Quinta-feira, Dezembro 30, 2010

Khordorkovski e Lebedev condenados a 14 anos de prisão, mas recusam-se a pedir perdão

Mikhail Khodorkovski, antigo dono da petrolífera russa YUKOS, e Platon Lebedev, seu sócio, recusam-se a pedir perdão ao Presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, anunciou um dos advogados de defesa, Vadim Kliuvgant.
“Não”, declarou o advogado de forma breve e firme à agência Ria-Novosti.


O ex-magnata russo do petróleo Mikhail Khodorkovski e o seu sócio Platon Lebedev foram hoje condenados a 14 anos de prisão, anunciou hoje o Tribunal Khomovnik de Moscovo .


Mikhail Khodorkovski e Planton Lebedev estão detidos desde 2003 e foram condenados a oito anos de prisão em 2005 por “fraude” e “evasão fiscal”.


Um segundo processo foi aberto pelas autoridades em 2006. Khodorkovski e Lebedev foram acusados de roubo mais de 200 milhões de toneladas de petróleo e de legalizar dinheiro procedente de atividades ilegais, bem como de drime organizado..


Depois deste segundo julgamento, ficarão na prisão até 2017, dado que o tribunal teve em conta a pena cumprida desde 2003, revelou o site dos defensores do antigo magnata.


Segundo uma declaração de Khodorkorvski , ele e Lebedev consideram que o seu exemplo mostrou o fracasso do sistema judicial russo.


“Eu e Platon Leonidovitch (Lebedev) provámos com o nosso exemplo que, na Rússia, é impossível a defesa judicial em relação aos burocratas do Estado”, frisou.


Terça-feira, Dezembro 28, 2010

Diplomacia russa condena pressão ocidental no caso Khodorkovski

Михаил Ходоркрвский, 28 декабря 2010 года


O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia condenou, hoje, as declarações dos Estados Unidos e de alguns países da União Europeia a propósito da sentença do “caso Khodorkovski”, que começou a ser lida na véspera.
“A propósito das declarações feitas em Washington e nalgumas capitais da União Europeia sobre o julgamento de Mikhail Khodorkovski e Platon Lebedev, gostaríamos de sublinhar que se trata de uma questão da competência do sistema judicial da Rússia”, lê-se num comunicado publicado pela diplomacia russa.
Segundo ela, “as tentativas de exercer pressão sobre o tribunal são inaceitáveis”.
“O Presidente da Rússia sublinhou, numa entrevista recentemente dada aos maiores canais de televisão russos, que ninguém tem o direito de interferir com as prerrogativas dos órgãos judiciais”, sublinha-se.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia esqueceu-se de assinalar que o primeiro-ministro russo foi o primeiro a desrespeitar a opinião do Presidente Medvedev ao declarar que "o ladrão deve continuar na prisão" antes de ser lida a sentença.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia recorda que Khodorkovski e Lebedev são acusados de crimes graves como “fuga ao fisco” e “branqueamento de capitais conseguidos por via criminosa”.
“A propósito, nos Estados Unidos, esses crimes são punidos com penas de prisão perpétua. As opiniões sobre a justiça tendenciosa na Rússia não têm fundamento, os tribunais russos analisam milhares de processos que dizem respeito à responsabilidade de empresários face à lei”, acrescenta-se no comunicado.
A diplomacia russa conclui: “esperamos que cada um se dedique aos seus assuntos, tanto em casa, como no campo internacional”.
Na véspera, o Tribunal Khomovnik de Moscovo considerou provadas as acusações de “roubo de petróleo”, “branqueamento de capitais” e “crime organizado” por parte do antigo patrão da petrolífera russa YUKOS, Mikhail Khodorkovski, e do seu sócio, Platon Lebedev.
A leitura da sentença continua e os arguidos podem incorrer em penas de prisão até 14 anos.
Organizações russas e internacionais de direitos humanos consideram este julgamento “uma farsa” e uma “vingança” do primeiro-ministro Vladimir Putin em relação a um adversário político.
Espero enganar-me, mas começo a suspeitar que o fim da leitura da sentença ocorrerá no dia 31 de Dezembro para ter menos impacto na opinião pública.

Segunda-feira, Dezembro 27, 2010

Blog do leitor (Back in the USSR?)

Texto enviado por António Campos:

"Dei a esta peça o título de uma conhecida canção dos Beatles, composta em 1968 em plena guerra fria, a qual me parece constituir um pano de fundo adequado para ilustrar, quase vinte anos volvidos sobre a queda do muro de Berlim, o rumo da história dessa região do mundo.
Nas últimas semanas, três acontecimentos importantes (e sem trazerem grandes surpresas para muitos dos observadores obcecados pela região, tais como eu próprio) tornaram-se num símbolo claro do que a antiga URSS acabou por se tornar: uma amálgama de estados autoritários governados por pequenas elites corruptas cada vez mais ricas que emperram o desenvolvimento social e económico dos seus países, a orbitar em torno do maior e mais corrupto estado de todos. Tal como nos tempos da União Soviética, a Rússia é o epicentro deste terremoto social que dura há já quase vinte anos.
No início do mês de Dezembro, uma peça no Vedomosti confirmava o que já todos sabíamos: que, mau grado a aparente preocupação, de Medvedev relativamente às múltiplas queixas da incipiente “sociedade civil” russa no que respeita às violações ambientais na floresta de Khimki, nos arredores de Moscovo, a construção da auto-estrada Moscovo-São Petersburgo vai mesmo para a frente, respeitando o traçado original. Que se lixe a floresta. A tal não é certamente alheia a maquinação entre o governo francês (país de origem do consórcio construtor) e o Kremlin, que através de uma obscura personagem chamada Sergei Chemezov, antigo agente do KGB em Dresden e actual director da Russia Technologies e da Rosoboronexport - o monopólio estatal russo da exportação de equipamento militar - (e galardoado, sabe-se lá porquê, com a Légion d’Honneur francesa), negoceiam contratos bilionários de venda de material bélico. E não nos esqueçamos também de Arkady Rotenberg, amigalhaço de longa data de Vladimir Putin e instrutor de judo convertido em banqueiro milionário e um dos principais fornecedores de tubagens para a Gazprom, que terá sido nomeado para dirigir a construção da dita auto-estrada. Mais do que óbvio, a “moratória” decretada pelo presidente Medvedev sobre a construção da auto-estrada, para permitir a “consulta” às organizações ambientais e ao público, foi apenas um ardil para esvaziar a pressão pública e fazer a história cair no esquecimento. Kremlin e seus esbirros 1, sociedade civil, zero.
Depois, surgem os acontecimentos do dia 19 de Dezembro na Bielorrússia. Ainda está fresca na nossa memória a campanha do Kremlin contra o presidente bielorrusso em exercício, com longos documentários nas televisões oficiais a retratá-lo como autocrata corrupto e brutamontes, vilificações online de parte a parte e rumores de que o Kremlin estaria a financiar candidatos da oposição. Mas subitamente, numa semelhança assustadora com o pacto Molotov-Ribbentrop entre a Alemanha e a União Soviética em 1939, uma jogada de bastidores entre os aparentes inimigos viscerais Lukashenka e Medvedev coloca a Bielorrússia mais uma vez sob a protecção financeira do Kremlin, conferindo carta branca ao presidente bielorrusso para mostrar ao mundo (e especialmente ao seu próprio povo) de que o degelo pré-eleitoral, que tantas esperanças deu a democratas do lado de cá e de lá, não era mais do que papas e bolos para enganar tolos (especialmente os de Bruxelas). O Kremlin colocou mais uma vez a pata sobre um seu vizinho, agora oficialmente dependente da Rússia, a incipiente sociedade civil bielorrussa dissolveu-se no lamaçal dos cárceres do KGB em Minsk perante a impotência e indiferença do ocidente, bem como a hipocrisia de Medvedev, que após ter feito votos de que “as eleições fossem um passo em frente na democratização da Bielorrússia”, descartou as violações dos direitos humanos como um “assunto interno de outro país”. Putin esfregou as mãos de contente com mais uma expansão territorial. Kremlin 2, sociedade civil zero.
Hoje foi dado a público o veredicto do segundo julgamento de Mikhail Khodorkovsky. Num processo que faria envergonhar qualquer pessoa no mundo que entende a necessidade de um sistema judicial justo e independente dos outros poderes, o antigo oligarca e principal accionista da petrolífera Yukos foi considerado culpado de desvio de fundos e recursos da sua antiga empresa. Os que seguiram o julgamento sabem que as acusações eram absurdas e as motivações políticas. Como refere o Economist, “o verdadeiro crime de Khodorkovsky foi ter-se tornado numa ameaça a Vladimir Putin (que se tornou presidente no ano 2000), agindo como proprietário independente em vez de gestor servil dos recursos naturais da Rússia, e usando a sua influência para contrariar o objectivo de Putin de construir um petro-regime autoritário. O seu encarceramento, e o desmantelamento da Yukos foram essenciais para Putin e para o sistema violento e corrupto que estava a construir.” Com as suas declarações descaradas nos media sobre a “culpabilidade” de Khodorkovsky, o primeiro-ministro russo deitou definitivamente por terra toda a retórica do presidente sobre o alegado combate ao niilismo legal que corrói o país. Kremlin 3; sociedade civil zero.
Com todos estes aparentes sucessos, Vladimir Putin sentir-se-á certamente indestrutível como virtual ditador inquestionável de um território que se vai diariamente aproximando dos limites do que foi a União Soviética, e que insiste em estender os seus tentáculos energéticos até para bem dentro da União Europeia e outros países (http://darussia.blogspot.com/2010/09/blog-do-leitor-nova-horda-mundial.html). Sob os seus auspícios, constrói-se um império em que os antigos oligarcas foram substituídos pelo que o sociólogo Alexander Oslon chamou “empresários-burocratas”, que “privatizaram um activo fraco e sub-capitalizado: o estado russo”. Apagada definitivamente a noção incómoda de conflitos de interesses e com as forças de segurança ao seu serviço, estes novos empresários dividem entre si os lucros da venda das matérias-primas e prestam vassalagem ao imperador a troco de uns biliões enterrados em offshores, villas na Côte D’Azur, Bugattis Veyron e internatos para os rebentos no Eton College.
Mas pouco sobra para a resolução dos graves problemas que continuam a afectar a população. E, mais importante ainda, para a modernização das infra-estruturas e da indústria. Desde o colapso da União Soviética, foi construída uma fábrica de cimento e não foi construída sequer uma única nova refinaria petrolífera na Rússia. As empresas russas preferem investir no estrangeiro e não no seu país (http://darussia.blogspot.com/2010/12/blog-do-leitor-o-dilema-da-nao.html). E o investimento estrangeiro, a encolher cada dia que passa, acabou de levar mais um rude golpe com a condenação de Khodorkovsky. Tal como nos últimos dias da União Soviética, assistimos a uma estagnação de uma economia mantida à tona apenas pela venda de matérias-primas e pelo aumento da despesa pública destinada a manter a popularidade dos governantes. E pela ilusão de uma modernização que não sai do papel.
Na sua obsessão pela grandeza soviética, Putin continua a fazer tudo para reverter a história e restabelecer o império. Mantendo bem nutrida a sua corte de empresários-burocratas, usa a corrupção como base para o seu poder, compra os líderes nacionais dos antigos satelites imperiais e procura estender da mesma forma o tentáculo energético além-fronteiras. Mas o período de estabilização e ressurgimento que muitos lhe dão crédito está a chegar ao fim. E a verdade é que os mitos de grandeza soviética, expansão territorial e grunhidos bélicos anti-ocidentais não resistem à estagnação económica, ao subdesenvolvimento industrial, à decrepitude das infra-estruturas, à abertura para o exterior que o país goza, bem como às tecnologias como a internet, que dificilmente são controladas pela propaganda. Em onda lenta, mas crescente, a população está a passar de indiferente para farta do sistema vigente, dividido entre “nós”, a população, e “eles”, os das luzinhas azuis em cima dos carros. E quando uma parte da elite perceber que o sistema é insustentável tal como Putin o imaginou, poderá perder a vontade de o defender, tal como aconteceu nos no período dos esgares finais da URSS.
E talvez quando chegarmos a esse ponto, a História poderá repetir-se."

