagésimo aniversário do acordo entre Hitler e Estaline é uma excelente altura para o levar à discussão – particularmente em países onde quem o fizer não corre o risco de ir parar à prisão."

O Blog dos Leitores (MAKS)


A leitora Cristina Mestre fez a amabilidade de traduzir e enviar-me um texto sobre a MAKS, a maior exposição de armamentos da Rússia e uma das maiores do mundo. Aqui fica o texto com um grande agradecimento.


"MAKS-2009: UM SUCESSO LOGO NOS PRIMEIROS TRÊS DIAS
Moscovo, 21 de Agosto – RIA Novosti

Nos primeiros três dias do Salão Aeroespacial MAKS, destinados a delegações estrangeiras, empresas e especialistas, tornou-se claro que a mostra, não obstante a crise e as previsões pouco optimistas, já é um sucesso. Mostram-no o número de participantes , a qualidade das transacções anunciadas e efectuadas, o nível das novidades apresentadas.
Entre os acontecimentos mais significativos há a referir a assinatura de um contrato sem precedentes entre o Ministério da Defesa e a companhia Sukhoi sobre o fornecimento de caças-bombardeiros num valor superior a 80 mil milhões de rublos; o anúncio pela companhia RosAvia de um leilão para a compra, na Rússia e no Ocidente, de 65 aviões de fuselagem estreita, assim como a fixação definitiva dos prazos de início das entregas do Sukhoi Superjet 100.
Em geral, os participantes consideram que a crise não teve influência na qualidade do salão aeroespacial em Jukovsky, embora se queixem dos altos preços de participação no MAKS.

Construção aeronáutica e sector espacial continuam a ser prioridades
O primeiro-ministro Vladimir Putin participou na inauguração do salão aeroespacial, tendo expressado condolências aos “Russkie Vitiazi”, grupo de acrobacia aérea cujo comandante, Igor Tkachenko, morreu durante os voos de treino nas vésperas do MAKS.
O primeiro-ministro visitou os pavilhões, assistiu aos voos acrobáticos de equipas de pilotagem francesas, italianas e russas e (o mais importante) dirigiu uma reunião de trabalho sobre as questões de desenvolvimento do sector nacional de construção aeronáutica.
Durante esta reunião, Putin declarou que os sectores espaciais e de construção aeronáutica continuam a ser prioritários para o país. Assim, no quadro do apoio do Estado à recapitalização da empresa “Aviões Civis Sukhoi”, o Governo irá canalizar 3,2 mil milhões de rublos. Para fins idênticos, serão destinados à empresa “MIG” outros 15 mil milhões de rublos.
Não obstante, o primeiro-ministro alertou para o facto de o Estado não poder ajudar eternamente as empresas a pagar as dívidas. O dinheiro do Estado deve, em primeiro lugar, ajudar as empresas a tornarem-se verdadeiramente competitivas.
Putin deu orientações aos respectivos ministérios de prepararem, até 1 de Outubro, um programa de revitalização financeira do sector nacional de construção aeronáutica.
Tendo criticado a gestão pouco eficiente numa série de empresas do sector, Putin referiu-se especialmente à Corporação Aeronáutica Unificada (CAU), que integra os principais produtores nacionais. De acordo com o primeiro-ministro, a corporação tem vendido aviões a companhias russas e estrangeiras com prejuízo para a empresa. Para além disso, frisou, a CAU e as empresas filiadas devem aos seus credores 119 mil milhões de rublos.

Transacções militares e civis
O primeiro dia do salão foi extremamente bem-sucedido, tendo sido anunciada a assinatura de um novo contrato sem precedentes entre o Ministério da Defesa da Rússia e a companhia “Sukhoi” sobre os fornecimentos de caças-bombardeiros num valor superior a 80 mil milhões de rublos.
A Força Aérea da Federação Russa receberá 48 caças Su-35, 12 Su-27 e 4 Su-30.
Este contrato pode ser considerado um dos mais importantes para a modernização da Força Aérea nos últimos 20 anos, disse o governador do Território de Khabarovsk, Viatcheslav Chport.
A Força Aérea russa não tenciona limitar-se a estes aparelhos e deverá comprar cerca de oito esquadrilhas dos novos aviões MIG-31, informou o comandante da Força Aérea da FR, general Aleksandr Zelin. Cada esquadrilha é composta por 12 aparelhos, acrescentou.
Os produtores e vendedores russos de equipamentos aeronáuticos fizeram um balanço dos contratos anteriormente assinados, dos actuais fornecimentos e dos planos para o futuro.
Assim, foi totalmente cumprido o contrato de venda à Malásia de 18 caças-bombardeiros Su-30MKM. Dos 28 aviões SU-30 que a Rússia deve fornecer à Argélia, 22 já foram entregues, os outros seis serão fornecidos em Setembro deste ano.
A Rosoboronexport informou que até ao fim deste ano deverá ser assinado um contrato russo-indiano para a modernização de aviões Su-30MKM (instalação de mísseis supersónicos BrahMos nestes aparelhos). Para além disso, a Rússia já forneceu à Índia um dos três aviões А-50 do sistema de alerta prévio.
Até 2010, a Rússia deverá cumprir o contrato de venda ao Vietname de oito aviões Su-30МК2, disse na quarta-feira o vice-director da Rosoboronexport, Aleksandr Mikheiev.
Globalmente, as empresas “Sukhoi” e ”MIG” tencionam até 2015 deter 15-20% do mercado mundial de equipamentos aeronáuticos, informou o dirigente do consórcio “Sukhoi” Mikhail Pogossian.
Durante o segundo dia do MAKS-2009 soube-se que a companhia aérea Rosavia tenciona comprar a produtores russos e estrangeiros 65 aviões de fuselagem estreita. As propostas serão aceites até meados de Setembro, declarou o director-geral da Rostekhnologii, Serguei Chemesov.
A companhia de leasing Iliuchin Finance (que integra a CAU) tenciona adquirir cerca de 70 aviões, para posteriores operações de leasing da companhia. Assim, já existe um contrato de leasing com a companhia aérea Atlant-Soyus, referente a 45 aviões, sendo ainda possível o fornecimento de seis aviões à transportadora aérea pública Rossia.
Na quinta-feira, foi o Dia de Moscovo no MAKS. A transportadora do Governo municipal de Moscovo, Atlant-Soyus, assinou com a Iliuchin Finance um contrato de leasing de 30 novos aviões regionais de passageiros AN-148 e 15 aviões de médio curso Tu-204CM. O montante do contrato ascende 1.200 milhões de dólares.
Foram ainda efectuadas outras transacções de compra de aviões de fabrico nacional."

