segunda-feira, maio 31, 2010

Polícia volta a reprimir oposição



A polícia de choque russa (OMON) recorreu hoje à força para reprimir manifestações da oposição ao Kremlin em defesa da Constituição, tendo detido numerosas pessoas em várias regiões do país.
As autoridades russas consideraram essas manifestações “ilegais” por serem realizadas sem autorização prévia, mas a oposição não concordou com essa decisão, sublinhando que a Lei Suprema da Rússia não prevê pedidos de autorização para a realização de manifestações e comícios, e exige apenas que os organizadores informem as autoridades.
Num encontro com intelectuais de São Petersburgo, realizado no sábado passado, o primeiro ministro russo, Vladimir Putin, declarou que os funcionários responsáveis “não se devem esconder” através das limitações previstas na lei para impedir a realização de ações de protesto.
Porém, hoje, o porta-voz de Putin, Dmitri Peskov, afirmou que isso não pode ser interpretado como uma autorização de ações de protesto, “porque a permissão deve ser dada pelos poderes locais”.
Em Moscovo, centenas de polícias de choque e soldados das tropas russas do Ministério do Interior da Rússia cercaram a Praça Triunfalnaia (Praça do Triunfo) desde manhã, embora a oposição, que reúne forças de direita e de esquerda não representadas no parlamento, tivesse convocado a ação de protesto para o fim da tarde.
Além disso, as autoridades organizaram no local uma reunião de jovens de organizações pró-Kremlin dedicado ao Dia do Doador do Sangue.
À hora marcada, as pessoas que saíam do metropolitano eram avisadas pela polícia de que não podiam manifestar-se, tendo os agentes da OMON começado por deter um grupo de 10 jovens que envergavam "t-shirts" com o número “31”, número do artigo da Constituição da Rússia que permite a realização de manifestações e comícios.
As mais de 700 pessoas que assistiam à detenção, muitas das quais nada tinham a ver com a manifestação, gritavam “Vergonha!”, “Liberdade!”, tentando resistir às investidas da polícia.
Os agentes da OMON continuaram a encher camionetas de pessoas detidas, mais de cem, arrastando-as pelos cabelos e recorrendo à força.
Foram também detidos conhecidos líderes da oposição extra-parlamentar como Eduard Limonov, dirigente do Partido Nacional Bolchevique e Ilia Iachin, líder do movimento Solidariedade.
A polícia russa impediu também a realização de manifestações noutras cidades russas, nomeadamente em São Petersburgo.

P.S. Pode parecer difícil compreender porque é que o Kremlin atira tão grande número de polícia de choque contra algumas centenas de pessoas. Mas tem uma explicação: o medo. Esta foi a mais numerosa manifestação da oposição nos últimos tempos. O primeiro-ministro russo Vladimir Putin não foi sincero quando falou com intelectuais russos em São Petersburgo e disse que não tinha nada contra as manifestações que não incomodassem os pacientes dos hospitais infantis e a ida dos russos para as casas de campo.
Putin ficou tão nervoso  com  as observações do cantor de rock Iúri Chevtcuk que nem sequer o reconheceu! Será que haverá alguém minimamente inteligente na Rússia que não conheça as canções de Chevtchuk? Duvido... 
Mais duas notas: 1) até Vladimir Lukin, Comissário para os Direitos Humanos junto do Presidente da Rússia, que assistiu à actuação da polícia em Moscovo, deu razão à oposição e 2) os canais públicos de televisão russos, como já é costume, fizeram de conta que nada aconteceu.

Blog dos leitores (Diplomata russo reconheceu ocupação dos países bálticos)


Texto enviado pela leitora Cristina Mestre:

"O jornal Latvijas avīze, editado na Letónia, publica um artigo sobre a apresentação em Riga do livro “A Rússia Vista por um Conservador Liberal Russo”, do diplomata russo Evgueny Vtiurin. Reproduzimos o texto do artigo:

“Não é frequente os autores de outros países escolherem a Letónia para editar os seus livros na língua original. A apresentação do livro ““A Rússia Vista por um Conservador Liberal Russo” contou com a presença do próprio autor. Até ao ano passado, Evgueny Vtiurin era um diplomata de carreira do Ministério dos Negócios Estrangeiros russo, com experiência de trabalho ainda nos anos da URSS, tendo trabalhado no Egipto, nos EUA e nos países bálticos, nos anos 90.

Segundo o autor, há muito que compreendeu ter “errado” na escolha da profissão uma vez que, estando no serviço diplomático, tratava mais de assuntos administrativos do que de política. Este não é o seu primeiro livro. Anteriormente, tinham sido publicados em Moscovo outras obras suas, assinadas sob o pseudónimo de Yuri Svetin. No fundo, o novo livro é um conjunto de reflexões críticas sobre a Rússia, sobre a sua história, juntamente com tentativas de dar resposta às questões: Quem é culpado? O que fazer? Que futuro nos espera /à Rússia/?

Uma vez que a maioria das editoras de Moscovo se recusou a publicar o livro, Evgueny Vtiurin começou a procurar editores noutros locais e por fim, deteve-se na editora "Jumava”. Não é de admirar, se olharmos para o índice do livro. O leitor encontrará nele muitas afirmações pouco lisonjeiras para o povo russo e para a Rússia, mas o autor, cujos pais sofreram com o estalinismo, tendo o avô sido fuzilado em 1937 porque era uma pessoa muito religiosa e se tinha recusado a aderir ao Kolkhoz, considera que não se deve esconder a verdade, por muito desagradável que tenha sido. No entanto, sublinha ele, o povo russo, pelo menos por enquanto, não quer saber desta verdade.

Noutro excerto, Vtiurin salienta: “Há que voltar a escrever a história da guerra para que a nova geração saiba quanto era cruel e quão cruéis e desumanos os russos podem ser relativamente a si próprios”.É necessário sublinhar também que o autor apoia a concepção das três ocupações, que os países bálticos sofreram durante a guerra, considerando que a Rússia deve reconhecer o facto da ocupação e “pôr uma pedra nesta questão” (…)

Fonte: http://www.regnum.ru/news/1287186.html"

A propósito da "modernização"


Não se trata de uma cópia do famoso vaivém soviético Buran, mas sim um dos cinco aparelhos fabricados para continuar a descobrir os segredos do Espaço. Em vez disso, "aterrou" no Parque da Cultura Gorki de Moscovo e foi transformado num café.



Num dos outros extremos de Moscovo, nasce a "city", arranha-céus gigantes que desfiguram a silhueta da capital russa. Mas as autoridades municipais e federais querem ter os prédios mais altos da Europa, e eles crescem. Os trabalhos pararam no início da crise financeira, mas foram retomados.

Por enquanto, a modernização resume-se a isto. O forte caudal de dólares e euros, originado pela exportação de hidrocarbonetos, continua a não ser canalizado para a modernização, mas para obras de fachada.

domingo, maio 30, 2010

Contributo para História de Angola


Peço desculpa aos meus leitores, por ter deixado passar sem qualquer texto o dia 27 de Maio, que as autoridades angolanas apresentam como o dia da tentativa de golpe militar de Nito Alves. Eu, pessoalmente, inclino-me a pensar que não se tratou de um golpe, mas de luta entre fracções no interior do MPLA, tal como aconteceu na URSS nos anos 30 do séc. XX.
Considero que se tratou de uma provocação de Agostinho Neto, Lúcio Lara e outros dirigentes angolanos para terem pretexto para liquidar os que consideravam os seus mais perigosos concorrentes. No fundo, pode-se comparar à forma como Estaline liquidou os seus adversários no seio do Partido Comunista.
Neste caso, Nito Alves era uma espécie de Trotski angolano.
O coronel soviético Vladimir Varganov, que prestava assistência militar ao Governo angolano nessa altura, recorda nas suas memórias recentemente publicadas"Nós fomos os primeiros no Sul de Angola":
“O nosso trabalho complicou-se depois da tentativa de golpe de Estado de 27 de Maio de 1977, cuja causa foi a luta fraccionista no interior do Bureau Político do MPLA. Nito Alves dirigiu a oposição. Uma parte dos militares das FAPLA apoiavam as suas ideias. Nós desconhecíamos a essência das divergências. Só depois da derrota da oposição surgiu uma grande quantidade de publicações sobre o fraccionismo de Nito Alves e dos seus adeptos. Vários homens foram detidos também na nossa região militar, nomeadamente o comissário político da região militar por mim aconselhado, membro do CC e do Conselho Revolucionário Santos; o comandante do serviço de defesa anti-aérea, mais nove pessoas que nós conhecíamos pessoalmente.Talvez estivessem implicados muitos que desconhecíamos, incluindo civis. O major Ivadi, comandante da região militar, fugia às perguntas a este propósito. Por isso desconhecíamos o seu posterior destino. Segundo fontes não oficiais, muitos foram fuzilados junto do precipício Tuandaval (com uma profundidade de 400 metros)”.