Blog do leitor (Vou ou fico?)

Texto traduzido e enviado pela leitora Cristina Mestre:

 
"Coluna semanal de Svetlana Kolchik* (RIA Novosti)

“Já é hora de fazer as malas”. Esta é a ideia que ouço de muitos amigos após os recentes distúrbios em Moscovo.

“Está na hora de mudar de país”, dizia um amigo jornalista na sua página no Facebook. A sua mensagem não insinuava mudanças na Rússia mas sim que o melhor era procurar outro país para viver. Começou um debate virtual e muitos participantes concordaram com ele. Quando a situação na Rússia se torna mais dura e sobretudo imprevisível, inevitavelmente surge a questão de fazer as malas e ir embora.

Talvez valha a pena pelo menos pensar nisso?

Para dizer a verdade, ao longo de muitos anos fiz a mim própria esta pergunta. Desde que me recordo de mim mesma, os meus pais e, especialmente, a minha mãe, artista dissidente nascida no Gulag, incitavam-me a “fazer os possíveis por abandonar este país sem futuro”.

A dada altura vi-me a viver no outro lado do Atlântico, americanizando-me rapidamente e planeando transformar a América na minha nova pátria. Mas as circunstâncias, a minha vida pessoal, as minhas opções profissionais e essa força misteriosa chamada destino, levaram-me a regressar por casualidade. Foi há uns oito anos e, ao longo de todo este período, perguntei-me muitas vezes se teria feito bem em não abandonar a Rússia, especialmente tendo tantas oportunidades para o fazer.

Estou agora precisamente a fazer as malas, não para ir embora de vez mas sim para voltar, após uma viagem de negócios e umas férias de uma semana. Ainda que sempre me tenha sentido afortunada por poder viajar regularmente, antes gostava de deixar Moscovo (era uma pausa para descansar do metro apinhado nas horas de ponta, dos engarrafamentos, dos rostos depressivos dos meus compatriotas) mas ultimamente volto ao meu país com muito mais gosto.

Talvez isso signifique que me sinto mais velha e mais consciente das raízes e das prioridades ou então é esta milagrosa sensação inspiradora de ser cidadã do mundo, que surge quando viajamos frequentemente.

Mas nem todos sentem o mesmo. “Já me teria ido embora se soubesse que encontrava um bom trabalho no estrangeiro”, confessou-me uma amiga, editora-chefe de uma famosa revista feminina e mãe de um menino de dois anos. Depois perguntou-me se eu podia contar com algo no caso de abandonar a Rússia. Com uma voz desesperadamente áspera e alarmada, disse que “as coisas não melhoram na Rússia, até pioram, aproximamo-nos de uma guerra civil”.

“Não quero envelhecer neste país, já que conheço a situação por dentro e isso não me inspira optimismo”, disse-me outra jovem, que trabalha como consultora do Banco Mundial para a reforma governamental da Rússia.

“Está tudo bem se ganhas bom dinheiro e tens bons amigos, assim durante certo tempo esqueces-te que vives aqui. Mas este país recorda-te constantemente que as coisas estão a ir por um caminho infeliz”, disse outra amiga, que está bem na vida, é produtora de televisão e teve a oportunidade de obter um passaporte norte-americano. Acrescentou que, para ela, já está fora de questão criar os filhos na Rússia e que, juntamente com o marido, tenciona mudar-se para os EUA nos finais do próximo ano.

Chamem-me superficial, desinformada ou irresponsável mas, ainda que às vezes o que se passa na Rússia me envergonhe, não me sinto pessimista. Simplesmente não me quero sentir. Na realidade, sinto-me ligada ao meu país através de uma rara relação de amor e ódio. Tal como em qualquer relação de dependência, sou um pouco viciada nas coisas que me deixam louca aqui.

Sinto a adrenalina de não saber o que irá acontecer no futuro próximo e o repousante sentimento de que tens que tirar partido da vida hoje, porque amanhã poderás já não ter essa oportunidade; a satisfação infinita que te dá o facto de solucionar problemas, ainda que tão ridículos como encontrar um desvio para evitar um engarrafamento e chegar ao trabalho a tempo; o clima desafiante que te faz apreciar o dia quando ocasionalmente faz bom tempo.

Os sinais esporádicos de “normalidade”, as coisas que preenchem o teu dia na Rússia: o vizinho que te cumprimenta ou te sorri inesperadamente no elevador, um desconhecido que te estende a mão quando cais no passeio, o rapaz ao volante que te cede a passagem, a nova padaria acolhedora ao estilo parisiense com uma boa selecção de baguettes frescas e um bom café a preço moderado….

Após viver em vários países e ver os seus problemas (a erva parece sempre mais verde do outro lado da estrada, no sítio onde não viveste e aquele aonde nunca foste), comecei a tratar o meu país como um familiar com os seus defeitos, que de certa forma toleras e até aprendes a gostar apesar de tudo.

Contra a perspectiva deprimente, gostaria de acreditar que o destino da Rússia não é um livro fechado. Que o bem-estar do país, pelo menos no mínimo, depende da nossa esperança, da nossa decisão de ficar e da nossa capacidade de dedicação.



* Jornalista russa, directora adjunta da revista Marie Claire. Formou-se na Universidade Estatal de Moscovo (faculdade de jornalismo) e na Universidade de Columbia (Escola de Estudos Avançados em Jornalismo) colaborou com o jornal Argumenti i Fakti, USA Today em Washington, com o RussiaProfile.org, edições russas da Vogue, Forbes e outras".