quinta-feira, agosto 20, 2009

Cargueiro foi descoberto graças a sistema de monitorização da NATO



O cargueiro que desapareceu durante vários dias dos radares foi possível encontrar, em grande parte, graças ao sistema de monitorização marítima das Forças Armadas da NATO, declarou o representande diplomático da Rússia junto da Aliança Atlântica.
O Arctic Sea, que desapareceu em finais de Julho, foi encontrado a 16 de Agosto perto do arquipêlago de Cabo Verde. Os 15 tripulantes foram salvos e os oito alegados piratas detidos por militares russos.
“Quando se realizou o meu primeiro encontro com o novo secretário-geral da NATO, Anders Fogh Rasmussen, no dia 11 de Agosto, foi levantado o tema do Arctic Sea e ele ofereceu-se para utilizar todos os meios de informação à sua disposição, à disposição do Estado-Maior das Forças Armadas da NATO na Europa”, revelou Dmitri Ragozin, numa entrevista à rádio Eco de Moscovo.
“Tratou-se, antes de tudo, do sistema de monitorização marítimo que ajuda os membros da NATO a seguir os movimentos dos navios”, acrescentou.
Segundo ele, a partir de 12 de Agosto, a parte russa começou a receber diariamente as coordenadas da localização da Arctic Sea e pôde calcular a rota do navio, partindo da sua velocidade.
“Do ponto de vista deste tipo de cooperação e política informativa, que recebemos da NATO, considero que conseguimos endereçar mais precisamente o nosso navio de guerra para o alvo e realizar com êxito a libertação dos reféns”.
Rogozin, numa entrevista a publicar na sexta-feira no diário Rossiskaia gazeta, não exclui a possibilidade deste caso vir a ser analisado no quadro do Conselho Rússia-NATO, porque “agora se trata de um alargamento claro da geografia de assalto a navios civis... perto de países europeus”.
“Para restabelecer a estabilidade e segurança numa questão importante como o direito à navegação livre, é necessário não só os esforços dos militares, como aconteceu com o Arctic Sea, mas também a coordenação prévia das acções dos serviços especiais”, concluiu.
P.S. Esta "estória" continua a colocar muitas perguntas: 1) Porque é que os membros da tripulação que vieram para Moscovo foram encerrados na prisão "Lefortovo", do Serviço de Segurança da Rússia, e continuam a não poder contactar com os familiares? Porque é que o cargueiro, navegando sob bandeira maltesa, sendo proriedade de uma empresa finlandesa, está a ser levado de Cabo Verde para Novorrossiski, porto russo do Mar Negro? Porque é que o navio andou tanto tempo no mar e não foi recuperado, embora se soubesse onde se encontrava?


Cargueiro dirige-se para porto russo de Novorrossisk

O cargueiro Arctic Sea, que foi resgatado pelos militares russos no passado dia 16, dirige-se para Novorrossisk para que as investigações continuem, declarou Anatoli Serdiukov, ministro da Defesa da Rússia, num encontro com Dmitri Medvedev, Presidente russo.
O cargueiro, que desapareceu em finais de Julho, foi recuperado por militares russos no passado domingo, perto do arquipélago de Cabo Verde.
Segundo o ministro da Defesa, 11 membros da tripulação e oito piratas foram transportados para a capital russa.
“Quatro ficaram a bordo, incluindo o capitão, o piloto e o mecânico. O navio está a ser transportado para Novorrossiski, onde irão continuar as investigações”, acrescentou.
A agência Interfax informa que os 11 tripulantes foram transportados para o estabelecimento prisional “Lefortovo” de Moscovo, que depende do Serviço Federal de Segurança da Rússia.
Uma fonte dessa agência russa declarou que os membros da tripulação do cargueiro Arctic Sea só poderão regressar a suas casas depois de provada a sua não participação no desvio do navio.
“Se for determinado, durante a investigação, que os membros da tripulação do cargueiro não estiveram envolvidos no desvio do Arctic Sea, ser-lhes-á permitido regressar a casa”, frisou a fonte.
O canal televisivo Vesti mostrou imagens de uma carrinha que transportava os oito piratas para a mesma prisão.
“O estado físico, moral e psíquico de todos os marinheiros é bom”, lê-se num comunicado publicado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia.
“Em Moscovo manifesta-se reconhecimento às autoridades da República de Cabo Verde pelo apoio concedido à parte russa”, sublinha a diplomacia russa.