“Infelizmente, é preciso dizer que muitos dos fuzilados tinham estudado na União Soviética”, sublinha ele, acrescentando: “Depois dos acontecimentos de Maio, observámos alguma desconfiança face às nossas recomendações das pessoas a quem dávamos conselhos. Elas não se apressavam a cumpri-las, esperando confirmação do centro, regra geral, um mês”.

Varganov recorda uma reunião de comissários políticos das FAPLA,realizada no Huambo em Julho de 1977: “Ficámos fortemente impressionados com Lúcio Lara, secretário do CC, externamente muito semelhante a F.E.Dzerjinski [criador da polícia secreta soviética, JM], tão decidido e abnegado. Depois de terminada a conferência, ele reuniu os comissários político de todas as regiões e armas, ouviu os nossos desejos e propostas. A reunião começou às 22.45 e terminou às 0.30. Trabalhámos à luz de candeeiros a gás, porque destacamentos da UNITA tinham feito explodir vários postes de alta tensão.

Eis as notas que conservei das palavras finais de Lúcio Lara obre os resultados da região. Ele agradeceu aos conselheiros pelo trabalho, pela vontade de transmitir os seus conhecimentos, bem como comunicou que: - as propostas e notas críticas ajudarão a resolver uma série de questões, de que se deve ocupar urgentemente Dino Matros, comissário político das FAPLA, nomeado para o lugar de Bakalov, executado depois da tentativa de golpe… - o destino da 9ª brigada (que passou para o lado de N. Alves) por enquanto ainda não foi resolvida, mas os cubanos actuaram correctamente ao desarmá-la e isolá-la… - os livros inimigos irão ser retirados…”

sábado, maio 29, 2010

Abolição do sistema de vistos no centro das conversações


A Cimeira Rússia-UE, marcada para 31 de Maio e 01 de Junho em Rostov-no-Don, cidade situada no Sul da Rússia, irá ter como tema central das conversações o projeto de abolição de vistos e de livre circulação de pessoas entre a Rússia e Espaço Schengen.

Moscovo está a fazer forte pressão sobre Bruxelas com vista à abolição de vistos, mas a UE receia precipitações.

“Claro que essa questão será uma das fulcrais na cimeira e esperamos que, em, Rostov-no-Don, o processo de conversações sobre a facilitação do regime de vistos receba um novo impulso”, declarou Fernando Valenzuela, embaixador da UE em Moscovo.

Mas o diplomata acrescenta: “Para nós não é tão importante a questão dos prazos. O processo de conversações deve ser consequente, desenvolver-se passo a passo e, só então, com o andar do tempo, ele poderá conduzir ao fim dos vistos”.

“Eles (UE) não têm mais dúvidas a tirar. Ou melhor, os representantes da UE exigem de nós a abolição do registo de cidadãos estrangeiros. Penso que não vale a pena ir ao encontro deles. Mais de 10 países da UE, que sentem pressão migratória, têm sistemas de registos para os estrangeiros”, considera Olga Potiomkina, perita do Instituto da Europa da Academia das Ciências da Rússia.

“A Rússia, por muito que se esforce, não conseguirá o regime da abolição de vistos com a UE”, frisa.

Serguei Lavrov defende que o avanço nas conversações sobre esse problema é fundamental para impulsionar a “parceria para a modernização”, outro dos temas fulcrais da cimeira.

Este tema foi lançado na cimeira UE-Rússia, realizada em Novembro de 2009 em Estocolmo, e Moscovo pretende passar à fase prática.

“Os primeiros traços da futura parceria já estão definidos: queremos colocar no centro das atenções direções concretas, praticamente significativas, da cooperação, que abarcam o desenvolvimento da economia, da esfera social, da educação, da ciência, da tecnologia, das inovações, da gestão, da administração e do direito”, concretizou.

O preço do gás russo para os países da UE será outro dos temas centrais da reunião, esperando os analistas que se chegue a um acordo neste campo.

Além disso, será também discutida a adesão da Rússia à Organização Mundial do Comércio.

Na cimeira participarão os presidentes da Rússia e UE, Dmitri Medvedev e Herman vam Rompuy, bem como Durão Barroso, presidente da Comissão Europeia, Catherine Ashton, alto representante para a Política Externa, e o seu homólogo russo, Serguei Lavrov.

Esta é a quinta cimeira Rússia-UE realizada nos últimos dez anos.

Organizações políticas da esquerda e da direita russas convocaram para 31 de Maio, em Rostov-no-Don, uma manifestação em defesa da liberdade de reunião, mas as autoridades locais já preveniram que não permitirão a sua realização nesse dia.

sexta-feira, maio 28, 2010

Parceria para a modernização


A Rússia e a União Europeia tencionam discutir um amplo leque de questões na Cimeira de Rostov-no-Don, que se realizará nos dias 31 de Maio e 01 de Junho, declarou Alexandre Gruchko, vice-ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia.

“A cimeira é o principal instrumento de interacção da Rússia e UE, claro que ambas as partes tentaram colocar na ordem do dia questões de carácter estratégico, mas porque as relações entre elas são muito diversificadas, é difícil encontrar matérias que fiquem fora da esfera da atenção dos nossos dirigentes”, declarou o diplomata, numa conferência de imprensa.

Segundo Gruchko, na cimeira irá ser analisado o estado das relações entre a Rússia e a UE, será prestada grande atenção ao novo projeto “Parceria em prol da Modernização”.

“A parte russa considera que ele deve ser um projeto altamente tecnológico, compreensível, orientado para a consecução de resultados concretos nas áreas que determinam o processo técnico-científico, a nova economia de inovação”, sublinhou.

“Semelhante interação deve dar-lhe não só novas qualidades, mas também tornar a Rússia e a UE mais concorrentes na economia global”, acrescentou Gruchko.

O diplomata russo frisou também que esta é a primeira Cimeira Rússia-UE realizada depois da assinatura do Tratado de Lisboa, considerando que Moscovo terá assim “uma delegação estável da parte da UE, com a qual iremos trabalhar num prazo de tempo definido”.

O diplomata russo anunciou também que os dirigentes da Rússia e UE irão debruçar-se sobre a análise das lições da crise na zona euro, “porque estamos interessados em que a UE se desenvolva de forma bem estável”.

Alexandre Gruchko revelou também que os dirigentes da Rússia e EU discutirão problemas do clima, da segurança energética e “as questões internacionais fundamentais”.

“Também aqui esperamos um diálogo profundo, antes de tudo tendo em conta que, na maioria esmagadora dos problemas estratégicos globais, as posições da UE são próximas ou coincidem com as nossas, nomeadamente no que respeita ao Médio Oriente, conflitos congelados e a uma saída ponderada e sensata para o problema nuclear iraniano” concluiu.

quinta-feira, maio 27, 2010

Ucrânia retira adesão à NATO da ordem do dia

A Ucrânia não tenciona aderir à Aliança Atlântica, anunciou Konstantin Grischenko, ministro ucraniano dos Negócios Estrangeiros.

“A Ucrânia continuará a desenvolver as suas relações com a aliança, mas a questão da adesão foi agora retirada da ordem do dia”, declarou Grishenko, numa reunião de órgãos estatais ligados à política externa do país.

Ele acrescentou que semelhante decisão foi tomada porque a ideia da adesão da Ucrânia à NATO não goza do apoio da maioria dos ucranianos.

Segundo uma sondagem realizada em finais de Dezembro de 2009, 60 % dos inquiridos manifestaram-se contra a adesão, 21 % a favor e 19 % não têm posição definida.

quarta-feira, maio 26, 2010

Explosão provoca seis mortos e 46 feridos



Uma explosão no centro da cidade russa de Stavropol provocou cinco mortos e 46 feridos, entre os quais estão váris crianças e jovens, anunciou o Ministério para Situações Extraordinárias da Rússia.

Um dispositivo, com uma carga equivalente a um quilo de trotil, explodiu perto do Palácio da Cultura e do Desporto.

A explosão ocorreu poucos minutos antes do início da atuação do Conjunto de Danças “Vainakh” da Tchetchénia nessa sala de espetáculos.

No local trabalham equipas de socorro, polícia e agentes do Serviço Federal de Segurança.

Boris Skripa, do Ministério para Situações de Emergência, declarou que a versão de “terrorismo” é uma das que estão no centro das atenções das autoridades.

As agências russas não excluem de se ter tratado de uma ação de intimidação para as pessoas que pretendiam assistir ao espetáculo de danças tchetchenas.

“Há forças que não gostam do fato do Cáucaso do Norte se transformar numa região estável, atraente para investimentos nacionais e estrangeiros, para o desenvolvimento do turismo”, declarou o presidente tchetcheno, Ramzan Kadirov, ao comentar o acidente.

A cidade de Stavropol fica situada no sul da Rússia, vizinha com o Cáucaso do Norte, região onde atua uma forte guerrilha separatista islâmica.

Torneios de xadrez podem passar a ser interplanetários

No passado dia 14 de Maio, realizou-se em Moscovo a sessão do Conselho de Observadores da Federação de Xadrez da Rússia, que tinha como único objectivo apresentar o candidato da Rússia ao cargo de presidente da FIDE (Deferação Internacional de Xadrez). O Kremlin tentou impôr o seu candidato, mas sem êxito.

