domingo, fevereiro 28, 2010

Blog do leitor

Texto enviado pelo leitor António Campos




"Barbarismo, Padrinhos e Internet


Irkutsk foi palco, no passado dia 2 de Dezembro, de um acidente de viação com contornos sinistros, cujos desenvolvimentos podem bem ser um testemunho atroz do poder do compadrio político na sociedade russa.
Anna Shavenkova, 28 anos, filha da presidente da comissão eleitoral da região, e ela própria consultora política do partido Rússia Unida, terá perdido o controlo da viatura que conduzia, tendo esmagado no processo duas transeuntes, Yelena Pyatakova e a sua irmã Yulia. Yelena faleceu mais tarde no hospital, enquanto que a sua irmã escapou à morte com traumatismos graves e continua hospitalizada.
Uma câmara de um sistema de segurança próximo do local filmou o acontecimento. O respectivo vídeo, que foi rapidamente publicado no YouTube e exibido numa série de cadeias de televisão, é perturbador, mostrando o comportamento caloso da condutora na sequência do acidente. Com as duas vítimas inanimadas no passeio, Shavenkova parece preocupar-se mais com os danos no seu veículo e em fazer uns telefonemas, do que com a sorte das pessoas que acabou de atropelar. No entanto, o mais assombroso desta história é o facto de não ter sido inicialmente levantada qualquer acusação contra Shavenkova, tendo a polícia tratado a condutora como uma mera testemunha do acidente. De acordo com o site Babr.ru, nem sequer foi efectuado o habitual teste de alcoolemia.
Este poderia ter sido mais um caso de negligência criminosa abafado através de contactos políticos, em que os seus autores escapariam impunemente a qualquer acusação, ou tão só à simples investigação das circunstâncias dos seus actos. Contudo, o carácter explícito do vídeo colocado no YouTube desencadeou uma onda de protestos e acusações de interferência política no tratamento do acidente. Esta pressão pública, que incluiu uma vaga de posts no Twitter, levou a que a polícia abrisse finalmente um inquérito ao comportamento da condutora, na qual a mesma é finalmente considerada como suspeita de actos criminais. Quanto à forma como a polícia lidou inicialmente com o acidente, Viktor Grigorov, advogado da família das vítimas, afirmou: "é preocupante que o investigador tenha não só permitido acções ilegais ou simples inacção relativamente a este caso, como também a ocorrência de um grande número de erros graves, quer acidentais, quer intencionais."
Mesmo havendo inquérito, não é certo que o mesmo seja conduzido de forma transparente e que a autora seja condenada, especialmente num país onde a letra da lei é tradicionalmente ignorada ou distorcida para beneficiar a classe vassala do poder. Todavia, este é um caso que deveria dar que pensar a quem muitas vezes desdenha o poder da sociedade civil como contrapeso aos abusos da casta dirigente, apelidando-a de "capricho ocidental".
Seja como for, é certo que, se os media e a internet não se esquecerem rapidamente deste triste caso, as probabilidades de um desfecho justo para as vítimas serão infinitamente maiores. Esta é assim uma lição que deveria ser absorvida por todos os sectores da sociedade russa.
Segue abaixo o link para o vídeo da câmara de segurança. Não aconselhado a expectadores sensíveis.

sexta-feira, fevereiro 26, 2010

Victor Ianukovitch começa com erro de "bradar aos céus"


Ontem, Victor Ianukovitch tomou posse no cargo de Presidente da Ucrânia. A cerimónia ficou marcada por alguns casos curiosos, mas o primeiro grande erro dele foi cometido alguns minutos antes da cerimónia.
Antes de se dirigir para o edifício da Rada Suprema (Parlamento) da Ucrânia, Ianukovitch foi receber a benção de Kirill I, Patriarca de Moscovo e de Toda a Rússia, que é, simultaneamente, chefe espiritual da Igreja Ortodoxa da Ucrânia, ou mais precisamente, de uma das igrejas ortodoxas da Ucrânia.
Neste país, além dessa igreja, existem a Igreja Ortodoxa Autocéfala da Ucrânia, a Igreja Ortodoxa do Patriarcado de Kiev (cisão da IORussa), a Igreja Greco-Católica (Uniata) - ortodoxos que reconhecem a supremacia do Papa Católico de Roma -, e a Igreja Católica propriamente dita. Existem também numerosas comunidades hebraicas e islâmicas.
Num país tão multi-religioso e onde a Igreja e o Estado estão separados pela Constituição, essa acção de Ianukovitch é, no mínimo, pouco pensada.
Se Ianukovitch for supersticioso, então pode não esquecer o momento em que ia apanhando com um porta na cabeça quando ía a entrar no edifício do Parlamento ucraniano. Falta de coordenação entre o protocolo e o novo Presidente. Outra falha teve lugar no banquete depois da tomada de posse. O protocolo distribuiu cálices com champanhe a todos os convidados para fazerem um brinde com o Presidente, mas esqueceram-se de dar um cálice a Ianukovitch.
Por outro lado, viu-se em Ianukovitch um esforço grande para discursar em ucraniano, língua que ele teve vindo a aprender com algum precalço. Por exemplo, durante a campanha eleitoral em Lvov, disse aos discursar perante os seus apoiantes que estava a falar pelo "melhor genocídio da nação ucraniana", embora em vez de genocídio quisesse dizer "genofondo" (fundo genético). 
Esperemos que ele se rodeie de uma forte equipa para resolver os difíceis problemas dos países.
O Kremlin, esquecendo-se rapidamente dos erros passados, não se limita a dar conselhos, mas até já dá ordens. O Presidente Dmitri Medvedev ordenou a realização de uma parada militar na cidade de Sebastopol, em cujo porto está instalada a base naval militar russa no Mar Negro. Pelo menos devia ter pedido autorização, pois a Crimeia continua a ser parte integrante do país.
Um conhecido deputado russo, Serguei Markov, tem andado muito activo por Kiev e não pára de dar recomendações de como Ianukovitch deve fazer ou não fazer. Isto vai desde a economia até à história da Ucrânia. Um politólogo ucraniano já lhe recomendou a deixar os assuntos internos aos ucranianos.
Face ao que foi dito, parece-me que Ianukovitch se vai transformar num Alexandre Lukachenko número II, ou seja, tenta tirar o máximo possível das contradições entre a Rússia e a União Europeia. O Presidente da Bielorrússia já deixou de ser para Bruxelas "o último ditador da Europa" e talvez Bruxelas se esqueça da biografia do novo dirigente ucraniano caso ele realize uma política internacional equilibrada.
No fim de contas, Bruxelas tem uma boa razão para isso. Se Ianukovitch abrir o seu mercado prioritariamente ao capital russo, os oligarcas que financiaram a sua campanha transformam-se em pequenos e médios empresários. Mas, cmo diz o ditado, mais vale ser o primeiro na aldeia do que o último na cidade.  