quarta-feira, agosto 19, 2009

Presidente Medvedev apela a continuar a luta contra os terroristas sem cerimónias



O Presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, apelou hoje a “continuar sem cerimónias a luta contra os terroristas” e “liquidá-los sem emoções e vacilações”.
O dirigente russo exigiu “um castigo forte e irreversível” para os autores dos recentes crimes contra dirigentes políticos, polícias, defensores de direitos humanos e cidadãos simples na Inguchétia, república em que um atentado suicida causou, na passada segunda-feira, 25 mortos e dezenas de feridos.
Medvedev fez estas declarações na cidade de Stavropol, durante uma reunião do Conselho de Segurança da Rússia com vista a tomar medidas para travar a crescente onda de acções terroristas e a estabilizar a situação política e social nas repúblicas do Cáucaso do Norte russo.
O Presidente russo defendeu, nomeadamente, a alteração da lei para que os terroristas e membros de grupos criminosos organizados não sejam julgados em tribunais de jurados.
“Alterar a jurisdição em processos por terrorismo e extremismo para que os bandidos e corruptos não possam pressionar os tribunais”, frisou.
Medvedev não exclui a influência do “factor externo” na situação no Cáucaso do Norte, mas sublinhou que os “factores internos” são a principal causa da desestabilização na região.
“As raízes estão na organização da nossa vida, no desemprego, na pobreza, nos clãs que se estão nas tintas para o povo, que mais não fazem do que repartir as correntes financeiras que chegam à região, lutar por empreitadas e, depois, ajustarem contas uns com os outros. E na corrupção, que, realmente, está muito difundida no seio das forças da ordem”, enumerou ele.
“A nossa tarefa é arrancar pela raíz com esses fenómenos”, concluiu.

Cargueiro podia transportar armas

O cargueiro Arctic Sea, que esteve desaparecido quase três semanas no Oceano Atlântico, podia transportar armas, considera o almirante estónio Tarmo Kouts, em declarações ao diário estónio Postimees.
Segundo as autoridades militares russas, alguns dos piratas que desviaram o navio são de nacionalidade estónia, facto que já foi confirmado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros da Estónia.
“Semelhante comportamento estranho da Rússia em toda esta história apenas pode ser explicado pelo facto de a bordo do navio estarem mísseis de cruzeiro”, declarou Kouts, antigo chefe das Forças Armadas da Estónia. “É evidente que metade da Marinha de Guerra da Rússia não iria perseguir o Arctic Sea, por ordem do Presidente, por drogas, por muito grande que fosse a sua quantidade”, sublinha Tarmo Kouts, que, actualmente, está ao serviço da UE na luta contra a pirataria.
Mikhail Voitenko, o director da revista marítima Sovfrakht que denunciou o desaparecimento do navio, considera que o navio transportava uma “carga muito específica”, obrigando a uma operação dos serviços secretos.
“Porque é que os chamados piratas tomaram de assalto o cargueiro no lugar mais perigoso para eles, no Mar Báltico, se podiam fazer isso no Atlântico? Porque é que os assaltantes se deixaram encantar por um navio que transporta uma carga pouco valiosa como a madeira?”, pergunta Voitenko, citado pela imprensa russa.
Segundo o diário Kommersant, citando um dos gerentes da companhia de seguros onde estava segurado o navio, os piratas “tomaram o Arctic Sea com o objectivo de receber um resgate da companhia que segurou o navio em 04 milhões de dólares em caso de afundamento”.
Os assaltantes exigiam um resgate de 1,5 milhões de dólares, recorda o jornal.
O Ministério da Defesa da Rússia veio, mais tarde, confirmar a tese do pedido de resgate pelos piratas.
O jornal Rossiskaia Gazeta, órgão oficial do Governo russo, informa que, ontem, um avião militar de transporte levantou voo dos arredores de Moscovo e dirigiu-se para a ilha do Sal, a fim de recolher a tripulação.
Para Cabo Verde partiu também um grupo de criminalistas e investigadores judiciais para tentar esclarecer as causas do desvio do cargueiro.