Arkadi Dvorkovitch, assessor do Presidente Medvedev e chefe do citado Conselho, anunciou, ainda antes da reunião, que a Rússia apoiava o actual dirigente da FIDE, Kirsan Iliumjnov, conhecido também por se ter encontrado com extra-terrestres e dirigir a mais pobre das repúblicas da Federação da Rússia: Kalmúkia.

O Kremlin accionou os seus recursos para impôr a decisão: tentou alterar o local da reunião a fim de limitar a presença da imprensa, mas, quando não conseguiu, declarou a reunião “ilegítima”. Todavia, não obstante as pressões, 17 dos 32 delegados do Conselho ficaram no local e decidiram apoiar a candidatura de Anatoli Karpov, 12º campeão do mundo de xadrez.

Entre os apoiantes de Karpov está Garri Kasparov, 13º campeão do mundo de xadrez. Para quem se recorda das relações de rivalidade (para não empregar um termo mais forte) existentes, há alguns anos atrás, entre os dois génios do xadrez mundial, será fácil entender a importância deste duelo com o Kremlin.

Recordo que, em 2004, quando Kasparov foi detido pela polícia por ter participado numa manifestação da oposição liberal russa, Karpov, que não esconde as suas ideias políticas de esquerda, foi visitá-lo à prisão num gesto de solidariedade.

Na reunião acima citada, Karpov apresentou o seu programa eleitoral. Depois de constatar que a situação actual do xadrez enquanto desporto internacional se encontra “nas ruas da amargura”, que o xadrez abandonou as primeiras páginas dos mídias e que as competições internacionais se mudaram das grandes capitais para locais periféricos, ele propôs medidas para reconquistar as glórias antigas deste desporto com meios modernos: projectos a realizar na Internet, virados também para as crianças, colaboração com a UNESCO e outras organizações internacionais.

No dia em que se realizou a reunião do Conselho de Observadores, Karpov tinha já conseguido o apoio de federações de 22 países, enquanto Iliumjinov obteve apenas o apoio da Turquia.

Quem é esta personagem apoiada pelo Krelim?

Vou-me valer de um artigo da conhecida jornalista russa, Elena Massiuk, que, há alguns anos atrás, realizou um documentário sobre esta personagem estravagante.

Segundo Elena Massiuk, Iliumjinov prometeu construir na república que dirige várias empresas industriais, mas terminou apenas uma: de lavagem de lã de ovelha, e esta fechou uma semana depois da abertura. Prometeu criar estações de energia eólica, um Silicon Valey, um cosmódromo, construir na Kalmúkia uma cidade semelhante a Las-Vegas.

Mas nada passou do papel. Entretanto, Iliumjinov transformou a Kalmúkia na mais pobre república da Federação da Rússia, onde 38% dos habitantes vivem na pobreza.

Porém, considera Elena Massiuk, o actual presidente da FIDE não se esquece do seu bem-estar. Ilumjinov reconheceu, numa entrevista, que possui seis rolls-royces: um de cor branca para circular na ardente Elista (capital da Kalmúkia), um preto para Moscovo, um vermelho para ir até às cavalariças, etc.

Embora declare não possuir terras, imobiliário, etc., gosta de contar aos seus hóspedes a história de quando foi almoçar a um dos restaurantes chiques de Moscovo. Quando pediu a conta, o empregado disse: “Nem pense nisso, o restaurante é seu!”.

Este é também o homem que declarou, numa entrevista à televisão russa, que, em Setembro de 1998, foi contactado por extra-terrestres e levado para um local desconhecido. O deputado Andrei Lebedev, filho do estravagante político russo Jirinovski, enviou uma carta ao Presidente Medvedev para ordenar uma investigação com vista a determinar se Ilumjinov revelou ou não segredos de Estado aos extra-terrestres (!!!).

Em prol do xadrez, Iliumjinov construiu, na sua república, a cidade de New-Vassiuki, idealizada por Ostap Vender, herói de livros satíricos como “Bezerro de Ouro” e “Doze Cadeiras”, escritos no início do séc. XX.

Esse genial vigarista , cujo sonho era ir viver para o Rio de Janeiro, disse aos habitantes de Vassiuki a fim de lhes roubar os últimos cobres dos bolsos: “O pensamento xadrezista transformar-se-á numa ciência aplicada e descobrirá formas de comunicação interplanetários... E em Vassiuki realizar-se-á o primeiro torneio de xadrez interplanetário na história da Criação... Viva, camaradas!”.

terça-feira, maio 25, 2010

Blog dos leitores (Um império que não é rentável)


Texto traduzido e enviado pela Cristina Mestre:


"O fracasso das negociações sobre a união aduaneira da Bielorrússia, Cazaquistão e Rússia é um exemplo clássico de como as ambições políticas de Moscovo entram em sistémica contradição com os seus próprios interesses económicos e o grau real de influência sobre os parceiros, escreve hoje a Gazeta.Ru no seu editorial.

A união aduaneira ainda não nasceu mas já se vê dilacerada por latentes guerras tarifárias. Outro “sonho imperial de Putin”, o de criar até 2012 um espaço económico único na Comunidade de Estados Independentes, parece igualmente inviável.

O jornal compara estes projectos ao retumbante acordo russo-ucraniano que permitiu à Esquadra do Mar Negro permanecer na base naval de Sebastopol até 2042, em troca de importantes descontos no preço do gás russo fornecido à Ucrânia.

“Nenhuma base custa tanto”, admitiu o próprio Putin, aquando da visita a Kiev.

As suas palavras denunciam um defeito sistémico: as ambições geopolíticas e os complexos imperiais da Rússia obrigam-na a pagar somas exorbitantes por projectos que, para além de questionáveis, entram em aberto conflito com os seus interesses económicos.

Os parceiros da Rússia trocam uma participação ilusória em tais projectos por crescentes dividendos económicos. Nem a união aduaneira, nem os descontos em matéria de gás poderão proporcionar a Moscovo aliados leais no espaço pós-soviético. Moscovo terá que alimentar essa lealdade constantemente e, à mínima recusa de satisfazer as exigências financeiras dos parceiros, provocará a estagnação ou mesmo a falência de tais projectos geopolíticos.

As tentativas de brincar aos impérios, para além de não serem rentáveis, nem sequer garantem o alcance do objectivo em si. Em particular, porque a elite russa sabe contar dinheiro e em nenhum caso irá financiar o imperialismo do seu próprio bolso.

Fonte: http://www.gazeta.ru/comments/2010/05/24_e_3372288.shtml

segunda-feira, maio 24, 2010

Contributos para a História (Portugal)

União Soviética entregou Portugal à social-democracia



 política realizada pelo Partido Comunista da União Soviética em relação a Portugal após o 25 de Abril de 1974 levou a entrega do país à social-democracia, escreve Anatoli Tchernaiev, alto funcionário da Secção Internacional do CC do PCUS.

No seu diário “Êxodo Conjunto”, recentemente publicado em Moscovo, Tchernaiev escreve a 13 de maio de 1974: “Até onde chegou o nosso Movimento Comunista Internacional e qual o seu aspeto! Por exemplo: Portugal. Foi derrubado o fascismo depois de um domínio de 50 anos. Foi derrubado pelas Forças Armadas. Começou um verdadeiro “Fevereiro de 1917”. Um enorme acontecimento. Cunhal regressou ao país no dia seguinte e, no aeroporto, foi recebido como Lenine na Estação da Finlândia (Petrogrado). Mas não é disso que quero falar! O dirigente do partido socialista, Soares, ainda não tinha passado uma semana depois do golpe, viajou pelos países da Europa. Encontra-se com os seus amigos da Internacional Socialista na Conferência dos partidos socialistas dos países nórdicos”.

Continua Tchernaiev: “E, em toda a parte, resoluções públicas de apoio a Portugal, promessas de ajuda política e material ao desenvolvimento democrático em Portugal. Não será isto o internacionalismo real à maneira social-democrata? Eles não temem escândalos diplomáticos, não sentem nem sequer incómodo pelas suas ações coletivas. O movimento comunista que tentasse fazer algo semelhante! Se alguém tentasse propor alguma conferência sobre Portugal ou algo semelhante, todos fugiriam em diferentes sentidos”, acrescenta.

A 14 de junho de 1975, Tchernaiev cita uma conversa telefónica entre Edward Geriek, dirigente comunista polaco, com o seu homólogo soviético, Leonid Brejnev, antes de um encontro com Olaf Palme, primeiro ministro sueco e um dos líderes da social-democracia europeia: “sabendo que ia ser abordado o tema de Portugal, eu (Geriek) telefonei uma vez mais do avião para Brejnev. Este disse para eu lhe transmitir que nós (soviéticos) não tencionamos e não iremos ingerir, que travamos os comunistas de Portugal no seu arrebatamento pelas transformações revolucionárias e nas relações com os outros partidos. Não precisamos de qualquer base em Portugal e não tencionamos dedicar-nos a isso”.