quinta-feira, fevereiro 25, 2010

Medvedev e Obama decidem acelerar assinatura de novo Tratado START

O Presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, e o seu homólogo norte-americano, Barack Obama, acordaram acelerar as conversações com vista à assinatura de um novo Tratado sobre Armamentos Ofensivos Estratégicos (START), informou hoje o centro de imprensa do Kremlin.

Segundo um comunicado do Kremlin, numa conversa telefónica entre os dois presidentes, “a parte russa sublinhou particularmente a importância da conclusão do processo de conversações para, no mais curto espaço de tempo, chegar à assinatura desse documento de fundamental importância para a segurança e estabilidade estratégicas”.

“Por isso, os presidentes acordaram dar novas instruções às delegações de ambas as partes para acelerar o processo de conversações”, sublinha-se no comunicado.

Fonte diplomática da Lusa em Moscovo considerou que uma das formas de acelerar o processo de conversações sobre o novo Tratado START é “retirar do documento a problemática referente à instalação de um escudo de defesa antimíssil norte-americano na Europa”.

“Os norte-americanos consideram que é necessário assinar um tratado que seja ratificado pelo Senado dos Estados Unidos, o que será facilitado se ele não prever essa problemática”, acrescentou a fonte.

O Kremlin pretendia que as questões da redução dos armamentos estratégicos ofensivos e da criação do escudo antimíssil norte-americano na Europa fossem abordadas em conjunto, mas tiveram de ceder para desbloquear a situação.

O Tratado START 1, assinado entre os Estados Unidos e a União Soviética em 1991, terminou a sua vigência a 05 de Dezembro do ano passado. Como não foi possível assinar um novo documento, os presidentes dos Estados Unidos e Rússia decidiram respeitá-lo até à assinatura de um novo documento.

Putin abre setor nuclear civil a investimentos privados

O primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, assinou um documento sobre a construção da Central Nuclear do Báltico, a primeira obra do setor que estará aberta ao capital privado, nomeadamente ao estrangeiro.

A futura central será construída na província de Kaliningrado, enclave russo situado entre a Lituânia, a Polónia e o Mar Báltico. Calculada em mais de 4,5 mil milhões de euros, esta obra dará um forte impulso à economia regional e poderá transformá-la numa exportadora de energia elétrica.

O primeiro reator da Central Nuclear do Báltico deverá estar pronto em 2016 e o segundo, dois anos depois. No total, a central poderá gerar 2.300 MB por ano.

A decisão tomada por Putin abre o projeto a investimentos estrangeiros, nomeadamente dos países vizinhos: Alemanha, Polónia, Suécia, Estónia, Letónia e Lituânia, bem como de empresas energéticas suas. A empresa russa Inter RAO EES mantém já conversações com investidores potenciais de vários países sobre a sua participação no projeto.

Esta decisão foi tomada depois da Lituânia ter encerrado a única central nuclear existente na região, por exigência da União Europeia, pois tratava-se de uma construção semelhante à Central Nuclear de Tchernobil, na Ucrânia, onde a destruição do reator Nº4, em 1986, provocou prejuízos incalculáveis.

quarta-feira, fevereiro 24, 2010

Vladimir Putin abre setor nuclear civil a investimentos privados

O primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, assinou hoje um documento sobre a construção da Central Nuclear do Báltico, a primeira obra do setor que estará aberta ao capital privado, nomeadamente ao estrangeiro.

A futura central será construída na província de Kaliningrado, enclave russo situado entre a Lituânia, a Polónia e o Mar Báltico. Calculada em mais de 4,5 mil milhões de euros, esta obra dará um forte impulso à economia regional e poderá transformá-la numa exportadora de energia elétrica.

O primeiro reator da Central Nuclear do Báltico deverá estar pronto em 2016 e o segundo, dois anos depois. No total, a central poderá gerar 2.300 MB por ano.

A decisão tomada por Putin abre o projeto a investimentos estrangeiros, nomeadamente dos países vizinhos: Alemanha, Polónia, Suécia, Estónia, Letónia e Lituânia, bem como de empresas energéticas suas. A empresa russa Inter RAO EES mantém já conversações com investidores potenciais de vários países sobre a sua participação no projeto.

Esta decisão foi tomada depois da Lituânia ter encerrado a única central nuclear existente na região, por exigência da União Europeia, pois tratava-se de uma construção semelhante à Central Nuclear de Tchernobil, na Ucrânia, onde a destruição do reator Nº4, em 1986, provocou prejuízos incalculáveis.

A RÚSSIA É INCAPAZ DE SE MODERNIZAR

Tradução enviada por Cristina Mestre




"A Rússia de hoje viu-se numa espécie de armadilha e é incapaz de se modernizar, considera Vladislav Inozémtsev, director do Centro de Estudos da sociedade pós-industrial.

Ao contrário dos países asiáticos, que eram pobres, analfabetos e basicamente rurais, a Rússia já não pode impulsionar uma modernização industrial: não aproveitou as vantagens deste modelo no período da União Soviética, não se tendo transformado numa economia competitiva, assinala Inozémtsev num artigo publicado hoje no diário Vedomosti.