terça-feira, agosto 18, 2009

Rússia e Israel enveredam por parceria estratégica


Israel não ameaça o Irão e considera existirem possibilidades de diminuir o perigo de destabilização no Médio Oriente, declarou o Presidente israelita, Shimon Peres, após um encontro com o seu homólogo russo, Dmitri Medvedev.
Numa conferência de imprensa realizada em Sotchi, cidade do sul da Rússia, Shimon Peres sublinhou que “o Irão é o único membro da ONU que ameaça Israel”, acrescentando que Israel não ameaça o Irão, nem ninguém”.
Peres não exclui a possibilidade de uma explosão da situação no Médio Oriente, mas acredita que a Rússia é capaz de a impedir.
“Estou convencido e espero que a Rússia faça tudo para impedir explosões da situação na nossa região, que são bem possíveis”, declarou.
A realização de uma Conferência Internacional sobre o Médio Oriente está marcada para este ano em Moscovo, estando essa decisão fixada em duas resoluções do Conselho de Segurança da ONU.
“Israel pretende sinceramente estabelecer relações de paz e estabilidade com todos os vizinhos e realiza a política correspondente”, respondeu Medvedev, na mesma conferência de imprensa.
Porém, o dirigente russo não escondeu que o estabelecimento da paz no Médio Oriente exige ainda “muitos e muitos esforços”.
“É necessário renunciar aos cenários de confronto e falar calmamente. É imprescindível renunciar a acções unilaterais, tenho em vista todos os particpantes do conflito”, acrescentou.
Medvedev garantiu que a Rússia, enquanto membro do quarteto de intermediários no Médio Oriente, “irá contribuir para a consecução de todos esses objectivos”.
No campo bilateral, Shimon Peres considerou que foi aberto um novo capítulo nas relações entre a Rússia e Israel.
“Agrada-nos muito que a Rússia esteja pronta a elevar as suas relações com Israel ao nível existente com a Alemanha, Itália e França. Sinto que abrimos um novo capítulo nas relações bilaterais”, frisou.
Peres recordou que os dois países já cooperam no campo da nanotecnologia e da agricultura.
O Presidente russo acrescentou que os dois países se compreendem cada vez melhor, sublinhando que “isso é extremamente útil”.
Numa declaração aprovada durante as conversações, Medvedev e Peres consideram que as tentativas de negar o Holocausto são um insulto directo a todas as vítimas da Segunda Guerra Mundial e a todos que combateram contra o fascismo.
“As tentativas de negação do Holocausto são um insulto directo à memória de todas as vítimas da Segunda Guerra Mundial e aos que lutaram contra o fascismo, uma tentativa de diminuir a tragédia do Holocausto e limpá-lo da história, bem como de esconder a morte e sofrimentos de milhões de vítimas inocentes de diferentes nacionalidades”, lê-se na declaração.
Medvedev considerou inadmissíveis e criminosas as tentativas de criar uma áurea de heroísmo em torno do nazismo.
“Não podemos olhar calmamente quando este ou aquele Estado põe em dúvida o contributo decisivo da União Soviética na Segunda Guerra Mundial e os horrores do Holocausto”, frisou.
Peres declarou que o Presidente do Irão “nega a catástrofe do Holocausto”, acrescentando que se trata de “um fenómeno vergonhoso também para o povo iraniano”.
“Temos uma atitude particular para com a Rússia, nós não esqueceremos o contributo da Rússia na Segunda Guerra Mundial, se ela não tivesse participado, dificilmente o mundo teria vencido essa ameaça”, concluiu.

Medvedev e Peres só não revelaram quem irá participar na Conferência Internacional de Moscovo sobre o Médio Oriente, porque Israel já disse que não meteria os pés nessa reunião se lá estiverem representantes do Hamas e de outros grupos radicais.

Militares russos detiveram oito piratas


O cargueiro Arctic Sea foi desviado por oito cidadãos da Estónia, Letónia e Rússia, declarou Anatoli Serdiukov, ministro da Defesa da Rússia. Numa conversa com o Presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, o ministro precisou que o cargueiro foi libertado sem que tenha sido disparado um tiro.
Ele informou que , às 23 horas (20 horas em Lisboa) de 24 de Julho, uma lancha rápida , onde se encontravam quatro cidadãos da Estónia, dois da Letónia e dois da Rússia, nas águas territoriais da Suécia.
“Essas pessoas, alegando que o seu bote estava avariado, entraram a bordo do Arctic Sea e, ameaçando com armas, exigira, da tripulação o cumprimento incondicional de todas as suas ordem”, acrescentou.
Segundo ele, “depois, o navio Arctic Sea dirigiu-se para África por uma rota indicada pelos assaltantes, tendo desligado os aparelhos de navegação”.
Serdiukov frisou que a operação de buscas foi realizada pela Força Aérea e pela Marinha de Guerra da Rússia.
O ministro da Defesa informou que os trabalhos de investigação com os assaltantes continuam a bordo do vaso de guerra russo Ladnii, que descobriu o Arctic Sea perto da costa de Cabo Verde.
“Os assaltantes foram presos e nenhum dos tripulantes do Arctic Sea ficou ferido”, frisou o ministro.
Serdiukov informou o Presidente russo de que estão a ser feitos esforços para fazer regressar a tripulação a casa de avião.
Antes, a imprensa russa informou que no Aeroporto do ilha do Sal se encontra, desde domingo, um avião militar de transporte, que deverá trazer a tripulação para Arkhangelsk, cidade onde vivem.

Quais as razões que levaram à realização de um acto de pirataria naval na Europa? Ajuste de contas entre estruturas mafiosas de países da antiga URSS? Transporte de armas ou outros "materiais proibidos" no Arctic Sea?

E mais uma pergunta, o cargueiro tem 98 metros de comprimento. Como será que navegou durante tanto tempo despercebido entre o Báltico e Cabo Verde?