Isto não é justiça, mas linchamento

Ходорковский и Лебедев признаны виновными

Mikhail Khodorkovski, antigo patrão da petrolífera russa YUKOS, e o seu sócio Platon Lebedev só deverão conhecer a pena de prisão a que foram condenados no segundo processo no próximo ano.
Segundo as agências russas, se a sentença coincidir completamente com o texto da acusação, o juiz Victor Danilkin não deverá conseguir lê-la até ao fim deste ano.
A agência Ria-Novosti informa que, nas primeiras duas horas e meia de leitura, o juiz leu 80 páginas.
Konstantin Rivkin, advogado de defesa de Lebedev, declarou que a sentença coincide quase totalmente com o texto da acusação, que é constituído por 14 volumes com 300 páginas cada um.
Se o juiz mantiver a média de leitura de 1,8 páginas por minuto, necessitará de 39 ou 40 horas, sem contar com intervalos e pausas, ou seja, mais de uma semana de trabalho.
Neste caso, Danilkin não terá tempo de terminar a leitura até ao Ano Novo. Se tal acontecer, a leitura será retomada apenas a 11 de janeiro, pois na Rússia não se trabalha nos primeiros dez dias desse mês.
Mas já não restam dúvidas de que a sentença será condenatória, pois o tribunal reconheceu a maioria dos crimes de que Khodorkovski e Lebedev eram acusados.
O antigo patrão da petrolífera russa YUKOS Mikhail Khodorkovski e o seu sócio Platon Lebedev foram considerados culpados dos crimes de "roubo de petróleo”, "lavagem de capitais" e “associação criminosa”.
A acusação pede penas de 14 anos de prisão para Khodorkovski e Lebedev.
A polícia deteve pelo menos 20 das centenas de pessoas que protestam à porta do tribunal contra a sentença.
Khodorkovski e Lebedev foram condenados a oito anos de prisão em 2005 por “fraude” e “evasão fiscal”.
O segundo processo foi aberto pelas autoridades em 2006: Khodorkovski e Lebedev foram acusados de terem roubado mais de 200 milhões de toneladas de petróleo e de legalizar o dinheiro procedente de atividades ilegais.
Esta sentença acusatória era esperada depois da ingerência aberta de Vladimir Putin, primeiro-ministro formado em Direito,no funcionamento dos tribunais.
Lebedev lia um livro enquanto o juiz lia a sentença, apenas para aproveitar bem o tempo. Um dia negro para a justiça russa.
Volto aqui a repetir a minha opinião sobre este caso. Não considero Khodorkovski e Lebedev "santos", mas não posso saber que crimes eles cometeram na realidade, pois a investigação e a justiça não são independentes.
Além disso, há muitos outros oligarcas, políticos russos, amigos do primeiro-ministro russo que fizeram fortunas ilícitas, mas continuam em liberdade. Mais, continuam a ocupar altos cargos.
O Presidente Medvedev, em quem alguns viram um liberalizador, foi humilhado e até lançado no ridículo. Quem irá acreditar nele quando ele voltar a dizer que altos funcionários não devem comentar casos como de Khodorkovski enquanto o tribunal não ditar sentença?
  

Domingo, Dezembro 26, 2010

Meu livro com selo postal



Caros leitores, á loja eletrónica www.cornucopia.com.pt colocou à venda seis exemplares do meu livro sobre a tragédia que vitimou Samora Machel, primeiro presidente de Moçambique. O livro está autografado por mim e é  acompanhado de um selo soviético comemorativo. O número é muito limitado, apenas seis exemplares, devido à raridade do selo.
O livro, esse, está a ter boa saída, mas há ainda mais de seis exemplares para vender.

Dificuldades e beleza da chuva glaciar em Moscovo




As fotos foram tiradas e enviadas pelo meu amigo Andrei.

A chuva glaciar que atingiu Moscovo no sábado provocou o corte de energia elétrica nos arredores da capital, afetando cerca de 100 mil pessoas, o encerramento do aeroporto de Domodedovo e a perturbações nos transportes.
O corte de fornecimento de energia elétrica deve-se à rutura de cabos que não aguentaram o peso do gelo.
“Estão desligadas 72 linhas elétricas. Há várias estações que não funcionam. Nos arredores de Moscovo, neste momento, há cerca de 100 mil pessoas sem energia elétrica”, declarou à Ria-Novosti fonte da elétrica de Moscovo.
A falta de energia provocou o encerramento do aeroporto Domodedovo, um dos mais aeroportos internacionais de Moscovo, o que levou a que parte do tráfego aéreo esteja a ser desviado para o Sheremetevo.
Alguns comboios suburbanos circulam com grande atraso pela mesma razão. Em Moscovo, há árvores caídas e outras em risco de cair devido ao peso do gelo.
O chefe dos Serviços Sanitários da Rússia, Guennadi Onischenko, apelou aos moscovitas para ficarem em casa devido às ruas estarem escorregadias devido à camada de gelo existente.



“O melhor é ficar em casa com o mínimo de reservas de alimentos e não sair”, declarou ele aos jornalistas.



Segundo a Ria-Novosti, o número de pessoas que recorreram às urgências com traumatismos aumentou entre 20 a 30 por cento nas últimas 24 horas”.



A polícia de trânsito sublinhou que número de acidentes rodoviários não sofreu forte aumento, mas apelou aos automobilistas para que conduzam apenas em caso de necessidade e com o máximo de cuidado.



Segundo os meteorologistas, a chuva glaciar forma-se devido à diferença entre a temperaturas na atmosfera (a quilómetro e meio de altitude) e à superfície da Terra. Quando se registam temperaturas positivas na atmosfera, começa a chover, mas a água transforma-se imediatamente em gelo ao entrar em contacto com as temperaturas negativas cá em baixo.



Os serviços municipais estão a recorrer a produtos químicos e areia para derreter a camada de gelo que se formou nas estradas e passeios, mas a tarefa não é fácil porque caiu uma quantidade recorde de chuva glaciar: 22 milímetros nos últimos dias.



Os serviços de limpeza anunciaram que, num dia, retiraram das ruas da capital russa 270 mil metros cúbicos de neve.



A mulher do antigo patrão da petrolífera russa Yukos disse recear que Mikhail Khodorkovski seja condenado

A mulher do antigo patrão da petrolífera russa Yukos, Inna Khodorkovskaia, disse hoje recear que Mikhail Khodorkovski seja condenado e que continue preso até 2012, no processo cuja leitura da sentença será conhecida na segunda-feira.
"Não, não acredito [que Khodorkovski seja absolvido]. Não restam dúvidas de que o meu marido irá continuar na prisão até 2012. Depois [desta data] ninguém sabe o que irá acontecer", disse Inna Khodorkovskaia, em entrevista à revista Snob.
Em 2012 realizam-se eleições presenciais na Rússia. O atual Presidente, Dmitri Medvedev, e o primeiro-ministro, Vladimir Putin, prometeram tomar uma decisão conjunta sobre qual dos dois irá participar nesta corrida.
Na entrevista, Inna Khodorkovskaia considerou que Medvedev é “mais leal, mais flexível e menos duro, em comparação com o primeiro-ministro, que esteve envolvido no conflito [com Khodorkovski]”.
Para a mulher do antigo patrão da Iukos, “além de Putin, ainda há outros jogadores com um ódio ainda maior dentro deles", sublinhando que "Putin foi simplesmente infetado pelo ódio”.
A leitura da sentença do segundo processo contra Mikhail Khodorkovski e o presidente do grupo Menatep, Platon Lebedev, será lida na segunda-feira pelo juiz Victor Danilkin, do tribunal de Khomovnik de Moscovo.
Os dois empresários estão a ser julgados por “roubo de petróleo” e “branqueamento de capitais” e incorrem numa pena de mais de 14 anos de prisão.
Inicialmente, a leitura da sentença estava prevista para 15 de dezembro, mas o juiz adiou-a para 27 sem dar qualquer explicação.

Sexta-feira, Dezembro 24, 2010

Medvedev minimiza revelações do Wikileaks

O Presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, disse não recear as publicações da Wikileaks, pois, caso contrário, nunca iria à Internet, nem ligaria a televisão.
Eu olho de diferentes formas para o Wikileaks. Algumas coisas são curiosas, outras provocam espanto. Não tenho medo das publicações, os funcionários da secretaria de Estado (EUA) é que devem ter. Se eu tivesse receio do que escrevem sobre mim, jamais ligaria a Internet ou veria televisão”, afirmou ele numa entrevista a vários canais de televisão e rádio russos.
Porém, considera que a crítica do poder é um fenómeno positivo e que a publicação de telegramas secretos não se irá refletir nas relações entre Moscovo e Washington.
Os que tomam decisões devem compreender que nem sempre ouvem boas palavras a seu respeito... Mas está correto, porque o poder deve “apanhar ratos””, acrescentou.
No que respeita ao Wikileaks, isso não tem qualquer importância para as nossas relações com a América. Nós, primeiro, compreendemos quem lá fala e escreve e, segundo, as suas fontes são, fundamentalmente, jornais e televisões, ou seja, fontes abertas”, comentou.
Medvedev recordou a propósito uma anedota soviética: “um diplomata soviético foi recebido pela raínha de um país. Depois da audiência, ele escreveu um telegrama: “A raínha perguntou-me sobre os dissidentes. Tive de lhe puxar as orelhas...”
Cada um tem direito a um minuto de glória, incluindo embaixadores e funcionários diplomáticos, concluiu.
Em documentos publicados no Wikileaks, os diplomatas norte-americanos compararam o dueto Putin-Medvedev aos heróis da banda desenhada Batman-Roby, sendo o atual presidente apresentado como o subordinado do primeiro.


Medvedev disse a Putin que estivesse calado

O Presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, considera que nem ele, nem qualquer outro dirigente russo tem o direito de manifestar a sua posição face ao “caso Khodorkovski” ou a outro qualquer antes da sentença do tribunal.
Enquanto presidente, penso o seguinte: nem o presidente, nem outro funcionário tem o direito de revelar a sua posição sobre esse caso ou sobre qualquer outro até ao momento da leitura da sentença, sendo condenatória, ou abolatória”, declarou ele ao comentar o “caso Khodorkovski”.
Mikhail Khodorkovski e Platon Lebedev, ex-patrão da petrolífera russa YUKOS e seu sócio, foram condenados a oito anos de prisão em 2006 por acusação de “fuga ao fisco” e “lavagem de capitais”.
Actualmente, estão a ser julgados por “roubo de petróleo” e “branqueamento de capitais” e podem ser condenados a mais 14 anos de prisão. A sentença deveria ter sido lido na semana passada, mas foi adiada para 27 de Dezembro.
Entretanto, o primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, numa “conversa com o país”, transmitida pela televisão russa, declarou, a propósito de Khodorkovski, que “o ladrão deve continuar na prisão” e que “o tribunal tinha provado a culpa” antes de lida a sentença.
Os advogados de Khodorkovski e Lebedev assinaram então que as palavras de Putin são uma ingerência clara no funcionamento dos tribunais.
Trata-se de um aviso claro de Medvedev a Putin, resta saber qual deles é o mais forte e manda na Rússia. Neste sentido, a sentença poderá ser um momento da verdade”, declarou à Lusa, por telefone, uma fonte ligada à justiça.
Medvedev assinalou também que a justiça tem de ser igual para todos os homens de negócios.
É preciso trabalhar com provas para que a justiça não seja tendenciosa. É uma questão de provas. Se vocês as apresentarem, iremos trabalhar com elas”, disse ele, dirigindo-se aos entrevistadores.