A 11 de setembro de 1975, o funcionário soviético escreve que o PCUS enviou a Lisboa um colega seu, Vladimir Zagladin, “para “sugerir” a Cunhal não desviar à esquerda”, parar, talvez mesmo recuar, para reunir forças. A política para chegar ao poder através dos militares falhou”.

Anatoli Tchernaiev escreve a 24 de setembro: 24 de setembro de 1975: “Zagladin chegou de Portugal e França. Foi ouvido durante hora e meia no Bureau Político. Este facto é inédito, mas ainda mais inédito é o facto de termos aceitado a social-democracia para Portugal e, pela boca de Zagladin, dissemos isso a Cunhal”.

Entre as razões para justificar essa decisão, Tchernaiev destaca: “a quase inconsciente divisão de esferas com os americanos (A Checoslováquia é “nossa”, Portugal é “vosso”).



Dueto musical luso-russo aplaudido em São Petersburgo e Moscovo


O dueto de música erudita, constituído pela violionista russa Tatiana Samuil e pelo pianista português Filipe Pinto-Ribeiro, realizaram, no sábado e domingo, dois concertos com sala cheia em São Peterburgo e em Moscovo.


Em São Petersburgo, cidade também conhecida como a capital setentrional da Rússia, o concerto teve lugar na sala de concertos do Palácio de Catarina, a Grande, no âmbito do Festival Internacional de Música “Todas as Bandeiras”.

Em Moscovo, o concerto decorreu na Sala de Rakhmaninov do Conservatório Estatal Tchaikovski, no âmbito do Festival Internacional de Música Som Univeresal, tendo ambos os concertos tido lugar em salas praticamente cheias.

Filipe Pinto-Ribeiro e Tatiana Samuil interpretaram obras de clásicos como Mozart (Sonata para violino e piano KV 304), Robert Schuman (Três peças fantásticas) e César Franc (Sonata parara piano e violino).

Além disso, o dueto luso-russo interpretou obras de compositores portugueses. O público aplaudiu a “Romanza para violino e piano de José Vianna da Mota (1868-1948) e recebeu bem a peça "Danses Brisées", a mais recente criação do compositor contemporâneo César Viana (1963) , que teve estreia mundial em São Petersburgo e Moscovo.

Tatiana Samuil é uma das mais conhecidas violionistas contemporâneas russas. Atuou em numerosos países e com diversas orquestras e maestros, nomeadamente com a Orquestra Metropolitana de Lisboa. No concerto da véspera, a intérprete fez vibrar o público com os sons do seu lendário violino Stradivari (1717), que já pertenceu ao grande intérprete Friz Kreisler.

Filipe Pinto-Ribeiro é um pianista português com provas dadas, tendo atuado em numerosos palcos de Portugal e de países estrangeiros. A sua atuação com Tatiana Samuil ficou marcada por uma sincronia perfeita, tendo levado um dos críticos presentes no concerto a comentar que se trata de um “casal musical perfeito”.

Em declarações à Lusa, Filipe Pinto-Ribeiro, pianista que se licenciou em Portugal e se doutorou na Rússia, destacou o fato de, em todos os seus concertos no estrangeiro, prestar grande importância à divulgação de obras de compositores portugueses.

“A peça de Vianna da Mota “Romanza para violino e orquestra” é uma das obras praticamente esquecidas desse conhecido compositor português, César Viana compôs especialmente para nós “Danses Brisées”. Duas fortes razões para interpretar obras de músicos lusos”, declarou Pinto-Ribeiro, claramente satisfeito pela receção dispensada pelo público de São Petersburgo e Moscovo.

Os concertos deste dueto em São Petersburgo e Moscovo foram realizados graças ao apoio da Embaixada de Portugal na Rússia, do Instituto Camões e da transportadora aérea portuguesa TAP.

Contributos para a História (Portugal)

Cunhal implorava encontros com Brejnev, mas em vão


    Na foto: Quadro do pintor soviético D. Nalbandian:  Brejnev saúda Fidel Castro. Cunhal na última fila junto do retrato de Lenine


Álvaro Cunhal, secretário geral do Partido Comunista Português, foi várias vezes a Moscovo na esperança de se encontrar com o líder soviético Leonid Brejnev, mas em vão, escreve Anatoli Tchernaiev, antigo funcionário da Secção Internacional do Partido Comunista da União Soviética, nas suas memórias.

No seu diário “Êxodo Conjunto”, recentemente publicado na capital russa, Tchernaiev escreve a 11 de Setembro de 1975: “Quando Cunhal visitou Moscovo, foi recebido de forma desdenhosa. Brejnev não desejou encontrar-se com ele e B.N. Ponomariov (eu presenciei isso) disse tontarias no espírito do seu compêndio de “História do Partido Comunista da União Soviética”.

Boris N. Ponomariov, dirigente da Secção Internacional do PCUS, não perdia nenhuma oportunidade para dar instruções a Cunhal.

“Na sexta feira. B.N. (Ponomariov) convidou-me para a conversa com Cunhal. Presenciei aí como se faz a história. Esse homem, de quem agora muito depende, e não só em Portugal. Embaraçado e apressado, expõe a Ponomariov, tal como durante a confissão, o que acontece, quem é quem, como é que ele tenciona agir e com o que contar”, escreve Tchernaiev a 03 de novembro de 1974.

E acrescenta: “Desta vez, B.N. ensinava-o, numa linguagem muito atabalhoada, como salvar e fazer avançar a revolução: saber o que se passa nas forças armadas, ter a sua espionagem (junto do CC do partido), como organizar a segurança dos dirigentes (podemos dar armas para cinco ou seis pessoas), bem como seguir a CIA”.

Em Julho de 1980, o dirigente comunista português vê recusado mais um pedido de encontro com Leonid Brejnev.

“Cunhal ficou muito abalado. Eu encontrei-me com ele na quinta feira, estive sentado com ele na Plotnikovskaia até à meia-noite: um homem encantador, realmente um grande líder político da nossa época... E ele disse: eu compreendo, mas eu não preciso de uma longa conversa com Brejnev, muito menos uma discussão, tudo o que eu preciso é orientar-me nos assuntos internacionais e nos assuntos do Movimento Comunista Internacional, e disso falar-me-ão você, Ponomariov, Zagladin, outros camaradas. E eu direi tudo o que vos interessa dos nossos assuntos”, recorda Tchernaiev a 19 de julho desse ano.

O dirigente comunista português, segundo Tchernaiev, explica assim a necessidade do encontro: “Precisava que aparecesse a notícia na imprensa: “Brejnev encontrou-se com Cunhal!”Agora, os americanos fazem-me vénias, convidaram-me pela primeira vez para uma receção na embaixada a propósito da festa nacional dos Estados Unidos; os mais fortes ativistas do campo da direita, reacionários, procuram contacto comigo; o cardeal, pela primeira vez, aproximou-se e conversou de forma amigável; os chineses, pela primeira vez depois da revolução, apareceram no edifício do nosso CC, querem “trocar opiniões”; o presidente aconselha-se comigo frequentemente. O país está na véspera de eleições parlamentares, que podem ter importância fulcral para a Revolução de Abril... O partido cresce, o partido é uma força... E pode faltar um pouco, um pouquinho para conseguir um grande êxito nacional. É para isso que preciso de um encontro com Brejnev”.

Tchernaiev comenta a propósito: “Mas para nós o principal é “não incomodar”! E depois disso os anti-soviéticos e anti-comunistas continuam a gritar sobre a “mão de Moscovo”, de que nós inspiramos em toda a parte a revolução, ensinamos a todos como minar as bases, etc.! Se eles soubessem a realidade...”

Segundo Tchernaiev, o próprio Ponomariov reconheceu que se tratou de um erro político.

“Ele declarou-me inesperadamente (a propósito das honras de que foram objeto, durante as suas visitas oficiais à URSS, o grã-duque do Luxembrugo Jean e a elegante Margarida II da Dinamarca): “Recebemos e pomo-nos nas pontas dos pés perante qualquer um, mas em relação a Portugal, que tem importância colossal para toda a nossa causa, ninguém quer prestar a devida atenção!”, recorda Tchernaiev.



sexta-feira, maio 21, 2010

85% do material bélico no Exército russo está obsoleto


O Presidente russo, Dmitri Medvedev, declarou hoje que a modernização do Exército avança muito lentamente e que 85 por cento do material bélico utilizado nas tropas está obsoleto.
“85 por cento do material bélico está obsoleto e a modernização do Exército avança muito lentamente. É também necessário renovar cerca de 80 por cento das linhas de comunicação que se encontram am péssimo estado”, disse Medvedev durante um reunião com altas patentes do Ministério da Defesa da Rússia.
Dmitri Medvedev assinalou que os sistemas multifuncionais de comunicação são uma componente fulcral da disponibilidade operacional das tropas e têm grande importância tanto para os comandos encarregados da planificação estratégica, para os comandantes de todos os níveis.
O dirigente russo recordou que, na sua mensagem anual à Assembleia Federal em 2009, colocou a tarefa de satisfazer as necessidades do Exército em postos automáticos de comando e centros de tratamento de informação.
Medvedev sublinhou também a necessidade de aproveitar ao máximo as possibilidades que oferece o sistema risso GLONASS (Sistema Global Orbital de Navegação por Satélite) para coordenar as tropas em tempo real.
“Ou seja, é preciso equipar os meios de comunicação de campanha e os veículos militares com recetores de navegação por satélite”, concluiu.