Miragem em Moscovo




Agosto, o mês maldito para a Rússia

Se eu fosse dirigente da Rússia e supersticioso, retiraria o mês de Agosto do calendário, pois não há mês pior do que este na história recente do país. Apenas alguns exemplos: golpe comunista de Agosto de 1991, catástrofe do submarino Kursk, incêndio na torre de televisão Ostankino de Moscovo, guerra russo-georgiana do ano passado...
Este ano, não foi excepção. Em apenas alguns dias, o número de mortos, feridos e desaparecidos sobe muito acima da centena.
Claro que tudo isto pode não passar de uma coincidência, mas é difícil acreditar nisso.
No Cáucaso do Norte, não há dia que passe sem atentado terrorista ou ataque contra a polícia por parte da guerrilha separatista islâmica.
Ontem, o Presidente da Inguchétia, acusou os Estados Unidos, a Grã-Bretanha e Israel de estarem por detrás da guerrilha. Parece continuar a ser mais fácil acusar os outros do que resolver os verdadeiros problemas da região: corrupção, banditismo, raptos e assassinatos, desemprego.
Já escrevi várias vezes que os problemas do Cáucaso do Norte devem ser resolvidos de forma complexa, onde as componentes militar e policial devem ser acompanhadas de grandes investimentos no desenvolvimento da região.
Quanto à queda dos aviões Su-27 no treino de uma parada, nos arredores de Moscovo e à avaria na maior central hidroeléctrica do mundo, na Sibéria, que provocou 12 mortos, 15 feridos e 64 desaparecidos, tudo indica que ambos os acidentes se deveram ao facto de não serem renovados mecanismos e aparelhos. No caso dos aviões de guerra, antes da avaria, os pilotos já se queixavam que voavam em aparelhos que precisam de "ir para a reforma".
A propósito, os aviões que chocaram nos céus dos arredores de Moscovo foram os que sobrevoaram a Praça Vermelha no passado dia 09 de Maio.
Dois casos que se juntam aos muitos outros que mostram que os dirigentes russos não utilizaram a chuva de petrodólares na modernização do país. Infelizmente, parece que serão precisos ainda muitos outros desastres e avarias para que o Kremlin compreenda que chegou a hora de tomar medidas sérias, pensadas e abertas para resolver a situação.
Os dirigentes russos alegam que a corrupção é uma das razões que levam a que não sejam feitos grandes investimentos na modernização de infraestruturas, mas, para se combater essa chaga social, é necessário inverter a política actualmente realizada. É necessário restabelecer e reforçar a sociedade civil, permitir as actividades da oposição e discusões abertas sobre os problemas do país e sobre a sua solução, realizar eleições legítimas e transparentes, não travar a entrada de pessoas competentes nas estruturas do poder apenas porque não pertencem aos serviços secretos ou ao Partido Rússia Unida.
Além disso, talvez não fosse má ideia realizar uma política externa mais realista, sensata, e, por conseguinte, mais barata. Por enquanto, a Rússia não se pode dar a luxos de superpotência, nem de potência com sonhos imperiais no espaço post-soviético.
O Governo russo tem de deixar de ser um constante Ministério para Situações de Emergências e transformar-se num cérebro de planificação e elaboração de planos reais, transparentes e competentes de modernização do país.
No futebol, quando a equipa de futebol sofre derrota após derrota, o treinador é demitido. Na política, deve acontecer o mesmo....Penso eu.
No século XIX, a Rússia sofreu uma humilhante derrota na Guerra da Crimeia (1853-1856), o que levou o czar Alexandre II a realizar um programa de reformas gigantesco, que incluiu a libertação dos servos da gleba no país em 1861. Esta política deu um forte impulso ao desenvolvimento do Império russo.

segunda-feira, agosto 17, 2009

Grave acidente em barragem da Sibéria


Pelo menos oito pessoas morreram, 11 ficaram feridas e 54 devido a um acidente ocorrido na central hidroeléctrica Saiano-Chuchenskaia, na Sibéria, informa o Ministério para Situações de Emergência da Rússia.
Uma explosão, que ocorreu às 04.42 horas locais (00.42 TMG) provocou a destruição parcial da parede da sala das máquinas e a sua inundação.
Os peritos consideram que a explosão se pode ter devido a um “golpe hidráulico”.
“Uma das causas mais prováveis do acidente é um golpe hidráulico, ou seja, o aumento drástico da pressão. Ocorreu uma explosão de um óleo num dos transformadores. Os trabalhos de reparação continuam”, declarou Dmitri Kudriavtsev, porta-voz do Centro Regional de Emergências.
Segundo Kudriavtsev, a central hidroeléctrica, uma das maiores do mundo, foi parada logo após a explosão, foi feita uma descarga de água de emergência para evitar a inundação das localidades próximas da albufeira.
Vassili Zubakin, presidente do consórcio RusHidro, proprietária da central, declarou que serão necessários meses de trabalhos de reparação para que a situação volte à normalidade.
A suspensão do fornecimento de energia eléctrica por essa central, que tem dez geradores de 640 MW, cada um com uma potência de 22,8 mil milhões de kilovates hora por ano, está a prejudicar seriamente o funcionamento de fábricas de metalurgia situadas naquela região da Sibéria.
Segundo uma rádio de Abacan, cidade próxima da central, parte da população entrou em pânico, abandonou as suas habitações e refugiou-se num lugar mais alto, situado a dez quilómetros da cidade, pois tema inundações.