A Rússia passou os últimos 20 anos a andar de um extremo ao outro, o que acabou por desprestigiar os modelos clássicos aos olhos da população. Rompeu com a distribuição socialista e ainda não criou uma economia liberal no sentido tradicional, tendo o liberalismo começado a associar-se à trivial ingovernabilidade e prepotência dos oligarcas. Quando se fez uma tentativa de pôr fim aos abusos, a Rússia transformou-se numa coutada de pretorianos extorsionários. Como resultado, nem a economia de mercado nem o sistema estatista servem agora como alavancas de modernização.

A modernização implica o imperativo de aprender, de copiar tecnologias e instituições. Mas a Rússia foi a primeira do planeta em vários sectores, considerou-se arquitecta de um mundo novo nos tempos da URSS e jamais será uma aluna diligente. Também não poderá voltar a ter o papel de líder, no qual falhou uma vez. Falta-lhe recursos e oportunidades para o conseguir e não tem vontade nem paciência para se converter finalmente num país comum.

Um outro problema é que o poder do Estado se transformou num instrumento banal de latrocínio, onde a cúpula representa os interesses de uma burocracia criminalizada. Não se aprecia o poder, mas sim a riqueza.

A posição internacional do país também não ajuda à modernização. A Rússia continua à margem da OMC e da OCDE, exclui a mera ideia de adesão à União Europeia e tenta preservar o status quo sem entender que é uma tarefa inviável a longo prazo.

A Rússia é demasiado rica para se industrializar com êxito e demasiado pobre para gerar procura interna de tecnologias; demasiado inteligente para se dedicar a cópias e plágios mas não suficientemente profissional para atingir a liderança tecnológica. Considera-se demasiado especial para ser um país normal mas é demasiado débil e pouco original para aspirar a mais.

São dilemas quase fatais, que não se resolvem com a simples transição de um regime autoritário para uma democracia, considera Inozémtsev. Nenhum democrata poderá ganhar as eleições se apelar aos cidadãos russos para apertar o cinto, ser aprendiz do Ocidente, abrir o mercado a investimentos estrangeiros, ceder uma parte da soberania à União Europeia e renunciar às vantagens de “superpotência energética”.

Artigo original em: http://www.vedomosti.ru/newspaper/article/2010/02/24/226398"

terça-feira, fevereiro 23, 2010

Iúlia Timochenko queima últimos cartuchos

Iúlia Timochenko, actual primeira-ministra da Ucrânia, declarou hoje que não reconhece a legitimidade do Presidente eleito, Victor Ianukovitch.

“Ianukovitch não é o nosso Presidente... Não reconheço nele o Presidente da Ucrânia”, disse ela numa declaração transmitida em directo por vários canais da televisão ucraniana.

Timochenko garantiu que Victor Ianukovitch “não se aguentará muito tempo à frente do Estado”.

Na mesma declaração, a candidata derrotada nas eleições presidenciais de 07 de Fevereiro apelou às forças democráticas no parlamento para se unirem e conservarem a actual coligação governamental existente.

“A união no parlamento das forças democráticas. Eu proponho em público precisamente esse caminho existente”, frisou.

Presentemente, o Governo de Timochenko baseia-se na coligação de três blocos: Iúlia Timochenko, Nossa Ucrânia – Autodefesa Popular e Litvnin. A primeira-ministra pretende conservá-lo com vista a não dar ao novo Presidente a maioria parlamentar.

“Se os democratas forem ganhar dinheiro com outros, eu irei para a oposição”, frisou, concluindo que “em circunstância alguma irei criar uma coligação com Ianukovitch”.


Ianukovitch revelou já o nome de três candidatos a substituir Timochenko à frente do Governo: Serguei Tiguipko, candidato que conquistou o terceiro lugar na primeira das presidenciais, banqueiro, antigo ministro da Economia, Arseni Iatsniuk, candidato que ficou em quarto, asntigo ministro dos NE e presidente do Parlamento, ou Nikolai Azarov, do Partido das Regiões, antigo vice-primeiro-ministro.

David Jvania, deputado da coligação Nossa Ucrânia, admitiu a desintegração da actual coligação e a formação de uma nova: Partido das Regiões, Nossa Ucrânia-Autodefesa Popular e Bloco de Litvin.

domingo, fevereiro 21, 2010

Novo compêndio de língua portuguesa para russos

Elena Gavrilova e Irina Tolmacheva, professoras de Língua Portuguesa do Instituto de Relações Internacionais, acabam de editar um novo manual de língua portuguesa para principiantes.
Uma boa notícia num país onde notícias do género são raras.

Timochenko perdeu, mas não reconheceu a derrota



O Supremo Tribunal Administrativo da Ucrânia decidiu aceitar o pedido da candidata derrotada, Iúlia Timochenko, de desistir da impugnação dos resultados das eleições presidenciais, realizadas a 07 de Fevereiro.

O anúncio foi feito por um dos juízes do Tribunal, Alexandre Netchitailo.

O pedido de impugnação foi apresentado no dia 16 de Fevereiro por Timochenko, alegando “falsificações em massa”, e retirado por ela mesma hoje.

Deste modo, o Supremo Tribunal Administrativo reconhece como legítimos os resultados do escrutínio anunciados pela Comissão Eleitoral Central (CEC) da Ucrânia no passado dia 14 de Fevereiro.

Segundo os dados da CEC, Victor Ianukovitch conseguiu na segunda volta 48,95 por cento, enquanto a sua rival Timochenko obteve 45,7 por cento.

Iúlia Timochenko continua a não reconhecer a vitória do seu adversário, tendo, porém, de acatar a decisão do Supremo Tribunal Administrativo, já que a lei a impede de recorrer para o Supremo Tribunal ou o Tribunal Constitucional da Ucrânia.

“Eu não perdi. Perderam os que pensam que através da justiça se pode confirmar presidentes falsos”, disse ela aos jornalistas.