FELIZ NATAL

PARA TODOS OS MEUS LEITORES, SEM EXCEPÇÃO, DESEJO UM FELIZ NATAL.

Quarta-feira, Dezembro 22, 2010

Cada época tem os seus heróis


Молодая гвардия "Единой России" (МГЕР) на съезде в среду приняла в состав своего Общественного совета российскую разведчицу и героиню эротических фотосессий Анну Чапман

Anna Chapman, ex-espiã russa e modelo, aderiu à organização juvenil “Jovem Guarda”, patrocinada pelo Kremlin, e foi eleita membro do seu Conselho Social.

A eleição ocorreu no congresso da “Jovem Guarda”, que decorreu hoje na capital russa e colocou como objetivo “a renovação: novas caras, projetos e iniciativas”.

Anna Chapman tornou-se conhecida depois de ter sido acusada e expulsa dos Estados Unidos em julho passado. Ela e mais nove agentes dos serviços secretos russos foram trocados por quatro cidadãos russos que cumpriam penas no seu país por espionagem a favor dos Estados Unidos e Grã-Bretanha.

Em 2003, ela casou-se com um cidadão inglês e, em Londres, passou a trabalhar na empresa Netjets Europe. Em fevereiro de 2010, foi viver para os Estados Unidos, onde se dedicou ao comércio de imóveis.

Depois de regressar à Rússia, Anna Chapman posou para o jornal masculino “Jara” (Calor), mas desiludiu os que esperavam que ela se no tornasse numa modelo conhecida pelo pseudónimo “agente 90-60-90”.

Em Outubro, foi nomeada conselheira do presidente do banco russo “Fondservisbank” para investimentos e inovações.

A revista Playboy prometeu publicar no seu número de janeiro de 2011 fotografias de Chapman, tiradas há alguns anos atrás por um dos seus namorados”.

Terça-feira, Dezembro 21, 2010

Portugal como exemplo de má governação

Artigo escrito e publicado no sítio electrónico da SIC:

Habitualmente, Portugal é visto na Rússia como um país calmo, com um clima maravilhoso, uma cozinha e uns vinhos imbatíveis, resumindo, um bom lugar para passar férias para quem tem meios para isso, bem como um dos viveiros de jogadores de futebol na Europa e plataforma de trânsito de futebolistas da América Latina para o Velho Continente.
Do ponto de vista político, Portugal não provoca irritação nos russos, embora seja membro da NATO, porque pertencemos ao grupo de países da Aliança que tenta não irritar o Kremlin com “a retirada de esqueletos” do armário da história, como fazem alguns dos seus vizinhos.
Numa palavra, somos um povo pequeno, mas simpático e hospitaleiro.
Porém, no ano corrente, Portugal é muito badalado na imprensa russa por ser um dos “elos fracos” da União Europeia e da zona euro. Na mensagem à nação de 2000, o então Presidente da Rússia, Vladimir Putin, declarava que se o seu país se desenvolvesse ao ritmo de crescimento económico de 8% por ano, dentro de 15 anos, alcançaria Portugal, por isso, passados que são dez anos, perguntam-nos o que aconteceu ao nosso país para chegar ao estado em que se encontra.
O nosso país foi também muito falado ainda recentemente, aquando da escolha do país ou países onde se deverá realizar o Campeonato do Mundo de Futebol de 2018. Como é sabido, a Rússia venceu e os dirigentes desportivos russos ficaram muito surpreendidos com o excesso de autoconfiança da candidatura ibérica.
“A Espanha e Portugal podem ficar tristes, etc., mas eu nem sequer vi e não conheci o diretor da candidatura ibérica”, declarou Vitali Mutko, ministro do Desporto e Turismo da Rússia, acrescentando: “mas que autoconfiança!”.
Mas nem tudo foi mau para a imagem do nosso país. É português o melhor jogador do Campeonato de Futebol da Rússia: Danny. Trata-se de um exemplo de trabalho e abnegação que já há muito fez esquecer a imagem negativa de alguns futebolistas que vieram para este país jogar “futebol ao rublo”. Bruno Alves vai-se integrando bem na equipa do Zenith de São Petersburgo e Fernando Meira também não deixa má imagem.
A Cimeira da NATO-Rússia, que se realizou em Lisboa, foi igualmente um bom momento para Portugal, porque mostramos que, quando queremos, sabemos organizar grandes eventos internacionais. Os jornalistas russos souberam apreciar o nosso país.
(Quanto ao anúncio lá feito do “enterro da guerra fria”, em Moscovo esperam para ver. Além de já lhe terem feito o funeral várias vezes, as revelações do Wikileaks podem causar uma nova ressurreição).
Não obstante os momentos menos positivos citados, o número de turistas russos que escolhem Portugal para passar as suas férias continua a aumentar consideravelmente. A abertura de uma linha regular aérea pela TAP em Junho de 2009 e o bom trabalho de divulgação do nosso país feito por essa empresa e pela Agência para o Investimento Externo de Portugal estão a dar os seus frutos.
No que respeita às relações económicas e comerciais bilaterais, as coisas não estão famosas. As empresas portuguesas não têm arcaboiço para entrarem no mercado russo, tanto mais quando nos falta um “Berlusconi” para abrir portas através da amizade com o dueto Putin-Medvedev, mas sempre vão aparecem uns vinhos, principalmente do Porto, nas lojas de Moscovo e de algumas cidades russas.
Quanto aos investimentos russos em Portugal, não são muitos e concentraram-se na área da hotelaria e imobiliário, sendo feitos de forma discreta, para não provocar invejas.

Opositores do Presidente Lukachenko continuarão na prisão

Cerca de 600 opositores, que se manifestaram domingo contra a reeleição do Presidente bielorrusso Alexandre Lukachenko, foram condenados a penas de prisão de 5 a 15 dias, disse hoje o chefe da polícia de Minsk citado pela agência Interfax.
“Foram tomadas decisões judiciais em relação a mais de 580 pessoas que participaram nos protestos em Minsk. Fundamentalmente, foram aplicadas penas entre os 5 e os 15 dias de prisão”, explicou Leonid Farmaguei.
Segundo Farmaguei, “numerosas pessoas foram postas em liberdade, entre elas os menores e pais com dois filhos ou mais”, sendo libertados também “cidadãos estrangeiros, entre os quais estavam jornalistas”.
A rádio Eco de Moscovo avançou, no entanto, que pelo menos um fotógrafo de um jornal de São Petersburgo se encontra ainda detido.
O ministro da Justiça da Bielorrússia, Victor Golovanov, admitiu hoje a possibilidade de interditar os partidos que participaram nos distúrbios de 19 de dezembro.
“Se o partido ou a organização social decidiram participar nos distúrbios em massa, iremos avaliar a sua liquidação”, disse à agência Ria-Novosti.
Alguns dos candidatos a Presidente da Bielorrússia que participaram na manifestação de domingo tinham recebido o apoio público de vários partidos.
O Presidente Lukachenko anunciou na segunda-feira que 639 opositores tinham sido detidos durante a manifestação.
“Não sabem com quem se meteram. Eu não me irei esconder numa cave. Por isso, vamos pôr fim a isto. Não haverá mais democracia sem sentido. Não deixaremos dilacerar o país”, frisou.
O Presidente iraniano, Mahmud Ahmadinejad, felicitou Alexandre Lukachenko pela vitória nas eleições presidenciais de domingo, considerando-a “mais uma página dourada da brilhante história de um grande povo”, informou hoje a agência ISNA.
“Estas eleições foram mais uma página dourada da brilhante história do grande povo bielorrusso e mostrou o seu apoio aos Vossos planos. Espero que, durante o novo mandato, os nossos laços bilaterais crescentes se reforcem ainda mais e as nossas relações bilaterais se alarguem o máximo possível”, considera o líder iraniano.
Na véspera, Alexandre Lukachenko recebeu as felicitações do dirigente da Venezuela, Hugo Chavez.
“A Bielorrússia é um bastião da dignidade e da prosperidade na Europa, que se encontra em convulsões devido à avareza ilimitada do capital transnacional”, considerou Chavez.

Drogas matam anualmente cerca de cem mil jovens na Rússia

Cerca de cem mil jovens morrem anualmente na Rússia devido ao consumo de drogas, revelou hoje Victor Ivanov, diretor do Serviço Federal de Controlo das Drogas da Rússia.
“Dos 130 mil jovens, com idades compreendidas entre 15 e 30 anos, que falecem anualmente na Rússia, a esmagadora maioria, cerca de 100 mil morrem por razões ligadas ao consumo de estupefacientes”, declarou ele numa reunião desse órgão em Moscovo.
Ivanov frisou que o consumo de drogas na Rússia atingiu uma “envergadura apocalíptica”.
“Quando vou ao cemitério, presto sempre atenção ao número muito grande de campas de pessoas muito jovens. A monitorização dos últimos anos em mais de 200 cidades confirma, infelizmente, essa impressão e mostra a envergadura apocalíptica da tragédia no país”, acrescentou.
Segundo o Serviço Federal de Controlo das Drogas na Rússia, neste país há cerca de cinco milhões de toxicodependentes.
O Afeganistão, através da Ásia Central, é o principal fornecedor de heroína aos traficantes no território da Rússia.