Mais um grande atentado terrorista na Inguchétia


Pelo menos 19 pessoas morreram e cerca de 60 ficaram feridas devido à explosão de um camião armadilhado junto de uma esquadra da polícia de Nazran, cidade da Inguchétia.
“Neste momento, o número de pessoas feridas e transportadas para o hospital devido à explosão em Nazran é de 65, mas este número muda constantemente, chegam feridos a todo o momento e muitos falecem devido aos ferimentos”, declarou à agência Ria-Novosti uma fonte no hospital de Nazran.
“Neste momento, os médicos ainda não conseguiram consultar todos os feridos, não temos possibilidades”, acrescentou a fonte.
Às 9.08 horas locais (06.08 TMG), um camião, que, segundo a polícia, era conduzido por um suicida, entrou na parada de uma esquadra policial no momento em que os agentes estavam reunidos para receberem ordens, e explodiu.
“Não há dúvida de que isso foi feito pelos guerrilheiros para aumentar a sua importância. Trata-se de uma tentativa de desestabilizar a situação e semear o pânico”, declarou Iunus-Bek Evkurov, Presidente da Inguchétia, ele próprio a recuperar dos ferimentos sofridos durante um atentado contra a sua vida.
Segundo ele, a explosão em Nazran é uma tentativa da guerrilha se vingar pelas operações especiais com êxito da polícia.
“Estou longe de considerar que os árabes estão por detrás de tudo isso. Aí há outras forças, mais sérias. Sublinhei e repito agora que o Ocidente, não obstante tudo, irá tentar não permitir o renascimento da Rússia até ao nível da antiga potência soviética”, considerou o dirigente inguche ao comentar mais um atentado atribuído à guerrilha separatista islâmica que combate na Inguchétia.
“Os árabes que vão para o Cáucaso do Norte são mercenários. O sistema de espionagem pode estar organizado como uma empresa árabe, mas nós compreendemos de quem são os interesses: dos Estados Unidos, Grã-Bretanha e Israel. Isso é bem possível”, acrescentou.
Actualmente, o Presidente Evkurov está a recuperar, em Moscovo, de um atentado contra a sua vida, realizado a 22 de Julho e atribuído à guerrilha separatista.
A Inguchétia é uma das repúblicas do Cáucaso do Norte russo que, nas últimas semanas, regista um forte aumento dos confrontos armados entre grupos armados separatistas, de inspiração islâmica radical, e a polícia.
A guerrilha realiza também acções idênticas na Tchetchénia e no Daguestão.

Ferrari e Bentley em saldos em Moscovo


Podem não acreditar, mas a crise a isto obriga. O stand que vende viaturas das marcas Ferrari e Bentley na capital russa está a realizar uma campanha de saldos e esses carros de luxo podem ser adquiridos a metade do preço. A julgar pelo grande número de automóveis dessas marcas nas estradas de Moscovo, pode-se concluir que a campanha tem êxito.
Eu publiquei esta fotografia tirada por um meu amigo português que vive em Moscovo, porque não imaginava que os saldos chegassem a tão luxuosas esferas. É mesmo motivo para se exclamar: "Coitadinhos dos capitalistas!"

sábado, agosto 15, 2009

Descoberta do navio está por horas ou dias...


Dmitri Rogozin, embaixador da Rússia junto da NATO, anunciou que a Rússia e a NATO dispõem de informação completa sobre o Arctir Sea e mostrou confiança no êxito da operação de buscas.
Segundo ele, a Rússia e a NATO trocam, diariamente, informações sobre o sucedido e os últimos dados transmitidos pela Aliança Atlântica incutem esperança.
“A informação completa existe e, ao que tudo indica, tem carácter objectivo, é transmidida imediatamente para o Estado Maior da Armada da Rússia”, acrescentou Rogozin.
Citado pela agência Ria-Novosti, o embaixador russo “manifestou-se convencido no êxito da operação de busca do Arctic Sea, mas não comunicou a sua localização”.
“Perante nós, enquanto parceiros (Rússia e NATO), coloca-se uma tarefa: pôr à hora exacta e no lugar exacto as forças enviadas pelo Presidente da Rússia”, acrescentou Rogozin.
Moscovo enviou quatro navios de guerra e dois submarinos para o Oceano Atlântico com vista à realização de uma operação de busca do cargueiro, apoiada também por informações de satélites militares.
“Os nossos contactos com a NATO visam, nomeadamente, confirmar a informação de que a parte russa dispõe através das suas fontes. Mas a informação que recebemos dos parceiros também é importante e essencial, porque confirma a nossa informação”, sublinhou.
O Arctic Sea, que oficialmente transportava madeira, fazia uma viagem da Finlândia para a Argélia, aonde deveria chegar no dia 04 de Agosto. O aviso de desaparecimento foi dado no passado domingo.
Segundo informações que não receberam confirmação, o navio, com 15 tripulantes russos a bordo, teria sido visto, primeiramente, ao largo de Cabo Verde e, depois, no Golfo da Biscaia.

Merkel e Medvedev condenam violência no Cáucaso russo


A Alemanha condena os recentes assassinatos de representantes de organizações não governamentais na Rússia e considera importante que os culpados desses crimes sejam chamados à responsabilidade, declarou a chanceler alemã depois de um encontro com o Presidente russo.
A cimeira russo-alemã realizou-se na residência de verão do dirigente russo, situada em Sotchi, no sul da Rússia.
“Falámos do assassinato de representantes de ONG’s na Tchetchénia e deixei claro que condenamos firmemente, tal como a parte russa. É importante que quem cometeu esses crimes terríveis sejam chamados à responsabilidade. O Presidente Dmitri Medvedev prometeu-me que assim será”, declarou Angela Merkel na conferência de imprensa .
A dirigente alemã teve em vista o assassinato da activista de direitos humanos, Natália Estemirova, a 15 de Julho na Tchetchénia, bem como de dois funcionários da ONG “Salvemos a geração”, que ocorreu a 10 de Agosto na mesma república do Cáucaso do Norte russo.
Medvedev considerou que os assassinatos políticos no Cáucaso visam desestabilizar a situação nessa região.
“Aconteceu o seguinte: esse rosário de assassinatos e atentados políticos visam desestabilizar a situação no Cáucaso. Trata-se da morte dos citados defensores dos direitos humanos, bem como do atentado contra o Presidente da Inguchétia, que se dedicava à normalização da situação”, acrescentou.
Segundo ele, “esses crimes mostram que não temos razões para nos relaxar. A situação é muito complexa e o Estado deve fazer tudo para mudar a situação”.
“A detenção dos assassinos, o julgamento e a condenação dos criminosos é a tarefa mais importante dos órgãos de segurança do nosso país”, sublinhou.
Dmitri Medvedev defende que os criminosos recebem apoio do estrangeiro.
“As forças que não estão contentes com o sentido positivo do desenvolvimento da Rússia aumentaram a sua actividade, recebem apoio e financiamento, nomeadamente de fontes estrangeiras”, acusou ele.
“Foram elas que fizeram desplotar os mecanismos terroristas, com o emprego de novas tecnologias terroristas”, acrescentou.
O dirigente russo anunciou também que, nas conversações com Angela Merkel, foram abordados problemas internacionais como os programas nucleares do Irão e da Coreia do Norte.
“Precisamos de continuar a cooperação na direcção afegã. Tudo isso é o nosso exemplo de cooperação estreita com os nossos parceiros alemães e com outros Estados europeus, com os Estados Unbidos”, concluiu.