O Presidente cessante da Ucrânia, Victor Iuschenko, já veio felicitar Victor Ianukovitch pela “eleição legítima para o cargo de chefe de Estado da Ucrânia.

Iuschenko lembrou ao seu sucessor que a sua principal missão é a “consolidação da Ucrânia”, desejando também que Ianukovitch “defenda os interesses ucranianos e a tradição democrática”.

A cerimónia de tomada de posse de Victor Ianukovitch vai ter lugar a 25 de Fevereiro, sabendo-se já que a primeira-ministra e o seu bloco no Parlamento pretendem ignorá-la.

Solidariedade com a Madeira

Envio um abraço de apoio e solidariedade aos meus leitores na Madeira e a todos os madeirenses nesta hora trágica para todos vós. Apresento profundas condolências às famílias das vítimas da calamidade natural.
Infelizmente, e pelas piores razões, a Madeira é hoje uma das notícias centrais na televisão e noutros órgãos de informação russos. Estive na ilha em 1997 e trouxe as melhores das recordações. Conhecendo os madeirenses, estou convencido que terão forças para reconstruir o seu paraíso no meio do Atlântico. Tanto mais que não estarão sozinhos, terão o apoio de nós todos.

sexta-feira, fevereiro 19, 2010

Estaline de regresso a Moscovo


Os dirigentes russos tencionam celebrar o 65º aniversário da vitória do Exército Vermelho na Segunda Guerra Mundial, no próximo dia 09 de Maio, com pompa e circunstância, esperando ter na capital russa Presidentes e primeiros-ministros de numerosos países do mundo.

Porém, as discussões em torno de algumas personagens históricas, nomeadamente sobre o papel do ditador comunista José Estaline, poderão gorar os esforços do Kremlin no sentido de fazer desse aniversário uma celebração da unidade nacional.

O Comité de Publicidade, Informação e Decoração da Câmara de Moscovo decidiu lembrar aos moscovitas “o papel de José Estaline na Grande Guerra Pátria (como é conhecida a Segunda Guerra Mundial na Rússia)” instalando retratos do ditador comunista, acompanhados de relatos sobre os seus feitos militares, nas ruas da capital russa.

“O mostruário sobre o papel do Comandante Supremo será instalado devido a numerosos pedidos das organizações de veteranos de guerra”, justificou Vladimir Makarov, dirigente desse comité.

A imagem de Estaline desapareceu da decoração das ruas de Moscovo depois da queda do regime comunista na URSS em 1991, mas, periodicamente, surgem tentativas da sua reabilitação.

“É inaceitável a instalação de publicidade a glorificar Estaline. Irão ter lugar acções de protesto. Nós não iremos só participar nelas, como também convocá-las”, declarou à Lusa Lev Ponomariov, dirigente da organização “Pelos Direitos Humanos”, sublinhando que isso “irá insultar os milhões de pessoas que morreram devido às repressões estalinistas”.

“Os que querem colocar em Moscovo retratos de Estaline querem que se repita o terror de Estado da época estalinista”, defende Liudmila Alekseeva, dirigente do Grupo de Helsínquia, frisando que “a vitória não foi conquistada graças a Estaline, mas aos soldados e oficiais que lutaram contra o fascismo”.

“O meu pai não voltou da frente de combate, ele lutou pelo bem da Pátria, e não por Estaline, em cuja era morreram milhões, antes, durante e depois da guerra”, concluiu.

Boris Grizlov, dirigente da Duma Estatal (câmara baixa) do Parlamento russo, manifestou-se também contra a decisão das autoridades de Moscovo.

“O papel contraditório de Estaline na vida do nosso país não pode ser emendado por cartazes. Se essa decisão for tomada, será incorrecta. O vencedor não foi Estaline, mas o povo”, declarou Grizlov, que é também dirigente do Partido Rússia Unida.

Guennadi Ziuganov, presidente do Partido Comunista da Rússia, tem uma posição diametralmente oposta.

“Se as autoridades de Moscovo tomarem realmente essa decisão, ela será não só correcta, mas corajosa”, declarou à agência Interfax.

“É preciso ser honesto até ao fim e reconhecer, dizendo principalmente à geração jovem, que essa grande vitória teria sido impensável sem o generalíssimo Estaline, sem os marechais Jukov, Konev, Rokossovski, sem a unidade do povo soviético”, defende Ziuganov.

quinta-feira, fevereiro 18, 2010

O peso do passado



Como historiador, considero que se deve abordar com maior cuidado e profundidade a figura de Stepan Bandera (1909-1959), herói para uns, traidor para outros. É necessário analisar a acção desta figura histórica à luz do seu tempo, trágico e complicado, quando pais e filhos, irmãos e amigos lutavam em lados diferentes das barricadas.
Não falo em barricada, mas em barricadas, pois a Segunda Guerra Mundial, na Ucrânia não foi só uma luta entre soviéticos e alemães, mas também entre ucranianos, entre estes com os alemães contra os soviéticos, entre ucranianos com os soviéticos contra os alemães...
Considero que, para se chegar a uma conclusão mais objectiva, é preciso abrir arquivos, estudar novos documentos, etc.
Mas eu, neste post, queria falar de outra coisa. Acho que, não obstante Stepan Bandera ter sido um declarado anti-comunista, esta sua estátua em Lvov, no Ocidente da Ucrânia, foi desenhada e fundida à semelhança de monumentos semelhantes a Lénine. Fico com impressão que as estátuas são criadas nos mesmos ateliers, pelos mesmos escultores, que apenas se preocuparam (e nem sempre) em alterar um pouco os traços do rosto. Quanto ao resto, as mesmas poses, os mesmos sobretudos...
Que diria Freud de uma coisa destas?  

Tribunal suspende resultados de eleições presidenciais, mas não tomada de posse de Ianukovitch



O Tribunal Administrativo Supremo da Ucrânia suspendeu a decisão da Comissão Eleitoral Central de reconhecer os resultados das presidenciais até que seja tomada uma decisão sobre a queixa de Iúlia Timochenko.