Músicos portugueses actuam em São Petersburgo





Cerca de 600 pessoas assistiram ao concerto da Orquestra Sinfónica Cappela de São Petersburgo, dirigida pelo maestro português João Tiago.
A primeira parte do concerto foi preenchida por obras de compositores portugueses: "Abertura da ópera L'amore industrioso" de João de Sousa Carvalho (1745-1798); Sinfoneta de Fernando Lopes-Graça (1906-1994); "Abertura de "Dona Inês de Castro"" (1868-1948.
A segunda parte começou com "Concerto para violino e orquestra do compositor latino-americano Lucas Maramiliu (1986)". A orquestra acompanhou o violionista português Álvaro Pereira, aluno do Conservatório de São Petersburgo, que foi muito aplaudido.
O espectáculo terminou com a Sinfonia Nº 9 do compositor russo Dmitri Chostokitvh (1906-1975).
O espectáculo foi organizado pelo Instituto Camões e pela Embaixada de Portugal na Rússia, tendo tido o apoio da TAP.

Segunda-feira, Dezembro 20, 2010

Vitória de Lukachenko provoca forte contestação inernacional

 A vitória de Alexandre Lukachenko nas eleições presidenciais da véspera está a provocar um amplo leque de reações.

Os Estados Unidos foram dos primeiros países a reagir aos graves confrontos ocorridos na véspera entre a polícia e os milhares de opositores que saíram para as ruas de Minsk para contestar os resultados eleitorais.

“Estamos particularmente preocupados com o emprego demasiado da força por parte do poder, nomeadamente com o espancamento e detenção de vários candidatos a presidente e a violência contra os jornalistas e ativistas da sociedade civil”, lê-se num comunicado da embaixada norte-americana na capital bielorrussa.

A chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton, condenou a repressão de uma manifestação após a eleição presidencial na Bielorrússia e exigiu a libertação «imediata» dos opositores detidos pelas forças de segurança.

Ashton “condena o recurso à violência após a eleição presidencial na Bielorrússia, em particular o facto de se ter espancado e detido vários líderes da oposição, incluindo um certo número de candidatos à presidência”, declarou a sua porta-voz, Maja Kocijancik.

“Ela apela às autoridades para libertarem imediatamente aqueles que foram detidos”, precisou.

Posição semelhante foi tomada pelas diplomacias da Polónia, Lituânia, Itália e França, que revelaram particular preocupação face à onda de repressão que se estende à Bielorrússia.

Moscovo não teve uma posição de apoio inequívoco como acontece habitualmente.

O Presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, considera que as eleições presidenciais na Bielorrússia são um assunto interno do país, mas espera que o país vizinho de desenvolva pela via da democracia.

“Espero que o resultado dessas eleições façam da Bielorrússia um Estado moderno, que continue pela via da criação de um Estado moderno, baseado na democracia e na amizade com os vizinhos”, declarou.

Desta vez, o Presidente Lukachenko insinuou que a oposição poderia ter recebido apoio não só do Ocidente, mas também da Rússia

As divergências face ao escrutínio são particularmente flagrantes entre os observadores da Organização para a Cooperação e a Segurança na Europa (OSCE) e da Comunidade de Estados Independentes (CEI).

A missão de observadores da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OCSE) considerou que as eleições presidenciais na Bielorrússia, que tiveram lugar na véspera, não podem ser consideradas “democráticas” e “transparentes”.

“A Bielorrússia ainda tem de percorrer um longo caminho para respeitar os seus compromissos no quadro da OSCE”, declarou Tony Lloyd, dirigente da missão de observadores da OSCE, numa conferência de imprensa.

Segundo ele, “a detenção dos candidatos a presidente e de representantes da sociedade civil, bem como a dispersão dura da manifestação são o pano de fundo para a avaliação destas eleições”.

“Gostaria de pedir ao Governo (da Bielorrússia) para esclarecer o futuro dos detidos”, sublinhou.

Serguei Lebedev, dirigente do grupo de observadores dos países da Comunidade de Estados Independentes, organização que reúne 11 das 15 antigas repúblicas soviéticas, anunciou que eles não só consideram democráticas as eleições presidenciais, como reconhecem legitima a atuação da polícia.

“O principal candidato teve uma vantagem significativa, o resto não tem importância”, declarou ele numa conferência de imprensa.




Presidente Lukachenko promete ao Ocidente um Wikileaks bielorrusso

O Presidente da Bielorrússia, Alexandre Lukachenko, que ontem foi reeleito num escrutínio contestado pelos opositores, prometeu hoje publicar documentos secretos sobre as ligações entre a oposição e o Ocidente.

“Eu ordenei publicar todos os materiais para que o povo veja os nossos parceiros ocidentais e a nossa dita oposição”, disse ele, numa conferência de imprensa para reagir às críticas dos seus opositores.

“Ainda não mostramos tudo. Vamos ver como irão defender-se os seus amigos, que estão por detrás dela (oposição)”, frisou.

“Alguns desses documentos devem estar nos arquivos com a classificação de “secreto””, acrescentou, sublinhando que “os documentos serão dentro em breve publicados nos órgãos de informação e num sítio chamado Wikileaks bielorrrusso”.

O Presidente Lukachenko fez duras críticas aos observadores da Organização para a Cooperação e Segurança na Europa, que não consideraram o escrutínio democrático e transparente e criticaram as autoridades pela brutalidade com que reagiram aos protestos da oposição.

“Mas o que tem a ver o que aconteceu na véspera com as eleições?”, perguntou.

“É difícil dizer o que não fizemos para que as eleições fossem reconhecidas pela comunidade internacional… Nós alterámos a legislação eleitoral para agradar a OSCE. Por exigência dos amigos europeus, nós violamos as leis vigentes, por ordem deles”, afirmou.

“As eleições decorreram de forma digna, independentemente da avaliação que for feita delas”, concluiu o Presidente reeleito.

Domingo, Dezembro 19, 2010

Lukachenko vai vencer com mais de 70 por cento dos votos

O atual Presidente da Bielorrússia, Alexandre Lukachenko, irá conquistar 74,7 por cento dos votos, revela uma sondagem à boca das urnas, realizada quando já tinha votado mais de metade dos inscritos.
Segundo o Centro Analítico Eccom, que realizou o estudo, o concorrente mais votado, Andrei Sannikov, conquistará cerca de 6 por cento e Vladimir Nekliaev, 4,3 por cento.
Trata-se das quartas eleições presidenciais realizadas depois da Bielorrússia conquistar a independência em 1991, tendo sempre vencido Alexandre Lukachenko.
O candidato e poeta Nekliaev decidiu não depositar o seu boletim na urna, escreveu nele “novas eleições sem Lukachenko” e levou-o consigo.
Ele justificou esse gesto com o fato de, na véspera, a polícia ter detido apoiantes seus.
“Ele (Lukachenko) que faça o que quer, mas que liberte a Bielorrússia da sua presença… Ninguém o irá perseguir, que vá ter com o amigo Chavez”, declarou Nekliaev aos jornalistas.
Após o encerramento das urnas, cerca de 50 mil pessoas protestaram no centro de Minsk contra a farsa eleitoral. A polícia de choque carregou e há feridos, viam-se numerosas pessoas com sangue no rosto.
Vamos seguir o desenrolar dos acontecimentos.

Sábado, Dezembro 18, 2010

Polónia não aceita relatório russo sobre queda de avião que vitimou Presidente polaco

O primeiro-ministro polaco, Donald Tusk, declarou hoje que não pode aceitar o relatório que o Comité Interestatal de Aviação elaborou depois de investigar o acidente aéreo de 10 de abril de 2010 que vitimou o Presidente polaco, Lech Kaczynski, e outros dirigentes políticos e militares da Polónia.

“O projeto de relatório, tal como foi entregue pela parte russa, não pode ser aceite”, declarou Tusk, citado pelo canal de televisão polaco TVN24.

De visita a Bruxelas, ele assinalou que a parte polaca tem numerosas observações sobre o documento e não pode aceitá-lo como definitivo.

“Tanto mais que a ausência de reação ou erros, ou a ausência de reação positiva às exigências da parte polaca, permite-nos dizer que alguns pontos nesse relatório não têm fundamento. Eu não digo que eles sejam falsos, mas eles não têm confirmação nas investigações, tal como nós os avaliamos. Vamos ver qual será a resposta da parte russa, disse Tusk.

Segundo ele, as críticas da parte polaca não dizem respeito a todo o relatório, mas apenas a alguns dos seus fragmentos que “levantam dúvidas” e onde “os russos não cumpriram as exigências da Convenção de Chicago”, acrescentou.

Em outubro passado, o Comité Interestatal de Aviação entregou o anteprojeto do relatório a Edmund Kilich, representante da Polónia junto desse organismo. Em declarações à imprensa polaca, Klich precisou que o acidente era resultado de 12 causas diferentes.

O avião Tupolev 154 do Presidente polaco, Lech Kaczynski, despenhou-se perto da cidade russa de Smolensk na manhã de 10 de Abril. Ao realizar a aterragem no meio de uma forte neblina, roçou nas árvores e caiu.

No acidente morreram oito tripulantes e 88 passageiros, membros de uma delegação governamental que viajava para a Rússia para prestar homenagem a milhares de militares polacos que a polícia secreta de Estaline executou nos bosques de Katin, em 1940.