Moscovo apoia assinatura de Carta Económica para saída da crise

A Rússia apoia a iniciativa da Alemanha respeitante à elaboração de uma carta económica para a saída da crise, declarou o Presidente russo, Dmitri Medvedev, numa conferência de imprensa conjunta com Angela Merkel.
A chanceler alemã tinha avançado a proposta de elaboração de uma Carta Económica do Desenvolvimento Estável, que regule a economia mundial.
“A Rússia apoiou e apoia uma série de iniciativas, incluindo a proposta alemã, ligada à carta económica. Consideramos que que se trata de material positivo que pode ser base para posterior trabalho. Tudo isso é a base para avançarmos”, frisou Medvedev.
Ao mesmo tempo, ele assinalou a necessidade de continuar as consultas sobre questões económicas na véspera da cimeira dos “vinte” em Pittsburg.
“Parece que fizemos alguma coisa durante este tempo”, acrescentou o dirigente russo.
Medvedev destacou o aparecimento de sintomas que incutem esperança no que respeita à superação das consequências da crise financeira.
“Começámos as conversações por aí. Em geral, trata-se de um momento agradável, mas, parece-me, não devemos emocionarmo-nos, mas devemos fazer tudo o que acordámos em Washington, tudo o que acordámos depois em Londres e que iremos acordar em Pittsburg”, declarou o Presidente russo.
Angela Merkel apoiou a cooperação do consórgio austro-canadiano Magna com a Rússia com vista à aquisição da empresa Opel à General Motors.
Não obstante a crise, os dirigentes russo e alemã constataram o aumento dos investimentos bilaterais.

sexta-feira, agosto 14, 2009

Confrontos entre polícia e guerrilha provocam grande número de vítimas no Cáucaso


Pelo menos quatro polícias morreram e outros tantos ficaram feridos num tiroteio com guerrilheiros ocorrido durante a noite numa localidade próxima da capital tchetchena, Grozni, informa o Ministério do Interior da Tchetchénia.
“Durante uma operação especial realizada na pasada quinta-feira às 21.30 horas locais (17.30 TMG) na localidade de Kerla Iurt, agentes da polícia bloquearam numa casa dois guerrilheiros que ofereceram resistência armada às forças da ordem”, informaram fontes da polícia citadas pela agência Ria-Novosti.
Segundo essas fontes, os guerrilheiros foram abatidos durante o tiroteio.
No Daguestão, outra república do Cáucaso do Norte russo, três guerrilheiros foram abatidos durante a madrugada no Distrito de Derbent.
“Agentes da polícia tentaram deter um automóvel para verificar os documentos dos seus ocupantes perto da localidade de Sabnava, mas os homens que viajavam no veículo desobedeceram à ordem e abriram fogo contra os polícias”, informou a polícia daguestanesa, acrescentando que “no carro foram encontradas várias metralhadoras Kalachnikov”.
O Ministério do Interior do Daguestão informou também ter estabelecido a identidade de alguns dos guerrilheiros que mataram, ontem à noite, onze pessoas, incluindo quatro agentes da polícia, em ataques a um posto da polícia e a uma sauna na cidade de Buinarsk.
“Foi possível determinar a identidade de alguns bandidos, incluindo o cabecilha. Quase todos são procurados pela polícia por diferentes delitos”, informou a polícia.
Ontem, um franco-atirador feriu também dois polícias em diferentes bairros de Makhatchkalá, capital do Daguestão.
Nos últimos meses, as repúblicas do Cáucaso russo. Daguestão Inguchétia e Daguestão têm sido palcos de frequentes combates entre a polícia e a guerrilha separatista islâmica que actua na região.

Medvedev deu mais "um tiro no pé"


Depois da reacção do Presidente da Ucrânia, Victor Iuschenko, à mensagem do seu homólogo russo, Dmitri Medvedev, chegou a reacção da primeira-ministra ucraniana, Iúlia Timochenko.

Como é sabido, as relações entre Iuschenko e Timochenko são praticamente nenhumas, mas quando Moscovo atacou, uniram-se para dar uma resposta dura a uma mensagem claramente exagerada pelo seu tom e conteúdo.

Por vezes, é mais importante a forma como se diz do que o conteúdo do que se diz. Neste caso concreto, Dmitri Medvedev falou como se estivesse a dirigir a uma das suas colónias e apenas conseguiu unir dois inimigos irreconciliáveis, pelo menos temporariamente. A continuar assim, Moscovo terá na Ucrânia o mesmo resultado que obteve em 2004, mais uma forte derrota diplomática.