A segunda volta das eleições presidenciais na Ucrânia teve lugar no passado 07 de Fevereiro. Segundo dados da CEC, Victor Ianukovitch, dirigente do Partido das Regiões, conseguiu 48,95 por cento, enquanto a sua rival, a primeira-ministra, Iúlia Timochenko, obteve 45,7 por cento.

Na véspera, Timochenko, apresentou pessoalmente uma demanda judicial no Tribunal Administrativo da república, em que contesta os resultados das recentes eleições presidenciais.

No entanto, o Tribunal recusou-se a satisfazer o pedido da candidata derrotada de suspender a tomada de posse de Ianukovitch, marcada para 25 de Fevereiro pela Rada Suprema (Parlamento) da Ucrânia.

Os juízes consideraram que Ianukovitch não é arguido e, por isso, não pode proibi-lo de realizar esse acto.

Segundo os advogados ucranianos, o Tribunal Administrativo Supremo da Ucrânia poderá levar de dois a três dias a ditar sentença.

Moscovo acorda instalação de base militar na Abkhásia

A Rússia e a Abkhásia assinaram hoje dez acordos de cooperação, entre os quais um sobre a instalação de uma base militar russa no território dessa região separatista da Geórgia.

“Trata-se apenas do início do trabalho”, declarou o Presidente russo, Dmitri Medvedev, depois do encontro com o seu homólogo abkhase, Serguei Bagapcha, no Kremlin.

Segundo ele, as direcções fundamentais da cooperação entre as duas partes são “transportes, comunicações, grandes projetos energéticos e cooperação técnico-militar”.

O acordo sobre a instalação da base militar russa, que foi assinado por 49 anos com a possibilidade de prolongamento automático por mais 15, define o estatuto dos militares russos e suas famílias na Abkhásia, o funcionamento da base e a utilização conjunta dela “para a defesa da soberania e segurança da Ankhásia, incluindo o combate a grupos terroristas internacionais”.

A Abkhásia proclamou a independência em relação à Geórgia em Setembro de 2009, depois de uma breve guerra em que tropas russas entraram em território georgiano a pretexto da defesa dos seus cidadãos.

Ao comentar os documentos assinados, Medvedev declarou: “eles correspondem às nossas conceções sobre o desenvolvimento da cooperação com a Abkhásia. Estão de acordo com os nossos compromissos internacionais”.

“O principal é que eles lançam a base para o desenvolvimento pacífico da Abkhásia enquanto Estado independente”, acrescentou.

Dmitri Medvedev aproveitou a oportunidade para reafirmar que o seu colega georgiano, Mikhail Saakachvili, é “persona non grata na Rússia”, precisando: “não desejo ter qualquer tipo de relação com ele”.

“O povo georgiano deve, no quadro dos processos constitucionais existentes, decidir quem deve governo o Estado e quem é capaz de levar a Geórgia ao progresso e às relações de amizade normais com os vizinhos: Rússia e Abkhásia”, concluiu.

Chefia militar russa previne Estados Unidos de ataque contra Irão

As consequências de uma possível decisão dos Estados Unidos de atacar o Irão “serão terríveis”, declarou hoje o general Nikolai Makarov, chefe do EMGFA da Rússia.

O general russo não exclui que Washington possa virar a sua atenção para o Irão depois de resolver as tarefas colocadas no Iraque e no Afeganistão.

“Penso que as consequências (do ataque) serão terríveis não só para o Irão, mas também para nós e para toda a comunidade da Ásia e do Pacífico”, afirmou o general numa conferência de imprensa.

Makarov recordou que a Rússia e o Irão mantêm relações e laços tradicionais de aliados em diferentes áreas.

O general Makarov mostrou preocupação face aos planos de alargamento do sistema de defesa antimíssil dos Estados Unidos na Europa Oriental, ao mesmo tempo que a Rússia reduz seus meios e força militares na região de Kalininegrado, enclave russo no Báltico.

Segundo ele, em 2008-2009, a Rússia retirou da região mais de 600 tanques, 500 blindados e cerca de 600 tipos de canhões e lança-mísseis.

“Realizámos a desmilitarização da região”, sublinhou.

“Tendo em conta essas circunstâncias, os planos norte-americanos provocam incondicionalmente certas emoções tanto na direção da Rússia, como nas suas Forças Armadas. A nossa posição face a isso é negativa”, disse, ao responder à pergunta de qual é a sua opinião sobre os planos norte-americanos sobre a instalação do terceiro círculo de defesa antimíssil na Europa.

Os Estados Unidos planeavam instalar elementos desse sistema na República Checa e na Polónia, mas o Presidente Barack Obama, em Setembro de 2009, anunciou alterações a esse plano.

Depois, a Roménia e a Bulgária ofereceram os seus territórios para a instalação desses elementos, decisão mal recebida por Moscovo.

O general Nikolai Makarov defendeu a aquisição de porta-helicópteros da classe Mistral a França.

Os navios deste tipo “são multifuncionais e superam três vezes os nossos vasos em todas as características”, afirmou, acrescentando que “a indústria naval russa será capaz de fabricar navios semelhantes apenas dentro de 5 a 10 anos”.

terça-feira, fevereiro 16, 2010

Ouvindo notícias em Kiev


Foi assim que o meu amigo Andrei me captou numa das ruas de Kiev. Ouvia notícias de um velho jude num dia de frio e neve na capital ucraniana.

Israel apela Rússia a apoiar sanções “paralisantes” contra Teerão

O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, pediu hoje em Moscovo sanções económicas urgentes e "paralisantes" contra o Irão, para obrigar o país a renunciar ao enriquecimento de urânio e ao desenvolvimento de seu programa nuclear.
"É preciso impor sanções já, e estas devem ser paralisantes", ressaltou o líder israelita numa entrevista à agência russa "Interfax".
Netanyahu explicou que isso significa que a comunidade mundial deve suspender as vendas de gasolina a Teerão e impedir a exportação de petróleo iraniano, do que dependem, em grande medida, a economia e o orçamento iranianos.
O primeiro-ministro israelita também ressaltou que na véspera fez essa proposta ao chefe de Estado Russo, Dmitri Medvedev, e, anteriormente, aos presidentes dos Estados Unidos, Barack Obama, e da França, Nicolas Sarkozy.
Segundo Netanyahu, sanções deste tipo "podem ser muito eficazes a curto e médio prazo", por isso "é preciso aplicá-las agora, antes que o Irão seja capaz de concluir o seu programa nuclear".