quarta-feira, maio 19, 2010

Rosa Otunbaeva nomeada Presidente interino do país


O governo provisório do Quirguistão nomeou Rosa Otunbaeva Presidente do país durante um período de transição que irá durar até 2012.
“Criar o cargo de Presidente da República do Quirguistão para o período de transição, até à tomada de posse do novo Presidente eleito do país, em conformidade com a Constituição. Os poderes do Presidente do período de transição terminam a 31 de Dezembro de 2011”, lê-se no decreto hoje publicado em Bichkek.
Segundo este documento, “Rosa Otunbaeva, primeira-ministra interina, passa a ocupar o cargo de Presidente”.
O decreto prevê que o Presidente interino “não pode ser membro de partidos políticos e deve garantir a realização de eleições limpas e justas”. Além disso, Otunbaeva não poderá participar nas eleições presidenciais de 2011.
Este documento será sujeito a um referendo, a realizar a 27 de Junho próximo.
Rosa Otunbaieva nasceu em Frunze (Bichkek) a 23 de Agosto dse 1950. Formada em Filosofia, deu aulas de “Materialismo Dialético” na Universidade Estatal da Quirguízia soviética.
Em 1981, começou a carreira política que a levou a representante da URSS na UNESCO.
Após a queda da União Soviética, em 1991, ocupou três vezes o cargo de ministra dos Negócios Estrangeiros do Quirguistão e foi embaixadora dessa país nos Estados Unidos, Canadá e Grã-Bretanha.
Depois da “revolução das tulipas”, que derrubou o Presidente Akaiev em 2005, foi nomeada ministra interina dos Negócios Estrangeiros do Quirguistão, mas foi afastada e passou para a oposição ao novo líder: Kurmanbek Bakiev.
Deputada do Parlamento, participou ativamente nos acontecimentos de 07 de Abril de 2010, quando Bakiev foi derrubado por um levantamento popular, e passou a dirigir o Governo de confiança popular formado pelos vencedores.

Pilotos polacos souberam que não podiam aterrar quatro minutos antes da tragédia

Os controladores aéreos russos advertiram os pilotos do avião do Presidente polaco, Lech Kaczynski, de que eram nulas as condições de aterragem quatro minutos antes da tragédia, revelou hoje Tatiana Anodina, presidente do Comité Aeronáutico Interestatal (MAK).
A perita russa afirmou também que na cabine do Tupolev 154, que se despenhou nos arredores da cidade russa em Smolensk, no mês de Abril, se encontravam pessoas que não pertenciam à tripulação do aparelho.
“Ficou estabelecido que na cabine se encontravam várias pessoas que não eram membros da tripulação”, assinalou Anodina, acrescentando que “foi possível identificar a voz de uma dessas pessoas”.
Segundo a presidente do MAK, a comissão técnica determinou que, durante o voo do avião presidencial, não se registaram a bordo nem atentado terrorista, nem explosão, nem incêndio, nem falhas nos sistemas. Os motores trabalharam até ao momento do choque contra o solo.
Anodina afirmou também que o aeródromo “Severni” de Smolensk dispõe de equipamento necessário para receber aviões de diversos modelos, incluindo o Tupolev-154. O sistema TAWS estava operativo e transmitia toda a informação necessária à tripulação e o sistema de navegação GNSS também.
O aparelho do Presidente polaco que se despenhou no passado dia 10 de Abril nos arredores de Smolensk. Lech Kaczynski, acompanhado pela sua esposa e altos representantes da elite político e militar da Polónia, dirigia-se para a cidade de Smolensk, cidade a oeste de Moscovo a fim de participar numa cerimónia fúnebre em Katyn, bosque onde o regime soviético executou cerca de 22 mil militares polacos em 1940.
A bordo do avião viajavam 88 passageiros e 8 tripulantes, mas nenhum sobreviveu.

terça-feira, maio 18, 2010

Como é que a justiça russa vai "descalçar esta bota"?

Mikhail Khodorkovski, antigo dono do grupo petrolífero russo Yukos, condenado em 2005 a oito anos de prisão, irá fazer greve de fome até que as suas reivindicações dirigidas ao Supremo Tribunal não sejam cumpridas, declarou Vadim Kliuvgant, seu advogado de defesa.
Na semana passada, o período de detenção do antigo oligarca foi prolongada por mais três meses devido a um segundo processo que poderá acrescentar mais 22 anos de prisão por fraude fiscal e branqueamento de capitais.
Segundo o Tribunal do bairro de Khomovski, as acusações permitem a manutenção de Khodorkovski em prisão preventiva até 17 de agosto, uma vez que estava prestes a poder solicitar liberdade condicional.
A cumprir uma pena de oito anos de prisão, por fraude e evasão fiscal, Khodorkovski é agora acusado de se apropriar indevidamente de 9,6 mil milhões dos 15,8 mil milhões de dólares de lucros gerados pela Iukos, entre 1999 e 2003, e de 350 milhões de toneladas de petróleo.
Numa declaração publicada em Moscovo, Khodorkovski afirma que, ao prolongar o período de detenção, o Tribunal do bairro de Khomovski « ignorou abertamente » as alterações feitas no Código do Processo Penal da Rússia em 2010.
Segundo essas emendas, assinadas pelo Presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, os suspeitos de crimes de natureza económica só deverão ser sujeitos a prisão preventiva em casos extraordinários, nomeadamente, se não tiverem residência fixa no país, se a sua identidade não for estabelecida, se violaram as medidas de coerção a que antes estavam sujeitos ou se fugiram às autoridades.
Elena Lukianova, advodada de defesa do antigo oligarca, declarou que « a sua posição não tem pontos fracos, pois a nova norma abarca também o seu caso e não pode haver outra interpretação ».
Em declarações aos jornalistas, Viatcheslav Lebedev, Presidente do Supremo Tribunal da Rússia, declarou que irá analisar a queixa de Khodorkovski e prometeu dar-lhe uma resposta.
Natália Timakova, porta-voz do Presidente da Rússia, declarou que Medvedev tomou conhecimento da declaração de Khodorkovski, resta saber qual será a resposta.

segunda-feira, maio 17, 2010

Medvedev quer saber mais sobre acordo entre Brasil, Turquia e Irão


Dmitri Medvedev, Presidente da Rússia, saudou o acordo sobre o enriquecimento de urânio, assinado hoje pelo Irão, Turquia e Brasil, acrescentando que duvida que ele esclareça todas as questões sobre programa nuclear iraniano.
“Espero hoje à noite conversar por telefone com o meu amigo, o colega Luís Inácio Lula da Silva, Presidente do Brasil. Espero receber informações diretas”, declarou Medevedev depois de um encontro com o seu homólogo ucraniano.
Segundo ele, “em qualquer dos casos, saudamos esse acordo. Trata-se de uma forma político-diplomática de solução do problema iraniano”.
“Mas, pelo que entendi, o Irão irá continuar esse trabalho sozinho (enriquecimento de urânio). Sendo assim, podem continuar a subsistir dúvidas da parte da comunidade internacional”, acrescentou.
O Presidente russo propôs “a convocação de consultas de todas as partes interessadas, incluindo o Irão, para analisar os acordos que foram conseguidos em Teerão”.
O Kremlin, várias vezes enganado por Teerão, quer saber mais do acordo antes de tomar decisões. As autoridades russas desconfiam da forma "fácil" e "rápida" com que o Irão aceitou a proposta turco-brasileira, receando que por detrás dessa atitude esteja uma forma de ganhar mais uma vez tempo.
O Brasil e a Turquia arriscam fortemente o seu prestígio internacional, pois prefiro não acreditar que esses países apenas se estão a aproveitar da onda para fabricar as suas armas atómicas. Neste caso, o sistema de não difusão de armas nucleares irá definitivamente por água abaixo.