Sexta-feira, Dezembro 17, 2010

Bielorrússia: Eleições presidenciais onde já se conhece o vencedor

"Я не подписывался за кандидатов и вообще не решил, пойду ли на выборы. До политики нам нет никакого дела. Мы поем о том, что видим в окне", - заявил порталн Udf.by один из участников дуэта Михей Носорогов

Dez candidatos lutam pela presidência da Bielorrússia nas eleições de domingo, mas o vencedor deverá ser o atual dirigente do país, Alexandre Lukachenko, há 17 anos no poder e conhecido como "o último ditador da Europa".
Durante a campanha eleitoral, tudo trabalhou para a vitória de Alexandre Lukachenko na primeira volta: a oposição não conseguiu apresentar um candidato único, os vários candidatos da oposição praticamente não tiveram acesso aos órgãos de informação e toda a máquina do Estado trabalhou para garantir a maioria absoluta de Lukachenko.
“Os programas eleitorais dos candidatos da oposição são iguais e não são sérios”, considerou Natália Petkevitch, dirigente da Casa Civil do Presidente bielorrusso.
“No fundo, todos os programas são iguais e baseados num só princípio: primeiro, dizer mal de tudo o que foi feito. Depois, prometer absolutamente tudo. Mas ninguém diz como ganhar dinheiro, onde é que o Estado vai obter lucro”, declarou à televisão bielorrussa.
Lukachenko não participou nos debates televisivos com os restantes candidatos e deixou a publicidade da sua candidatura às empresas de comunicação e «media».
Além disso, o dirigente bielorrusso chegou a acordo com a Rússia sobre o trânsito de petróleo russo para a Europa através da Bielorrússia, travando assim a forte campanha dos órgãos de informação russos contra Lukachenko.
Ao mesmo tempo, conseguiu uma certa aproximação da União Europeia.
Um dos candidatos da oposição, o escritor Vladimir Neliaev, apelou à desistência dos restantes para inviabilizar a eleição de Alexandre Lukachenko, mas nenhum apoiou esta proposta.
Mais de 07 por cento dos eleitores - sete milhões - optaram por votar antecipadamente. Esta opção, efetuada em mesas de voto preparadas para uma «votação antecipada», é vista pela oposição como mais uma possibilidade de os resultados finais serem falsificados a favor de Lukachenko.
A oposição já prometeu que irá esperar os resultados no centro de Minsk, capital da Bielorrússia, mas Lukachenko também já preveniu que não irá permitir distúrbios.
“Deus nos livre de alguém ultrapassar a linha. A reação dos órgãos de segurança e dos militares deverá ser adequada e dura”, ameaçou.
A Bielorrússia, uma antiga república soviética situada entre a Rússia e a União Europeia, é governada há 17 anos com braço de ferro por Alexandre Lukachenko.
O Presidente bielorrusso é acusado de ter transformado o país num lugar de negócios para os seus familiares e amigos, bem como de ter eliminado vários adversários políticos.

Sussuros, um livro importante para compreender o estalinismo

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Texto retirado do blog "Água Lisa", com a devida autorização do João Tunes, a quem agradeço desde já o acto solidário de permitir a publicação do seu texto neste blog.

"O que mais valoriza “Sussurros” (*) é a sua forma particular de abordar a opressão comunista durante o período da tirania de Estaline e que eleva este livro do historiador e professor Orlando Figes à qualidade de peça única e incontornável na historiografia sobre a opressão de Estado em versão totalitária. De facto, Figes não enveredou nem pelo desfolhar dos episódios repressivos nem se deteve a entrar na polémica sobre as estatísticas das vítimas e dos carrascos. Exceptuando o tratamento detalhado e central de uma figura de primeira grandeza da vida pública soviética, o escritor Konstantin Simonov, a obra, ao longo das suas mais de setecentas páginas, ocupa-se das figuras comuns, quer dos represaliados (sobretudo estes) como dos coniventes e agentes da opressão, baseando-se em testemunhos orais ou em documentos obtidos, através de uma longa e aturada investigação desenvolvida na antiga URSS junto dos sobreviventes da época estalinista. Ou seja, Figes aborda a opressão contaminante do quotidiano dos cidadãos soviéticos sobretudo nos anos 30 e 40 do século XX e que, de uma forma absolutamente cega, ceifava a eito a sociedade no seu conjunto [escravizando e liquidando intelectuais e pequenos proprietários ou artesãos, por “crime” de pertença de classe; certas nacionalidades suspeitas de “infidelidade étnica atávica” para com a hegemonia russa em que assentava a estrutura multinacional soviética; comunistas e quadros soviéticos dos vários escalões ao sabor dos caprichos absurdos e arbitrários de quotas para cumprir metas de purgas; finalmente, os familiares (mulheres e filhos) dos reprimidos nos casos anteriores e que pagavam por “crime” de serem familiares de “inimigos do povo”]. No fundo, os alvos da repressão estalinista, conforme a uma lógica absolutamente paranóica, eram todos os cidadãos, incluindo os próprios mandantes e agentes da repressão. E, assim, cada cidadão soviético tinha como principal preocupação de sobrevivência, além de confiar no factor sorte, situar-se “correctamente” perante a repressão, sobrevivendo-lhe. E, claro, nem todos se saíam bem, no arbítrio dos acasos, das delações e das embirrações, para além das fatalidades de origens e pertenças. Milhões, muitos milhões, saíram-se mal. Uma parte fuzilada após tortura, a maioria constituindo o exército do trabalho escravo que industrializou a URSS, colectivizou a agricultura, produziu as grandes obras, cumpriu os planos quinquenais, construiu o socialismo, um socialismo de miséria, escravidão, fome, opressão. E, para além dos efeitos imediatos do sistema do GULAG, eventualmente a parte mais grave da repressão, o sistema repressivo, ao tornar aleatória a escolha dos alvos, feriu profunda e irreversivelmente a psicologia, a cultura e o estado emocional dos soviéticos. Até aos tempos actuais, passados vinte anos desde a queda do comunismo. E é nesta compreensão que o livro de Figes atinge uma intensidade e relevância única na historiografia sobre o estalinismo, ao descer do público para o privado, dos dados globais da repressão para as feridas desferidas nas pessoas, nas famílias e nos afectos. A monstruosidade da sociedade estalinista, afinal uma mero caso demonstrativo do que é o comunismo enquanto governo, em que após a fase de sedução social e política invocando os mais nobres ideais e aspirações humanas e sociais se transforma em máquina brutal de conservação de poder, em que o “terror vermelho” se inclui necessariamente no menu do trajecto de domínio, fica melhor exposta pela metodologia utilizada por Figes do que todos os tratados sobre a superestrutura da tirania estalinista. Mas, não havendo história grátis, é bom que se tenha o estômago bem preparado para encaixar os murros emocionais que “Sussurros” proporciona perante as dimensões insuspeitas e reveladas sobre onde chega, pode chegar, a perfídia humana politicamente organizada e cinicamente invocando a defesa suprema dos trabalhadores, do povo, da humanidade.
Terminada a leitura de “Sussurros”, percebida e sentida a lógica brutal do GULAG, ainda com as emoções em sangue, julgo que uma questão tende a assaltar cada um dos seus leitores: o que distinguiu o aparelho carcerário, de campos e de liquidação montado na URSS, dirigido por comunistas, do melhor conhecido aparelho repressivo e de extermínio montado pelos nazis? Julgo que o livro de Figes não deixa escapatória à constatação inevitável de que enquanto a repressão nazi foi selectiva e os seus alvos foram sempre pública e previamente anunciados (os judeus, os homossexuais, os comunistas, os social-democratas, os democratas, as minorias, as etnias consideradas inferiores), a repressão comunista ameaça toda a sociedade, todos os cidadãos, incluindo (!) os comunistas. Por isso mesmo, Estaline pode considerar-se o construtor de uma sociedade única, a do totalitarismo autofágico. Fica para outra altura a discussão sobre o como e o porquê de que quando as experiências comunistas se desviam deste modelo, o do Estado-Polícia desenvolvendo-se em espiral paranóica, estas falham automaticamente e destroem ... o comunismo.
Naturalmente que está subentendido o conselho para quem ainda não escolheu o livro de oferta de natal para um amigo alérgico à mentira e à opressão.

(*) – “Sussurros”, Orlando Figes, Aletheia Editores."

Quinta-feira, Dezembro 16, 2010

Serviços secretos não liquidam traidores no estrangeiro

Os serviços secretos russos não se dedicam à eliminação física de traidores no estrangeiro, declarou o primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, numa “conversa em direto” com o país transmitida pela rádio e televisão.
“Os serviços secretos russos não utilizam semelhantes meios, eles degradam-se sozinhos”, disse Putin ao responder a uma pergunta sobre se deu alguma ordem de liquidação de traidores.
De acordo com o chefe do governo russo, “na era soviética, na era estalinista, não era segredo que existiam destacamentos especiais que cumpriam semelhantes tarefas: a liquidação de traidores. Esses destacamentos foram há muito eliminados”.
Putin adiantou que existem países, nomeadamente Israel, que possuem destacamentos desse tipo.
Durante a emissão televisiva Vladimir Putin afirmou ainda que a detenção de um grupo de espiões russos nos Estados Unidos, em junho, se deveu a uma “traição”.
“Um homem traiu os seus amigos, camaradas de luta, pessoas que sacrificaram toda a sua vida pela Pátria. E um animal trai essas pessoas. Como é que ele pode viver, olhar para os olhos dos seus filhos? É um porco!”, exclamou o primeiro-ministro russo, adiantando que "os traidores não têm futuro".
“Essas pessoas recebem trinta dinheiros que lhes ficam atravessados na garganta”, frisou, concluindo que “arrepender-se-ão mil vezes por isso”.
Questionado sobre “quem governa o país quando o Presidente Medvedev e o primeiro-ministro Putin dormem”, Putin respondeu com uma gargalhada.
“Nunca dormimos ao mesmo tempo!”, disse.
Vladimir Putin falava durante um programa em direto, transmitido por canais públicos de televisão e rádio, que durou mais de quatro horas e durante o qual os russos fizeram, segundo um anúncio oficial, mais de dois milhões de perguntas.