"Se adotarmos sanções, estas devem ser duras e mordentes, e têm que ser impostas já", enfatizou.

Noutra entrevista, desta vez à rádio "Eco de Moscovo", Netanyahu mostrou-se convencido de que a "Rússia entende que o Irão está a desenvolver o seu programa nuclear", o que "se repercutirá negativamente na situação no  Médio Oriente".
O primeiro-ministro israelita afirmou que "a comunidade internacional deve reagir com dureza antes que a ameaça se torne real, já que os iranianos, se quiserem, podem conseguir uma arma (atómica) no prazo de um mês".
"É hora de atuarmos. Conversei especificamente sobre isso com o presidente Medevedev e planeio falar também com o primeiro-ministro (Vladimir) Putin", especificou.
Natália Timakova, porta-voz do Kremlin, informou que, no encontro entre Medvedev e Netenyahu, o dirigente russo reafirmou que o Irão deve cooperar mais activamente com a Agência Internacional de Energia Atómica.
“A comunidade internacional deve ter a certeza de que o programa do Irão tem um caráter pacífico, mas, se não cumprir esses compromissos, ninguém pode excluir a possibilidade do emprego de sanções”, acrescentou.
Por outro lado, Netanyahu confirmou que Israel, a pedido da Rússia, suspendeu a venda de armas à Geórgia e expressou. A esse respeito, disse esperar que Moscovo se abstenha de fornecer complexos de defesa anti-aérea ao Irão.

sábado, fevereiro 13, 2010

Iúlia Timochenko não reconhece legitimidade de eleição de Victor Ianukovitch



Iúlia Timochenko, primeira-ministra ucraniana derrotada nas presidenciais de domingo passado, considera que Victor Ianukovitch não foi legitimamente eleito Presidente da Ucrânia.

“Quero declarar claramente: Ianukovitch não é o nosso Presidente. E independentemente das circunstâncias futuras, ele jamais se tornará o Presidente da Ucrânia legitimamente eleito”, afirma Timochenko, numa mensagem ao povo publicada no seu sítio pessoal na Internet.

Porém, Timochenko promete não permitir confrontos e não trazer os seus apoiantes para a rua.

“Não irei convocar manifestações e não permitirei confrontos civis públicos. A Ucrânia nunca precisou tanto de estabilidade e calma”, acrescenta.

A primeira-ministra promete recorrer aos tribunais para contestar os resultados das presidenciais.

“Conheço muito bem, tal como vocês, a qualidade do trabalho dos nossos tribunais. Mas, ao mesmo tempo, a minha responsabilidade perante vós, perante o país obriga-me a lutar pelo restabelecimento da justiça. Tomei a única decisão possível: contestar os resultados das eleições no trinbunal”, anunciou.

“Na Ucrânia, em geral, as envergaduras possíveis das falsificações constituem mais de um milhão de votos. Esses votos eram absolutamente suficientes para a nossa vitória”, frisa Timochenko.

Segundo dados da Comissão Eleitoral da Ucrânia, Victor Ianukovitch venceu com 48,95 por cento dos votos (cerca de 12,5 milhões), tendo Timochenko conseguido 45,47 (cerca de 11,5 milhões).

Hoje, o Bloco de Iúlia Timochenko apresentou à Comissão Central da Ucrânia 52 queixas de violação da lei eleitoral, mas elas só começarão a ser analisadas no domingo.

Analistas políticos consideram que a declaração de Timochenko é meio reconhecimento da sua derrota. A probabilidade de ganhar nos tribunais é praticamente nula e os dirigentes internacionais, incluindo o Presidente Cavaco Silva, já felicitaram Ianukovitch. Só lhe resta continuar a pressão para não perder tudo.

Teerão ameaça responder à Rússia caso apoie novas sanções



O apoio da Rússia a novas sanções em relação ao Irão irá refletir-se negativamente na cooperação económica dos dois países, nomeadamente no campo da energia, declarou Reza Sajadi, embaixador iraniano na capital russa.

“Hoje, a Rússia ocupa o 36º lugar nas trocas comerciais do Irão. Mas a política da nossa direcção visa fazer com que subam para 15º lugar. Ou seja, pretende,os reforçar as nossas relações”, disse o diplomata à agência Interfax.

“Mas se a Rússia votar pelas sanções, esse processo certamente perderá velocidade. Estamos preocupados não só com o comércio direto entre os nossos países. Semelhante passo ameaça também a nossa cooperação energética”, acrescentou.

O embaixador iraniano recordou que a Rússia e o Irão cooperam “em várias áreas, por exemplo, na estabelecimento do preço do gás ao nível internacional. Um erro da outra parte pode transformar essa cooperação em concorrência”.

“Não se pode esquecer que estamos ligados com a Rússia não só pelo programa nuclear, temos muitas outras esferas de cooperação”, recordou.

O embaixador iraniano deixa mais uma ameaça no ar: “Claro que semelhantes ações da Rússia não terão uma ressonância positiva na opinião pública iraniana. Isso seria o mesmo que o Irão, por exemplo, votasse pela resolução onde a Rússia é considerada culpada do holodomor na Ucrânia”.

A Ucrânia acusa a direcção comunista soviética de ter provocado o holodomor (grande fome) dos anos 30 do séc. XX, que matou milhões de ucranianos, e exige que a Rússia reconheça essa crime enquanto Estado herdeiro da URSS. Moscovo recusa-se terminantemente a fazer isso.

“Ninguém está a dizer que, se as coisas correrem assim, nós iremos suspender as nossas relações bilaterais, mas claro que isso se fará sentir na qualidade da nossa interação”, concluiu.