Ianukovitch promete a Medvedev maior cooperação, mas tendo em conta interesses nacionais



Os presidentes da Ucrânia e da Rússia, Victor Ianukovitch e Dmitri Medvedev, assinaram várias declarações conjuntas e prometem novos acordos com vista ao incentivo das relações bilaterais, mas com o respeito pelos interesses nacionais.
Após conversações realizadas na capital ucraniana, Ianukovitch e Medvedev assinaram três declarações sobre questões de segurança internacional, da regularização da situação em Transdnístria e da segurança no Mar Negro.
A última declaração prevê o alargamento da cooperação entre a Armada russa que se encontra aquartelada em território ucraniano e a Marinha de Guerra da Ucrânia.
No que respeita à segurança internacional, Ianukovitch frisou: “chegamos a um acordo: não vamos fazer amizade contra alguém. Todas as decisões que tomamos visam defender os nossos interesses nacionais”.
Quanto à normalização da situação da Transdnístria, região separatista da Moldávia que faz fronteira com a Ucrânia e onde se encontram aquarteladas tropas russsas, os dirigentes dos dois países consideram que as partes do conflito devem resolver o problema por via pacífica e apelam à renúncia a ações unilaterais.
Ianukovitch e Medvedev manifestaram a intenção de criar corporações e empresas conjuntas, nomeadamente em áreas como construção naval, fabrico de aviões, indústria espacial e energia.
Na presença dos dois presidentes, os ministros dos Negócios Estrangeiros assinaram o acordo de limitação da fronteira russo-ucraniana.
Ao abordar esta questão, Ianukovitch, conhecido pelas suas gaffes filológicas e literárias, falou em “demilitação” em vez de “delimitação”.
Medvedev considerou que “com o aparecimento de Victor Ianukovitch no poder na Ucrânia, a Rússia passou a ter um parceiro válido, que cumpre as decisões tomadas.
O presidente russo considerou este encontro “apenas o início”, prometendo novos acordos para breve.
“Decidimos criar um plano especial de coordenação do desenvolvimento sócio-económico nos próximos dez anos”, frisou.
As autoridades de Kiev proibiram a realização de manifestações durante a estadia de Medveded na capital ucraniana, o que não impediu militantes da organização feminista “FEMEN” despir-se parcialmente junto do edifício da Presidência do país, numa ação a que chamaram: "Arranhadas pelo Urso" (O apelido do Presidente russo é derivado do nome desse animal).
“A expansão da Rússia ameaça a Ucrânia não só com a perda dos direitos e liberdades sociais, mas com o regresso do conservadorismo soviético. Para as mulheres ucranianas, a liberdade é cheirar a perfumes franceses, e não a botas de borracha. Não permitiremos que o urso russo dê cabo do nosso país e das ucranianas”, declarou Anna Gutsol, dirigente dessa organização.

Ator de origem brasileira assassinado devido à cor da pele


O ator russo de origem brasileira, Tito Romálio, faleceu num hospital de São Petersburgo, na passada semana, devido a ferimentos graves na cabeça, provocados por agressão racista, informa hoje o diário “Novie Izvestia”.
Romálio, 58 anos, foi encontrado sem sentidos junto de uma das casas da Avenida Bogatirski por habitantes locais e conduzido para o hospital, onde faleceu sem recuperar os sentidos.
As autoridades policiais já detiveram o presumível autor do crime e consideram que o assassinato se deveu a “intolerância rácica”.
Segundo o diário eletrónico Fontanka.ru, o presumível assassino é Khamzia Enikeev, 43 anos, “veterano da guerra da Tchetchénia, das guerras do Golfo Pérsico”, que trabalhava como segurança de uma loja perto do prédio onde residia o ator.
“Às 5.30 horas de 10 de Maio, ele provocou um conflito com Romálio e, depois, espancou-o duramente”, declarou uma fonte policial ao diário Komsomolskaia Pravda.
Tito Romálio, era filho de outro ator brasileiro que emigrou para a União Soviético, e participou em numerosos filmes nos anos 50-70 do séc. XX, onde desempenhou papéis de segundo plano: “O Homem Anfíbio”, “A Ilha das Caravelas Perdidas”. O ator realizou o seu último trabalho no cinema no filme “Patrulha Marítima” em 2009.
Segundo o Novie Izvestia, nos últimos tempos, Romálio ganhava a vida dando espetáculos em restaurantes, mas sublinha que “a cor escura da pele lhe trouxe problemas várias vezes”.
“Choro e grito. O destino de Titinho foi difícil. Na Rússia, ele viveu sempre com a marde de “pintado de preto”, humilhava-se para encontrar emprego”, declarou ao jornal Elena Iakhontova, amiga de longa data do ator.

domingo, maio 16, 2010

Moçambique e a União Soviética precisavam deste herói


Artigo sobre o meu livro: "Samora Machel-Atentado ou Acidente" publicado no suplemento Ipslon do Público:

"Samora Machel, o primeiro Presidente de Moçambique, tinha de morrer como um herói. Moscovo não podia admitir falhas no Tupolev-134 que caiu em 1986: a tese do atentado sul-africano era mais confortável. Um novo livro de Jose Milhazes, "Samora Machel - Atentado ou Acidente?", inclina-se conclusivamente para uma falha humana.
É de um episódio distante, e ao mesmo tempo muito presente, que trata o novo livro do historiador e jornalista José Milhazes, "Samora Machel - Atentado ou Acidente?" (Alêtheia). A morte de Samora Machel em 1986 é passado. Mas o mistério que sobre ela permanece é presente, e o acontecimento é olhado, hoje, à luz de uma nova realidade, e de novos e também trágicos episódios, como a morte do Presidente polaco Lech Kaczynski, na queda de um avião do mesmo tipo.
Em 1986, um Tupolev-134. Este ano, um Tupolev-154. Em ambos os casos, a tripulação era russa (em 1986 ainda se dizia soviética), e muito confiante. E é exactamente na Rússia que se centra a investigação de José Milhazes, ex-correspondente do PÚBLICO e actual correspondente da Agência Lusa em Moscovo, para quem o paralelo é inevitável.
Passado e presente ligados pelo mesmo tipo de acontecimento mas também pela leitura política que abre e fecha o livro: "Moscovo forneceu armas suficientes para que o MPLA (em Angola) e a FRELIMO (em Moçambique) continuem ainda hoje no poder", embora "com uma orientação ideológica oposta à defendida por eles até à queda da URSS em 1991".
Passado e presente, sim, confirma José Milhazes em entrevista ao Ípsilon: "Sem o apoio soviético, MPLA e FRELIMO não estariam hoje no poder." O papel que a URSS desenvolveu em Angola e Moçambique teve menos a ver com ideologia e mais a ver com disputas de interesses e de influências com os EUA. Há uma história comum, um passado a unir militares e conselheiros moçambicanos e soviéticos, que mantêm laços ainda hoje demonstrados pela presença dos russos em Angola, operando negócios tão cruciais como o do petróleo ou o dos diamantes, controlados por figuras que continuam no poder.
Passado e presente, também, por contraponto. Voltando à queda dos aviões do Presidente de Moçambique e agora mais recentemente do Presidente Lech Kaczynski: "Enquanto a investigação de Moscovo à queda do avião de Machel foi feita de forma muito confusa e desalinhada, no caso da queda do avião do Presidente da Polónia houve uma atitude clara de abertura por parte das autoridades russas, para que não restassem dúvidas de que não se tratava de uma manobra dos serviços secretos russos."
Um sinal dos tempos. O acesso aos arquivos soviéticos, "que certamente dariam respostas a muitas perguntas", escreve o autor na introdução, continua limitado. A desagregação da União Soviética, em 1991, permitiu porém que começassem a ser publicados testemunhos e entrevistas de pessoas envolvidas nas investigações à morte de Machel. Sem esses materiais, este livro não teria sido possível.

Negligência, diz ele

Ao cruzar três fontes soviéticas, o autor conclui, sem dúvidas, que a queda do avião onde seguia o Presidente de Moçambique, Samora Machel, no dia 19 de Outubro de 1986, aconteceu por desleixo da tripulação e não devido a um atentado. A tese, apresentada então como verdade absoluta, de que o avião foi desviado do seu rumo em direcção ao aeroporto de Maputo por um farol, numa "operação de diversão dos serviços secretos sul-africanos", é falsa, diz Milhazes, baseando-se na publicação dos estudos dos especialistas soviéticos Leonid Seliakov, técnico e construtor de aviões Tupolev, Evgueni Jirnov, jornalista que investigou o caso, e Igor Zotovsky, que acompanhou desde o início, como tradutor, os trabalhos da comissão de inquérito.
A tese é sustentada por testemunhos escritos destes protagonistas, que Milhazes inclui no livro, juntamente com excertos de uma entrevista pessoal com Igor Zotovsky, além de transcrições dos registos das caixas negras do avião, e de observações e análises feitas por técnicos nas comissões de inquérito. Os elementos reunidos e publicados coincidem numa mesma leitura: o avião não estava preparado para o voo e a tripulação cometeu vários erros - o mais grave terá sido o do piloto, que mudou, sem explicação, a rota do avião quando este se aproximava do aeroporto, levando o Tupolev-134 a embater nas colinas de Mbuzine, na África do Sul.
José Milhazes apresenta a versão da negligência como uma certeza, sem margem para dúvidas. Mas o título do livro é em forma de interrogação. "A conclusão deve ser tirada pelo leitor do livro, mas os elementos que apresento permitem concluir que não se tratou de atentado, mas de falha humana", justifica.



Quase 25 anos após a tragédia, não existe uma versão oficial dos acontecimentos. Nem da parte de Moçambique, nem da parte da África do Sul, onde caiu o avião, nem da parte russa. Nenhum dos relatórios das várias comissões de inquérito foi assinado por todos. Há tomadas de posições, discursos ou declarações. Vladimir Novosselov, o único membro da tripulação soviética que sobreviveu à tragédia, disse na altura estar convencido de que se tratara de um "atentado planeado com antecedência" pela África do Sul.