Medvedev anunciou o adiamento do envio do embaixador russo para Kiev, mas deu marcha atrás pouco mais de 48 horas depois. Mais "um tiro no pé". Talvez seja por estas e por outras que a Rússia tem relações azedas praticamente com todos os vizinhos.

"A primeira-ministra ucraniana, Iúlia Timochenko, afirmou hoje que o seu país realizará uma política soberana e não permitirá a ninguém ingerir-se nos seus assuntos internos.
“A Ucrânia definirá sozinha a sua política interior e exterior sem ingerência de fora. O país estudará o passado, analisará o presente e edificará o futuro sem consultar ninguém”, lê-se num texto publicado no sítio electrónico do Governo ucraniano.
Segundo Timochenko, o seu país está disposto a ouvir as opiniões dos vizinhos, tanto no Leste como no Ocidente, e respeitar os seus interesses, mas “considera inadmissível a ingerência nos assuntos internos do país”.
Ao mesmo tempo, ela frisou que, enquanto dirigente do Governo ucraniano, fez e faz tudo para aprofundar a cooperação frutífera entre a Ucrânia e a Rússia, antes de tudo na economia, e prometeu “realizar essa política independentemente do cargo que lhe confie o povo,
Iúlia Timochenko, uma das fortes candidaturas ao cargo de Presidente da Ucrânia nas eleições marcadas para 17 de Janeiro de 2010, assinalou que irá desenvolver com a Rússia segundo o princípio da igualdade, “respeitando os interesses nacionais, a soberania e a integridade territorial”.
A primeira-ministra ucraniana sublinhou que fez esta declaração depois do Presidente Victor Iuschenko responder à mensagem do seu homólogo russo, Dmitri Medvedev.
O Presidente da Ucrânia, Victor Iuschenko, manifestou-se, ontem, desiludido com a “mensagem não amistosa” do seu homólogo russo, Dmitri Medvedev, refutando as acusações nela contidas.
Dmitri Medvedev anunciou, no dia 11 de Agosto, o adiamento do envio do novo embaixador russo na Ucrânia devido à política anti-russa do país vizinho e espera a eleição de um novo Presidente ucraniano para normalizar relações bilaterais.
O dirigente russo acusou o seu homólogo de fornecer armas à Geórgia, dificultar a actividade da Marinha de Guerra no Mar Negro, dos homens de negócios russos na Ucrânia, bem como de discriminar a língua russa.
“Vou ser sincero, fiquei muito desiludido com o carácter não amistoso da mensagem. Não posso deixar de estar de acordo sobre que há sérios problemas entre os nossos países, mas é estranho que o Senhor exclua qualquer responsabilidade por isso da parte da Rússia”, responde Iuschenko numa carta publicada no sítio oficial do Presidente ucraniano na Internet.
Há vários meses que Victor Iuschenko e Iúlia Timochenko estão de relações praticamente cortadas, mas a mensagem dura de Medvedev levou-os a esquecer, pelo menos durante um dia, as suas divergências face à pressão do Kremlin".

quinta-feira, agosto 13, 2009

Presidente Iuschenko responde a homólogo russo


O Presidente da Ucrânia, Victor Iuschenko, mostrou-se hoje desiludido com a “mensagem não amistosa” do seu homólogo russo, Dmitri Medvedev, refutando as acusações nela contidas.
Dmitri Medvedev anunciou, no dia 11 de Agosto, o adiamento do envio do novo embaixador russo na Ucrânia devido à política anti-russa do país vizinho e espera a eleição de um novo Presidente ucraniano para normalizar relações bilaterais.
“Vou ser sincero, fiquei muito desiludido com o carácter não amistoso da mensagem. Não posso deixar de estar de acordo sobre que há sérios problemas entre os nossos países, mas é estranho que o Senhor exclua qualquer responsabilidade por isso da parte da Rússia”, responde Iuschenko numa carta publicada no sítio oficial do Presidente ucraniano na Internet.
Segundo ele, a decisão do Kremlin de adiar a ida do novo embaixador russo para Kiev “não irá contribuir para o desenvolvido construtivo das nossas relações”.
Iuschenko refuta as acusações de Medvedev de que a direcção ucraniana fornece armas à Geórgia e dificulta as actividades da Armada russa do Mar Negro, aquartelada no território ucraniano.
“A posição da Ucrânia em relação aos acontecimentos do ano passado na Geórgia é conhecida e coincide com as posições de praticamente todos os países do mundo. Ela consiste no respeito exclusivo da soberania, da integridade territorial e a inviolavilidade das fronteiras do Estado georgiano ou de qualquer outro”, frisa o Presidente da Ucrânia.
No que respeita à Armada do Mar Negro, ele acusa-a de “violar sistematicamente os acordos bilaterais e as leis ucranianas.
“A Ucrânia continua a ser fiel a uma ampla cooperação com a Federação da Rússia na base do respeito mútuo, da igualdade através do diálogo construtivo, nomeadamente ao mais alto nível”, conclui Iuschenko.
Após a publicação da resposta de Iuschenko, o serviço de imprensa do Kremlin informou que Dmitri Medvedev assinou o decreto que nomeia Mikhail Zuravov, antigo ministro da Saúde e Segurança Social, embaixador da Rússia na Ucrânia, pondo fim ao adiamento dessa nomeação.
Seria necessário fazer um discurso tão duro, como o que fez Medvedev, para adiar por três dias o envio do embaixador russo na Ucrânia?