Depois das últimas ações empreendidas por Teerão no sentido de enriquecer urânio até 20 por cento, Moscovo deu a entender que poderá apoiar novas sanções do Conselho de Segurança da ONU, mas continua a defender a via diplomática para a solução do problema nuclear iraniano.

sexta-feira, fevereiro 12, 2010

Instabilidade política e baixo nível de vida obrigam ucranianos a sair do país



A família de Svetlana é das mais típicas famílias ucranianas. Ela economista, o marido diretor de uma fábrica praticamente falida, os filhos procuram emprego noutras paragens.

O filho trabalha em Portugal na construção civil, enquanto que a nora cuida de pessoas idosas em Itália. Há oito anos a trabalhar no estrangeiro, encontram-se nas férias na Ucrânia, mas nem todos os anos.

“É impossível sustentar a família, mesmo que trabalhem pai e mãe, pois os salários são muito baixos, não chegam para metade das despesas”, lamenta-se Svetlana, em declarações à Lusa.

Segundo vários cálculos, depois de 1991, entre seis a nove milhões de ucranianos emigraram.

Na Ucrânia, o salário mínimo mensal é de 741 grivnas (pouco mais de 70 euros), sendo o médio de 2 500 grivnas (cerca de 250 euros). Uma família que vive num apartamento de três assoalhadas paga mensalmente entre 40 a 50 euros por água, luz e aquecimento.

“As aldeias ucranianas fazem lembrar o período a seguir à segunda Guerra Mundial, só restam mulheres, os homens partiram todos para os mais diversos países”, afirma Lilia, contabilista numa empresa de comércio de automóveis, acrescentando: “só ficam os alcoólicos, os velhos e as crianças”.

Uns vão para juntar dinheiro para que os seus filhos possam estudar nas universidades ucranianas, outros para comprar uma casa e um apartamento no seu país, outros para começar o seu negócio, mas poucos são os que regressam para ficar.

“Quando chegam à Ucrânia, sentem tantas dificuldades em realizar o que quer que seja, nomeadamente a corrupção e legislação confusa, que acabam por deixar outra vez o país”, explica Lilia, exemplificando que “os empresários têm de pagar mais de oitenta diferentes tipos de impostos, sem contar com as “luvas””.

“Além disso, os juros bancários variam entre os 20 e os 30 por centro, o que torna difícil pedir créditos para a habitação ou para começar o seu negócio”, acrescenta Lília.

“E a emigração originou um novo problema grave na sociedade ucraniana, o síndroma do parasitismo juvenil. Os jovens recebem dinheiro dos pais que trabalham no estrangeiro, adaptam-se a isso e não querem fazer mais nada”, frisa Svetlana.

O seu marido, Iúri, junta-se à conversa para dizer: “O Serguei está bem em Portugal, já aprendeu a língua, tem autorização de residência. Em breve, a esposa irá ter com ele”.

“Enquanto a Ucrânia não for governada por políticos responsáveis e honestos, poucos regressarão”, frisa.

À pergunta da Lusa: “alguma coisa irá mudar depois das eleições presidenciais?”, respondem em coro: “deve ficar tudo na mesma, os candidatos só pensam em si”.

Sonho ucraniano com motivos espanhóis e portugueses



Durante a minha estadia na Ucrânia, fiquei com a impressão de que esse país se pode desintegrar em dois ou mais Estados se a élite política continuar a degladiar-se sem olhar a meios. O mapa dos resultados eleitorais veio aumentar ainda mais esse receio. A parte ocidental é vermelha (cor de Iúlia Timochenko) e a oriental é azul (cor de Victor Ianukovitch). Claro que mais de 03 % dos votos é uma prova clara da vitória do dirigente do Partido das Regiões, mas é pouco para que Ianukovitch seja o "Presidente de todos os ucranianos". Victor Iuschenko também não conseguiu sê-lo.
Depois da maratona eleitoral de Domingo para Segunda, fui deitar-me cansado, diria mesmo estoirado, pois foi preciso andar atrás de políticos e politólogos para compreender o que iria a seguir. Mas os cenários eram muitos e todos eles pareciam ter razão de existir.
Nessa noite, tive um sonho em que vi que o problema da integridade territorial ucraniana pode ser resolvido seguindo o exemplo de Espanha de finais do séc. XV. Então, a unidade do país irmão foi conseguida pelo casamento de Fernando e Isabel, os Reis Católicos.
Sim, sim, sonhei que Victor Ianukovitch pediu a mão a Iúlia Timochenko em nome da unidade nacional. Como ambos são casados,  divorciaram-se para oficializar a sua relação. Depois do matrimónio, a Rada Suprema (Parlamento da Ucrânia) aprovou, por esmagadora maioria, a proclamação da Monarquia no país. Lembram-se das Cortes de Coimbra de 1385? Exacto, Victor Ianukovitch e Iúlia Timochenko foram aclamados reis da Ucrânia e da Crimeia. Porquê da Crimeia? Para que os russos abandonem a ideia de reaver este território.
Mas, depois, colocou-se outro problema: quem deve herdar o trono se a raínha já não está em idade de oferecer um herdeiro? Se o sucessor voltasse a ser eleito, isso iria criar grande confusão e a monarquia poderia assemelhar-se à república...
Por recomendação de D.Duarte de Bragança, foi decidido casar o filho do Rei Victor com a filha da Raínha Iúlia e o fruto desse matrimónio seria o herdeiro do Reino da Ucrânia e da Crimeia.
A Rússia, Estados Unidos e União Europeia foram apanhados completamente de surpresa, mas aceitaram esses fatos consumados, porque pareceu ser uma saída sensata. Além disso, ao contrário dos Reis Católicos, os senhores da Ucrânia não expulsaram nem os judeus, nem qualquer outro povo que reside nos seus reinos.
O sonho foi interrompido pelo toque do telemóvel, produto da modernidade que não nos deixa sonhar nas calmas, e ouvi do outro lado da linha: "Milhazes, precisamos de uma peça para atualizares a situação na Ucrânia". Eu caso ia dizer que os ucranianos tinham proclamado a monarquia, mas, antes de preparar a peça, liguei o computador e entrei na realidade: Iúlia Timochenko não só não aceitou a mão de Victor Ianukovitch, como também não reconheceu os resultados do escrutínio...