Herói precisava-se

Moçambique mantém a tese do atentado dos serviços secretos sul-africanos, também na altura apoiada, à falta de melhor, pela União Soviética, envolvida na Guerra Fria e na disputa com os EUA pela hegemonia mundial. "Qual não seria o choque e o descrédito" se a União Soviética, uma super-potência, reconhecesse que a morte de um Presidente aliado se devera a desleixo da tripulação e falta de condições do avião?, questiona o autor.
"Naquela altura era preciso um herói", tanto para Moçambique como para a União Soviética. "Nem a URSS nem Moçambique iriam reconhecer que o Presidente Machel morrera devido a tal incúria da tripulação." O selo que as autoridades soviéticas emitiram nesse ano em homenagem a Samora Machel, e se vê agora na capa do livro, "faz parte da política de tributo a um homem que morreu como um herói, alegadamente vítima dos sul-africanos". O atentado "encaixava-se bem na tese do heroísmo", conclui José Milhazes. Ainda hoje, nota o autor, existe em Moscovo uma "Rua Samora Machel".
Ainda hoje, por falta de alternativa, Moçambique mantém a mesma tese, não olhando para os novos dados soviéticos que começaram a ser divulgados em 1991. São esses dados que Milhazes analisa, na sua intenção de convidar para a leitura dos acontecimentos em África, mas sobretudo em Angola e Moçambique, um dos actores principais da época: a União Soviética. Tal como, no Outono do ano passado, convocou Moscovo para um exame da passagem das colónias portuguesas a países independentes em "Angola: O Princípio do Fim da União Soviética".

O papel de Guebuza

Passado e presente, mais uma vez: Armando Guebuza, Presidente da República de Moçambique desde 2004, dirigiu em 1986 as investigações à queda do avião. Guebuza, que no dia do lançamento do livro em Lisboa, 30 de Abril, estava em visita oficial a Portugal, continua a acreditar que "Samora Machel foi assassinado pelo apartheid" sul-africano.
O livro agora lançado em Portugal traz o actual Presidente de Moçambique para o centro da polémica - questiona justamente se o facto de ter sido Guebuza a dirigir as investigações não é uma das razões pelas quais o mistério da catástrofe que vitimou Machel continua por desvendar.
"Essas são as únicas linhas de texto em todo o livro que têm o meu cunho pessoal, e são escritas em forma de pergunta", nota o autor. "E essa pergunta tem razão de ser. Ou se tem elementos para afirmar uma tese, como no caso deste meu livro, ou não se pode desmentir apenas dizendo que se acredita, sem provas, na tese do atentado. Armando Guebuza era o chefe da Comissão de Inquérito. É ele o homem mais informado. E sempre defendeu a tese do atentado." Voltar atrás agora, conclui, seria "perder a face", reconhecer que a versão que sempre defendeu, pensada para criar um herói e preservar uma grande potência, era uma mentira."

sábado, maio 15, 2010

Confrontos entre mineiros e polícia devido a acidente na mina Razpadskaia


A polícia de choque russa (OMON) carregou, durante a noite, sobre mineiros que protestavam contra os baixos salários e más condições de segurança na mina Razpadskaia, na Sibéria.
Na noite de 08 para 09 de Maio, uma explosão de gás metano provocou 66 mortos, mais de 100 feridos, encontrando-se 24 mineiros desaparecidos.
Na véspera, mineiros e familiares dos colegas que morreram e desapareceram devido ao acidente reuniram-se na cidade de Kemerovo para protestar contra os baixos salários nas minas, exigir o melhoramento das condições de trabalho e o esclarecimento cabal das causas do acidente na mina.
Os manifestantes cortaram uma via férrea durante várias horas, o que levou as autoridades locais a enviarem a polícia de choque para o local a fim de desbloquear a via.
Segundo fontes policiais citadas pela agência Interfax, os manifestantes lançaram pedras e garrafas contra a polícia, tendo provocando ferimentos em seis agentes. A polícia deteve 28 pessoas.
Aman Tuleev, governador da região de Kemerovo, onde está situada a mina Razpadskaia, declarou ter-se tratado de uma provocação planeada para destabilizar a situação.
“Apenas dois dos 28 detidos trabalham, os restantes não. A juventude foi conscientemente agitada. Foram detidos 13 veículos com bebidas alcoólicas e sandes. Tratou-se de uma ação elaborada ao pormenor”, acrescentou.
As operações de resgaste foram suspensas na mina e foi decidido inundá-la parcialmente a fim de fazer baixar a concentração de metano nos tunéis, desconhecendo-se a data do reinício do trabalho dos socorristas.

sexta-feira, maio 14, 2010

Medvedev não está muito otimista quanto à possibilidade de Brasil chegar a acordo com o Irão

O Presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, declarou que o seu homólogo brasileiro Lula da Silva tem 30 por cento de probabilidades de chegar a um acordo com o Irão sobre o programa nuclear de Teerão.
“Tendo em conta que o meu amigo, o presidente Lula, é otimisma, eu também vou ser e dou 30 por cento de probabilidades”, declarou Medvedev ao responder a uma das perguntas dos jornalistas.
A Turquia e o Brasil, membros não-permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas, estão a tentar recuperar a proposta de troca de combustível nuclear, apoiada pela ONU, na tentativa de impedir novas sanções contra o Irão.
Para isso, Lula da Silva chegará amanhã a Teerão, depois do termo da sua visita oficial à capital russa.
Dmitri Medvedev acrescentou que a visita do presidente brasileiro é a última oportunidade de do Irão mudar a sua posição face ao seu programa nuclear.
“Espero muito que a missão do presidente do Brasil no Irão termine com êxito. Talvez essa seja a última possibilidade antes da tomadas das decisões conhecidas no Conselho de Segurança sobre o Irão”, declarou.
Segundo ele, “se conseguir obrigar o Irão a aceitar a cooperação em conformidade com as propostas conhecidas do “sexteto” (Estados Unidos, Rússia, China, França, Inglaterra, França e Alemanha), isso será muito bom, e desejamos êxitos a Lula”.
“Ontem, nós discutimos essa questão com o presidente norte-americano. Disse-lhe que era preciso dar uma possibilidade ao presidente do Brasil de utilizar todos os argumentos da comunidade mundial, para dar a possibilidade ao Irão de começar a cooperação”, revelou Medvedev.
“Caso contrário, teremos de agir conforme as abordagens já discutidas pelo “sexteto”. Não gostaria desse desenvolvimento , mas não o posso excluir”, concluiu.

Medvedev e Lula da Silva assinaram vários documentos no campo da cooperação bilateral


Dmitri Medvedev e Lula da Silva, presidentes da Rússia e do Brasil, assinaram vários documentos sobre a cooperação em diferentes esferas.
Depois das conversações no Kremlin, os dirigentes dos dois países assinaram um plano de ações de parceria estratégica, um acordo entre os governos sobre a cooperação no campo da garantia da segurança internacional da informação e comunicações.
Além disso, Medvedev e Lula da Silva concluíram um acordo sobre a proteção mútua da propriedade intelectual no campo da cooperação técnico-militar, bem como o programa de cooperação técnico-científica para 2010-2012.
À margem das conversações, Mikhail Dmitriev, dirigente do Serviço Federal para a Cooperação Técnico-Militar da Rússia, anunciou que os dois países está a realização conversações com vista ao fornecimento de sistemas de defesa anti-aéreos russos ao Brasil.
Na conferência de imprensa no Kremlin, Lula da Silva considerou que, nos próximos anos, as trocas comerciais anuais entre os dois países deverão chegar aos 10 mil milhões de dólares.
“Para o desenvolvimento das nossas relações é necessário um salto qualitativo, devemos aumentar a quota dos produtos com maior mais-valia e eliminar todas as barreiras”, declarou, acrescentando que para isso é preciso também “a criação de uma linha aérea direta entre os dois países”.
O Presidente brasileiro convidou as empresas russas a participarem na exploração de novos jazigos de gás e petróleo, no desenvolvimento da construção naval e das vias de comunicação no seu país.
Dmitri Medvedev anunciou que o Brasil poderá aderir ao GLONASS, sistema de navegação universial por satélite que pertende concorrer com o GPS norte-americano.
Os dois dirigentes informaram também que, a partir de 07 de Junho, deixará de existir o sistema de vistos de entrada para russos e brasileiros.

quinta-feira, maio 13, 2010

Nasce o primeiro domínio web em cirílico

A Rússia estreou hoje o domínio web em cirílico “рф”, pronuncia-se “ere-efe”, em conformidade com a sigla em russo do nome oficial do país: “Rossiiskaia Federatsia” (Federação da Rússia).
“Na noite de 12 para 13 de Maio nasceu o domínio em cirílico, o primeiro do mundo”, declarou Andrei Kolesnikov, chefe do centro de coordenação deste segmento da web global.
Segundo ele, o Presidente da Rússia e o Governo federal foram os primeiros a abrir sítios web do domínio “рф”.
A Rússia foi o primeiro país que recebeu um domínio nacional de nível superior da ICANN, Corporação da Internet para Atribuição de Nomes e Números. De acordo com as previsões, os russos poderão utilizar o alfabeto russo em direções da Internet a partir do próximo Outono.