Apanha que é ladrão?

Подобное общение с Путиным проводится каждый год: нынешний разговор с народом станет уже девятым в таком формате за его политическую карьеру и третьим в его роли главы правительства

O primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, considera que o antigo patrão da petrolífera YUKOS, Mikhail Khodorkovski, deve continuar na prisão, comparando o seu caso ao processo de Maddoff nos Estados Unidos.
“Eu tenho dois cães e não um. No que respeita a Khodorkovski, eu já me pronunciei várias vezes sobre isso. Mas posso repetir uma vez mais. Eu, tal como a conhecida personagem de Vladimir Vissotski (conhecido cantor e poeta soviético), considero que o ladrão deve estar na prisão”, declarou ele, respondendo à questão de uma russa da Sibéria que lhe perguntou porque é que ele se preocupava mais com “as avozinhas agradecidas” e “o cão querido” do que com o destino de Khodorkovski.
“Em conformidade com a sentença do tribunal, o senhor Khodorkovski é acusado de roubar e fazer vigarices, trata-se de milhares de milhões de rublos. E nas acusações que lhe fazem agora, trata-se já de centenas de milhares de milhões. Se olharmos para a prática de outros países, Madoff, por crimes análogos, foi condenado a 150 anos de prisão nos Estados Unidos”, sublinhou.
Segundo Putin, devemos partir do princípio de que os crimes de Khodorkovski foram provados em tribunal. Mas quero recordar que o chefe do serviço de segurança da YUKOS está preso por assassinatos…Será que ele cometeu todos esses crimes?”.
“Na Rússia há tribunais e, como é sabido, são dos mais humanos do mundo, trata-se do trabalho deles”, concluiu.
Numa das mais conhecidas comédias soviéticas, um larápio grita para o juiz antes de ouvir a sentença: “Viva o tribunal soviético, o mais humano do mundo”.
Khodorkovski foi condenado a oito anos de prisão em 2005 por fraude e evasão fiscal.
O segundo processo foi aberto pelas autoridades em 2006: Khodorkovski e Lebedev foram acusados de terem roubado mais de 200 milhões de toneladas de petróleo e legalizar o dinheiro procedente de actividades ilegais. A acusação pede uma pena de 14 anos de prisão.
A sentença deveria ser lida ontem, mas foi adiada para o dia 27 de Dezembro.
Anualmente, no fim do ano, Putin responde às perguntas feitas pelos cidadãos do país. Durante o programa em direto, à redação chegaram mais de 2 000 000 de perguntas.
Estava previsto que o primeiro-ministro falasse uma hora e trina minutos, mas ficou-se pelas quatro horas e trintas minutos.
Como se vê do texto acima citado, Vladimir Putin conhece bem o cinema soviético, mas os seus ouvintes atentos também conhecem. As palavras: "O ladrão deve estar na cadeia" foram pronunciadas pelo oficial da polícia Gleb Jiglov, papel brilhantemente desempenhado pelo actor, poeta, escritor e músico Vladimir Vissotski.
Porém, é de recordar que Jiglov pronunciou essa frase depois de colocar uma carteira no bolso de um carteirista a fim de o comprometer.
Como diz o povo, é mais fácil apanhar um mentiroso do que um coxo.

Iulia Timochenko colocada sob prisão domiciliária

A ex-primeira-ministra ucraniana Iúlia Timochenko foi colocada, ontem, sob prisão domiciliária no quadro de uma investigação por abuso de poder, anunciou a Procuradoria-Geral, citada pela agência Interfax-Ucrânia.
"Timochenko está envolvida numa investigação por abuso de poder agravado. Iulia Timoshenko foi colocada sob prisão domiciliar", declarou a assessoria de imprensa da Procuradoria.
A fonte afirma ainda que a ex-primeira-ministra do governo pró-ocidental surgido da Revolução Laranja de 2004 não foi por enquanto indiciada.
A justiça ucraniana suspeita que Timochenko esteja envolvida no uso indevido de fundos recebidos por Kiev, cerca de 200 milhões de euros, produto da venda de suas quotas de emissão de CO2 no momento que dirigia o governo.
Iúlia Timochenko confirmou isso, sublinhando que “o terror contra a opinião continua… Acabei de saber através do investigador que sou acusada de ter dirigido dinheiro ecológico para pagar reformas, que cometi um grande crime quando paguei a reforma às pessoas em tempo de crise”.
Porém, a ex-primeira-ministra declarou que não foi posta sob prisão domiciliária porque não ia acompanhada de advogado e que, por isso, foi novamente convocada para 20 de Dezembro.
Atualmente na oposição, Timochenko dirigiu em duas ocasiões o governo, em 2005 e de dezembro de 2007 a março de 2010. Foi demitida depois da vitória nas eleições presidenciais de fevereiro passado de Viktor Ianukovich, considerado pró-russo.



Blog do leitor (O Ocaso às Três da Tarde)

O nosso leitor António Campos acaba de regresssar da Bielorrússia, onde no domingo Alexandre Lukachenko, o último ditador da Europa, irá ser eleito para n vezes Presidente da República. Aqui fica o seu diário:

"Chegámos a Minsk, como habitualmente, à hora do jantar. O aeroporto, tradicionalmente deserto, é um agradável desvio do que estamos habituados na Europa ocidental: pequeno, limpo e sepulcralmente silencioso. Na secção de vistos, ficámos a saber que existe uma misteriosa discriminação no que toca aos preços dos vistos para os cidadãos do Reino Unido e dos EUA: quase o triplo do que desembolsa um viajante da restante União Europeia. O infeliz americano que, por pressa ou esquecimento, não peça um visto no consulado no seu país, terá que desembolsar, no aeroporto, a módica quantia de 450 dólares para ter o privilégio de visitar a última república soviética. Perto da secção de vistos, uma menina pós-adolescente com uma voz doce e jeans apertados deambula pelo átrio, relembrando os passageiros mais descuidados, do alto dos seus stilettos sobredimensionados, da obrigatoriedade da contratação do seguro de saúde nacional. A minha insistência de que os milhentos cartões de crédito afundados na minha carteira têm seguros para todos os gostos não a demove. E lá tenho, após preencher mais uma resma de papeladas, que desembolsar os meus últimos 3 euros para poder entrar.
Os 40 quilómetros entre o aeroporto e a capital estão mais iluminados do que nunca. A uma semana das eleições, a campanha presidencial corre a todo o vapor, com outdoors temáticos a mostrar sorridentes representantes das classes trabalhadoras do país. À noite, Minsk parece mais uma Las Vegas pós-soviética do que as sinistras cidades russas e ucranianas quase desprovidas de iluminação que era habitual ver há cinco anos atrás. E não são só os monumentos nacionais e os edifícios governamentais (e claro, a famosa “nave-espacial-biblioteca-nacional” com os seus jogos multicolores de néon) que brilham no escuro. Aparentemente, todos os empreendimentos habitacionais recentes, construídos ao estilo novo-russo moscovita, beneficiam de uma iluminação indirecta feérica e simultaneamente berrante. Quando se trata de causar impacto, o município não olha a gastos.
O nosso simpático condutor de serviço, um jovem economista despreocupado que encontrou emprego na fábrica do seu avô, um antigo director vermelho e apparatchik militante, está confuso. Depois de inúmeras hesitações e repetidos percursos nas intermináveis circulares que contornam a cidade, que me fazem parecer andarmos em círculos na mesma área, fico a saber que estamos em busca de uma tal avenida Dzerzhinsky, o que me faz sempre soltar uma pequena gargalhada desdenhosa, por mais vezes que ouça coisas destas. Perante a indiferença geral, os criminosos bolcheviques continuam a beneficiar de um lugar no mundo onde lhes é oferecido um pedestal de honra.
A nossa anfitriã, Irina, espera-nos para um jantar previsivelmente regado com vodka bielorrussa e línguas soltas. Mãe de dois filhos em idade universitária, mora numa casa modesta mas agradável e, com uma expressão triste, responde aos meus comentários sobre a iluminação urbana com um toque sarcástico: por fora é tudo muito bonito. Mas por dentro está podre. O seu marido, director numa empresa de construção estatal, está na prisão a cumprir uma pena de 7 anos por “corrupção”. O facto de Irina viver no pequeno apartamento que habita há décadas e nunca ter tido carro na vida não combina com os argumentos que colocaram Dima na cadeia, o que foi suficiente para aguçar a minha curiosidade. A história de Dima é a de alguém que nunca quis entrar no sistema. Irina relata, com um visível escárnio na face, que “ele nunca quis aceitar subornos para podermos todos dormir descansados; e vejam como acabámos. Mais valia termos entrado no jogo”. Tramado por colegas corruptos e julgado por um juiz comprado, foi afastado da engrenagem dos concursos viciados por ser um entrave ao seu “bom funcionamento”. Mas, na casa de Irina, a vida tem que continuar. O quarto da filha, agora a estudar em Vitebsk, foi alugado a uma estudante na capital. “As pessoas sentem-se tristes e sem esperança”, diz a minha interlocutora. “Mas ninguém protesta porque o medo é mais forte. E se todos ficam em casa com medo, de que serve ir para a rua?”
Sem estar totalmente convencido, e ainda com a memória fresca da “revolução” de 2006, no dia seguinte à tarde, um sábado, fomos para o centro procurar activismo nas ruas. A uma semana das eleições presidenciais tinha que haver qualquer coisa. Ao sair do apartamento, a visão de um pequeno cartaz do oposicionista Andrei Sannikov pendurado alto num poste ao lado de uma multidão de anúncios de detergentes e telemóveis, foi um sinal encorajador. Mas as ilusões desfizeram-se rapidamente ao chegarmos à praça Oktyabrskaya: apenas transeuntes e famílias aproveitando o gelo sólido no terreiro em frente ao palácio dos concertos, cujo centro está ocupado por uma gigantesca árvore de natal cónica iluminada, para conceder uma curta diversão invernal a crianças pré-pubescentes. Qualquer observador europeu duvidaria que a eleição presidencial está à distância de uma semana. A nossa visita à praça onde se encontra o parlamento foi ainda mais desoladora. Sob um vento cortante e praticamente deserto, o local tinha para nos oferecer apenas duas presenças importantes: a estátua de bronze de Lenine em frente ao edifício verde militar ocupado pelo órgão legislativo do país e dois enormes posters do papa João Paulo II no átrio da principal igreja católica da cidade. Pequenos magotes de jovens aqui e ali, concentrados nas suas garrafas de cerveja e em conversas sobre as virtudes dos carros importados da Lituânia. E o ruído do vento com breves ameaços de sol no ocaso que se avizinha às três da tarde.
Fomos comer. Acabámos por entrar num buffet superlotado chamado “Lido”, pertença de um alto funcionário da administração presidencial, que acumula as suas funções oficiais com as de empresário de sucesso. Um dos nossos acompanhantes diz-nos em voz baixa: “o restaurante foi renovado há pouco tempo. Metade do pessoal de um hospital próximo foi requisitada para as obras e as limpezas”. De facto, um número muito significativo de negócios prósperos tem ligações à entourage de Lukashenka. O enorme stand da Porsche, algo deslocado no contexto urbano de Minsk, muitos restaurantes, hotéis e um cada vez maior número de casinos são invariavelmente propriedade de alguém próximo do presidente ou de quem presta uma generosa vassalagem financeira aos plutocratas que governam o país.
A caminho de casa, depois de passarmos por um edifício oferecendo uma exibição temática inteiramente dedicada ao Irão, reparo numa banca de jornais com uma publicação diária mostrando um par de sorrisos presidenciais estampados nas faces de Aleksandr e Dmitry, e adivinho mais um volte-face nas pitorescas relações entre as duas autocracias vizinhas. “Então voltaram a ser amigos?”, pensei. A resposta foi-me dada horas depois, numa conferência de imprensa do presidente bielorrusso transmitida pela televisão desde Moscovo. “Todas as questões foram sanadas entre os dois estados irmãos e o abastecimento de gás está assegurado”, afirma com pompa o antigo gerente de unidades colectivas. “Bye-bye Europa”, responde sorrindo Andrei, ao meu lado. Mas terá passado alguma vez pela cabeça de Andrei que Lukashenka e Europa são conceitos possíveis de conciliar, com ou sem Rússia no baralho?
Nessa mesma noite, foi-me possível assistir, também pela televisão, a única coisa aparentada a campanha eleitoral: uma peça com a chefe da comissão eleitoral Lidia Yermoshina, afirmando em tom desdenhoso que “a oposição está totalmente de costas viradas para os eleitores”, seguida de uma série de “entrevistas” ao acaso a transeuntes, que explicam todos, sem excepção, porque vão votar em Lukashenka e porque a oposição não é credível, uma vez que está a soldo do imperialismo ocidental. O boletim noticioso acaba com imagens de um confronto violento entre hooligans e a polícia no Reino Unido, para compor a mensagem. Ao mesmo tempo, a versão sanitizada para a Bielorrússia da estação de televisão NTV transmitia em diferido a gala para crianças com cancro que contou, entre outros, com a vedeta internacional da canção Vladimir Putin. O machado foi enterrado. A guerra da informação entre os dois países terminou. Porquê, ninguém sabe ao certo e já não há quem se dê ao trabalho de especular.
No dia seguinte, procuramos saber a localização dos campos de morte de Kurapaty, onde estimativas apontam que estejam enterradas, em valas comuns, entre 100 e 200 mil vítimas da violência do NKVD entre 1937 e 1941. “Kurapaty? O que é isso? Um restaurante novo? Uma discoteca?” são as respostas que invariavelmente recebemos. Nunca ninguém ouviu falar. A nossa referência a violência política leva os nossos interlocutores a insistirem apenas num nome: Khatyn, aldeia a cerca de 50 km de Minsk e palco de um massacre de 180 aldeões pelos alemães em 1943. Sou levado a pensar na razão pela qual, num país onde, de acordo com os números oficiais, 627 aldeias foram totalmente destruídas pelas SS durante a operação Barbarossa, foi precisamente Khatyn, cujo nome é foneticamente semelhante ao da floresta de Katyn (local do massacre de 4000 oficiais polacos pelo NKVD), que teve honras de receber o maior memorial do país às vítimas da repressão e, pelos vistos, o único que as pessoas conhecem. Nada é deixado ao acaso. A versão cor-de-rosa do legado estalinista está a ser eficazmente defendida pelo estado e a psicologia da linguagem é uma arma nesta batalha. Sobre o memorial de Khatyn, o sol estava frio e radioso, e as centenas de rosas secas deitadas no granito sublinhavam a justiça sobre uns face à indiferença sobre atrocidades muito mais graves. Estou certo de que Kurapaty não teve um único visitante nesse dia.
Vitebsk. Nesta cidade semi-adormecida que vive ao ritmo a que os flocos de neve teimam em pairar no ar, um manto branco parece purificar a culpa e a resignação da população silenciosa que já não espera nada de quem a governa. Pouquíssima gente assistiu aqui ao debate entre candidatos presidenciais, na noite em que o seu presidente, que não se considera ele próprio um candidato, se divertia, nesta mesma cidade, com um jogo de hóquei da sua equipa, transmitido pela televisão noutro canal. Irina já tinha colocado o dedo na ferida quando afirmou: “neste país só há dois caminhos: a aceitação ou a prisão”. O segredo da sobrevivência (e para a maioria, não mais do que isto) é aceitar as regras do jogo.
Viramo-nos para a internet e os posts sucedem-se. O website tut.by anuncia que realizou uma sondagem de intenções de voto online no dia 13. Estando proibido pela legislação de divulgar os resultados da mesma, multiplica-se em comentários criptográficos para veicular o máximo de informação. Num debate onde estavam presentes em estúdio os candidatos Nikolai Statkyevich, Yaroslav Romanchuk e Vitaly Rimashevsky, afirmam que o candidato maioritário está entre eles e que, no total, os convidados contam com 60% dos votos. Os restantes seis candidatos votados (incluindo Lukashenka) contentam-se em partilhar os 40% remanescentes. Em casa, ouvem-se comentários prudentemente esperançosos, que lembram a meia-hora que precede o sorteio semanal do euromilhões. Entre fatias de pão com peixe fumado e manteiga e tragos de vodka, aposta-se em Statkyevich e sonha-se com a mudança que tarda. Sonha-se com a Europa. É só uma sondagem, mas o desejo de mudança é tal que todos os indícios, por mais ténues que sejam, servem para deixar escapar pequenas expressões faciais de entusiasmo. Mas a votação antecipada já se iniciou e os oposicionistas começam imediatamente a gritar “batota”. Numa eleição na qual dos mais de dois mil observadores designados, apenas nove estão afectos a forças da oposição, não será difícil manipular os resultados. O site tut.by não pára de reportar casos de coacção sobre estudantes e operários de várias fábricas para que recorram ao voto antecipado, bem como situações em que os observadores independentes foram impedidos de desempenhar as suas funções. Foram também relatados casos de desaparecimento de urnas dos locais de voto.
E não deixa de ser revelador que o presidente em funções, além de estar efusivamente optimista com a sua misteriosa reconciliação com o Kremlin, revela-se descaradamente desinteressado do processo eleitoral, não traindo qualquer preocupação face ao risco de uma eventual perda do poleiro. Risco esse que, em qualquer caso, ninguém tem a ousadia de pensar que decorreria de um sufrágio popular justo. Quem se entusiasmou e encarou a birra de há uns meses entre a Bielorrússia e o seu “irmão sénior” como uma oportunidade de mudança deixou de ter razões para optimismo.
No caminho para o aeroporto esta manhã, não consigo ficar insensível ao brilho puro dos mantos brancos que cobrem as terras aráveis que orlam a auto-estrada. É bonito. Tanto no verão como no inverno, a Bielorrússia mostra-se aprazível à sua maneira da Europa setentrional. Um dos países mais massacrados pela guerra, vê agora também a sua população jovem a abandonar o país em busca da viragem na sorte e sua meia-idade morrer prematuramente. O êxodo em massa só é travado pelas dificuldades de linguagem, uma vez que a esmagadora maioria dos cidadãos fala apenas russo. No reinado de Lukashenka, a população encolheu 500 mil habitantes e a Bielorrússia continua a ser a campeã mundial do suicídio. O brilho da alma branca do território levará ainda muitos anos a encontrar reflexo no espírito dos seus habitantes.
Para os bielorrussos, o próximo domingo não será certamente o aguardado primeiro dia do resto das suas vidas".