Este texto foi escrito em conformidade com as regras do novo Acordo Ortográfico



União Europeia propõe plano de modernização a Moscovo, mas Kremlin não quer ouvir falar de “valores europeus”

A União Europeia respondeu à declaração do Kremlin sobre a necessidade de modernização da Rússia elaborando e entregando a Moscovo o seu programa “Parceria para a Modernização”, escreve hoje o diário Kommersant.

Segundo este jornal, a principal tese do documento consiste em que a modernização é impossível sem a democratização, mas Moscovo gostaria que o “programa tivesse um carácter aplicado sem considerações sobre os valores europeus”.

A UE considera que a Rússia deve, primeiro que tudo, garantir “a supremacia da lei” e, depois, concentrar-se na adaptação da econopmia russa aos padrões europeus.

O Kommersant enumera as direcções fundamentais em que os europeus poderiam cooperar com as autoridades russas. Além da construção de um Estado de direito na Rússia, a UE está disposta a apoiar a luta contra a corrupção, pelo melhoramento do clima de investimento, a participar na modernização das organizações não-governamentais russas e, por fim, na transição da Rússia para padrões e regulamentos técnicos europeus.

Citanto um funcionário anónimo, o diário russo escreve que essa ideia partiu de Durão Barroso, Presidente da Comissão Europeia, que gostou do artigo “Em frente, Rússia!”, publicado pelo Presidente russo Dmitri Medvedev, e, na Cimeira UE/Rússia de Estocolmo, propôs ajuda ao Kremlin no campo da modernização.

Em geral, Moscovo recebeu o documento como “um contributo intelectual positivo” para o processo de modernização, mas insiste em que os parceiros europeus se concentrem em aspectos económicos e técnicos da modernização.

“O programa deve ter um carácter aplicado sem longos raciocínios sobre as vantagens dos valores europeus”, declarou ao jornal Vladimir Tchijov, representante da Rússia junto da UE”.

Segundo ele, “na base do programa devem estar a troca de tecnologias, planos de inovação conjuntos com a UE, interacção nas esferas científicas, a utilização das vantagens das partes no plano dos regulamentos e padrões técnicos”.

“Isso pode ser realizado na base de co-financiamento, em partes iguais. Não se trata de um dador e um recetor de esmolas”, concluiu.

Por enquanto não existem datas para o termo do trabalho sobre esse programa e para a sua realização prática, mas alguns resultados deverão já ser apresentados na Cimeira Rússia/UE, marcada para finais de Maio.

quarta-feira, fevereiro 10, 2010

Lvov, a mais europeia das cidades ucranianas

Templo Uniata Católico               
Sinagoga  

A paisagem arquitetónica não é dominada pelas cúpulas douradas em forma de cebola dos templos ortodoxos, mas pelas cruzes das igrejas católicas e greco-católicas. Lvov faz mais lembrar cidades como Viena, Praga, Varsóvia ou Budapeste.
A história desta cidade e da Ucrânia Ocidental em geral ficou marcada pelo facto de terem pertencido, em diferentes épocas, ao império Austro-Húngaro e à Polónia, tendo entrado na “zona de influência russa” apenas em 1939, quando foram ocupadas pela União Soviética devido ao pacto Molotov-Ribbentrop.
Os estilos dos seus edifícios são uma prova do cosmopolitismo de Lvov, tendo-se conservado       ainda bairros arménios e judaicos.                                    
Nos séculos XV e XVI, esta região acolheu muitos dos judeus portugueses e espanhóis que fugiram à Inquisição, ficando os primeiros conhecidos por “lusitanski”.
Lvov tem fama de ter dado refúgio a Ivan Fiodorov, o editor do primeiro livro em língua russa que fugiu à perseguição de Ivan, o Terrível, no séc. XVI, por aqui passaram o maior dos poetas polacos Adam Mickewicz, o autor do famoso romance de ficção científica “Solaris” Stanislav Lem, também polaco, o escritor judaico Sholom Aleihem , bem como a poetisa ucraniana Lesia Ukrainka e o escritor Ivan Franko.                                                                              
Na União Soviética, Lvov era conhecida pelo nome de “pequeno Paris”, sendo por isso cenário de filmes soviéticos sobre a Europa Ocidental.
Do ponto de vista religioso, na Ucrânia Ocidental, ao contrário da Central e Oriental, os uniatas e os católicos são a maioria, havendo também numerosas comunidades ortodoxas do Patriarcado de Kiev (Igreja Ortoxoxa Autocéfala Ucraniana) e do Patriarcado de Moscovo (Igreja Ortodoxa Russa), bem como comunidades judaicas.
Os uniatas são cristãos de rito ortodoxo, mas que reconhecem a supremacia do Papa romano. Em 1564, os jesuítas conseguiram fazer com que alguns bispos ortodoxos do reino da Polónia, do qual fazia parte, então, a Ucrânia Ocidental, passassem a obedecer ao Vaticano. Em 1596, o Concílio de Brest-Litovski foi convocado para proclamar a união dos ortodoxos com Roma, mas essa decisão foi acatada apenas por oito bispos ortodoxos, entre os quais o Metropolita de Kiev, Mikhail Ragoza, que deram origem à Igreja Greco-Católica, também conhecida como Uniata.
Foi aqui também que nasceu a primeira república ucraniana independente, em 1918, que foi rapidamente esmagada por tropas polacas e aqui se concentrou a resistência à assimilação soviética depois da Segunda Guerra.
Continua a ser evidente a existência de duas Ucrânias, uma virada para a Rússia, outra para a Europa, esperando um líder que não permita mais a separação das duas partes deste país.