Lula da Silva em grande na Rússia


Os presidentes da Rússia e do Brasil, Dmitri Medvedev e Lula da Silva, irão discutir, na sexta-feira, questões da cooperação nas esferas do comércio, energia, aviação, bem como assinarão vários documentos, declarou uma fonte do Kremlin às agências russas.
Nas conversações, os chefes de Estado irão dedicar atenção às questões do desenvolvimento das relações bilaterais, nomeadamente à realização de projectos científicos conjuntos de grande envergadura: no complexo agro-industrial, energia (incluindo o átomo civil), indústria espacial e aeronáutica”, precisou a fonte.
Segundo ela, prevê-se a criação de um mecanismo com vista a utilizar as moedas nacionais nas trocas bilaterais.
“O documento mais importante a ser assinado pelos dois presidentes visa estabelecer laços mutuamente vantajosos nas esferas inovadoras com vista à formação de uma aliança tecnológica entre a Rússia e o Brasil”, revelou.
Além disso, irão ser assinados vários acordos no campo da garantia da segurança informativa internacional, da cooperação técnico-científica e da defesa dos direitos de propriedade intelectual na esfera técnico-militar.
“Para a Rússia, o Brasil é um dos parceiros fulcrais na América Latina”, sublinhou a fonte russa.
“Na fase de preparação”, continuou a fonte, “estão uma série de projetos no campo da energia, que prevêem a participação russa na construção de centrais termo- e hidroelétricas no Brasil, e do fabrico de aviões na Rússia (é posível a criação de uma fábrica de montagem de aparelhos brasileiros EMB-145)”, acrescentou.
A gasífera russa Gazprom planeia abrir uma filial no Rio de Janeiro ainda este ano, visando participar na exploração de petróleo e gás no Brasil.
Os presidentes russo e brasileiro pretendem também recuperar terreno no campo das trocas comerciais. Se, entre 2004 e 2008, elas quadriplicaram, de 1,7 para 6,8 mil milhões de dólares, no ano passado, sofreram uma redução de 32 por cento, para 4,6 mil milhões.

quarta-feira, maio 12, 2010

Crítica do meu livro "samora Machel: Atentado ou Acidente?"

Crítica ao meu livro escrita por António Botelho de Melo no blog "ma-schamba":


"Enquanto me encontro a ler o quase enciclopédico ANC: A view from Moscow, de Vladimir Shubin (Joanesburgo: Jacana Media, 2008), interrompi ontem por um serão para ler o mais ou menos bombasticamente intitulado Samora Machel – Atentado ou Acidente?, da autoria de José Milhazes (Lisboa: Alêtheia Editores) publicado há poucas semanas.
O livro de José Milhazes, um português que faz de Moscovo a sua casa aparentemente desde 1977, é, por comparação com a obra de Shubin, que é uma segunda edição revista da primeira, saída em 1999, quase uma brincadeira. Contém algumas citações interessantes relativamente aos grandes protagonistas das décadas entre 1960 e 1990 em Moçambique e na África Austral e o relacionamento dos soviéticos com estes.
Sendo relativamente breve e superficial (para encher o chouriço, começa com a revolução russa em 1917 e no fim até transcreve insuportáveis discursos de Samora a agradecer medalhas soviéticas e de Gorbachov a elogiá-lo à maneira dos tempos de então, com camarada para cima, camarada para baixo), ainda assim tem algumas coisas interessantes, se bem que destinadas a alimentar a guerrilha agora pela memória e pela História, do que foram esses anos.
A começar por Samora Machel, que, por contraste com Joaquim Chissano e Eduardo Mondlane, a acreditar nos testemunhos registados, era considerado quase um tótó pouco racional pelos soviéticos, que se torciam para o acomodar sem saber bem como. Por seu lado, subentendem-se as dificuldades da liderança moçambicana daquela altura em sobreviver e navegar as perigosíssimas águas da Guerra Fria na África Austral.
Pelo meio, José Milhazes aproveita para dar uma tacada a Jacinto Veloso, a Sérgio Vieira e ainda manda um inexplicado torpedo lateral ao actual presidente, sugerindo que não se foi mais longe na investigação das causas e circunstâncias da queda do avião em que Samora e a sua entourage pereceram em 1986, tenha que ver com o facto de Armando Guebuza estar no poder. Para quem como eu está completamente fora da trama, não se percebe a boca publicada, que sugere não sei bem o quê.
A julgar pelo título, o prato forte da obra (que me foi gentilmente oferecida, com rótulo de preço e tudo) seria a queda do avião presidencial em 1986. Mas na verdade é apenas uma parte da obra, em que Milhazes aproveita umas declarações mais ou menos conhecidas e junta a sua às milhentas teorias e conspirações que se vão lendo por aqui e por ali, sobre a queda do avião.
Mas não deixa de ter interesse, já que detalha, por exemplo, a dinâmica do processo, vista do lado soviético, o que não é de subestimar, já que o aparelho e a tripulação do malogrado avião eram soviéticos.
Mas quanto a se foi acidente ou atentado, objectivamente, fiquei na mesma. Aquilo para já é um mistério total, tirando que agora sabemos que a tripulação soviética veio todo o caminho a discutir como dividir entre si umas latas de Coca-Cola surripiadas não sei onde.
Mas o livro tem umas jóias dignas de se ler, como 1) a descrição da cena em que Samora supostamente manda (literalmente) à merda o embaixador russo em Moçambique, 2) a quase impossibilidade dos soviéticos em ajudarem a reforçar a segurança militar no território na face dos ataques das renamos, dos sul-africanos e dos rodesianos, 3) a fase de pastor de Mondlane em Gaza antes de se formar em Portugal (onde, como era de esperar, os tugas logo o trataram abaixo de cão, metendo-o no Aljube por coisa nenhuma), 4) a enigmática descrição dos eventos em redor do assassinato de Mondlane em 1969, contados à lupa como eu nunca lera antes, 5) o facto de Milhazes indicar que o ponto de viragem de toda a guerra com Portugal foi em Julho de 1970, quando o Papa Paulo VI recebe os líderes das guerrilhas africanas antes de uma importante conferência em Roma (pelo meio, morre o ditador Oliveira Salazar, o que Milhazes, curiosamente, omitiu).
E finalmente, uma interessante estatística, quase enterrada por acaso numa das páginas, que indicava que o suporte soviético dado à Frelimo no início dos anos setenta não chegava aos cem mil dólares, enquanto que, apenas poucos anos depois, o orçamento de defesa dos sul-africanos era de cerca de três mil milhões de dólares.
É caso para pensar como é que Samora, mesmo com a história, a razão e a moral do seu lado, pensava que se podia meter com os boers, especialmente num contexto em que a União Soviética se manifestava indisposta para financiar o conflito. E ainda mais curioso foi ficar a saber que, quando oito anos após a independência decidiu assinar o acordo em Komatipoort, em 1984, os amigos soviéticos souberam do tratado pelos jornais. Para eles deve ter sido um grande sapo para engolir.
De certo modo, fico com pena e algo expectante. Milhazes está baseado em Moscovo, e se há dados interessantes e relevantes sobre as perspectivas soviéticas e o seu envolvimento na fase que antecedeu e sucedeu a independência de Moçambique, presumo que certamente esses dados existam na actual Rússia. Assim, quer em termos absolutos, quer em termos relativos (se se comparar, por exemplo, com a profundidade da obra de Vladimir Shubin sobre o ANC, cuja capa reproduzo abaixo), este livro soube a pouco. Espero que esta seja apenas uma primeira tentativa e que Milhazes volte à carga um dia destes com uma versão de 400 páginas muito mais aprofundada sobre o papel soviético em Moçambique.
Entretanto, José Milhazes alimenta um excelente blogue chamado “Da Rússia“, que se recomenda."

P.S. Não vou fazer críticas às críticas, deixo os juízos aos leitores. Mas apenas queria explicar a António Botelho de Melo a propósito da sua seguinte passagem:"manda um inexplicado torpedo lateral ao actual presidente, sugerindo que não se foi mais longe na investigação das causas e circunstâncias da queda do avião em que Samora e a sua entourage pereceram em 1986, tenha que ver com o facto de Armando Guebuza estar no poder. Para quem como eu está completamente fora da trama, não se percebe a boca publicada, que sugere não sei bem o quê."
O actual Presidente de Moçambique participou, em representação da parte moçambicana, em várias comissões de investigação das razões da queda do avião presidencial e surpreende-me o facto de continuar a operar com termos como "acreditar", como se de fé se tratasse.
Se o António Botelho tivesse estado na sessão de lançamento do meu livro e tivesse ouvido o que disse o Sr. Armando Cró Braz, comandante das Linhas Aéreas de Moçambique até 1988, talvez compreendesse melhor este ponto.
Tive imensa pena em não ter conhecido essa pessoa antes, pois poderia dar um bom contributo para o meu livro. Fica para a próxima...